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Tribuna Portuguesa

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Portuguese Tribune May 15th

Text of Tribuna Portuguesa

  • QUINZENRIO INDEPENDENTE AO SERVIO DAS COMUNIDADES DE LNGUA PORTUGUESA

    2a Quinzena de Maio de 2010Ano XXX - No. 1086 Modesto, California$1.50 / $40.00 Anual

    www.portuguesetribune.com www.tribunaportuguesa.com [email protected]

    Antigos Alunos dos Liceus e Escola dos Aores - a importncia de se recordar o passado e reviver amizades pg. 35

    Festa do Esprito Santo em Hilmar - uma festa nica na California pg.18,19

    A Juventude dos 50's

    Hilmar Nove Ilhas em Festa

  • 2 15 de Maio de 2010SEGUNDA PGINA

    Year XXX, Number 1086, May 15th, 2010

    Falar de Portugal...

    EDITORIAL

    Nunca se falou tanto de Portugal na imprensa internacional como agora.No porque temos das melhores praias do mundo, no porque a nossa comida seja exce-lente, no porque temos um clima privilegiado, no por-que somos mesmo um Pas lindo de norte a sul, no porque temos a 3 melhor seleco de futebol do Mundo.Falaram de ns porque estivemos, estamos e estaremos em maus lenois financeiros, at que, como POVO, possamos compreender que um Pas s ter futuro quando a sua pro-dutividade do trabalho seja compensadora de riqueza e o seu crescimento econmico seja constante.O nosso dfice inferior ao da Alemanha, Italia, Espanha, Irlanda, Frana, mas a diferena est em que estes pases crescem econmicamente e ns estamos estagnados j h anos. Que fazer?

    Leaim com ateno a crnica do nosso amigo Diniz Bor-ges. um retrato crtico de uma sociedade comunitria que atravessa um deserto de liderana, um deserto de ideias, no se prevendo um futuro brilhante. No fomos capazes, em devido tempo, de criar novas lideranas no passado. E por isso que a nossa melhor juventude vive numa outra California que no a nossa. Andmos muito tempo a olhar para o nosso umbigo, criando egos desme-surados cujos resultados negativos esto vista. Perdemos o comboio da mudana. Que fazer?

    jose avila

    As MAIS da QuinzenaO distrito escolar onde Diniz Bor-ges trabalha decidiu que, apesar das redues e do seu dfice de quase 4 milhes de dlares, ir abrir as can-didaturas para um Professor de Por-tugus que substituir a Professora Nilza Bettencourt que se aposenta este ano depois de ter feito um tra-balho magnfico. Havia uma certa ansiedade na nossa comunidade de Tulare porque com as redues existe sempre a possibilidade de reduzirem os cursos. Ainda bem que no o fizeram. Ainda bem que Diniz Borges e outros lutaram para que isso no acontecesse, o que os deixaram eufricos de alegria pela justa deciso do distrito escolar. Tulare tem 160 alunos inscritos nes-sas duas escolas e se no substitu-ssem Nilza Bettencourt seria uma catstrofe para a presena da nossa lngua e cultura no ensino oficial americano em Tulare. Agora uma questo de colocarem o anuncio e de conseguimos bons candidatos. Esta no a notcia da quinzena, mas pela importncia que tem, mesmo a NOTCIA DO ANO.

    O jornalista Jason Oliveira, com 34 anos idade, um dos membros mais novos do Society of Portuguese-American Students Hall of Fame. que ao longo dos ltimos cinco anos, esta associao estudantil tem dis-tinguido membros da comunidade portuguesa local pelos seus contri-butos nas mais variadas reas. Todos os anos os MVPA-Awards (Most Valuable Portuguese-Ame-ricans) reconhecem alunos exem-plares e membros da comunidade local que se tenham distinguido. O processo de escolha feito ao longo de um "retiro" de um dia em que os jovens apresentam e analisam os v-rios candidatos. (leia mais na pgina 5)

    A maior perseguio da Igreja no vem de inimigos externos, mas nasce do pecado da Igreja. Por isso a Igreja tem uma ne-cessidade profunda de reapren-der a penitncia e aceitar a pu-rificao, de aprender por um lado, o perdo, mas tambm a necessidade de justica", disse o Papa Bento XVI, quando ain-da voava para Portugal. Palavras profundas de um Papa interessa-do em renovar a imagem de uma Igreja ferida no seu interior.

  • 3COLABORAO

    Tribuna da Saudade

    Ferreira Moreno

    Atravs da imprensa regional tive conhecimento que a C-mara Municipal da Lagoa, em S. Miguel, havia organizado

    novamente o tradicional Concurso de Espantalhos, ou seja, a quinta edio do concurso A Praga dos Melros nas Sea-ras, referindo que a execuo de espan-talhos uma expresso da cultura popular, ocupando um lugar de relevo na memria colectiva do povo aoriano.De facto, j no sculo 16 os agricultores das ilhas aorianas construiam espanta-lhos a fim de afastar a praga dos melros nas colheitas. Destarte, a edilidade lago-ense tenciona recuperar e dinamizar uma tradio significativa dos tempos antigos nas nossas ilhas, e de que ainda retenho imagens gravadas nas recordaes da mi-nha infncia.Na srie Tradies, Costumes & Turis-mo, em Junho de 1947, o saudoso Mes-tre Carreiro da Costa referiu-se aos es-pantalhos numa narrativa a propsito do vigiar da praga, descrevendo que pelos so-alheiros dias de Junho quem percorrer os campos de cultura de quase todas as ilhas aorianas, e se detiver junto dos trigais j louros e prestes a amadurecerem, verifi-car uma algazarra inundando vrzeas e encostas. Tamanha algazarra traduzia-se no vozear do rapazio atento por atalhos e veredas, juntamente com o chocalhar de latas e campainhas espalhadas pela cor-renteza das terras. No dizer de Carreiro da Costa, era este o quadro alegre e pitoresco do vigiar da praga dos melros que, vendo as searas j sazonadas, comeam a rond-

    las aos bandos, na luta de debicarem uns gros louros que telintam como guizos nas espigas, ao mnimo sopro da virao.Constituia um vistoso espectculo ver o frentico esvoaar da passarada, de mis-tura com prodgios de equilbrio sobre as espigas, num constante bica-que-bica dos gros de trigo. No entanto, era imperativo zelar pela seara. Por isso, tornava-se ur-gente o recurso a todas as artimanhas pos-sveis e imaginrias pra afugentar a inva-so dos melros, mais conhecida por praga.No nmero de artimanhas alinhavam-se paus e canas com pequenas bandeirolas nas pontas, bem como espcies de palan-quins aonde convergia uma srie de fios fazendo mover latas e espantalhos em diversos locais do trigal, e ainda bonecos disformes agitando os braos ao sopro do vento. A tudo isto acumulava-se o ruidoso berreiro da rapaziada.Consoante o testemunho de Gaspar Fru-tuoso (Saudades da Terra, Livro IV), j no sculo 16 existia em S. Miguel grande infinidade de pssaros de diversas sortes e muitas outras aves. Igualmente sabemos que, nos primeiros decnios da vida insu-lar, os Aores foram um importante centro de produo cerealfera. Por conseguinte, com tanta passarada volta ultrapassando o nmero de povoadores, foi por vezes de-terminado pelas autoridades usar medidas preventivas com vista a abater a nefanda praga dos melros.Carreiro da Costa apresentou uma selecta lista de provises municipais a este respei-to, e de que me abstenho enumerar aqui e agora. Neste momento bastar apontar

    que, na histria da vida humana nos Ao-res, aquela animada tradio tem os seus precedentes, quando nos campos de cul-tura volteavam ranchos de rapazes pelas searas, gritando e cantando, manejando espantalhos, latas e campainhas por entre as espigas loiras, na nsia e azfama de es-pantar a canalhada de melros numa porfia endiabrada.Em ingls, espantalho toma o nome de scarecrow. Na Grcia antiga foi costume colocar nos campos esttuas de madeira com a efgie de Priapus, filho de Afrodi-te, mas com aparncia de homem velho, gordo e cmico. (The Oxford Illustrated Companion to World Mythology). Aparen-temente, os pssaros evitavam pousar nos campos onde Priapus presidia. A influn-cia grega estendeu-se ao territrio romano, cujos agricultores adoptaram semelhante modalidade.Em japons, o espantalho recebe o nome de kakashi. Original-mente era feito com trapos, campainhas e paus, afixos num mastro levantado no campo e ao qual se pegava fogo. Presentemente, usam-se espantalhos de forma de bonecos com chapus e casacas de chuva. Na Eu-ropa medieval emprega-vam-se crianas a correr e a gritar pelos campos a fim de estorvar os mel-ros. Mais tarde, devido peste e mortalidade in-

    fantil, os agricultores resolveram utilizar bonecos de palha chamados guardies das colheitas.Os scarecrows (espantalhos) marcaram a sua presena entre as tribos dos Nativos Norte-Americanos, antecedendo a chega-da dos emigrantes europeus e seus costu-mes caseiros. Na Califrnia mais popular o uso de fitas, reflexivas e alumiosas, ata-das s plantas, e assim criando um inten-so tremeluzir dos raios do sol, inibindo a aterragem da passarada.

    Chocalheiras, invejosas,No querem bem a ningum;So espantalhos da m lngua,Tiram a honra a quem na tem.

    Rapariga, se casares,Toma conselho primeiro:Mais vale um rapaz sem nada,Do que um espantalho com dinheiro.

    Espantalhos & Companhia

    Arrenda-se Rancho de Cabras

    Vendem-se 800 / 900

    cabras

    ContactarLaura Fraga

    209-726-0869209-918-1118 cell

  • 4 15 de Maio de 2010COLABORAO

    Aores: A Agropecuria Precisa Nova Estratgia

    A produo e exporta-o aoriana tem sido marcada por pocas distintas como a da

    laranja, a do pastel, e nas ltimas dcadas a do leite (vaca), e seus derivados, bem como a carne. Contudo a presente situao eco-nmica mundial, bem como o sis-tema de cotas atribudas produ-o de leite pela Unio Europeia (UE) para os Aores, tm criado dificuldades na quantidade da produo, estrangulando-a. A excedente produo de leite aoriano pode paralisar a inds-tria leiteira, por no haver merca-do que o assimile. Isso no nada de novo, porque antes de sermos membros da UE j o leite era ex-cedentrio na Europa. Hoje temos uma crise econmica na UE, e um euro demasiado forte que limita a exportao dos nossos produ-tos, pelo que os Aores tm que criar produtos alternativos de boa qualidade e rentabilidad