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Tribunal de Contas Secção Regional da Madeira · Tribunal de Contas Secção Regional da Madeira GLOSSÁRIO Comparticipação – Prestação pecuniária feita a título de donativo

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Tribunal de Contas Seco Regional da Madeira

Relatrio n 18/2004-FS/SRMTC

Auditoria orientada a contratos-programa celebrados no mbito da Administrao

Regional Directa

Processo n. 6/03 Aud/FS

Funchal, 2004

Tribunal de Contas Seco Regional da Madeira

NDICE NDICE .................................................................................................................................................................. 1

NDICE DOS QUADROS .................................................................................................................................... 3

RELAO DE SIGLAS....................................................................................................................................... 4

GLOSSRIO ......................................................................................................................................................... 5

FICHA TCNICA................................................................................................................................................. 6

1. SUMRIO EXECUTIVO................................................................................................................................. 7

1.1. QUESTES PRVIAS ...................................................................................................................................... 7

1.2. OBSERVAES.............................................................................................................................................. 7

1.2.1. Enquadramento normativo .................................................................................................................. 7

1.2.2. Apreciao genrica do processo de concesso de apoios financeiros............................................... 7

1.2.3. Avaliao global do sistema de acompanhamento e controlo ............................................................. 9

1.2.4. Apreciao especfica por departamento controlado .......................................................................... 9

1.3. RECOMENDAES....................................................................................................................................... 12

1.3.1. Quanto ao enquadramento normativo ............................................................................................... 12

1.3.2. Quanto ao processo de concesso de apoios financeiros .................................................................. 12

1.3.3. Quanto ao sistema de acompanhamento e controlo .......................................................................... 13

2. INTRODUO ............................................................................................................................................... 14

2.1. FUNDAMENTO E MBITO DA AUDITORIA..................................................................................................... 14

2.2. OBJECTIVOS DA ACO .............................................................................................................................. 14

2.3. METODOLOGIA ........................................................................................................................................... 14

2.4. ENTIDADES AUDITADAS ............................................................................................................................. 15

2.5. GRAU DE COLABORAO DOS RESPONSVEIS ............................................................................................ 15

2.6. PRINCPIO DO CONTRADITRIO .................................................................................................................. 15

2.7. ENQUADRAMENTO JURDICO ...................................................................................................................... 15

2.8. SISTEMA DE CELEBRAO E FISCALIZAO DOS CONTRATOS-PROGRAMA PELA ADMINISTRAO REGIONAL DIRECTA .......................................................................................................................................... 18

2.8.1. Acompanhamento e fiscalizao previstos no contrato-programa tipo............................................. 18

2.8.2. Avaliao do sistema ......................................................................................................................... 19

3. RESULTADOS DA ANLISE....................................................................................................................... 21

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AUD ITOR IA OR IE NTADA A CONT RATOS-P R OG RA M A CE LE BR A DOS N O M B I T O D A ADMIN ISTRAO RE G ION AL D IRECTA

3.1. SECRETARIA REGIONAL DOS ASSUNTOS SOCIAIS .......................................................................................22

3.1.1. Associaes de Bombeiros Voluntrios..............................................................................................22

3.1.1.1. Regulamento de Financiamento................................................................................................................... 22

3.1.1.2. Associao de Bombeiros Voluntrios Madeirenses ................................................................................... 23

3.1.1.3. Associao de Bombeiros Voluntrios de Cmara de Lobos....................................................................... 24

3.1.2. Escola Superior de Enfermagem S. Jos de Cluny.............................................................................25

3.1.3. Instituto das Irms Hospitaleiras Sagrado Corao de Jesus ...........................................................26

3.2. SECRETARIA REGIONAL DE EDUCAO ......................................................................................................28

3.2.1. Plo Cientfico e Tecnolgico Madeira Tecnoplo, S.A. ................................................................28

3.2.1.1. Uma famlia, um computador ...................................................................................................................... 29

3.2.1.2. Um computador para todos .......................................................................................................................... 31

3.2.1.3. INFOCENTROS.......................................................................................................................................... 32

3.2.1.4. Execuo do Programa REGIS .................................................................................................................... 34

3.2.2. Cruz Vermelha Portuguesa ................................................................................................................35

3.2.3. Associao Orquestra Clssica da Madeira......................................................................................37

3.3. SECRETARIA REGIONAL DO PLANO E FINANAS.........................................................................................38

3.3.1. Clube de Golfe do Santo da Serra......................................................................................................39

3.3.2. Club Sports Madeira ..........................................................................................................................42

3.3.3. ADERAM Agncia de Desenvolvimento da RAM............................................................................45

3.3.4. Associaes ........................................................................................................................................47

3.3.4.1. Comunidade Vida Nova Renovamento Carismtico................................................................................. 47

3.3.5. Igrejas ................................................................................................................................................48

3.3.5.1. Fbrica da Igreja Paroquial das Eiras........................................................................................................... 49

3.3.5.2. Fbrica da Igreja do Livramento .................................................................................................................. 51

4. DETERMINAES FINAIS .........................................................................................................................52

ANEXOS ..............................................................................................................................................................55

........................................................................................................57 ANEXO I - NOTA DE EMOLUMENTOS

............................59 ANEXO II QUADRO SNTESE DAS EVENTUAIS INFRACES FINANCEIRAS

...................................61 ANEXO III CIRCUITO DE CELEBRAO DOS CONTRATOS-PROGRAMA

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Tribunal de Contas Seco Regional da Madeira

NDICE DOS QUADROS QUADRO 1 - APOIOS CONCEDIDOS ATRAVS DE CONTRATO-PROGRAMA................................................................ 21 QUADRO 2 - APOIOS ATRIBUDOS PELA SRAS ATRAVS DE CONTRATOS-PROGRAMA............................................ 22 QUADRO 3 - DISTRIBUIO DOS VALORES ATRIBUDOS S ASSOCIAES DE BOMBEIROS VOLUNTRIOS............. 23 QUADRO 4 - VALORES ATRIBUDOS ASSOCIAO DE BOMBEIROS VOLUNTRIOS MADEIRENSES...................... 24 QUADRO 5 - APOIOS CONCEDIDOS PELA SRE ATRAVS DE CONTRATO-PROGRAMA ............................................... 28 QUADRO 6 CONTRATOS-PROGRAMA DA MADEIRA TECNOPLO, S.A.................................................................. 28 QUADRO 7 - DISTRIBUIO ANUAL DA COMPARTICIPAO FINANCEIRA................................................................ 29 QUADRO 8 - VALORES TRANSFERIDOS PARA A CRUZ VERMELHA PORTUGUESA.................................................... 35 QUADRO 9 - APOIOS ATRIBUDOS PELA SRPF ATRAVS DE CONTRATO-PROGRAMA .............................................. 38 QUADRO 10 - VALORES TRANSFERIDOS PARA A ADERAM................................................................................... 45 QUADRO 11 - DISTRIBUIO DOS VALORES ATRIBUDOS A ASSOCIAES ............................................................. 47 QUADRO 12 - DISTRIBUIO DOS APOIOS CONCEDIDOS ......................................................................................... 49 QUADRO 13 - APOIO ATRIBUDO CONSTRUO DA 2 FASE DA F.I.P. DO LIVRAMENTO....................................... 51

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AUD ITOR IA OR IE NTADA A CONT RATOS-P R OG RA M A CE LE BR A DOS N O M B I T O D A ADMIN ISTRAO RE G ION AL D IRECTA

RELAO DE SIGLAS SIGLA DESIGNAO ABV Associao de Bombeiros Voluntrios

ADERAM Agncia de Desenvolvimento da Regio Autnoma da Madeira CE Classificao Econmica CO Classificao Orgnica Cfr Confrontar

CGSS Clube de Golfe do Santo da Serra CP Contrato-Programa

CPA Cdigo do Procedimento Administrativo CRP Constituio da Repblica Portuguesa CSM Club Sports Madeira DL Decreto-Lei

DLR Decreto Legislativo Regional DReg Decreto Regional

DROC Direco Regional de Oramento e Contabilidade DRPF Direco Regional de Planeamento e Finanas DRR Decreto Regulamentar Regional

FEDER Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional FIPE Fbrica da Igreja Paroquial das Eiras FIPL Fbrica da Igreja Paroquial do Livramento

GGCO Gabinete de Gesto e Controlo Oramental IIH Instituto das Irms Hospitaleiras Sagrado Corao de Jesus IVA Imposto sobre o Valor Acrescentado

JORAM Jornal Oficial da RAM LOE Linhas de Orientao Estratgica

LOPTC Lei de Organizao e Processo do Tribunal de Contas OCM Orquestra Clssica da Madeira PGA Programa Global da Auditoria

POPRAM Programa Operacional Plurifundos da Regio Autnoma da Madeira RAM Regio Autnoma da Madeira S.A. Sociedade Annima

SRARN Secretaria Regional do Ambiente e dos Recursos Naturais SRAS Secretaria Regional dos Assuntos Sociais/Secretria Regional dos Assuntos Sociais SRE Secretaria Regional de Educao/Secretrio Regional de Educao

SREST Secretaria Regional do Equipamento Social e Transportes SRMTC Seco Regional da Madeira do Tribunal de Contas SRPCM Servio Regional de Proteco Civil da Madeira

SRPF Secretaria Regional do Plano e Finanas SRRH Secretaria Regional dos Recursos Humanos SRTC Secretaria Regional do Turismo e Cultura

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Tribunal de Contas Seco Regional da Madeira

GLOSSRIO

Comparticipao Prestao pecuniria feita a ttulo de donativo por uma pessoa colectiva de direito pblico () a outra pessoa colectiva de direito pblico, a um sujeito privado ou a um grupo de sujeitos privados, para a cobertura de, pelo menos, parte do custo de uma obra.1

Contratos-programa Contratos celebrados entre a Administrao Pblica e entidades privadas (ou pblicas), cujo objectivo principal o de permitir a execuo de um programa, amplo e escalonado no tempo, de actividades e aces a desenvolver e de resultados a obter pelas entidades beneficirias, e no simplesmente um conjunto de aces ou projectos ou uma s aco ou projecto2.

Clubes desportivos Pessoas colectivas de direito privado que tm como escopo o fomento e a prtica directa de actividades desportivas3.

Instituies particulares de solidariedade social Pessoas colectivas de utilidade pblica que se constituem para dar expresso organizada ao dever moral de solidariedade e de justia entre os indivduos, nomeadamente para fins de apoio a crianas e jovens4.

Subsdio Montante concedido a ttulo definitivo em proveito de uma pessoa pblica ou privada, com vista a atenuar ou compensar um encargo ou a incentivar uma determinada aco. Termo reservado mais particularmente s transferncias efectuadas por uma colectividade pblica em proveito de outras colectividades pblicas, instituies sociais ou empresas.5

Pessoas colectivas de utilidade pblica As associaes ou fundaes que prossigam fins de interesse geral, ou da comunidade nacional ou de qualquer regio ou circunscrio, cooperando com a Administrao Central, Regional ou Local, em termos de merecerem da parte desta administrao a declarao de utilidade pblica6.

1 In Atade, Augusto, Dicionrio Jurdico da Administrao Pblica, vol. II, 2. ed., Lisboa, 1990.

2 Antnio Carlos dos Santos, Maria Eduarda Gonalves e Maria Manuel Leito Marques, Direito Econmico, 4. edio revista e actualizada, Almedina, Coimbra, pg. 199.

3 Definio dada pelo art. 20., n. 1, da Lei n. 1/90, de 13 de Janeiro, na redaco do art. 1. da Lei n. 19/96, de 25 de Junho, utilizada para efeitos de aplicao daquele diploma.

4 Amaral, Diogo Freitas do, Curso de Direito Administrativo, vol. I, 2. edio, 6. reimpresso, Almedina, Coimbra, 2002, pg. 568.

5 In Bernard, Y. & Colli, J. C., Dicionrio Econmico e Financeiro, vol. II, Publicaes D. Quixote, Lisboa, 1998.

6 Esta definio consta do DL n. 460/77, de 7 de Novembro, adaptado RAM pelo DReg. n. 26/78/M, de 3 de Julho.

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FICHA TCNICA

Superviso

Rui guas Trindade Auditor-Coordenador

Coordenao

Mafalda Morbey Affonso Auditora-Chefe

Equipa de auditoria

Gilberto Toms Tc. Verificador Superior Nereida Silva Tc. Verificador Superior

Apoio Jurdico

Alice Ferreira Tc. Verificador Superior

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Tribunal de Contas Seco Regional da Madeira

1. SUMRIO EXECUTIVO

1.1. Questes prvias O presente relatrio integra os resultados da Auditoria orientada a contratos-programa celebrados no mbito da Administrao Regional Directa, realizada junto das Secretarias Regionais do Plano e Finanas, de Educao e dos Assuntos Sociais7, de acordo com o previsto no Programa Anual de Fiscalizao da SRMTC para o ano de 2003.

Com a referida auditoria, que abrangeu o ano econmico de 2002, pretendeu-se que os respectivos resultados contribussem para a elaborao do Parecer sobre a Conta da RAM relativa a 2002, nos domnios da Despesa e dos Subsdios e Outros Apoios Financeiros.

1.2. Observaes Face aos resultados alcanados no mbito desta aco, apresentam-se, de seguida, as principais observaes atinentes concesso de apoios financeiros, isto sem prejuzo do desenvolvimento que dado a cada uma delas ao longo do relato:

1.2.1. Enquadramento normativo

1. Em 2002 continuava a no existir na ordem normativa regional um quadro jurdico consistente, transparente e objectivo definidor dos critrios e condies de atribuio de apoios financeiros por parte da Administrao Regional Directa, capaz de garantir a observncia dos princpios da igualdade e da imparcialidade, constitucionalmente consagrados8 (cfr. o ponto 2.6.).

2. A insuficincia assinalada era extensiva s normas regulamentares e/ou instrues internas delineadoras dos procedimentos a adoptar para efeitos de celebrao e controlo da execuo dos contratos-programa de atribuio de tais comparticipaes financeiras (cfr. o ponto 2.6.).

1.2.2. Apreciao genrica do processo de concesso de apoios financeiros

1. O valor dos apoios financeiros concedidos pelo Governo Regional da Madeira em 2002, mediante a celebrao de contratos-programa, ascendeu a 18.987.686,22 euros, tendo as transferncias efectuadas para os respectivos beneficirios totalizado 14.988.751,50 euros (cfr. o ponto 3).

2. Contudo, verificou-se que as partes outorgantes nem sempre deram integral cumprimento aos contratos celebrados, tendo sido identificadas as situaes a seguir descritas:

7 No perodo compreendido entre 8 e 25 de Julho de 2003. 8 Cfr. o art. 266., n. 2, da CRP, e os art.s 5., n. 1, e 6., ambos do CPA.

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a) Por parte da Administrao Regional Directa:

Deficiente externao dos fundamentos de facto e de direito em que assentaram as decises de concesso dos auxlios financeiros, em inobservncia do disposto nos art.s 124. e 125. do CPA (cfr. os pontos 3.2.1.3. e 3.2.1.4.);

No acolhimento integral, no texto dos contratos outorgados, das clusulas do contrato-programa tipo constante em anexo Circular 3/OR/2000, de 31 de Maro de 2000, emitida pela DROC, bem como de elementos de meno obrigatria, nos termos impostos pelas normas do DLR de aprovao do Oramento da RAM e pelos diplomas especficos que disciplinam a atribuio de apoios a sectores determinados (cfr. os pontos 2.7.1., 3.2.1.3 e 3.3.2.);

Formalizao de contratos-programa sem a prvia emisso de parecer favorvel pela SRPF, exigido pelo art. 24., n. 5, in fine, do DLR n. 29-A/2001/M, de 20 de Dezembro (cfr. o ponto 3.2.1.);

Celebrao de contratos-programa sem uma definio clara, precisa e exaustiva, quer do respectivo objecto, quer dos deveres e obrigaes de cada uma das partes signatrias (cfr. o ponto 3.2.1.3.);

Ausncia ou insuficincia do acompanhamento e controlo da execuo dos contratos-programa, que se reconduziam, em regra, a uma simples verificao documental (cfr. os pontos 2.7.2, 3.1.1, 3.2.1., e 3.3.1.);

No accionamento, por parte da Administrao, das sanes contratualmente previstas para as situaes de incumprimento imputveis aos beneficirios dos apoios financeiros (cfr. os pontos 3.1.1, 3.2.1., e 3.3.1.);

Incorrecta oramentao dos apoios financeiros concedidos, em inobservncia do princpio da especificao das despesas, consagrado nos art.s 7. e 8., n. 2, da Lei n. 28/92, de 1 de Setembro (cfr. os pontos 3.1.3. e 3.2.1.3.);

Demora na transferncia das verbas para as entidades beneficirias, que, em alguns casos, ocorreu em data posterior ao termo de vigncia dos respectivos contratos (cfr. o ponto 3.1.3.).

b) Por parte das entidades beneficirias:

No entrega atempada (ou efectiva falta de entrega) dos documentos de suporte da atribuio dos apoios, nos termos contratualmente definidos (cfr. os pontos 3.1.1.2., 3.1.1.3., 3.1.2., 3.2.1., 3.2.2.2., 3.2.3., 3.3.2. e 3.3.4.);

Introduo de alteraes ao projecto bem como ao plano de actividades contratualmente delineado, sem o conhecimento prvio da Administrao (cfr. o ponto 3.3.5.1.);

No reposio das verbas recebidas para alm do valor das despesas consideradas elegveis (cfr. o ponto 3.3.2.);

Afectao dos auxlios recebidos prossecuo de finalidade distinta da contratualmente estabelecida (cfr. o ponto 3.3.3.).

8

Tribunal de Contas Seco Regional da Madeira 1.2.3. Avaliao global do sistema de acompanhamento e controlo

Detectaram-se as seguintes situaes que evidenciam a ineficcia do sistema de acompanhamento e controlo da execuo dos contratos-programa implantado pela Administrao Regional Directa:

1. Contrariamente ao definido no texto de alguns contratos, foram autorizadas transferncias de verbas sem a apresentao ou entrega atempada, por parte dos beneficirios, dos documentos justificativos das despesas realizadas (cfr. o ponto 2.7.2.);

2. Nem sempre os montantes concedidos foram direccionados prossecuo das finalidades contratualmente acordadas (cfr. o ponto 2.7.2.);

3. O incumprimento dos contratos-programa, pelas entidades beneficirias dos apoios, no foi acompanhado da aplicao, aos infractores, das penalidades fixadas no clausulado contratual (cfr. ponto 2.7.2.).

1.2.4. Apreciao especfica por departamento controlado

A) Secretaria Regional dos Assuntos Sociais (SRAS)

1. A comparticipao concedida Escola Superior de Enfermagem So Jos de Cluny foi processada sem que a entidade beneficiria tivesse disponibilizado os documentos de suporte da despesa exigidos pelo contrato, tendo o relatrio final de execuo do projecto sido entregue depois de decorrido o prazo fixado para o efeito (cfr. o ponto 3.1.2.).

Importa ainda salientar que as despesas deste estabelecimento de ensino so financiadas em 80% pelas verbas transferidas ao abrigo de contratos-programa celebrados com a RAM, o que torna patente a dependncia financeira da instituio relativamente ao oramento regional (cfr. o ponto 3.1.2.).

2. No tocante ao contrato-programa formalizado com o Instituto das Irms Hospitaleiras Sagrado Corao de Jesus:

o apoio concedido destinou-se a amortizar o emprstimo previamente contrado pela instituio para custear a obra comparticipada pelo aludido contrato, isto sem que essa finalidade tivesse ficado devidamente explicitada no clausulado contratual (cfr. o ponto 3.1.3.);

a transferncia da verba concedida foi efectivada em data subsequente da cessao da vigncia do contrato, tendo a despesa sido suportada por uma rubrica oramental distinta da identificada, tanto no clausulado contratual como no acto autorizador da atribuio do apoio (cfr. o ponto 3.1.3.).

B) Secretaria Regional de Educao (SRE)

1. Os processos respeitantes aos contratos-programa celebrados, em 2002, entre a SRE e a Madeira Tecnoplo, S.A, no se encontravam instrudos com o parecer da SRPF, o que indicia o desrespeito pela art. 23., n. 5, in fine, do DLR n. 29-A/2001/M, de 20 de Dezembro (cfr. o ponto 3.2.2.).

2. Relativamente ao contrato-programa dirigido execuo do projecto Uma famlia, um computador, a Madeira Tecnoplo, S.A., no remeteu atempadamente o plano das

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actividades a desenvolver, o cronograma financeiro e o oramento, o mesmo se verificando relativamente ao relatrio de resultados e aos documentos comprovativos das despesas realizadas (cfr. o ponto 3.2.1.1.).

3. Quanto ao contrato-programa orientado para a execuo do projecto Um computador para todos, a Madeira Tecnoplo, S.A., no procedeu ao envio de tais elementos dentro do prazo definido para o efeito - o que no obstou a que os pagamentos tivessem sido efectivados -, o mesmo tendo acontecido com o programa de actividades e com o cronograma financeiro (cfr. o ponto 3.2.1.2.).

4. O texto do denominado contrato de prestao de servios celebrado com vista ao financiamento da gesto do projecto Infocentros, para alm de no aludir fundamentao legal permissiva da atribuio do apoio, no continha a definio exaustiva dos direitos e obrigaes das partes, assim como as penalidades a aplicar em caso de incumprimento, havendo ainda a apontar o facto de a despesa envolvida ter sido objecto de incorrecta classificao oramental (cfr. o ponto 3.2.1.3.).

5. No concernente ao contrato-programa direccionado para a execuo do programa Regis e de outros programas de mbito comunitrio:

a entidade beneficiria no procedeu apresentao do programa detalhado das actividades a concretizar, do oramento e do cronograma financeiro, contrariando, dessa forma, as obrigaes contratualmente fixadas (cfr. o ponto 3.2.1.4.);

quer o acto autorizador da atribuio daquele apoio, quer o prprio contrato outorgado, no so explcitos quanto s razes de facto que estiveram na origem da concesso de um subsdio de 99.759,58 euros destinados a custear a equivalncia patrimonial da empresa Mostramadeira (cfr. o ponto 3.2.1.4.).

6. Nos contratos-programa outorgados com a Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) para auxlio ao investimento:

a informao sobre a utilizao dos apoios atribudos no foi apresentada SRE dentro do prazo contratualmente definido, no tendo sido accionada a penalizao prevista (cfr. o ponto 3.2.2.1.);

as transferncias efectuadas foram incorrectamente classificadas em termos oramentais (cfr. o ponto 3.2.2.1.).

7. Diversamente do estipulado nos contratos-programa celebrados com a CVP para apoio ao funcionamento, esta instituio no procedeu ao envio, SRE, do respectivo relatrio anual das actividades desenvolvidas (cfr. o ponto 3.2.2.2.).

8. A Associao Orquestra Clssica da Madeira no remeteu SRE, dentro do prazo contratualmente definido, o relatrio das actividades desenvolvidas e os documentos comprovativos das despesas realizadas (cfr. o ponto 3.2.3.).

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Tribunal de Contas Seco Regional da Madeira C) Secretaria Regional do Plano e Finanas (SRPF)

1. Os dois contratos-programa outorgados com o Clube de Golfe do Santo da Serra com vista ao financiamento de despesas de manuteno e beneficiao do campo de golfe do Santo da Serra at ao montante mximo de 478.822,99 euros, carecem de base legal, uma vez que o DL n. 432/91, de 6 de Novembro, exclui, no n. 2 do seu art. 4., a possibilidade de as comparticipaes directamente atribudas aos clubes desportivos no domnio do associativismo desportivo terem por objecto planos ou projectos que constituam um encargo ordinrio dos mesmos clubes (conforme se verificou ser o caso), sendo, assim, susceptvel de determinar a ilegalidade dos pagamentos efectuados a coberto daquele ttulo jurdico, por inobservncia do disposto no art.s 3., n. 1, do CPA e no art. 18., n. 2, da Lei n. 28/92, de 1 de Setembro (cfr. o ponto 3.3.1. e Anexo II).

2. A comparticipao pecuniria destinada ao financiamento da Edio 2002 do Rali Vinho Madeira foi concedida ao Club Sports Madeira (CSM) mediante a celebrao de contrato-programa, com fundamento legal no art. 24. do DLR n. 29-A/2001/M, de 20 de Dezembro, quando, face ao principal objectivo prosseguido pelo contrato, a atribuio daquele apoio encontrava-se subordinada observncia do regime jurdico fornecido pelo DRL n. 25/99/M, de 27 de Agosto, e pela Portaria n. 78/2001, de 13 de Julho.

Neste contexto, resulta da interpretao conjugada dos art.s 3., al. c) e d), 6. e 7., todos do DLR n. 25/99/M, que a atribuio daquele subsdio deveria ter revestido a forma de protocolo (cfr. o ponto 3.3.2.). Para alm deste aspecto formal, no ficou demonstrado que a candidatura apresentada pela entidade beneficiria tivesse sido submetida apreciao de uma comisso de anlise e acompanhamento, constituda nos termos dos art.s 8. e 9. da Portaria n. 78/2001, de 13 de Julho, no tendo o clausulado do contrato acolhido integralmente o elenco de direitos e obrigaes das partes (cfr. o ponto 3.3.2.).

Ao abrigo do contrato assinado entre o CSM e a SRPF, foram disponibilizadas verbas no valor de 748.200,00 euros, dos quais 342.581,40 euros suportaram despesas realizadas pela Associao Rali Vinho da Madeira. Dado que esta associao no foi parte no contrato, as transferncias efectuadas para alm do valor das despesas elegveis apresentadas pelo CSM so passveis de configurar pagamentos ilegais, por desrespeitarem o estatudo nos art.s 3., al. d), 7. e 10., n. 1, todos do citado DLR n. 25/99/M (cfr. o ponto 3.3.2. e Anexo II).

3. No contrato-programa assinado com a ADERAM com vista comparticipao das despesas no elegveis dos projectos desenvolvidos em 2002, o apoio financeiro concedido foi utilizado na prossecuo de finalidade distinta daquela que presidiu atribuio da respectiva comparticipao, devendo os pagamentos efectuados ser considerado ilegais, por incumprimento da previso normativa dos art.s 24. do DLR n. 29-A/2001/M e 11. do DRR n 4/2002/M, de 13 de Fevereiro (cfr. o ponto 3.3.3. e Anexo II).

4. A propsito do contrato-programa celebrado com a associao Comunidade Vida Nova Renovamento Carismtico, verificou-se que a entidade beneficiria no respeitou o prazo contratualmente estipulado para efeitos de entrega do relatrio final do projecto realizado (cfr. o ponto 3.3.4.1.).

5. Por sua vez, no processo referente Fbrica da Igreja Paroquial das Eiras apurou-se que:

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esta instituio no informou a SRPF, em tempo til, acerca das alteraes

introduzidas ao nvel do projecto inicial da obra, financeiramente apoiada por contrato-programa previamente celebrado com aquele Servio, o que comprometeu o acompanhamento da sua execuo por parte da SREST (cfr. o ponto 3.3.5.1.);

a parcela transferida em 2001 foi paga por uma rubrica oramental relativa a transferncias correntes, o que no se afigura correcto, por estar em causa uma despesa de capital.

6. A partir do ano 2002, o clausulado dos contratos-programa celebrados pela SRPF passou a prever o acompanhamento da realizao fsica dos projectos respeitantes realizao de obras, a concretizar pela SREST, o que se anota como positivo (cfr. os pontos 2.7.2., 3.3.5.1. e 3.3.5.2.).

1.3. Recomendaes No contexto da matria exposta no relatrio e das observaes dele decorrentes, tendo, ainda, em devida considerao os resultados do exerccio do contraditrio, o Tribunal entende formular as seguintes recomendaes.

1.3.1. Quanto ao enquadramento normativo

Criao de um quadro jurdico consistente, transparente e objectivo, assente nos princpios constitucionais da igualdade e imparcialidade, que defina critrios concretos e uniformes para a atribuio de apoios financeiros, identifique os direitos e obrigaes das partes outorgantes, estabelea mecanismos de acompanhamento e controlo da execuo dos contratos e fixe os trmites de avaliao dos resultados alcanados e dos benefcios sociais obtidos.

Elaborao de normas e/ou instrues internas que regulem de forma mais exaustiva os procedimentos a adoptar para efeitos de celebrao e controlo da execuo dos contratos-programa de atribuio de comparticipaes financeiras.

1.3.2. Quanto ao processo de concesso de apoios financeiros

As partes outorgantes devem dar integral cumprimento aos contratos celebrados, nomeadamente quanto aos seguintes aspectos:

a) Administrao Regional Directa:

Observncia do disposto nos art.s 124. e 125. do CPA, atravs de uma adequada explanao dos fundamentos de facto e de direito em que assentaram as decises de concesso das comparticipaes financeiras;

Acolhimento integral das disposies impostas pelo DLR de aprovao do Oramento da RAM e pelos diplomas especficos que disciplinam a atribuio de apoios a sectores determinados, destacando-se a formalizao de contratos-programa com a prvia emisso de parecer favorvel pela SRPF;

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Tribunal de Contas Seco Regional da Madeira

Incluso, nos contratos-programa a celebrar, das clusulas do contrato-programa tipo constante em anexo Circular 3/OR/2000, com particular nfase para aquelas relativas ao objecto, aos deveres e s obrigaes de cada uma das partes intervenientes, que devem ser definidos de forma clara, precisa e exaustiva;

Correcta cabimentao dos apoios financeiros concedidos, com indicao da rubrica oramental pertinente tanto no contrato celebrado como no acto que autoriza a atribuio do apoio, em observncia do princpio da especificao das despesas, consagrado nos art.s 7. e 8., n. 2, da Lei n. 28/92, de 1 de Setembro;

Concretizao da transferncia das verbas concedidas durante o perodo de vigncia dos contratos-programa.

b) Entidades beneficirias:

Entrega atempada (ou efectiva entrega) dos documentos de suporte da atribuio dos apoios, nomeadamente o plano de actividades, o oramento, o cronograma financeiro e o relatrio de actividades acompanhado dos documentos comprovativos das despesas, nos termos definidos nos contratos-programa outorgados;

Introduo de alteraes ao projecto bem como ao plano de actividades contratualmente delineado mediante o conhecimento e assentimento prvio da Administrao Regional;

Afectao dos auxlios recebidos prossecuo das finalidades contratualmente estabelecidas e reposio dos montantes recebidos que excedam o valor das despesas consideradas elegveis.

1.3.3. Quanto ao sistema de acompanhamento e controlo

Acompanhamento e controlo, por parte da Administrao Regional, dos aspectos financeiros, tcnicos e legais da execuo dos contratos-programa, de modo a evitar possveis situaes de incumprimento por parte das entidades beneficirias dos apoios.

Previso, no clausulado dos contratos-programa destinados a apoiar financeiramente a realizao de obras, do acompanhamento da execuo fsica dos respectivos trabalhos, a fim de reduzir os custos decorrentes da introduo de alteraes aos projectos inicialmente aprovados.

Aplicao, por parte da Administrao Regional, das penalidades contratualmente definidas para as situaes de incumprimento imputveis aos beneficirios dos apoios financeiros, nomeadamente a impossibilidade de celebrao de novos contratos at regularizao das situaes pendentes.

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2. INTRODUO

2.1. Fundamento e mbito da auditoria O Programa de Fiscalizao para o ano de 2003, aprovado pelo Plenrio Geral do Tribunal de Contas, na sua sesso de 19 de Dezembro de 2002, atravs da Resoluo n. 2/02 PG, previa a realizao de uma auditoria orientada a contratos-programa (CPs) celebrados no mbito da Administrao Regional Directa.

2.2. Objectivos da aco A auditoria enquadra-se nas Linhas de Orientao Estratgica (LOE) definidas pelo Tribunal de Contas no seu Plano de Aco para o trinio 2002-20049, e, com a sua realizao, pretendeu-se imprimir maior eficcia fiscalizao da actividade financeira da RAM, nomeadamente melhorando o parecer sobre a Conta da Regio Autnoma da Madeira, e controlando o crescimento e a racionalidade da despesa pblica.

Esta aco foi direccionada fiscalizao dos CPs celebrados no mbito da Administrao Regional Directa, tendo por objectivo apreciar os circuitos a eles associados, nomeadamente no tocante forma de apresentao de candidaturas, aprovao, concesso e controlo dos apoios financeiros, assim como avaliar o respectivo grau de realizao financeira e verificar se a aplicao das verbas atribudas decorreu em conformidade com as finalidades previstas nos respectivos contratos.

2.3. Metodologia A metodologia seguida na realizao da presente aco englobou trs fases distintas (planeamento, execuo, anlise e consolidao de informao), tendo-se adoptado, no seu desenvolvimento, os mtodos e os procedimentos presentes no Manual de Auditoria e de Procedimentos10.

A) Fase de Planeamento

Recolha e avaliao da informao sobre os CPs celebrados; Consulta do dossier permanente da(s) entidade(s); Elaborao de questionrios; Estudo e anlise da legislao pertinente; Elaborao do PGA onde foi definida a amostra das entidades objecto de anlise.

B) Fase de Execuo

Iniciou-se com uma reunio de abertura com os responsveis dos servios auditados, que visou apresentar a equipa e informar os servios sobre o mbito e objectivo da aco;

9 Cfr. Resoluo n. 1/01-PG, de 28 de Junho, que aprovou o Programa Trienal do Tribunal de Contas, incluindo o da

SRMTC, para 2002/2004.

10 Aprovado por deliberao do Plenrio da 2 Seco do Tribunal de Contas, de 28 de Janeiro de 1999, e adoptado pela SRMTC atravs do Despacho Regulamentar n. 1/01-JC/SRMTC, de 15 de Novembro de 2001.

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Com base nos resultados obtidos nos servios, foi elaborado e aprovado o Programa de Auditoria;

Procedeu-se verificao e anlise dos documentos de despesa e demais documentao de suporte.

2.4. Entidades Auditadas De acordo com a amostra evidenciada no Programa Global da Auditoria, considerando o universo a auditar, o controlo recaiu sobre as Secretarias Regionais dos Assuntos Sociais, de Educao e do Plano e Finanas, por terem sido estes os departamentos da Administrao Regional Directa seleccionados em resultado da verificao simultnea dos seguintes critrios:

Ser o total dos apoios concedidos em 2002, por Secretaria Regional, superior a 2,3 milhes de euros (valor mdio dos apoios concedidos);

Ser o total dos apoios pagos em 2002, por Secretaria Regional, superior a 1,8 milhes de euros (valor mdio dos montantes pagos).

2.5. Grau de colaborao dos responsveis No existiu qualquer condicionante ao normal desenvolvimento dos trabalhos da auditoria, realando-se a boa colaborao prestada pelos dirigentes e funcionrios dos servios auditados, quer em termos de celeridade na apresentao da documentao solicitada, quer nos esclarecimentos prestados, o que contribuiu, de forma decisiva, para que os objectivos definidos para esta aco fossem alcanados dentro do prazo previsto.

2.6. Princpio do Contraditrio No mbito desta aco, cumpriu-se o princpio do contraditrio, previsto no art. 13. da Lei n. 98/97, de 26 de Agosto, com a audio da Presidncia do Governo Regional, da Vice-Presidncia e de todas as Secretarias Regionais, que remeteram as suas alegaes, relativamente ao contedo do relato de auditoria, as quais foram levadas em conta na elaborao do presente relatrio, procedendo-se sua transcrio sempre que estas se consideraram oportunas nos pontos pertinentes.

Os factos referenciados e sintetizados nos pontos 1.2.4. C) 1., 2. e 3. -, so, eventualmente, susceptveis de tipificar infraces geradoras de responsabilidade financeira sancionatria, nos termos do art. 65, n. 1, alnea b) da Lei n. 98/97, de 26 de Agosto (Vide Anexo III)

2.7. Enquadramento Jurdico A atribuio de apoios financeiros a fundo perdido por parte da Administrao Pblica insere-se no quadro amplo de medidas de fomento econmico delineado com vista a envolver entidades privadas (e por vezes tambm entidades pblicas) na prossecuo do interesse pblico11.

Embora revestindo a natureza de acto administrativo12, a concesso de tais ajudas financeiras tem vindo a adquirir um carcter condicional, na medida em que fica dependente da aceitao, pelos

11 O princpio da prossecuo do interesse pblico constitui o mbil e o fim ltimo da actuao da Administrao Pblica,

encontrando consagrao no art. 266., n. 1, do texto constitucional e expresso legal no art. 4. do CPA.

12 Nos termos da definio legal fornecida pelo art. 120 do CPA, so subsumveis no conceito de acto administrativo as decises dos rgos da Administrao Pblica que, ao abrigo de normas de direito pblico, visem produzir efeitos jurdicos numa situao individual e concreta.

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destinatrios, de um conjunto de condies, expressamente definidas por contrato-programa. Neste contrato deve ficar igualmente traado o plano das actividades a desenvolver e dos resultados a alcanar pelas entidades beneficirias ao longo do cronograma temporal estabelecido.

A concesso de verbas a ttulo de prestao pecuniria sem contrapartida (apoios no reembolsveis) impe, no entanto, a existncia de um quadro normativo definidor das formas e termos da atribuio dos apoios, assente nos princpios constitucionais da igualdade e da imparcialidade13, com a definio de critrios concretos e uniformes para a sua atribuio e a identificao dos direitos e obrigaes das partes outorgantes dos CPs 14 , e que estabelea mecanismos de acompanhamento e controlo da execuo dos contratos e a fixao dos trmites de avaliao dos resultados alcanados e dos benefcios sociais conseguidos, como forma de salvaguarda da boa gesto dos dinheiros pblicos.

Na ordem jurdica regional, os poderes de garantia da prossecuo do interesse pblico nsitos na norma do art. 21., n. 1, da Lei n. 28/92, de 1 de Setembro15, ainda no deram origem criao de um regime normativo estruturado e exaustivo em matria de atribuio de apoios financeiros, reconduzindo-se a simples regras genricas avulsas inseridas nos diplomas legislativos que anualmente aprovam e pem em execuo o oramento da RAM, as quais vm fornecendo a base legal para a concesso de comparticipaes pecunirias por parte do Governo Regional em cada ano econmico, e s instrues internas constantes da Circular 3/OR/2000, de 31 de Maro de 200016, emitida pela Direco Regional do Oramento e Contabilidade17, numa tentativa de uniformizar e clarificar as formalidades a adoptar neste domnio18.

Na linha do diploma de aprovao do oramento de 2001, o DLR n. 29-A/2001/M, de 20 de Dezembro, que aprovou o oramento da RAM para 2002, nos n.s 1 e 2 do seu art. 23., inserido no Captulo VIII, sob a epgrafe Concesso de subsdios e outros apoios financeiros, autorizava o Governo Regional a conceder apoios financeiros a entidades pblicas e privadas no mbito das aces e projectos de desenvolvimento que visassem o aumento do nvel de vida e o fortalecimento ou aumento da produo regional, bem como a aces e projectos de carcter scioeconmico, cultural, desportivo e religioso direccionadas salvaguarda das tradies, usos e costumes, o patrimnio regional ou a promoo da Regio Autnoma da Madeira, enquanto que o art. 24. do mesmo diploma conferia competncia ao executivo regional para apoiar entidades de utilidade pblica 19 , mediante a celebrao de contratos-programa e desde que estivesse devidamente

13 Cfr. o art. 266., n. 2, da CRP, e os art.s 5., n. 1, e 6., ambos do CPA.

14 Est, pois, em causa, a definio de critrios de acesso e seleco das candidaturas formalizadas pelas entidades que pretendem beneficiar dos apoios, de critrios de determinao da natureza das despesas elegveis e de fixao das regras de clculo do valor das comparticipaes.

15 Esta norma da Lei de Enquadramento do Oramento da RAM fixa a competncia genrica para a fiscalizao administrativa da execuo oramental.

16 A referenciada circular fixou as formalidades exigidas para a atribuio de apoios financeiros pelo GR, sendo dirigida a todos os Servios da Administrao Regional Directa.

17 Na sequncia da publicao do DLR que aprovou o Oramento da RAM para 2000.

18 A circular em questo agrega, em anexo, os modelos-tipo da Resoluo do Conselho do Governo que autoriza a concesso do apoio e do contrato-programa a outorgar com os beneficirios.

19 Definidas pelo DL n. 460/77, de 7/11, adaptado RAM pelo DReg. n. 26/78/M, de 3 de Julho, que fornece a noo de pessoa colectiva de utilidade pblica, e as condies gerais, a competncia e o processo de declarao de utilidade pblica.

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Tribunal de Contas Seco Regional da Madeira fundamentada a prossecuo efectiva da satisfao das necessidades pblicas e da melhoria da qualidade de vida das populaes.

No mesmo enquadramento, o citado art. 23., nos seus n.s 3 e 4 e 6, impunha que a concesso dos apoios se fundamentasse em motivos de interesse pblico e com observncia dos princpios constitucionalmente consagrados da igualdade, da publicidade e da transparncia, devendo ser objecto de contrato-programa a outorgar com os respectivos beneficirios.

Por sua vez, os n.s 4 e 5 daquele art. 23. obrigavam a que os apoios concedidos fossem objecto de CP a celebrar com os respectivos beneficirios, sendo a sua atribuio autorizada por resoluo do plenrio do Governo Regional, na precedncia de uma quantificao da respectiva despesa e da respectiva fundamentao. E o n. 6 do mesmo artigo impunha a publicao de tais apoios financeiros no Jornal Oficial da Regio Autnoma da Madeira20.

Apraz registar que o DLR em questo introduziu maiores exigncias em matria de concesso de apoios financeiros no ano econmico de 2002, ao exigir que os CPs passassem a definir, no s os objectivos e as formas de auxlio, mas tambm as obrigaes das partes e as penalizaes em caso de incumprimento, e ainda ao fazer depender a atribuio dos apoios de parecer favorvel da Secretaria Regional do Plano e Finanas.

Importa ainda aludir norma do art. 11. do DLR n. 4/2002/M, de 13 de Fevereiro, que ps em execuo o oramento da RAM para 2002, segundo a qual a atribuio de subsdios dependia do cumprimento das disposies dos art.s 23. e 24. do DLR n. 29-A/2001/M, excepto quando se verificasse a existncia de legislao especfica. A estatuio da parte final do preceito acima citado exige, assim, uma breve aluso aos diplomas e regulamentos vigentes na ordem jurdica regional que disciplinam a concesso de apoios a reas especficas, sendo de destacar:

O DLR n. 25/99/M, de 27 de Agosto, que estabelece o sistema de enquadramento e definio legal dos apoios financeiros a projectos de interesse cultural ou de promoo e animao tursticas, regulamentado pelas Portarias n.s 78/2001 (Regulamento de Atribuio de Apoio Financeiro a Projectos de Promoo e Animao Tursticas), e 79/2001 (Regulamento de Atribuio de Apoio Financeiro a Projectos de Interesse Cultural), ambas aprovadas em 13 de Julho, pelo Secretrio Regional do Turismo e Cultura, e que definem os pressupostos da atribuio e manuteno de tais apoios, estatuto dos beneficirios, durao e respectivos montantes;

O Regulamento de Financiamento das Associaes de Bombeiros Voluntrios da RAM, aprovado pela Resoluo n. 423/2000, de 23 de Maro de 200021, do Conselho do Governo, que disciplina a concesso de uma comparticipao financeira mensal fixa, tendo em vista a criao de condies de viabilidade ao funcionamento daquelas associaes, bem como garantir a operacionalidade do servio de socorro e emergncia e a beneficiao, conservao e reparao dos equipamentos necessrios a dotar tais entidades de operacionalidade e meios tcnicos essenciais prossecuo dos seus objectivos de servio pblico, no mbito da Proteco Civil22.

O DL n. 432/91, de 6 de Novembro, que define o regime aplicvel aos CPs celebrados com vista atribuio de comparticipaes financeiras no mbito do sistema de apoios ao

20 A publicao dos benefcios concedidos pela Administrao Pblica a particulares foi tornada obrigatria pela Lei n.

26/94, de 19/08, aplicvel RAM pelo DLR n. 5/95/M, de 29/04.

21 Posteriormente alterada pelas Resolues n.s 743-B/2000, de 18 Maio, e 748/2000, de 25 de Maio, respectivamente.

22 Cfr. o ponto 1.1 do mencionado Regulamento, constante em anexo Resoluo n. 423/2000, de 23 de Maro de 2000.

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associativismo desportivo previsto no art. 33. da Lei n. 1/90, de 13 de Janeiro23, que contm as bases do sistema desportivo;

As Portarias n.s 107/2002 e 108/2002, de 9 de Julho, e 109/2002, de 1 de Setembro, emitidas pelo Secretrio Regional de Educao, que, respectivamente, definem as regras para atribuio de apoios financeiros pela SRE s entidades particulares que desenvolvam a sua actividade ao nvel das creches, jardins de infncia, infantrios e unidades de educao pr-escolar, dos estabelecimentos dos ensinos bsico e secundrio e de escolas e cursos profissionais no mbito do ensino no superior.

2.8. Sistema de celebrao e fiscalizao dos contratos-programa pela Administrao Regional Directa

Tal como foi mencionado no ponto anterior, na falta de legislao especfica, a Administrao Regional Directa est vinculada aplicao das formalidades para a atribuio de apoios financeiros enunciadas nas normas avulsas includas no DLR que anualmente aprova o Oramento da RAM, e na Circular 3/OR/2000, emitida pela DROC, no existindo no ordenamento jurdico regional qualquer diploma legal ou regulamentar que uniformize os procedimentos a adoptar, pelos diversos departamentos governamentais, no tocante ao processo inerente celebrao e fiscalizao dos CPs.

No obstante a assinalada escassez normativa, procurou-se, mesmo assim, a partir da anlise efectuada aos processos de vrias entidades beneficirias de apoios financeiros concedidos ao abrigo de CPs, e tendo ainda por base a informao fornecida pelos responsveis por esta rea especfica nas Secretarias Regionais abrangidas pela auditoria, fazer o levantamento do circuito que, em regra, seguido na celebrao deste tipo de contratos, o qual se encontra delineado no Anexo III ao presente relato.

2.8.1. Acompanhamento e fiscalizao previstos no contrato-programa tipo

De acordo com a clusula 3. do CP tipo, constante em anexo Circular 3/OR/2000, com a epgrafe Direitos e obrigaes das partes outorgantes, compete RAM, atravs da Secretaria contratante:

a) Acompanhar a execuo financeira do CP;

b) Analisar e aprovar as propostas de alterao programao financeira e ao programa de trabalhos (ou de actividades);

c) Controlar e fiscalizar o cumprimento de todos os aspectos financeiros, tcnicos e legais necessrios;

d) Processar os quantitativos financeiros previstos no CP.

Por seu turno, as entidades beneficirias esto obrigadas a:

a) Apresentar um programa detalhado das actividades (ou trabalhos), e o respectivo oramento e cronograma financeiro;

23 O aludido artigo procede enunciao exemplificativa dos meios de concretizao do apoio ao associativismo desportivo

(que engloba as federaes, as associaes e os clubes desportivos), onde se incluem a concesso de comparticipaes financeiras e os incentivos implantao de infra-estruturas e equipamentos.

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b) Assegurar a concretizao das actividades (ou trabalhos) nos termos e nos prazos que forem estabelecidos;

c) Envidar todos os esforos necessrios para uma aplicao rigorosa e racional dos recursos pblicos;

d) Apresentar as propostas de alterao consideradas necessrias ao programa de actividades (ou trabalhos), bem como ao cronograma financeiro, para aprovao pela Secretaria;

e) Apresentar, dentro do prazo estabelecido, aps o perodo de vigncia do CP, um relatrio das actividades desenvolvidas (ou do projecto realizado), onde conste a comparao entre os custos estimados e efectivamente realizados, e respectivos documentos comprovativos das despesas realizadas, bem como a anlise dos objectivos e das finalidades especficas traados e alcanados.

Embora se tenha verificado que o complexo de direitos e obrigaes das partes outorgantes, definido pela citada portaria, foi acolhido no clausulado da maior parte dos CPs analisados, constatou-se que, em casos pontuais, o texto dos contratos foi adaptado s especificidades do programa ou projecto a financiar em cada situao concreta. Ressalvam-se tambm aqui os CPs que esto sujeitos a regulamentao prpria, como, por exemplo, os CPs de apoio ao funcionamento das Associaes de Bombeiros Voluntrios, de desenvolvimento desportivo e de auxlio financeiro a projectos de interesse turstico regional.

Por outro lado, sendo o CP tipo que integra a Circular 3/OR/2000 omisso quanto s formalidades necessrias ao processamento da comparticipao financeira, e dado que nem sempre os regulamentos especficos em vigor as prevem, observou-se que, nos CPs que foram objecto de exame, a definio das formalidades a adoptar do domnio descrito apresentava algumas variaes, pois embora na generalidade dos casos analisados estivesse previsto o processamento das verbas concedidas mediante a entrega, por parte das entidades beneficirias, dos comprovativos da despesa (e da execuo fsica, no caso do financiamento de obras), foram detectadas situaes em que o CP nada referia a este respeito.

2.8.2. Avaliao do sistema

Conforme frisado, a presente aco foi direccionada anlise da legalidade, regularidade e correco econmica e financeira da atribuio e pagamento dos apoios financeiros concedidos pela Administrao Regional Directa ao abrigo de CPs, abarcando ainda o exame do sistema de acompanhamento e controlo a posteriori institudo neste mbito.

Quanto a este ltimo aspecto, apurou-se que, em regra, o sistema implantado no s no era exercido de modo uniforme como evidenciava uma fraca capacidade de resposta, tendo-se constatado que, na generalidade das situaes examinadas, embora os CPs inclussem uma clusula que investia a Administrao no direito de proceder ao controlo e fiscalizao de todos os aspectos financeiros, tcnicos e legais das entidades beneficirias dos apoios financeiros, aquela no vinha exercendo tal prorrogativa de forma efectiva.

Com efeito, o sistema de acompanhamento da execuo dos CPs institudo reconduzia-se quase sempre a uma simples verificao documental. Este controlo assentava essencialmente na anlise da documentao apresentada pelos beneficirios, composta por informao contabilstica e financeira, pelos relatrios de execuo/actividades e pelos elementos de suporte da execuo da despesa (bem como, num nmero limitado de situaes, da execuo fsica, no caso das obras).

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Regista-se, no entanto, como positivo o facto de os CPs celebrados pela SRPF, a partir do incio de 2002 24 , terem passado a prever o acompanhamento, pela SREST, da execuo fsica das obras apoiadas, ficando tambm a estabelecida a obrigatoriedade de os comprovativos da execuo fsica dos trabalhos serem visados por este departamento.

Foram ainda detectadas outras situaes que demonstram a inconsistncia do sistema de acompanhamento e controlo da execuo dos CPs desenvolvidos pelas trs Secretarias Regionais auditadas, e que, na prtica, so susceptveis de criar entraves e mesmo impedir a avaliao do grau de concretizao dos objectivos definidos nos contratos outorgados e a necessria quantificao dos benefcios alcanados:

Foram assinalados casos de incumprimento, por parte dos beneficirios, das obrigaes a que contratualmente ficaram sujeitos de que se destacam a no apresentao dos relatrios de execuo e dos relatrios e contas dentro dos prazos estipulados -, sem que os Servios envolvidos tivessem exigido o seu cumprimento junto das entidades inadimplentes (mormente atravs da solicitao de documentos em falta);

Constatou-se que, contrariamente ao estipulado no texto dos contratos, foram autorizadas transferncias de verbas sem a apresentao, pelos beneficirios, dos relatrios justificativos das despesas ou de documentao que as suportasse, ou quando aqueles apenas se limitaram a apresentar relatrios incompletos ou a disponibilizar documentos de despesa avulsos.

Apuraram-se situaes em que houve lugar celebrao de novos contratos sem que os inicialmente outorgados tivessem sido integralmente cumpridos pelos beneficirios, e casos em que as verbas atribudas foram utilizadas em fins diversos dos contratualmente fixados.

No caso especfico da SRE, verificou-se que a concesso de apoios no obedece a procedimentos e formas de actuao comuns, variando em razo da natureza das entidades beneficirias. Esta deficincia ao nvel da coordenao interna do Servio foi particularmente sentida em termos de recolha de informao durante o trabalho de campo, como na tarefa especfica de confirmao da fidedignidade dos elementos disponibilizados pelo Servio na fase de preparao da auditoria, tendo sido detectadas incorreces na quantificao dos montantes concedidos e pagos.

Os procedimentos de controlo desenvolvidos nesta Secretaria Regional no evidenciaram a existncia de um efectivo sistema de segregao de funes ao nvel dos processos de despesa dos CPs, j que, nalguns deles, a mesma funcionria teve interveno em dois momentos distintos do procedimento, ao subscrever, em nome prprio, a autorizao do pagamento, e ao autorizar a liquidao da despesa25 em representao do Secretrio

24 Estas exigncias comearam por ser inseridas nos CPs de maior expresso financeira celebrados, em 2002, pela SRPF,

tendo passado, de forma progressiva, a constar do clausulado de todos os CPs deste departamento.

25 De acordo com os art.s 27. e 28. do DL n. 155/92, de 28 de Julho, o processamento da despesa consiste na incluso em suporte normalizado dos encargos legalmente constitudos, por forma a que se proceda sua liquidao e pagamento enquanto que a liquidao corresponde determinao do montante exacto da obrigao que se constitui com o processamento, a fim de permitir o respectivo pagamento.

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Regional de Educao, sem a invocao do correlativo acto de delegao de competncias26.

Em sede de contraditrio, a SRE informou que () encontra-se este reparo j ultrapassado, aps referncia formulada pela equipa que procedeu Auditoria, fazendo-se neste momento, intervir responsveis distintos no procedimento.

Apraz, assim, registar as alteraes introduzidas por aquela Secretaria Regional no sentido de assegurar uma adequada segregao de funes, tida como elemento essencial de um sistema de controlo eficaz.

Salienta-se, como aspecto positivo, que, para obviar s dificuldades sentidas por alguns dos beneficirios dos apoios no que toca ao cumprimento atempado das suas obrigaes, a SRPF elaborou uma minuta de relatrio das actividades desenvolvidas, que faculta quelas entidades.

3. RESULTADOS DA ANLISE No ano econmico de 2002, foram concedidos pela Administrao Regional Directa, mediante a celebrao de CPs, apoios financeiros no montante total de 18.987.686,22 euros, distribudos do seguinte modo, em funo do departament3o envolvido:

Quadro 1 - Apoios concedidos atravs de contrato-programa

(Em euros)

Departamento Valores concedid %

71.3.029.773 2.807.422,89 18,8 8.355.564 36,4

392.820.712 19,5

001.647.642 1.1.319.373 1.100.238,05 7,3

86

ios rep udo on dos

os % Valores pagos

SRARN 1.7 678,62 9,3 1.279.956,41 8,5 SRAS ,67 16,0 SRE ,98 44,0 5.454.349,18 SREST 24.9 ,89 0,1 0,00 0,0 SRPF ,53 14,9 2.922.765,72 SRRH 18.0 ,00 0,1 18.000,00 0,1 SRTC ,89 8,7 389.279,12 9,3 VP ,64 6,9

TOTAL 18.987.6 ,22 100,0 14.972.011,37 100,0 Estes apo resentam 28,7% do total dos valores atrib s pelo Governo Regi al e 28,6% valores pagos, em 2002, atravs dos agrupamentos 04 Transferncias Correntes, 05 Subsdios e 08 Transferncias de Capital27.

26 O acto de delegao de competncias invocado foi emitido pela Coordenadora do Gabinete de Gesto e Controlo

Oramental por despacho publicado no JORAM, II Srie, n. 217, de 12 de Novembro de 2001, apenas confere poderes aludida funcionria para despachar todas as folhas de processamento.

27 Estes valores incluem tambm os apoios atribudos atravs das rubricas 06 Outras Despesas Correntes (concedido: 1.494.151,21 e pago: 1.099.815,28) e 02 Aquisio de Bens e Servios Correntes (concedido: 98.802,15 e pago: 108.962,78).

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3.1. Secretaria Regional dos Assuntos Sociais Esta Secretaria Regional celebrou CPs com as seguintes entidades:

Quadro 2 - Apoios atribudos pela SRAS atravs de contratos-programa

(Em euros)

Entidades Beneficirias concedidos % Valores paValores gos %

Associaes de Bombeiros Voluntrios 1.461.118,59 48,2 1.242.508,80 44,3

Escola Superior de Enfermagem S. Jos de Cluny 1.150.000,00 38,0 1.150.000,00 41,0

Instituto das Irms Hospitaleiras Sagrado Corao de Jes 293.043,77 9,7 293.043,77 10,4 us

idades

422,89

o ento de Financiamento das A 28

a

dade e meios tcnico

ta prossecu Re ui a

obrigad

Outras Ent 125.611,31 4,1 121.870,32 4,3

TOTAL 3.029.773,67 100,0 2.807. 100,0

3.1.1. Associaes de Bombeiros Voluntrios

3.1.1.1. Regulamento de Financiamento

Pela Resoluo n. 423/2000, de 23 de Maro, do Conselho do Governo Regional, foi aprovado Regulam ssociaes de Bombeiros Voluntrios da RAM 29, tendo por escopo Viabilizar o funcionamento das Associaes de Bombeiros Voluntrios (A.B.V.) da Regio Autnoma da Madeira e permitir a operacionalidade do servio de socorro e emergncia e beneficiao, conservao e reparao dos equipamentos necessrios a dotar estas Associaes de operacionali s essenciais para a prossecuo dos seus objectivos de servio pblico, no mbito da Proteco Civil.

Com vis o daquele objectivo, o gulamento define a atrib o de umcomparticipao financeira fixa mensal30, a conceder por meio da celebrao de contrato-programa31 entre a RAM e cada uma das ABV32, ficando estas as a:

assegurar com prontido todos os servios de socorro para que seja requisitada pelo Servio Regional de Proteco Civil da Madeira;

da Madeira e Secretaria regional dos trimestre do ano seguinte quele a que

respeita, o relatrio das actividades operacionais, desenvolvidas ao longo do ano

Remeter ao Servio Regional de Proteco Civil Assuntos Sociais (), at ao final do primeiro

anterior;

28 Constante do Anexo I da mencionada Resoluo.

29 Posteriormente alterado pelas Resolues n.s 743-B/2000, de 18 Maio, e 748/2000, de 25 de Maio, respectivamente.

30 A apurar com base numa frmula de clculo criada para o efeito. Note-se ainda que, no ponto 2 do Regulamento, na redaco dada pela Resoluo n. 743-B/2000, de 24 de Maro, foi previsto o ajustamento anual da comparticipao

31 Dos contratos-programa deve constar o valor do apoio mensal a atribuir, assim como a enumerao das obrigaes que licar em caso de incumprimento.

financeira a atribuir, no podendo o aumento das transferncias financeiras para todas as ABV, comparativamente com as transferncias do ano imediatamente anterior, ser inferior taxa de inflao prevista para o respectivo ano.

recaem sobre as ABV e ainda as penalizaes a ap

32 A minuta dos contratos-programa a outorgar entre a RAM e as ABV foi igualmente aprovada pela referida minuta.

22

Tribunal de Contas Seco Regional da Madeira

Remeter Secretaria Regional do Assuntos Sociais (), at ao final do ms de Junho do ano seguinte quele a que respeita, o relatrio e contas referente ao ano anterior, elaborado de acordo com as normas do Plano Oficial de Contabilidade.

Suspenso imediata dos contratos-programa em vigor e a restituio por parte das

rigem a esse incumprimento;

A concesso de apoio financeiro nos termos previstos neste Regulamento no exclui a possibilidade de haver investimenresultando SRPCM, para a aquisio de equipamentos.

V beneficiaram dos montantes discriminados no quadro infra, atribudos ao abrigo de CPs outorgados com a RAM, atravs da SRAS:

Q

(Em euros)

Para os casos de incumprimento das obrigaes enunciadas, a atestar pela SRAS, esto previstas as seguintes penalizaes:

Associaes de Bombeiros Voluntrios das verbas recebidas ao abrigo dos contratos-programa que vigorarem na data do facto que deu o

Impossibilidade de as ABV beneficiarem de quaisquer comparticipaes financeiras da RAM enquanto no forem repostas as quantias que devam ser restitudas e no comprovarem que a situao de incumprimento foi ou est a ser solucionada.

lugar celebrao de CPs entre a Regio e as ABV destinados a comparticipar despesas de to33, em particular as decorrentes da construo e reparao de Quartis de Bombeiros, ainda do mesmo Regulamento que as ABV podem receber apoios do

No ano de 2002, as AB

uadro 3 - Distribuio dos valores atribudos s Associaes de Bombeiros Voluntrios

Entidades Beneficirias Montantes concedidos % Montantes

pagos %

Associao de Bombeiros Volunt de S. Vicente e P. Moniz 302.913,85 20,7 101.044,19 8,2

Associao de Bombeiros Voluntrios da Calheta 92.202,60 6,3 92.202,60 7,4

Associao de Bombeiros Voluntrios da Ribeira Brava 133.921,08 9,2 117.180,95 9,4

Associao de Bombeiros Voluntrios de C. de Lobos 176.574,48 12,1 176.574,48 14,2

Associao de Bombeiros Voluntrios de Santana 72.407,52 5,0 72.407,52 5,8

Associao de Bombeiros Voluntrios do Porto Santo 50.761,80 3,5 50.761,80 4,1

Associao de Bombeiros Voluntrios Madeirenses 632.337,26 43,3 632.337,26 50,9

TOTAL 1.461.118,59 100,0 1.242.508,80 100,0

3.1.1.2. Associao de Bombeiros Voluntrios Madeirenses

A ABVM recebeu da SRAS um total de 632.337,26 euros, no mbito de trs CPs celebrados naquele ano, montante que foi distribudo do seguinte modo:

33 Esta hiptese ficou expressamente salvaguardada no ponto 3.1 do citado Regulamento.

23

AUD ITOR IA OR IE NTADA A CONT RATOS-P R OG RA M A CE LE BR A DOS N O M B I T O D A ADMIN ISTRAO RE G ION AL D IRECTA

Quadro 4 - Valores Atribudos Associao de Bombeiros Voluntrios Madeirenses

(Em euros)

C.O./C.E. Valores cedidos

/04.02.01 B

02.01 B em 2000 em relao s de 1999

02.01 B

questo plado de Oo comnto n

primeiro deles, aquela

vo das tr efe 1999 e 2 rmo

Actividado R

consta so.

edida de be

dos prvio em 2 e () po foram

6.574 mbito do do,

o e do CP

es int

entantoe do n.

N. Resoluo Finalidade con

Valorespagos

01.00.00 60/02 Comparticipao financeira mensal destinada a suportar os encargos com o funcionamento

568.629,60 568.629,60

01.00.00/04. 183/02 Ajustamento das transferncias efectuadas 30.818,71 30.818,71

01.00.00/04. 1265/02 Ajustamento das transferncias efectuadas em 2001 em relao s de 2000 32.888,95 32.888,95

TOTAL 632.337,26 632.337,26

Os CPs em foram formalizados dentro do respeito pelo Regulamento acima identificado, estando contem nos contratos a que se referem as Resolues n.s 183/02, de 28 de Fevereiro, e 1265/02, de 17 utubro, o ajustamento do montante das transferncias realizadas em 2000 e 2001, por compara o quantitati ansferncias ctuadas em 000, nos te s definidos no po . 2 daquele Regulamento34.

Em relao ao associao remeteu SRAS, em 12 de Fevereiro de 2003, o Relatrio de es de 2002, dando, assim, cumprimento obrigao prevista na al. b) do ponto 1.3.1 do mesm egulamento. Porm, verificou-se que o relatrio e contas do mesmo ano, que, de harmonia com a al. c) do ponto mencionado ponto 1.3.1, e com a al. d) do n. 1 da clusula 3. do CP, devia ter sido enviado Secretaria at ao final do ms de Junho do ano seguinte quele a que respeitava, no va do proces

A eventual inobservncia injustificada da obrigao descrita implica a aplicao de penalizaes, consubstanciadas na suspenso imediata do CP, bem como a restituio das verbas recebidas, ficando a ABV imp neficiar de outras comparticipaes financeiras da RAM at essa restituio ter lugar e ser feita a demonstrao de que a situao de incumprimento foi ultrapassada35.

A este propsito, a SRAS veio esclarecer, no exerccio do princpio do contraditrio, que as contas de gerncia foram enviadas quele Se 7 de Junho de 2003, mas qu r lapso no data carrea ara o processo. Pelo que se considera ultrapassada a aparente situao de incumprimento do contrato por parte da entidade beneficiria.

3.1.1.3. Associao de Bombeiros Voluntrios de Cmara de Lobos

A SRAS transferiu para a Associao de Bombeiros Voluntrios de Cmara de Lobos (ABVCL) o montante de 17 ,48 euros, no CP celebra em 22 de Janeiro de 2002, ao abrigo da Resoluo n. 60/2002, de 17 de Janeiro, traduzido na atribuio de uma comparticipao financeira mensal para suportar os encargos com o funcionamento da entidade.

Relativamente ao cumprimento das obrigaes a que est sujeita esta Associao, nos termos do Regulament , verificou-se que o parecer emitido pelo Servio Regional de Proteco Civil,

34 Com as altera roduzidas pela Resoluo n. 743-B/2000, de 18 de Maio.

35 Competia, no , SRAS atestar a verificao de incumprimento injustificado, conforme resulta do ponto 1.3.2 do Regulamento 2 da clusula 3. do CP.

24

Tribunal de Contas Seco Regional da Madeira datado de 2 de 2003 e proferido na sequncia da apresentao do Relatrio de Actividades de 2002 por aquela Corporao de Bombeiros, regista que durante o ano em apreo o Corpo de Bombeiros correspondeu plenamente s solicitaes e emergncias do Concelho e aos objectivos operacionais d rato-program o obstant nstatou-se q da realizao dos trabalhos de ca a auditoria, ainda no tinha sido remetido, SRAS, o relatrio e contas relativo a 2002, o que contraria o disposto na al. c) do ponto 1.3.1 do Anexo I do Regulamento e a al. d) do n. 1 da cl. 3. do CP outorgado, remetendo-se para o comentrio tecido sobre a mesma questo no anterior ponto 3.1.1.2 nte relato.

semelhana do referido no ponto anterior, a SRAS veio dar conta, em sede de contraditrio, que os io em 18 de Junho de 2003,

avanando com uma explicao idntica quela j transcrita para justificar a sua ausncia do processo.

o, foi alterado o factor correctivo da frmula de clculo da comparticipao fixada no Regulamento de Financiamento das ABVRAM, de modo a fazer face aos custos acrescidos resultantes da criao de um destacamento desta corporao na freguesia do Curral das Freiras. Em consequncia, foi assinada, em 12 de Maio de 2003, uma adenda quele contrato36.

Quanto ao ajustamento das transferncias efectuadas em 200137, previsto no ponto n. 2 do Anexo I do Regulamento de Financiamento, apenas foi concretizado em 2003, atravs do CP celebrado em Abril desse ano, sendo o seu montante de 24.965,14 euros.

3.1.2. Escola Superior de Enfermagem S. Jos de Cluny

Em 22 de Janeiro de 2002, foi celebrado um CP entre a RAM, representada pela Secretria Regional dos Assuntos Sociais, e a Escola Superior de Enfermagem So Jos de Cluny (ESESJC), cujo objecto consistia na atribuio de uma comparticipao mensal destinada ao financiamento dos encargos com a formao de enfermeiros para o Servio Regional de Sade, nomeadamente:

6 de Maro

o contmpo d

a (). N e, co ue data

do prese

documentos em causa foram atempadamente entregues naquele Serv

Atravs da Resoluo n. 139/2002, de 7 de Fevereir

Pagamento dos encargos com o pessoal permanente da instituio; Encargos com pessoal docente; Encargos com fardamento; Encargos com instalaes; Encargos com obras de beneficiao, conservao e reparao da instituio, Compra de equipamentos informticos com a finalidade de dotar a Escola de meios tcnicos

essenciais ao seu funcionamento. Em observncia ao consignado na al. a) do n. 2 da cl. 3. do CP, a Escola enviou SRAS, em 23 de Abril de 2002, o mapa do plano de actividades para 2002 e o respectivo cronograma financeiro, tendo o oramento ordinrio sido previamente remetido em 18 de Outubro de 2001.

Atendendo a que a celebrao do contrato apenas ocorreu em 2002, a Secretaria solicitou previamente a emisso de parecer SRPF, nos termos do disposto na parte final do n. 5 do art. 23. do DLR n. 29-A/2001/M, o qual foi favorvel concesso do apoio.

Para a prossecuo dos objectivos definidos no contrato, a RAM concedeu e transferiu para este estabelecimento de ensino superior uma comparticipao financeira de 1.150.000,00 euros, atribuda em 12 prestaes mensais de 95.833,33 euros. O processamento da despesa ocorreu, no entanto, sem

36 Autorizada pela Resoluo n. 518/2003, de 2 de Maio.

37 Tomando como referncia o valor das transferncias realizadas em 2000.

25

AUD ITOR IA OR IE NTADA A CONT RATOS-P R OG RA M A CE LE BR A DOS N O M B I T O D A ADMIN ISTRAO RE G ION AL D IRECTA

que a en despesas efectuadas, o que se traduziu no desrespeito pelo preceituado no n. 2 da clusula 2. do CP

A fim de dar cumprimento ao estabelecido na al. e) do n. 2 da cl. 3. do CP , em 28 de Maro de 2003, esta Escola enviou SRAS o relatrio financeiro do projecto r , que inclua a compar os custos oram os e realizado rio de actividades onta de gerntendo, contudo, ultrapassado o prazo de 60 dias, previsto para o efeito nessa alne

A anlise efectuada conta de gerncia daquela i itiu constatar que o apoio financeiro concedido pela RAM em 2002 cobriu aproximadam do total das suas despesas41, o que demonstrativo da existncia de uma forte dep ia financeira desta instituio privada relat sferncias do oramento regiona

Na sua resposta, a SRAS sustentou, a propsito desta esto, que a ESESJC a nica instituio de ensino na Regio que ministra o curso de enfermagem e nessa medida tem prestado um servio inestimvel formao de profissionais no mbito de Servio Regional de Sade o qual sem o apoio financeiro do Governo Regional provavelmente ficaria precludido.

3.1.3. Instituto das Irms Hospitaleiras Sagrado Corao de Jesus

Ao abrigo da Resoluo n. 1745/01, de 13 de Dezembro de 2001, foi assinado42, no dia 19 do mesmo ms, entre a RAM, representada pela SRAS, e o Instituto das Irms Hospitaleiras do Sagrado Corao de J inado definio do processo de financeira para a execuo das obras de remodela da Casa de Sa ara Pestana.

Em concreto, com o financiamento contemplado no c o visava-se alcanar os seguintes objectivos especficos:

tidade beneficiria tivesse procedido apresentao dos comprovativos das 38.

39

ealizado e a ca.

ao entre entad s, o relat cia

nstituio40 permente 80%

endncl.

qu

ivamente s tran

esus, um CP desto

cooperao

ontrat

de Cm

Melhoria das instalaes destinadas ao internamento dos doentes psiquitricos do sexo feminino, com capacidade de 212 camas;

Construo faseada de novos pavilhes e recuperao dos existentes; Criao, na RAM, de uma infra-estrutura para tratamento, recuperao e reintegrao social

dos doentes do foro psiquitrico, em conformidade com os novos conceitos e protocolos teraputicos, inerentes aos avanos cientficos neste domnio.

contratual foram fixados os direitos e obrigaes das partes outorgantes, sendo cometido SRAS o acompanhamento da execuo financeira do contrato, assim

De harmonia com o n. 1 da cl. 4. do contrato, com a epgrafe Regime de comparticipao financeira, foi atribudo entidade beneficiria um apoio pecunirio, sob a forma de subsdio anual no valor mximo de 199.519,16 euros, a processar, nos termos do n. 2 da mesma clusula, mediante a apresentao dos comprovativos da execuo fsica das obras.

Por sua vez, na cl. 3. daquele ttulo

38 A qual referia especificamente que a comparticipao financeira a atribuir seria processada mediante a apresentao

dos comprovativos das despesas efectuadas, aps a aprovao do contrato-programa. 39 Onde se estabelecia que a entidade beneficiria do apoio estava obrigada a apresentar no prazo mximo de 60 dias aps

o perodo de vigncia do () contrato um relatrio do projecto realizado, onde constasse a comparao entre os custos estimados e efectivamente realizados e respectivos documentos comprovativos das despesas realizadas, bem como a anlise dos objectivos e das finalidades especficas traados e alcanados.

41

42 01/M, de 3 de Abril, e do art. 11. do DRR n. 9/2001/M, de 19 de Julho.

40 Enviada SRAS em 31 de Maro de 2003.

Excluem-se aqui as importncias entregues ao Estado ou outras entidades e o saldo para a gerncia seguinte.

Com invocao do art. 21. do DLR n. 4-A/20

26

Tribunal de Contas Seco Regional da Madeira como o controlo e fiscalizao do cumprimento de todos os aspectos financeiros, tcnicos e legais necessrios, ficando a entidade beneficiria vinculada, para alm do mais, a assegurar a concretizao dos trabalhos, nos termos e prazos estabelecidos e a apresentar um programa detalhado dos trabalhos, respectivos oramentos e cronograma financeiro.

a celebrao do CP, totalmente realizada

o de vigncia do contrato, ocorrida em 31 de Dezembro , e de a da pela rubrica do oramento da SRAS de 2002 com a classificao

apoio financeiro em causa, e no prprio contrato, onde foi indicada a CE 04.02.01 Transferncias

Quanto a este aspecto, a SRAS argumentou, em sede de contraditrio, que () no foi possvel

, por se julgar mais adequada natureza da despesa a rubrica utilizada em 2002.

de atestarem a correco

A correspondncia trocada entre o Instituto e a SRAS, em momento anterior ao ddisponvel no processo analisado, evidencia, porm, que a obra j se encontravanessa data (19 de Dezembro de 2001), tendo-se apurado que o apoio financeiro solicitado se destinou amortizao de um emprstimo contrado por aquela entidade para custear a empreitada em causa. O que significa que a formalizao do contrato-programa teve por finalidade concreta a regularizao de passivos e no o financiamento directo da execuo da aludida obra.

Embora no estejamos aqui perante uma situao em que o objectivo prosseguido com o contrato foi completamente desvirtuado, uma vez que as transferncias efectuadas se destinaram a cobrir encargos decorrentes da realizao da obra de remodelao da Casa de Sade Cmara Pestana, impunha-se que o respectivo clausulado tivesse acolhido as condies especficas da concesso do subsdio, nomeadamente atravs da identificao da respectiva finalidade e da enunciao dos pressupostos inerentes concretizao das transferncias, a definir com base no plano de amortizao do emprstimo.

Na sequncia da anlise realizada ao correlativo processo43 cabe ainda reter que a transferncia da verba foi concretizada depois do term 44despesa em causa ter sido suportaorgnica (CO) Sec 07, Cap 01 Div 00 SubDiv 00 e com a classificao econmica (CE) 08.03.01-A (Transferncias de Capital Administraes Privadas Instituies Particulares), contrariamente ao definido na Resoluo n. 1745/01, de 13 de Dezembro de 2001, ao abrigo da qual foi concedido o

Correntes Administraes Privadas Instituies Particulares Subsdios Diversos, o que torna patente a indefinio existente quanto cabimentao da verba em causa, e evidencia o desrespeito pelo princpio da especificao oramental, com consagrao legal no art. 8. da Lei n. 28/92, de 1 de Setembro.

elaborar o respectivo processo de despesa at 27 de Dezembro 2001, nos termos do n. 3 do art. 8 do DRR 9/2001/M de 19 de Junho, razo porque o seu processamento s foi executado em 2002. Quanto classificao oramental, foi objecto de correco

Os esclarecimentos prestados neste contexto pela SRAS, para almintroduzida ao nvel da classificao econmica da rubrica oramental de suporte da despesa, confirmam ainda a transferncia extempornea da verba concedida, pelo que dever esta entidade providenciar para que, no futuro, o pagamento dos apoios ocorra em tempo til.

43 Pro 02 CE 08.03.01 A.

44 Co idade de processar o contrato-programa por conta do oramento do ano de 2001, informando que no oramento para 2002 estava igualmente inscrita uma rubrica destinada prossecuo do referido projecto, de igual montante. E, neste enquadramento, solicitou, ao abrigo do n. 6 da Res. n. 1796/91, de 28/12, o descongelamento e antecipao de todos os duodcimos na rubrica

3.01-A (Transferncias de Capital Administraes Privadas Instituies Particulares). Em resposta, a SRPF, no seu ofcio n. 273, de 7/02/02, deu conta do despacho autorizador

cesso de despesa n. 139, de 18/02/20

m efeito, atravs do ofcio n. 319, de 17/01/02, a SRAS deu conhecimento SRPF da impossibil

afecta Sec 07, Cap 01 Div 00 SubDiv 00, CE 08.0

proferido pelo Secretrio Regional, em 4 de Fevereiro de 2002.

27

AUD ITOR IA OR IE NTADA A CONT RATOS-P R OG RA M A CE LE BR A DOS N O M B I T O D A ADMIN ISTRAO RE G ION AL D IRECTA

3.2. eNo ano de 2002, a RAM, atravs da SRE, celebrou CPs com um conjunto de entidades que

ma (Em euros)

S cretaria Regional de Educao

desenvolvem a sua actividade em sectores diversificados, a saber: Quadro 5 - Apoios concedidos pela SRE atravs de contrato-progra 45

Entidades Beneficirias Montantes % Montantes % concedidos pagos

Assoc. Reg. Desenv. Tecnologias Inf. na Madeira - DTIM 86.118,98 1,0 86.118,98 1,6

Assoc. de Socorros mtuos - "4 de Setembro de 1862"- Qt dos Traquinas 79.005,78 0,9 0,00 0,0

ssociao Orquestra Clssica da Madeira 1.875.480,10 22,4 951.041,28 17,4

telier Infantil 193.399,51 2,3 68.410,13 1,3

oolobos "O Golfinho" 99.506,32 1,2 0,0

A

A

C 0 0,0

Cruz Vermelha Portuguesa 1.540.665,86 18,4 1.013.613,42 18,6

scola Profissional do Atlntico 1.303.283,40 15,6 1.303.283,40 23,9

scola Salesiana de Artes e Ofcios 199.519,16 2,4 0,00 0,0

xternato S. Francisco Sales 326.812,38 3,9

E

E

E 339.382,09 6,2

Fundao D. Jacinta Pereira de Ornelas 0,00 0,0 207.499,93 3,8

ospcio Princesa D. Maria Amlia 234.435,01 2,8 0,00 0,0

uis Vieira & Silva, Lda "O Polegarzinho" 59.459,08 0,7 59.459,08 1,1

H

L

Plo Cientfico e Tecnolgico da Madeira 1.634.715,60 19,6 828.676,28 15,2

Prov. Port. Sacerdotes C. Jesus - Colgio Missionrio Sagrado Corao 111.346,50 1,3 111.346,50 2,0

niversidade Catlica - Delegao do Funchal 94.771,78 1,1 13.093,44 0,2

ntidades no mbito do apoio ao transporte de alunos do 1 Ciclo 288.720,99 3,5 286.306,89 5,2

U

E

Outras Entidades 228.324,53 2,7 186.117,76 3,4

TOTAL 8.355.564,98 100,0 5.454.349,18 100,0

3.2.1. Plo Cientfico e Tecnolgico Madeira Tecnoplo, S.A.

No ano de 2002, a sociedade Madeira Tecnoplo, S.A. recebeu o montante de 828.676,28 euros, a

Quadro 6 Contratos-programa da Madeira Tecnoplo, S.A.

coberto dos seguintes CPs:

N. Resoluo Finalidade Valor pago

1771/01 Projecto Uma famlia, Um computador 279.875,77 1713/01 Projecto Um Computador para todos 359.134,49 551/02 Programa Criao de Infocentros 89.906,45 657/02 Execuo do programa REGIS 99.759,57 TOTAL 828.676,28

45 Quadro discriminado por entidades beneficirias de apoios -concedidos ou pagos - de valor superior a 50.000 euros.

28

Tribunal de Contas Seco Regional da Madeira Comp lMadeira hum dos casos, o parecer da SRPF a que alude a parte tir natureza obrigatria e vincu tvalidadedependi

ite comprovar que, em ambos os casos,

3.2.1.1. Uma famlia, um computador

u sados os elementos agregados nos processos relativos a dois dos CPs celebrados com a Tecnoplo, S.A.46, no foi localizado, em nen

final da norma do n. 5 do art. 23. do DLR n. 29-A/2001/M. Por revesla iva47, atenta a redaco dada ao citado normativo, a sua falta susceptvel de ter afectado a

dos contratos formalizados, pela no verificao de um dos pressupostos legais de que a a respectiva celebrao48.

Na fase do contraditrio, a SRE informou que Ao contrrio do referido relativamente a dois contratos-programa celebrados com o Madeira Tecnoplo, S.A. (Criao de Infocentros e Regis) existem efectivamente os pedidos de parecer e pareceres da Secretaria Regional do Plano e Finanas, tendo remetido uma cpia dos mesmos, o que permfoi dado cumprimento ao disposto preceito legal antes citado, ficando, assim, afastadas as dvidas sobre a validade dos contratos celebrados.

Cumpre, no entanto, reforar que, data da realizao da auditoria, e apesar de solicitados pela equipa, aqueles documentos no integraram a relao dos elementos ento disponibilizados.

Atravs deste CP, formalizado em 19 de Dezembro de 2001, foi definida a forma de execuo do projecto Uma famlia, um computador, enquadrado no POPRAM III Medida 1.2 Estmulo Inovao e Sociedade de Informao, que tem por objectivos:

Aumentar o nmero de agregados familiares (at 30% em 2006), cerca de 40 mil pessoas residentes na RAM, com computador pessoal e equipamentos complementares;

Facilitar o acesso Internet e a aquisio de um computador pessoal multimdia, nomeadamente s famlias de menores recursos, a fim de que utilizem as tecnologias de informao;

Promover e reforar as competncias no uso das novas tecnologias de informao. Para a prossecuo das metas enunciadas foi definido, na cl. 4. do CP, o montante de comparticipao financeira atribudo e o valor anual das transferncias a concretizar, conforme se evidencia no prximo quadro:

Quadro 7 - Distribuio anual da comparticipao financeira

(Em euros) Designao 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Total

Investimento elegvel comparticipado pela UE 724.109,90 593.759,04 608.613,24 623.826,58 639.423,99 655.405,47 3.845.138,22

Custos de gesto do projecto 144.821,48 118.751,81 121.722,65 124.765,32 127.884,80 131.081,10 769.027,16

Despesas remanescentes 192.408,16 161.123,96 164.688,97 168.340,17 172.083,55 175.919,10 1.034.563,91

Total 1.061.339,54 873.634,81 895.024,86 916.932,07 939.392,34 962.405,67 5.648.729,29

financeira dos programas Criao de Infocentros e Regis.

47

48

46 Concretamente, os contratos destinados comparticipao

Determina o art. 98., n. 1, do CPA que os pareceres so obrigatrios sempre que forem exigidos por lei, sendo vinculativos consoante as respectivas concluses tenham de ser ou no seguidas pelo rgo competente para a deciso.

Os contratos celebrados seriam, partida, anulveis, nos termos do art. 135., em conjugao com o art. 185., n. 1, ambos do CPA. A apontada invalidade ter-se-, porm, sanado pelo decurso do tempo [cfr. o art. 28., n. 1, al. c), do DL n. 265/85, de 16/07].

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AUD ITOR IA OR IE NTADA A CONT RATOS-P R OG RA M A CE LE BR A DOS N O M B I T O D A ADMIN ISTRAO RE G ION AL D IRECTA

No mbito deste contrato, foi transferida a quantia de 279.875,77 euros a ttulo de apoio aos custos de gesto do projecto e s despesas remanescentes. Quanto ao montante destinando ao financiamento do investimento elegvel, apesar de a autorizao de liquidao da verba respectiva ser de 19 de Julho de

a financeiro SRE aps as despesas relativas ao projecto em causa haverem sido processadas, no tendo procedido ao envio do correlativo oramento, o que colide

onograma financeiro apresentado integra o oramento mencionado (), pelo que no se verifica qualquer coliso com o

juno de uma cpia do ofcio da empresa Madeira undamentar tais afirmaes.

apenas alude remessa, SRE, do programa de actividadese do cronograma financeiro, no contendo qualquer meno ao oramento do p de 2002) vem co

Acresce que o relatrio das actividades desenvolvidas no ano de 2002, bem como os doccompr realizadas apenas foram enviados quela Secretaria Regional em Junho de 2003, o que denota a inobservncia das al. a) e e) do n. 2 da cl. 3. do CP, que fixava o prazo

dias, contados do cada ano de ncia do CP, eonde se estabe a atribuio s comparticipa

das a suportar os custos de gesto do projecto dependia da entrega dos documentos s elegveis.

Relativamente ao incumprimento da al. e) do n. 2 da cl. 3. do CP, a SRE alegou que () o atraso s elementos deveu-se ao facto de as contas da empresa Madeira Tecnoplo, S.A. do a

sido encerradas em Maio de 2003,