Tribunal de Contas .Tribunal de Contas 001 AC“RDƒO N 6/2013 - 9/Julho – 1 SEC‡ƒO/PL RECURSO

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ACRDO N 6/2013 - 9/Julho 1 SECO/PL

RECURSO ORDINRIO N 03/2013

PROCESSO N 1654/2012

I. RELATRIO

1.

A Cmara Municipal de Vila Real, atravs do respetivo Presidente, no se

conformando com o teor do Acrdo n. 3/2013, de 26.02, que recusou o Visto

renovao do contrato de concesso da explorao e manuteno da rede de

transportes coletivos urbanos de passageiros de Vila real, celebrado em 20.11.2012

entre aquela entidade e a empresa CORGOBUS Transportes Urbanos de Vila

Real, Sociedade Unipessoal, Lda. no valor de 8.161.446,00, veio do mesmo

interpor recurso jurisdicional, concluindo como segue:

()

A. Vem o presente recurso interposto da douta deciso, constante do acrdo

n. 3/2013 26.FEV-1S/SS, proferido nos autos supra identificados, no qual

foi recusado o visto ao contrato de concesso de servio pblico da

explorao e manuteno da rede de transportes coletivos urbanos de

passageiros de Vila Real (prorrogao), celebrado entre a Recorrente e a

empresa CORGOBUS Transportes Urbanos de Vila Real, Sociedade

Unipessoal, Lda..

B. O tribunal fundamentou a deciso de recusa de visto na inaplicabilidade ao

contrato a ele submetido do art. 180. do Cdigo de Procedimento

Administrativo (CPA), bem como na ausncia de procedimento concorrencial

obrigatrio do contrato que considerou como novo e celebrado por ajuste

direto.

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C. O contrato celebrado em 20/05/2004 tem como objeto a explorao e

manuteno, em regime de servio pblico, da rede de transporte pblico, da

rede de transportes coletivo urbano de passageiros por autocarro na cidade

de Vila Real.

D. Este contrato, prev expressamente a sua renovao (que na realidade a

sua prorrogao) por perodos adicionais de 10 anos.

E. O contrato prev, desde logo e expressamente, alteraes ao seu contedo,

quando se refere quecom a salvaguarda do equilbrio econmico-

financeiro da concesso, tal como definido no estudo de viabilidade

Econmico-Financeira, acordar com a concessionria, alteraes

concesso, nomeadamente atravs do reajustamento das linhas de

concesso estabelecidos () ou criao de novas linhas de concesso.

F. Esta possibilidade de introduzir alteraes (expressamente plasmada no

contrato apesar de constar do art.180 CPA), permitiram reforar a

transparncia s alteraes que, com grande probabilidade, iriam ser

introduzidas.

G. Assim, a efetivao destas alteraes no colhe de surpresa qualquer

terceiro nem viola o princpio da transparncia e igualdade.

H. Pois sabiam todos quantos intervieram no concurso inicial que, mantendo-se

o objeto, o contedo do contrato seria modificvel se tal fosse do interesse

municipal.

I. As alteraes introduzidas no implicam a alterao do objeto do contrato.

J. O contrato que foi sujeito a fiscalizao, aproveitando a data da sua

prorrogao, introduz um conjunto de alteraes de forma a torna-lo mais

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vantajoso para o Municpio e em resultado da experincia colhida na

execuo do contrato e as reais necessidades dos muncipes.

K. Constatando-se a desnecessidade de substituio imediata da frota no prazo

inicialmente previsto, frota essa que poderia ser aproveitada por mais cinco

anos, procedeu-se igualmente a nova prorrogao tendo em conta a

hipottica validade da frota, fruto da experincia da execuo do contrato.

L. Tal como as demais modificaes introduzidas tambm a alterao do prazo

da prorrogao respeita os elementos essenciais do contrato.

M. Efetivamente, estando prevista desde logo no contrato a possibilidade de

ocorrerem vrias prorrogaes pelo prazo de dez anos, no desrespeita o

contrato a deciso tomada de proceder, desde logo, a duas dessas

prorrogaes.

N. E as demais alteraes introduzidas tambm no violam o objeto do contrato

previsto no art. 180, j que diferente o objeto do contrato e o contedo

das prestaes dos contratantes, estas modificveis de acordo com o

interesse pblico e permitidas no mesmo artigo.

O. Segundo ESTEVES DE OLIVEIRA, com a imposio do respeito do objeto do

contrato pretende significar-se que a Administrao pode alterar as

obrigaes do cocontratante no que respeita sua quantidade, modelo,

qualidade, condies tcnicas e jurdicas da execuo, mas no lhe pode

ordenar que passe a prestar uma atividade diferente daquela a que se

comprometera (vide DIOGO FREITAS DE AMARAL, Curso de Direito

Administrativo, Vol. III).

P. O contrato sujeito a fiscalizao no s no modifica o objeto, nem as

alteraes introduzidas resultam numa nova relao contratual celebrada por

ajuste direto.

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Q. Para alm de no representarem a celebrao de um novo contrato de

concesso, o contrato acordado tambm no viola o princpio da

concorrncia.

R. Por um lado apenas o desrespeito grave de qualquer princpio dever

inquinar o procedimento, pois, os princpios devem acima de tudo orientar a

conduta procedimental da Administrao.

S. Quer no procedimento que antecedeu o contrato inicial, quer no concurso

quer no prprio contrato, constam com clareza e transparncia quer a

possibilidade de vrias prorrogaes quer a possibilidade de alterao.

T. Ningum foi pois surpreendido ou prejudicado face s alteraes

introduzidas e prorrogao acordada, no podendo as mesmas, por isso,

serem consideradas violadoras do princpio da concorrncia.

U. Depois estas alteraes permitiram a diminuio da subveno que est a

cargo da Cmara Municipal de Vila Real.

V. E, um procedimento concorrencial alternativo negociao no garantia a

diminuio dos custos associados ao contrato, pelo que o interesse

municipal na prorrogao se tornou evidente.

W. A execuo do contrato, nos termos atuais, representa um custo financeiro

pesado para o municpio, pelo que era inequvoco o interesse na sua

modificao, de modo a diminuir os custos associados, baseado na

racionalizao de recursos e no aumento de eficincia.

X. A ideia de que o princpio da concorrncia deve prevalecer sobre os

interesses pblicos em questo, no inequvoca nem se constata da

apreciao do caso concreto.

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Y. Alis, admitindo-se que os princpios referidos tm em abstrato o mesmo

valor normativo deveria ter sido ponderado o especial interesse pblico,

motivado pelas implicaes financeiras em jogo e pelas restries

financeiras atuais.

Z. No caso concreto em julgamento deveria ter sido atribuda prevalncia ao

interesse municipal, este manifesto, sobre uma hipottica violao do

princpio da concorrncia, que como se demonstrou, em nenhum momento

foi desrespeitado.

AA. H que ter em conta que as condies em que o contrato foi celebrado se

alteram no decurso da sua execuo, e de tal forma, que o contedo do

contrato, celebrado ab initio deixa de respeitar qualitativamente, a melhor

forma de prosseguir o interesse pblico.

BB. S perante uma grave e comprovada violao do princpio da concorrncia

se poder deixar de atender ao interesse pblico inequivocamente

demonstrado e provado.

CC. Por ltimo, mesmo considerando-se que o contrato sujeito a visto constitui

um novo contrato (face s modificaes nele introduzidas e aos limites

referidos pelo acrdo aplicao do art. 180.) mesmo assim, deveria o

Tribunal, atendendo situao de facto e aos argumentos expendidos,

considerar existir interesse pblico justificativo da contratao por ajuste

direto nos termos do n. 3 do art. 31. do CCP, situao que no deixou de

ser analisada pelo acrdo recorrido, por certo face s manifestas

vantagens que, do contrato sujeito a visto, resultariam para o municpio.

().

Termina, peticionando a procedncia do recurso interposto, e, em conformidade, a

substituio do acrdo recorrido por um outro que conceda o necessrio visto ao

contrato, atento o seu ajustamento ao preceituado no art. 180., al. a), do Cdigo

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de Procedimento Administrativo, e, ainda, a prevalncia do interesse pblico que

legitima a aplicao do art. 31., n. 3, do Cdigo dos Contratos Pblicos.

2.

Aberta vista ao Ministrio Pblico, o ilustre Procurador-Geral Adjunto deduziu

parecer, adiantando, em sntese, o seguinte:

As alegaes da recorrente reeditam a argumentao aduzida na fase de

instruo do processo;

Deparando-se-nos um novo contrato de concesso, tal implicaria, no

domnio da respetiva formao, a observncia do Cdigo dos Contratos

Pblicos, e, em particular, dos art.os 1., n. 2, 2., n. 1, al. c), 16., n. 2, al.

c) e 31., n. 1, que o integram;

A ausncia do procedimento