Tribunal de Contas .Tribunal de Contas – 2 – 001 4. A adjudica§£o sobreveio a delibera§£o

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Transitado em julgado em 7/02/2017

ACRDO N. 1/2017- 17 de Janeiro 1 SECO/SS

PROCESSO N.O 2218/2016

RELATOR: JUIZ CONSELHEIRO ALBERTO BRS

Acordam os Juzes do Tribunal de Contas, em Subseco, da 1. Seco:

I. RELATRIO.

1.

A empresa Infraestruturas de Portugal, S.A., [doravante, designada por IP,SA]

remeteu ao Tribunal de Contas, para efeitos de fiscalizao prvia, o contrato

[n. 5010027246/2016] de aquisio de Seguro de Sade para trabalhadores

daquela empresa e, antes, colaboradores do grupo empresarial REFER,

celebrado em 22.09.2016 entre a referida entidade empresarial e a Fidelidade

Companhia de Seguros, S.A., pelo valor global de 354.583,00.

II. FUNDAMENTAO.

2.

O contrato em apreo foi precedido de concurso pblico, com publicao

internacional, autorizado por deliberao do Conselho de Administrao Executivo

da IP, S.A., tomada em 16.06.2016.

Para alm disso, o anncio de abertura do concurso foi objeto de publicao no

Dirio da Repblica, II Srie, de 22.06.2016.

3.

No mbito procedimental, o preo-base foi fixado em 380.000,00, sendo que o

critrio de adjudicao se traduzia no mais baixo preo.

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4.

A adjudicao sobreveio a deliberao do Conselho de Administrao Executivo da

empresa IP, S.A., tendo ocorrido em 18.08.2016.

5.

O contrato em apreo tem a durao de 4 meses, com incio em 01.09.2016 e

termo no dia 31.12.2016.

Acresce ainda que tal instrumento contratual abrange o ramo sade,

comprometendo-se a seguradora e adjudicatria a pagar s pessoas seguras as

prestaes convencionadas e indemnizatrias dentro dos limites estabelecidos nas

condies particulares e especiais da aplice [n. 9905948], cujo contedo se d

aqui por inteiramente reproduzido.

6.

a.

O seguro tem um universo de cobertura de 2.900 pessoas.

b.

Os trabalhadores da IP,SA, so beneficirios de seguro relativo a acidentes de

trabalho.

7.

Em 19.05.2016, e em subseco da 1. Seco, foi proferido acrdo [n. 7] que

recusou o visto ao contrato de prestao de servios de seguro de sade e

acidentes pessoais celebrado em 29.01.2016 e para o trinio 2016/2018 e no qual

figuravam como outorgantes a IP, S.A., e a Companhia de Seguros Fidelidade.

Na ausncia de impugnao, tal acrdo transitou em julgado.

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Tal seguro abrangia 4.163 pessoas, sendo que 3.146 eram colaboradores da

empresa Infraestruturas de Portugal, SA, e os demais eram cnjuges ou

equiparados, filhos e reformados.

8.

Instada a esclarecer as razes que presidiram outorga de tal contrato, apesar do

teor do acrdo mencionado em 7., a IP, S.A., atravs de rgo prprio, afirmou:

()

Aps o processo de fuso da ex- REFER e a ex-EP, a IP, lanou um

concurso pblico internacional, que tinha como escopo, harmonizar a poltica

de benefcios sociais para todo o universo de trabalhadores da IP atentos os

princpios de igualdade e da no discriminao laboral, que todas as

entidades pblicas devem prosseguir e assegurar na gesto do capital

humano das empresas.

A IP, submeteu ao Tribunal de Contas, para efeitos de fiscalizao prvia, o

contrato de prestao de servios de seguro de sade e acidentes pessoais

para o trinio 2016/2018 celebrado em 29 de janeiro pp. com a Fidelidade -

Companhia de Seguros, S.A.

O Tribunal de Contas, pelo seu acrdo n. 7/2016, de 19 de maio (1.a

Seco/SS - processo n. 297/2016) recusou o visto ao referido contrato, nos

termos em que foi lanado.

Neste contexto, foi todo o processo reorganizado, lanando um novo concurso

pblico para contratao de um Seguro de Sade para os colaboradores do

ento Grupo ex-REFER para o ltimo quadrimestre de 2016 (01.09.2016 a

31.12.2016), que assenta por conseguinte em pressupostos distintos do

processo de contratao cujo visto foi recusado em maio do ano corrente.

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Essa contratao assenta no facto dos trabalhadores da IP que so originrios

da ex-REFER terem adquirido o direito ao seguro de sade por dele terem

beneficiado, continuamente, desde 1999. Efetivamente, por comunicao

proferida pelo Conselho de Administrao da ento REFER, em 1999 e

reforada em 2002 assumido que o seguro de sade constitui um benefcio

social atribudo com carter geral a todos os trabalhadores da empresa.

O acesso cobertura daqueles seguros a favor dos trabalhadores sempre foi

mantido por adeso que operava de imediato, bastando-se com a qualidade

de trabalhador da REFER.

Existe jurisprudncia do Supremo Tribunal de Justia (cf. entre outros:

Acrdo de 12.10.2011, (Revista n. 3074/06) e de 26.06.2006 (Revista n.

699/06)), nos termos da qual as decises emitidas pela administrao de uma

empresa que, unilateralmente, estabeleam benefcios a favor dos

trabalhadores, como o caso da concesso de seguros de sade ou

acidentes, constituem regulamentos internos que, uma vez aceites por adeso

expressa ou tcita dos trabalhadores, passam a obrigar ambas as partes em

termos contratuais;

de considerar que as determinaes constantes dos comunicados acima

citados do ento Conselho de Administrao da REFER, dirigidos a todos os

seus trabalhadores, constituem regulamentos internos contendo proposta

contratual do empregador que, uma vez aceite por adeso expressa ou tcita,

passam a integrar o contedo do contrato de trabalho celebrado, pelo que se

dever considerar tal direito subjetivado e adquirido junto com o demais

estatuto contratual acumulado pelo trabalhador na vigncia do contrato

individual de trabalho;

Alis, no primeiro comunicado, de 1999, sublinhada a inteno de se

considerar tal benefcio, no como obra social, mas como um ato de gesto de

poltica de recursos humanos. Aqui, a vontade que subjaz sua atribuio

aponta definitivamente para uma natureza de contrapartida da atividade dos

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trabalhadores e, por tal, constituindo-se como componente integrante da

retribuio destes;

Assumindo carter retributivo esta prestao complementar da remunerao

dos trabalhadores, no poder a IP proceder sua reduo, por fora do

princpio da irredutibilidade da retribuio;

Acresce que o uso pelos trabalhadores, desde ento, das prestaes

provenientes daquele seguro, em especial no mbito da assistncia no

domnio da sade, merecedor da proteo que lhe confere a aplicao do

princpio da confiana.

A norma habilitante para a contratao do seguro de sade reside pois na

comunicao datada de 1999/2002, que consubstancia a natureza de um

regulamento interno ao abrigo do qual os trabalhadores adquiriram o referido

direito, cabendo portanto entidade empregadora assegurar o direito, por via

da presente contratao.

E, a propsito do universo dos beneficirios de tal seguro e da eventual cumulao

de benefcios, a IP, SA, esclareceu, ainda, o seguinte:

()

Os trabalhadores da IP, S.A. que beneficiaro do seguro tm vnculo de

trabalho subordinado com a Empresa (contrato individual de trabalho),

regulado pelo Cdigo do Trabalho e so originrios da Rede Ferroviria

Nacional - REFER, E.P.E.

No sero abrangidos pelo seguro os trabalhadores da IP, S.A. que so

oriundos da EP, S.A. e prestam agora trabalho na Empresa por fora da fuso

operada pelo Decreto-Lei n. 91/2015, de 29 de maio (diploma que

determinou, no seu artigo 1., n. 1, que a REFER, E. P. E. incorpora, por

fuso, a EP, S. A. e transforma a primeira em sociedade annima, que passa

a denominar-se Infraestruturas de Portugal, S. A.).

()

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A amostra dos trabalhadores que renem os requisitos acima identificados

no beneficia da cumulao de benefcios da mesma natureza, naturalmente,

para alm da cobertura geral da segurana social e do sistema nacional de

sade cujo acesso, de natureza universal, garantia fundamental que no

deve resultar em prejuzo dos seus beneficirios. Apenas os trabalhadores

provenientes da EP, S.A., que integram o Quadro de Pessoal Transitrio

beneficiam de acesso ADSE, mas estes esto excludos do regime do

contrato individual de trabalho.

III. DO ENQUADRAMENTO JURDICO.

9.

A materialidade constante do processo, no confronto com a legislao aplicvel,

impe que se aprecie e decida da viabilidade legal da celebrao do presente

contrato de seguro, matria que, obrigatoriamente pressupor abordagem que se

estende pela classificao jurdico-financeira da Infraestruturas de Portugal, S.A.,

respetivo regime jurdico-financeiro, caraterizao da sua condio de empresa