Tribunal de Contas .Tribunal de Contas – 2 – 001 “A PGR determinou ao Minist©rio Pblico

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    ACRDO n.1/2014 Plenrio Geral

    (Recurso extraordinrio artigos 101. a 103. da LOPTC)

    I. RELATRIO

    O Ministrio Pblico junto do Tribunal de Contas veio, ao abrigo das

    disposies conjugadas dos artigos 101., ns 1, 2 e 3, 96., da Lei 98/97,

    de 26/08 [doravante LOPTC], e 447. do Cdigo de Processo Penal,

    aplicvel por fora do artigo 80., alnea c), da LOPTC, interpor recurso

    extraordinrio para fixao de jurisprudncia, atenta a oposio,

    sobre a mesma questo de direito, entre a Sentena n. 6/2013, de 4 de

    julho, da Seco Regional da Madeira do Tribunal de Contas, proferida no

    Proc. n.3/2012-JRF e o Acrdo n.5/2013, de 6 de maro, da 3 Seco-

    PL do Tribunal de Contas, proferido no mbito do Recurso Ordinrio n.

    1- JRF/2012.

    Nas alegaes, o Ministrio Pblico concluiu:

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    A PGR determinou ao Ministrio Pblico junto do Tribunal de Contas

    que, nos termos do artigo 447. do CPP, aplicvel por fora do artigo 80.

    da LOPTC, intentasse recurso de unificao de Jurisprudncia, dado

    haver decises opostas relativamente questo fundamental de direito,

    sobre se, no domnio da LOPTC [artigo 70.], a citao do demandado

    para ao de efetivao de responsabilidades financeiras constitui ou no

    fator interruptivo da prescrio;

    3.2.

    No recurso interposto neste processo pelo Ministrio Pblico na SRM

    contra a sentena que nele foi lavrada [sentena n. 6/2013 da SRM do

    Tribunal de Contas] o Ministrio Pblico circunscreveu os efeitos do seu

    recurso e no abrangeu nele a absolvio do 15. demandado;

    3.

    Todavia, apesar do trnsito da deciso quanto quele demandado, est,

    ainda assim, o Ministrio Pblico em tempo para intentar este recurso

    extraordinrio, pois ele decorre no domnio da previso do artigo 447.

    do CPP, aplicvel por fora do artigo. 80. da LOPTC;

    4.

    A absolvio do 15. demandado neste processo funda-se na

    desconsiderao direta e assumida do fator interruptivo citao do

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    demandado para a ao na apreciao do prazo prescricional em

    matria de responsabilidade financeira;

    5.

    Sobre a mesma matria existe, contudo, jurisprudncia uniforme do

    Plenrio da 3. Seco, de que se destaca, por ser mais recente, o

    Acrdo 5/2013 3. Seco-PL, que veicula orientao contrria

    daquela sentena da SRM do Tribunal de Contas;

    6.

    Com efeito, como pode concluir-se daquele Acrdo, e ao contrrio da

    sentena da SRM, o Plenrio da 3. Seco considera aplicvel ao regime

    da prescrio da responsabilidade financeira o regime interruptivo que

    resulta da citao dos interessados para a demanda, tal como previsto no

    Cdigo Civil e no Cdigo Penal;

    7.

    Ambas as decises j transitaram em julgado, pelo que o presente

    recurso apenas pode produzir efeitos para futuro e nos termos previstos

    no art. 103. da LOPTC;

    8.

    Esto, pois, verificados os requisitos p. no art. 101. da LOPTC para

    que o Plenrio Geral do Tribunal de Contas admita o recurso para a

    unificao da jurisprudncia:

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    a) A confirmao da existncia de duas decises com

    solues jurdicas opostas: uma de uma Seco Regional,

    outra do Plenrio da 3. Seco;

    b) - O facto de a prolao de tais decises ter ocorrido no

    mbito da mesma norma e com a mesma redao da LOPTC

    (artigo 70., ns 1, 2 e 3);

    9.

    Deve, assim, o Plenrio Geral do Tribunal, nos termos do que dispem

    os artigos 102. e 103. da LOPTC, considerar verificados os requisitos

    para a prolao de um Acrdo de unificao de jurisprudncia e

    proferir uma deciso que fixe, quanto matria em causa,

    jurisprudncia obrigatria;

    10.

    Considera o Ministrio Pblico que o sentido da jurisprudncia adotado

    pelo Plenrio da 3. Seco do Tribunal de Contas o que melhor

    interpreta o sistema de princpios de direito relativos ao regime geral da

    responsabilidade no ordenamento constitucional e jurdico portugus,

    nele se incluindo, necessariamente, o da responsabilidade financeira;

    11.

    Com efeito, o facto de o artigo 70., da LOPTC, apenas se ter referido ao

    fator suspensivo da prescrio e no ao interruptivo, apenas significa que

    o legislador quis adaptar aquele fator s circunstncias e

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    especificidades prprias do processo de averiguao preliminar das

    infraes financeiras contempladas no processo de auditoria que vigora

    no Tribunal de Contas;

    12.

    Nesse sentido, o teor das normas dos nmeros 2 e 3 do artigo 70. da

    LOPTC, que apenas especializam, quanto a este fator [suspenso], o

    ordenamento geral da prescrio em matria de responsabilidade que

    decorre, quer do Cdigo Civil, quer do Cdigo Penal;

    13.

    Quanto ao mais, entende-se, pois, que vigoram os regimes gerais sobre a

    prescrio desenvolvidos no Cdigo Civil e no Cdigo Penal;

    14.

    Alis, este ltimo o Cdigo Penal - seria sempre aplicvel por fora do

    disposto, no seu artigo 9., quanto subsidiariedade e fora do seu

    regime relativamente ao direito sancionador especial;

    15.

    este, alis, o sentido da jurisprudncia do Plenrio da 3. Seco do

    Tribunal de Contas.

    Proferindo um Acrdo que fixe jurisprudncia obrigatria com o

    sentido que lhe foi dado por aquele Acrdo do Plenrio da 3. Seco

    [Acrdo 5/2013 3. Seco-PL], far o Plenrio Geral do Tribunal a

    mais sbia, prudente e melhor justia..

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    Por ser legal e interposto por quem tem legitimidade, foi admitido o

    recurso extraordinrio para fixao de jurisprudncia, nos termos dos

    artigos 101., ns 1, 2 e 3 e 96., da LOPTC, e, ainda, do art. 447. do

    Cdigo de Processo Penal, aplicvel ex vi do artigo 80., alnea c), da

    LOPTC [vide fls. 119].

    Colhidos os vistos, e reunido o Plenrio Geral do Tribunal, cumpre

    decidir:

    II. Fundamentao

    A) Interposio do recurso e respetiva sustentao legal

    O Artigo 101. da LOPTC, sob a epgrafe Recursos extraordinrios, na

    parte relevante, dispe o seguinte:

    1 Se, no domnio, da mesma legislao, forem proferidas em

    processos diferentes nos plenrios das 1 ou 3 seces ou nas

    seces regionais duas decises, em matria de concesso ou de

    recusa de visto e de responsabilidade financeira, que,

    relativamente mesma questo fundamental de direito, assentem

    sobre solues opostas, pode ser interposto recurso extraordinrio

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    da deciso proferida em ltimo lugar para a fixao de

    jurisprudncia.

    2 No requerimento de recurso deve ser individualizada tanto a

    deciso anterior transitada em julgado que esteja em oposio

    como a deciso recorrida, sob pena de o mesmo no ser admitido.

    3 Ao recurso extraordinrio aplica-se, com as necessrias

    adaptaes, o regime do recurso ordinrio, salvo o disposto nos

    artigos seguintes.

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    Por sua vez, o artigo 447 do Cdigo do Processo Penal, sob a epgrafe

    Recursos no interesse da unidade do direito, dispe o seguinte:

    1. O Procurador-Geral da Repblica pode determinar que seja

    interposto recurso para fixao de jurisprudncia de deciso j

    transitada em julgado h mais de 30 dias.

    2. Sempre que tiver razes para crer que uma jurisprudncia fixada

    est ultrapassada, o Procurador-Geral da Repblica pode interpor

    recurso do acrdo que firmou essa jurisprudncia no sentido do

    seu reexame. Nas alegaes o Procurador-Geral da Repblica

    indica logo as razes e o sentido em que a jurisprudncia

    anteriormente fixada deve ser modificada.

    3. Nos casos previstos nos nmeros anteriores a deciso que

    resolver o conflito no tem eficcia no processo em que o recurso

    tiver sido interposto..

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    A Senhora Procuradora-Geral da Repblica, ao abrigo das disposies

    conjugadas dos artigos 96., n. 3, 101., da LOPTC, e 447., do Cdigo de

    Processo Penal, aplicvel por fora do artigo 80., alnea c), da LOPTC,

    determinou que fosse interposto recurso extraordinrio para fixao de

    jurisprudncia quanto matria em causa e sobre a qual incidiram

    decises opostas no mbito da mesma norma e com a mesma redao

    [artigo 70., ns 1, 2 e 3, da LOPTC].

    O artigo 447., do Cdigo de Processo Penal permite que, fora do prazo

    normal de recurso, o Ministrio Pblico intente recurso para unificao de

    jurisprudncia, mesmo depois de transitada em julgado a deciso

    proferida no segundo processo e que est em contradio com a primeira.

    O Ministrio Pblico, est, pois, em prazo para interpor o presente

    recurso. Contudo, a deciso que sobre o mesmo incidir no produzir

    efeitos sobre o decidido na sentena n 6/2013 e includa no processo

    n3/2012-JRF, da SRMTC.

    B) Oposio de julgados e as posies sob confronto

    Sustenta o recorrente que se perfilam duas decises opostas quanto

    citao como