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Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba O documento a seguir foi juntado aos autos do processo de número 0600659-07.2018.6.15.0000 em 16/09/2018 23:27:06 por ROMERO SA SARMENTO DANTAS DE ABRANTES Documento assinado por: - ROMERO SA SARMENTO DANTAS DE ABRANTES Consulte este documento em: https://pje.tre-pb.jus.br:8443/pje-web/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam usando o código: 18091623270611000000000084441 ID do documento: 86945

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  • Tribunal Regional Eleitoral da ParaíbaTribunal Regional Eleitoral da Paraíba

    O documento a seguir foi juntado aos autos do processo de número 0600659-07.2018.6.15.0000em 16/09/2018 23:27:06 por ROMERO SA SARMENTO DANTAS DE ABRANTESDocumento assinado por:

    - ROMERO SA SARMENTO DANTAS DE ABRANTES

    Consulte este documento em:https://pje.tre-pb.jus.br:8443/pje-web/Processo/ConsultaDocumento/listView.seamusando o código: 18091623270611000000000084441ID do documento: 86945

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    Tel/Fax (83) 3021-4970

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    EXMA. SRA. DRA. JUÍZA ELEITORAL MICHELINI DE OLIVEIRA DANTAS

    JATOBÁ, RELATORA DO RRC Nº 0600659-07.2018.6.15.0000.

    YASNAIA POLLYANNA WERTON DUTRA, já devidamente qualificada, por seus

    procuradores e advogados adiante assinados, vem, respeitosamente, perante Vossa

    Excelência, para apresentar ALEGAÇÕES FINAIS, o que o faz expondo e requerendo o

    que segue:

    I - OS FATOS.

    O MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL impugnou o pedido de registro de candidatura

    formulado por YASNAIA POLLYANNA WERTON DUTRA, candidata a deputada

    estadual, alegando a incidência da causa de inelegibilidade prevista pelo art. 1º, inciso I,

    alínea l, da Lei Complementar nº 64/90.

    Segundo o órgão ministerial, a impugnada, ex-prefeita do Município de POMBAL/PB, teria

    sido “... condenada à suspensão de seus direitos políticos, no Processo n.º 0000063-

    50.2013.815.0301, em decisão colegiada, proferida na data de 17.08.2017, por ato doloso

    de improbidade administrativa que importou em lesão ao patrimônio público e/ou

    enriquecimento ilícito (próprio ou de terceiro) ...” .

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    Acrescenta o Parquet que “... o acórdão do TJ-PB reconheceu, expressamente, a presença

    do dolo genérico ...”, sustentando, ainda, não ser necessária a presença cumulativa do

    dano ao erário e do enriquecimento ilícito para atrair a inelegibilidade prevista pelo art.

    1º, inciso I, alínea l, da Lei Complementar nº 64/90.

    Quanto ao ponto, ressalta que “... para a configuração dos requisitos atinentes ao

    enriquecimento ilícito e/ou prejuízo ao erário, exigidos na alínea "l", este Parquet se filia

    à corrente interpretativa de que tais elementos não precisam estar expressos na parte

    dispositiva da sentença, podendo decorrer da análise do bojo da decisão, que ao fazer

    menção concreta às praticas de condutas tipificadas nos arts. 9º e/ou 10, da LIA, alcançam

    o sentido da lei de inelegibilidades”.

    Finaliza afirmando que “... as condutas praticadas pela impugnada causaram lesão ao

    erário e atentaram contra os princípios da Administração Pública, subsumindo-se às

    normas insculpidas nos arts. 10 e 11, da Lei n.º 8.429/92”.

    Aportou aos autos certidão circunstanciada do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA PARAÍBA,

    referente à movimentação do Processo n.º 0000063-50.2013.815.0301.

    Ato contínuo, foi aberto prazo para as partes apresentarem alegações derradeiras.

    Em síntese, são os fatos.

    II - PRELIMINARMENTE.

    A impugnada, em sua defesa, postulou pela produção da seguinte prova: “a oitiva do relator

    da prestação de contas referente ao exercício financeiro de 2010 da Prefeitura de

    Pombal, Conselheiro do TCE/PB André Carlo Torres Pontes”.

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    Em suas alegações finais, o Ministério Público Eleitoral ignora a decisão do TCE/PB,

    adotada em sede de recurso de reconsideração, que aprovou as contas da impugnada,

    referentes as exercício de 2010. Assim o faz mediante a alegação de que o TCE/PB

    reconhecer a existência de dano ao erário, assim o fazendo, inclusive, com base em

    constatações prévias da auditoria da Corte de Contas Estadual.

    A assertiva ministerial não encontra amparo no acórdão do TCE/PB, juntado aos autos, que

    aprovou as contas da impugnada. Todavia, diante da controvérsia suscitada, a defendente

    insiste na produção da referida prova (oitiva do relator da prestação de contas referente ao

    exercício financeiro de 2010 da Prefeitura de Pombal, Conselheiro do TCE/PB André Carlo

    Torres Pontes), tudo visando resguardar ampla defesa constitucionalmente garantida.

    É o que se requer.

    III - DA NÃO INCIDÊNCIA DA INELEGIBILIDADE DENUNCIADA.

    O Ministério Público Eleitoral busca, de toda forma, alterar a abrangência do julgado tido

    como ensejador da inelegibilidade da impugnada, visando o indeferimento do pedido de

    registro de sua candidatura.

    Ocorre que a pretensão ministerial encontra óbice no real sentido da norma (art. 1º, inciso

    I, alínea l, da LC nº 64/90) e na iterativa jurisprudência do TRIBUNAL SUPERIOR

    ELEITORAL e do TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DA PARAÍBA. Senão vejamos:

    Primeiramente, convém destacar o disposto no art. 1º, inciso I, alínea l, da Lei Complementar

    nº 64/90:

    Art. 1º. São inelegíveis:

    I - para qualquer cargo: (...)

    l) os que forem condenados à suspensão dos direitos políticos, em decisão

    transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, por ato doloso de

    improbidade administrativa que importe lesão ao patrimônio público e

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    enriquecimento ilícito, desde a condenação ou o trânsito em julgado até o transcurso

    do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da pena;” (Incluído pela Lei

    Complementar nº 135, de 2010) (...)

    Desnecessários maiores esforços dialéticos para se constatar que as condenações que atraem

    o dispositivo acima são aquelas alicerçadas nos arts. 9º (Atos de Improbidade

    Administrativa que Importam Enriquecimento Ilícito) e 10 (Atos de Improbidade

    Administrativa que Causam Prejuízo ao Erário) da Lei nº 8.429/92.

    Fixada tal premissa, e atentando-se para o fato de inexistir decisão transitada em julgado

    em desfavor da impugnada (CONFORME CERTIDÃO JUNTADA AOS AUTOS

    QUANDO DA INSTRUÇÃO DO PRESENTE FEITO), é de se levar em conta, para fins

    de aferição da denunciada inelegibilidade da defendente, a decisão colegiada egressa do

    Colendo Tribunal de Justiça da Paraíba, proferida nos autos da Ação de Improbidade nº

    0000063-50.2013.815.0301.

    Nesse sentido, é fato que a impugnada foi condenada no referido processo, estando a decisão

    submetida à revisão do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, via recurso especial.

    Ocorre, porém, que basta uma análise do acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA

    PARAÍBA para se constatar que apesar de mantida a decisão de primeira instância, a Corte

    Estadual de Justiça restringiu a condenação da impugnada aos atos de improbidade que

    atentam contra os princípios da administração pública (art. 11 da Lei nº 8.429/92). Senão

    vejamos os seguintes trechos do acórdão do TJ/PB:

    “É evidente que as condutas praticadas pela apelante violaram os

    princípios básicos da administração, dentre eles a legalidade, a moralidade e a

    impessoalidade, por deixar de evitar a malversação dos recursos públicos.

    Sob este prisma, portanto, irretocável a sentença que reconheceu a

    violação aos postulados administrativos insculpidos na Constituição Federal,

    constituindo ato ímprobo previsto no art. 11 da Lei nº 8.429/92, reconhecendo-se,

    assim, o dolo genérico na espécie, eis que prescindível a prova do dolo específico.”

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    Nos termos da Súmula 41/TSE, "não cabe à Justiça Eleitoral decidir sobre o acerto ou

    desacerto das decisões proferidas por outros Órgãos do Judiciário ou dos Tribunais de

    Contas que configurem causa de inelegibilidade". E, conforme se verifica do excerto da

    decisão colegiada acima transcrito, a condenação da impugnada foi calcada no art. 11 da

    Lei nº 8.429/92. Em assim sendo, não incide a inelegibilidade prevista pelo art. 1º, inciso

    I, alínea l, da Lei Complementar nº 64/90.

    É fato que a sentença de primeira instância, com relação a dois fatos narrados na inicial

    da ação de improbidade (falta de recolhimento de contribuição previdenciária e excesso

    de gastos com combustíveis), reconhece a ocorrência de dano ao erário. Ocorre que o

    acórdão do TJ/PB, apesar de ter mantido a parte dispositiva da sentença, o fez por

    fundamento diverso, sendo expresso ao estabelecer que os fatos vulneravam “... os

    postulados administrativos insculpidos na Constituição Federal, constituindo ato ímprobo

    previsto no art. 11 da Lei nº 8.429/92 ...”. TAL CIRCUNSTÂNCIA ESTÁ

    ABSOLUTAMENTE EVIDENCIADA NOS AUTOS, NÃO LOGRANDO O MPE, EM

    SUAS ALEGAÇÕES FINAIS, EM DESCARACTERIZÁ-LA.

    Com efeito, a decisão colegiada do TJ/PB evidencia que a ação de improbidade foi proposta

    com base em decisão do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba que “... julgou irregulares

    as contas públicas da Prefeitura Municipal de Pombal, no exercício de 2010, quando a ré

    exercia o cargo de Prefeito Constitucional, imputando-lhe o débito de R$ 202.153,48

    (duzentos e dois mil, cento e cinquenta e três reais e quarenta e oito centavos)”.

    Da mesma forma, a decisão colegiada do TJ/PB, fazendo menção às razões da apelação

    interposta pela impugnada, aduz:

    “Assevera também que as anomalias encontradas pela auditoria do

    Tribunal de Contas foram afastadas no julgamento do pedido de reconsideração,

    e essa situação não configura ato ímprobo.”

    De fato, a impugnada teve sua prestação de contas, referente ao exercício financeiro de 2010,

    inicialmente rejeitada pelo Tribunal de Contas do Estado da Paraíba. Todavia, interposto

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    Recurso de Reconsideração ainda no âmbito da Corte Estadual de Contas, foi o mesmo

    provido, para tornar insubsistente acórdão anterior e aprovar a prestação de contas,

    inclusive com a desconstituição do débito anteriormente imputado. É o que se extrai do

    ACÓRDÃO APL – TC 00869/12, devidamente acostado aos autos.

    No referido acórdão da Corte Estadual de Contas, restou assim decidido com relação à falta

    de recolhimento de contribuição previdenciária e excesso de gastos com combustíveis:

    “Quanto à mácula referente à falta de recolhimento das contribuições

    previdenciárias ao INSS, correspondendo a 53,05% do total estimado devido, a

    interessada afirma que realizou parcelamento junto ao órgão competente, para

    tanto, anexou ao processo uma declaração fornecida pelo Sr. José Ribamar de

    Oliveira, Técnico do Seguro Social (fls. 2262/2264)1, discriminando os débitos

    incluídos no parcelamento. Informa ainda, que os valores estão sendo debitados

    diretamente na conta do Fundo de Participação do Município – FPM.

    Ao consultar os dados apresentados ao SAGRES, verifica-se que até o mês

    de agosto de 2012, houve pagamentos na ordem de R$ 476.817,57 (elemento de

    despesa 71), referentes a parcelamentos de débitos junto ao INSS. Outrossim, em

    consulta ao site do Banco do Brasil S/A, nos demonstrativos de distribuição de

    arrecadação, observam-se registros de pagamentos, nos extratos da conta do FPM,

    de natureza de débitos do INSS-Empresa e INSS-Parcelamento. Desta forma,

    conclui-se que o Município vem regularizando suas obrigações junto ao INSS.

    O quadro abaixo demonstra a evolução dos gastos com pessoal e dos

    pagamentos dos respectivos encargos patronais.

    Por fim, quanto à despesa excessiva com combustível no montante de R$

    202.153,48, a interessada, em sede do recurso de reconsideração, argumentou que

    a planilha utilizada para efetuar a estimativa do consumo de combustível continha

    1 Declaração em anexo (DOC. 04).

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    erro na fórmula de cálculo. Argumentou, ainda, ter a d. Auditoria desconsiderado

    dois veículos (Ônibus de placa NQD 2596/PB e o veículo Montana de placa NQK

    0417/PB), os quais efetivamente tinham sido utilizados durante o exercício.

    A equipe técnica do GEA, ao analisar os fatos e documentos apresentados,

    acatou os argumentos trazidos aos autos, elaboraram-se novos cálculos, tomando

    por base os dados contidos na tabela de fls. 2299/2300, a partir dos quais ainda

    permaneceu o excesso de combustíveis apontado, desta feita em menor valor, no

    montante de R$ 32.343,88, resumido na planilha a seguir:

    De início, quanto aos veículos citados pela defesa, cabe, neste momento,

    algumas considerações, senão vejamos. O veículo de placa NQD 2596/PB, lotado

    na Secretaria de Educação, só veio a ser utilizado pelo Município após a data de

    assinatura do termo de cessão efetuado com o Governo do Estado da Paraíba em

    30/06/2010, fl. 2244, assim, não poderia ser considerado por todo o exercício.

    Quanto ao veículo Montana de placa NQK 0417/PB, lotado na Secretaria de Infra-

    Estrutura, só veio a ser adquirido pelo Município em 15/12/2010, fl. 2248, assim,

    praticamente não foi utilizado no exercício em questão.

    No gênero, se cotejados os valores empenhado e calculado pelo “Total

    geral” já não haveria excesso. Para avaliar a matéria, devem ser consideradas as

    economias e não apenas os excessos, pois os veículos podem variar seu

    desempenho conforme a sua destinação e uso ou até mesmo algum relacionado a

    algum órgão pode ter sido usado momentaneamente por outro.

    Especificamente, observando-se o quadro acima, vislumbra-se que o

    possível excesso de combustível estaria concentrado no Gabinete da Prefeita (R$

    5.154,30), na Secretaria de Educação (R$ 8.739,12) e na Secretaria do Trabalho e

    Ação Social (R$ 15.832,43).

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    Ao analisar a prestação de contas do Município de Pombal, exercício de

    2011, Processo TC 2925/12, a equipe de Auditoria, ao verificar os gastos efetuados

    com combustíveis na ordem de R$ 516.579,00, concluiu em seu Relatório, item

    12.8, (fls. 631) que: “Dos dados extraídos do controle de combustível da Prefeitura,

    informados por Hosana Gomes de Sousa, pode-se observar o consumo total de

    combustível por veículo/máquina no exercício, quilometro/dia, quilometro/litro,

    litro/hora, horas/dia, dias/ano, além das identificações dos veículos/máquinas

    (Doc. 14213/12 e Doc. 14215/12). Por outro lado, observando os valores

    empenhados com os fornecedores de combustíveis para a Administração Direta

    (Doc. 14217/12 e Doc. 14218/12), pode-se concluir que não houve excesso de

    consumo de combustível em 2011.”

    Assim, considerando os mesmos parâmetros e dados utilizados pelo Órgão

    de Instrução, no exercício de 2011, e aplicando os mesmos critérios ao exercício

    ora em questão, verifica-se uma compatibilidade entre as informações em ambos

    os exercícios, senão vejamos:

    No Gabinete da Prefeita, o gasto com combustível, no exercício de 2010,

    foi de 10.112 litros de gasolina (fl. 2300), mesma quantidade considerada no

    exercício de 2011, no total de 10.260,31 litros. (Documentos TC 14215/12 e TC

    14213/12).

    Quanto aos gastos da Secretaria de Ação Social, levando em consideração

    o mesmo parâmetro de deslocamento diário utilizado no exercício de 2011, para

    os veículos MNW1646, MNJ1911 e MNA1530, de 175 km, 130 km e 73 km,

    respectivamente, em detrimento dos considerados no exercício de 2010, quais

    sejam, 25 km, 50 km e 60 km, não se vislumbraria excesso de consumo, mas a

    compatibilidade entre os dois exercícios.

    Por fim, quanto aos veículos lotados na Secretaria de Educação, não seria

    prudente considerar que os veículos da educação seriam utilizados apenas durante

    os dias letivos (200 dias), sem levar em consideração uma margem razoável de

    utilização esporádica em atividades extraclasse. Ademais, se considerarmos os

    estudos realizados pela ANFAVEA (2008) e pela Petrobrás (2010) constantes no

    Relatório Final do 1º Inventário Nacional de emissões atmosféricas por veículos

    automotores rodoviários (Ministério do Meio Ambiente), em que apresenta um

    consumo de combustível, para os ônibus urbanos, do ciclo de diesel, estimado na

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    ordem de 2,3 km po litro, o excesso de R$ 8.739,12, neste caso, restaria

    insubsistente.

    Nesse diapasão, com razoabilidade, vislumbra-se que os dados utilizados

    pela d. Auditoria, para verificar os gastos com combustíveis no exercício de 2011,

    são compatíveis com os mesmos utilizados para o cálculo do consumo em 2010.

    Assim, ao analisar os critérios utilizados pela Unidade Técnica, não se vê critério

    robusto para a permanência da mácula apontada, neste exercício. Considerar que

    os serviços públicos, vinculados à utilização dos veículos, funcionariam

    exclusivamente em dias úteis, sem cotejar outras variáveis, e ainda, observados os

    cálculos realizados pela Auditoria para averiguação do consumo realizado no

    exercício de 2011, seria, de certa forma, um cálculo despido de consistência.

    As demais falhas foram devidamente analisadas e comentadas na

    apreciação inicial, não cabendo maiores referências.

    Por todo o exposto, sobre a prestação de contas da Senhora YASNAIA

    POLLYANNA WERTON FEITOSA, na qualidade de Prefeita e gestora

    administrativa do Município de Pombal, relativa ao exercício de 2010, VOTO para

    que este Tribunal, preliminarmente, CONHEÇA DO RECURSO, e, no mérito, lhe

    dê provimento parcial para reformar o Parecer PPL – TC 00075/12 e Acórdão

    APL – TC 00311/12, no sentido de: 1. EMITIR E ENCAMINHAR ao julgamento

    da Egrégia Câmara Municipal de Pombal, PARECER FAVORÁVEL à aprovação

    da prestação de contas da Prefeita Municipal de Pombal, Sra. YASNAIA

    POLLYANNA WERTON FEITOSA, relativa ao exercício de 2010; 2. JULGAR

    REGULARES as contas de gestão, à luz da competência conferida ao Tribunal de

    Contas pelo inciso II, art. 71, da Constituição Federal, por haver a Prefeita

    exercido, também, o encargo de captar receitas e ordenar despesas; 3.

    DESCONSTITUIR O DÉBITO IMPUTADO de R$ 202.153,48 à Sra. YASNAIA

    POLLYANNA WERTON FEITOSA, em razão do excesso de gastos com

    combustíveis; 4. REDUZIR A MULTA APLICADA de R$ 4.000,00 (quatro mil

    reais) para R$ 1.000,00 (mil reais), com fundamento no art. 56, II da LOTCE, em

    face da permanência da mácula referente à contratação de veículos inadequados

    para transporte de estudante, assinando-lhe o prazo de 60 (sessenta) dias para

    recolhimento voluntário ao Fundo de Fiscalização Orçamentária e Financeira

    Municipal, cabendo ação a ser impetrada pela Procuradoria Geral do Estado

    (PGE), em caso do não recolhimento voluntário, e a intervenção do Ministério

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    Público Estadual, na hipótese de omissão da PGE, nos termos do § 4º, do art. 71,

    da Constituição Estadual; 5. TOMAR INSUBSISTENTE o item VII do Acórdão

    APL – TC 00311/12; 6. MANTER os demais itens do Acórdão APL - TC 00311/12;

    e 7. INFORMAR à supracitada autoridade que a decisão decorreu do exame dos

    fatos e provas constantes dos autos, sendo suscetível de revisão se novos

    acontecimentos ou achados, inclusive mediante diligências especiais do Tribunal,

    vierem a interferir, de modo fundamental, nas conclusões alcançadas, nos termos

    do art. 138, parágrafo único, inciso VI, e do art. 140, parágrafo único, inciso IX,

    do Regimento Interno do TCE/PB.”

    O MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL, EM SUAS ALEGAÇÕES FINAIS,

    OMITIU AS ÚLTIMAS CONCLUSÕES DO ÓRGÃO MÁXIMO DO TCE/PB (SEU

    PLENÁRIO), LIMITANDO-SE A PRESTIGIAR CONSTATAÇÕES PRÉVIAS DA

    AUDITORIA DA REFERIDA CORTE DE CONTAS.

    Diante de tais circunstâncias (aprovação das contas pelo Plenário do TCE/PB), a decisão

    colegiada do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA PARAÍBA, ao contrário do que fez a sentença,

    situou os fatos atribuídos à impugnada exclusivamente como atentatórios aos

    princípios que regem à administração pública (art. 11 da Lei nº 8.429/92). Nesse sentido,

    está na decisão colegiada de que trata o art. 1º, inciso I, letra “l”, da LC 64/90:

    “Ao gerir mal as verbas públicas, quando ostentava a qualidade de Chefe

    do Executivo, torna-se a apelante pessoalmente responsável por deixar de observar

    as regras limitativas componentes da aplicação dos recursos do ente municipal.

    Deste contexto, não se tem dúvida da prática de ato de improbidade

    administrativa pela apelante na forma do art. 11 da Lei 8.429 de 1992.”

    Em sede de julgamento de embargos declaratórios, o TRIBUNAL DE JUSTIÇA, mas uma

    vez, deixou absolutamente claro o enquadramento dado aos fatos discutidos na ação de

    improbidade (decisão juntada com a defesa). Eis o que consta do acórdão dos declaratórios:

    “Este órgão judicial ad quem negou provimento ao apelo por entender que

    houve violação aos postulados administrativos insculpidos na Constituição

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    Federal e a configuração do ato de improbidade administrativa, na forma prevista

    no art. 11 da Lei nº 8.429/92, considerando caracterizado o dolo genérico na

    espécie, ante a prescindibilidade da prova do dolo específico.”

    Persistindo, unicamente, condenação baseada no art. 11 da Lei nº 8.429/92 (ofensa aos

    princípios que regem a administração pública), não incide a inelegibilidade prevista pelo art.

    1º, inciso I, alínea “l”, da Lei Complementar nº 64/90. É justamente nesse sentido que

    caminha jurisprudência do TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL. Vejamos:

    “Esta Corte, ainda nas Eleições de 2016, assentou que a condenação por

    improbidade administrativa por atos que atentam contra os princípios da

    administração pública (art. 11 da Lei 8.429/92) não atrai a causa de

    inelegibilidade do art. 1º, inciso I, alínea l, da LC 64/90. Precedentes.5. Agravo

    regimental a que se nega provimento.” (TSE, Agravo de Instrumento nº 30033,

    Acórdão, Relator(a) Min. ADMAR GONZAGA, Publicação: DJE - Diário de justiça

    eletrônico, Tomo 153, Data 02/08/2018, Página 268/269)

    O precedente acima é do último mês de agosto/2018, tendo sido adotado por unanimidade,

    com os votos da Ministra Rosa Weber (no exercício da Presidência) e dos Ministros Luís

    Roberto Barroso, Napoleão Nunes Maia Filho, Jorge Mussi, Admar Gonzaga e Tarcisio

    Vieira de Carvalho Neto.

    No mesmo sentido, temos:

    “As condenações por ato doloso de improbidade administrativa fundadas

    tão somente no art. 11 da Lei nº 8.429/1992 - violação dos princípios que regem a

    Administração Pública - não são hábeis à configuração da inelegibilidade prevista

    no art. 1º, inciso I, alínea l, da LC nº 64/1990. Precedentes.” (TSE, Recurso

    Especial Eleitoral nº 19576, Acórdão, Relator(a) Min. ROSA WEBER, Publicação:

    DJE - Diário de justiça eletrônico, Tomo 173, Data 06/09/2017, Página 51/52)

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    “Na linha da jurisprudência do Tribunal, a condenação por prática de ato

    de improbidade apenas com base na violação a princípios da Administração

    Pública (art. 11 da Lei 8.429/92) não enseja o reconhecimento da inelegibilidade

    prevista no art. 1º, I, L, da Lei Complementar 64/90. Precedentes. Votação

    unânime.” (TSE, Recurso Especial Eleitoral nº 11166, Acórdão, Relator(a) Min.

    NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Publicação: DJE - Diário de justiça

    eletrônico, Data 17/05/2017)

    Na mesma linha tem decidido este Egrégio TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DA

    PARAÍBA:

    “Na linha dos precedentes do Tribunal Superior Eleitoral, a condenação

    por ato de improbidade administrativa que importe exclusivamente violação aos

    princípios que regem a administração pública não enseja o reconhecimento da

    inelegibilidade do art. 1º, I, ‘l’, da LC 64/1990, por estarem ausentes o dano ao

    erário e o enriquecimento ilícito necessários a sua configuração.” (TRE/PB,

    RECURSO ELEITORAL n 17971, ACÓRDÃO n 926 de 28/09/2016, Relator(a)

    ANTÔNIO CARNEIRO DE PAIVA JÚNIOR, Publicação: PSESS - Publicado em

    Sessão, Volume 20:09, Data 28/09/2016)

    Limitando-se a decisão colegiada da Corte Estadual de Justiça, com base nos elementos

    que integram aquela ação de improbidade (inclusive o acórdão do TCE/PB que

    aprovou as contas da impugnada), a assentar a incidência de ofensa aos princípios que

    norteiam a administração pública (art. 11 da Lei nº 8.429/92), não cabe à Justiça Eleitoral

    ir além dos fundamentos da decisão condenatória e presumir a presença de prejuízo ao

    erário e enriquecimento ilícito, sem que tais elementos tenham sido reconhecidos pelo

    TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA PARAÍBA.

    Aliás, assim tem decidido este Egrégio TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL:

    “É defeso à Justiça Eleitoral estender, por presunção, os efeitos da

    condenação para além dos limites da fundamentação do julgado que reconheceu

    a prática de ato de improbidade administrativa, ainda que possível o exercício de

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    interpretação.” (TRE/PB, RECURSO ELEITORAL n 44104, ACÓRDÃO n 929 de

    29/09/2016, Relator(a) ANTÔNIO CARNEIRO DE PAIVA JÚNIOR, Publicação:

    PSESS - Publicado em Sessão, Volume 10:21, Data 29/09/2016)

    Extrai-se do voto do relator, Juiz ANTÔNIO CARNEIRO DE PAIVA JÚNIOR:

    Em resumo, o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA PARAÍBA, por duas oportunidades (isto é,

    quando dos julgamentos da apelação e dos declaratórios), subsumiu os fatos aos atos de

    improbidade previstos pelo art. 11 da Lei nº 8.429/92, sem qualquer insurgência por parte

    do Ministério Público Estadual na qualidade de autor da ação de improbidade. Não houve

    qualquer omissão quanto ao ponto que justifique a pretensão do impugnante de que

    seja feito novo enquadramento jurídico dos fatos.

    Diferente seria se na decisão colegiada do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA PARAÍBA não

    houvesse menção expressa aos dispositivos tidos como incidentes com vistas à condenação.

    Não é o caso, na medida em que em momento algum a Corte de Justiça Estadual

    reconheceu a ocorrência de dano ao erário ou enriquecimento ilícito (muito pelo

    contrário), isso em decorrência do julgamento, pelo TCE/PB, do recurso de reconsideração

    interposto pela impugnada e que redundou na regularidade das contas.

    O impugnante chega ao ponto de pretender o reconhecimento, por esta Justiça Especializada,

    da ocorrência de dano ao erário quanto à uma suposta “frustação do caráter competitivo dos

    certames”. Ocorre que até mesmo a sentença de primeiro grau afastou qualquer prejuízo ao

    erário quanto ao ponto, não havendo notícias nos autos de sobrepreço, da ausência de

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    prestação de serviço, da não entrega de produto ou de qualquer circunstância outra

    que sugira a ocorrência de dano ao erário ou de enriquecimento ilícito.2

    Vale registrar, ademais, que conforme jurisprudência da Egrégia Corte Superior Eleitoral,

    “... somente incide a causa de inelegibilidade prevista no art. 1º, I, L, da LC nº 64/1990

    nos casos de condenação pela prática de ato de improbidade administrativa que implique,

    simultaneamente, lesão ao erário e enriquecimento ilícito.” (TRE/PB, RECURSO

    CONTRA EXPEDIÇÃO DE DIPLOMA n 222, ACÓRDÃO n 173 de 04/05/2017,

    Relator(a) ROMERO MARCELO DA FONSECA OLIVEIRA, Publicação: DJE - Diário de

    Justiça Eletrônico, Data 08/05/2017).

    No mesmo sentido:

    “Para a configuração da inelegibilidade prevista no art. 1º, inciso I, alínea

    ‘l’ da LC 64/1990, é indispensável a constatação de ato doloso que implique

    cumulativamente dano ao erário e enriquecimento ilícito.” (RECURSO

    ELEITORAL n 44104, ACÓRDÃO n 929 de 29/09/2016, Relator(a) ANTÔNIO

    CARNEIRO DE PAIVA JÚNIOR, Publicação: PSESS - Publicado em Sessão,

    Volume 10:21, Data 29/09/2016)

    No caso em exame, não há o reconhecimento, pela justiça comum, da presença cumulativa

    do dano ao erário e do enriquecimento ilícito. Ao contrário, o TRIBUNAL DE JUSTIÇA

    DA PARAÍBA foi expresso ao assentar, exclusivamente, a presença dos atos de improbidade

    previstos pelo art. 11 da Lei de Improbidade Administrativa.

    Ademais, se a pretensão do impugnante é de que seja desconsiderado o que efetivamente

    consta dos dois acórdãos (juntados aos autos) do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA PARAÍBA

    (que assentaram exclusivamente a prática de atos de improbidade previstos pelo art. 11 da

    Lei nº 8.429/92), igual lógica deve ser adotada para se afastar, também, o dolo genérico

    2 O TSE já decidiu que "a dispensa indevida de licitação — atestada a efetiva prestação de serviços e ausente notícia de

    eventual superfaturamento — não acarreta, por si só, o enriquecimento ilícito, a atrair a causa de inelegibilidade objeto

    do ad. l, 1, 1, da LC n° 64/1990." (REspe 33-04, rei. Mm. Rosa Weber, DJE de 30.6.2017).

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    (sendo redundante, genericamente atribuído à impugnada no acórdão que julgou a apelação),

    considerando-se, para tanto, que o TRIBUNAL DE CONTAS afastou todas as

    irregularidades listadas por sua auditoria, julgando regular a prestação de contas do

    Município de Pombal referente ao exercício de 2010. Assim o fazendo, diante da ausência

    de elementos concretos que evidencie o dolo, resta também por esse motivo descaracterizada

    a inelegibilidade do art. 1º, inciso I, letra l, da Lei Complementar nº 64/90.

    A propósito, o seguinte julgado do Colendo TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL:

    “Em situações de dúvida sobre o caráter doloso na conduta do candidato,

    deve prevalecer o direito fundamental ao ius honorum, que se traduz em corolário

    do princípio da cidadania, configurando-se como excepcionais as restrições a ele

    estabelecidas. Precedentes: REspe n° 2841/AL, Rel. Min. Napoleão Maia Filho,

    PSESS de 28.11.2016; REspe n° 115-78/RJ, Rel. Min. Luciana Lóssio, DJe de

    5.8.2014; e AgR-REspe n° 59510/SP, Rel. Min. Arnaldo Versiani, PSESS de

    27.9.2012.8. Agravo regimental desprovido.” (TSE, Recurso Especial Eleitoral nº

    31463, Acórdão, Relator(a) Min. Luiz Fux, Publicação: DJE - Diário de justiça

    eletrônico, Tomo 107, Data 01/06/2017, Página 41-42)

    PRETENDE, POIS, O MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL, QUE ESTE

    REGIONAL DESCONSIDERE O PRÓPRIO TEOR DA CONDENAÇÃO TIDA

    COMO GERADORA DA INELEGIBILIDADE (QUE CONDENA A IMPUGNADA

    EXCLUSIVAMENTE COM BASE NO ART. 11 DA LEI Nº 8.429/92) E A

    APROVAÇÃO DAS CONTAS PELO TCE/PB EM SEDE DE RECURSO DE

    RECONSIDERAÇÃO, TUDO MEDIANTE O ARGUMENTO DE QUE É POSSÍVEL

    UMA INTERPRETAÇÃO DE ASPECTOS SUBJETIVOS DE UMA CONDENAÇÃO

    QUE, EFETIVAMENTE, NÃO RECONHECEU DANO AO ERÁRIO E

    ENRIQUECIMENTO ILÍCITO QUANDO DA GESTÃO DOS RECURSOS

    PÚBLICOS DO MUNICÍPIO DE POMBAL DURANTE O EXERCÍCIO

    FINANCEIRO DE 2010.

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    De se lamentar que o MPE desconheça os fundamentos da decisão do Tribunal de Justiça da

    Paraíba e de uma decisão com trânsito em julgado do TCE/PB (que aprovou as contas da

    impugnada referentes ao exercício de 2010) e, ao mesmo tempo, busque atrair a

    inelegibilidade da defendente (com base em decisão pendente de recurso – conforme

    certidão aportada aos autos), tudo mediante a pretensão de que esta Justiça Especializada

    exerça novo julgamento daquilo que foi efetivamente decidido nos autos do Processo n.º

    0000063-50.2013.815.0301.

    Com todas as vênias, mostra-se demasiada a pretensão ministerial.

    De mais a mais, não custa lembrar que os dispositivos que tratam das hipóteses de

    inelegibilidade, por traduzirem restrição ao exercício dos direitos políticos, não comportam

    interpretação extensiva, não cabendo ao intérprete suprir eventual deficiência da norma.

    Nesse sentido, a jurisprudência:

    “As regras que prevêm a inelegibilidade não podem sofrer alargamento

    por meio de interpretação extensiva, desconsiderando as peculiaridades e a

    situação real do cidadão, segundo a materialidade do caso analisado, sob pena de

    obstruir o seu direito constitucional de lançar-se na disputa do certame eleitoral.”

    (TSE, Recurso Especial Eleitoral nº 28641, Acórdão, Relator(a) Min. Tarcisio Vieira

    De Carvalho Neto, Publicação: DJE - Diário de justiça eletrônico, Tomo 157, Data

    15/08/2017, Página 91/92)

    Deste Egrégio Regional:

    “As normas relativas às inelegibilidades são de interpretação restritiva,

    não podendo o intérprete criar condicionante à aferição de causa de

    inelegibilidade não previsto pelo legislador.” (TRE/PB, REGISTRO DE

    CANDIDATURA n 53430, ACÓRDÃO n 623 de 01/08/2014, Relator(a) JOÃO

    ALVES DA SILVA, Publicação: PSESS - Publicado em Sessão, Volume 12:50,

    Data 1/8/2014)

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    Na hipótese dos autos, pretende o impugnante não somente elastecer o claríssimo alcance da

    norma (art. 1º, I, l, da LC 64/90), mas também alterar a fundamentação utilizada pelo

    TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA PARAÍBA em sede de ação de improbidade proposta em

    face da impugnada, situação que ofende o contraditório e a ampla defesa ali exercidos e,

    mais do que isso, a própria segurança jurídica.

    Esta Colenda Corte Eleitoral não pode admitir tal pretensão !

    IV - CONCLUSÃO.

    Diante do exposto, não configurada a causa de inelegibilidade de que trata o art. 1º, inciso I,

    alínea l, da Lei Complementar nº 64/90, requer-se a improcedência da impugnação e o

    deferimento do pedido de registro de candidatura da impugnada ao cargo de deputada

    estadual.

    Nestes termos,

    Pede deferimento.

    João Pessoa, 16 de setembro de 2018.

    JOHNSON GONÇALVES DE ABRANTES EDWARD JOHNSON GONÇALVES DE ABRANTES

    OAB/PB 1.663 OAB/PB 10.827

    BRUNO LOPES DE ARAÚJO ROMERO SÁ SARMENTO DANTAS DE ABRANTES

    OAB/PB 7.588-A OAB/PB 21.289