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Tribunal Superior Eleitoral Prot. nº 7.877/2012 Folha nº TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL Informação nº 162/2016 Asepa Referência: Prestação de Contas nº 249-25 Assunto: Prestação de contas do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) referente ao exercício de 2011 – Conclusivo. Receita Total: R$109.882.972,81 (Fundo Partidário: R$51.165.935,51; Contribuições de filiados: R$7.033.537,92; Doações de pessoas jurídicas: R$48.969.950,00; Doações de pessoas físicas: R$1.748.729,66; Recursos Próprios: R$964.819,72), conforme Demonstrativo consolidado de Receitas e Despesas à fl. 15. Senhor Assessor-Chefe, 1. Versa esta informação sobre o parecer conclusivo da prestação de contas anual do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) referente ao exercício financeiro de 2011. I – Considerações iniciais 2. No DJE nº 240, de 21.12.2015, publicou-se a Resolução-TSE nº 23.464, que regulamentou o disposto no Título III da Lei nº 9.096, de 19 de setembro de 1995, estabelecendo as regras de finanças, contabilidade e prestação de contas dos partidos políticos à Justiça Eleitoral, ficando revogada, dentre outras, a Resolução-TSE nº 23.432/2014. 3. Entretanto, o art. 65 estabeleceu que a Resolução-TSE nº 23.464/2015 não atingirá o mérito dos processos de prestação de contas relativos aos exercícios anteriores ao de 2016. No § 3º do citado artigo, determinou-se que as irregularidades e impropriedades contidas nas prestações de contas relativas aos exercícios anteriores a 2015 devem ser analisadas de acordo com as regras vigentes no respectivo exercício.

TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL - Poder360 · 2017. 4. 25. · Tribunal Superior Eleitoral Prot. nº 7.877/2012 Folha nº TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL Informação nº 162/2016 Asepa Referência:

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  • Tribunal Superior Eleitoral Prot. nº 7.877/2012 Folha nº

    TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL Informação nº 162/2016 Asepa

    Referência: Prestação de Contas nº 249-25

    Assunto: Prestação de contas do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores

    (PT) referente ao exercício de 2011 – Conclusivo.

    Receita Total: R$109.882.972,81 (Fundo Partidário: R$51.165.935,51; Contribuições de

    filiados: R$7.033.537,92; Doações de pessoas jurídicas: R$48.969.950,00; Doações de

    pessoas físicas: R$1.748.729,66; Recursos Próprios: R$964.819,72), conforme

    Demonstrativo consolidado de Receitas e Despesas à fl. 15.

    Senhor Assessor-Chefe,

    1. Versa esta informação sobre o parecer conclusivo da prestação de contas anual do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) referente ao exercício

    financeiro de 2011.

    I – Considerações iniciais

    2. No DJE nº 240, de 21.12.2015, publicou-se a Resolução-TSE nº 23.464, que regulamentou o disposto no Título III da Lei nº 9.096, de 19 de setembro de 1995,

    estabelecendo as regras de finanças, contabilidade e prestação de contas dos partidos

    políticos à Justiça Eleitoral, ficando revogada, dentre outras, a Resolução-TSE

    nº 23.432/2014.

    3. Entretanto, o art. 65 estabeleceu que a Resolução-TSE nº 23.464/2015 não atingirá o mérito dos processos de prestação de contas relativos aos exercícios

    anteriores ao de 2016. No § 3º do citado artigo, determinou-se que as irregularidades e

    impropriedades contidas nas prestações de contas relativas aos exercícios anteriores

    a 2015 devem ser analisadas de acordo com as regras vigentes no respectivo exercício.

  • (Fl. 2 da Informação nº 162 Asepa, de 16.11.2016.)

    Tribunal Superior Eleitoral Prot. nº 7.877/2012 Folha nº

    4. Assim, os procedimentos técnicos de exame adotados para esta prestação de contas observam o prescrito na Resolução-TSE nº 21.841/2004 e na jurisprudência do

    Tribunal, visto que o processo se refere ao exercício financeiro de 2011.

    II – Histórico

    5. Em 27.4.2012, sob o Protocolo nº 7.877, o partido apresentou sua prestação de contas contendo peças complementares e documentos, que formaram 3

    volumes e 68 anexos.

    6. Em 14.11.2012, a Coepa realizou o exame preliminar das contas e solicitou

    o atendimento de diligências por meio da Informação-Secep/Coepa/SCI nº 272/2012

    (fls. 852-863), sendo determinado ao partido em 19.12.2012, mediante despacho à

    fl. 866, o atendimento às diligências assinaladas.

    7. Em 25.2.2013, sob o Protocolo nº 3.528, o partido apresentou esclarecimentos às fls. 873-885 acompanhados de documentos que formaram o

    Anexo 69.

    8. Em 15.8.2016, esta unidade elaborou a Informação-Asepa nº 98/2016 (fls. 887-914), solicitando documentos e esclarecimentos apontados nos itens 11.2 a 50,

    com vistas à regularização das contas do exercício de 2011.

    9. Em 22.8.2016, mediante despacho do relator à fl. 917, foi determinada a intimação do partido para regularizar as contas mediante envio de documentos e de

    informações, em atendimento às diligências apontadas nos itens 11.2 a 50 da Informação

    nº 98/2016, sob pena de parecer conclusivo pela desaprovação.

    10. Em 11.9.2016, sob o Protocolo nº 8.164, o partido solicitou a concessão de prazo de 30 dias para resposta à Informação nº 98/2016, a qual foi parcialmente deferida

    por improrrogáveis 20 dias, mediante despacho às fls. 1022/1023.

    11. Em 4.10.2016, sob o Protocolo nº 9.878, foram apresentados esclarecimentos e juntados documentos que formaram os Anexos 70 a 82.

  • (Fl. 3 da Informação nº 162 Asepa, de 16.11.2016.)

    Tribunal Superior Eleitoral Prot. nº 7.877/2012 Folha nº

    III – Escopo

    12. Esta análise restringiu-se ao exame dos direitos, obrigações, receitas e despesas declaradas pelo partido, com base na documentação dos Anexos 70-82, que

    incluiu a movimentação financeira constante dos extratos bancários e dos registros dos

    Livros contábeis Razão e Diário, bem como o atendimento das diligências apontadas na

    Informação nº 98/2016.

    13. Cumpre esclarecer que não foram objetos de análise quaisquer movimentações de recursos não informadas voluntariamente na prestação de contas,

    uma vez que a investigação a respeito das operações não declaradas é de competência dos

    órgãos de fiscalização tributária, assim como de autoridades policiais.

    14. Notadamente, no exercício de 2011, o PT recebeu doações de empresas atuantes no setor petroquímico, de construção e financeiro, no montante de

    R$48.969.950,00, e existem processos de investigação sobre recursos transferidos aos

    partidos. Assim, o exame técnico dessa assessoria alcança o que consta dos autos e

    identifica a pessoa jurídica ou física que transfere recursos, conforme registros nos

    extratos bancários.

    IV – Do atendimento das diligências apontadas na Informação-Asepa nº 98/2016

    15. Com respeito às diligências apontadas na informação em epígrafe, foram atendidos os subitens a seguir:

    Diligências (fls. 889-914) Localização Item 12 - Demonstrativo de Recursos do Fundo Partidário distribuídos aos diretórios estaduais. Fl. 1044 Item 13 – Encaminhar a relação das contribuições de filiados com CPF em meio magnético. Fl. 162 do Anexo 70 Item 17 – Encaminhar os comprovantes da doação da Construtora Andrade Gutierres. Fl. 1047 fls.207-213 A70 Item 18 – Comprovar a devolução de recursos da empresa Jaraguá Equipamentos Industriais. Fl. 1047 fls.215-225 A70 Item 19 – Apresentar comprovantes bancários que identifiquem as doações de pessoas físicas. Fls. 238/240 Anexo 70 Item 20 – Apresentar notas fiscais e comprovantes bancários das despesas de campanha. Fls. 4-218 do Anexo 71 Item 22 – Apresentar notas fiscais e o contrato do fornecedor Focal Confecção e Comunicação. Fls. 5-56 do Anexo 72 Item 22.1 – Apresentar notas fiscais do fornecedor Focal quitadas com recursos próprios. Fls. 57-74 do Anexo 72 Item 26 – Identificar a origem dos créditos recebidos na conta bancária do Fundo Partidário. Fls. 309-337 Anexo 74 Item 28 – Apresentar comprovantes das transferências em favor da Fundação Perseu Abramo. Fls. 5-11 do Anexo 76 Item 29.1 – Esclarecer a divergência de informações declaradas no Demonstrativo à fl. 36. Fls. 52-63 do Anexo 76 Item 31 – Apresentar os contratos de locação de imóveis utilizados em 2011. Fls. 85-123 do Anexo 76 Item 32.2 – Comprovar a quitação da nota fiscal nº 165 da empresa Flex Aero Taxi Aéreo Ltda. Fls. 163-180 Anexo 76 Item 33 – Apresentar a comprovação de despesas de hospedagens da empresa Nix Travel. Fls. 173-287 A77, 78,79. Item 33.1 – Apresentar as faturas da empresa Nix Travel no total de R$50.198,90. Fls. 276-294 Anexo 79 Item 33.2 – Comprovar a fatura nº 2931da empresa Nix Travel Agencia de Viagens. Fls. 320-322 Anexo 79

  • (Fl. 4 da Informação nº 162 Asepa, de 16.11.2016.)

    Tribunal Superior Eleitoral Prot. nº 7.877/2012 Folha nº

    Diligências (fls. 889-914) Localização Item 33.3 – Apresentar as faturas pagas mediante adiantamento de R$100.000,00. Fls. 330-370 Anexo 79 Item 33.4 – Apresentar as faturas de passagens aéreas no valor de R$80.982,84. Fls. 371-386 Anexo 79 Item 33.5 – Comprovar o pagamento da fatura nº 2981 no valor de R$80.000,00. Fls. 387-419 Anexo 79 Item 33.6 – Encaminhar relatório de passagens aéreas contendo o objetivo das viagens. Fls. 10-67 do Anexo 80 Item 33.7 e 33.8 – Apresentar as faturas e relatórios de passagens aéreas da PUC Turismo Ltda. Fls. 68-90 do Anexo 80 Item 34/34.1 – Encaminhar as notas fiscais e comprovantes bancários de serviços de chaveiro. Fls. 91-127 Anexo 80 Item 35 – Apresentar contratos de prestação de serviços de consultoria jurídica. Fls. 128-244 Anexo 80 Item 36 – Apresentar as notas fiscais de aquisição de equipamentos de informática. Fls. 246-257 Anexo 80 Item 37 – Apresentar a nota fiscal no valor de R$2.976,50 da empresa Riachuelo Central Ltda. Fls. 259-264 Anexo 80 Item 41.1 – Esclarecer os pagamentos adicionais de serviços de funcionária do partido. Fls. 1109-1110 vol. p. Item 41.3 – Esclarecer o registro contábil e comprovar o pagamento de R$3.036,73. Fls. 8-24 do Anexo 81 Item 42 – Apresentar o contrato de prestação de serviços da Despacon Serviços contábeis. Fls. 25-32 do Anexo 81 Item 43 – Apresentar a documentação do parcelamento de débitos com a RFB. Fls. 35-52 do Anexo 81 Item 44 – Apresentar a comprovação dos repasses extraordinários para os diretórios estaduais. Fls. 53-223 Anexo 81 Item 45 – Apresentar os comprovantes bancários das despesas no total de R$566.607,65. Fls. 225-332 Anexo 81 Item 46 – Apresentar a declaração de débitos e de créditos tributários federais e DIPJ. Fls. 4-132 do Anexo 82 Item 47 – Apresentar o recolhimento de receitas cujas origens não foram identificadas. Fls. 133-209 Anexo 82 Item 48 – Justificar a movimentação de recursos públicos na conta de recursos próprios. Fls. 1117/1118 vol. p.

    V – Das manifestações do partido

    16. Inicialmente, cabe esclarecer que, com respeito às contestações

    apresentadas pelo partido às fls. 1037-1120, o exame técnico da movimentação financeira

    não se restringe à verificação da existência ou não de nota fiscal como suporte de valor

    desembolsado. Verificam-se registros, documentos financeiros, patrimoniais e contábeis

    atentando sobre o fato de que os recursos do Fundo Partidário são públicos e sua

    aplicação requer, conforme o disposto na Constituição Federal, comprovação inequívoca

    e zelo na administração.

    16.1 Diante disso, são solicitados contratos e documentos que comprovem a

    execução dos serviços, justamente, para que a Justiça Eleitoral possa cumprir o seu dever

    de atestar a regularidade dos dispêndios, conforme determina o art. 34 da Lei

    nº 9.096/1995.

    VI – Do exame das ocorrências apontadas na Informação nº 98/2016

    17. No que concerne o item 11, o partido esclareceu à fl. 8 do Anexo 70 que as

    dívidas contraídas em exercícios anteriores, de 1994 a 2008, constam da composição do

  • (Fl. 5 da Informação nº 162 Asepa, de 16.11.2016.)

    Tribunal Superior Eleitoral Prot. nº 7.877/2012 Folha nº

    passivo e também do Demonstrativo de Obrigações a Pagar (fls. 873-876),

    permanecendo, pois, até o momento, em aberto, a exceção do fornecedor Coteminas.

    17.1 O partido anexou notas fiscais, comprovantes de pagamentos e o

    cronograma da dívida com a empresa Coteminas às fls. 11-161 do Anexo 70. Foi

    comprovado o pagamento utilizando-se recursos do Fundo Partidário desse fornecedor

    no montante de R$3.700.00,00.

    17.2 No entanto, com referência às demais dívidas eleitorais de 1994 a 2006, o

    partido não encaminhou os documentos de anuência dos fornecedores, bem como não

    anexou o cronograma de pagamento das seguintes obrigações:

    DATA DESCRIÇÃO FORNECEDOR VALOR R$

    31/08/1994 DÍVIDA DE COMITÊ BLUE CARDS REFEIÇÕES CONVÊNIO 5.677,88 10/07/1998 DÍVIDA DE COMITÊ PG COMUM ART. E PUBLICIDADE 222.800,00 16/04/2004 NOTA FISCAL Nº 91 CEP COM. ESTRAT. POLÍTICA LTDA. 200.000,00 03/05/2004 NOTA FISCAL Nº 184 CRITERIUM AVALIAÇÃO DE POLÍTICAS 35.000,00 03/09/2004 NOTA FISCAL Nº 249 PRO – GIG SONORIZAÇÃO E PROD. CULT. 300,00 10/09/2004 NOTA FISCAL Nº 59 GABRIEL MONTEIRO PRODUÇÕES ART. 76.000,00 14/10/2004 NOTA FISCAL Nº 657 TROPICANA PRODUÇÕES ARTÍSTICAS 75.000,00 19/10/2004 NOTA FISCAL Nº 120 CEP COM. ESTRAT. POLÍTICA LTDA. 10.000,00 28/10/2004 NOTA FISCAL Nº 658 TROPICANA PRODUÇÕES ARTÍSTICAS 25.000,00 03/12/2004 NOTA FISCAL Nº 2734 ESTAÇÃO UM EQUIP. E EVENTOS LTDA. 6.720,00 06/12/2004 NOTA FISCAL Nº 850 D E T TECNOLOGIA EM DADOS LTDA. 17.524,44 06/12/2004 DÍVIDA CANDIDATO ORDEM DOS MÚSICOS DO BRASIL CR MG 20.000,00 15/12/2006 NOTA FISCAL Nº 6551 IMPRIMI IND E COM. DE AUTO ADESIVO 22.471,00

    TOTAL 716.493,32 17.3 Verificou-se, portanto, que restou pendente a apresentação dos

    cronogramas de pagamento com a anuência dos fornecedores e a confissão das dívidas

    de 1994, 1998, 2004 e 2006, no total de R$716.493,32, de modo que não é possível

    atestar a regularidade das obrigações mencionadas.

    18. No que se refere ao item 14, que solicitou a comprovação da aplicação de

    recursos do Fundo Partidário em programas de participação política das mulheres, foi

    esclarecido à fl. 884 que “[...] os valores se encontram provisionados”. Diante da referida

    declaração, foram solicitados documentos comprobatórios da efetiva aplicação de

  • (Fl. 6 da Informação nº 162 Asepa, de 16.11.2016.)

    Tribunal Superior Eleitoral Prot. nº 7.877/2012 Folha nº

    R$1.646.101,29 registrada no Demonstrativo de Obrigações a Pagar, à fl. 26, os quais não

    foram encaminhados.

    18.1 O partido informou à fl. 1045 que foram aplicados R$400.536,13 e o valor

    restante, equivalente a R$1.646.101,29, permaneceu devidamente provisionado e

    reservado para utilização exclusiva do programa de mulheres. Assim, de acordo com a

    manifestação do partido, foi descumprido o art. 44, V, da Lei nº 9.096/1995, pois não foi

    observada a aplicação efetiva de R$2.558.296,76, mínimo de 5% do total recebido de

    Fundo Partidário para a referida destinação.

    19. Em relação aos itens 16 e 30.1, que apontaram a doação de R$1.000.000,00

    efetuada pelo Banco BMG em benefício do diretório nacional (fl. 40 do vol. principal) e a

    destinação de recursos do Fundo Partidário para essa mesma instituição, mediante

    pagamentos do Contrato de Mútuo nº 13.03.00102, o partido encaminhou a cópia do

    referido contrato às fls. 168-170 do Anexo 70, observando-se o empréstimo no valor de

    R$2.400.000,00 realizado em 17.2.2003.

    19.1 Foi também solicitada manifestação quanto ao item 30.1, sobre o fato de o

    mútuo firmado com o BMG ter sido aditado por quatro vezes, sendo que o Contrato de Mútuo

    nº 13.03.00102 compõe o contexto fático de crimes na sentença proferida pelo Juízo da 4ª Vara

    da Justiça Federal em Minas Gerais no Processo nº 2006.38.00.039573-6 – correspondente ao

    desdobramento da Ação Penal nº 470, julgada no Supremo Tribunal Federal. O partido apresentou

    à fl. 1070 a seguinte resposta:

    [...] não cabe à Asepa extrapolar os limites de sua análise técnica, carreando aos autos elementos externos ao exame dos aspectos contábeis e financeiros que lhe compete aferir, como explicitamente determina a Lei nº 9.096/1995 que os analistas insistem em descumprir [...].

    19.2 Cabe relembrar que esta unidade técnica tem o dever de examinar a

    regularidade da destinação de recursos públicos e foram constatados pagamentos, no

    exercício de 2011, utilizando-se de recursos do Fundo Partidário para quitar empréstimo

    considerado simulado pela Justiça, sendo que, conforme o art. 167 do Código Civil, não

    há como subsistir negócio jurídico simulado.

  • (Fl. 7 da Informação nº 162 Asepa, de 16.11.2016.)

    Tribunal Superior Eleitoral Prot. nº 7.877/2012 Folha nº

    19.3 Além disso, a cópia do contrato apresentada pelo partido às fls. 168-170 do

    Anexo 70 permitiu constatar que se refere ao mesmo documento que compõe o texto

    fático no Processo nº 2006.38.00.039573-6, uma vez que o número do contrato, o valor

    principal e as datas de concessão e vencimento são idênticos, conforme se observa nos

    trechos das páginas 49 e 89 da sentença do Juízo da 4ª Vara da Justiça Federal de

    Primeiro Grau em Minas Gerais:

    19.4 Cabe, ainda, ressaltar que a Terceira Turma do Tribunal Regional Federal

    da 1ª Região manteve a sentença de primeiro grau, conforme trechos do Acórdão de

    26.7.2016:

    12. Robusto acervo probatório comprova que os apelantes, que administravam o Banco BMG S/A, participaram diretamente das fraudes, concedendo vultosas somas em dinheiro por meio de contratos de mútuo simulados, de forma habitual, desvirtuando os serviços bancários, devendo ser mantida a condenação pelo crime de gestão fraudulenta.

  • (Fl. 8 da Informação nº 162 Asepa, de 16.11.2016.)

    Tribunal Superior Eleitoral Prot. nº 7.877/2012 Folha nº

    13. A prática de empréstimos com fraude de maneira habitual (entre os anos de 2003/2005) não permite a desclassificação da gestão fraudulenta para o crime de gestão temerária.

    14. A fraude está presente exatamente na utilização, como crime-meio, do delito de falsidade ideológica, caracterizado pela simulação de empréstimos que nada mais constituíram do que o repasse, direto ou indireto, de recursos financeiros ao partido político envolvido e de empresas do operador do esquema para repasses a pessoas indicadas. 15. A análise da prova documental e testemunhal produzidas permite a aceitação da tese acusatória de simulação contratual engendrada com o fim de acobertar outras práticas criminosas (algumas delas confirmadas na ação penal 470 do STF), além de incorrerem os administradores da instituição bancária no crime de gestão fraudulenta e os demais réus no crime de falsidade ideológica, de forma continuada (art. 71 do CP). 16. Comprovadas a materialidade e a autoria delitivas, é de ser mantida a sentença de primeiro grau que condenou os acusados nas penas do art. 4º, caput, da Lei 7.492/1986, e299 do Código Penal.

    19.5 Não se pode desconsiderar, inclusive, a repercussão de efeitos jurídicos de

    empréstimo apontado como negócio simulado, conforme bem salientou o Ministro

    Gilmar Mendes no julgamento da Prestação de Contas nº 977-37, de 2009: “[...] seria o

    mesmo que assentar a licitude de um negócio jurídico já julgado como ilícito, sendo,

    inclusive, fundamento para condenações penais.”

    19.6 Diante do exposto, as transferências financeiras efetuadas com recursos do

    Fundo Partidário para pagamento de Mútuo nº 13.03.00102 junto ao Banco BMG,

    firmado em 2003, devem ser ressarcidas ao Erário.

    DATA HISTÓRICO BANCÁRIO VALOR R$ 28/01/2011 TED TRANSF.ELETR.DISPONIVE 150.000,00 25/02/2011 TED TRANSF.ELETR.DISPONIVE 150.000,00 25/02/2011 TED TRANSF.ELETR.DISPONIVE 150.000,00 28/04/2011 TED TRANSF.ELETR.DISPONIVE 150.000,00 25/05/2011 TED TRANSF.ELETR.DISPONIVE 150.000,00 27/06/2011 TED TRANSF.ELETR.DISPONIVE 150.000,00 27/07/2011 TED TRANSF.ELETR.DISPONIVE 150.000,00 24/08/2011 TED TRANSF.ELETR.DISPONIVE 150.000,00 28/09/2011 TED TRANSF.ELETR.DISPONIVE 150.000,00 28/10/2011 TED TRANSF.ELETR.DISPONIVE 150.000,00 28/10/2011 TED TRANSF.ELETR.DISPONIVE 150.000,00 28/10/2011 TED TRANSF.ELETR.DISPONIVE 173.000,00

    TOTAL 1.823.000,00

  • (Fl. 9 da Informação nº 162 Asepa, de 16.11.2016.)

    Tribunal Superior Eleitoral Prot. nº 7.877/2012 Folha nº

    20. Em relação ao item 18.1, que apontou a transferência de R$49.921,09,

    em 21.2.2011, da empresa Quero Quero Barros Junior Empreendimentos Imobiliários

    Ltda. em benefício do Diretório Nacional do PT, bem como a saída financeira de mesmo

    valor em 18.3.2011, o partido encaminhou à fl. 233 do Anexo 70 o comprovante

    bancário identificando a referida empresa como remetente de recursos e informou à fl.

    1048 que a quantia recebida foi posteriormente estornada por se tratar de doação

    indevida.

    20.1 Em que pese à alegação de estorno, o destinatário do débito realizado 25

    dias após o crédito não foi comprovado. Não é possível, portanto, atestar a regularidade

    da despesa paga em 18.3.2011, no valor de R$49.921,09, visto que não foi encaminhado o

    comprovante bancário de aviso de débito identificando o favorecido da transferência de

    recursos, conforme solicitado na diligência.

    21. Em relação à diligência do item 21, foi apresentado às fls. 263-271 do

    Anexo 71 contrato de prestação de serviços da empresa Santana e Associados Marketing.

    No entanto, este documento não se refere à execução dos serviços descritos na Nota

    Fiscal nº 20.109, de R$5.000.000,00, pois o contrato abrange exclusivamente as Notas

    Fiscais nº 20.101 a 20.108, que, somadas, correspondem ao total contratado de

    R$34.000.000,00, conforme se demonstra a seguir:

    NOTA FISCAL VALOR R$ ANEXO 71

    20101 3.000.000,00 FL. 285 20102 3.000.000,00 FL. 289 20103 2.500.000,00 FL. 292 20104 4.500.000,00 FL. 273 20105 2.000.000,00 FL. 272 20106 4.000.000,00 FL. 278 20107 5.000.000,00 FL. 276 20108 10.000.000,00 FL. 310

    TOTAL 34.000.000,00 21.1 Além disso, após análise das cópias de vídeos apresentadas à fl. 312,

    constatou-se que o conteúdo de ambas não se refere aos serviços descritos no corpo da

    Nota Fiscal nº 20.109.

  • (Fl. 10 da Informação nº 162 Asepa, de 16.11.2016.)

    Tribunal Superior Eleitoral Prot. nº 7.877/2012 Folha nº

    21.2 Cabe elucidar que a ausência de elementos de prova, como contrato, vídeos

    e relatórios gerenciais, impossibilita a unidade técnica de certificar a efetiva realização do

    serviço, com amparo no art. 37, § 1º, da Lei nº 9.096/1995. Diante disso, são

    considerados irregulares os pagamentos com recursos próprios da Nota Fiscal nº 20.109

    (fl. 311 do Anexo 71), no total de R$5.000.000,00, a seguir relacionados, em decorrência

    da não comprovação dos serviços:

    DATA VALOR R$ 06/mai 944.000,00 09/mai 1.000.000,00 10/mai 125.000,00 09/jun 200.000,00 10/jun 155.000,00 10/jun 152.000,00 10/jun 595.000,00 10/jun 750.000,00 04/jul 202.000,00 08/jul 877.000,00

    TOTAL 5.000.000,00 22. No que se refere ao item 23, foram juntados às fls. 76-196 do Anexo 72

    documentos complementares visando a comprovar os recebimentos na conta-corrente

    nº 13.000-1. Entretanto, restou sem comprovação a origem dos recursos da transferência

    eletrônica (TED) que foi realizada em 27.4.2011, no valor de R$67.750,00. Dessa forma,

    tendo em vista a não apresentação de documento bancário que permita a identificação da

    origem do recurso recebido, faz-se necessário o recolhimento ao Erário da quantia

    mencionada.

    22.1 Faz-se também necessário o recolhimento ao Erário de valores registrados

    na contabilidade como de origem não identificada no exercício de 2011, no montante de

    R$221,53, conforme fl. 1363 do Livro Razão 03/05.

    23. Em relação ao item 24, sobre as despesas pagas com recursos de

    contribuições de filiados, conta bancária nº 13.000-1, foram apresentados documentos

    nos Anexos 72, 73 e 74. Contudo, o partido anexou à fl. 71 do Anexo 73 documento

  • (Fl. 11 da Informação nº 162 Asepa, de 16.11.2016.)

    Tribunal Superior Eleitoral Prot. nº 7.877/2012 Folha nº

    comprobatório de despesa diversa, pois foi juntado comprovante bancário de crédito da

    conta bancária nº 5418-6, que movimenta recursos do Fundo Partidário.

    23.1 Dessa forma, em virtude da inexistência nos autos de comprovante

    bancário da conta-corrente nº 13.000-1 que possa identificar a destinação da transferência

    financeira (TED) de R$67.750,00, em 27.4.2011, o referido dispêndio não foi

    comprovado.

    24. Em relação ao item 25, que solicitou a comprovação do registro contábil

    de desconto obtido em 26.8.2011, foi apresentado à fl. 307 do Anexo 74 documento da

    empresa Artur da Silveira Lara Votorantim – ME concedendo desconto de R$299.700,00

    referente ao material publicitário fornecido na campanha política de 2006.

    24.1 Cabe esclarecer que, conforme registro à fl. 1.112 do Livro Diário, as Notas

    Fiscais nos 275, 287 e 313, respectivamente, de R$118.800,00, R$151.200,00 e

    R$29.700,00, foram quitadas com a utilização do referido desconto.

    24.2 Ao consultar o CNPJ registrado no documento que concedeu o desconto,

    verificou-se que a empresa é individual e, conforme legislação vigente, o faturamento

    anual dessa empresa não deve exceder R$360.000,00. Assim, com base na documentação

    acostada aos autos, o desconto de R$299.700,00 é incompatível com o enquadramento da

    citada empresa, sendo considerado irregular a sua utilização para quitar as despesas das

    Notas Fiscais nos 275, 287 e 313.

    25. Em relação ao item 27, que solicitou a comprovação de despesas quitadas

    com recursos do Fundo Partidário, foram apresentadas notas fiscais e comprovantes

    bancários de pagamento no Anexo 75, mas restaram sem comprovar os seguintes

    dispêndios, cujos valores devem ser ressarcidos ao Erário:

    DATA HISTÓRICO VALOR R$ 25/05/2011 EMISSAO DE DOC 1.250,00 24/11/2011 EMISSAO DE DOC 230,48 TOTAL 1.480,48

  • (Fl. 12 da Informação nº 162 Asepa, de 16.11.2016.)

    Tribunal Superior Eleitoral Prot. nº 7.877/2012 Folha nº

    26. No que concerne ao item 29, que observou o descumprimento do art. 28,

    IV, da Resolução-TSE nº 21.841/2004, referente à suspensão de repasse das cotas do

    Fundo Partidário a partir da publicação da decisão que desaprovar as contas (havendo

    recurso, a partir do trânsito em julgado), ficou caracterizada a transferência de recursos

    públicos em período de suspensão pelo diretório nacional, resultando em aplicação

    irregular. Portanto, faz-se necessário o recolhimento ao Erário do montante a seguir

    discriminado:

    DIRETÓRIO DECISÃO/TRE TRÂNSITO EM JULGADO REPASSE IRREGULAR Valor R$

    Alagoas PC 38 - Prestação de Contas de 2008

    03.02.2011 – suspensão de seis meses a partir dessa data

    Fevereiro a Julho de 2011 101.684,55

    TOTAL 101.684,55

    27. Em relação ao item 32, que apontou o pagamento de fretamento de

    aeronaves utilizando-se de recursos do Fundo Partidário, foi solicitada a identificação dos

    passageiros. Contudo, não consta da documentação complementar qualquer

    comprovante que permita obter a referida informação, à exceção da empresa Líder Táxi

    Aéreo S.A, cuja documentação, à fl. 135 do Anexo 76, descreve o nome do único

    passageiro.

    27.1 Ademais, não foram encaminhados quaisquer documentos das empresas de

    fretamento que permitissem a identificação dos passageiros que embarcaram nas

    aeronaves fretadas, não foram informados os eventos partidários, nem se houve ausência

    de voos comerciais que contemplem os trechos correspondentes. Assim, restou pendente

    o envio de documentação das seguintes quantias:

    DATA HISTÓRICO BANCÁRIO VALOR R$ FAVORECIDO

    28/01/2011 TED TRANSF.ELETR. 98.939,82 REALI TAXI AEREO LTDA. 27/06/2011 TED TRANSF.ELETR. 150.000,00 VIP LOCAÇÕES DE AERONAVES 25/08/2011 TED TRANSF.ELETR. 199.000,00 FLEX AERO TAXI AEREO LTDA 28/09/2011 PAGAMENTO DE TITULO 28.000,00 FLEX AERO TAXI AEREO LTDA 28/10/2011 TED TRANSF.ELETR. 201.050,00 FLEX AERO TAXI AEREO LTDA 24/11/2011 TED TRANSF.ELETR. 76.500,00 FLEX AERO TAXI AEREO LTDA 24/11/2011 EMISSAO DE DOC 1.800,00 FLEX AERO TAXI AEREO LTDA

    TOTAL 755.289,82

  • (Fl. 13 da Informação nº 162 Asepa, de 16.11.2016.)

    Tribunal Superior Eleitoral Prot. nº 7.877/2012 Folha nº

    27.2 Ainda que o partido tenha autonomia constitucional para definir seu

    funcionamento, este encontra-se vinculado, para fins de prestação de contas, ao art. 70 da

    Constituição Federal, quanto aos recursos públicos que utiliza e administra, o que torna

    imperativo comprovar a razão e adequação desses serviços às atividades partidárias, bem

    como a identificação dos usuários dos serviços contratados.

    27.3 Diante do exposto, não é possível atestar a regularidade da despesa de

    fretamento de aeronaves quitada com recursos do Fundo Partidário, no montante de

    R$755.289,82, uma vez que estão ausentes os elementos de prova, como a identificação

    de usuários e a adequação dos serviços às atividades partidárias.

    28. No que concerne às despesas de prestação de serviços quitadas utilizando-

    se recursos do Fundo Partidário, foram juntadas notas fiscais que já constavam dos

    autos, declarações elaboradas por fornecedores, contratos de prestação de serviços e

    outros documentos às fls. 240-319 do Anexo 76, fls. 5-170 do Anexo 77 e fls. 35-278 do

    Anexo 78.

    28.1 Após exame da documentação complementar, constataram-se as seguintes

    ocorrências:

    PRESTADORAS VALOR R$ DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR

    AGENCIA RADIOWEB DF 917.242,92

    HÁ CONTRATO E RELATÓRIOS DE ATIVIDADES REALIZADAS.

    PEPPER COMUNICAÇÃO 617.486,42

    AUSENTES CONTRATO E DOCUMENTOS QUE COMPROVAM OS SERVIÇOS.

    PRO SERVICE SERVIÇOS 96.223,36

    HÁ CONTRATO QUE DESCREVE OS SERVIÇOS DETALHADAMENTE.

    CASO SISTEMAS DE SEG. 314.672,21

    AUSENTES CONTRATO E DOCUMENTOS QUE COMPROVAM OS SERVIÇOS.

    AGIL EMPRESA DE VIG. 315.748,54

    HÁ CONTRATO QUE DESCREVE OS SERVIÇOS DETALHADAMENTE.

    SIAO VIGILANCIA E SEG. 49.879,14

    AUSENTES CONTRATO E DOCUMENTOS QUE COMPROVAM OS SERVIÇOS.

    ENTRELINHAS PUBLIC. 102.799,54

    CONTRATO DE DESPESA R$24.000,00, AUSENTE COMPROVAÇÃO DE SERVIÇOS.

    OMA ASSE EM PESQUISA 130.545,35 HÁ DEMONSTRATIVOS QUE COMPROVAM OS SERVIÇOS.

    LH DE S AMARAL - ME 237.200,00 HÁ CONTRATO E DOCUMENTOS QUE COMPROVAM OS SERVIÇOS.

    ELEVADORES OTIS 6.096,79 HÁ CONTRATO QUE DESCREVE OS SERVIÇOS DETALHADAMENTE.

    CASA HUM ARQUITETURA 47.450,00

    HÁ RELATÓRIO DE ATIVIDADES QUE COMPROVAM OS SERVIÇOS.

    TOTAL 2.835.344,27

  • (Fl. 14 da Informação nº 162 Asepa, de 16.11.2016.)

    Tribunal Superior Eleitoral Prot. nº 7.877/2012 Folha nº

    28.2 Dessa forma, considerando que elementos de prova são essenciais para a

    verificação da materialidade da execução dos serviços, não é possível atestar a

    regularidade de dispêndios que não foram comprovados por contrato ou ordem de

    serviço certificando autorização prévia de modo a definir detalhadamente direitos,

    obrigações e responsabilidades, bem como pela ausência de informações, tais como: e-

    mails, escalas de serviços, registros, demonstrativos, relatórios de atividades, devendo o

    montante abaixo ser ressarcido ao Erário:

    PRESTADORAS DE SERVIÇOS VALOR R$

    PEPPER COMUNICAÇÃO INTERATIVA 617.486,42

    CASO SISTEMAS DE SEGURANÇA LTDA. 314.672,21

    SIAO VIGILANCIA E SEGURANÇA 49.879,14

    ENTRELINHAS PUBLICIDADE LTDA. 78.799,54

    TOTAL 1.060.837,31 28.3 Cabe esclarecer que foi verificada às fls. 106-122 do Anexo 77 uma

    declaração da empresa Entrelinhas Publicidade Ltda. mencionando relatório de atividades

    não foi juntado aos autos. Assim, permanece pendente a comprovação das Notas Fiscais

    nº 641 e nº 660 da empresa referida empresa e, da mesma forma, da empresa Pepper

    Comunicação, cuja declaração à fl. 285 do Anexo 77 cita contrato firmado que não foi

    anexado.

    29. Em relação ao item 32.2, em que foram solicitados contrato e a

    comprovação dos serviços, mediante envio de vídeos com claquete de propaganda da

    empresa Polis Propaganda e Marketing Ltda., Notas Fiscais nº 20.112, 20113 e 20114,

    respectivamente, no valor de R$1.500.000,00, R$250.000,00 e R$550.000,00, o partido

    encaminhou documentos que já constavam dos autos e vídeos e que não se referem à

    descrição da nota fiscal, uma vez que são da campanha de 2010.

    29.1 Verificou-se que o partido não apresentou contrato, vídeos, relatórios

    circunstanciados ou quaisquer documentos que se referem aos serviços de propaganda

    partidária do segundo semestre de 2011, restaram, portanto, não comprovados os

    dispêndios, pagos com recursos próprios, no montante de R$2.300.000,00, o que impede

    a Justiça Eleitoral de atestar tais gastos na forma prevista no art. 34 da Lei nº 9.096/1995.

  • (Fl. 15 da Informação nº 162 Asepa, de 16.11.2016.)

    Tribunal Superior Eleitoral Prot. nº 7.877/2012 Folha nº

    30. Da análise do contrato de prestação de serviços advocatícios com o

    escritório Glézio Rocha Advogados Associados à fl. 179 do Anexo 80, observou-se a

    obrigação de pagamento de honorários no mês de junho de 2011 no montante de

    R$85.600,00. Contudo, não foi constatada na movimentação financeira do partido a

    comprovação da quitação da referida despesa.

    31. No que se refere ao item 38, que apontou a aquisição utilizando-se de

    recursos do Fundo Partidário, em 25.11.2011 de 80 kits natalinos fornecidos pela

    empresa Perdigão S/A às fls. 273-276 do Anexo 80, constatou-se que a referida despesa

    não está amparada pelo disposto no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.096/1995, faz-se

    necessário, portanto, o ressarcimento ao Erário de R$15.167,88.

    32. Em relação ao item 39, que apontou pagamentos de multas e juros de mora

    decorrentes de inadimplemento de obrigações fiscais, trabalhistas e de fornecedores,

    utilizando recursos do Fundo Partidário, foram anexados documentos às fls. 280-329 do

    Anexo 80. Tais despesas, consoante a jurisprudência deste Tribunal, não se encontram

    amparadas pelo disposto no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.096/1995.

    32.1 Diante disso, o partido deverá devolver ao Erário, devidamente atualizado,

    com recursos próprios, juros de mora quitados com recursos do Fundo Partidário,

    conforme o seguinte detalhamento:

    DATA JUROS DE MORA VALOR R$

    28/jan REALI TAXI AEREO LTDA. 2.129,82

    28/jan COTEMINAS 112.448,28

    25/fev PREVIDÊNCIA SOCIAL 25.774,54

    25/fev PREVIDÊNCIA SOCIAL 27.851,90

    25/fev PREVIDÊNCIA SOCIAL 30.484,36

    25/fev PREVIDÊNCIA SOCIAL 8.844,73

    25/fev COTEMINAS 112.448,28

    25/fev COTEMINAS 112.448,28

    24/mar COTEMINAS 112.448,28

    28/abr COTEMINAS 112.448,28

    25/mai COTEMINAS 112.448,28

    28/jun COTEMINAS 112.448,28

    27/jun PREVIDÊNCIA SOCIAL 1.398,47

    27/jul COTEMINAS 299.862,07

    24/ago MINISTÉRIO DA FAZENDA 618,50

  • (Fl. 16 da Informação nº 162 Asepa, de 16.11.2016.)

    Tribunal Superior Eleitoral Prot. nº 7.877/2012 Folha nº

    DATA JUROS DE MORA VALOR R$

    24/ago COTEMINAS 112.448,28

    24/ago MINISTÉRIO DA FAZENDA 4.464,39

    27/set MINISTÉRIO DA FAZENDA 3.983,47

    28/set MINISTÉRIO DA FAZENDA 4.737,66

    31/out COTEMINAS 112.448,28

    24/nov COTEMINAS 112.448,28

    24/nov MINISTÉRIO DA FAZENDA 4.374,30

    24/nov MINISTÉRIO DA FAZENDA 5.202,50

    27/dez PREVIDÊNCIA SOCIAL 2.606,86

    27/dez PREVIDÊNCIA SOCIAL 1.516,76

    27/dez MINISTÉRIO DA FAZENDA 4.558,97

    27/dez MINISTÉRIO DA FAZENDA 5.422,15

    27/dez COTEMINAS 112.449,71

    TOTAL 1.670.763,96

    33. Em relação ao item 40, constatou-se que o partido destinou ao Banco

    Rural, utilizando-se de recursos do Fundo Partidário, a quantia de R$1.877.551,55,

    referentes à amortização de empréstimo efetuado em 2003.

    33.1 Verificou-se que esse mútuo, por sua vez, constitui-se renovação do

    empréstimo original Mútuo nº 396/0037/03, conforme consta das Alegações Finais do

    Ministério Público Federal na Ação Penal nº 470 (Inteiro Teor do Acórdão - Página 2705

    de 8405 STF-fl. 54320), abaixo transcrito:

    469. Em relação ao mútuo original n° 396/0037/03, firmado com o Partido dos Trabalhadores, José Roberto Salgado autorizou as seguintes renovações: a) 4ª renovação (contrato nº 359/0037/04), 21 de maio de 2004, no valor de R$ 4.331.000,00; b) 8ª renovação (contrato n° 044/0037/05), 21 de janeiro de 2005, no valor de R$ 5.350.000,00; c) 9ª renovação (contrato n° 124/0037/05), 04 de março de 2005, no valor de R$ 5.500.000,00; e d) l0ª renovação (contrato n° 352/0037/05), 13 de junho de 2005, no valor de R$ 6.040.000,00. [Grifo nosso]

    33.2 Quanto a essa operação de crédito, Mútuo [original] nº 396/0037/03,

    referente à simulação, ao expor suas convicções na análise do Item V – Gestão

    Fraudulenta de Instituição Financeira (art. 4º da Lei nº 7.492/1986) −, o ministro relator

    concluiu no Acórdão da Ação Penal nº 470 que:

  • (Fl. 17 da Informação nº 162 Asepa, de 16.11.2016.)

    Tribunal Superior Eleitoral Prot. nº 7.877/2012 Folha nº

    De todo esse material probatório, desponta cristalino o fato de que essas operações de crédito – notadamente os mútuos nº 345/0009/03 (formalmente celebrado entre o banco Rural e a SMP&B Comunicação Ltda.), nº 552/0009/03 (formalmente celebrado entre o banco Rural e a Graffiti Participações) e nº 396/0037/03 (formalmente celebrado entre o banco Rural e o Partido dos Trabalhadores) – foram simuladas. [Grifo nosso]

    33.3 A simulação, nos termos do art. 167 do Código Civil1, é causa de nulidade

    do negócio jurídico. Assim, conclui-se neste exame que o negócio jurídico original, qual

    seja o Mútuo nº 396/0037/03, e sucessivas renovações, dadas as conclusões da Ação

    Penal nº 470, não subsistem no mundo jurídico como negócio regular.

    33.4 Além disso, cabe relembrar o trecho da ementa do Acórdão que decidiu por

    unanimidade a desaprovação parcial das contas do Partido dos Trabalhadores na

    Prestação de Contas nº 977-37:

    4. A decisão do Supremo Tribunal Federal na Ação Penal 470/DF, transitada em julgado, repercute no processo de prestação de contas, pois concluiu que foi simulado o empréstimo firmado entre o Banco Rural e o Partido dos Trabalhadores, motivo pelo qual os pagamentos a essa instituição bancária realizados com recursos do Fundo Partidário são considerados irregularidades, não encontrando guarida no art. 44 da Lei nº 9.096/1995. Em última análise, desconsiderar o que afirmado pelo STF faria do processo de prestação de contas uma espécie de “ação rescisória” indireta da decisão do Órgão Supremo, pois seria o mesmo que assentar a “licitude” de um negócio jurídico já julgado como ilícito, sendo, inclusive, fundamento para condenações penais.

    33.5 Assim sendo, os pagamentos efetuados com recursos do Fundo Partidário

    referentes à Ação de Execução do contrato 352/0037/05, considerado uma renovação

    do Mútuo original 396/0037/03, não encontram guarida no art. 44 da Lei nº 9.096/1995,

    devendo o partido ressarcir ao Erário o montante de R$1.877.551,55.

    34. Em relação ao item 41, no qual se solicitou manifestação do partido sobre a

    existência de pagamentos mensais em favor de Laisy Moriere Candida Assunção e Nayara

    Fernanda Mendes Silva, servidoras públicas da Prefeitura Municipal de Goiânia e da

    Secretaria de Estado do Governo do Distrito Federal, respectivamente, conforme

    1Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma.

  • (Fl. 18 da Informação nº 162 Asepa, de 16.11.2016.)

    Tribunal Superior Eleitoral Prot. nº 7.877/2012 Folha nº

    observado em consulta na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do exercício

    de 2011, o partido se manifestou às fls. 1107-1109 da seguinte forma:

    O desempenho de atividades a serviço do partido de Laisy Moriere Candida Assunção NÃO está afeto ao cumprimento de jornada nas suas dependências, ou ao regime do trabalhador comum, previsto na consolidação das leis do trabalho (artigo 3º CLT) que exige habitualidade, dependência econômica e subordinação.

    Ademais, a atividade pelo qual foi eleita depende do exercício de suas habilidades técnicas, manuais e políticas, dentro da estrutura partidária, quer seja pela participação em encontros, quer seja por outras atividades que incluem reuniões, seminários, elaboração de textos e propostas para a definição das políticas partidárias e outras que NÃO demandam comparecimento fixo, determinado ou diário nas dependências do partido.

    34.1 Cabe ressaltar que foi constatado em consulta à Relação Anual de

    Informações Sociais (RAIS) do exercício de 2011 que Laisy Moriere Candida é servidora

    pública regida pelo regime jurídico único para exercer a função de professora de ensino

    superior na Prefeitura Municipal de Goiânia e verificaram-se não comprovados os

    serviços prestados ao partido.

    34.2 Foi também constatada a habitualidade de pagamentos do partido para a

    mencionada servidora pública e não foram juntados quaisquer documentos que

    comprovassem o que foi alegado. Assim, faz-se necessário o ressarcimento das quantias

    pagas com recursos do Fundo Partidário discriminadas a seguir:

    PERÍODO VALOR R$ JANEIRO 5.331,71

    FEVEREIRO 5.331,71 MARÇO 5.696,78 ABRIL 5.727,95 MAIO 5.727,95

    JUNHO 5.829,84 JULHO 5.829,84

    AGOSTO 5.829,84 SETEMBRO 5.829,84 OUTUBRO 5.829,84

    NOVEMBRO 11.229,97

  • (Fl. 19 da Informação nº 162 Asepa, de 16.11.2016.)

    Tribunal Superior Eleitoral Prot. nº 7.877/2012 Folha nº

    DEZEMBRO 6.982,42 TOTAL 75.177,69

    34.3 Verificou-se também que Nayara Fernanda Mendes Silva é servidora da

    Secretaria de Estado de Relações Institucionais e Sociais do Distrito Federal e percebeu

    remuneração do partido, advinda de recursos do Fundo Partidário, no mesmo período

    em que foi contratada pelo Governo do Distrito Federal. Em resposta à diligência, o

    partido informou que:

    O mesmo se aplica a Nayara Fernanda Mendes Silva, que prestou serviços de assessoria política junto à Secretaria Nacional de Juventude do PT também sem vínculo empregatício, sem cumprimento de jornada, sem comparecimento fixo diário. Desenvolvia sua atividade não na condição de dirigente ou funcionária, mas através da prestação de serviço de assessoria política, participando de encontros pontuais, reuniões e outras atividades a interesse da Secretaria. A remuneração, na espécie, se deu em função de prestação de serviço pontual e temporário, via recibo de pagamento de autônomo que também segue anexo.

    34.4 Cabe esclarecer que o partido não juntou documentos que permitissem a

    comprovação da execução de serviços de assessoria política de Nayara Fernanda Mendes

    Silva, faz-se necessário, portanto, o recolhimento das quantias percebidas pela servidora

    pública pagas com recursos do Fundo Partidário:

    PERÍODO VALOR R$ 23.08.2011 783,02 26.09.2011 1.945,71 28.10.2011 1.559,08 24.11.2011 1.888,38 27.12.2011 1.559,08 TOTAL 7.735,27

    35. Ainda sobre os gastos com pessoal, foi apontada no item 41.2 a existência

    de benefício da Amil de Assistência Médica Internacional S.A., às fls. 48-50 do Anexo 24,

    em favor de Clara Charf, que não possui vínculo empregatício com o partido. Em

    resposta, o partido apresentou às fls. 1110/1111 a seguinte manifestação:

  • (Fl. 20 da Informação nº 162 Asepa, de 16.11.2016.)

    Tribunal Superior Eleitoral Prot. nº 7.877/2012 Folha nº

    A beneficiária citada, desde sua fundação vem participando ativamente no desenvolvimento de programas de incentivo à participação política das mulheres, tornando-se parte intrínseca dessa atividade partidária, alcançando um papel histórico importante na organização da agremiação, tendo se tornado um símbolo da luta pela participação das mulheres dentro do partido. Assim, muito embora nunca tenha havido vínculo empregatício, ainda que nunca tenha cumprido jornada de trabalho ou atendido às demais características das relações celetistas, nem tenha sido funcionária, é certo que há um histórico e consolidado vínculo profissional entre ela e o partido, tanto que desde 2003 passou a prestar serviços de assessoria política continuadamente, trabalho pelo qual foi devidamente remunerada através de RPA.

    35.1 Em que pese à alegação do partido, a inclusão de Clara Charf como

    beneficiária de convênio médico, mesmo sem vínculo empregatício, demonstra critério

    subjetivo e irregular na administração dos recursos do Fundo Partidário.

    35.2 Dessa forma, os pagamentos efetuados com recursos do Fundo Partidário

    de benefício da Amil de Assistência Médica Internacional S.A. em favor de Clara Charf,

    que não possui vínculo empregatício com o partido, devem ser ressarcidos ao Erário:

    DATA VALOR R$

    26/jan 286,31 24/fev 286,31

    24/mar 286,31 27/abr 286,31 25/mai 286,31 27/jun 286,31 26/jul 286,31 26/set 286,31

    TOTAL 2.290,48 36. Em relação ao item 49, no qual foi solicitada manifestação sobre o registro

    a título de regularização de veículo Santana 2.0 placa DIF 1173, adquirido em 13.3.2003,

    que foi entregue para Grand. Motors Comércio de Veículos Ltda. como parte de

    pagamento de veículo Corolla 2006 no valor de R$63.000,00, foram anexados

    documentos às fls. 356-362 do Anexo 82.

  • (Fl. 21 da Informação nº 162 Asepa, de 16.11.2016.)

    Tribunal Superior Eleitoral Prot. nº 7.877/2012 Folha nº

    36.1 Como justificativa de proceder no exercício de 2011 a contabilização

    extemporânea de veículo adquirido em 2003, o partido forneceu à fl. 1119 a seguinte

    informação:

    Por um lapso não foi realizado o registro contábil da operação quando ocorreu a compra, tendo sido posteriormente regularizada a escrituração. Em anexo, seguem o Recibo, comprovante de pagamento e documentação fiscal à luz do que determina o artigo 9º, inciso I da Resolução 21.841/2004, disponibilizando, ademais, cópia do Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo para comprovar a transação.

    36.2 Cabe ressaltar que o partido não apresentou o comprovante bancário de

    pagamento em 2003, no valor de R$26.000,00, prejudicando a análise do recurso

    utilizado na aquisição do veículo Santana.

    36.3 Conforme verificado à fl. 859 do vol. 02/05 do Livro Razão, constatou-se

    evidente descumprimento do art. 30 da Lei nº 9.096/1995, pois perdurou por 8 anos a

    omissão do veículo na contabilidade do partido. Observou-se que o registro foi realizado

    em 2011, porque o citado veículo foi transacionado como parte de pagamento na

    aquisição de outro veículo.

    VII – Outras considerações

    37. Em relação à resposta da diligência do item 25 da Informação-Asepa

    nº 98/2016, foi consultado o CNPJ nº 06.537.753/0001-17, registrado no documento à

    fl. 307 do Anexo 74, e constatou-se que a atividade econômica da empresa Artur da

    Silveira Lara Votorantim-ME é comércio atacadista de resíduos e sucatas metálicos.

    37.1. Considerando que à fl. 268 do livro diário foram registradas despesas dessa

    empresa no montante de R$951.004,23, já deduzidos do desconto de R$299.700,00, que

    está registrada como empresa individual e apresenta faturamento declarado à fl. 308 do

    Anexo 74 de R$2.556.966,50, considera-se incompatível o enquadramento da citada

    microempresa, de modo que se recomenda o envio desta informação e de cópias das fls.

    255-287 do Anexo 72 e fl. 308 do Anexo 74 ao Ministério Público e à Secretaria da

  • (Fl. 22 da Informação nº 162 Asepa, de 16.11.2016.)

    Tribunal Superior Eleitoral Prot. nº 7.877/2012 Folha nº

    Receita Federal, independentemente do rito processual previsto no art. 60, II, b e c, da

    Resolução-TSE nº 23.464/20152.

    2Art. 60. Transitada em julgado a decisão que julgar as contas do órgão partidário ou regularizar a situação do órgão partidário: [...] II – na hipótese de prestação de contas dos órgãos nacionais, a Secretaria Judiciária do Tribunal Superior Eleitoral, além das providências previstas no inciso I deste artigo, quando for o caso, deve: [...] b) encaminhar à Secretaria da Receita Federal do Brasil cópia do inteiro teor do processo, para as providências tributárias que forem cabíveis; e c) encaminhar os autos à Procuradoria-Geral Eleitoral nas hipóteses previstas nesta resolução.

  • (Fl. 23 da Informação nº 162 Asepa, de 16.11.2016.)

    Tribunal Superior Eleitoral Prot. nº 7.877/2012 Folha nº

    VIII – Conclusão

    38. Da análise da documentação apresentada, foram identificadas

    irregularidades que comprometem a movimentação financeira, patrimonial e contábil do

    partido, como descreve a seguinte planilha:

    Descrição Valor (R$) Item Irregularidades na aplicação do Fundo Partidário (recolhimento ao Erário)

    1 Ausência de documentos que possibilitem a verificação da execução de serviços, descumprimento do disposto no art. 34, III, da Lei nº 9.096/1995. 1.060.837,31 28.2

    2 Pagamentos de 80 kits natalinos – não amparado pelo art. 44, I, da Lei nº 9.096/1995. 15.167,88 31.

    3 Pagamentos de juros de mora − não amparado pelo art. 44, I, da Lei nº 9.096/1995. 1.670.763,96 32.1

    4 Ausência de documentos fiscais e comprovantes de pagamento de despesas, descumprimento do disposto no art. 34, III, da Lei nº 9.096/1995. 1.480,48 25.

    5 Ausência de documentos comprobatórios de usuários de fretamento de aeronaves, descumprimento do disposto no art. 34, III, da Lei nº 9.096/1995. 755.289,82 27.3

    6 Pagamentos de mútuo n° 396/0037/03 junto ao Banco Rural, considerado negócio simulado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Penal 470.

    1.877.551,55 33.5

    7 Pagamentos de mútuo nº 13.03.00102 junto ao Banco BMG, considerado negócio simulado pela Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região no julgamento do Processo nº 2006.38.00.039573-6 − desdobramento da Ação Penal nº 470.

    1.823.000,00 19.6

    8 Transferências indevidas a diretórios estaduais impedidos de receber recursos por contas julgadas desaprovadas, descumprimento do art. 28, IV, da Resolução nº 21.841/2004.

    101.684,55 26.

    9 Serviços não comprovados de servidora pública da Prefeitura Municipal de Goiânia, descumprimento do disposto no art. 34, III, da Lei nº 9.096/1995. 75.177,69 34.2

    10 Serviços não comprovados de servidora pública do Governo do Distrito Federal, descumprimento do disposto no art. 34, III, da Lei nº 9.096/1995. 7.735,27 34.4

    11 Pagamentos de assistência médica para pessoa sem vínculo empregatício com o partido, não amparado no art. 44 da Lei nº 9.096/1995. 2.290,48 35.2

    Total 7.390.978,99

    Percentual de irregularidades em relação aos recursos de Fundo Partidário 14,45%

    Recursos cujas origens não foram identificadas (recolhimento ao Erário)

    12 Não identificação da origem de recursos recebidos na conta-corrente nº 13.000-1, descumprimento do disposto no art. 34, III da Lei nº 9.096/1995. 67.750,00 22.

    13 Recursos não identificados recebidos em 2011 e registrados na contabilidade, descumprimento do disposto no art. 34, III, da Lei nº 9.096/1995. 221,53 22.1

    Total 67.971,53 Outras irregularidades (não sujeito ao recolhimento ao Erário)

    14 Ausência de documento bancário que identifique o destino de recursos de campanha, descumprimento do disposto no art. 37, § 1º, da Lei nº 9.096/1995. 49.921,09 20.1

    15 Ausência, pelo período de 8 anos, de registro de veículo adquirido em 2003, descumprimento do art. 30 da Lei nº 9.096/1995. 26.000,00 36.3

    16 Ausência de cronogramas de pagamento e de confissão de dívidas de 1994 a 2006, descumprimento do disposto no art. 37, § 1º, da Lei nº 9.096/1995. 716.493,32 17.3

    17 Ausência de contratos, relatórios e vídeos que comprovem a execução dos serviços da Santana e Associados Marketing e quitados com recursos próprios, descumprimento do disposto no art. 37, § 1º, da Lei nº 9.096/1995.

    5.000.000,00 21.2

    18 Ausência de contratos, relatórios e vídeos que comprovem a execução dos serviços da Polis Propaganda & Marketing Ltda. e quitados com recursos próprios, descumprimento do disposto no art. 37, § 1º, da Lei nº 9.096/1995.

    2.300.000,00 29.1

  • (Fl. 24 da Informação nº 162 Asepa, de 16.11.2016.)

    Tribunal Superior Eleitoral Prot. nº 7.877/2012 Folha nº

    Descrição Valor (R$) Item

    19

    Quitação de despesa mediante desconto ofertado por empresa individual, cujo faturamento anual é incompatível com o desconto obtido pelo partido. Conforme livro diário 36 pg. 268 foram pagos R$951.004,23 à empresa Artur da Silveira Lara Votorantim-ME, já deduzidos do desconto de R$299.700,00.

    299.700,00 24.2

    e 37.1

    20 Ausência de comprovação de despesa de consultoria quitada com recursos próprios. 85.600,00 30.

    21 Não observância de aplicação mínima de 5% de Fundo Partidário em programas de participação política das mulheres, descumprimento do art. 44, V, da Lei nº 9.096/1995.

    1.646.101,29 18.1

    22 Ausência de comprovante bancário que identifique a destinação de recursos próprios, descumprimento do disposto no art. 37, § 1º, da Lei nº 9.096/1995. 67.750,00 23.1

    Total 10.191.565,70

    Total geral das ocorrências detectadas 17.650.516,22

    IX − Proposta de Encaminhamento

    39. Com base no parecer conclusivo, propõe-se ao relator:

    a) desaprovar esta prestação de contas do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), com fundamento no art. 37 da Lei nº 9.096/1995, c.c. o art. 24,

    III, da Resolução-TSE nº 21.841/2004, diante das irregularidades na aplicação do Fundo

    Partidário e outras irregularidades descritas no quadro do item VIII desta informação;

    b) determinar as sanções previstas na legislação partidária e nas resoluções deste tribunal, diante das irregularidades na aplicação do Fundo Partidário, no

    recebimento de recursos de origem não identificada, além de outras irregularidades

    descritas no quadro do item 38, observado o item IX desta informação;

    c) determinar ao Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) a restituição aos cofres públicos dos valores pagos indevidamente com recursos do Fundo

    Partidário, no montante de R$7.390.978,99, equivalente a 14,45%, conforme

    demonstrado no item VIII desta informação.

    c.1) O recolhimento referente à aplicação irregular de Fundo Partidário e de

    recursos não identificados deverão ser efetuados por meio de Guia de Recolhimento da

    União (GRU)3, sob os códigos 18011-4 e 20006-9, respectivamente, e devem ser juntados

    aos autos os respectivos comprovantes. A quantia relativa à aplicação irregular do Fundo

    Partidário deve ser devidamente atualizada e recolhida ao Erário com recursos próprios.

    3Instruções para preenchimento de GRU disponíveis em: .

  • (Fl. 25 da Informação nº 162 Asepa, de 16.11.2016.)

    Tribunal Superior Eleitoral Prot. nº 7.877/2012 Folha nº

    d) encaminhar esta informação juntamente com cópias das fls. 255-287 do Anexo 72 e fl. 308 do Anexo 74 ao Ministério Público e à Secretaria da Receita Federal,

    considerando que foram efetuados pagamentos à empresa Artur da Silveira Lara

    Votorantim-ME, CNPJ nº 06.537.753/0001-17, no montante de R$951.004,23, a partir

    da conta bancária 13.000-1, já deduzidos de desconto de R$299.700,00, observado o

    descrito nos itens 24 e 37, e respectivos subitens, desta informação.

    X – Da aplicação das sanções

    40. A prestação de contas em exame refere-se ao exercício financeiro de 2011 do Partido dos Trabalhadores (PT), período no qual a Lei nº 9.096/1995 previa a sanção

    de suspensão de novas quotas do Fundo Partidário pelo período de 1 (um) a 12 (doze)

    meses ou por meio de desconto da importância apontada como irregular, nos termos do

    art. 37, § 3º, da Lei nº 9.096/1995, conforme a seguir:

    Art. 37. A falta de prestação de contas ou sua desaprovação total ou parcial implica a suspensão de novas quotas do fundo partidário e sujeita os responsáveis às penas da lei, cabíveis na espécie, aplicado também o disposto no art. 28. [...] § 3º A sanção de suspensão do repasse de novas quotas do Fundo Partidário, por desaprovação total ou parcial da prestação de contas de partido, deverá ser aplicada de forma proporcional e razoável, pelo período de 1 (um) mês a 12 (doze) meses, ou por meio do desconto, do valor a ser repassado, da importância apontada como irregular, não podendo ser aplicada a sanção de suspensão, caso a prestação de contas não seja julgada, pelo juízo ou tribunal competente, após 5 (cinco) anos de sua apresentação.

    41. A Lei nº 13.165, de 29 de setembro de 2015, alterou a redação do art. 37 da Lei nº 9.096/1995, de modo a aplicar a sanção de devolução da quantia irregular,

    acrescida de multa de até 20% (vinte por cento), conforme nova redação:

    Art. 37. A desaprovação das contas do partido implicará exclusivamente a sanção de devolução da importância apontada como irregular, acrescida de multa de até 20% (vinte por cento).

  • (Fl. 26 da Informação nº 162 Asepa, de 16.11.2016.)

    Tribunal Superior Eleitoral Prot. nº 7.877/2012 Folha nº

    42. A jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral é pacífica quanto à não incidência da lei nova a fatos ocorridos anteriormente a sua promulgação. Tal postura foi

    mantida no julgamento do Agravo Regimental em Recurso Especial Eleitoral nº 6548,

    interposto pelo Diretório Regional do Partido da Social Democracia Brasileira

    (PSDB/RN) contra a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte

    (TRE/RN), que, por unanimidade, desaprovou as contas da direção estadual relativas ao

    exercício financeiro de 2010.

    43. Na espécie, o Pleno deste Tribunal Superior Eleitoral decidiu no sentido de aplicar a sanção de desaprovação de contas de acordo com o texto da Lei nº 9.096/1995

    vigente à época do exercício financeiro4, conforme acórdão publicado no DJE

    de 25.8.2016, p. 35.

    X – Novo rito processual

    4AgR-REspe - Agravo Regimental em Recurso Especial Eleitoral nº 6548 - Natal/RN Ementa: AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. PRESTAÇÃO DE CONTAS DE PARTIDO POLÍTICO. DIRETÓRIO REGIONAL. EXERCÍCIO FINANCEIRO DE 2010. DESAPROVAÇÃO. Agravo regimental 1. É inviável o agravo regimental que não infirma objetivamente os fundamentos da decisão agravada (Súmula 182/STJ). Não infirmada na espécie a ausência de prequestionamento do art. 30, § 2º-A, da Lei nº 9.504/97 e a incidência das Súmulas 7 do STJ e 279 do STF. 2. A simples transcrição de ementas não é suficiente para a caracterização de divergência jurisprudencial. 3. A ausência do extrato consolidado do mês de junho de 2010 - período das convenções partidárias - configura falha grave que impede a efetiva análise da prestação de contas e leva à sua rejeição. 4. É inviável a revisão da aplicação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade em sede extraordinária quando não é possível dimensionar a falha registrada no acórdão regional que fixou a sanção de suspensão de quotas do Fundo Partidário em três meses. Questão de ordem suscitada pelo agravante 5. As razões do agravo regimental não podem ser aditadas por meio de petição protocolada após a sua interposição e, conforme pacífica jurisprudência, as matérias de ordem pública também estão sujeitas ao requisito do prequestionamento. Precedentes. 6. A título de obiter dictum e para efeito de orientação, a regra do novo caput do art. 37 da Lei nº 9.096/95, introduzida pela Lei nº 13.165/2015, somente pode ser aplicada na hipótese de desaprovação de contas por irregularidades apuradas nas prestações de contas apresentadas a partir da vigência do novo dispositivo, ou seja, a partir daquelas que vierem a ser prestadas até 30 de abril de 2016 em relação ao exercício atual (2015), ao passo que as sanções aplicáveis às prestações de contas referentes aos exercícios anteriores devem seguir a legislação vigente no momento da sua apresentação. Agravo regimental a que se nega provimento. Decisão: O Tribunal, por maioria, negou provimento ao agravo regimental e não conheceu da questão de ordem, mas especificou a forma de execução do julgado, nos termos do voto do Relator. [Grifo nosso]

  • (Fl. 27 da Informação nº 162 Asepa, de 16.11.2016.)

    Tribunal Superior Eleitoral Prot. nº 7.877/2012 Folha nº

    44. O art. 65, § 1º5, da nova Resolução-TSE nº 23.464/2015, que trata da prestação de contas anual de partidos políticos, estabelece que o novo rito para

    tramitação processual deve ser aplicado às prestações de contas partidárias relativas aos

    exercícios financeiros de 2009 e seguintes e que a adequação do rito dos processos dar-

    se-á na forma decidida pelo relator, nos termos do art. 65, § 2º6, da mesma resolução.

    45. Diante do exposto, sugere-se a abertura de vista ao Ministério Público, para proferir manifestação no prazo de 20 dias, nos termos do art. 377 dessa norma.

    46. Após a manifestação do Parquet Eleitoral, sugere-se a abertura de vista ao prestador de contas pelo prazo de 15 dias, nos termos do art. 388 da Resolução-TSE

    nº 23.464/2015, tendo em vista que este processo prescreve em 30 de abril de 2017.

    Brasília, 16 de novembro de 2016.

    LEONICE FERNANDES Analista Judiciário

    JOSÉ CARLOS PINTO Analista Judiciário

    De acordo com a Informação-Asepa nº 162/2016. Encaminhe-se o

    processo à consideração do Excelentíssimo Senhor Relator, Ministro Henrique Neves da

    Silva.

    ERON PESSOA

    Assessor-Chefe de Exame de Contas Eleitorais e Partidárias

    5Art. 65. As disposições previstas nesta resolução não atingem o mérito dos processos de prestação de contas relativos aos exercícios anteriores ao de 2016. § 1º As disposições processuais previstas nesta resolução devem ser aplicadas aos processos de prestação de contas relativos aos exercícios de 2009 e seguintes que ainda não tenham sido julgados. 6§ 2º A adequação do rito dos processos de prestação de contas previstos no § 1º deste artigo deve observar forma determinada pelo Juiz ou Relator do feito, sem que sejam anulados ou prejudicados os atos já realizados. 7Art. 37. Apresentado o parecer conclusivo, os autos devem ser encaminhados ao Ministério Público Eleitoral para emissão de parecer no prazo de 20 (vinte) dias. 8Art. 38. Havendo impugnação pendente de análise ou irregularidades constatadas no parecer conclusivo emitido pela Unidade Técnica ou no parecer oferecido pelo Ministério Público Eleitoral, o Juiz ou Relator deve determinar a citação do órgão partidário e dos responsáveis para que ofereçam defesa no prazo de 15 (quinze) dias e requeiram, sob pena de preclusão, as provas que pretendem produzir, especificando-as e demonstrando a sua relevância para o processo.