Trovadorismo prof.-micheli

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Text of Trovadorismo prof.-micheli

  • Designa-se por Trovadorismo o perodo que engloba a produo literria de Portugal durante seus primeiros sculos de existncia (sc. XII ao XV). Durante essa poca a poesia alcanou grande popularidade, no somente entre os nobres da corte mas tambm entre as pessoas comuns do povo. Os poemas eram cantados e acompanhados de instrumentos musicais e danas, por causa disso, foram denominados cantigas.

  • Momento final da Idade Mdia na Pennsula Ibrica, onde a cultura apresenta a religiosidade como elemento marcante.A vida do homem medieval totalmente norteada pelos valores religiosos e para a salvao da alma. So comuns procisses, romarias, construo de templos religiosos, missas etc.

  • A arte reflete, ento, esse sentimento religioso em que tudo gira em torno de Deus. Por isso, essa poca chamada de Teocntrica.As relaes sociais esto baseadas tambm na submisso aos senhores feudais. Estes eram os detentores da posse da terra, habitavam castelos e exerciam o poder absoluto sobre seus servos ou vassalos.

  • H bastante distanciamento entre as classes sociais, marcando bem a superioridade de uma sobre a outra.O marco inicial do Trovadorismo data da primeira cantiga feita por Paio Soares Taveirs, provavelmente em 1198, entitulada Cantiga da Ribeirinha.

  • A poesia desta poca compe-se basicamente de cantigas, geralmente com acompanhamento de instrumentos (alade, flauta, viola, gaita etc.). Os autores dessas cantigas eram chamados de trovadores. Esses poetas faziam parte da nobreza ou do clero e, alm da letra, criavam a msica das composies que eram executadas nas cortes.

  • J nas camadas populares, quem cantava e executava as canes, mas no as criava, eram os jograis.Mais tarde, as cantigas foram copiladas em Cancioneiros. Os mais importantes Cancioneiros desta poca so o da Ajuda, o da Biblioteca Nacional e o da Vaticana.

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  • As cantigas eram cantadas no idioma galego-portugus e dividem-se em dois tipos:

    lricas (de amor e de amigo); satricas (de escrnio e mal-dizer).Do ponto de vista literrio, as cantigas lricas apresentam maior potencial pois formam a base da poesia lrica portuguesa e at brasileira. J as cantigas satricas, geralmente, tratavam de personalidades da poca, numa linguagem popular e muitas vezes obscena.

  • Origem em Provena, regio da Frana. Trazidas atravs dos eventos religiosos e contatos entre as cortes. Tratam, geralmente, de um relacionamento amoroso, em que o trovador canta seu amor a uma dama, normalmente de posio social superior, inatingvel. Refletindo a relao social de servido, o trovador roga a dama que aceite sua dedicao e submisso.Eu-lrico - masculino

  • Perguntar-vos quero por DeusSenhor fremosa, que vos fezmesurada e de bon prez,que pecados foron os meusque nunca tevestes por bende nunca mi fazerdes ben.Pero sempre vos soub'amardes aquel dia que vos vi,mays que os meus olhos en mi,e assy o quis Deus guisar,que nunca tevestes por ben de nunca mi fazerdes ben.

  • Des que vos vi, sempr'o maiorben que vos podia querervos quigi, a todo meu poder,e pero quis Nostro Senhorque nunca tevestes por bende nunca mi fazerdes ben.Mays, senhor, ainda con bense cobraria ben por ben.

    (Don Dinis, rei de Portugal que viveu entre 1261 1325)

  • Este tipo de texto apresenta um eu-lrico feminino.O trovador compe a cantiga, mas o ponto de vista feminino.Tem como tema o sofrimento da mulher espera do namorado (chamado "amigo"), a dor do amor no correspondido, as saudades, os cimes, as confisses da mulher a suas amigas, etc.

  • Os elementos da natureza esto sempre presentes, alm de pessoas do ambiente familiar, evidenciando o carter popular da cantiga de amigo.Eu-lrico - feminino

  • Ondas do mar de Vigo,se vistes meu amigo!E ai Deus, se verr cedo! Ondas do mar levado,se vistes meu amado!E ai Deus, se verr cedo!

  • Se vistes meu amigo,o por que eu sospiro!E ai Deus, se verr cedo! Se vistes meu amado,por que hei gran cuidado!E ai Deus, se verr cedo! Martin Codax

  • Nessas cantigas os trovadores preocupavam-se em denunciar os falsos valores morais vigentes, atingindo todas as classes sociais: senhores feudais, clrigos, povo e at eles prprios.

    Dividem-se em:

  • Cantigas de escrnio- crtica indireta e irnica

    Cantigas de maldizer- crtica direta e mais grosseira

  • Ai, dona fea, foste-vos queixarque vos nunca louv[o] em meu cantar;mais ora quero fazer um cantarem que vos loarei toda via;e vedes como vos quero loar:dona fea, velha e sandia!...

  • Dona fea, se Deus me perdon,pois avedes [a] tan gran coraonque vos eu loe, en esta razonvos quero j loar toda via;e vedes qual ser a loaon:dona fea, velha e sandia! Dona fea, nunca vos eu loeien meu trobar, pero muito trobei;mais ora j un bon cantar farei,en que vos loarei toda via;e direi-vos como vos loarei:dona fea, velha e sandia! Joan Garcia de Guilhade

  • Maria Peres se mefestounoutro dia, ca por pecadorse sentiu, e log' a Nostro Senhorprometeu, pelo mal em que andou,que tevess' um clrig' a seu poder,polos pecados que lhi faz fazero demo, com que x'ela sempr'andou.Mefestou-se, ca diz que s'achoupecador mui't,porm, rogadorfoi log' a Deus, ca teve por melhorde guardar a El ca o que a guardouE mentreviva diz que quer teerum clrigo, com que se defenderpossa do demo, que sempre guardou

  • E poisque bem seus pecados catoude sa mor' ouvela gram pavore d'esmolar ouv' ela gram saborE logo entom um clrico filhoue deu-lhe a cama em que sol jazerE diz que o terr mentrevivere esta far; todo por Deus filhou.

    E pois que s'este preitocomeou,antr'eles ambos ouve grand'amor.Antr'el sempr'o demo maiorat que se Balteira confessou.Mais pois que viu o clrigo caer,antre'eles ambos ouv'ia perdero demo, ds que(desde que)s'ela confessou.

    (Fernando Velho)

  • TEXTO 1:Mina do Condomnio Seu Jorge

    T namorando aquela minaMas no sei se ela me namoraMina maneira do condomnioL do bairro onde eu moro

  • Seu cabelo me alucinaSua boca me devoraSua voz me iluminaSeu olhar me apavoraMe perdi no seu sorrisoNem preciso me encontrarNo me mostre o parasoQue se eu for, no vou voltarPois eu vou

  • Eu digo oi ela nem nadaPassa na minha caladaDou bom dia ela nem ligaSe ela chega eu paro tudoSe ela passa eu fico doidoSe vem vindo eu fao figaeu mando beijo ela no pegapisco olho ela se negaFao pose ela no vJogo charme ela ignoraChego junto ela sai foraEu escrevo ela no l

  • Minha minaMinha amigaMinha namoradaMinha gataMinha sinaDo meu condomnioMinha musaMinha MonalisaMinha VnusMinha deusaQuero seu fascnio

  • TEXTO 2:Atrs da porta Chico BuarqueQuando olhaste bem nos olhos meusE o teu olhar era de adeusJuro que no acrediteiEu te estranheiMe debrucei sobre o teu corpoE duvidei

  • E me arrastei e te arranheiE me agarrei nos teus cabelosNos teus pelosTeu pijamaNos teus psAo p da camaSem carinho, sem cobertaNo tapete atrs da portaReclamei baixinhoDei pra maldizer o nosso lar

  • Pra sujar teu nome, te humilhar E me vingar a qualquer preoTe adorando pelo avessoPra mostrar que ainda sou tuaS pra mostrar que ainda sou tua...

    Relacionando as canes Mina do condomnio e Atrs da porta com as cantigas medievais, como voc as classificaria? Justifique a resposta.

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