Tutela individual

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    23-Jul-2015

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<p>Direito do consumidor</p> <p>Direito do consumidorProf Elaine RibeiroEmail: profelaineribeiro@gmail.comDefesa do Consumidor em Juzo Aula dia 10.09.2011Ps-Graduao de Direito do ConsumidorUniversidade Estcio de SDefesa do consumidor em juzoTutela Individual A ampliao de acesso Justia e aperfeioamento da dinmica jurisdicional tm sido uma constante preocupao dos processualistas contemporneos;CDC e a efetividade do processo como instrumento da tutela de direitos. Processo na relao de consumo funo de cumprir a primordial vocao que ser instrumento efetiva realizao dos direitos.Processo no cdc Viso Social e no individual do CC;Processos analisam a sociedade de consumo com os mtodos de produo e contratao em massa;Contratos em Massa - Geram o fenmeno da predisposio unilateral do contedo do contrato, seja atravs do contrato de adeso ou de contratos submetidos a clusulas gerais - contratos Standardizados.Direito processual do consumidor Instrumento de Defesa do Consumidor em JuzoServe o consumidor para reivindicar essas sanes civis, administrativas e penais.Sanes criadas visam proteger o consumidor desde a fase pr-contratual oferta - at o contedo do contrato, incluindo, inclusive, a expectativa que o consumidor tinha ao contratar (art. 47). Julgador autorizado no processo - a inserir, modificar ou nulificar clusula com o fim de repor a eqidade contratual, adentrando, assim, no sagrado templo, construdo pela vontade das partes, antes inviolvel.Controle judicial Processo permite o controle judicial do contedo do contrato de consumo, que podem ser levadas a efeito pelo Ministrio Pblico e pelos legitimados defesa dos interesses do consumidor que autoriza o Poder Judicirio a intervir em espao antes reservado apenas vontade das partes.</p> <p>CPC Cdigo de Processo Civil atual, obra essencialmente tcnica, no cuidou de nenhum instrumento apto a propiciar uma prestao jurisdicional acessvel s grandes massas. Mudanas e os fatos sociais tm trazido reflexos no direito processual, o qual deixando de ser individualista passa a se preocupar com esses direitos coletivos, constitucionalmente garantidos.</p> <p>Instrumento de tutelaAcesso Justia s grandes massas como o Juizado de Pequenas Causas;Ao direta de inconstitucionalidade, ao civil pblica, mandado de segurana coletivo;Legitimidade dos Partidos Polticos e as aes coletivas, que j estavam previstas na CLT, art. 513, quando atribui legitimidade aos sindicatos, bem como na Lei n 4.215/63;Legitimidade OAB para defender os interesses gerais da classe dos advogados;Legitimidade do art. 5, inciso XXI, da Constituio Federal.Art.5, CF/88XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, tm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente;</p> <p>MPLegitimidade foi dada ao Ministrio Pblico a iniciativa para exercer a defesa coletiva do consumidor (art. 82)Pretenso a tutela de direito difuso, coletivo ou individual homogneo, alm do inqurito administrativo j previsto na Lei 7.347/ 85.Note-se que esta ampliao de legitimidade no significa desprezo pelas aes individuais, mas, sim, permitir que as entidades e rgos da administrao pblica direta e indireta.Federal rules of civil procedureDireito Norte Americano;Cdigo de Defesa do Consumidor, trouxe, no art. 81, pargrafo nico, inciso III e nos arts. 91 e seguintes, ao semelhante a class action, que pode ser ajuizada por qualquer dos legitimados, quais sejam, a Unio, Estados, Municpios, entidades e rgos da administrao pblica, direta e indireta e associaes;Terceiros, Litisconsorte (que tomarem conhecimento atravs do edital a ser publicado no rgo oficial e mediante ampla divulgao pelos meios de comunicao social, por parte dos rgos de defesa do consumidor)Class actionAo coletiva da class action americana pelo sistema por eles adotado que o da representatividade adequada, no qual admite-se que determinada pessoa possa ingressar em Juzo, representando todos aqueles que se encontram na mesma situao, devendo ser dada notcia da ao pelos mecanismos prprios a todos que possam interessar, pois a sentena faz coisa julgada em relao a todos, seja procedente ou improcedente; AO COLETIVA CDCS se admite a coisa julgada erga omnes em caso de procedncia do pedido.Ampliao do acesso Justia mediante substancial alterao do instituto da coisa julgada, em razo de tutelar-se de outra forma os direitos difusos, coletivos e individuais homogneos. EFEITOS DA COISA JULGADAOs efeitos da coisa sero erga omnes ou ultra partes, limitado apenas ao grupo ou categoria;Improcedncia, por insuficincia de prova poder qualquer co-legitimado intentar outra ao, art. 103, inciso I e II, CDC.</p> <p>Tutela individualIndividual ou isolada;Finalidade - resoluo de um impasse bem definido surgido de uma relao de consumo para a realizao dos aspectos prticos da defesa ou proteo jurdica do consumidorTutela Coletiva dos interesses difusos, interesses coletivos e interesses individuais homogneos de origem comum de uma coletividade de consumidores de algum produto ou servio. Instrumentos de defesaInstrumentos de defesa ou institucionais para a resoluo de uma reclamao individual para os casos vcios, que so protegidos pelos os rgos de proteo ao consumidor, tais como Procons, Cedecons, Sedecons, Promotorias Especializadas de Proteo e Defesa do Consumidor, Juizados de Pequenas Causas, Defensorias Pblicas, Delegacias Especializadas, Entidades Privadas que se dediquem a esse tipo de atendimento etc. </p> <p>RGOS DE PROTEO OU DEFESA AO CONSUMIDOR: QUAIS SO E O QUE FAZEM ?rgos tais como Procon, Sedecon (Servio de Defesa do Consumidor) ou Cedecon (Central de Defesa do Consumidor), IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor).Rio de Janeiro temos a ANACONT (Associao Nacional de Assistncia do Consumidor e Trabalhador), Procon do Rio de janeiro, Comisso de Defesa do Consumidor da Assemblia Legislativa (Alerj) e, o Departamento de Proteo e Defesa do Consumidor (DPDC), com profissionais devidamente treinados para o devido desempenho das atribuies envolvidas e Delegacias especializadas. O QUE FAZEM?Fiscalizao de estabelecimentos comerciais em matria de comercializao e outros aspectos de comercializao e outros aspectos relativos polcia administrativa (vide o Decreto n. 2.181/97);Atribuies fixadas em leis, decretos e portarias;Defesa dos interesses individuais do consumido, cumprindo-lhes a triagem das reclamaes efetivadas;Encaminhamento aos rgos competentes, quando o caso, ou ento orientao do consumidor;Papel relevante na tentativa de soluo conciliatria dos conflitos individuais surgidos das relaes de consumo. </p> <p>COMPETNCIA Art.93 do CDC, "ressalvada a competncia da Justia Federal, competente para a causa a justia local: I no foro do lugar onde ocorreu ou deva ocorrer o dano, quando de mbito local; II no foro da Capital do Estado ou do Distrito Federal, para os danos de mbito nacional ou regional, aplicando-se as regras do Cdigo de Processo Civil aos casos de competncia concorrente". Ada Pellegrini Grinover, "alternativamente pelo foro da Capital do Estado ou do Distrito Federal" (inc. II do artigo 93). Tanto num como noutro caso, a competncia da Justia local, nos termos do disposto no caput do dispositivo. Os casos de competncia concorrente sero solucionados pelos critrios do CPC, inclusive quanto preveno". </p> <p>COMPETNCIAPoder-dever de julgar" comum dividido em duas rbitas: federal e estadual. Justia Federal cabe o julgamento das causas em que a Unio participa ou, de algum modo, intervm no processo. Com exceo dessa situao, em que matria de consumidor excepcional, todas as causas cabero Justia Estadual (local). cOMPETNCIA TERRITORIAL OU RELATIVAAes civis pblicas e coletivas seja absoluta, e venha determinada pelo local do dano, em algumas hipteses o CDC admite critrios de competncia territorial ou relativa, para fixar a competncia nas aes coletivas, qual seja o domiclio do autor. Fato gerador do direito subjetivo de mbito local competente o foro do lugar onde ocorreu ou deva ocorrer o dano (artigo 93 do CDC). Competncia para a execuo, pargrafo 2. do artigo 98 do CDC: a) o juzo "da liquidao da sentena ou da ao condenatria, no caso de execuo individual" (inc. I); b) o juzo "da ao condenatria, quando coletiva a execuo" (inc.II). A Justia Estadual tem frum em quase todas as cidades. Por isso, se a leso ao consumidor tiver carter regional, envolvendo mais de uma cidade (denominadas, em mbito judicirio, de comarca), a causa caber ao frum da capital. Se o carter da leso for local, caber ao frum mais prximo. </p> <p>LEGITIMAO ATIVA Consumidor prejudicado, legitimidade ativa para as aes individuais comum, objetivando o ressarcimento de danos decorrentes de produtos ou servios (legitimidade direta). Legitimao de forma indireta, ao Ministrio Pblico, a Unio, aos Estados, Municpios e Distrito Federal, assim como a certas entidades e rgos da Administrao Pblica direta ou indireta, associaes civis, sindicatos e comunidades indgenas legitimidade ativa para a defesa coletiva. Legitimao concorrenteLegitimidade concorrente, j que os consumidores lesados podem, individualmente, demandar em nome prprio, ou, de acordo com a convenincia de cada um, se beneficiar com a deciso coletiva que lhe for favorvel (artigos 5., LXX, "b", 8., III, 232 da CF, e 82 do CDC). </p> <p>Representatividade adequada Hugo Nigro Mazzilli : aos requisitos de "representatividade adequada" e de "pertinncia temtica" para o ajuizamento de ao coletiva. Exige-se, para as aes coletivas, a pr-constituio h mais de um ano da associao legitimada (artigo 82, IV, do CDC).</p> <p>Competncia pelo domiclio do consumidor.Ao pode ser proposta em domiclio do autor em relao de consumo (Fonte: www.tj.mt.gov.br) Ao tratar de relao de consumo, a ao de reparao de danos poder ser proposta no domiclio do autor, consoante o estabelecido no Cdigo de Defesa do Consumidor. Sob essa tica, de forma unnime, a 3 Cmara Cvel do TJ de Mato Grosso negou recurso impetrado pela Brasil Telecom S.A. contra deciso de Primeira Instncia que determinara o prosseguimento de uma ao de indenizao por danos morais movida em face da empresa (Agravo de Instrumento n 118.340/2008). </p> <p>O QUE PREVALECE?Art. 101 Na ao de responsabilidade civil do fornecedor de produtos e servios, sem prejuzo do disposto nos Captulos I e II deste ttulo, sero observadas as seguintes: I - a ao pode ser proposta no domiclio do autor. (grifo nosso) Esse artigo permite que o Autor escolha do foro de seu domiclio para propositura de ao de responsabilidade civil, garantindo, inclusive o acesso ao Poder Judicirio constante no artigo 6, VII, do mesmo diploma legal: Art. 6 So direitos bsicos do consumidor: (...) VII - o acesso aos rgos judicirios e administrativos com vistas preveno ou reparao de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou difusos, assegurada a proteo Jurdica, administrativa e tcnica aos necessitados; Essa faculdade prevalece sobre a regra do artigo 100, IV, a, do Cdigo de Processo Civil, porque especfica ao caso em debate: Art. 100. competente o foro: CPC. IV - do lugar: a) onde est a sede, para a ao em que for r a pessoa jurdica; </p> <p>jURISPRUDNCIA"RECURSO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO - EXCEO DE INCOMPETNCIA - INDENIZAO - IMPROCEDNCIA - RELAO DE CONSUMO - CONFIGURAO - ART. 101, I, CDC - COMPETNCIA - DOMICLIO DO AUTOR - RECURSO IMPROVIDO. Tratando-se de relao de consumo, a ao de reparao de danos poder ser proposta no domiclio do autor, consoante o disposto no artigo 101, I, do Cdigo de Defesa do Consumidor. 26254 2003 DES. MUNIR FEGURI. AGRAVO DE INSTRUMENTO - EXCEO DE INCOMPETNCIA - IMPROCEDNCIA - CONTRATO VERBAL DE TRANSPORTE DE MERCADORIA - AO DE INDENIZAO POR INEXECUO CONTRATUAL - RELAO DE CONSUMO - COMPETNCIA DO LUGAR DO DOMICLIO DO AUTOR - COMPETNCIA ABSOLUTA - PREVISO NO CDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. [...] O artigo 101, inciso I, do CDC outorga a prerrogativa ao consumidor lesado de ajuizar a ao de responsabilidade civil do fornecedor de produtos e servios no foro do domiclio do autor. (TJMT RAI n 15029/2002, Relator: Des. Ernani Vieira de Souza)." </p> <p>Foro de domiclioFORO DO DOMCILIO DO CONSUMIDOR - COMPETNCIA ABSOLUTA. Ao julgar agravo de instrumento em ao revisional contra deciso que declinou de ofcio a competncia do juzo, a Turma, por maioria, indeferiu o recurso. Explicou o Relator que o consumidor promoveu ao revisional contra instituio financeira na circunscrio especial de Braslia, no entanto, declarou a autoridade judicante sua incompetncia relativa para processar e julgar o feito, determinando a remessa dos autos circunscrio judiciria de Luzinia - GO, domiclio do consumidor. O voto prevalecente filiou-se orientao do STJ, esposada no REsp 103.876/MG que estabeleceu ser absoluta a competncia do foro do domiclio do consumidor, sendo nula qualquer estipulao contratual acerca da eleio de foro. Asseveraram os Magistrados que a relao de consumo disciplinada por princpios e normas de ordem pblica e interesse social, em que a competncia tem carter absoluto, segundo exegese do art. 6, VIII c/c art. 101, I do Cdigo de Defesa do Consumidor. No obstante, na espcie, ser do autor o interesse em fazer prevalecer a competncia do juzo em que se iniciou o processo, destacou o voto preponderante que a facilitao dos direitos do consumidor em juzo possibilita a proposio da ao em seu prprio domiclio, contudo, tal princpio no permite que o consumidor escolha aleatoriamente um local diverso do seu domiclio ou do domiclio do ru para o ajuizamento da ao, conforme entendimento contido no REsp 108.036/MG do Superior Tribunal de Justia. O voto minoritrio, por sua vez, entendeu tratar-se de competncia relativa, prevista no art. 101, I do CDC, razo pela qual a declinatria deveria ser precedida de exceo formulada pelo ru. (TJDF. 20090020099400AGI, 4 Turma Cvel. Rel. Des. Convocado HCTOR VALVERDE SANTANA. Voto minoritrio - Des. FERNANDO HABIBE. Data do Julgamento 30/09/2009)Inverso do nus da provaOrigem Regra geral de distribuio do nus da prova, art. 333 do CPC, , conforme posicionamento assente em doutrina, regra de julgamento, a ser observada por ocasio da sentena, quando no produzida a prova necessria comprovao dos fatos alegados pelas partes.Em Roma, era facultado ao Juiz recusar-se a proferir sentena nos casos em que no se convencia pela procedncia ou no da ao, logo as aplicaes das regras inerentes ao nus probatrio eram tratadas de forma mais objetiva e sem maiores polmicas, j que o juiz poderia escusar-se em proferir o mandamento sentencial.Apreciao das provas das ordlias ou do juzo de Deus, adotado pelos germanos antigos. Vinculao aos testes com determinadas pessoas e de cujo resultado se extrairia veracidade ou no dos fatos discutidos ou a culpa ou no do acusado. Influncia da religio na prova dos fatos.</p> <p>Inverso e o cpcNo existindo nos autos prova que convena ao juiz da procedncia ou no do pedido, no poder este se valer do no julgamento ou apelar para o juzo de Deus, devendo proferir o comando sentencial e julgar a causa em desfavor daquele que no desincumbiu do nus da prova, consoa...</p>