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    UFBA - Instituto de Matemtica Departamento de Estatstica

    Disciplina: MAT183 - Estatstica Documentria

    NOTAS DE AULA Elaborada pela profa.: Lia Terezinha L. P. Moraes

    SISTEMA DE INFORMAES ESTATSTICAS 1. Introduo: um pouco da histria da estatstica no Brasil1 No Brasil, os antecedentes histricos dos servios estatsticos oficiais remontam ao perodo imperial com a criao da Diretoria Geral de Estatstica em 01/08/1871. Este rgo tinha por finalidade principal promover a realizao dos Recenseamentos Demogrficos decenais, constituindo-se, portanto, no primeiro rgo coordenador dos servios estatsticos no Brasil. Entretanto, concludo o Recenseamento, iniciado em 01/08/1872 e publicado em 1876, o desenvolvimento dos servios estatsticos ficou comprometido com a reduo das atividades desta Diretoria, afetando, por isso, a continuidade e a periodicidade dos levantamentos estatsticos na dcada seguinte. No perodo republicano, a Diretoria Geral de Estatstica empreendeu os Censos Gerais de 1890 e 1900. Em 1907, sob o Governo de Afonso Pena, esta Diretoria foi reformulada e sua direo entregue a Jos Luiz Saio de Bulhes Carvalho, considerado fundador da estatstica geral brasileira. Estando frente do referido rgo, Bulhes Carvalho empreendeu inmeras realizaes, como por exemplo a publicao do primeiro Anurio Estatstico do Brasil (1908 - 1912); a primeira tentativa para a organizao de mapas dos Estados com a diviso municipal (trabalho este que possibilitou a primeira medio sistemtica da rea dos municpios brasileiros); a organizao do Censo de 1920; alm do estmulo que deu para o desenvolvimento dos servios estatsticos de vrios Estados - Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco e Minas Gerais. Deve-se tambm a Bulhes Carvalho a tentativa pioneira de cooperao entre os governos dos estados e Unio, com vistas racionalizao dos servios estatsticos. [...] O mesmo decreto que reformulou a Diretoria criava ainda o Conselho Superior de Estatstica como rgo central com funo orientadora, abrindo aos demais rgos da administrao federal, estadual e municipal a funo de executores dos servios estatsticos, formando-se, assim, uma unidade na produo de estatsticas nacionais.

    1O texto a seguir a reproduo de alguns pargrafos do trabalho elaborado por Eli Alves Penha. Ver referncias bibliogrficas.

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    Era, portanto o primeiro passo no sentido de se estabelecer um sistema, constitudo de um rgo central (o Conselho Superior de Estatstica) e de reparties de estatsticas federais, estaduais e municipais e privadas, responsveis pela execuo dos trabalhos estatsticos.[...]. Entretanto, este projeto de cooperao interadministrativa no conseguiu atingir seus objetivos. O regime federativo, ento vigente, garantia aos governos dos estados a liberdade e o direito de organizar o seu sistema administrativo de forma autnoma. [...] Esta proposta de cooperao administrativa formulada por Bulhes Carvalho, bem como o desenvolvimento dos servios estatsticos nacionais, s viria a ser efetivada a partir de 1930, sob o Governo de Getlio Vargas. O Decreto n 19.967, promulgado em 04 de fevereiro daquele ano, criou o Departamento Nacional de Estatstica, sob a direo de Lo de Affonseca, subordinado ao Ministrio do Trabalho, Indstria e Comrcio. Este Departamento, resultado da fuso da Diretoria Geral de Estatstica com a Diretoria de Estatstica Comercial (vinculada ao Ministrio da Fazenda) , funcionaria como rgo central dos servios estatsticos, com atribuies de corrigir todos os elementos e informes estatsticos de outras reparties congneres federais, estaduais e municipais, de modo que fosse facilitada a publicao de anurios compreendendo todas as informaes de interesse geral do Pas. Tambm em 1931 criada, no mbito do Ministrio da Educao e Sade Pblica, a Diretoria Geral de Informaes Estatsticas e Divulgao. Os trabalhos desta Diretoria se constituiriam na primeira experincia governamental de cooperao interadministrativa entre os governos dos estados e da Unio. Em 05/02/1932, o Dr. Teixeira de Freitas2, em solicitao ao Ministro da Educao Francisco Campos, encaminhou a este um anteprojeto de lei, sugerindo nele a integrao dos servios de estatstica no Pas. [...] Teixeira de Freitas props algumas medidas voltadas para aproximao entre os servios estatsticos e cartogrficos em um nico sistema - o Instituto Nacional de Estatstica e Cartografia. Esta proposta, porm defrontou-se com a hesitao dos especialistas quanto instituio do sistema geogrfico, mesmo que limitado aos servios de cartografia territorial. Argumentavam eles que a centralizao dos servios estatsticos e cartogrficos numa nica super-repartio acarretaria um poder absoluto da Unio em detrimento da atuao dos rgos regionais (estaduais). Para discutir, estudar e propor a reorganizao do aparelhamento estatstico do Pas, o Ministro da Agricultura, Juarez Tvora, designou uma Comisso Interministerial, presidida por Lo da Affonseca, Diretor do ento Departamento Nacional de Estatstica. A primeira reunio se deu em 28/06/1933 e a ltima, num total de 16 reunies, foi em 26/10/1933.

    2Dr. Teixeira de Freitas nesta poca dirigia o Servio de Estatstica da Educao e Cultura - SEEC.

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    Aps os trabalhos da Comisso, foi apresentado ao Ministro da Agricultura o relatrio final contendo o plano global de reforma da organizao da estatstica nacional, acompanhada do anteprojeto de decreto pelo qual era proposta a criao do Instituto Nacional de Estatstica. O Presidente Getlio Vargas [...] assinou o Decreto n 24.609, de 06 de julho de 1934 dando existncia assim ao Instituto Nacional de Estatstica, clula inicial do IBGE.3 A instalao do INE, como ncleo do sistema estatstico nacional, possibilitou uma articulao com os servios j existentes nos Ministrios, juntamente com aqueles que viriam a ser criados no mbito das administraes federal, estadual e municipal, inclusive aqueles servios estatsticos institudos em iniciativa privada. Para conseguir este objetivo e superar as dificuldades de dispor dos registros das administraes estaduais e municipais, o decreto que criou o Instituto investiu-o de autonomia necessria para realizar a coordenao das atividades estatsticas da Unio, dos estados e dos municpios. Esta coordenao seria conduzida pelo Conselho Nacional de Estatstica, cabendo-lhe promover a orientao e direo superiores das atividades do INE, agindo com total autonomia administrativa e tcnica, diretamente subordinada ao Presidente da Repblica. Todavia, a definitiva implantao do Sistema de Estatstica Nacional s ocorreria dois anos depois: em 25/05/1936, o Presidente da Repblica instala em seu prprio Palcio do Catete, junto Secretaria da Presidncia, o Instituto Nacional de Estatstica assim como a Junta Executiva que comandaria as atividades do rgo at a organizao do Conselho Nacional de Estatstica. [...] O Decreto Presidencial n 1.200, de 17/11/1936, regulava a constituio e o funcionamento do Conselho Nacional de Estatstica. Com a extino do INE em 26/01/1938 foi criado o IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica, composto pelo Conselho Nacional de Estatstica (criado em 17/11/1936), pelo Conselho Nacional de Geografia (criado em 24/03/1937) e pela Comisso Censitria Nacional (organizada em 02/02/1938). A criao do IBGE em 1938 refletiu, de forma significativa, o papel que os levantamentos estatsticos e a pesquisa geogrfica poderiam desempenhar no tocante administrao do imenso territrio brasileiro, em via de integrao socioespacial. Suas atribuies principais consistiam em realizar levantamentos e sistematizar informaes do quadro territorial em todos os seus aspectos: fsico, econmico, jurdico, poltico e populacional; realizar trabalhos cartogrficos em variadas escalas; divulgar a cultura geogrfica brasileira e promover a reorganizao do quadro das unidades poltico-administrativas tal como as definies dos limites, racionalizar a toponmia dos municpios e distritos e estabelecer uma nova dimenso territorial.4

    3Com a criao do INE foi extinto, na mesma data, o Departamento Nacional de Estatstica. 4IBGE, Penha, Eli Alves. p. 19.

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    2 - Legislao 2.1 - Constituio Federal

    Promulgada em 5 de outubro de 1988.

    Artigo 5. Todos so iguais perante a lei, sem distino de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pas a inviolabilidade do direito vida, liberdade, igualdade, segurana e propriedade, nos seguintes termos:

    Inciso XIV - assegurado a todos o acesso informao e resguardado o sigilo da fonte, quando necessrio ao exerccio profissional.

    Artigo 21. Compete Unio: Inciso XV - organizar e manter os servios oficiais de estatstica, geografia,

    geologia e cartografia de mbito nacional. Artigo 22. Compete privativamente Unio legislar sobre: Inciso XVIII - sistema estatstico, sistema cartogrfico e de geologia nacionais.

    2.2. A questo legal da estatstica: o sigilo estatstico Nesta seo sero enunciados os principais instrumentos legais (principais Leis, Decretos e Decretos-Lei) sobre a Estatstica no Brasil e, com enfoque especial, a questo do sigilo das informaes prestadas aos levantamentos estatsticos. A seguir, quando necessrio, sero feitos alguns comentrios sobre a importncia do instrumento legal ou alguma crtica a ele. Decreto-Lei n 161 de 13/02/67: Este Decreto-Lei trata da criao do IBGE - Instituto

    Brasileiro de Geografia e Estatstica como rgo integrante da Secretaria do Planejamento da Presidncia da Repblica; estabelece o Plano Nacional de Estatstica; e aborda a questo do sigilo: ... as informaes prestadas tero carter sigiloso, sero usadas exclusivamente para fins estatsticos, e no podero ser objeto de certido nem [...] serviro de prova em processo administrativo, fiscal ou judicial ... Coment