UFT/COPESE Vestibular 2014.2

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    Provas de conhecimentos

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    PROVA DE LNGUA PORTUGUESA Leia o texto a seguir para responder as QUESTES 01, 02, 03 e 04.

    No, no somos macacos. Somos humanos!

    A campanha "somos todos macacos" lanada por Neymar num gesto de solidariedade ao lateral Daniel Alves - vtima de uma agresso racista na partida do Barcelona contra o Villarreal - virou moda: da Presidente Dilma Rousseff a artistas globais como o apresentador Luciano Huck, passando pelo senador Suplicy, que se deixou fotografar comendo uma banana.

    Trata-se , porm, do velho "jeitinho brasileiro", o deixa para l com que estamos acostumados a empurrar historicamente para debaixo do tapete - ou com a barriga - as nossas piores mazelas, como o racismo, por exemplo, crime considerado pela prpria Constituio inafianvel e imprescritvel.

    No, no "somos todos macacos"! [...] Ao contrrio: somos humanos, seres humanos e devemos afirm-lo para nos contrapor de forma consequente ao racismo e xenofobia. o racismo que recusa a nossa humanidade ao nos negar direitos bsicos, a nossa condio humana, iguais na diferena.

    Ao faz-lo, os racistas se tornam a expresso do que h de mais retrgrado, mais desumano, pois renegam uma verdade que a cincia j consagrou: s existe uma raa, a raa humana.

    O racismo nos desumaniza e degrada. Por isso, os racistas nos atiram "bananas", para afirmarem a nossa desumanidade, nos lembrando que ocupamos uma posio inferior na escala evolutiva - smios e no homens, ainda que tambm seja verdade cientfica consagrada por Charles Darwin, que tambm somos mamferos e primatas como os macacos.

    Contrapor a agresso com esse tipo de resposta no dar o peso nem a medida adequados a um ato criminoso. Se somos todos macacos, elimina-se a responsabilidade do agressor, generalizando-se a agresso. No lugar de punir o criminoso, naturaliza-se o crime. Se somos todos macacos, no h mais crime.

    No porque Neymar decidiu manifestar solidariedade ao companheiro de clube da forma como lhe pareceu melhor, que devemos aderir a mais esse modismo que cai como uma luva na tradio brasileira de no encarar de frente problemas srios, lanando mo do "jeitinho" to entranhado na nossa cultura. [...]

    muito comum que jogadores negros se mostrem absolutamente despreparados para enfrentar esse tipo de agresso. Desarmados, em geral, sucumbem vitimizao paralisante. H os que se abatem como aconteceu com Tinga, outros choram como o juiz tambm agredido por bananas deixadas em seu carro, aps um jogo do campeonato gacho. Isso quando no reagem como Pel, que j declarou ser normal nos estdios o uso da expresso "macaco" dirigida a negros.

    A agresso racista normalmente pega a vtima desprevenida, e isso acontece porque, no Brasil, todos nascemos e crescemos sob o mito da democracia racial, a ideia de que esse problema no existe por aqui. As reaes refletem o despreparo. como voc estar em um local pblico e, de repente, ser atacado com um insulto ou um soco no rosto por um estranho. A primeira reao a passividade assustada. O inesperado paralisa.

    Diante da agresso, Daniel Alves - ainda que por impulso - tomou uma atitude: descascou e comeu a fruta, o que soou como uma resposta irnica e de grande repercusso na mdia e nas redes sociais pelo inusitado.

    Os aplausos ao gesto, porm , no refletem a conscincia da gravidade do problema, especialmente quando se sabe que h certos setores na sociedade brasileira que, ao invs de assumir a luta pela superao do racismo, preferem a

    maquiagem miditica e frases de efeito que desaparecero to rapidamente como surgiram.

    Atitudes, contudo, no podem se limitar s vtimas , quase sempre despreparadas. O Poder Pblico, vale dizer, o Estado, precisa avanar para a adoo de uma educao antirracista - da pr-escola s universidades . Um pas que viveu por quase 400 anos sob regime de escravido negra, no se livra dessa herana em apenas 126 anos de Abolio, como, alis, j prevenira Joaquim Nabuco. [...]

    E o movimento social vive fazendo reunies para "discutir a implementao da Lei 10.639", como se as leis, uma vez aprovadas pelo Legislativo e sancionadas pelo Executivo, no devessem ser automaticamente cumpridas e precisassem ser discutidas pelos interessados. Afinal, somos tambm, como se sabe, o "pas do faz de conta".

    Temos um Estatuto da Igualdade Racial - a Lei 12.288/2010 - que se tornou uma declarao de boas intenes e igualmente ignorada. E temos ainda a situao presente, cotidiana, do negro como suspeito padro, alvo das balas da polcia, candidato a "morar longe" e morrer mais cedo, como demonstram todas as estatsticas, inclusive as seguidas edies do Mapa da Violncia.

    Ento, por melhores que sejam as intenes de Neymar e dos que aderiram campanha por ele lanada - inclusive a Presidente da Repblica - preciso que se diga: no, no esse o caminho para enfrentar uma patologia social como o racismo, uma chaga que contamina todo o tecido social e um dos elementos estruturantes da desigualdade social.

    Alis, e no por acaso, a desigualdade por aqui, entra governo e sai governo, tambm no muda: ocupamos o desonroso quarto lugar entre os 10 pases de maior desigualdade do planeta. VIEIRA, Dojival. No, no somos macacos. Somos Humanos! Afropress . Disponvel em: . Acesso em 01 jul. 2014. (Fragmento Adaptado).

    QUESTO 01 Sobre a interpretao do texto, assinale a alternativa CORRETA. (A) O autor do texto defende a utilizao do slogan miditico

    Somos todos macacos, pois acredita que a cincia j comprovou, por meio da teoria de Darwin, que os humanos so, em essncia, mamferos e primatas, assim como os macacos.

    (B) O autor acredita que o racismo no deve ser combatido com apelos miditicos, mas o agressor deve ser rigorosamente punido. Alm disso, deve-se adotar, nas vrias esferas educacionais, uma poltica antirracismo.

    (C) O autor cr que a mdia tem papel fundamental em desmistificar o racismo, sobretudo por meio de aes educativas envolvendo artistas e polticos.

    (D) O autor supe que o racismo tem razes histricas e que 126 anos de Abolio so suficientes para a conscientizao da populao.

    (E) O autor recomenda que o Brasil crie Artigos de lei que criminalizem o racismo, ainda no existentes na Constituio Brasileira.

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    QUESTO 02 Sobre o excerto Trata-se, porm, do velho "jeitinho brasileiro", o deixa para l com que estamos acostumados a empurrar historicamente para debaixo do tapete [...], presente no segundo pargrafo, marque a alternativa CORRETA quanto utilizao da expresso jeitinho brasileiro. (A) O uso da expresso jeitinho brasileiro enobrece, por

    parte do autor do texto, a ironia com que os atletas lidam com questes racistas dentro e fora do campo.

    (B) A expresso foi usada para demonstrar afetividade, recurso comum na lngua portuguesa, constitudo a partir da insero do formador de diminutivo inho ao substantivo jeito.

    (C) A expresso foi utilizada pelo autor para demonstrar o preparo e a flexibilidade com que o povo brasileiro tem tratado episdios racistas.

    (D) A expresso foi utilizada pelo autor para ilustrar a maneira brasileira de protelar discusses polmicas, tal como o racismo, presentes na sociedade.

    (E) O uso da expresso denota no texto que cada pessoa tem um jeito individual, prprio, de tratar um assunto polmico.

    QUESTO 03 Sobre os aspectos gramaticais e seus respectivos contextos, analise as afirmativas.

    I. A utilizao dos verbos ser e dever na primeira pessoa do plural denota que o autor insere-se no discurso (terceiro pargrafo).

    II. Em trata-se, a partcula se atua como conjuno subordinativa integrante, pois introduz uma orao subordinada substantiva (segundo pargrafo).

    III. Em limitar s vitimas e da pr-escola s universidades, a utilizao da crase facultativa (12 pargrafo).

    IV. Em Os aplausos ao gesto, porm , no refletem a gravidade do problema, a conjuno grifada pode ser suprimida, sem causar prejuzos de sentido ao excerto (11 pargrafo).

    Marque a alternativa CORRETA. (A) Somente as afirmativas II e IV esto corretas. (B) Somente as afirmativas I, II e III esto corretas. (C) Somente as afirmativas I e IV esto corretas. (D) Somente as afirmativas II e III esto corretas. (E) Todas as afirmativas esto corretas.

    QUESTO 04 Quanto ao texto No, no somos macacos. Somos humanos!, marque a alternativa CORRETA. (A) O texto predominantemente dissertativo-argumentativo,

    pois h, por parte do autor, a defesa de um ponto de vista, por meio de argumentao e de persuaso.

    (B) O texto predominantemente dissertativo-expositivo, uma vez que expe um saber terico j consolidado na sociedade. Sua principal funo esclarecer.

    (C) O texto predominantemente injuntivo, pois utiliza linguagem simples e objetiva, com verbos que indicam como realizar uma ao.

    (D) O texto predominantemente narrativo, pois h a inteno de narrar um fato ocorrido em determinado local; h a presena de personagens e os verbos esto conjugados no passado.

    (E) O texto predominantemente descritivo, pela ampla utilizao de adjetivos e pelo relato dos fatos de forma objetiva.

    Leia a charge a seguir para respo