Um Ministério Ideal - Charles Spurgeon

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  • C. J i. p44/U2S(m

  • UM wfflllFERIO

    IID EA lEm 1865 Spurgeon inaugurou a Conferncia Anual do Colgio de

    Pastores, a quai foram convidados todos os pastores que haviam sido preparados no Colgio. Essa reunio anual estava destinada a oferecer um lao de unio permanente entre eles. Durante toda sua vida, Spurgeon pronunciou vinte e sete palestras presidenciais na Conferncia; doze delas foram reimpressas aps sua morte, das quais seis esto neste livro.

    Se havemos de entender atualmente porque o testemunho evanglico chegou a um nvel to baixo, necessrio que retrocedamos ao sculo dezenove e descubramos o que ocorreu. Este volume nos concede bastante luz adicional neste assunto, com as observaes do famoso pregador sobre a mudana de nfase na pregao do evangelho, acerca dos aspectos da obra m issionria moderna, no que se refere ao descuido da doutrina da soberania de Deus e a respeito da decadncia geral da pureza doutrinria.

    Para serem pregadores eficazes devem ser telogos autnticos.

  • UM MINISTRIO IDEAL

    Volume 2

    Conferncias a ministros e estudantes

    C. H. Spurgeon

    PeSPUBLICAES EVANGLICAS SELECIONADAS

    Caixa Postal 1287 - 01059-970 - So Paulo, SP www.editorapes.com.br

    http://www.editorapes.com.br

  • T tu lo original:An Ali Round M inistry

    Prim eira edio em portugus:1990

    Segunda edio em portugus:2005

    Traduo do ingls:Edgard Leito

    Revisor:Antonio Poccinelli

    C ooperador:Lus Christianini

    Capa:W irley dos Santos Corra

    Im presso:Im prensa da F

  • NDICE

    In troduo .......................................................................

    1. F .................................... ..............................................

    2. A Individualidade e o contrrio d e la ....................

    3. Como enfrentar os males da nossa poca .............

    4. Os males de nosso tempo: nossos objetivos,

    necessidades e encorajam entos.......................

    5. O poder do pregador e as condies para obt-lo

    6. O m inistro nos tempos a tu a is .................................

  • INTRODUOEm bora C. H. Spurgeon seja a inda lem brado como

    pregador popular, geralm ente se esquece que a influncia exercida por ele sobre m inistros e estudantes de teologia foi um fator ainda mais im portante, talvez, do que o seu prprio m inistrio. Hoje pouco conhecido o fato de que ele o rganizou um a in stitu io teolgica, superv isionou a preparao de m ais de 800 estudan tes, p re s id iu um a conferncia anual de m inistros, e considerou tudo isso como o labor e deleite de m inha vida, em relao ao qual o resto do meu trabalho no seno a plataforma; deleite superior ainda ao que me oferece meu xito m inisterial (Autobiografia, vol. 3, p. 127). Os pontos de vista de Spurgeon quanto ao ministrio, especialmente com referncia educao teolgica, tm recebido pouca ateno desde a sua morte em 1892. A prim eira vista difcil explicar tal coisa, quando recordamos que durante 37 anos Spurgeon pregou semana aps semana a um a congregao de cerca de 5.000 pessoas. Ser que em nossos dias, de to evidente decadncia no poder da pregao e freqncia s igrejas, as opinies de um homem como ele no valem a pena ser conhecidas?

    A m elhor ilustrao dos pontos de vista de Spurgeon quanto preparao para o m inistrio a histria do seu p rprio colgio teolgico. Q uase desde o in c io do seu m inistrio em Londres em 1854, para as vastas multides, ele sentiu a carga da necessidade de muito mais pregadores de enrgica posio evanglica. Sabia, como tantas vezes repetia, que os sem inrio s sem pre haviam tid o papel v ita l no

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  • Introduo

    provim ento de tais homens. Honorato e Columba nos dias antigos, e tam bm Wycliffe, Lutero e Calvino na poca da R eform a, p rep a ra ram os exrcitos do S enhor p a ra sua misso. As escolas dos profetas so fator prim rio se se trata de m anter vivo e propagar o poder da religio num pas (Ibid. p. 137).

    Falamos de Lutero e Calvino nos tempos da Reforma, mas devemos recordar que esses hom ens chegaram a ser o que eram devido, em grande parte, a seu poder para gravar a sua imagem e sua influncia sobre outros hom ens com os quais entraram em contato. Se algum fosse a W rtem burg, no via apenas Lutero, mas tam bm o colgio de Lutero, os hom ens a seu redor, tods os estudantes que estavam sendo form ados em ou tros L u te ro s sob sua direo. O mesmo ocorria em Genebra. Quanto deve a Esccia ao fato de Calvino ter instrudo John Knox! Quanto benefcio tm alcanado outras naes, advindo da pequena repblica da Sua devido ao fato de que Calvino teve o bom senso de perceber que um s hom em no podia esperar influenciar uma nao inteira a menos que se multiplicasse e estendesse seus pontos de vista, escrevendo-os sobre as tbuas de carne dos coraes de hom ens jovens e fervorosos! As igrejas parecem te r esquecido disso. A Igreja deveria tom ar o colgio teolgico o objeto p rin c ip a l dos seus cu idados (Vida e Obra de C. H. Spurgeon, G. H. Pike, vol. 4, p. 356).

    Inform a-nos Spurgeon que pouco depois de haver iniciado seu m inistrio em Londres, vrios jovens zelosos foram trazidos ao conhecim ento da verdade; e entre eles alguns cujas pregaes ao ar livre foram abenoadas por Deus para a converso de alm as. O p rim eiro destes foi um moo chamado M edhurst. Certos membros da igreja disseram ao pastor que o m encionado jovem no estava preparado para tal trabalho. Spurgeon ento entrevistou o moo e recebeu a seguinte memorvel resposta: Sr. Spurgeon, eu tenho que

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  • UM MINISTRIO IDEAL, Vol. 2

    pregar, e continuarei pregando - a menos que o senhor me degole. Isso induziu a Spurgeon deciso prtica de fazer algo a fim de preparar tais homens para o ministrio. Assim, no ano de 1855 (quando Spurgeon tinha apenas 21 anos e havia mil pessoas que davam provas seguras de converso e desejavam ser admitidas na sua capela), M edhurst comeou a freqentar cada semana a casa de seu pastor, para receber vrias horas de instruo teolgica. Em 1857 surgiu outro estudante. Pouco tempo depois o nm ero aum entou para 8; a seguir 20 e finalm ente 70 a 100 alunos, que recebiam um curso de dois anos no que chegou a ser conhecido como o Colgio dos Pastores. Em 1891 haviam sido preparados 845 hom ens. Deles, m uitos abriram novos campos e form aram novas igrejas na Inglaterra, porm m uitos outros levaram o evangelho aos confins da terra.

    Pode-se interrogar porque Spurgeon formava um novo colgio quando j havia tan tas institu ies de formao teolgica no-conform ista. M uitos criam ser tal iniciativa desnecessria e divisionista. A resposta dele era, essencialm ente, po r no haver um sem inrio que satisfizesse s necessidades conforme ele percebia a situao. Alm disso, ele se d istinguia das dem ais organizaes existentes nos quatro seguintes aspectos:

    Prim eiro, quanto ao ingresso dos estudantes - Spurgeon possua a convico de que no devia aceitar um homem que no estivesse apto para pregar e, at onde fosse possvel discernir, vocacionado por Deus. Nem a capacidade mental nem os mritos universitrios podiam compensar a ausncia desses requisitos. O grau inferior de piedade, a falta de entusiasmo, o fracasso na devoo particular e a ausncia de consagrao eram fatores negativos intolerveis em homens que aspirassem ser servos de Cristo. Categoricam ente ele afirmou: Nossa instituio tenciona im pedir que ocupem o encargo sagrado os que no so vocacionados para ele.

  • Introduo

    Constantem ente estamos rejeitando candidatos por duvidarmos de sua aptido; nesse caso, nada lhes aproveita educao, dinheiro ou intercesso de parentes ou amigos.

    Segundo, no que se refere ao plano de estudos da preparao teolgica, havia nfase especial teologia bblica. George Rogers, escolhido por Spurgeon para diretor do Colgio de Pastores, afirmou: Dia a dia cresce a convico de que a teologia deve ser a m atria p rin c ip a l num a in stitu io teolgica. Spurgeon era cuidadoso ao declarar o que entendia por Teologia Bblica. A firm am os sem rodeios que a teologia do Colgio puritana. Nossa experincia e leitura das Escrituras nos confirm am na crena das doutrinas da graa, to pouco em moda; m inhas opinies sobre o evangelho e o modo de preparar os pregadores so peculiares. Pregadores das grandes e antigas verdades do evangelho, m inistros adequados para transm iti-las s massas, podiam ser encontrados mais facilm ente num a instituio onde a pregao e a teologia eram as m atrias principais - e no os diplomas e outras lureas da erudio hum ana.

    Em bora o prprio Spurgeon no tenha recebido uma educao universitria norm al, desde a infncia recebera na granja de seu av um slido fundam ento de teologia calv in ista , e quando in ic iou sua pregao em L ondres, dem onstrou novam ente o que a m aioria havia esquecido desde os dias de W hitefield - que nessa teologia reside o verdadeiro poder de um m inistrio evanglico. Ele sempre entendia haver uma relao, m uito mais ntim a do que os hom ens crem , entre a pregao de um m in istro e a sua teologia. O que o levou a pr a antiga teologia em lugar proem inente no plano de estudos do seu colgio no era mero interesse terico nas doutrinas. Para serem pregadores eficazes devem ser telogos autnticos era o axioma que constantem ente repetia aos alunos.

    Terceiro, quanto m aneira como devem ser preparados

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  • UM MINISTRIO IDEAL, Vol. 2

    os estudantes, Spurgeon sustentava com firmeza que a instruo deve ser m inistrada de forma definida e dogmtica. Os professores no devem ensinar de m odo vago e liberal, ap resen tando diferentes pon tos de v ista, deixando ao aluno a escolha do que lhe convier; pelo contrrio, precisam declarar de m aneira convincente e inconfundvel a mente de D eus e dem onstrar predileo reso lu ta pela teologia antiga, evidencian