Un. I - Trovadorismo

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Text of Un. I - Trovadorismo

  • Literatura Portuguesa: Potica

  • Trovadorismo

    Material Terico

    Responsvel pelo Contedo:Prof. Dr. Manoel Francisco Guaranha

    Reviso Textual:Profa. Ms. Silvia Augusta Barros Albert

  • 5 O Trovadorismo (1198?-1418)

    Tipos de Cantigas Trovadorescas

    Para que voc possa apreender de modo adequado o contedo dessa disciplina, muito importante realizar o seguinte percurso:

    a. Leitura da contextualizao;

    b. Leitura do material terico (esta leitura deve ser feita vrias vezes destacando-se os principais conceitos ou as definies contidas no texto, bem como procurando compreend-las por meio dos exemplos);

    c. Realizao da atividade de sistematizao;

    d. Realizao da atividade de aprofundamento;

    e. Consulta ao material complementar fornecido e/ou visita aos sites sugeridos;

    f. Leitura da bibliografia da unidade, especialmente a que se encontra na biblioteca virtual da universidade; e

    g. Contato com o professor tutor para esclarecer dvidas ou mesmo expor suas ideias a respeito do assunto.

    Nesta unidade, estudaremos o primeiro perodo da literatura portuguesa, o Trovadorismo. Veremos alguns aspectos do contexto histrico e cultural da poca enfatizando, entre outras coisas, como as estruturas sociais se refletem na produo artstica.

    Trovadorismo

  • 6Unidade: Trovadorismo

    Contextualizao

    A literatura portuguesa quase to antiga quanto Portugal. O primeiro perodo literrio dessa cultura, o Trovadorismo, compreende os sculos XII a XV, e ocorre aproximadamente entre 1198 e 1412. A primeira manifestao, a Cantiga da Ribeirinha, um texto potico o que talvez j prenuncie em certo sentido a vocao lrica dos lusitanos.

    Devemos estudar e compreender esse perodo literrio em relao ao contexto histrico e social da regio e s especificidades que adquiriu em terras portuguesas a importao do fenmeno trovadoresco que floresceu em praticamente toda a Europa. Devemos, ainda, considerar o reflexo dessa poesia at os dias de hoje. Muito dos temas e procedimentos persistem hoje em dia: a viso da mulher idealizada, a simbiose entre sujeito e natureza, a stira aos costumes, o aspecto ritualstico e ldico dessa forma de arte, entre outros. Por isso, frequentemente, ao se estudar a literatura posterior, recorremos a conceitos da lrica trovadoresca.

    Vamos conhecer mais sobre esse importante perodo literrio, o trovadorismo?

  • 7O Trovadorismo (1198?-1418)

    A data de 1198 refere-se provvel datao do primeiro documento escrito da literatura portuguesa de que se tem notcia, a Cantiga da Ribeirinha. Didaticamente, esse documento, que alguns presumem ser de 1198, marca o incio do Trovadorismo.

    O Trovadorismo foi a poca do florescimento das cantigas, poemas feitos para serem cantados ao som da flauta, da viola, do alade e de outros instrumentos. O termo derivado de trouver (no norte da Frana, o poeta era designado trouvre, do radical trouver, achar). Da, podemos inferir que os poetas deveriam ser capazes de compor, achar sua cano ou poema, para exprimir os sentimentos.

    Para compreender a poesia trovadoresca, necessrio entender as condies sociais do perodo. Por isso, fundamental que voc leia atentamente o texto a seguir, que trata das condies de vida em Portugal durante a Idade Mdia.

    A Vida de Portugal na Idade Mdia e a Organizao Social do Perodo

    muito difcil estudarmos textos sem nos preocuparmos com os contextos em que eles foram produzidos. O que chamamos de condies de produo e recepo nos fornecem dados valiosos para entendermos o significado das obras literrias. claro que as condies de recepo so atualizadas ao longo do tempo. Isso nos leva a pensar que as obras a que temos acesso hoje, adquirem um novo sentido a cada leitura, reatualizam-se de acordo com nossa viso do mundo. De qualquer modo, compreender o sistema de vida do homem medieval condio indispensvel para compreendermos as cantigas trovadorescas.

    Tradicionalmente, as classes sociais na Idade Mdia dividiam-se em trs: clero, nobreza e povo. Segundo Jos Hermano Saraiva, em sua Histria concisa de Portugal, pode-se usar a diviso em imunes, vilos e semisservos.

    Os imunes eram as classes privilegiadas por excelncia (clero e nobreza). A imunidade consistia em que nenhuma parte do rendimento de seus bens revertia para a coroa: os proprietrios de terras tinham direito a uma parte do rendimento. Essas terras, isentas de pagamentos em virtude da qualidade dos proprietrios, chamavam-se coutos e honras.

    O Clero era a nica classe, entre a populao crist, que tinha cultura literria. Tinha organizao, direito e hierarquia prprias, pois a igreja representava Deus na terra e Deus, o poder religioso, estava acima do poder civil, exercido pelo monarca. O Papado era investido do poder religioso e o Imprio do poder civil. D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, aliou-se igreja, na figura do arcebispo de Braga, para garantir a independncia de Portugal.

    Alguns homens e mulheres adotavam uma vida exclusivamente de orao e de trabalho a servio de Deus. Existiam muitas ordens religiosas e nelas, em geral, o dia devia ser gasto em orao, trabalho rduo e estudo. Os monges viviam juntos numa casa, chamada mosteiro e chegavam a prestar servios comunidade vizinha: organizavam bibliotecas, construam escolas, hospitais e hospedarias para os viajantes.

  • 8Unidade: Trovadorismo

    Teoricamente, ao clero estavam interditas ocupaes mundanas que o afastassem dos deveres para com Deus. Na prtica, o alto clero aderia aos divertimentos da nobreza e o baixo clero participava dos do povo. Havia formas de distrao tipicamente eclesisticas, como os mistrios religiosos e o canto de igreja, nos quais os fiis tomavam tambm parte ativa.

    A Nobreza constitua um grupo social possuidor de grandes domnios e que se dedicava essencialmente defesa. Era uma casta definida pelo nascimento. Via de regra, s o filho do nobre era nobre, embora tenha havido casos em que os reis fizeram nobres.

    A funo da nobreza consistiam em exerccios militares com a finalidade de se acostumarem s armas e serem capazes de defender o territrio. Havia graus na nobreza: os ricos-homens eram grandes nobres que exerciam influncias sobre regies mais ou menos extensas; os infanes eram considerados de alta estirpe, de boa filiao; os cavaleiros eram homens nascidos na nobreza, mas muitas vezes sem fortuna, que no tinham mais que o cavalo e o corpo para ir guerra. O ponto em comum entre os nobres que eles no trabalhavam, viviam na posse da terra com a sua criao, aqueles que habitavam a propriedade.

    Quando Portugal nasceu, sculo XII, j surgiam dificuldades entre a nobreza, pois a terra dividia-se e tornava-se menor de gerao a gerao por causa das sucesses. A criao, leia-se os trabalhadores, fugia para terras mais livres, a vida aumentava de custo, os nobres necessitavam cada vez mais de coisas que a terra no produzia. O trabalho dos homens livres encontrava-se na base da produo e era preciso ser pago. O nobre, que se considerava com direito natural sobre o vilo, entenda-se o campons, odiava-o profundamente por ter de pag-lo. Houve uma luta de classes que durou sculos.

    A funo do povo era de lavrar a terra, cuidar dos animais, ajudar na batalha e sustentar a nobreza e o clero, pagando os impostos. Executava o que se chamava corveia, trabalho gratuito prestado ao senhor durante um nmero de dias. O termo vilo designava o habitante de vila ou casa de campo. O vilo tinha como caracterstica o fato de ter de trabalhar para viver. Contudo, o vilo era livre, podia trabalhar onde quisesse, e nesse ponto eram superiores aos semisservos. Havia no campo os vilos ricos e os vilos pobres. Havia tambm os vilos da cidade, chamados cidados, que tambm podiam ser ricos. Havia os chamados burgueses, ou pobres, a chamada gente mida.

    Em funo dos rendimentos, os vilos podiam ser classificados como cavaleiros ou pees. Os cavaleiros vilos eram homens da classe do povo, que podiam comprar e manter um cavalo e armas para entrarem na guerra, ao lado dos nobres, mas apenas mandavam nos pees que serviam a p. Eles eram, provavelmente, descendentes dos que tinham chegado primeiro, enriquecido e se apoderado da administrao dos municpios e impunham seu poder aos midos, que descendiam dos que tinham chegado depois.

    Os semisservos eram descendentes dos que estavam nas terras na poca da reconquista delas pelos cristos e ali permaneceram, pois os rabes haviam invadido a Pennsula Ibrica no sculo VIII. O nobre que tomava a terra, ou a quem o rei dava, ficava senhor dela e da criao, as pessoas que ali estavam. Os semisservos garantiam a produo da terra. No podiam ser vendidos, mas faziam parte da propriedade, que valia pouco sem eles.

    Essa classe social encontra-se nos sculos XII e XIII em rpida evoluo e conta com leis que os apoiam caso queiram mudar de casal, propriedade que correspondia quantidade de terra que um homem podia cultivar durante um ano. H uma lei de 1211 que garante o direito dos semisservos de trabalharem onde quiserem e, caso os nobres os impedissem, podiam ser

  • 9multados. Os semisservos que abandonavam as propriedades e migravam para o vale da Beira cultivar uma gleba, rea de terra sem cultivo, passavam a ser vizinhos, ou seja, transformavam-se em viles.

    Os escravos no eram uma classe, mas uma condio. Geralmente, eram mouros capturados na guerra. Havia expedies por terras de mouros para capturar escravos que trabalhavam no lugar de homens livres que abandonavam as propriedades.

    As Hipteses Do Surgimento da Lrica Trovadoresca

    A poesia trovadoresca tambm chamada de Occitnica, por ter tido origem no sul da Frana, onde se falava a lngua romnica doc, da regio francesa do Languedoc. Contudo, influncia francesa sobre a poesia trovadoresca, misturam-se contribuies folclricas da Pennsula Ibrica.

    A orige