V WORKSHOP EMPRESA, EMPRESÁRIOS E ... WORKSHOP EMPRESA, EMPRESÁRIOS E SOCIEDADE O mundo empresarial

  • View
    213

  • Download
    0

Embed Size (px)

Text of V WORKSHOP EMPRESA, EMPRESÁRIOS E ... WORKSHOP EMPRESA, EMPRESÁRIOS E SOCIEDADE O mundo...

V WORKSHOP EMPRESA, EMPRESRIOS E SOCIEDADE O mundo empresarial e a questo social

Porto Alegre, 2 a 5 de maio de 2006 PUCRS

Grupo de trabalho 05 - Empresrios, empresas e a questo social

CST-Arcelor Brasil: em sinfonia com suas estratgias econmicas e de responsabilidade social empresarial

Renata Vieira Conde

Graduando/UFES Resumo:

Este artigo pretende analisar o significado e o retorno social de investimentos socialmente

responsveis em projetos de incluso scio-cultural atravs da msica para a CST-Arcelor

Brasil e a comunidade. Analisa-se, em especial, o papel que esses projetos desempenham na

construo da imagem pblica da CST-Arcelor Brasil, enquanto empresa-cidad, e seus

impactos sobre a qualidade de vida de seu pblico alvo.

Introduo

Este artigo faz parte de uma pesquisa monogrfica1 que, a partir do estudo de caso da

Companhia Siderrgica de Tubaro, atual CST-Arcelor Brasil2, pretende analisar o

significado e o retorno social, para a empresa e para a comunidade, de investimentos

socialmente responsveis em projetos de incluso scio-cultural atravs da msica.

1 Apresentao dos resultados parciais de pesquisa desenvolvida para a elaborao de Monografia em Cincias Sociais sob a orientao da Prof. Dr. Mrcia Barros Ferreira Rodrigues do Departamento de Cincias Sociais da UFES. 2 Desde o dia 28 de julho de 2005, a CST passou a integrar, juntamente com a Belgo e a Vega do Sul, a holding Arcelor Brasil, subsidiria integral do grupo internacional Arcelor. Fonte: Jornal da CST, Vitria, ano XXVI, n. 235, set. 2005.

Para tanto, busca-se mapear o estado atual do arcabouo terico que sustenta a expresso

prtica do fenmeno da Responsabilidade Social Empresarial, bem como as iniciativas

concretamente realizadas pela CST-Arcelor Brasil no campo da cultura musical..

Foram feitas entrevistas junto aos Analistas de Responsabilidade da Empresa e pesquisas em

documentos institucionais, tais como Balanos Sociais, jornais internos, informativos, alm da

anlise de dados disponveis na pgina da Empresa na Internet, com foco na busca pela

resposta ao problema de pesquisa: Qual o significado e o retorno social de investimentos

socialmente responsveis em projetos de incluso scio-cultural atravs da msica para a

CST-Arcelor Brasil e seu pblico-alvo?

As respostas tm apontado que os investimentos em projetos de incluso scio-cultural

atravs da msica produzem, preponderantemente, para a Empresa, um retorno social de

imagem e recall3, enquanto produzem, para a comunidade, um retorno social propriamente

dito, isto , o seu desenvolvimento scio-cultural.

1. Cidadania Corporativa: concepo e prtica estratgica da Responsabilidade Social

Empresarial Interna e Externa

Segundo Cappellin et al.4 at duas dcadas atrs, ocorria uma espcie de autolegitimao

social das atividades empresariais. Duas crenas presentes no imaginrio social contribuam,

de modo particular, para esse fenmeno.

A primeira dessas crenas, conforme sugerem os autores, assumia o Estado como a entidade

incumbida de implementar um projeto distributivo e de dar resposta questo social. Ao

Estado cabia, portanto, satisfazer s demandas colocadas pela populao quanto educao,

assistncia mdica, emprego, moradia, saneamento bsico, segurana pblica, dentre outras

necessidades fundamentais, assim como a elaborao e implementao de polticas pblicas

voltadas para a reduo da desigualdade social.

3 ndice de lembrana da logo da empresa. 4 CAPPELLIN, Paola et al. As organizaes empresariais brasileiras e a responsabilidade social. In: KIRSCHNER, Ana Maria; GOMES, Eduardo R.; CAPPELLIN, Paola (orgs). Empresa, empresrios e globalizao. Rio de Janeiro: Relume Dumar: FAPERJ, 2002. p. 255

Em consonncia com essa viso sobre o papel Estado, prevalecia a compreenso de que s

empresas competia somente a produo de riqueza e a gerao de empregos. Nessa

perspectiva, toda iniciativa social advinda da classe empresarial s podia representar um ato

espontneo de sensibilidade e generosidade da pessoa do empresrio.

A segunda crena, de modo independente da primeira, alicerava-se na convico de que

produzir significava, automaticamente, desenvolver. Acreditava-se que o crescimento

econmico de um pas acarretaria, necessariamente, no seu desenvolvimento scio-

econmico.

Entretanto, o que ao longo dos nos 80 e durante toda a dcada de 1990 se constatou que

nenhuma das duas crenas encontravam respaldo na realidade e, em virtude disso, comearam

a perder espao e a sofrer severas crticas.

O cenrio que se conformou nesse perodo, apresentava um Estado que, ao contrrio do que se

almejava, afastava-se cada vez mais de suas responsabilidades sociais, fosse por ausncia de

vontade poltica de zelar pelas carncias comuns do povo, fosse por incapacidade financeira

ou ineficincia burocrtica.

Retirando-se, desse modo, da arena social, o Estado dava incio a um processo de

enxugamento da mquina pblica, de reduo dos investimentos sociais, de privatizao das

empresas estatais e de conseqente terceirizao de servios ofertados.

Ademais, caa por terra a crena de que o crescimento econmico fomentado pelos processos

de modernizao e de globalizao da economia pudesse proporcionar melhorias,

automticas, na distribuio de renda, a reduo das desigualdades sociais e, mais importante,

a melhoria na qualidade de vida das pessoas. O que se observava, ao contrrio, era o

agravamento de todos esses indicadores de um subdesenvolvimento social.

Este processo que culminou no estabelecimento do Estado Mnimo dos Liberais e no

agravamento dos problemas sociais ocasionou, por sua vez, a abertura de um vasto campo de

atuao para novas agncias e novos atores reguladores dos anseios sociais.

nesse novo contexto social, ento, que passam a atuar entidades filantrpicas, entidades de

direito civis, movimentos sociais, Organizaes No-Governamentais ONGs associaes,

agncias de desenvolvimento social, rgos autnomos da administrao pblica

descentralizada e fundaes e instituies sociais de empresas, em prol de aes privadas com

fim na promoo do bem-estar pblico, todas sob o estandarte do Terceiro Setor.

E trabalhando, tambm, pelo social, muitas vezes em parceria com esse novo setor, esto o

Estado (primeiro setor), o mercado (segundo setor), por meio das empresas privadas que no

possuem institutos ou fundaes sociais, mas que aderiram ao comportamento socialmente

responsvel e a sociedade civil, na pessoa daqueles que, voluntariamente engajam-se em

trabalhos sociais.

O grande destaque desta nova conjuntura o desvelar da [...] empresa como ator capacitado

a assumir o desafio de articular estrategicamente o desempenho econmico com o empenho

social.5 Em outras palavras, o desafio de conciliar os interesses caractersticos de uma

racionalidade econmica liberal com aqueles de uma nova racionalidade fundada nos anseios

e valores sociais.

Abraar esse desafio, implica atribuir-se a misso de transformar-se em Empresa-Cidad, isto

, em uma empresa que adota comportamentos e prticas de responsabilidade social para com

seus pblicos, interno e externo.

A literatura especializada tem trabalhado o fenmeno da Responsabilidade Social Empresarial

RSE sob variadas perspectivas, seja como conceito e seja enquanto prtica social. Por essa

razo, esta pesquisa faz a escolha de utilizar-se da compreenso sobre RSE veiculada pelo

Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social6, um Instituto que tem como misso

difundir esse conceito e essa prtica entre as empresas no Brasil.

5 Ibid., p. 264. 6 O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social uma organizao sem fins lucrativos, fundada em 1998, cuja misso mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerirem seus negcios de forma socialmente responsvel, tornando-as parceiras na construo de uma sociedade mais prspera e justa. O Instituto Ethos dissemina a prtica da responsabilidade social por intermdio de atividades de intercmbio de experincias, publicaes, programas e eventos voltados para seus associados e para a comunidade de negcios em geral. Pgina do Instituto Ethos na Internet:

Para o Instituto, a empresa socialmente responsvel quando estabelece um relacionamento

tico com os stakeholders7, isto , com todas as partes interessadas no negcio. Por partes

interessadas no negcio entende-se os grupos de interesse que influenciam ou so afetados

pela atuao da empresa. Dentre eles esto: acionistas, proprietrios e investidores,

funcionrios, fornecedores, clientes/consumidores, concorrentes, governos e comunidade. O

Instituto Ethos aponta, tambm, a questo ambiental como mais um elemento de preocupao

da empresa socialmente responsvel.

Figura 1 - A empresa e seus stakeholders

Fonte: Adaptado de MELO NETO, Francisco Paulo de; FROES, Csar. (1999).

Nota: Dados adaptados pela autora.

Segundo Melo Neto e Froes8, a responsabilidade social vista como um compromisso da

empresa com relao sociedade e humanidade em geral e uma forma de prestao de

contas do seu desempenho, baseada na apropriao e uso de recursos que o