VARIAÇÕES DE DENSIDADE E PORTE DA VEGETAÇÃO DE lsie.unb.br/ugb/sinageo/7/0072.pdf · VARIAÇÕES

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VARIAES DE DENSIDADE E PORTE DA VEGETAO DE CERRADO

ASSOCIADAS A FORMAS E DECLIVIDADES DE VERTENTE

Cristiano Capellani Quaresma & Archimedes Perez Filho 1Doutorando Programa de Ps-Graduao em Geografia IG -UNICAMP

cristiano.quaresma@ige.unicamp.br 2Professor Titular Orientador - Depto de Geografia - Inst. de Geocincias UNICAMP.

archi@ige.unicamp.br.

Abstract The Study of physico/natural spatial organizations related to isolated fragments of different faces of cerrado lato sensu of the state of So Paulo becomes necessary, once they present environment fragilities. Several studies about cerrados vegetation pretended to understand and explain the possible genesis, functions and distribution of it different faces. On the other hand its common to see special prominence to the action of climate and soil. Only few works look for to establish relations between the different faces of cerrado, forms, units and declivity of slope. Thus, the present work looked for identify that possible relations. The data allowed concluding that, in the local scale, the attributes declivity and forms of slope, that influence the superficial and sub superficial flowing off waters process, allow changes of the soils compositions, that ones answers directly for variations of size and density of the vegetations species witch ones belongs to the same phytoface.Key words: physico/natural spatial organizations; Cerrado; Slope; Ecological Station of Jata.

Resumo O estudo das organizaes espaciais fsico/naturais de reas ocupadas, ou que j o foram, por vegetao de cerrado no estado de So Paulo torna-se fundamental, uma vez que as mesmas apresentam fragilidades ambientais. Inmeros trabalhos sobre a vegetao de cerrado se propuseram a entender e explicar a questo da possvel gnese, funcionamento e distribuio de suas diferentes fitofisionomias. Nota-se, por outro lado, especial destaque ao do clima ou do solo. Poucos trabalhos procuram estabelecer relaes entre as diferentes fitofisionomias de cerrado, formas, unidades e declividades de vertente. O presente trabalho buscou identificar tais possveis relaes. Os dados obtidos permitiram concluir que, na escala local, os atributos declividade e formas de vertente, ao influenciarem os processos de escoamento superficial e subsuperficial da gua, permitem alteraes das composies dos solos, as quais respondem diretamente pelas variaes no porte e densidade das espcies vegetais pertencentes a uma mesma fitofisionomia. Palavras chaves: Organizaes espaciais fsico/naturais; Cerrado; Vertente; Estao Ecolgica de Jata.

Introduo

Segundo Ribeiro e Walter (1998), atualmente, h trs acepes tcnicas para o

termo cerrado: a primeira o considera como bioma, de predomnio no Brasil Central; a

segunda, como cerrado no sentido restrito, ou stricto sensu, representando um tipo

fitofisionmico presente na formao savnica, que, segundo os autores, definido pela

composio florstica e pela fisionomia, devendo-se levar em considerao tanto a

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estrutura como as formas de crescimento dominantes; a terceira acepo, a qual fora

adotada no presente trabalho, trata-se do cerrado no sentido amplo, ou lato sensu,

reunindo as formaes savnicas e campestres do bioma, incluindo desde o cerrado, que

segundo os autores, tratar-se-ia de uma formao florestal, ao campo limpo, sendo

definido pela composio florstica e pela fisionomia, sem consideraes sobre a

estrutura.

O cerrado recebeu, por um longo perodo de tempo, o nome de campo seco, uma

vez que fora considerado por alguns autores como uma vegetao adaptada s condies

de clima seco, dada a sua ocorrncia, muitas vezes, em regies que apresentam longos

perodos de estiagem, e s caractersticas da prpria vegetao, a qual se manifesta

espacialmente de forma esparsa, apresentando troncos tortuosos, caules revestidos por

cascas espessas e folhas coriceas brilhantes ou revestidas por inmeros plos (FERRI,

1963).

Vrios estudos realizados empenharam-se procura de mtodos e teorias que

pudessem explicar o porqu das atuais organizaes espaciais paisagstica do estado de

So Paulo, principalmente as relativas a fragmentos isolados de diferentes fisionomias de

cerrado (cerrado, cerrado stricto sensu, campo-cerrado), que se distribuem de forma

esparsa em meio a uma vegetao predominante de floresta tropical (QUARESMA e

PEREZ FILHO, 2005).

Dentre as variveis apontadas como responsveis pela distribuio da vegetao

de cerrado, as mais encontradas so as climticas e pedolgicas, tais como os estudos

baseados na Teoria dos Refgios Florestais e os trabalhos pioneiros de Rawitscher et al

(1943), Rachid (1947), Waibel (1948), Queiroz Neto (1982), dentre outros.

Poucos trabalhos existentes procuram entender as relaes entre os tipos

fitofisionmicos de cerrado lato sensu e unidades das vertentes. Assim, o presente

trabalho, com base na abordagem sistmica, objetivou identificar possveis relaes entre

caractersticas de diferentes fitofisionomias de cerrado, formas, unidades e declividades

de vertentes.

Material e Mtodo

Foram realizados trabalhos de campo na Estao Ecolgica de Jata, localizada no

municpio de Luis Antnio, situada na regio nordeste do estado de So Paulo (Figura 1).

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Figura 1 Localizao da Estao Ecolgica de Jata (EEJ), municpio de Luis Antnio/SP. Fonte:

(TOPPA, 2004).

A Estao limita-se a sul-sudoeste pelo rio Mogi-Guau, abrangendo assim uma

plancie de inundao, onde existem 15 lagoas; alm disso, limita-se a sul-sudeste pelo

crrego do Cafund e por pequenas, mdias e grandes propriedades, a oeste e norte-

noroeste pelo crrego Boa Sorte, a norte-nordeste pela fazenda Amrica e finalmente a

leste pela Estao Experimental de Luis Antnio.

Por estar situada no limite da transio do Planalto Ocidental Paulista com a

Depresso Perifrica Paulista, a rea de estudo, segundo Mapa Geolgico de Estado de

So Paulo (IPT, 1981), possui, predominantemente, rochas relacionadas ao Grupo So

Bento de origem Mesozica. Desta forma, a rea caracteriza-se por possuir depsitos

fluviais e de plancies de inundao, pertencentes Formao Pirambia; Arenitos

elicos avermelhados de granulao fina a mdia com estratificaes cruzadas,

pertencentes Formao Botucatu; Intruses bsicas tabulares, alm de sedimentos

aluvionares, do Cenozico, encontrados nas proximidades do Rio Mogi Guau.

Os solos de maior expresso espacial no interior da EEJ, baseando-se em Oliveira

et alli (1982), so: Areias Quartzosas Profundas (AQ-1) - licas, A moderado e

excessivamente drenada: Neossolos Quartzarnicos (EMBRAPA, 1999); Latossolo

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Vermelho Escuro (LE-1 Unidade Dois Crregos e LE-2 Unidade Hortolndia)

licas, A moderado e textura mdia: Latossolos Vermelhos (EMBRAPA, 1999);

Latossolo Roxo (LRd-1) - Distrfico, A moderado, textura argilosa ou muito argilosa,

conhecida como Unidade Baro Geraldo: Latossolos Vermelhos (EMBRAPA, 1999);

Alm da presena pouco expressiva de solos Hidromrficos: Neossolos Flvicos

(EMBRAPA, 1999) e solos Litlicos: Neossolos Litlicos (EMBRAPA, 1999).

Por meio de foto-interpretao, com auxlio de estereoscpio de espelho e de

utilizao de instrumental de SIG, puderam ser identificadas e classificadas diferentes

unidades fisionmicas de cerrado (cerrado e cerrado stricto sensu), em especial nas

fotografias areas de 1962. As fotos foram escanerizadas e georreferenciadas em

programa SIG - Arcmap ArcView Verso 9.1.

Para a realizao de tal classificao, recorreu-se metodologia adotada pelo

Instituto Florestal (1975) no levantamento da cobertura vegetal natural e do

reflorestamento no estado de So Paulo, observando a forma geomtrica, densidade e

porte da vegetao, pela variao da tonalidade, textura e telhado da imagem.

Alm daquele material, foram obtidos os seguintes documentos cartogrficos:

- Levantamento Pedolgico Semidetalhado do Estado de So Paulo quadrcula

de Descalvado, Escala 1:100.000. EMBRAPA/IAC, 1982.

- Cartas topogrficas na escala 1:10.000 denominadas: Crrego Boa Sorte,

Crrego do Cofund, Crrego do Jata ou Beija Flor, Crrego do Jordo, Fazenda

Pedrinhas, Lagoa do Vital, Luis Antnio e Rio Mogi Guau. As especificaes tcnicas

das mesmas so: Projeo UTM; Referncia Horizontal: Crrego Alegre/MG; Referncia

Vertical: Margrafo de Imbituba/SC; Meridiano Central: 45; Fuso 23 e eqidistncia de

5 metros entre curvas de nvel.

A partir desse material, foi realizada escanerizao do mesmo, com a finalidade

de transform-lo em arquivos digitais, para fins de georreferenciamento e digitalizao de

suas informaes em SIG-Arcmap ArcView Verso 9.1. Tais atividades permitiram a

elaborao de mapa hipsomtrico e carta de declividade da Estao Ecolgica de Jata.

Foram realizadas duas visitas preliminares EEJ, para fins de reconhecimento e

aferio em campo das informaes adquiridas em atividades de gabinete.

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No campo, foram verificadas relaes entre porte e densidade de fisionomias da

vegetao de cerrado lato sensu e unidades de vertentes.

Alm disso, foram identificadas as diferenas texturais e de coloraes dos solos

encontrados na rea, com vistas associao de possvel influncia direta na alterao do

porte da vegetao existente.

A soma das informaes obtidas no campo, nas atividades de foto-interpretao,

realizadas em fotografias ar