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Versão Publicação do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS Rua dos Andradas, 1270/133 - CEP 90.020-008 Ano 24 - Nº 151 - Março de 2016 - Porto Alegre dos Jornalistas www.jornalistas-rs.org.br Jornalistas poderão estudar em Cuba através de parceria SINDICATO Páginas 6 e 7 Página 8 PERFIL DIA INTERNACIONAL DA MULHER Do jornal lido no chão à chefia de reportagem, a trajetória de Jurema Josefa Atos em Porto Alegre marcam o mês de março Página 3 Intolerância e desrespeito à democracia Páginas 2, 4 e 5 Porto Alegre registra pelo menos quatro casos de agressão física e verbal a jornalistas durante a passagem do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) pelo Estado. Situação compromete a função do Jornalismo de informar a sociedade LAURO ALVES/AGÊNCIA RBS ROBINSON ESTRÁSULAS

Versão dos jornalistas 151

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A primeira edição do ano de 2016 do Versão dos Jornalistas faz um alerta para a sociedade dos casos de violência física, agressões verbais e cerceamento da liberdade praticados contra profissionais da imprensa no Rio Grande do Sul durante a cobertura da passagem do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) pelo Estado. A publicação conta também com o perfil da jornalista Jurema Josefa, com histórias da passagem dela por diferentes redações e assessorias de imprensa gaúchas e o comentário de colegas sobre o seu trabalho.

Text of Versão dos jornalistas 151

  • Verso Publicao do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RSRua dos Andradas, 1270/133 - CEP 90.020-008Ano 24 - N 151 - Maro de 2016 - Porto Alegredos Jornalistaswww.jornalistas-rs.org.br

    Jornalistas podero estudar em Cuba atravs de parceria

    SINDICATO

    Pginas 6 e 7 Pgina 8

    PERFIL

    DIA INTERNACIONAL DA MULHER

    Do jornal lido no cho chefia de reportagem, a trajetria de Jurema Josefa Atos em Porto Alegre

    marcam o ms de maro

    Pgina 3

    Intolerncia e desrespeito democracia

    Pginas 2, 4 e 5

    Porto Alegre registra pelo menos quatro casos de agresso fsica e verbal a jornalistas durante a passagem do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) pelo Estado. Situao compromete a funo do Jornalismo de informar a sociedade

    Lauro aLves/agncia rBs

    roBinson estrsuLas

  • Verso dos Jornalistas - Rio Grande do Sul - Maro de 20162

    Verso dos Jornalistas uma publicao do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SINDJORS). Rua dos Andradas, 1270/133 Centro Histrico Porto Alegre, RS CEP 90020-008Fones: (51) 3226-0664 - www.jornalistas-rs.org - [email protected]

    Edio: Jorge CorreaEdio executiva e reportagem: Bruna Fernanda SuptitzEdio de Fotografia: Elson Semp PedrosoDiagramao: Lus Gustavo Schuwartsman Van OndheusdenImpresso: Grfica PioneiroTiragem: 3 mil exemplares

    Diretoria ExecutivaPresidente - Milton Simas1 Vice Presidente - Luiz Armando Vaz2 Vice Presidenta - Vera Daisy Barcellos1 Secretrio Ludwig Larr2 Secretria Mrcia de Lima Carvalho1 Tesoureiro Robinson Luiz Estrsulas2 Tesoureiro - Renato BohuschSuplentes - Jos Maria Rodrigues Nunes e Luiz Salvador Machado Tadeo

    Diretoria GeralCelso Antonio Sgorla, Fernando Marinho Tolio, Carlos Alberto Machado Goulart, Cludio Fachel Dias, Elson Semp Pedroso, Mauro Roberto Lopes Saraiva Junior, Lo Flores Vieira Nuez, Alan da Silva Bastos, Jeanice Dias Ramos, Jorge Luiz Correa da Silva, Mrcia Fernanda Peanha Martins, Ana Rita Marini, Clarissa Leite Colares, Neusa Nunes, Pedro Luiz da Silveira Osrio

    Conselho FiscalCelso Augusto Schrder, Jos Carlos de Oliveira Torves, Antonio Eurico Ziglioli Barcellos, Adroaldo Bauer Spindola Correa, Cludio Garcia Machado

    Comisso de ticaAntnio Silveira Goulart, Antnio Carlos Hohlfeldt, Carlos Henrique Esquivei Bastos, Cristiane Finger Costa, Flvio Antnio Camargo Porcello, Jos Antnio Dios Vieira da Cunha, Celestino Meneghini, Edelberto Behs, Sandra de Ftima Batista de Deus, Marcos Emilio Santurio, Moiss dos Santos Mendes

    Versodos Jornalistas

    Filiado:

    EDITORIAL

    Este ano comeou com um episdio lamentvel categoria dos jornalistas. Agentes da democracia, profissionais de imprensa tiveram o direito de exer-cer o seu trabalho impedido pela intolerncia de pessoas que querem fazer prevalecer seu ponto de vista, em detrimento da informao.

    A passagem do deputado federal Jair Bolsonaro (PP/RJ) pelo Rio Grande do Sul representa um ca-ptulo triste da nossa memria. No dia 26 de janei-ro de 2016, jornalistas foram agredidos, ameaa-dos e intimidados a no cumprir a premissa bsica da comunicao: dar voz a todos os envolvidos em um acontecimento.

    A falta de compreenso, por parte de algumas pessoas, de que o acesso informao um direi-to, leva a situaes que preocupam a nossa entidade de classe, a categoria e a sociedade. Tentar fazer do jornalista um servil caracterstica dos regimes de exceo, avessos democracia, multiplicidade e pluralidade.

    O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SINDJORS), mantendo o seu com-promisso de agir pelos interesses da categoria, busca atravs de diferentes iniciativas atenuar as consequ-ncias de atos como o relatado nas pginas centrais desta publicao.

    Uma dessas aes busca incluir na pauta de rei-vindicaes dos jornalistas gachos uma clusula que pede comprometimento das empresas para que forneam equipamentos de segurana e proteo para trabalhos externos.

    A negociao deste item no tem avanado devi-do s negativas por parte da patronal. Mesmo assim, o tema segue sendo reivindicado pelo Sindicato dos Jornalistas, que entende necessria esta garantia no acordo da categoria.

    Outra medida ser a realizao de um novo trei-namento para profissionais da imprensa que atuam em situaes de conflito. O treinamento, que aten-der os mesmos moldes do praticada em 2014, atra-vs de parceria com o Batalho de Operaes Espe-ciais da Brigada Militar, ser estendido ao interior do Estado. O objetivo desta iniciativa capacitar jornalistas para que saibam como agir com seguran-a em eventos de risco.

    Para episdios como o registrado na Assembleia

    Legislativa do Rio Grande do Sul, a melhor preven-o conscientizar a populao de que o jornalista agente do interesse pblico na busca por atender com fidedignidade a informao dos fatos.

    O SINDJORS reitera a manifestao prestada em nota, divulgada na sequncia do episdio de agres-so sofrido pelos colegas no ms de janeiro: no admite que os profissionais que atuam para melhor esclarecer a populao se tornem alvo de qualquer

    grau de violncia ou do cerceamento ao seu trabalhoA liberdade de imprensa e a liberdade de expres-

    so so pilares da democracia e o papel dos jornalis-tas fundamental para a garantia do Estado Demo-crtico de Direito.

    Milton SimasPresidente do SINDJORS

    Repdio violncia e luta por segurana da categoria

  • Verso dos Jornalistas - Rio Grande do Sul - Maro de 2016 3

    SINDICATO

    Cartilha traz dados sobre acordo coletivo

    O Sindicato dos Jornalistas Profis-sionais do Rio Grande do Sul produziu uma cartilha com o Acordo Coletivo de Trabalho 2015-2016 da categoria. A publicao traz ainda informaes sobre convnios com estabelecimentos comerciais e prestadores de servio, que concedem desconto a jornalistas sindicalizados, e cdigo de tica da

    categoria. O material est sendo dis-tribudo nas redaes, assessorias de imprensa, rgos pblicos e delegacias regionais. Com isso, a entidade quer que os profissionais possam se apro-priar do contedo, a partir de infor-maes pertinentes sobre seus direitos trabalhistas. Quem desejar pode bus-car seu exemplar na sede do Sindicato.

    Parceria de qualificao com Cuba

    Faculdades iniciam o ano com nova grade curricular

    Fenaj completa 70 anos em 2016

    O Sindicato dos Jornalistas Profis-sionais do Rio Grande do Sul (SIND-JORS) e o Instituto Internacional de Periodismo Jos Marti, da Unin de Pe-riodistas e Escritores de Cuba (Upec), planejam parceria que beneficiar jor-nalistas gachos sindicalizados.

    Com o acordo, os profissionais do nosso Estado podero participar dos cursos ministrados pelo Instituto com condies especiais. A parceria tam-bm prev a vinda de cubanos para o

    Rio Grande do Sul, onde ministraro cursos e palestras.

    Estamos buscando essa parceria desde 2010, quando o SINDJORS par-ticipou de um colquio de comunicao na ilha promovido pela Fundao. Alm da qualificao dos jornalistas, o conv-nio vai promover um intercmbio de conhecimento e de culturas entre ga-chos e cubanos, explica o presidente do SINDJORS, Milton Simas. A confirma-o deve ocorrer nos prximos dias.

    Vania Barbosa com a primeira vice-presidenta da Upec, Aixa Hevia

    Passa a vigorar neste ano a obriga-toriedade das novas Diretrizes Curri-culares do Jornalismo. O documento foi elaborado por uma comisso no-meada em 2009 que debateu o pro-jeto durante quase cinco anos at sua homologao, em setembro de 2013. O Conselho Nacional de Educao (CNE) concedeu prazo de dois anos para adequao, que terminou em 1 de outubro de 2015.

    A mudana conta com orientao para o equilbrio entre disciplinas te-ricas e prticas, a sada do jornalis-

    mo do campo da comunicao social, tornando-o autnomo, o aumento da carga horria para o mnimo de 3.200 horas, sendo 200 para o est-gio obrigatrio e supervisionado, e a regulamentao do Trabalho de Con-cluso de Curso (TCC) individual.

    Tambm passa a ser obrigatrio in-cluir na formao rotinas de trabalho do jornalista em assessoria de impren-sa e estmulo ao empreendedorismo, a partir da observao de necessidade de preparar profissionais para exercer a atividade como autnomos.

    A Federao Nacional dos Jornalistas (FENAJ) lanou, em janeiro, um novo selo de identificao para marcar o incio das comemoraes dos 70 anos da en-tidade. Fundada em 20 de setembro de 1946, a Federao realizar, ao longo de 2016, uma srie de atividades comemo-rativas s sete dcadas de lutas em defesa do Jornalismo e seus profissionais.

    Hoje, a entidade conta com 27 sindi-catos de jornalistas de abrangncia esta-dual e 4 com abrangncia municipal ou regional. A iniciativa resultou, tambm, na qualificao da formao profissional, com a criao dos cursos de Jornalismo no pas, no aperfeioamento da regula-mentao da profisso e no fim da dita-dura civil-militar. Tambm atua na am-pliao das liberdades democrticas e na insero de dispositivos na Constituio do pas que favorecem a democratizao da comunicao.

    A essas pautas somam-se demandas atuais como a luta pela aprovao da PEC do Diploma, o combate violn-

    O episdio envolvendo uma aborda-gem policial no justificada do pales-trante Paulo Srgio Medeiros Barbosa no Frum Social Mundial Temtico em Porto Alegre, no dia 21 de janeiro, mobi-lizou organizaes para a realizao de um ato que alerte para o tratamento das autoridades de segurana pblica com a populao negra. A atividade ser reali-zada em 21 de maro, Dia Internacional contra a Discriminao Racial.

    Entenda o casoSob a alegao de que o professor

    pernambucano apresentava atitude suspeita, a Brigada Militar o abordou no Parque da Redeno, impedindo sua passagem em direo ao Auditrio Arajo Viana, onde ministraria pales-tra. Um grupo de ativistas pediu a li-

    berao de Barbosa, o que gerou con-fuso. Uma equipe de reportagem da TVE gravou imagens e sonoras com os envolvidos, tanto ativistas quanto po-liciais. Contudo, a matria gerada no foi ao ar.

    Diante de tal situao, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul e outras entidades apre-sentaram moo de repdio ao epis-dio. Tambm foi protocolado, no dia 29 de janeiro, um pedido de audincia pblica com o governador do Estado e com os titulares das secretarias de Co-municao, Direitos Humanos e Justi-a e Segurana Pblica, para tratar do procedimento adotado pela Brigada Militar e sobre a censura pela no vei-culao do contedo produzido. A enti-dade ainda no teve retorno.

    Entidades se unem contra desrespeito ao povo negro

    cia contra jornalistas e precarizao das relaes de trabalho, e a luta per-manente pela valorizao da profisso, entre outras. Durante o ano de 2016 es-sas lutas sero destacadas em eventos, debates e mobilizaes que tero o selo dos 70 anos da FENAJ como elemento visual unificador dessa trajetria que marca a entidade e dignifica o exerccio da profisso de jornalista.

    Foto: YoandrY aviLa guerra

  • Verso dos Jornalistas - Rio Grande do Sul - Maro de 20164

    VIOLNCIA

    Jornalismo comprometido pela

    No dia 21 de janeiro deste ano, a Federao Nacional dos Jornalistas (FENAJ) lanou o Relatrio da Violncia contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil - 2015, que registrou 137 ocorrncias, oito a mais que no ano anterior. Menos de uma semana depois da divulgao dos dados, no dia 26, Porto Alegre presenciou ataques a profissionais da imprensa que realizavam a cobertura da passagem do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) pelo Estado. Jornalistas de diferentes veculos foram agredidos verbal e fisicamente, ameaados, coagidos e caluniados durante o exerccio do seu trabalho. Manifestando contrariedade aos episdios de violncia fsica e a qualquer discurso de dio, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SINDJORS) presta solidariedade aos colegas.

    O primeiro episdio foi registrado no incio da tarde do dia 26. Enquan-to Bolsonaro concedia entrevista ao programa Esfera Pblica, no estdio cristal da Rdio Guaba, apoiadores do parlamentar e grupos contrrios se posicionaram na esquina das ruas Andradas e Caldas Jnior. O reprter EDUARDO PAGANELLA foi desig-nado para acompanhar a movimen-tao e fazer entradas ao vivo.

    "Fiquei de frente para o Estdio e percebi que minha esquerda esta-vam os manifestantes contrrios ao deputado e direita os favorveis. Quando fiz a entrada ao vivo comecei a falar citando o grupo da esquerda e, quando ia falar da direita, fui xinga-do por pelo menos trs pessoas. Uma delas me empurrou e outra agrediu o brao que estava com o microfone. Consegui desligar o microfone e ou-

    tras pessoas vieram acudir. Cerca de dois minutos depois voltei ao ar."

    Para Paganella, o intuito da sua participao era relatar o que estava acontecendo, e as reaes do grupo tinham relao com isso. Ele conta que j havia vivenciado uma situao de conflito antes, mas este o primei-ro episdio em que se sente vtima, por ter sido desrespeitado no princ-pio bsico do jornalista de reportar.

    "Sabia que o clima estava muito tenso, as pessoas a todo momento discutiam sobre poltica. Mas no imaginava que chegaria a tal ponto de no poder terminar uma frase. No me deixaram cumprir o ciclo de-mocrtico da palavra. Confesso que no se consegue manter o mesmo nvel e a mesma tranquilidade, se co-mea a medir um pouco mais o que vai falar naquele momento."

    "No me deixaram cumprir o ciclo democrtico da palavra"

    A situao de conflito que presen-ciou na Assembleia Legislativa no foi a primeira experincia de agresso vivida por LUCIANE KOHLMANN. Hoje reprter e apresentadora do SBT, ela trabalhava na RBS em 2013, poca em que eclodiram os protestos contra o aumento da passagem de nibus em Porto Alegre. Durante a cobertura de uma passeata, o cinegrafista que a acompanhava foi atingido pelas cos-tas, e Luciane foi cercada e coagida por um grupo de manifestantes.

    "O mais absurdo que, naquela poca, fui agredida por movimentos de esquerda por supostamente represen-tar o outro lado. No evento do Bolso-naro foi o contrrio, a extrema direita me acusou de estar cobrindo o lado dos manifestantes. Quando cheguei o pes-soal do movimento estava na frente, fiz algumas sonoras, entrei no audit-rio e entrevistei quem estava l para a palestra. Quando o Bolsonaro chegou peguei uma fala dele. Como eu sabia que ia ter o beijao, fiquei no palco

    um tempo e subi para ver o momento que o pessoal do movimento ia entrar, pois como jornalista preciso de todas as imagens. Quando os manifestantes encerraram o ato e comearam a sair, chamei uma ativista para entrevistar, ento um homem colocou o dedo na minha cara, falando mal da imprensa e de mim. Nesse momento todos os fotgrafos e cinegrafistas se posicio-naram na minha direo. Fiquei mais tranquila, imaginei que ele no come-teria agresso em frente s cmeras. O cinegrafista (Ernesto Eilert) colocou a cmera em mim e disse que ficaria me cuidando, que essa seria a defesa do que fiz. Tudo que falei estava registra-do, fiquei repetindo incessantemente 'S estou trabalhando, tenho que mos-trar os dois lados', mas no adiantava."

    A jornalista conta ter comentado com os colegas sobre a dificuldade do trabalho e a tenso vivida. "Somos odiados principalmente pelos extre-mistas. Os radicais perdem um pouco a noo do que certo e errado."

    Mais que a questo fsica, as agresses verbais foram fortes

    Tive que interromper meu trabalho

    "Os radicais perdem um pouco a noo do que certo e errado"

    O reprter MARCUS PENA, da Record, conta que antes mesmo dos manifestantes contrrios ao deputa-do Bolsonaro chegarem, o pblico j estava atacando verbalmente a pre-sena da imprensa.

    Diziam que estvamos ali para passar uma imagem ruim dele, que no sabiam como estudamos tan-to tempo para fazer aquilo e que no teramos moral para falar mal

    do deputado, diziam que a gente no fala a verdade. Quando vi que a reprter do SBT estava sozinha e sendo cercada, fomos ao encontro dela. Eles estavam muito exaltados. Teve o episdio em que um homem apoiador do Bolsonaro ia atingir um manifestante, ele deu uma voa-dora que me pegou de raspo. Mas, mais que a questo fsica, as agres-ses verbais foram fortes.

    Realizando a cobertura do even-to pelo jornal Zero Hora, o reprter e colunista PAULO GERMANO no testemunhou a agresso aos colegas. Embora tenha percebido o clima de tenso entre os militantes dos dois lados, no estava prximo ao lugar. Ainda assim, no escapou de ser alvo de violncia verbal, praticada pelo prprio deputado Jair Bolsonaro.

    Depois que terminou o even-to, subi ao palco e algumas pessoas tambm subiram para tirar fotos e cumprimentar o Bolsonaro. Enquan-to isso acontecia, eu era o nico re-prter l, acompanhado do fotgra-fo (Lauro Alves), fazendo perguntas

    sobre temas polmicos, contestando as respostas dele, tudo com respeito, dentro da democracia. Em um certo momento o deputado perguntou se eu era da Zero Hora e comeou a in-suflar aquela pequena massa dizendo ele do jornal em que escreveram sobre mim... Logo entendi que esta-va fazendo referncia a uma reporta-gem polmica que ele concedeu a um colega. Nisso algumas pessoas come-aram a gritar, fazer acusaes, me diziam para sair dali. Fui me sentin-do intimidado e, como no sou bobo, sa fora, vi que aquele ambiente no estava propcio ao meu trabalho. Tive que interromper meu trabalho.

    INTOLERNCIABruna Fernanda Suptitz

  • Verso dos Jornalistas - Rio Grande do Sul - Maro de 2016 5

    "A poltica serve para evitar o conflito fsico. Quando se resolve na porrada o fim da poltica"

    Estudante agredido sente segurana com a presena de jornalistas

    Tiago Rodrigues mestrando em Fi-losofia na PUCRS e aparece na imagem cado no cho do Teatro Dante Barone, sendo chutado por outro homem. A agresso interrompida quando o jor-nalista Marcus Meneghetti intervm, sendo agredido na sequncia.

    O estudante diz que costuma parti-cipar dos movimentos de luta e consi-dera a presena da imprensa como um apoio. "A gente se sente mais seguro, porque sabe que a polcia, por exem-plo, no faz certas coisas na frente da imprensa", comenta.

    MARCUS MENEGHETTI realizava a cobertura do evento com Jair Bol-sonaro no auditrio do Teatro Dante Barone, na Assembleia Legislativa do Estado, para o Jornal do Comrcio. Identificado com crach de imprensa e bloco de anotaes em mos, no ima-ginou que seria alvo de agresso quan-do uma briga iniciou na sua frente.

    "O auditrio estava praticamente lotado com apoiadores do Bolsonaro quando chegou o pessoal do movi-mento contrrio. Eles planejavam fa-zer um beijao e se colocaram no es-pao vazio, que estava sendo ocupado pelos jornalistas. L pelas tantas uma parte considervel da plateia comeou a hostilizar o pessoal do movimento, inclusive a imprensa. Eles cobraram a imprensa que focasse no evento e no no beijao. Diziam mdia vendi-da mas sem especificar para quem di-rigiam o xingamento. S pararam de pressionar os jornalistas quando a re-prter do SBT abriu o microfone. Pa-ralelamente a isso iniciou uma briga. Um militante foi derrubado na minha

    frente e um senhor comeou a chutar. Pedi para parar e ele se afastou, mas concentrou as foras em mim. Eu es-tava com o bloco de anotaes na mo, fiquei parado porque no achei que ele iria fazer alguma coisa. Foi quando ele me deu um soco no rosto."

    Marcus destaca que no foi um con-flito generalizado, pois a maior parte das pessoas na plateia no se envol-veu na briga. Passado esse momento, os manifestantes deixaram o teatro e o agressor voltou para a plateia. Cha-mou sua ateno que os apoiadores do deputado j vinham hostilizando a im-prensa quando o movimento entrou, o que no permite dizer que teriam confundido os jornalistas com mani-festantes.

    "Acredito que agi certo separando a briga. No me lembro quando foi a l-tima campanha que usou agresso f-sica na rua. A poltica serve para evitar o conflito fsico, resolver a partir da democracia. O termo parlamento vem disso. Quando se resolve na porrada o fim da poltica."

    O principal mecanismo de proteo que a gente tem o olhar do colega

    O reprter de poltica do jornal Correio do Povo LUIZ SRGIO DIBE foi um dos jornalistas alvo de agres-so. Ele observa com preocupao que o ataque imprensa possa ter sido intencional. Ele avalia que a vio-lncia, quando praticada por razo profissional, se torna mais grave, pois atinge no s uma pessoa, mas toda a categoria e o trabalho que ela repre-senta para a sociedade.

    No momento da confuso os jor-nalistas estavam no meio e alguns acabaram sendo alvo de agresso tambm. Inicialmente pensei que pudesse ter sido casual, por es-tar prximo e ser confundido com o agente poltico do outro campo. Mas depois passei a ficar um pouco mais preocupado de que, no meio da confuso, algum se sentisse um pouco mais aviltado pela postura de jornalistas ou de veculos, e que os

    profissionais pudessem ter sido alvo da agresso por m inteno. Isso uma coisa que a gente precisa co-mear a dar ateno, informar, dizer que no concorda. A sociedade pre-cisa responder tambm se ela quer que os jornalistas tenham liberdade, independncia, respeito, autonomia, segurana ao trabalhar.

    E conclui com um desabafo: Atu-almente, o principal mecanismo de proteo que a gente tem o olhar do colega que est do lado, a cmera do fotgrafo, do cinegrafista, que vai filmar aquilo que est acontecendo e funcionar como um meio de prote-o do que realmente aconteceu. Na ausncia de mecanismos mais sofis-ticados, o que temos a nosso favor o prprio jornalismo. Acabamos nos identificando porque estamos na mesma situao, isso supera a com-petitividade natural do trabalho.

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    Abaixo, sequncia de imagens mostra agresso ao jornalista Marcus Meneghetti

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    PERFIL

    A jovem que contrariou o pai para se tornar jornalista

    Quando pequena, com sete anos, a garotinha Jurema Josefa da Silva se atirava ao cho e percorria as pginas da Folha da Tarde (jornal da Companhia Jornalstica Caldas Junior), comprada pelos irmos mais velhos. Quando podia, ouvia com ateno os noticiosos numa caixinha de abelha, nome que d ao rdio que sintonizava a Guaba, a Farroupilha e a Tupi. Isso no stio da famlia no interior de Lajes (SC), onde nasceu em 21 de maio de 1948. No , portanto, surpresa que a jovem chegada em Porto Alegre com apenas 19 anos, em janeiro de 1968, para trabalhar como empregada domstica tenha enveredado para o Jornalismo.

    No foi fcil trilhar o cami-nho at a faculdade. De famlia humilde e mais nova de oito irmos, a nica que tem curso superior. Che-gou em Porto Alegre com a famlia Costa (Maria Lcia Costa, o marido Paulo Duarte, trs irmos dela e um beb do casal), tambm de Lages, que decidiu fixar residncia na capi-

    tal gacha. Foi empregada domsti-ca da famlia, que a incentivou a fa-zer Jornalismo. Era o ano em que a efervescncia poltica atingiu o seu pice. Os conflitos entre policiais e estudantes eram constantes. Aquilo me revoltava. Aos poucos, percebi que queria mesmo era ser jornalista, conta, com entusiasmo.

    No entanto, ela enfrentou uma bar-

    reira: o pai Valdomiro Timteo da Sil-va entendia que o Jornalismo no era coisa de mulher decente, era uma ativi-dade de prostitutas. Ela bateu p, saiu de casa e fez vestibular na Famecos/PUCRS, onde ingressou em 1972, arru-mou um trabalho como vendedora de livros na Editora Globo e foi morar com a amiga Maria Ins Bittencourt, que lhe acolheu em um momento difcil.

    Jurema conta que tinha pouco di-nheiro para se alimentar e optou por comer um cachorro-quente por dia. Na verdade, bem tarde. No pode-mos dormir com fome. Por isso, eu deixava para comer sempre noite, aconselha. Mas tambm se emociona quando lembra que, no primeiro ano, viveu de negociao de prazos para pa-gamentos das mensalidades na PUC.

    Em novembro de 1972, comeou a to sonhada car-reira no extinto Dirio de Notcias, ao lado de um time de respeito na linha de frente: Celito De Grandi era dire-tor de redao, Luiz Pilla Vares editor-chefe e Luiz Car-los Vaz secretrio. Como cobria os acontecimentos da Cmara de Vereadores de Porto Alegre, conseguiu uma bolsa de estudos de um poltico.

    Em 1974, foi convida-da para trabalhar na Folha da Tarde, a mesma que lia quando garota em Lajes. Na redao da Folha, passou por diversas editorias e confessa que ali aprendeu a escrever. Nem datilografar eu sabia direito, admite, creditando Helena Renaux, editora as-sistente, a tarefa de ensin--la a redigir. Ela lia os meus textos e pedia para eu rees-crever, me dava dicas, apren-di mesmo a fazer reporta-gem com ela, reconhece. A grande oportunidade surgiu quando trabalhou na editoria de transportes, setor muito valorizado pelo governo mili-

    tar. Foi um perodo em que Mrio Andreazza, ministro nos governos Costa a Silva e Mdici, percorria o Estado inaugurando estradas. Cobri o anncio da duplicao da BR-116 at Novo Hamburgo, a abertura da BR-290 e a inaugurao da freeway em 1973 pelo Dirio de Notcias, recorda Jurema.

    Sua passagem pela poltica tambm lhe traz boas re-

    cordaes. Recorda das famosas entrevistas individuais que o prefeito Telmo Thompson Flores concedia entre 17 horas e 19 horas em alguns dias da semana (cada reprter tinha dez minutos com o prefeito). Ele tinha uma turma muito ligada, como o Roberto Brenol de An-drade, o Pedro Chaves, o Carlos Pires de Miranda e o Melchiades Stricher, lembra.

    Na Folha da Tarde, Jurema sempre teve o apoio de seu primeiro chefe de reportagem, Teixeira Junior, j falecido. Mais adiante, igual funo foi desempenhada por Benito Giusti, para quem a jornalista s tem elogios. Ele foi magnfico, foi grande mesmo. Sempre deu liber-dade para a gente trabalhar, fazer matrias que a gente sugeria, revela. Antes de sair do grupo, passou pela Fo-lha da Manh e pelo Correio do Povo.

    Em 1984, participou da fundao da Rdio Pampa, fez assessoria de imprensa para o Sindicato de Turismo de Porto Alegre e foi trabalhar na Zero Hora em 1986. Alm de atuar ao lado da competente editora Eunice Jaques, a jornalista recorda que o perodo foi um dos melhores de sua carreira. Fazia o mercado financei-ro, participei de cursos na Bovespa e na BMF, alm ter participado da cobertura de planos econmicos, como o Cruzado, o Bresser, o Vero e o Collor. A Eunice en-tendeu o apelo da sociedade nestes momentos. O jornal publicava cadernos dirios de economia, conta.

    Ela ficou em ZH at 1994, mas antes passou por um constrangimento que no esquece. Como integrante da Comisso Interna de Preveno aos Acidentes de Traba-lho (CIPA), no podia ser demitida, como aconteceu com muitos colegas no perodo. Como castigo, fui transferi-da para o arquivo, conta. A ao na Justia demorou 10 anos para ser concluda, com vitria da profissional.

    O comeo no extinto Dirio de Notcias

    Jorge Correa

    reProduo

  • Verso dos Jornalistas - Rio Grande do Sul - Maro de 2016 7

    De seu tempo como reprter, guarda momentos ines-quecveis como a cobertura das greves dos bancrios, dos professores e da construo civil. Segundo Jurema, foi a primeira greve deste setor aps a redemocra-tizao. Contra os cas-setetes, usaram barra de ferro, informa.

    O incndio das Lo-jas Renner em 1976 foi um captulo parte. Ela e a colega Ema Belmon-te, que ainda est no CP, fizeram cobertura da tra-gdia durante cinco dias. Acompanhou momentos terrveis de pessoas mer-gulhando para a morte, se emocionou, mas man-teve o profissionalismo. Foi pesado, mas valorizamos o Jornalismo com um belo trabalho de equipe. Fizemos edio extra s 19 horas, relembra.

    O que agrada Jurema o furo que a Folha deu ao anunciar, em 1975, que o Rio Grande do Sul tinha ven-cido a concorrncia e poderia iniciar as obras do Plo

    Petroqumico de Triun-fo. Soubemos na volta do governador Euclides Triches de Braslia. No-ticiamos a novidade e ainda entrevistamos os produtores rurais que seriam afetados com as obras. Zero Hora s in-formou depois, destaca a jornalista.

    De suas recordaes, no esquece da paixo pelo ex-governador Le-onel Brizola. Mas res-salta: Embora eu dei-

    xasse claro que apoiava ele, minhas matrias sempre foram neutras. Nunca reclamaram de alguma parcia-lidade, afirma.

    Jurema trabalhou na assessoria de imprensa da Secretaria Estadual da Fazenda, mas logo voltou para o Correio do Povo em 1994. Deixou a redao do dirio em 1996 para tra-balhar na campanha de Yeda Cru-sius (PSDB) prefeitura de Porto Alegre. No ano seguinte, voltou para o jornal, onde exerceu a chefia de re-portagem at novembro de 2013.

    Aposentou-se nesse cargo e foi assessorar o hoje deputado esta-dual Pedro Ruas (PSOL), na poca vereador em Porto Alegre. No dia 30 de setembro de 2015, deixou o trabalho com o parlamentar. O Pe-dro extremamente tico e correto, tem uma viso diferente da polti-ca e est voltado para a rea social. Mas eu precisava voltar para casa. No entanto, no ficar muito tempo nesta situao. A inquieta Jurema Josefa no revela, mas j tem enga-tilhado alguns projetos.

    Foi o que aconteceu quando a con-

    vidaram para assumir a chefia de re-portagem do Correio. Jurema nunca se imaginou longe da rua. Mas o novo cargo a estimulava porque passou a articular e instruir colegas. As reuni-es eram dirias, com constantes di-cas. Costumo ensinar para os mais novos que fonte fabricada diaria-mente na base do olho no olho, frisa.

    A jornalista nunca se incomodou com os comentrios em torno do du-plo emprego. Quando era reprter, sempre fez assessoria. Ajudou a fun-dar e assessorou o Sindicato Mdico do Rio Grande do Sul. Tambm liga-da ao jornalismo turstico, ajudou a fundar e presidiu a Associao Bra-sileira de Jornalistas de Turismo RS (Abrajet-RS) em dezembro de 2013. Sempre tive conscincia de que po-deria atuar em qualquer assessoria desde que no fosse do mesmo setor que fazia no jornal, diz. S deixou de ter dois empregos, quando assu-miu a chefia de reportagem.

    Jurema foi reconhecida com di-versas premiaes. Destaca o Prmio Carmen Silva, pelo Dia Internacional da Mulher, proposto pelo vereador Raul Carrion (PCdoB) na Cmara de Vereadores de Porto Alegre. Ela cobria o Judicirio e fez vrias mat-rias questionando a deciso de uma cmara do Tribunal de Justia dizen-do que o estupro seria crime comum e no hediondo. A desembargadora Maria Berenice se manifestou contra, e eu fiz textos com posies do mo-vimento de mulheres. A ao acabou no STF, que classificou o crime como hediondo, lembra.

    Outro prmio foi uma distino ambiental da Brigada Militar. Como reprter, acompanhei a causa do meio ambiente. Vi nascer a Agapan [Asso-ciao Gacha de Proteo do Am-biente], a SMAM [Secretaria Munici-pal do Meio Ambiente], acompanhei o Jos Lutzenberger. Sempre dei apoio s apreenses da BM, justifica.

    Ela entrou comigo na Folha da Tarde. Era uma grande reprter de frente, de questionar sempre. Era uma poca que no tinha telefone celular, internet. Tinha que buscar o olho no olho e a Jurema aproveitou muito isso pelo seu jeito despojado. Nunca ficava satisfeita com uma resposta, no deixava para depois. Ns aprendemos muito juntas pela forma como a empresa agia. Cada reprter ficava uns trs meses num setor e depois passava para outro. Tanto ela como eu conhecemos todas as reas. Esta bagagem grande foi trazida na ltima passagem dela pelo Correio do Povo, como chefe de reportagem. Memria tudo no jornalismo. Ento, a Jurema ajudou muitos reprteres que estavam iniciando. Orientou, conversou, cobrou, foi um sucesso tambm como chefe, embora preferisse estar na rua

    Ema Belmonte,hoje no Correio do Povo,

    trabalhou com Jurema na Folha da Trade

    Ela era uma das setoristas que cobriam o Executivo Municipal. Ento, em todos os finais de tarde, estava no gabinete do prefeito Telmo Thompson Flores, que fazia das entrevistas um ritual. Era muito prestativa, competente e sempre preocupada com os colegas. Ela ajudou muita gente dentro do jornalismo, sem preocupao qualquer com o individualismo. Alm disso, era muito sistemtica. Pegava um assunto e no largava enquanto no conseguia seu intento. Mas com muita pacincia e sensibilidade da mulher. Disso tudo, saam matrias precisas e autnticas.

    Roberto Brenolde Andrade,

    hoje no Jornal do Comrcio, assessor de Imprensa na Prefeitura

    quando Jurema comeou

    A Jurema tinha o jornalismo no sangue, era competente, esperta, voluntariosa e interessada. Quando uma pauta falhava, ela descobria outra ainda mais importante. Era vocao. Como chefe de reportagem dela, nunca tive qualquer reclamao. A Jurema me surpreendia. Este acompanhamento direto com o Mrio Andreazza foi um exemplo. Ele era um homem que servia a ditadura militar, mas era fora de srie e acessvel no atendimento aos reprteres. A Jurema soube entender isso como poucos. A informao estava nas suas veias.

    Benito Giusti, aposentado, foi seu segundo chefede reportagem na Folha da Tarde

    Tristes e memorveis episdios na lida de rua

    A chefe de reportagem que dialoga com os novos

    Jurema Josefa sempre atuou em assessoria de imprensa que no fosse a mesma do setor do jornal em que estava

    roBinson estrsuLas

    reProduo

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    CONVNIOS

    DIA INTERNACIONAL DA MULHER

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    Comemorado h mais de cem anos em todo o mundo, o Dia Internacio-nal da Mulher se consolidou no fim dos anos 1960 com base em um mito. A histria conhecida e amplamente disseminada conta sobre um episdio em que 129 tecels foram queimadas vivas durante um incndio criminoso a uma fbrica de Nova Iorque, no s-culo XIX.

    O motivo do crime seria represlia a uma greve em reivindicao por me-lhores condies de trabalho. O pro-prietrio desta fbrica teria mandado incendiar o lugar com as funcionrias dentro, para servir de exemplo aos de-

    mais trabalhadores grevistas.Essa na verdade uma histria

    criada a partir da unio de dados re-ais de outros acontecimentos. Sem registros sobre o fato, como notcias da poca, informaes sobre a fbrica ou identidade dos proprietrios e das funcionrias, pesquisas comprovam que o mito surgiu a partir da necessi-dade, no contexto ps II Guerra Mun-dial, de afirmar o ressurgimento do movimento feminista.

    Assim, formou-se uma confuso entre pelo menos trs fatos ocorridos no incio do sculo XX. No dia 22 de novembro de 1909 teve incio, em

    Nova Iorque, uma greve de costurei-ras, que durou quase trs meses. Na mesma cidade, no dia 25 de maro de 1911, um incndio provocado por problemas nas instalaes eltricas de uma fbrica txtil causou a morte de 146 pessoas, a maioria mulheres.

    A unio destes dois fatos forma a histria que se conhece sobre o Dia Internacional da Mulher. A data de 8 de maro, contudo, associada a um episdio ocorrido na Rssia. Em 1917, no dia 23 de fevereiro pelo calendrio russo, o que corresponde a 8 de maro no calendrio ocidental, uma greve de tecels levou mulheres s ruas de Pe-

    trogrado (hoje So Petersburgo), em uma manifestao que considerada o incio da primeira fase da Revoluo Russa.

    Eventos que marcavam grandes discusses sobre a participao da mulher na poltica e na sociedade ocorrem pelo menos desde 1908, or-ganizados inicialmente pelas mulhe-res socialistas. No Brasil, a primeira comemorao do dia da mulher ocor-reu em 1947, organizado pelo Partido Comunista Brasileiro.

    A origem do dia de luta feminista

    Atividades conjuntas, alusivas ao Dia Internacional da Mulher e que chamem ateno da sociedade para a perda de direitos democraticamen-te conquistados, esto sendo plane-jadas para o ms de maro em Porto Alegre. A proposta surgiu a partir da articulao dos conselhos Estadual e Municipal dos Direitos das Mulheres com diferentes coletivos. As ativida-des seguiro um calendrio principal e comum a todas, mantendo a progra-mao paralela de cada grupo.

    Na agenda esto os atos do dia 6 de maro, domingo, no Parque da Re-deno, e a grande marcha do dia 8, no centro de Porto Alegre. Uma audi-ncia pblica sobre violncia contra a mulher ser realizada no dia 11, com a participao confirmada de Maria da Penha. A atividade ocorre a partir das 14h no auditrio do Frum Central (R. Mrcio L. Veras Vidor, n 10).

    Presidenta do Conselho Estadu-al dos Direitos da Mulher, Fabiane Dutra enxerga o atual momento, de ameaa democracia, como um ris-co ainda maior para os direitos. Ela representa a Unio Brasileira de Mu-lheres no conselho e destaca um dos principais anseios da construo: "Temos como objetivo conquistar

    mais espao para a mulher, ocupan-do as legislaturas e secretarias. Que-remos participar da poltica".

    Nesse sentido, uma iniciativa do Coletivo Feminino Plural, em parceria com a Secretaria Nacional de Polticas para as Mulheres e o Ncleo Inter-disciplinar de Estudos sobre Mulher e Gnero da UFRGS, ir promover o projeto "Mulheres, cidads que po-dem", com foco no empoderamento poltico. O lanamento est previsto para 31 de maro e espera+ envolver cerca de 300 mulheres.

    A jornalista Tlia Negro, coorde-nadora do Coletivo, explica que o pro-psito desmistificar a ideia que a so-ciedade tem do trabalho da mulher no poder. "Queremos encoraj-las, dan-do condies para que elas possam ter bons programas polticos, teses, dis-curso fundamentado e compreensvel pelas outras mulheres e pela popula-o em geral", destaca.

    Completando 20 anos de trabalho em 2016, o Coletivo Feminino Plural tambm vai participar das aes unifi-cadas e, no dia 7 de maro, ocupar o espao da Tribuna Popular na Cmara de Vereadores de Porto Alegre para fa-lar de sua trajetria e apresentar pro-postas para o municpio.

    Mobilizao alerta para perda de direitos

    A histria da farmacutica-bioqumica Maria da Penha Maia Fernandes deu nome para a Lei n 11.340/2006 por ter sido vtima de violncia

    domstica durante 23 anos. Em 1983, o marido tentou assassin-la por duas vezes. Denunciado, foi punido somente aps 19 anos.

    Fonte: A Origem Socialista do Dia da Mulher - Ncleo Piratininga de Comunicao

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