Vestibular 2014 Prova Geral

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Vestibular 2014 Prova Geral

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  • CONHECIMENTOS GERAISE REDAO

    VESTIBULAR 2014

    L IVRETEDE QUESTES

    O2 D IA

    INSTRUES

    1) Confira seus dados e assine a capa deste Livrete de Questes somente no campo prprio.

    2) D as RESPOSTAS s QUESTES OBJETIVAS no FORMULRIO DE RESPOSTAS, nos campos pticos

    prprios. Para tanto, utilize apenas caneta esferogrfica confeccionada em material transparente de tinta

    preta. No poder ser utilizada caneta esferogrfica de qualquer outro tipo ou cor (vermelha, azul, roxa,

    roller-ball, de ponta porosa etc.) nem lpis preto.

    3) Assine o FORMULRIO DE RESPOSTAS no campo prprio.

    4) A REDAO deve ser escrita em letra legvel e feita no FORMULRIO ESPECIAL, com caneta

    esferogrfica confeccionada em material transparente de tinta preta. Este formulrio NO deve ser

    assinado. SIGA TODAS AS INSTRUES CONSTANTES DESTA QUESTO.

    5) Eventuais rascunhos, que no sero corrigidos, podero ser feitos nos espaos em branco constantes

    deste Livrete.

    6) As instrues para a resoluo das questes constam da prova. NENHUM COORDENADOR OU FISCAL

    DE SALA EST AUTORIZADO A PRESTAR INFORMAES SOBRE AS QUESTES.

    7) Somente poder retirar-se da sala depois de decorridos 1 hora e 30 minutos do incio da prova, ocasio em

    que dever ter assinado a Lista de Presena e entregue o Livrete de Questes, o Formulrio de Respostas e

    o FORMULRIO ESPECIAL.

    8) Aconselha-se ateno ao transcrever as respostas deste Livrete de Questes para o Formulrio de

    Respostas, pois rasuras podero anular a questo.

    oN RELATIVO

    PRDIO

    NOME DO CANDIDATO

    ASSINATURA DO CANDIDATO

    oN DA SALA

    oN DE INSCRIO

  • 2 PUCCAMP-14-Prova Geral

    CONHECIMENTOS GERAIS

    Instrues: Leia atentamente o texto abaixo para responder s

    questes de nmeros 1 a 50.

    lbum de colgio

    1 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65

    Um antigo colega criou e organizou um site sobre nossos anos de colgio, que j vo longe. Visitei on-tem as pginas virtuais de uma experincia real, vivida longamente numa velha escola, slida tanto na cons-truo como no ensino. A pesquisa do meu colega bastante rica: documenta com detalhes pessoas e es-paos que nos foram muito familiares. Detive-me logo na sequncia dos professores, como se de novo esti-vesse a ouvir suas vozes e a ver seus gestos, pro-jetados do tablado em que ficava a mesa, junto ao quadro-negro.

    Dona Alzira, de matemtica. culos grossos, de aro escuro, contrastando com a pele clara. Paciente, repetia o que fosse necessrio de uma lio de lge-bra ou geometria. Eu me divertia com as palavras no-vas, que logo transformava em apelidos dos colegas: Maria Clara ficou sendo a Hipotenusa, por ser compri-da e magra, e o Z Roberto passou a ser Cateto, por conta do nariz comprido. As palavras prestam-se a as-sociaes estranhas, talvez arbitrrias. O frequente vestido de folhas vermelhas de Dona Alzira me pa-recia bandeira vistosa das minhas dificuldades com as equaes e os teoremas.

    Dava-me melhor em Portugus. No tanto com a Gramtica das regras severas e nomenclatura difcil, mas com os textos bonitos que nos levavam para fora da escola, na viagem da imaginao. Descobri com seu Alex, professor grandalho de voz grave e dico perfeita, o encantamento de versos ou frases em prosa ditos com muita expresso, valorizados em cada slaba. E me iniciei em alguns autores que acabaram ficando, como Fernando Pessoa.

    A Histria, ao que me lembro, dividia-se em Geral, da Amrica e do Brasil. Tive mais de um professor, o mais entusiasmado e entusiasmante era o seu Euclides, quase nunca imparcial, admirador dos gregos, no tanto dos romanos, capaz de descrever as viagens martimas dos portugueses e espanhis como se fosse um tri-pulante. No deixava de admirar Napoleo, acentuando a incomensurvel diferena entre o tio e o sobrinho. Na Histria do Brasil, enfatizava as insurreies populares e censurava o Estado Novo.

    Clicando aqui e ali (quem diria que havamos de conhecer e usar esse tal de computador?) chego a ou-tros mestres, a outras aulas inesquecveis. As meni-nas torciam o nariz nas de Qumica: o professor fazia-nos usar o laboratrio e praticar reaes (com sulfato? com sulfeto?) que no cheiravam nada bem. As mais frgeis simulavam desmaios... Havia as salas-am-biente, destinadas e aparelhadas para disciplinas es-pecficas. Na de Geografia, grandes mapas, projetor de slides, maquetes e figuras em alto relevo; na de Biologia, acreditem: um esqueleto completo, de verda-de, apelidado de Toninho (dizia-se que de um indi-gente, morto h vrias dcadas); na de Fsica, arm-rios com instrumentos que lembravam ilustraes de Da Vinci. O professor Geraldo no era exatamente uma grande vocao de pedagogo: com ele a Fsica fi-cava mais difcil do que j . Dividia o curso em trs partes: Cinemtica, Esttica e Dinmica, mas no so-brava quase nada de nenhuma. Como ficava ao lado da sala de Msica, distraa-nos o piano de Dona Mariinha, que punha seus alunos para cantar peas do folclore nacional, das cirandas e emboladas do nor-deste s danas gauchescas.

    70

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    E havia, claro, os ptios de recreio, movimenta-

    dos nos intervalos. A moralidade da poca recomen-

    dava dois ptios: um para os meninos, outro para as

    meninas. As turmas eram mistas, mas o convvio evi-

    tado tanto quanto possvel. Regulava-se o compri-

    mento das saias, que algumas colegas enrolavam sor-

    rateiramente na cintura. Afinal, a moda era a mni...

    Discos recm-lanados de Roberto Carlos e dos

    Beatles animavam o intervalo maior, colocados na vi-

    trola reivindicada e conseguida pelo centro estudantil.

    Volta e meia aparecia um jornalzinho dos estudantes,

    de corpo editorial instvel e de vida curta.

    Como esquecer, ainda, as figuras dos nossos ins-

    petores de alunos? Seu Alpio, baixinho e bravo, voci-

    ferando por nada; dona Gladyr, apelidada de Arco-ris

    por conta das roupas multicoloridas; dona Gervsia, a

    mais velha funcionria da escola, contadora de

    causos; Albertina, moa vigilante e de poucas pala-

    vras, encarregada do porto de entrada das meninas.

    Na cantina, os trs irmos proprietrios (os trs mos-

    queteiros ou os trs patetas?, brincvamos) atendiam

    a todos com desenvoltura e bom humor. E, por todo

    lado, as criaturas mais antigas e venerveis: os

    flamboyants copados, os pltanos, as duas figueiras.

    Provavelmente ainda todas vivas, florescendo.

    De clique em clique armou-se na tela do mo-

    nitor, em grande angular, a imagem da preciosa e ve-

    lha biblioteca da escola. Sim, tinha bibliotecria: uma

    senhora idosa e prestativa, sempre perfumada, rigo-

    rosa na disciplina: dona Augusta, de hbitos e gosto

    conservadores. Na sua biblioteca no entrava esse

    tal de Sartre, francs ateu e comunista que desen-

    caminha a juventude. Recomendava-nos Coelho

    Netto e Olavo Bilac, Machado de Assis e Euclides da

    Cunha, e parava por a: nenhum entusiasmo pelos

    modernos. Mas l estavam Bandeira, Drummond,

    Clarice, Graciliano, Guimares Rosa, que amos des-

    cobrindo aos poucos. A biblioteca tinha algumas pre-

    ciosidades do sculo XIX, encadernadas e dispos-tas nas prateleiras mais altas.

    Ah, a educao fsica... Luxos dos luxos: um gi-

    nsio de esportes, com boa quadra e pequena arqui-

    bancada, e um campo gramado de futebol, com traves

    oficiais e rede, instalada apenas nos jogos importan-

    tes. Lembro-me quando a seleo da escola recebeu

    o time do Seminrio Presbiteriano, uns jovens educa-

    dssimos, diante dos quais parecamos uns trogloditas.

    Pois nos deram uma goleada, com todo o respeito.

    Nosso comentrio ressentido: Mas tambm esses caras vivem concentrados...

    Velha escola. Por ironia, a tecnologia moderna

    me leva ao passado e materializa reminiscncias que

    pareciam condenadas pura e desmaiada memria.

    Ao som das msicas daquela poca, as jovens cole-

    gas continuam moas e bonitas, e os rapazes en-

    saiam seus flertes... Palavras antigas. Mas est tudo

    l: no site do colgio, aberto participao de moos

    e velhos, histria organizada de uma dcada perdida

    no sculo XX. Lembrei-me agora de uma cena do fil-me Sociedade dos poetas mortos. O professor leva

    seus corados alunos a um saguo da escola, onde

    esto fotos amareladas de alunos de outrora, que j

    nem esto neste mundo. Aos moos atentos quelas

    imagens pergunta o professor: Sabe o que dizem esses jovens das fotos? Dizem: carpe diem, em latim.

    Ou: aproveita bem o dia que passa.

    (Rinaldo Antero da Cruz, indito)

  • PUCCAMP-14-Prova Geral 3

    1. Compreende-se corretamente que o autor,

    (A) desafiado por antigo colega em iniciativa pioneira, descreve no texto, com sensvel riqueza de detalhes, as atividades que, para ele prprio, foram bem-suce-didas durante seu tempo de colgio.

    (B) sabendo que seu colega tinha feito pesquisa bas-

    tante rica, visita o site do colgio e compe o texto para, com afetuosa solidariedade, comprovar o ca-rter srio e rigoroso das pginas virtuais.

    (C) se valendo de um instrumento impensvel em seu

    tempos de colgio, tem a oportunidade de vivenciar, com delicado encantamento, lembranas que sons e imagens revigoraram.

    (D) embalado pelo fascnio da tecnologia, busca com cu-

    riosidade entusiasmada usar seus recursos na criao de um mundo que, em sua virtualidade, lhe mais prazeroso do que a experincia realmente vivida.

    (E) se movendo no terreno da memria, usa a observa-

    o o