VIAGEM ESPÍRITA

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Allan Kardec / Evandro Noleto Bezerra

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  • Viagem Esprita em 1862 de Allan Kardec Pgina 2

    Contedo

    Nota do Tradutor ........................................................................................................................... 3

    Resposta de Allan Kardec ao Convite dos Espritas de Lyon e de Bordeaux ................................ 5

    VIAGEM ESPRITA EM 1862

    Impresses Gerais .......................................................................................................................... 9

    Discursos Pronunciados nas Reunies Gerais dos Espritas de Lyon e Bordeaux ........................ 16

    Instrues Particulares dadas aos Grupos em Resposta a algumas das Questes Propostas ..... 33

    Projeto de Regulamento para uso dos Grupos e Pequenas Sociedades Espritas ................. 44

    APNDICE E OUTRAS VIAGENS DE KARDEC

    VIAGEM ESPRITA EM 1860

    Resposta de Allan Kardec durante o Banquete que lhe foi Oferecido pelos Espritas de Lyon .. 49

    O Espiritismo em Lyon .................................................................................................................. 56

    VIAGEM ESPRITA EM 1861

    Discurso de Allan Kardec durante o Banquete que lhe foi Oferecido em Lyon .......................... 59

    O Espiritismo em Bordeaux .......................................................................................................... 63

    Discurso de Allan Kardec aos Espritas de Bordeaux ................................................................... 65

    VIAGEM ESPRITA EM 1864

    O Espiritismo na Blgica ............................................................................................................... 72

    O Espiritismo uma Cincia Positiva" ......................................................................................... 74

    VIAGEM ESPRITA EM 1867

    Breve Excurso Esprita ................................................................................................................ 80

    Bibliografia ................................................................................................................................... 83

    Contracapa ................................................................................................................................... 84

    http://livroespirita.4shared.com/

  • Viagem Esprita em 1862 de Allan Kardec Pgina 3

    Nota do Tradutor

    A maioria dos espritas conhece as obras bsicas da Doutrina Esprita, especialmente O Livro dos Espritos, repositrio de seus princpios fundamentais, e que Allan Kardec desdobrou nos demais volumes que constituem a Codificao Esprita.

    Muitos, no entanto, ignoram as dificuldades que Kardec enfrentou para que a Doutrina Esprita se tornasse conhecida e praticada naqueles tempos to difceis do sculo XIX, justamente por no compulsarem outros escritos que ele deixou, enfocando de maneira surpreendente suas diretrizes para o Movimento Esprita.

    Os estudiosos que desejarem conhecer os primeiros passos do Movimento Esprita nascente encontraro farto material para suas pesquisas na Revista Esprita de Allan Kardec, notadamente nos volumes referentes a 1860, 1861, 1862, 1864 e 1867, anos em que o Codificador da Doutrina Esprita, aproveitando as frias de vero da Sociedade Esprita de Paris, deslocou-se da capital francesa para visitar algumas cidades do interior da Frana, alcanando, em 1864, Anturpia e Bruxelas, na Blgica.

    Hoje, com o avano da tecnologia e a rapidez dos meios de comunicao, o mundo tornou-se pequeno e acessvel significativa parcela de sua populao. E possvel tomar-se um avio pela manh, em Paris, e chegar no mesmo dia em Braslia. Muito diverso, porm, era o panorama existente na poca de Allan Kardec. Para fazer a sua Viagem Esprita em 1862, o Codificador precisou de quase dois meses para percorrer 693 lguas e visitar cerca de vinte cidades, e isto porque a Frana, na metade do sculo XIX, j possua uma malha ferroviria que cortava o pas em todas as direes e cujos trens trafegavam na incrvel velocidade de 50 quilmetros por hora...

    De todas as viagens de Allan Kardec, realizadas a servio da Doutrina Esprita, a de 1862 foi a mais importante, merecendo dele um opsculo especial, publicado no mesmo ano, riqussimo em observaes sobre o estado do Espiritismo - que ento comemorava o seu quinto aniversrio - e em instrues sobre a formao de grupos e sociedades espritas, afora os conselhos e orientaes que prodigalizava aos adeptos da novel Doutrina.

    E o que buscava Kardec nessas viagens? ele mesmo que no-lo revela em "Impresses Gerais" desta obra "(...) nossa viagem tinha um duplo objetivo: dar instrues onde estas fossem necessrias e, ao mesmo tempo, nos instruirmos. Queramos ver as coisas com os nossos prprios olhos, para julgar do estado real da Doutrina e da maneira pela qual ela compreendida; estudar as causas locais favorveis ou desfavorveis ao seu progresso, sondar as opinies, apreciar os efeitos da oposio e da crtica e conhecer o julgamento que se faz de certas obras. Estvamos desejosos, sobretudo, de apertar a mo de nossos irmos espritas e de lhes exprimir pessoalmente a nossa mui sincera e viva simpatia, retribuindo as tocantes provas de amizade que nos do em suas cartas; de dar, em nome da Sociedade de Paris, e em nosso prprio nome, em particular, um testemunho especial de gratido e de admirao a esses pioneiros da obra que, por sua iniciativa, seu zelo desinteressado e seu devotamento, constituem os seus primeiros e mais firmes sustentculos, marchando sempre para frente, sem se inquietarem com as pedras que lhes atiram e pondo o interesse da causa acima do interesse pessoal." E, mais adiante, arremata: "Sob vrios pontos de vista, nossa viagem foi muito satisfatria e, sobretudo, muito instrutiva pelas observaes que recolhemos. Se pudessem restar algumas dvidas quanto ao carter irresistvel da marcha da Doutrina e impotncia dos ataques, sobre a sua influncia moralizadora, sobre o seu futuro, o que vimos bastaria para dissip-las."

    Durante todo o tempo em que codificou a Doutrina Esprita, Allan Kardec permitiu-se apenas uma viagem de lazer. i Em agosto de 1864, pouco antes de visitar os espritas de Anturpia e Bruxelas, na Blgica, ele esteve na Sua, demorando-se nas cidades de Neuchtel, Berna, Zimmerwald, Interlaken, Oberland, Friburgo, Lausanne, Vevey e Genebra, conhecendo

  • Viagem Esprita em 1862 de Allan Kardec Pgina 4

    os vales de Lauterbrunnen e Grindelwald, os lagos de Brieutz e Lman, as cachoeiras de Staubach e Giesbach, e o castelo de Chillon. Mesmo assim, e para provar que nunca se furtava ao trabalho, aproveitou a ocasio para observar e estudar in loco o estranho fenmeno de um campons das cercanias de Berna, que gozava da faculdade de descobrir fontes d'gua e ver no fundo de um copo as respostas s perguntas que lhe eram feitas, inclusive imagens de pessoas e lugares.ii

    Era nossa inteno inicial compor este volume apenas com a traduo integral da Viagem Esprita em 1862. Lembrando-nos, contudo, dos discursos pronunciados nas demais viagens que Kardec empreendeu, na Frana e na Blgica, bem como das apreciaes que houve por bem fazer acerca de cada uma delas no seu Jornal de Estudos Psicolgicos, acudiu-nos a idia de agreg-los a este livro, sob a forma de apndice, por guardarem estreita conexo com a matria tratada nesta obra. Todos os textos foram extrados da Ia edio da Revista Esprita, editada pela Federao Esprita Brasileira nos anos de 2004 e 2005.iii

    Braslia (DF), 3 de outubro de 2005 EVANDRO NOLETO BEZERRA

    Tradutor

  • Viagem Esprita em 1862 de Allan Kardec Pgina 5

    Resposta de Allan Kardec ao Convite dos Espritas de Lyon e de

    Bordeauxiv

    Meus caros irmos e amigos espritas de Lyon. Apresso-me em vos dizer o quanto sou sensvel ao novo testemunho de simpatia que

    acabais de dar-me, com o amvel e afetuoso convite para vos visitar ainda este ano. Aceito-o com prazer, porque, para mim, sempre uma felicidade encontrar-me em vosso meio.

    Meus amigos: grande a minha alegria ao ver a famlia crescer a olhos vistos; a mais eloqente resposta aos tolos e ignbeis ataques contra o Espiritismo. Parece que tal crescimento lhes aumenta o furor, porque hoje mesmo recebi uma carta de Lyon, anunciando a remessa de um jornal dessa cidade, La France littraire no qual a Doutrina em geral, e minhas obras em particular, so ridicularizadas de maneira to infamante que me perguntam se devem responder pela imprensa ou pelos tribunais. Digo que devem responder pelo desprezo. Se a Doutrina no fizesse nenhum progresso, se minhas obras no tivessem vingado, ningum se inquietaria e nada diriam. So os nossos sucessos que exasperam os inimigos. Deixemo-los, pois, que dem livre expanso sua raiva impotente, pois essa raiva mostra como sentem prxima a sua derrota; no so to tolos a ponto de lutarem por um aborto. Quanto mais ignbeis forem os seus ataques, menos estes devem ser temidos, porque so desprezados pelas pessoas honestas e provam que aqueles no tm boas razes a opor, uma vez que s sabem dizer injrias.

    Continuai, pois, meus amigos, a grande obra de regenerao, iniciada sob to felizes auspcios, e em breve colhereis os frutos da vossa perseverana. Provai, sobretudo pela unio e pela prtica do bem, que o Espiritismo a garantia da paz e da concrdia entre os homens, e fazei que, em se vos vendo, se possa dizer que seria desejvel que todos fossem espritas.

    Sinto-me feliz, meus amigos, por ver tantos grupos unidos no mesmo sentimento, marchando de comum acordo para o nobre objetivo a que nos propomos. Sendo tal objetivo exatamente o mesmo para todos, no poderia haver divises; uma mesma bandeira deve guiar-vos e nela est escrito: Fora da caridade no h salvao. Ficai certos de que em torno dela que a Humanidade inteira sentir necessidade de se congregar, quando se cansar das l