Vinculação, Temperamento e Processamento da Informação ...ão... · diferentes fontes de informação

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  • Universidade do MinhoInstituto de Educao e Psicologia

    Marina Alexandra Diogo Carvalho

    Vinculao, Temperamento eProcessamento da Informao:Implicaes nas PerturbaesEmocionais e Comportamentais noincio da Adolescncia

    Tese de Doutoramentorea de Conhecimento de Psicologia Clnica

    Trabalho realizado sob a orientao deProfessora Doutora Isabel SoaresProfessor Doutor Amrico Baptista

    Maro de 2007

  • iiDECLARAO

    Nome Marina Alexandra Diogo Carvalho

    Endereo electrnico: marina.carvalho@ulusofona.pt

    Telefone: 21-7515500 (ext. 2202)/ 969041093

    Nmero do Bilhete de Identidade: 8092254

    Ttulo da tese

    Vinculao, temperamento e processamento de informao: Implicaes nas perturbaes

    emocionais e comportamentais no incio da adolescncia

    Orientador(es):

    Professora Doutora Isabel Soares

    Professor Doutor Amrico Baptista Ano de concluso: 2007

    Designao do Mestrado ou do Ramo de Conhecimento do Doutoramento:

    rea de Conhecimento de Psicologia Clnica

    AUTORIZADA A REPRODUO INTEGRAL DESTA TESE APENAS PARA EFEITOS DE

    INVESTIGAO, MEDIANTE DECLARAO ESCRITA DO INTERESSADO, QUE A TAL SE

    COMPROMETE.

    Universidade do Minho, 27/03/2007

    Assinatura: ________________________________________________

  • iii

    Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas no

    esqueo de que minha vida a maior empresa do mundo. E que posso

    evitar que ela v falncia.

    Ser feliz reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios,

    incompreenses e perodos de crise.

    Ser feliz deixar de ser vtima dos problemas e se tornar autor da prpria

    histria. atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um

    osis no recndito da sua alma. agradecer a Deus a cada manh pelo

    milagre da vida.

    Ser feliz no ter medo dos prprios sentimentos. saber falar de si mesmo.

    ter coragem para ouvir um no. ter segurana para receber uma

    crtica, mesmo que injusta.

    Pedras no caminho?

    Guardo todas, um dia vou construir um castelo...

    "A felicidade exige valentia", Fernando Pessoa.

  • iv

    minha famlia

  • v

    Professora Doutora Isabel Soares

    Ao Professor Doutor Amrico Baptista

  • vi

    Agradecimentos

    A finalizao deste trabalho devida, em grande parte, ao esforo de muitas pessoas que, de forma

    directa ou indirecta, contribuiram significativamente para a sua realizao.

    Professora Doutora Isabel Soares, pela excelncia da sua orientao, pela confiana,

    disponibilidade, e capacidade constante de motivao mas, tambm, por todas as

    oportunidades que me tem dado, ao longo do tempo, para pr prova os conhecimentos

    que fui adquirindo, com base no seu conhecimento e nos seus esclarecimentos.

    Ao Professor Doutor Amrico Baptista, pela sua disponibilidade para, uma vez mais, me orientar, e por

    todas as oportunidades que, ao longo dos ltimos 13 anos de trabalho dirio, me ofereceu,

    contribuindo significativamente para a minha evoluo profissional e pessoal.

    Ao Professor Doutor Francisco Esteves, pela sua pacincia para esclarecer as minhas dvidas, pela sua

    confiana nas minhas capacidades para desenvolver investigao na rea do processamento

    de informao mas, tambm, pelo apoio que me prestou quando iniciei o trabalho nesta rea,

    sem o qual dificilmente teria ultrapassado esta etapa.

    Ao Professor Doutor Gary Resnick, pela sua disponibilidade para vir a Portugal fazer a formao de

    tcnicos na administrao e cotao de uma das entrevistas utilizadas no trabalho.

    Professora Doutora Cecilia Essau, pela sua disponibilidade para colaborar e pela sua confiana nas

    minhas capacidades.

    Professora Doutora Filomena Gaspar pelo apoio prestado seleco de algumas das medidas com

    vista operacionalizao dos constructos em estudo. Ao Professor Doutor Joo Moreira, pelos

    comentrios efectuados a um dos trabalhos em preparao para publicao.

    Aos Drs. John Klein, Nuno Colao, Paulo Sargento dos Santos e Pedro Dias, pela sua colaborao na

    anlise da validade de contudo da medida de avaliao da vinculao, desenvolvida no

    mbito do presente estudo.

    Ao Servio de Psiquiatria do Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio (E.P.E.), na pessoa do seu

    Director, Mestre David Estevens, pelo seu empenho no apoio recolha de dados para a

    presente investigao e pelo seu cuidado em assegurar as condies adequadas, necessrias

    execuo das tarefas. Ainda, Dra. Vernica Ferreira, pelo modo, extremamente eficiente,

    como apoiou a recolha de dados e, em particular, Raquel e Llia, pelo modo to prestvel

    como fui recebida.

    Dra. Ana Cruz Pereira e Mestre Margarida Dias, por todo o apoio que me deram, em particular na

    cotao das entrevistas utilizadas neste trabalho e pela sua disponibilidade para apoiar a

    recolha de dados.

    Ao Mestre Miguel Faria, colega de muitos anos, pela disponibilidade para me esclarecer toda e

    qualquer dvida a propsito dos aspectos estatsticos deste, e de muitos outros, trabalhos de

    investigao.

  • vii

    s Professoras Doutoras Sara Ibrico Nogueira, Margarida Gaspar de Matos e Anabela Pereira, pelos

    incentivos que, ao longo do tempo, me tm dado, incentivando-me a atingir os meus

    objectivos.

    Cristina, por todo o apoio concedido nos arranjos grficos do trabalho e pela sua prontido para

    conseguir o impossvel.

    minha irm Sofia e ao Z David, por toda a pacincia que tiveram para fazer a reviso dos textos e

    pelas valiosas indicaes em relao a alguns aspectos do trabalho. A eles e, tambm, ao

    Joo, Margarida e Carla, Susana e ao Nuno, pelo carinho e apoio incondicional e pela

    sua tendncia para verem o lado positivo do que parece irresolvel. Ao Z David tenho, ainda,

    que agradecer, em particular, a sua capacidade para estar presente, mesmo que, por vezes,

    distncia, nos momentos mais difceis.

    A todos os jovens e progenitores que participaram no estudo, sem o contributo dos quais este trabalho

    ter-se-ia tornado mais difcil.

    Esta investigao foi suportada por uma Bolsa de Doutoramento atribuida pela Fundao para a

    Cincia e Tecnologia (SFRH/BD/18373/2004), do Ministrio da Cincia e Ensino Superior.

  • viii

    Vinculao, Temperamento e Processamento da Informao: Implicaes nas Perturbaes

    Emocionais e Comportamentais no incio da Adolescncia

    Resumo

    As perturbaes emocionais e comportamentais na infncia e adolescncia so bastante frequentes

    e, particularmente relevantes, dada a sua interferncia no funcionamento psicosocial. O estudo dos

    factores relacionados com as perturbaes emocionais e comportamentais nestas etapas tem

    mostrado que um nmero significativo de variveis influenciam de forma determinante o seu

    desenvolvimento, manuteno e modificao. No entanto, apenas alguns estudos elaborados com o

    objectivo de analisar o seu efeito sobre o desenvolvimento e manuteno destas perturbaes

    abordaram a complexidade das relaes entre estes factores. Assim, estudos empricos, teoricamente

    baseados, com vista identificao dos diferentes factores relacionados com as diferentes

    trajectrias desenvolvimentais das perturbaes emocionais e comportamentais, so da maior

    relevncia. Foi objectivo geral do presente trabalho o estudo das relaes entre a vinculao, o

    temperamento e os enviesamentos no processamento de informao com os problemas emocionais

    e comportamentais no incio da adolescncia.

    Numa primeira fase, foi criada e testada, em duas amostras independentes, uma medida de auto e

    hetero-avaliao da vinculao na infncia e adolescncia, o Inventrio sobre a Vinculao na

    Infncia e Adolescncia (IVIA). Num primeiro estudo, com vista ao desenvolvimento dos itens e anlise

    das qualidades psicomtricas das duas verses, participaram 577 jovens, 269 do sexo masculino e 308

    do sexo feminino, com idades compreendidas entre os 7 e os 17 anos, e um dos progenitores. Os

    resultados mostraram um construto tridimensional parcialmente correlacionado, vinculao segura,

    ansiosa/ambivalene e evitante, com valores de fidelidade adequados. As relaes entre o IVIA e os

    auto-relatos do temperamento, ansiedade social e respostas socialmente desejveis, suportaram a

    validade de construto da medida. A validade discriminante, obtida pela comparao das respostas

    dos jovens com a sua classificao nas categorias de vinculao segura e insegura, atravs da

    medida de Hazan e Shaver (1987) apresentou valores aceitveis. Um segundo estudo analisou a

    invarincia da estrutura factorial anteriormente obtida na verso de auto-avaliao, atravs de

    anlises factoriais confirmatrias. Foi estudada uma amostra de 320 jovens de ambos os sexos, com

    idades compreendidas entre os 10 e os 17 anos. Os resultados obtidos pelas anlises factoriais

    confirmatrias mostraram a adequao da estrutura tridimensional correlacionada representao

    da natureza multidimensional do construto, em comparao com uma estrutura hierrquica.

    Posteriormente, e com vista ao teste das hipteses subjacentes ao objectivo geral da investigao, foi

    estudada uma amostra de 147 jovens clinicamente referenciados, 67 do sexo masculino e 80 do sexo

    feminino, com idades compreendidas entre os 11 e os 15 anos (M = 12.09; DP = 1.01), e um dos

    progenitores. O protocolo de investigao foi constituido de forma a permitir a recolha de dados em

    diferentes fontes de informao (jovens, progenitores, observadores) e em diferentes domnios

    (entrevistas, auto e hetero-avaliaes, tarefas) no que respeita ao temperamento, vinculao,

    processamento de informao e perturbae