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Visao historica

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  • 1Viso histrica

    MINISTRIO DA EDUCAOSECRETARIA DE EDUCAO ESPECIAL

    Braslia 2005

    Garantindo acesso e permannciade todos os alunos na escola

    Necessidades educacionaisespeciais dos alunos

  • FICHA TCNICA

    Departamento de Polticas de Educao Especial:Cludia Maffini Griboski

    Coordenao de Articulao da Poltica de Incluso:Denise de Oliveira Alves

    Coordenao:SORRI-BRASIL

    Elaborao:Maria Salete Fbio Aranha

    Reviso tcnica:Francisca Roseneide Furtado do Monte e Denise de Oliveira Alves

    Atualizao:Equipe tcnica da SEESP

    Projeto grfico, reviso e copidesque:Alexandre Ferreira

    2 edio - 2005Tiragem: 1.200 exemplares

    Autorizada reproduo total ou parcial, desde que citada a fonte.

    Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)Centro de Informao e Biblioteca em Educao (CIBEC)

    Aranha, Maria Salete FbioProjeto Escola Viva : garantindo o acesso e permanncia de to-

    dos os alunos na escola : necessidades educacionais especiais dosalunos / Maria Salete Fbio Aranha. - Braslia : Ministrio da Educao,Secretaria de Educao Especial, 2005.

    5 v. : il. color.

    Publicado em 5 v.: Iniciando nossa conversa; v. 1 - Viso histrica;v.2: Deficincia no contexto escolar; v.3: Sensibilizao e convivncia;v. 4: Construindo a escola inclusiva.

    1. Incluso educacional. 2. Escola inclusiva. 3. Servio educacio-nal especializado. 4. Aluno com necessidades especiais. 5. Atendimen-to especializado. I. Brasil. Secretaria de Educao Especial. II. Ttulo.

    CDU: 37.014.53:376

  • O Processo Histrico de Construo de um SistemaEducacional Inclusivo no Brasil........................................Antigidade........................................................................Idade Mdia.......................................................................Do sculo XVI aos dias de hoje.......................................Paradigma da Institucionalizao......................................Paradigma de servios.....................................................Paradigma de suporte.......................................................Consideraes importantes..............................................Revendo nossa histria de relaes com a pessoacom deficincia.............................................................Fatos marcantes na Educao Especial do Brasil...........Fatos e eventos internacionais.........................................Referncias bibliogrficas.................................................

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    12

    13182023

    25334850

    Sumrio

  • 5Para compreender mais amplamente esse processohistrico h que se conhecer os muitos caminhos j trilhadospelo homem ocidental em sua relao com a parcela da po-pulao constituda pelas pessoas com necessidades educa-cionais especiais.

    A histria da ateno pessoa com necessidades edu-cacionais especiais tem se caracterizado pela segregao,acompanhada pela conseqente e gradativa excluso, sobdiferentes argumentos, dependendo do momento histrico fo-calizado.

    No decorrer da Histria da Humanidade foram se di-versificando a viso e a compreenso que as diferentessociedades tinham acerca da deficincia.

    A forma de pensar e por conseqncia a forma deagir com relao deficincia enquanto fenmeno e pes-soa com necessidades educacionais especiais enquantoser, modificaram-se no decorrer do tempo e das condi-es scio-histricas.

    Vamos, ento, trilhar um pouco desse caminho, procu-rando focalizar a relao entre sociedade e deficincia nocontexto da organizao econmica vigente, da organi-zao sociopoltica, e dos conceitos de homem, de educa-o e de deficincia que constituam o pensar de cada poca.

    O processo histrico de construo de umSistema Educacional Inclusivo no Brasil

  • 6 importante lembrarmo-nos de que termos tais comodeficincia, deficiente, portador de deficincia e porta-dor de necessidades especiais surgiram bem recentemente,j no sculo XX.

    Assim, quando estivermos nos referindo a perodos his-tricos anteriores, usaremos, muitas vezes, vocbulos queatualmente so considerados tcnica e/ou politicamente in-corretos, mas que eram os termos ento utilizados.

    Praticamente no se dispe de dadosobjetivos registrados a respeito de como secaracterizava a relao entre sociedade e de-ficincia nos meados da vida cotidiana emRoma e na Grcia Antigas. Pode-se, entretan-to, encontrar, na literatura da poca, bem como

    na Bblia, passagens que permitem inferir sobre sua naturezae procedimentos.

    A economia desses pases, na Antigidade, se funda-mentava nas atividades de produo e de comrcio agrcola,pecurio e de artesanato.

    Por outro lado, a organizao sociopoltica se funda-mentava no poder absoluto de uma minoria, associada ab-soluta excluso dos demais das instncias decisrias e admi-nistrativas da vida em sociedade. Caracterizava-se, essencial-

    Antigidade

  • 7mente, pela existncia de dois agrupamentos sociais: o danobreza - senhores que detinham o poder social, poltico eeconmico, e o populacho - considerados sub humanos, de-pendentes economicamente e propriedade dos nobres.Assim, ironicamente, era o povo que trabalhava e que produ-zia, mas era a nobreza que usufrua os produtos, tanto direta-mente, como de sua comercializao. A essa populao tra-balhadora eram destinadas somente as sobras, indesejadaspela nobreza. Nesse contexto, a vida de um homem s tinhavalor medida que este lhe fosse concedido pela nobreza,em funo de suas caractersticas pessoais ou em funo dautilidade prtica que ele representasse para a realizao deseus desejos e atendimento de suas necessidades.

    Nesse contexto, a pessoa diferente, com limitaesfuncionais e necessidades diferenciadas1 , era praticamenteexterminada por meio do abandono, o que no representavaum problema de natureza tica ou moral. A Bblia traz refe-rncias ao cego, ao manco e ao leproso - a maioria dos quaissendo pedintes ou rejeitados pela comunidade, seja pelo medode doena, seja porque se pensava que eram amaldioadospelos deuses. Kanner (1964) relatou que a nica ocupaopara os retardados mentais encontrada na literatura antiga a de bobo ou de palhao, para a diverso dos senhores e deseus hspedes (p. 5).

    1. Surdos, cegos, deficientes mentais, deficientes fsicos, rfos, doentesidosos, dentre outros.

  • 8Nesse perodo, a economia (no mundo oci-dental) pouco mudou, continuando baseada ematividades de pecuria, artesanato e agricultura.

    Por outro lado, houve uma significativamudana na organizao poltico-administra-

    tiva. O advento do cristianismo, com a conseqente consti-tuio e fortalecimento da Igreja Catlica, alou gradativamen-te ao cenrio poltico um novo segmento: o clero. Seus mem-bros foram assumindo cada vez maior poder social, poltico eeconmico, provenientes do poder maior que detinham de ex-comungar (vedando, assim, a entrada aos cus) aqueles que,por razes mais ou menos justas, os desagradassem. Toman-do tambm a si a guarda do conhecimento j produzido earmazenado, conquistaram rapidamente o domnio das aesda nobreza, tendo, dessa forma, passado a comandar toda asociedade. Ao povo, da mesma forma que no perodo anteri-or, permanecia o nus de todo o trabalho, seja na produode bens e servios, na constituio dos exrcitos, como noenriquecimento do clero e da nobreza, sem a prerrogativa departicipar dos processos decisrios e administrativos da soci-edade.

    Pessoas doentes, defeituosas e/ou mentalmenteafetadas (provavelmente deficientes fsicos, sensoriais ementais), em funo da assuno das idias crists, no maispodiam ser exterminadas, j que tambm eram criaturas deDeus. Assim, eram aparentemente ignoradas prpria sor-

    Idade Mdia

  • 9te, dependendo, para sua sobrevivncia, da boa vontade e cari-dade humana. Da mesma forma que na Antigidade, alguns con-tinuavam a ser aproveitados como fonte de diverso,como bobos da corte, como material de exposio, etc.

    No sculo XIII comearam a surgir instituies paraabrigarem deficientes mentais, e as primeiras legislaes so-bre os cuidados a tomar com a sobrevivncia e, sobretudo,com os bens dos deficientes mentais, como os constantes doDe Prerrogativa Regis baixado por Eduardo II da Inglaterra(Dickerson, 1981, em Pessotti, 1984).

    A educao, nessa poca, tinha duasvertentes de objetivos: uma, de natureza reli-giosa, visava formar elementos para o clero.Outra, caracterizada por objetivos especfi-cos diferenciados, dependendo do local e dos

    valores assumidos pela sociedade, variando de formao paraa guerra, at a formao para as artes.

    Devido s conseqncias desse modelo de funciona-mento da sociedade, dois importantes e decisivos processosinstalaram-se e se sucederam, no transcorrer de cinco scu-los, a partir do sculo XII, com momentos de maior ou menortenso e gravidade: a Inquisio Catlica e a Reforma Pro-testante.

    Dado o poder adquirido pela Igreja Catlica no decorrerdos anos, foi-se instalando uma situao generalizada de abu-so e de manifestao de inconsistncia entre o discurso reli-gioso e as aes de grande parte do clero. Discordantes den-

  • 10

    tro da prpria Igreja, bem como fora dela, passaram a semanifestar cada vez mais ampla e veementemente. A disse-minao de tal processo passou a colocar em risco o poderpoltico e econmico da Igreja. Na tentativa de se proteger de talinsatisfao e das manifestaes, a Igreja iniciou um dos pero-dos mais negros e tristes da Histria da Humanidade: o daperseguio, caa e extermnio de seus dissidentes, sobo argumento de que eram hereges, ou endemoninhados.

    H, inclusive, documentos papais de-terminando os procedimentos a serem ado-tados pelo clero para identificarem essaspessoas e junto a elas tomarem providnci-

    as, tais como torturas e outras punies severas, que inclu-am at a morte pela fogueira. Documentos da Igreja, que ti-nham a funo de orientar os membros do clero para identifica-rem e interrogarem os suspeitos de heresia, eram claramenteameaadores e perigosos para as pessoas com deficincia, edentre essas, especialmente para as pessoas com deficinciamental. As pessoas com deficincia, entretanto, no eram asnicas a sofrerem perseguies, torturas e exterminao. To-dos os que de alguma forma discordavam das aes do clero,bem como inimigos pessoais, especialmente os que dispunhamde posses, foram sendo atingidos, num movimento crescenteto caracterstico de todo comando totalitrio e autoritrio.

    A indignao diante de tal situao culminou na ciso2

    ocorrida dentro da prpria Igreja. Martinho Lutero, liderando

    2. Diviso, separao.

  • 11

    os membros do clero que rejeitavam tal situao e pretendiam oretorno uma consistncia entre o discurso e a prtica cristos,separou-se formalmente da Igreja Catlica e formou uma novaigreja, a qual, desde seu incio, caracterizou-se por padresopostos aos que se haviam tornado prticas comuns. A esseprocesso, chamou-se Reforma Protestante.

    Era de se esperar que, nesse processo, a situao me-lhorasse para as pessoas com deficincia. Entretanto, a rigi-dez tica carregada da noo de culpa e responsabilidadepessoal conduziu a uma marcada intolerncia, cuja explica-o ltima reside na viso pessimista do homem, entendidocomo uma besta demonaca, quando lhe venha a faltar a ra-zo ou a ajuda divina. o que Pintner (1933) chamou de pocados aoites e das algemas na histria da deficincia mental.O homem o prprio mal, quando lhe falece a razo ou lhefalte a graa celeste a iluminar-lhe o intelecto: assim, demen-tes e amentes so, em essncia, seres diablicos. (Pessotti,1984, p. 12).

    Assim, constata-se que, conquanto na Antigidade apessoa diferente no era sequer considerada ser humano, noperodo medieval, a concepo de deficincia passou a sermetafsica3 , de natureza religiosa, sendo a pessoa com de-ficincia considerada ora demonaca, ora possuda pelo de-mnio, ora expiador de culpas alheias, ou um aplacador daclera divina a receber, em lugar da aldeia, a vingana celes-te, como um pra-raios... (Pessotti, 1984, p.5-6).

    3. Sobrenatural.

  • 12

    _Voc conhece, ou j conversou com algum que tem umaconcepo metafsica da deficincia?

    _Algum que pense que a deficincia um castigo de Deus,ou a expiao de alguma culpa?

    _E voc, o que pensa?

    Vrias foram as mudanas ocorridas nesse perodo,tanto em termos das estruturas social, poltica e econmicada sociedade, como nas concepes filosficas assumidasna leitura e anlise sobre a realidade.

    A Revoluo Burguesa, uma revoluo que se deu,na realidade, no mbito das idias, derrubou as monarqui-as, destruiu a hegemonia religiosa, e implantou uma novaforma de produo: o capitalismo mercantil, que foi a pri-meira forma de capitalismo. Iniciou-se, nesse contexto, a for-mao dos estados modernos, os quais passaram a funcio-nar com uma nova diviso social do trabalho: os donos dosmeios de produo e os operrios, os quais passaram a vivercom a venda de sua fora de trabalho.

    No que se refere deficincia, comearam a surgirnovas idias, referentes sua natureza orgnica, produto decausas naturais. Assim concebida, passou tambm a ser tra-tada por meio da alquimia, da magia e da astrologia, mto-dos da ento iniciante medicina, processo importante do s-culo XVI.

    Do sculo XVI aos dias de hoje

  • 13

    O sculo XVII foi palco de novos avanos no conheci-mento produzido na rea da Medicina, o que fortaleceu a teseda organicidade4, e ampliou a compreenso da deficinciacomo processo natural. Segundo Pessotti (1984), JohnLocke props, em sua obra Essay Concerning Human Unders-tanding (1690), que o homem, ao nascer, uma tbula rasa,ou seja, um ser absolutamente vazio de informaes e deexperincias. Segundo o autor, sua mente vai se preenchen-do com a experincia, fundamento de todo o saber.

    Enquanto que a tese da organicidade favoreceu osurgimento de aes de tratamento mdico das pessoascom deficincia, a tese do desenvolvimento por meio daestimulao encaminhou-se, embora muito lentamente, paraaes de ensino, o que vai se desenvolver definitivamentesomente a partir do sculo XVIII.

    Entendendo-se por paradigma o conjunto de idias,valores e aes que contextualizam as relaes sociais, ob-serva-se que o primeiro paradigma formal a caracterizar arelao da sociedade com a parcela da populao constitu-da pelas pessoas com deficincia foi o denominado Paradig-ma da Institucionalizao.

    4. A tese da organicidade defende que as deficincias so causadas porfatores naturais e no por fatores espirituais, transcendentais.

    Paradigma da Institucionalizao

  • 14

    Conventos e asilos, seguidos pelos hospitais psiqui-tricos, constituram-se em locais de confinamento, em vez delocais para tratamento das pessoas com deficincia. Na rea-lidade, tais instituies eram, e muitas vezes ainda o so, pou-co mais do que prises.

    A Medicina foi evoluindo, produzindo e sistematizandonovos conhecimentos; outras reas de conhecimento tambmforam se delineando, acumulando informaes acerca da de-ficincia, de sua etiologia, seu funcionamento e seu tratamento.Entretanto, esse paradigma permaneceu nico por mais de500 anos, sendo, ainda hoje, encontrado em diferentes pa-ses, inclusive no nosso.

    Caracterizou-se, desde o incio, pela retirada das pes-soas com deficincia de suas comunidades de origem e pelamanuteno delas em instituies residenciais segregadasou escolas especiais, freqentemente situadas em localida-des distantes de suas famlias.

    Somente no sculo XX, por volta de 1960, que o Pa-radigma da Institucionalizao comeou a ser criticamenteexaminado.

    Erving Goffman publicou, em 1962, o livro Asylums5,trabalho que se tornou uma obra clssica de anlise das carac-tersticas e efeitos da institucionalizao para o indivduo. Suadefinio de Instituio Total amplamente aceita, at hoje:

    5. Ttulo em portugus: Manicmios, Prises e Conventos. Foi publicado emSo Paulo, SP, pela T.A. Queiroz Editor Ltda.

  • 15

    um lugar de residncia e de trabalho, onde um grande n-mero de pessoas, excludas da sociedade mais ampla, porum longo perodo de tempo, levam juntas uma vida enclau-surada e formalmente administrada (Goffman, 1962, XIII).

    Assim, muitos foram os autores que publicaram estudosenfocando a Institucionalizao. A maioria dos artigos apresentauma dura crtica a esse paradigma e sistema, baseando-seem dados que revelam sua inadequao e ineficincia pararealizar aquilo a que seu discurso se prope a fazer: favore-cer a preparao, ou a recuperao das pessoas com neces-sidades educacionais especiais para a vida em sociedade.

    Vail (1966) enfatizou, por exemplo,no contexto institucional, a prtica de de-mandas irrealistas, na maioria das vezes

    inconsistentes com as caractersticas e exign-cias do mundo externo. Tal contexto torna a

    pessoa incapaz de enfrentar e de administrar o viver emsociedade.

    Voc conhece ou j conversou com algum:

    _Que acha que a deficincia uma doena?_Que acredita que a deficincia contagiosa?_Que acha que pessoas com deficincia ficam melhor

    atendidas em uma Instituio Especializada ou escolasespecializadas?

    _Que tem medo de interagir com uma pessoa com defi-cincia?

    _E voc, o que pensa?

  • 16

    O questionamento e a presso contrria Instituciona-lizao, que se vinham acumulando desde fins da dcada de50, provinham de diferentes direes, motivados pelos maisdiversos interesses.

    Primeiramente, tinha-se o interesse do sistema, aoqual custava cada vez mais manter a populao instituci-onalizada, na improdutividade e na condio crnica de se-gregao; assim, tornava-se interessante o discurso da auto-nomia e da produtividade, para a administrao pblica dospases que se adiantavam no estudo do sistema de atenoao deficiente.

    Por outro lado, h que se lembrar que a dcada de 60marcou-se, intensa e fortemente, por um processo geral dereflexo e de crtica sobre os direitos humanos e, mais es-pecificamente, sobre os direitos das minorias, sobre a liber-dade sexual, os sistemas e organizao poltico-econmica eseus efeitos na construo da sociedade e da subjetividadehumana, na maioria dos pases ocidentais.

    Somando-se a esses, ocupava o cenrio da poca acrescente manifestao de duras crticas, por parte da aca-demia cientfica e de diferentes categorias profissionais,ao paradigma da Institucionalizao.

    interessante lembrar que nessapoca o capitalismo, no mundo ocidental,j tinha se movimentado de mercantil paracomercial, encaminhando-se para o capita-lismo financeiro. Assim, interessava aumen-

  • 17

    tar a produo e a diminuio do custo e do nus populacional6,tornando ativa toda e qualquer mo de obra possvel. Fazia-se tambm importante diminuir o custo social rapidamente,diminuindo os gastos pblicos e aumentando, assim, a mar-gem de lucro dos capitalistas. Esses interesses, de naturezapoltico-administrativa, favoreceram a acelerao e o cresci-mento do movimento.

    Tais processos, embora diversos quanto sua nature-za e motivao, convergiram determinando em seu conjunto,a reformulao de idias e a busca de novas prticas no tratoda deficincia.

    A dcada de 60 do sculo XX tornou-se, assim, mar-cante pela relao da sociedade com a pessoa com necessi-dades educacionais especiais, incluindo s com deficincia.Dois novos conceitos passaram a circular no debate social:normalizao e desinstitucionalizao.

    Considerando que o paradigma tradicional de insti-tucionalizao tinha demonstrado seu fracasso na buscade restaurao de funcionamento normal do indivduo nocontexto das relaes interpessoais, na sua integraona sociedade e na sua produtividade no trabalho e noestudo, iniciou-se, no mundo ocidental, o movimento peladesinstitucionalizao, baseado na ideologia da normali-zao, que defendia a necessidade de introduzir a pessoacom necessidades educacionais especiais na sociedade,

    6. ndice obtido pelo clculo de quantas pessoas encontram-se sob o encar-go de cada pessoa economicamente ativa, no sistema de produo.

  • 18

    procurando ajud-la a adquirir as condies e os padresda vida cotidiana, no nvel mais prximo possvel do nor-mal.

    Ao se afastar do Paradigma da Institucionalizao eadotar as idias de Normalizao, criou-se o conceito de in-tegrao, que se referia necessidade de modificar a pes-soa com necessidades educacionais especiais, de formaque esta pudesse vir a se assemelhar, o mais possvel, aosdemais cidados, para ento poder ser inserida, integrada,ao convvio em sociedade.

    Assim, integrar significava localizar no sujeito o alvoda mudana, embora para tanto se tomasse como necess-rio a efetivao de mudanas na comunidade. Entendia-se,ento, que a comunidade tinha que se reorganizar para ofere-cer s pessoas com necessidades educacionais especiais,os servios e os recursos de que necessitassem para viabi-lizar as modificaes que as tornassem o mais normaispossvel.

    A esse modelo de ateno pessoa com deficinciase chamou Paradigma de Servios. Este se caracterizou pelaoferta de servios, geralmente organizada em trs etapas:

    _a primeira, de avaliao, em que uma equipe de profissi-onais identificaria tudo o que, em sua opinio, necessitaria

    Paradigma de Servios

  • 19

    ser modificado no sujeito e em sua vida, de forma a torn-loo mais normal possvel;

    _a segunda, de interveno, na qual a equipe passaria aoferecer (o que ocorreu com diferentes nveis de compro-misso e qualidade, em diferentes locais e entidades), pes-soa com deficincia, atendimento formal e sistematizado,norteado pelos resultados obtidos na fase anterior;

    _a terceira, de encaminhamento (ou reencaminhamento) dapessoa com deficincia para a vida na comunidade.

    A manifestao educacional desse paradigma efetivou-se, desde o incio, nas escolas especiais, nas entidades as-sistenciais e nos centros de reabilitao.

    Como j vimos anteriormente, o Paradigma da Insti-tucionalizao se manteve sem contestao por vrios s-culos. O Paradigma de Servios, entretanto, iniciado por voltada dcada de 60, logo comeou a enfrentar crticas. Dessavez, provenientes da academia cientfica e das prprias pes-soas com deficincia, j organizadas em associaes e ou-tros rgos de representao.

    Parte delas provenientes de reais dificuldades encon-tradas no processo de busca de normalizao da pes-soa com deficincia. Diferenas, na realidade, no se apa-gam, mas sim, so administradas na convivncia social.

    Outra crtica importante referia-se expectativa de quea pessoa com deficincia se assemelhasse ao no deficien-te, como se fosse possvel ao homem o ser igual, e comose ser diferente fosse razo para decretar sua menor va-

  • 20

    lia enquanto ser humano e ser social. Aliado a esse proces-so, intensificava-se o debate de idias acerca da deficincia eda relao da sociedade com as pessoas com deficincia.

    Em funo de tal debate, a idia da normalizao co-meou a perder fora. Ampliou-se a discusso sobre o fato de apessoa com necessidades educacionais especiais ser umcidado como qualquer outro, detentor dos mesmos direi-tos de determinao e de uso das oportunidades dispo-nveis na sociedade, independentemente do tipo de defi-cincia e do grau de comprometimento que apresentem.

    De modo geral, assumiu-se que pessoas com defici-ncia necessitam, sim, de servios de avaliao e de ca-pacitao oferecidos no contexto de suas comunidades. Mastambm, que estas no so as nicas providncias ne-cessrias, caso a sociedade deseje manter com essa parce-la de seus constituintes uma relao de respeito, de honesti-dade e de justia.

    Cabe tambm sociedade se reorganizar de forma agarantir o acesso de todos os cidados (inclusive os quetm uma deficincia) a tudo o que a constitui e caracteriza,independentemente das peculiaridades individuais.

    Foi fundamentado nessas idias que surgiu o terceiroparadigma, denominado Paradigma de Suporte. Ele tem se

    Paradigma de Suporte

  • 21

    caracterizado pelo pressuposto de que a pessoa com defici-ncia tem direito convivncia no segregada e ao aces-so imediato e contnuo aos recursos disponveis aos de-mais cidados. Para tanto, fez-se necessrio identificar o quepoderia garantir tais circunstncias.

    Foi nessa busca que se desenvolveu o processo dedisponibilizao de suportes, instrumentos que garantam pessoa com necessidades educacionais especiais o aces-so imediato a todo e qualquer recurso da comunidade.

    Os suportes podem ser de diferentes tipos (social, eco-nmico, fsico, instrumental) e tm como funo favorecer aconstruo de um processo que se passou a denominar In-cluso Social.

    A Incluso Social no um processo que envolvasomente um lado, mas sim um processo bidirecional, queenvolve aes junto pessoa com necessidades educacio-nais especiais e aes junto sociedade.

    Na realidade, o conceito de incluso envolve o mes-mo pressuposto que o da integrao, a saber o direito dapessoa com necessidades educacionais especiais igual-dade de acesso ao espao comum da vida em sociedade.

    Diferem, entretanto, no sentido de que o paradigmade servios, no qual se contextualiza a idia da integrao,pressupe o investimento principal na promoo de mu-danas no indivduo, no sentido de normaliz-lo. Obvia-mente que no paradigma de servios tambm se atua junto a

  • 22

    diferentes instncias da sociedade (famlia, escola, comuni-dade). Entretanto, na maioria das vezes isso se d em com-plementao ao processo de interveno junto ao sujeito. Aao de interveno junto comunidade tem mais a conota-o de construir a aceitao e a participao externa comoauxiliares de um processo de busca de normalizao do su-jeito.

    J o Paradigma de Suportes, no qual se contextuali-za a idia da incluso, prev intervenes decisivas e afir-mativas, em ambos os lados da equao:

    _no processo de desenvolvimento do sujeito;_no processo de ajuste da realidade social.

    Conquanto, ento, preveja o trabalho direto com o su-jeito, adota como objetivo primordial e de curto prazo a inter-veno junto s diferentes instncias que contextualizam avida desse sujeito na comunidade, no sentido de nelas pro-

  • 23

    mover os ajustes (fsicos, materiais, humanos, sociais, le-gais, etc) que se mostrem necessrios para que a pessoacom necessidades educacionais especiais possa imedia-tamente adquirir condies de acesso ao espao comumda vida na sociedade.

    No mbito da educao, a opo poltica pela cons-truo de um sistema educacional inclusivo vem coroarum movimento para assegurar a todos os cidados, inclusiveaos com necessidades educacionais especiais, a possibilida-de de aprender a administrar a convivncia digna e respeito-sa numa sociedade complexa e diversificada.

    A convivncia na diversidadeproporciona criana com deficin-cia que tenha necessidades educa-cionais especiais maior possibilida-de de desenvolvimento acadmico esocial. Proporciona ainda, para todos,alunos e professores, com e sem ne-

    cessidades educacionais especiais, a prtica saudvel e edu-cativa da convivncia na diversidade e da administraodas diferenas no exerccio das relaes interpessoais,aspecto fundamental da democracia e da cidadania.

    Como voc pode ver, caro professor, a leitura que asociedade tem feito sobre a deficincia e a pessoa com defi-

    Consideraes importantes

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    cincia foi se diversificando no decorrer dos sculos, deter-minando suas aes.

    Assim, variou da desconsiderao da pessoa enquantoser humano, para uma viso metafsica; desta, para uma vi-so organicista; a essas, somaram-se a concepo educa-cional, a concepo social e mais recentemente, a scio-his-trica.

    Encontra-se atualmente no Brasil manifestaes dosdiversos paradigmas formais: Institucionalizao Total, Servi-os e o insipiente Paradigma de Suportes.

    O princpio da igualdade est posto. A opo polti-ca pela construo de um sistema educacional inclusivoest feita.

    Cabe a todos ns, agora, dedicarmo-nos efetivaodesse desafio que, embora de difcil realizao, de nossacompetncia e obrigao. Precisamos enfrentar nossosmedos, garantir as condies e construir nossos mode-los de incluso educacional.

    Voc, professor, deve ter aprendido, em sua formaoinicial e em sua prtica profissional do cotidiano, a conhecercada um de seus alunos. Deve ter aprendido, que essencialque identifique os conhecimentos de que ele j dispe, parapoder planejar os passos seguintes do processo de ensino ede aprendizagem. Deve ter aprendido, que essencial em-pregar a avaliao, no como instrumento para classificarquem melhor e quem pior, mas sim para poder identi-

  • 25

    ficar em quais reas e procedimentos, cada um de seus alu-nos necessita de um auxlio especfico, em seu processo deapreenso de conhecimento. Deve ter aprendido sobre a im-portncia de usar a criatividade, de aproveitar os dados darealidade de cada aluno, caso pretenda que o tema abordadotenha qualquer significao para eles.

    Isso a maior parte do que voc precisa para ensinarem uma sala inclusiva. Um sistema educacional inclusivo aquele que permite a convivncia de todos no cotidiano, nadiversidade que constitui os agrupamentos humanos.

    Nesta coletnea estaremos tratando exatamente dis-so. Estaremos disponibilizando para voc conceitos e proce-dimentos fundamentais para a construo da incluso edu-cacional, no sistema educacional brasileiro.

    A meno pessoa com deficincia nos arquivos denossa histria aparece vrias vezes, embora no como temacentral.

    Segundo Silva (1987), da mesma forma que na Euro-pa, tambm no Brasil a pessoa deficiente foi consideradapor vrios sculos dentro da categoria mais ampla dos mise-rveis, talvez o mais pobre dos pobres... Os mais afortuna-dos que haviam nascido em bero de ouro ou pelo menos

    Revendo nossa histria de relaescom a pessoa com deficincia

  • 26

    remediado, certamente passaram o resto de seus dias atrsdos portes e das cercas vivas das suas grandes manses, ouento, escondidos, voluntria ou involuntariamente, nas casasde campo ou nas fazendas de suas famlias. Essas pessoasdeficientes menos pobres acabaram no significando nadaem termos de vida social ou poltica do Brasil, permanecendocomo um peso para suas respectivas famlias (p. 273).

    J os mais pobres ficaram merc dos improvisado-res, curandeiros, barbeiros (que ento atuavam tambm comocirurgies) e quem mais se habilitasse a ajudar.

    Logo aps a chegada efetiva dos portugueses ao Bra-sil observou-se que os ndios praticamente no apresenta-vam aleijes e quando deformaes havia, elas eram reco-nhecidamente de origem traumtica. (Silva, 1987).

    Segundo Santos Filho, entretanto, em sua obra Hist-ria Geral da Medicina Brasileira, aps anos de colonizaotal e qual como entre os demais povos, e no mesmo grau deincidncia, o brasileiro exibiu casos de deformidades, cong-nitas ou adquiridas. Foram comuns os coxos, cegos, zambros,corcundas, em Silva, 1987, p. 284.

    O mesmo autor continua, dizendo que: Muitos dos afri-canos que foram trazidos fora para o Brasil como escra-vos, aqui sofreram muitos castigos fsicos, chegando mesmoa terem o corpo marcado pelos maus tratos a eles infligidos.Muitas vezes eram vtimas de raquitismo, de beribri, deescorbuto, ou seja, das sndromes mais srias denotadorasde carncias alimentares. (p. 281.)

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    As amputaes foram, alm disso, uma prtica bas-tante comum em casos de acidentes, gangrena e tumores(Silva, 1987, p. 283.)

    A lepra era outra molstia ento incapacitante registra-da como preocupao desde o sculo XVIII.

    A ateno formal s pessoas com deficincia iniciou-se com a criao de internatos, ainda no sculo XVII, idiaimportada da Europa, no perodo imperial.

    Segundo Bueno (1993), Januzzi (1985), e Pessotti(1984), o primeiro foi o Imperial Instituto dos Meninos Ce-gos, atual Instituto Benjamin Constant (I.B.C.). Este foi criadono Rio de Janeiro, pelo Imperador D. Pedro II, atravs doDecreto Imperial n 1.428, de 12/09/1854.

    O segundo, foi o Instituto dos Surdos Mudos, atualInstituto Nacional de Educao de Surdos (I.N.E.S.), tam-bm criado no Rio de Janeiro e oficialmente instalado em26/09/1857.

    Ambos foram criados pela intercesso de amigos oude pessoas institucionalmente prximas ao Imperador, queatendeu s solicitaes, dada a amizade que com eles man-tinha.

    Essa prtica do favor, da caridade, to comum no Pasnaquela poca, instituiu o carter assistencialista que permeoua ateno pessoa com deficincia, no pas, e educaoespecial, em particular, desde seu incio.

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    As instituies foram gradativamente assumindo umanatureza de asilos, destinadas ao acolhimento de pessoasinvlidas.

    Aps a Proclamao da Repblica, pro-fissionais que haviam ido estudar na Europacomearam a retornar entusiasmados com aidia de modernizar o Pas. Em 1906, as es-colas pblicas comearam a atender alunos

    com deficincia mental, no Rio de Janeiro. Logo em seguida,em 1911, foi criado, no Servio de Higiene e Sade Pblica,do Estado de So Paulo, a inspeo mdico-escolar, que vi-ria trabalhar conjuntamente com o Servio de Educao, nadefesa da Sade Pblica. Em 1912 (segundo Januzzi, 1985)ou 1913 (segundo Pessotti, 1984) foi criado o chamado Labo-ratrio de Pedagogia Experimental ou Gabinete de PsicologiaExperimental, na Escola Normal de So Paulo (atual EscolaCaetano de Campos). Em 1917, dando continuidade provi-dncia anterior, foram estabelecidas as normas para a sele-o de anormais7, j que na poca prevalecia a preocupa-o com a eugenia da raa, sendo o medo de degenerescn-cias e taras, uma questo determinante na rea da SadePblica.

    No sculo XX, especialmente a partir da dcada de 20,iniciou-se a expanso das instituies de educao especial,caracterizada principalmente pela proliferao de entidadesde natureza privada, de personalidade assistencial.

    7. Destaque nosso.

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    No que se refere rede pblica de ensino, ela atendeu,inicialmente, somente s pessoas com deficincia mental,tendo se sistematizado e organizado para isso, com a criaode normas e a centralizao do atendimento.

    Determinava-se, ento, que as crianas com deficin-cia mental fossem encaminhadas educadora sanitria, aqual devia assegurar que a escola s as aceitasse se noatrapalhassem o bom andamento da classe.

    Alm disso, nota-se que a educao especial, em-prestado da medicina seus procedimentos, adotou como seuncleo e objetivo central a cura, a reabilitao, ao invsda construo do conhecimento, e por conseqncia abusca de eficincia nos processos de ensino, propriamen-te ditos.

    Alm dos servios de Higiene Mental, da rea da Medi-cina, a Psicologia tambm passou a oferecer o aval do espe-cialista para a segregao dos que prejudicavam o bom an-damento da escola (Bueno, 1993). Os Anais do 1 Congres-so Nacional de Sade Escolar, por exemplo, recomendavamque se criassem classes especiais com nmero reduzido dealunos para atender os alunos-problema, j que a deficinciamental constitui srio empecilho reduo do nmero de re-petentes (Bueno, 1993).

    A partir da dcada de 50, continuou a proliferao deentidades assistenciais privadas, ampliando-se tambm onmero de pessoas atendidas na rede pblica. As entida-des assistenciais tenderam a se conglomerar em federaes

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    estaduais e nacionais. J o sistema pblico comeou a ofe-recer Servios de Educao Especial nas Secretarias Es-taduais de Educao e realizar Campanhas Nacionais deEducao de Deficientes, ligadas ao Ministrio da Educaoe Cultura.

    A partir da dcada de 60, o Brasil foi palco do surgi-mento de centros de reabilitao para todos os tipos de defi-cincia, no Paradigma de Servios, voltados para os objeti-vos de integrao da pessoa com deficincia na sociedade esuas diversas instncias.

    A Lei de Diretrizes e Bases LDB (Lei n 4.024/61) veioexplicitar o compromisso do poder pblico brasileiro com aeducao especial, no momento em que ocorria um aumentocrescente das escolas pblicas no Pas.

    Em 1971, o MEC criou um Grupo Tarefa para tratar daproblemtica da Educao Especial, o qual produziu a pro-posta de criao de um rgo autnomo, para tratar da Edu-cao Especial. A Lei n 5.692/71 veio introduzir a viso dotecnicismo para o trato da deficincia no contexto escolar.

    O Parecer do CFE n 848/72 mostra claramente a atri-buio de importncia implementao de tcnicas e servi-os especializados para atender o alunado ento chamadoexcepcional.

    O Plano Setorial de Educao e Cultura, por sua vez,(1972-1974) incluiu a Educao Especial no rol das priorida-des educacionais no pas (Projeto Prioritrio no. 35).

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    Assim, em 1973, foi criado, por meio do Decreto n.72.425, de 03/07/73, o CENESP, Centro Nacional de EducaoEspecial.

    Em junho de 1980 realizou-se em Bauru, estado de SoPaulo, promovido pela Fundao Educacional de Bauru, atu-al UNESP-Bauru, o I Seminrio Nacional de Reabilitao Pro-fissional. Contou com a participao de 300 pessoas do Pasinteiro e nessa ocasio, discutiu-se formalmente, pela primei-ra vez no Pas, as bases filosficas e tericas do novo para-digma que se impunha, na relao da sociedade brasileira coma parcela de populao constituda pelas pessoas com defici-ncia. Pessoas participantes desse evento tornaram-se, pos-teriormente, pilares da transformao dessa relao no Pas.

    O ano de 1981, Ano Internacional da Pessoa Deficien-te, veio motivar uma sociedade que clamava por transforma-es significativas nessa rea, para debater, organizar-se, eestabelecer metas e objetivos que encaminharam novos des-dobramentos importantes.

    A dcada de 90 iniciou-se com a aceitao poltica daproposta de Educao para Todos, produzida em Jomtien,Tailndia, na conferncia mundial da UNESCO. Ao assumirtal compromisso, o Pas determinou-se profunda transfor-mao do sistema educacional brasileiro, de forma a poderacolher a todos, indiscriminadamente, com qualidade e igual-dade de condies.

    Dando continuidade a esse processo, o Brasil adotou aproposta da declarao de Salamanca, em 1994, comprome-

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    tendo-se ento com a construo de um sistema educacionalinclusivo, especificamente no que se refere populao dealunos com necessidades educacionais especiais.

    Os Parmetros Curriculares Nacionais (P.C.N.), publi-cados em 1998, vieram nortear e orientar os profissionais daEducao quanto relao professor e aluno, no desenvolvi-mento de um processo de ensino e aprendizagem eficaz esignificativo.

    Como passo subseqente a essa coletnea, o MEC/SEESP publicou os P.C.N. - Adaptaes Curriculares em Ao,objetivando fortalecer o suporte tcnico-cientfico aos profis-sionais da Educao, de maneira geral.

    Atualmente, encontra-se em processo de estudo, dereflexo, de experimentao e de busca de modelos eficazese eficientes de educao inclusiva para nossa realidade.

    Nesse processo, tem-se, na rede pblica, a provisodo direito ao acesso ao ensino pblico, preferencialmente narede regular de ensino, a toda e qualquer criana com neces-sidades educacionais especiais.

    J a rede privada tem envidado esforos na busca decompreenso sobre a incluso, bem como de formas departicipao e auto-ajuste para participar construtivamentedo processo de construo de um sistema educacionalinclusivo.

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    1835__O Deputado Cornlio Ferreira apresenta AssembliaProjeto de Lei objetivando a criao do cargo de Pro-fessor de Primeiras Letras para o ensino de cegos esurdo-mudos.

    1854__Decreto Imperial n 1.426 criou o Imperial Institutodos Meninos Cegos.

    1855__Chega ao Brasil Edouard Huet, professor surdo fran-cs que viria a dirigir o primeiro Instituto Brasileiro paraatendimento a surdos-mudos.

    1857__Instalado o Instituto dos Surdos-Mudos, sob a direode Edouard Huet.

    1869__Benjamin Constant assume a direo do ImperialInstituto dos Meninos Cegos, no Rio de Janeiro em24/01/1891 que, atravs do Decreto n 1.320, rece-beria o seu nome.

    1900__O Dr. Carlos Eiras apresenta, no IV Congresso deMedicina e Cirurgia, no Rio de Janeiro, sua monogra-fia sobre doentes mentais intitulada Educao e Tra-tamento Mdico-Pedaggico dos Idiotas.

    1910__Trs cegos, aps cursarem o Inst. Benjamin Constant, con-seguem ingressar na Faculdade de Direito de So Paulo.

    Fatos marcantes na EducaoEspecial do Brasil

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    1913__No Hospcio D. Pedro II, na Praia Vermelha, Rio deJaneiro, comea o funcionamento intensivo do Pavi-lho Bourneville, com atendimento a menores anor-mais.

    1913__Aparece o livro do Professor Clementino Qualio, daEscola Normal de So Paulo, intitulado A educaoda infncia anormal da inteligncia.

    1915__Inaugurada em Laranjeiras, no Rio de Janeiro, a sededo Instituto Nacional de Surdos.

    1926__Inaugurado, em Belo Horizonte, o Instituto So RafaelPara Cegos.

    1927__Surge, em Canoas, RS, a primeira instituio brasi-leira dedicada aos excepcionais, com o nome dePestalozzi.

    1929__No Rio de Janeiro, a Reforma do Ensino Primrio,Profissional e Normal inclui em seu Regulamento dis-posies sobre a seleo de alunos brilhantes.

    1930__No Nordeste, o Dr. Ulisses Pernambucano desenvol-ve trabalho pioneiro em favor dos excepcionais, unin-do Psiquiatria, Psicologia e Pedagogia.

    1931__Criado, na Santa Casa de Misericrdia de So Paulo, oPavilho Fernandinho Simonsens com uma classe es-pecial para alfabetizao e ensino primrio de crian-as internadas por longos perodos naquele hospital.

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    1932__Fundada por Helena Antipoff a Sociedade Pestalozzide Minas Gerais.

    1933__A Comisso do Ensino Secundrio do Conselho Na-cional de Educao atravs do Parecer n 291, per-mite o ingresso de aluno cego em escola do sistemaregular de ensino, na cidade de Curitiba.

    1935__Criado, graas iniciativa de Helena Antipoff, o Insti-tuto Pestalozzi na cidade de Belo Horizonte.

    1940__Instalada em Ibirit, nos arredores de Belo Horizonte,a Granja-Escola da Fazenda Rosrio pertencente Sociedade Pestalozzi de Minas Gerais.

    1942__Inaugurado o Hospital de Neuro-Psiquiatria Infantil,em Engenho de Dentro, no Rio de janeiro.

    1942__Edio em Braille pelo Instituto Benjamim Constantda primeira Revista Brasileira para Cegos.

    1943__Inaugurados vrios Institutos para cegos no Brasil: emSo Paulo, na Bahia, no Rio Grande do Sul e no Cear.

    1943__A Comisso de Legislao do Conselho Nacional deEducao, atravs do Parecer n144, autoriza a ins-crio de aluno cego na Faculdade de Filosofia, Ci-ncias e Letras.

    1943__O Decreto n 14.165 d ao Inst. Benjamim Constant com-petncia para ministrar os ensinos primrio e secundrio.

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    1945__Por iniciativa de Helena Antipoff, fundada, no Riode Janeiro, a Sociedade Pestalozzi do Brasil.

    1945__Helena Antipoff realiza, na Sociedade Pestalozzi, noRio de Janeiro, experincias com alunos superdotados.

    1946__Criada a Fundao para o Livro do Cego no Brasil,com a finalidade de divulgar o livro em Braille.

    1949__Portaria Ministerial n 504 garante a distribuio gra-tuita dos livros em Braille para todo o Brasil.

    1950__Comea o ensino integrado no Brasil, com alunos queconcluram o curso Ginasial no Instituto BenjamimConstant. Em So Paulo, no Instituto Caetano de Cam-pos, criada, a ttulo experimental, a primeira classeBraille com alunos em regime escolar comum.

    1950__Criada, em So Paulo, a Associao de Assistncia Criana Defeituosa (AACD), com classes para defi-cientes fsicos.

    1953__Portaria Ministerial n 12 autorizou a matrcula de alu-nos cegos nos estabelecimentos de ensino secund-rio reconhecidos ou equiparados pelo Governo Fede-ral. Autoriza, ainda, a interpretao da legislao deensino, pelo Conselho Nacional de Educao, parafacultar o acesso de cegos nos cursos universitrios.

    1953__Parecer n 50 da Comisso de Legislao do Conse-lho Nacional de Educao, d parecer favorvel ao

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    ingresso de aluno cego no curso de Geografia e His-tria da Faculdade Fluminense de Filosofia.

    1954__Fundada, no Rio de Janeiro, a primeira Associaode Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE).

    1954__Fundada, no Rio de Janeiro, a Associao BrasileiraBeneficente de Reabilitao (ABBR).

    1955__Lanada a recomendao n 99, da Organizao In-ternacional do Trabalho (OIT), sobre programas dereabilitao profissional, obteno e reteno de em-pregos por deficientes.

    1957__Criadas em So Paulo, por inspirao da AACD, clas-ses especiais para deficientes fsicos, nos Grupos Es-colares da rede escolar comum.

    1957__Alunos cegos do Curso Primrio so admitidos nasescolas comuns.

    1957__Lei 3.198 alterou a denominao do Instituto dos Sur-dos e Mudos para Instituto Nacional de Educao deSurdos (INES).

    1957__Decreto n 42.728 criou a Campanha para Educaodo Surdo Brasileiro (CESB).

    1958__Portaria Ministerial n 114 d instrues para a orga-nizao e execuo do programa de ao da Campa-nha (CESB).

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    1958__Decreto 44.236 institui a Campanha Nacional de Edu-cao e Reabilitao de Deficientes da Viso.

    1958__Portaria Ministerial n 477 fixa instrues para a or-ganizao e execuo da Campanha Nacional deEducao e Reabilitao de Deficientes da Viso,campanha ligada diretamente direo do InstitutoBenjamin Constant.

    1958__Lei n 5.029 cria o Instituto de Reabilitao, para fun-cionamento junto Cadeira de Ortopedia e Trauma-tologia da Faculdade de Medicina da Universidade deSo Paulo.

    1960__Decreto n 48.252 desvincula a Campanha Nacionalde Educao e Reabilitao dos Deficientes da Visodo Instituto Benjamin Constant, passando a ser su-bordinada diretamente ao Gabinete do Ministro daEducao e Cultura, com a denominao Campa-nha Nacional de Educao de Cegos (CNEC).

    1960__Decreto n 48.961 cria a Campanha Nacional deEducao e Reabilitao de Deficientes Mentais(CADEME).

    1961__A Fundao para o Livro do Cego no Brasil cria oCentro de Reabilitao de Cegos no Brasil.

    1961__Lei 4.024 de Diretrizes e Bases para a Educao, emseu Ttulo X, enquadra a educao de excepcionaisno sistema geral de educao, visando integrao

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    desses alunos na comunidade e prev apoio finan-ceiro s entidades privadas dedicadas a essa especi-alidade.

    1963__Criao da Federao Nacional das APAEs.

    1963__Decreto n 53.264 dispe sobre a reabilitao profis-sional na Previdncia Social (SUSERPES).

    1964__Campanha Nacional de Educao de Cegos obtmdo MEC a destinao de fundos para sua ao, re-cursos que foram includos no Plano Nacional de Edu-cao.

    1964__Portaria Ministerial n 582 designa Grupo Executivopara reformular as atividades do MEC no campo daEducao Especial. Conselheiros da CADEME, inte-grantes desse Grupo, sugerem, sem xito, a criaode uma Secretaria de Educao Especial no MEC.

    1967__Criada no Ministrio da Educao e Cultura junto aoConselho Federal de Educao, comisso com a fi-nalidade de estabelecer critrios para identificao eatendimento aos superdotados.

    1968__Criada a Associao Brasileira de Educadores de De-ficientes Visuais/ABEDEV.

    1969__Parecer n 252, do Conselho Federal de Educao,determina que o Curso de Pedagogia dever ter umaou duas habilitaes em Educao Especial.

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    1969__Decreto n 64.920 cria no MEC Grupo de Trabalhopara estudar o problema do excepcional em seus v-rios aspectos. Esse Grupo produziu e encaminhou Direo do MEC vrios anteprojetos objetivando acriao de rgo em mbito nacional para cuidar doproblema dos excepcionais.

    1969__Emenda Constitucional n 1 altera a Constituio doBrasil de 1967 que, em seu Art. 175, pargrafo 4,passa a dispor sobre a educao de excepcionais.

    1969__Decreto Lei n 1.044 dispe sobre tratamento especi-al para alunos de qualquer nvel de ensino, portado-res de afeces congnitas e/ou adquiridas, infeces,traumatismos ou outras condies mrbidas determi-nantes de distrbios agudos ou agudizadores.

    1970__Criada a Federao Nacional das Sociedades Pestalozzi.

    1971__Ofcio n 93/71, do Secretrio de Apoio do MEC aoDiretor do Departamento de Educao Complemen-tar recomenda a extino das Campanhas de Educa-o Especial e sugere o estabelecimento de um pro-grama integrado de assistncia a todas as categoriasde excepcionais.

    1971__Portaria n 86 cria o Grupo Tarefa Educao Espe-cial no MEC, com vistas a implantar uma sistemticade trabalho educacional dirigida aos excepcionais,em todas as suas formas, em todo o territrio bra-sileiro.

  • 41

    1971__Portaria do Conselho Federal de Educao, cria Co-misso Especial para estudar o currculo mnimo paraos cursos de formao de pessoal em Educao Es-pecial no nvel universitrio.

    1971__Lei 5.692 de diretrizes e bases para o ensino de 1 e2 graus, prev em seu artigo 9 tratamento especialpara os excepcionais.

    1972__Resoluo n 7/72 do Conselho Federal de Educa-o fixa os contedos mnimos a serem observadosna habilitao especfica em educao de deficientesda udiocomunicao, no Curso de Pedagogia.

    1973__Criada em Belo Horizonte, junto Fazenda Rosrio,a Associao Milton Campos para o Desenvolvimen-to e Assistncia Vocaes de Bem-Dotados (ADAV).

    1973__Decreto n 72.425 cria o Centro Nacional de Educa-o Especial (CENESP).

    1974__Incluso do Projeto Prioritrio n 35, sobre EducaoEspecial no I Plano Setorial de Educao e Cultura.

    1974__Parecer n 3.763 do Conselho Federal de Educao,dispe sobre tratamento especial para cegos no exa-me vestibular.

    1975__Portaria n 550/MEC aprova o Regimento Interno doCENESP, como rgo central de direo superior,gozando de autonomia administrativa e financeira.

  • 42

    1976__Resoluo 31/123, atravs da Assemblia Geral dasNaes Unidas (ONU), proclama o ano de 1981 comoo Ano Internacional das Pessoas Deficientes.

    1977__Portaria Interministerial n 477 (MEC/MPAS) estabe-lece diretrizes bsicas para a ao integrada do MECe do MPAS no campo do atendimento a excepcio-nais, dispondo sobre atendimento integrado comaes complementares de assistncia mdico-psicosocial e de educao especial. Menciona o aten-dimento no sistema regular de ensino e em institui-es especializadas.

    1978__Portaria Interministerial n 186 (MEC/MPAS) regula-menta a Portaria Ministerial n 477, de 10/08/77 quedefine e delimita a clientela a ser atendida pela Edu-cao Especial, e dispe sobre diagnstico, encami-nhamento, superviso e controle.

    1978__Emenda Constitucional n 12 assegura aos deficien-tes a melhoria de sua condio social e econmica,inclusive com educao especial.

    1979__Plano Nacional de Educao Especial (PLANESP) es-tabelece diretrizes de ao para a Educao Especial.

    1980__Decreto n 84.819 cria no Brasil a Comisso Nacio-nal do Ano Internacional das Pessoas Deficientes(CNAIPD), com o objetivo de ao compatibilizada daONU, sintetizado no lema Igualdade e ParticipaoPlena.

  • 43

    1980__Discusso na Comisso Econmica para a AmricaLatina (CEPAL), no Chile, de um Plano de Ao aLongo Prazo, em favor dos excepcionais.

    1981__Resoluo n 2 do Conselho Federal de Educao,autoriza a concesso de dilatao de prazo de con-cluso de curso de graduao dos alunos portadoresde deficincias fsicas, afeces congnitas ou ad-quiridas.

    1981__Instruo Normativa n 123, do Departamento Admi-nistrativo do Servio Pblico (DASP) estabelece nor-mas para adaptao e elaborao de novos projetosde edificaes, de modo a permitir o acesso de pes-soas portadoras de deficincia.

    1981__Portaria n 696 aprova o Regimento do CENESP comorgo autnomo.

    1985__Realizada, em Braslia, cerimnia para assinatura doDecreto que institui o Comit para o Aprimoramento daEducao Especial. Discursaram o Presidente da Re-pblica, o Ministro da Educao, a Diretora-Geral doCENESP e representante dos pais dos deficientes. OComit sugeriu ao Presidente da Repblica a transfor-mao do CENESP em Secretaria de Educao Es-pecial e a criao de um rgo de coordenao dapoltica voltado para pessoa portadora de deficincia.

    1985__Decreto n 91.827 institui o Comit Nacional para tra-ar poltica de ao conjunta, destinada a aprimorar a

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    Educao Especial e a integrar, na sociedade, as pes-soas portadoras de deficincias, problemas de con-duta e superdotados.

    1986__Lanamento do Plano Nacional de Ao Conjunta, ela-borado pelo Comit Nacional institudo pelo Decreton 91.872, de 04/11/85.

    1986__Portaria n 69/MEC expede normas para a fixao decritrios reguladores da prestao de apoio tcnico e/ou financeiro Educao Especial nos sistemas deensino pblico e particular.

    1986__Decreto n 93.481 institui a Coordenadoria para a Inte-grao da Pessoa Portadora de Deficincia (CORDE),dispondo sobre a atuao da Administrao Fede-ral, no que concerne s pessoas portadoras de de-ficincia.

    1986__Indicao n 15/86/MEC prope criao de uma Co-misso composta por membros do Conselho Federalde Educao e do CENESP para incentivar aes deatendimento ao aluno superdotado.

    1986__Portaria 88/86/MEC constitui a Comisso para elabo-rao de subsdios que permitiam aos Conselhos Es-taduais de Educao incentivar aes de atendimen-to ao superdotado.

    1987__Lanamento da Revista Integrao com circulaoem todo o territrio nacional.

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    1988__Constituio Federal Brasileira garante a educaocomo direito de todos, instituindo no Inciso III, do Art.208, do Captulo III que, o atendimento educacionalespecializado aos portadores de deficincia deve ser,preferencialmente, na rede regular de ensino.

    1988__Criao da Unio Brasileira de Cegos.

    1990__Extinta a Secretaria de Educao Especial. As atri-buies relativas educao especial passam a serda Secretaria Nacional de Educao Bsica/SENEB.

    1990__Criada a estrutura da SENEB do Departamento deEducao Supletiva e Especial/DESE, com compe-tncias especficas em relao Educao Especial.

    1990__Includa na estrutura da DESE a Coordenao de Edu-cao Especial.

    1992__Recriada a Secretaria de Educao Especial na es-trutura do Ministrio da Educao.

    1993__Decreto 914/89 Coordenadoria de Integrao da Pes-soa Portadora de Deficincia, CORDE, estabelecedireitos dos portadores de Deficincia Visual.

    1994__Lanamento da Poltica de Educao Especial/MEC.

    1994__Portaria 1793/94 recomenda incluso de contedose disciplina de Educao Especial nos cursos de for-mao de professores de nvel superior.

  • 46

    1995__Criao da Associao Brasileira de Sndrome deDown.

    1995__Decreto n 1.744/95 institui benefcio de prestaocontinuada pessoa portadora de deficincia e aoidoso.

    1995__Veiculao da Srie sobre Educao Especial no pro-grama Salto para o Futuro, TVE.

    1995__Reunio tcnica com os pases componentes doMERCOSUL e OIT, visando incluir o tema EducaoEspecial na agenda do MERCOSUL Educativo.

    1996__Criao do Frum Permanente dos IES sobre as ques-tes relativas s pessoas com necessidades especiais.

    1996__Aviso Ministerial 277 do GM recomenda a criao decondies prprias para possibilitar acesso e perma-nncia dos alunos com necessidades especiais nasInstituies de Ensino Superior.

    1996__Criao do Programa de Distribuio de Materiais Di-dticos para Deficientes Visuais.

    1996__Lanamento do Programa de Implantao de ApoioPedaggico para Deficientes Visuais/CAP.

    1996__Elaborao do Programa de Capacitao de Profes-sores do Ensino Regular para atuao com alunoscom necessidades educacionais especiais.

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    1997__Veiculao da Campanha de Sensibilizao da Soci-edade para a Incluso do Aluno com NecessidadesEducacionais Especiais.

    1997__Incluso na TV Escola da Srie Educao Especial.Implementao de um Programa de Capacitao deEducadores com o material da UNESCO - Necessi-dades Educacionais Especiais em Sala de Aula.

    1997__Implantao da Tecnologia do DOS-VOX no SistemaSintetizador de Voz, para suporte na educao doscegos.

    1998__Realizao do Congresso Internacional e III IberoAmericano sobre Superdotao, em Braslia.

    1998__Realizao do III Congresso Ibero Americano de Edu-cao Especial, em Foz do Iguau.

    1998__Elaborao do documento Adaptaes Curricularespara Alunos com Necessidades Educacionais Espe-ciais no mbito dos Parmetros Curriculares Nacio-nais.

    1999__Produo e lanamento do Programa de Capacita-o, pela TVE sobre Educao Especial.

    1999__Criao da Comisso Brasileira de Braille, junto SEESP.

    2000__Lanamento da produo do Livro Didtico em Braille.

  • 48

    2000__Realizao do V Congresso Nacional de Arte-Educa-o na Escola Para Todos.

    2000__VI Festival Nacional de Artes sem Barreiras, em Braslia.

    2001__Definio do Programa Nacional de Apoio Educa-o de Surdos, elaborado pelo Ministrio da Educa-o/Secretaria de Educao Especial, com represen-tantes de Organizaes de Surdos.

    2001__Decreto n 3.956 promulga a Conveno Interameri-cana para eliminao de todas as formas de discrimi-nao contra as pessoas portadoras de deficincia.

    2001__Parecer CNE/CEB n 17/2001 e Resoluo CNE/CEBn 02 de 11/09/2001, institui Diretrizes Nacionais paraa Educao Especial na Educao Bsica.

    2002__Portaria 657/MEC institui a Comisso Brasileira deEstudo e Pesquisa do Sorob.

    2002__Integrao da Secretaria de Educao Especial(SEESP) Rede Nacional de Formadores, da Secre-taria de Educao Fundamental (SEF).

    1981__Declarao de Cuenca sobre novas tendncias naEducao Especial UNESCO/OREALC - Equador.

    Fatos e eventos internacionais

  • 49

    1981__Declarao de Sunderberg - resultado da Confern-cia Mundial sobre as Aes e Estratgias para a Edu-cao, Preveno e Integrao dos Impedidos - Tor-remolinos, Espanha.

    1981__XXIII Conferncia Sanitria Panamericana - Anliseda situao do atendimento em reabilitao de pes-soas com incapacidades.

    1990__Conferncia Mundial de Educao para Todos - Jomtien, Tai-lndia. Declarao Mundial de Educao para Todos, 1990.

    1992__Declarao de Cartagena de ndias sobre PolticasIntegrais para Pessoas com Deficincias na RegioIbero-Americana - Colmbia.

    1993__Conferncia Hemisfrica de pessoas com deficincias.Agenda para o futuro - Washington, EUA.

    1993__Declarao de Santiago - resultou da V Reunio doComit Regional Intergovernamental do Projeto Prin-cipal de Educao na Amrica Latina e Caribe, com oobjetivo de melhorar os nveis globais da qualidadede aprendizagem.

    1994__Declarao Salamanca e Linha de Ao sobre Neces-sidades Educativas Especiais - Salamanca, Espanha.

    1994__Primeira reunio dos participantes da Conferncia deMinistros responsveis pela situao da pessoa comdeficincia - Montreal, Canad.

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    1996__Normas Uniformes sobre a igualdade de oportunidadespara pessoas com deficincia, aprovadas pela Assem-blia Geral da Organizao das Naes Unidas - ONU.

    Aranha, M.S.F. Implantao e implementao de aes eservios de educao inclusiva no Municpio de VargemGrande Paulista: Um estudo de caso. Rede Entre Ami-gos de Informaes sobre Deficincia, pasta Incluso.(www.entreamigos.com.br), 2000.

    Aranha, M.S.F. Paradigmas da relao entre a sociedade eas pessoas com deficincia. Revista do Ministrio P-blico do Trabalho. Ano XI, n 21, pp. 160-176. Brasla:LTR Editora Ltda., 2001.

    Bueno, J. G. S. Educao especial brasileira. So Paulo:EDUC, 1993.

    Brasil. Lei de Diretrizes e Bases da Educao. Braslia, 1961.

    Brasil. Plano Nacional de Educao Especial (PNEE). Braslia:MEC/SEESP, 1994.

    Brasil. Lei de Diretrizes e Bases da Educao. Braslia, 1996.

    Brasil. Parmetros Curriculares Nacionais. Braslia: MEC/SEF,1997.

    Referncias Bibliogrficas

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    Brasil. Educao especial no Brasil: sntese histrica. Braslia.Contrato MEC-SESPE/FGV-IESAE n 1/88, 1998.

    Goffman, E. Asylums. Chicago, Illinois: Aldine PublishingCompany, 1962.

    Kanner, L. A history of the care and study of the mentally retarded.Springfield, Illinois: Charles C. Thomas Publisher, 1964.