VOCAÇÃO E VOCAÇÕES PESSOAIS

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  • VOCAOE VOCAES PESSOAIS

  • Coleco A. O. DE BOLSO

    1. Acreditar em Deus Jos I. Gonzalz Faus / Josep Vives2. Vocao e Vocaes Pessoais (2 ed.) Vasco Pinto de Magalhes, S.J.3. Quando a Caridade se Faz Poltica Henri Madelin, S.J.4. Jesus e o Teu Corpo (2 ed.) Andr Leonard5. Em Busca do Sentido da Vida Maria Paula Serdio6. Pai Nosso... Um Itinerrio Bblico Irmo John de Taiz7. Sntese da F Catlica Franois Varillon8. O Esprito Santo, Fonte de Vida Nova Irmo John de Taiz9. Nazar, cone da Trindade Drio Pedroso, S.J.10. Espiritismo, uma Fraude Heitor Morais, S.J.

  • Vasco Pinto de Magalhes, S. J.

    Editorial A. O. Braga

    VOCAO E VOCAES PESSOAIS

  • Paginao: Editorial A. O. Braga

    Impresso e Acabamentos: Grfica Vicentina Braga

    Pode imprimir-se: Amadeu Pinto, S.J. Provincial

    Imprima-se: Jorge Ferreira da Costa Ortiga Arcebispo Primaz

    Depsito Legal n 50099/92

    ISBN 972-39-0274-5

    2 ed. Julho de 2005

    S E C R E T A R I A D O N A C I O N A LDO APOSTOLADO DA ORAOL. das Teresinhas, 5 4714-504 BRAGATel.: 253 201 220 * Fax: 253 201 221livros@snao.pt; www.jesuitas.pt/AO/AO.html

  • PREFCIO

    Estas pginas podero dar uma ajuda queles jovens e adultos que se interroguem sobre a sua vocao pessoal, o sentido da sua histria, a qualida-de das suas relaes, o seu papel neste mundo face ao futuro? Deus queira. Nestes anos (16) dedicados Pastoral Uni-versitria so muitos os rapazes e raparigas que acompanhei em direco espiritual mais ou menos prolongada, em Exerccios Espirituais de 3 a 7 dias, em grupos de vida crist. A eles/elas agradeo a con-fiana, a partilha e o que (sem o saberem?) Deus me ensinou atravs deles. a experincia retomada na avaliao de vida frequente, que vai ensinando. Que isto possa tirar os medos queles que por tantas razes se demitem de acompanhar os jovens neste processo. Ningum est preparado, ningum sabe tudo e tem os dons todos do discernimento... Mas todos podemos ir sabendo e facilitando o realismo e a objectividade do encontro com Deus. Faz agora uma dzia de anos, foi-me dado o encargo da promoo vocacional dos Jesutas em

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    Portugal. Na verdade, o susto e os preconceitos do costume no tiveram muito peso porque sempre foi trabalho de equipa. Alm disso, desde a primei-ra hora de trabalho no Centro Universitrio em Coimbra que era ponto assente para toda a equipa que toda a pastoral pastoral vocacional! Nem h outra... Que a pastoral se no conduzir ao en-contro pessoal / interpessoal com o Senhor, ao ver e assumir o prprio lugar na Igreja e na sua misso para o mundo? -me muito incmodo ouvir falar de pastoral vocacional como tcnica ou como coisa parte... s vezes ainda mais incmodo, porque sabe a descul-pa, a invocar a famosa crise de vocaes. H pelo menos uma crise que a nossa dificuldade de mudar de mentalidade, continuando a pautar e a comparar com modelos e nmeros antigos. Queremos tapar buracos das nossas instituies ou ajudar a dar res-postas pessoais aos apelos de Deus que no deixou de chamar? Alegro-me muito por quantos, nestes ltimos 13 anos, entraram no nosso noviciado (uma mdia de 4 por ano). Peo por eles, pois o processo de amadu-recimento e explicitao continua. E ofereo-lhes este livrinho. Alegrei-me tambm por aqueles rapazes e raparigas que optaram por outros carismas de con-sagrao. Mas todos no chegam a 1/4 de quantos se questionaram a fundo, entraram em discernimento

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    e foram encontrando cristamente o seu lugar a sua vocao crist. A linguagem dos nmeros a menos linear! Em vrias ocasies fui chamado a colaborar no aprofundamento da problemtica vocacional, hoje, e do seu discernimento: grupos universitrios, retiros, cursos... Os textos que se seguem coleccionam esses apontamentos. E acrescentei-lhes uma srie de meditaes breves escritas para a revista Mensageiro.

    Vasco Magalhes, S. J.27 Setembro 1992

  • I

    VOCAO E VOCAES PESSOAIS

    Histrias de amizade e libertao

    Caminhos reveladores

    Opes construtivas

  • Esquema da I Parte

    1. Vocao e vocaes a) Vocao: um tema e muitas questes a esclare-

    cer. b) Vocaes: muitos casos e um trao comum... O que a Bblia nos mostra.

    2. O que no vocao: a) no sentimento; b) no profisso; c) no s para alguns; d) no predestinao.

    3. O que ento ser chamado? Nveis e passos do chamamento: 3. 1. Chamados vida humana: a ser homens: a) 1 passo: chamados vida b) 2 passo: chamados a ser pessoas; c) 3 passo: chamados ao crescimento: perfei-

    o; d) 4 passo: chamados comunho e ao servi-

    o.

    3.2. Chamados dimenso religiosa da vida: um corpo e uma misso.

    3.3. Chamados vida crist: a ser cristo: pessoas em Cristo, no Esprito.

    A vocao baptismal.

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    3.4. Chamados a ser cristos de modo prprio, segun-do o Esprito, na Igreja.

    As vocaes especficas.

    4. Vocaes: revelaes das dimenses de Cristo: a) ...ao sacramento do matrimnio; b) ...ao sacramento da ordem; c) ... vida consagrada (e as suas variadas formas); d) ... vida laical (e os leigos consagrados); e) Esquema-Resumo (quadro).

    5. Vocao ... (tentativa de clarificao e descrio): a) Vocao e profisso; b) Discernimento vocacional; c) Proposta e resposta; d) Tentativa de definio:

    1 aspirao de um bem 2 o que no fundo quero 3 manifestao do Esprito

    e) Motivao e ideal; f) Vocao e vontade de Deus; g) Vocao: Aliana e Dilogo.

    6. A modo de concluso: Vocao, Mistrio de Amor: uma histria de amizade

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    1Vocao e Vocaes

    a) Vocao: um tema e muitas questes a esclarecer

    Vocao! Antes de mais, qual o significado de tal pa-lavra? Vocao tem a ver com a palavra voz, que vem do verbo latino vocare, isto , chamar. Significa, pois, apelo, chamamento. A prpria palavra j sugere algo ou algum que nos convoca e nos provoca. Desafio e interpelao e, portan-to, opo, resposta e caminho: eis o nosso tema. Parece fcil. Mas, se nos colocamos em contexto religioso, surgem logo imensas questes como, por exemplo: 1) Existe a tal vozinha interior que diz a cada um quem e o que deve fazer? 2) Habitualmente fala-se de ter (e no ter) vocao: afinal uma coisa que se tem? da ordem do ter ou do ser? 3) E isso significa predestinao? Ou antes, uma opo?... Surgem ainda questes de outro gnero: 4) Qual a relao entre vocao e profisso? 5) E entre vocao e vontade de Deus? 6) E como que eu a conheo? 7) Quantas vo-

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    caes h? um problema s de alguns, ou de todos?

    Eis apenas uma amostra dos problemas que se levantam!

    b) Vocaes: muitos casos e um trao comum; o que a Bblia nos mostra

    Comecemos ento a desembrulhar, passo a passo, esta realidade que tantas vezes nos parece mtica ou mgica. A Bblia, desde o Antigo ao Novo Testamen-to, est cheia de narraes a que chamamos expe-rincias de vocao. Deixando de lado a Criao como chamamento da humanidade vida, pelo que de figurativo a narrao de Ado e Eva en-cerram, comecemos, logo, pelo primeiro dos grandes Patriarcas, Abrao. O texto conta-nos que Deus disse e ele ouviu (a tal voz a dizer--lhe): deixa a tua terra... e vai. Farei de ti... uma grande nao. Encontramos um primeiro trao comum a todas as vocaes: deixar qualquer coisa e partir. E logo aqui, sabemos que isto deixa em muitas pessoas uma sensao negativa. Talvez porque insistimos demais no deixar, esquecendo o que se adquire. Ora nenhuma medalha tem um s lado.

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    Outros exemplos, encontramo-los nas his-trias de vocao dos profetas e de quantos so chamados para certas misses, enviados a de-sempenhar certas aces. Mas que estas palavras de chamar e conferir misso no se tornem fantasmas: o Antigo e o Novo Testamento esto recheados destas expresses. Importa entender que, antes de mais, um povo inteiro que cha-mado e tem uma misso e recebe uma promessa, estabelecendo-se assim uma Aliana de Deus com o seu Povo. Este termo tambm muito importante para a compreenso do que o Cha-mamento. Nos textos bblicos encontram-se sempre trs elementos-base: deixar uma situao, assumir uma misso, viver uma aliana. E para entender a vocao bblica preciso entrar na temtica da Aliana como relao interpessoal, numa estrutu-ra de dilogo. Se abrirmos o Novo Testamento, encontra-mos com facilidade Jesus a dizer a um, Mateus, Vem e segue-Me, a dizer a outros, Joo e Tiago, Vinde e vede, a Filipe e a Natanael... a Pedro: Deixa as redes e segue-Me. Dirige-Se sempre a pessoas concretas, com nome prprio, que so escolhidas. E pode ser, precisamente, esse aspecto que mais preocupe algum e faa surgir noutros dvidas e defesas, sobretudo quando esse

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    acontecimento apresentado como se fosse algo mecnico, automtico, com exigncias impostas e predestinadas, sem o tal dilogo (Aliana) de amor. Alis este tema, at por ser dinmico e his-trico, tem de ser tratado juntamente com o do Discernimento. Para avanar e por agora basta lembrar o ambiente de liberdade em que Jesus Se move, comeando muitas vezes por: Se queres... Devemos pois prosseguir passo a passo para no confundir realidades com preconceitos e apa-rncias.

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    2O que no a Vocao

    a) No um sentimento

    Uma coisa deve ficar clara desde j: que ser chamado, certamente, no a tal vozinha en-tendida como um toque mgico... No se trata de um sentimento, ou melhor, no se reduz a um sentimento. Muitas vezes ouve-se dizer: Mas eu no sinto nada.... Ora h imensas coisas que eu no sinto ao nvel do sensvel, mas da no posso concluir nada! Por exemplo, quantas vezes no sin-to nada de especial pelo meu trabalho e sei o que devo fazer