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  • Revista Enfoque Teológico • 9

    * O autor é Mestre em Teologia pela PUC RJ, bacharel em Teologia, pedagogo, escritor e especia-

    Esdras Costa Bentho*

    A mensagem do Reino de Deus foi entregue por Jesus por meio do recurso parabólico. Para entendermos os seus ensinos é necessário compreendermos as parábolas e suas relações com a tradição dos sá- bios e profetas do Antigo Testamento. Todavia, os gregos também as

    propõe-se a percorrer o itinerário histórico-literário das parábolas e o seu efetivo emprego por Jesus. Em que as parábolas de Jesus se distinguiam das grandes tradições hebraica e grega? Depois de respondermos a questão faremos uma breve análise acerca das pará-

    Parábola do Semeador.

    Parábolas, Exegese, Reino de Deus.

    O termo grego (parabolh,) é traduzido com diversos sentidos no contexto do Novo Testamento. Depois dos Evangelhos, somente o escritor aos Hebreus emprega o vocábulo por duas vezes (9.9; 11.19), mas seu uso frequentemente está relacionado aos ensinos de Jesus nos Evangelhos. Em Hebreus 9.9 o vocábulo é traduzido por “alegoria” (ARC), “ilustração” (NVI), “parábola” (TB, ARA) e “símbolos” (BP, TEB, BJ).

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    Em Mateus 21.45 a ARC verte o vocábulo por “palavras” enquanto a TB, ARA, TEB e a NVI mantêm o sentido literal “parábolas”. Os Evangelhos Sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas) usam o termo por quarenta e oito vezes, de acordo com 27 e :

    parabolai/j [12] Mt 13.3,10,13,34,35; 22.1; Mc 3.23; 4.2,11,33;12.1; Lc 8.10;

    parabola.j [4] Mt 13.53; 21.45; Mc 4.10,13;

    parabolh, [3] Mc 4.30; Lc 8.11 [Hb 9.9; 11.19];

    parabolh.n [26] Mt 13.18,24,31,33,36; 15.15; 21.33; 24.32; Mc 4.13; 7.17; 12.12; 13.28; Lc 4.23; 5.36; 6.39; 12.16,41; 13.6; 14.7; 15.3; 18.1,9; 19.11; 20.9,19; 21.29;

    parabolh/j [3] Mt 13.34; Mc 4.34; Lc 8.4.

    O vocábulo procede da preposição para (para,), isto é, “ao lado de”, que expressa movimento “próximo a”; e de ball (ba,llw), que

    portanto, é “jogar ou lançar ao lado de”, e, por extensão, “compa-

    mais verdades.

    Todavia, não se deve limitar a parábola à (metáfora, símile), às (ironia, eufemismo), e às - ras compostas (alegoria, fábula, enigma) (BENTHO, 2009, p.321-324), mas antes entendê-la como artifício retórico de argumentação análo- ga, usada como arguto recurso literário, didático e retórico capaz de

    comparação ( ) e a parábola ( ) está explícito em Marcos 4.30. O

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    rigidamente as diferenças entre esses recursos retóricos e estilísti- cos, uma vez que o

    - rábola ao contexto dos Evangelhos Sinópticos em vez de estudá-la em um sentido mais amplo (SCHOTTROFF, 2007, p.128). Entendo que a preocupação da autora é fugir da limitação a que os escritores ocidentais de tradição aristotélica sempre recaem ao considerar esse recurso dentro do escopo da Retórica, apenas como ilustração para facilitar a compreensão em assuntos de redobrado esforço cognitivo. Certo é que o emprego sinóptico discorda dessa maneira usual de compreender a parábola. Em Marcos 4.11-13, por exemplo (ver Mt 13.13-17), a parábola é usada com sentido completamente diferente, enigmático. Não é narrada para explicar, mas para ocultar o sentido!

    atre, (qera,peuson seauto,n), traduzido pela ARC como “provérbio”, como se tratasse de um mero aforismo, é uma parábola, de acordo com a tradição sinóptica (ver 1Sm 10.12; 24.13; Ez 16.44). Certamente equivale a um aforismo semelhante àqueles que encontramos nos

    como uma parábola de caráter epigramático sintético e que se presta a uma comparação direta ou metafórica. Percebe-se, portanto, que

    possa compreender a insensatez ou a sabedoria demonstrada pelos atores parabólicos. Todavia, a base para a compreensão do recurso parabólico na tradição sinóptica acha-se não somente no Antigo Tes- tamento, mas também nos escritos de Qumran e nos pseudoepígrafos

    2000 [vl.1], 2001 [vl.2], 2002 [vl.3]).

    parábola não deve se restringir “as obras dos retóricos ocidentais”,

    Jeremias ao descrever as parábolas como uma forma de . Nesta

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    baseadas na comparação: “máxima, provérbio propriamente dito, pronunciamento de sabedoria, similitude e a assim chamada parábola-

    FOHRER, 1997, p.460). De modo geral, o designa os gêneros literários da doutrina sapiencial do Antigo Testamento empregados de modo elástico e abundante nas escrituras veterotestamentárias. Não se pode negar a correspondência entre as duas tradições, semítica e helênica, entretanto é necessário distinguir entre o modo de falar e a função da parábola na primeira em relação à segunda. Àquela supera esta pela natureza própria da mensagem que transmite.

    Lembremos que no Antigo Testamento, a Septuaginta (LXX) traduz o termo hebraico (lv’m’) por (parabolh,); e que o vocábulo semítico é usado com frequência para se referir aos “provérbios” ( ) dos sábios (1 Sm 24.13; Ez 17.2; 18.2; etc.).1 Em

    restrito, por sua vez, quer dizer “comparação”, “correspondência” ou “translação de sentido”, como se emprega geralmente em o Novo Testamento. Mas as correspondências são epidérmicas e fugidias. As parábolas greco-romanas, de acordo com Snodgrass, apresentam

    apresentem o mesmo padrão. Porém, o vocábulo e como se apresentam nas Escrituras tem um campo semântico su- perior ao uso comum heleno-latino (SNODGRASS, 2010, p.85-93.). Segundo Osborne, com exceção da parábola do Bom Samaritano (Lc 10.25-37), as de Jesus são diferentes das mais 325 rabínicas e também das parábolas helênicas (OSBORNE, 2009, p.372).

    Essa estreita relação da parábola nos Sinópticos com o

    1 Cf. Verbete:

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    que é necessário enfatizar o conceito semítico sem, contudo, igno- rar o ocidental. O especialista Snodgrass, após extensa pesquisa,

    as parábolas pelo caráter multifacetado e amplo desse recurso li- terário (SNODGRASS, 2010, p.85-93.). C. H. Dodd (2010) também

    Em ambos os casos, os termos podem referir-se a um provérbio (1 Sm 24.13; Ez 18.2,3; Lc 4.23; 6.39); uma sátira (Sl 44.11; 69.11; Is 14.3,4; Hc 2.4); uma charada (Sl 49.4; 78.2; Pv 1.6); um dito simbólico (Mc 7.14,17; Lc 5.36,38); uma símile extensa ou simili- tude (Mt 13.33; Mc 4.30,32; Lc 15.8-10); uma parábola histórica (Mt 25.1-13; Lc 14.16,24; 15.11-32; 16.1-8); um exemplo de parábola (Mt 18.23-25; Lc 10.29-37; 12.16-21; 16.19-31); e, até mesmo, uma alegoria (Jz 9.7-20; Ez 16.1-5; 17.2-10; 20.49 – 21.5; Mc 4.3-9,13-20; 12.1-11) (Stein,1999, p. 143).

    Apesar do aviso dos especialistas atrevo-me a conceituá-la -

    tra ou oculta uma verdade moral e religiosa com o propósito de inserir o ouvinte-leitor dentro do enredo para que ele atente para a advertência, o exemplo, a doutrina ou o comportamento que deve ser apreciado ou rejeitado de acordo com o propósito da parábola.

    Nesse aspecto é necessário que se entenda a como recurso importante e necessário aos textos ou ensinos:

    a) Admoestativos: isto é, que se propõem por meio de uma analogia ou comparação advertir de uma falta, aconselhar a uma atitude, ou a exortar (2 Sm 12.1-7; Mt 18.23s; Lc 12.16s; 16.1s, etc.);

    ou seja, que procuram impressionar o leitor-ou-

    algum ensino de caráter moral ou religioso (Lc 7.40-43; 8.4-18; 16.1- 13; etc.);

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    c) Atitudinais: pois tem por objetivo levar o leitor e ouvinte a se posicionarem a favor ou contra uma ideia, opinião ou verdade em uma controvérsia. O ouvinte-leitor, quando ouve ou lê a comparação é conduzido a decidir-se a favor ou contra aquilo que está evidente na parábola (Mt 20.1-16; 21.28-32, etc.);

    d) Aférese: uma vez que o sentido está contido na descri- ção, mas oculto por supressão da linguagem direta, provocando a suspensão do juízo por parte daqueles que não tem empatia com a mensagem comunicada (Mt 13.13-17; Mc 4.11-13, etc.).

    Entre as inúmeras pessoas no Antigo Testamento que usaram este recurso, podemos citar como exemplo, ainda que não exclusi- vamente:

    O profeta Ezequiel está entre os inúme-

    clara e acessível àqueles que estivessem à margem dos contextos político e religioso de seu tempo (cf. Ez 17.3-10; 19.2-9,10-14; 21.1-5; 24.3-5; cf. Is 5.1-7).

    As parábolas também eram usadas pelo povo, sábios e profetas de Israel em forma de provérbios parabólicos (cf. Ez 18.1-3; Sl 78.2; ver 2 Sm 12.1-14; 14.1-11; 1 Rs 20.35-40).2 O propósito

    clara e inteligível ao povo quando era acompanhada de uma narrativa que colocava a realidade a ser percebida com a história a ser contada.

    De modo semelhante, com o emprego do método parabólico para descrever o ensino e a mensagem do Reino de Deus, Jesus pre- tendia tornar a realidade e verdades do Reino de Deus compreensí- veis ao homem de seu tempo, desde que esse respondesse positiva-

    2

    CPAD, 2010, p.35-56.

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