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III-1 O PORTO DE LISBOA E A GOLADA DO TEJO A visão de um ex-Administrador do Porto de Lisboa Comunicação apresentada na Academia de Marinha pelo engenheiro Damião Martins de Castro, em 26 de Janeiro de 2010 Não poderia começar esta intervenção sem agradecer o honroso convite que me foi dirigido para abordar o tema “Porto de Lisboa e o fecho da golada”, dados, sobretudo, os tão grandes pergaminhos do local em que nos encontramos. Permitam-me que deixe dito, constituir de facto, para mim, um privilégio o poder dirigir as minhas palavras a esta Academia de Marinha.

O PORTO DE LISBOA E A GOLADA DO TEJO

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  • 1.III-1 O PORTO DE LISBOA E A GOLADA DO TEJO A viso de um ex-Administrador do Porto de Lisboa Comunicao apresentada na Academia de Marinha pelo engenheiro Damio Martins de Castro, em 26 de Janeiro de 2010 No poderia comear esta interveno sem agradecer o honroso convite que me foi dirigido para abordar o tema Porto de Lisboa e o fecho da golada, dados, sobretudo, os to grandes pergaminhos do local em que nos encontramos. Permitam-me que deixe dito, constituir de facto, para mim, um privilgio o poder dirigir as minhas palavras a esta Academia de Marinha.

2. 2 Na abordagem deste tema, os meus antecessores, Almirante Francisco Vidal Abreu e Comandante Ferreira da Silva, expuseram j, na perspectiva e com o saber de que so portadores, as vantagens que traria, ao porto de Lisboa, o fecho da golada. No pretendo, de modo algum, abordar a importncia do porto de Lisboa, na perspectiva do seu passado histrico, nem enquanto base da Marinha de Guerra, porque os conhecimentos que detenho em nada acrescem ao saber desta Academia. Na qualidade de ex-presidente da APL, o meu contributo para esta anlise focar, portanto, apenas, dois pontos. Por um lado, haver de ressalvar a importncia da preservao do porto de Lisboa e o seu desenvolvimento, enquanto infra-estrutura que serve a maior regio econmica do Pais e uma das grandes da Pennsula Ibrica e, por outro lado, haver de deixar expressa a minha viso, ainda que de forma breve, do que devem ser os caminhos a trilhar por Portugal enquanto Nao com uma situao privilegiada no contexto das Naes Martimas, em que considero ter, o nosso Pas, uma posio relevante. Em minha opinio, presentemente, o porto de Lisboa definha a olhos vistos. No, enquanto foco logstico e de passagem de grande parte da mercadoria que entra e sai do nosso Pas. sabido que, em termos de carga total, por aqui transitaram, em 2008, cerca de 13 milhes toneladas, sendo que nos portos, a nvel nacional, foram processadas cerca de 62 milhes toneladas, em igual perodo. Portanto, o porto de Lisboa processou 20% da carga total processada a nvel nacional. Visto pelo lado do n. de contentores, e de TEUs a carga movimentada no porto de Lisboa. Vale 44%, da processada a nvel nacional. Contudo, existem factos, que alis so do conhecimento pblico, que comprovam a minha anterior apreciao no que concerne ao definhar do porto; decorrente da natureza adversa das polticas, dos poderes e respectivas conceptualizaes a que o porto se encontra sujeito. Em primeiro lugar, creio que os governos recentes no tm entendido a importncia do porto: umas vezes por fuga ou omisso, como foi o caso do cancelamento do concurso para a obra do fecho da golada; outra, por desvario legislativo, como julgo ser o prolongamento do terminal de contentores de Alcntara. 3. O PORTO DE LISBOA E A GOLADA DO TEJO A VISO DE UM EX-ADMINISTRADOR III-3 Em segundo lugar, como sabido e pblico, no do agrado das autarquias que se opere a carga no porto de Lisboa, em especial nos locais que reivindicam como domnios da sua jurisdio. Em terceiro lugar, tm-se feito ouvir, aqui e alm, opinies segundo as quais o porto de Lisboa deveria ser apenas e s destinado a navios de grande Turismo, os chamados navios de cruzeiro, e ainda chamada Nutica de recreio. Em qualquer dos casos, atrevo-me a declarar, nada de mais errado. Porqu? Vejamos ento os porqus? 4. 4 A importncia do porto de Lisboa, no plano econmico , do meu ponto de vista, fundamental para a competitividade econmica da cidade e da Regio em que se insere. Regio notoriamente desenvolvida, quer no contexto do pas, quer, como acima ficou dito, ao nvel da Pennsula Ibrica. Aqui vive trs milhes e quinhentos mil pessoas, um tero da populao do Pas. Para um PIB Nacional de 166.433 milhes de euros, a Regio de Lisboa e Vale do Tejo, contribui com75.550 milhes. Com uma populao de 33%, a Regio contribui com cerca de 45% para formao do PIB. Sei por experincia prpria, colhida no tempo que estive ligado a aeroportos e portos, que, estando estes ligados a cidades, so estas e no aqueles os locais de destino das pessoas e das mercadorias. nas cidades que confluem as populaes que procuram os espaos de vida e de consumo de que usufruem. Sem a carga no porto de Lisboa a Regio Metropolitana de Lisboa no poderia, necessariamente, oferecer a estas populaes o nvel de vida e bem-estar a que as acostumou. Sabemos, com efeito, que um dos grandes problemas do nosso Pas, por todos, alis, apregoado, a falta de competitividade econmica. Organismos internacionais credenciados falam j de grande diferencial de competitividade. Sabemos, tambm, que as cidades porturias se constituram volta do seu porto, situao de que resultou uma competitividade superior das restantes. Sabemos, por fim, que a logstica dos transportes acrescenta s matrias-primas e s mercadorias um custo extra, em mdia uns seis a sete por cento. 5. O PORTO DE LISBOA E A GOLADA DO TEJO A VISO DE UM EX-ADMINISTRADOR III-5 Quer isto dizer que, para se ganhar competitividade econmica, ter de se optimizar essa logstica, sabendo partida que a uma menor distncia corresponde uma mais-valia considervel, decorrente da reduo dos custos. Seria, pois, impensvel transferir a carga, que passa no porto de Lisboa para Sines e Setbal sem prejudicar seriamente a competitividade econmica da cidade e da Regio Metropolitana e do Vale do Tejo Esta realidade justifica, de per si, a viso de outro futuro do porto de Lisboa. Qual a viso, ou qual o futuro? Para comeo de intenes, seria necessrio no reincidir no erro cometido em Alcntara, com o alargamento do terminal de contentores. A reivindicao por parte do concessionrio, sendo j antiga, nunca tinha feito vencimento. Contudo, desta vez avanou e, em meu entender, nos piores moldes, por razes, de todos, conhecidas. Enquanto ex-presidente do porto de Lisboa, mantenho o que sempre afirmei, a partir do momento em que tive acesso ao contrato: Jamais o assinaria. O pronunciamento do Tribunal de Contas do domnio pblico. Na Assembleia da Repblica correm, e a meu ver justificadamente, os processos legislativos conducentes sua anulao. Que seja aprovada em boa hora essa deciso, para bem do porto e das populaes que por aqui vivem e trabalham. Com efeito, ter ganho o estatuto de definitivo um terminal nascido provisrio e que assim deveria morrer constituiu um rude golpe nas perspectivas futuras do porto. Esta convico ganha maior firmeza se considerarmos que, desde a sua nascena, se concebera j uma alternativa com caractersticas de perenidade. Essa alternativa foi j aqui explanada, e bem, nas sesses em que intervieram o Senhor Almirante Francisco Vidal Abreu e o Senhor Comandante Ferreira da Silva. que no basta dizer que se acaba com o terminal de contentores de Alcntara. simultaneamente necessrio pensar, com seriedade, num terminal alternativo dentro do porto de Lisboa. Ali est, minhas Senhoras e meus Senhores, um dos maiores terminais de contentores a nvel nacional. Seguem-se novas reivindicaes, por parte de outras zonas da margem norte, onde existem j terminais de contentores. Uma delas, em Santa Apolnia, por necessidade da construo terceira travessia do Tejo. Outra, 6. 6 porque o movimento de contestao d dividendos a quem o impulsiona, quando mais no seja em termos populares. No h dvida que sobre o rio Tejo e sobre as suas margens se tem operado transformaes que so, indiscutivelmente, limitativas da actividade do porto. Mas, tambm, benficas para as populaes que por aqui vivem ou que aqui desejam deslocar-se. As zonas que pertencem ao porto, e que nem hoje nem no futuro tm vocao porturia devem, ser dele excludas para ingressar na competncia das autarquias, em moldes a definir. No s em Lisboa, como tambm a nvel nacional. Esse caminho, tem sido seguido com xito por outros pases, foi concretizado, entre ns, na zona do Parque das Naes, uma zona porturia degradada que hoje um dos ex libris de Lisboa, em grande parte devido s especificidades que envolveram o projecto Expo 98 que possibilitaram uma to profunda transformao. Cabe aqui lembrar, porm, que, ao tempo, no foi fcil vencer as foras que se opunham ao modelo de urbanizao adoptado. A terceira travessia do Tejo, que se anuncia, introduz limitaes ao funcionamento do porto, j tive oportunidade de expressar, publicamente, a minha oposio ao seu traado; mas traz, certamente, vantagens para as populaes de ambas as margens, e no s. De referir, ainda, a zona das docas e a envolvente do terminal de contentores de Alcntara, para onde se 7. O PORTO DE LISBOA E A GOLADA DO TEJO A VISO DE UM EX-ADMINISTRADOR III-7 fala j de um jardim junto dos contentores. A ser verdade, limitar e muito, a operao porturia. Surge, assim, a questo fundamental: Como manter o porto com as valncias actuais, se s populaes que cabe a vivncia e usufruto das singulares margens do rio? A soluo para este aparente dilema, no nova nem original, dado que outros a tm experimentado e com xito. So tantos os exemplos, que ser suprfluo citar, e demais o Sr. Comandante Ferreira da Silva j os referiu na sesso anterior, Londres, New York, ou Marselha. O porto tem de caminhar para fora da Cidade. Tecnicamente falando, sabido que as condies de fundos e navegabilidade ptimas esto alocadas na foz do Tejo, em especial na margem sul. , pois, nessa direco que o porto tem de caminhar. Uma tal soluo, que j esteve em cima da mesa, deve, no meu entender, voltar a ser equacionada. s Autarquias no agrada o manuseamento da carga nas suas zonas de influncia. um facto. Enquanto Presidente do porto, cheguei a ouvir afirmar que a Silopor devia abandonar as actuais instalaes. Devo admitir que conhecia, com algum detalhe as suas funes, dado o facto de ter sido o 8. 8 primeiro Presidente do seu Conselho Fiscal. Quando perguntei para onde deveria fazer-se a mudana, apenas obtive como resposta: para o Alentejo, sei l!?. Da minha experincia de Autarca (cabe aqui relembrar os oito anos de Presidncia da Assembleia Municipal de Vale de Cambra, por sinal uma das autarquias que mais serve e se serve dos portos de Aveiro e de Leixes, dado tratar-se de uma regio muito industrializada e com vocao exportadora), constato que a filosofia do poder autrquico , e bem, a defesa intransigente da vida e do bem-estar das populaes. Afinal so elas que elegem os autarcas. Mas ateno! Os interesses do todo Nacional devem sempre prevalecer sobre as convenincias das autarquias, por muito importantes que estas sejam. nesta categoria que se inscreve o caso de que vos falava. Nem o porto de Lisboa pode definhar, nem a Siloporque presta um servio de muita relevncia na silagem das matrias-primas que alimentam o nosso quotidiano - deve ser desactivada ou trasladada de local apenas por capricho autrquico e, sobretudo, sem uma anlise, cuidada, dos efeitos prticos dessa alterao. A Silopor nasceu para responder no s s necessidades nacionais, mas tambm como infra-estrutura estratgica, certamente como outras que se situam ao longo da nossa costa. Quanto queles muitos que pensam que o porto de Lisboa deve destinar-se s para Turismo e Lazer, creio que desenham projectos conceptualmente harmoniosos, mas que, do meu ponto de vista, constituem erros estratgicos graves e de efeitos um tanto ou quanto populistas, se tivermos em conta a origem dessas propostas. Bastar, alis, pensarmos se possvel que exista uma cidade possuidora de um porto com o de Lisboa, que tenha abdicado tout court da explorao do seu porto. E se existe, o que lhe aconteceu em termos de competitividade e de nvel de vida das populaes? No tenhamos dvidas. O porto tem uma funo que, como referi, indiscutvel: Servir a cidade de Lisboa e a maior regio econmica do Pas. Mas, para haver porto tem de haver mercadorias em trnsito. Tem de haver transporte martimo para as transportar. E, acima de tudo, o conjunto das vrias componentes deve ter como objectivo imprimir competitividade, de forma a rivalizar com os restantes portos nacionais e internacionais e com outros modos de transporte. No possvel, de forma precisa e sem margem de erro, prever o futuro. Mas, aquando da minha primeira vinda a esta Academia, ouvi o Senhor Almirante Vieira Matias, falar acerca da figura de Dom Nuno Alvares Pereira. Referindo-se a essa figura maior da nossa Histria afirmou que ele 9. O PORTO DE LISBOA E A GOLADA DO TEJO A VISO DE UM EX-ADMINISTRADOR III-9 soube analisar o passado interpretar o presente, compreend-lo e empurrar o futuro para o stio certo. Considero que ser precisamente essa a forma de se poder evitar a situao que o porto est a atravessar, situao que eu definiria como o desaparecimento enquanto porto de carga. certo que, com a adeso CEE, hoje Unio Europeia, as nossas trocas comerciais passaram, em boa parte, da carga dos portos para carga nas rodovias. Os parceiros comerciais tambm evoluram e aqui ao lado, a Espanha, de parceiro irrelevante passou a parceiro importante. Na exportao a carga, transportada na rodovia, ultrapassa j a carga martima. Ser por isso que j circulam notcias, segundo as quais a carga no cresce nos portos. um facto que a importncia dos portos decresceu, mas mesmo assim, os portos, nomeadamente o de Lisboa, mantm um elevado grau de importncia que preciso preservar. Tive, recentemente, oportunidade de ler duas declaraes, uma do Secretrio de Estado dos Transportes de Portugal e outra do Secretario Geral dos Transportes de Espanha, as quais so sempre indicadores da orientao poltica do sector de cada Pas. Carga transportada Import/Export 10. 10 Secretario de Estado dos Transportes Portugus afirmou que No transporte de mercadorias () no nossa inteno meter carga fora nos comboios ou navios, criando exorbitantes incentivos negativos ao transporte rodovirio, como por vezes algum fundamentalismo deixa entender Depois de dissertar sobre a arrumao da mercadoria pelos modos de transporte rodovirio, ferrovirio e porturio e de reconhecer que os Pirenus so todos os dias atravessados por 20.000 camies e 400 vages, o Secretrio Geral de Transportes de Espanha acaba dizendo. Pero estamos a tiempo de proporcionar un cmbio.( Estamos a tempo de proporcionar uma mudana) H, pois, que concluir que a importncia dos portos foi, e continuar sendo indiscutvel e estou certo de que, no futuro, ser imprescindvel por razes vrias, muito em especial devido implementao do Transporte Martimo de Curta Distncia, adentro do espao comunitrio, mas tambm por razes de natureza ambiental e de descongestionamento rodovirio. objectivo da EU., cito: EXPLORAR TODO O POTENCIAL DO TRANSPORTE MARTIMO DE CURTA DISTNCIA E DOS SERVIOS DE TRANSPORTE MARTIMO EM BENEFICIO DAS EMPRESAS E DOS CIDADOS NA EUROPA. 11. O PORTO DE LISBOA E A GOLADA DO TEJO A VISO DE UM EX-ADMINISTRADOR III-11 Perante o Parlamento Europeu, recentemente, o novo Comissrio dos Transportes. O Sr. Siim Kalas, reiterou esse objectivo e referiu-se a; um pacote martimo de ajudas que ser apresentado durante este ano. , ento, chegada a hora! O porto de Lisboa tem de ser capaz de despertar outro interesse nos poderes a que est sujeito, sejam eles o Governo ou as Autarquias e tem ainda de saber demonstrar s populaes desta Regio econmica a sua mais-valia. Tem de crescer e faz-lo em direco foz do rio Tejo, onde vai encontrar os fundos de que carece e as condies de navegabilidade necessrias projectando-se para fora da cidade que o viu nascer. Para tal, como alis, aqui foi dito nas sesses anteriores, h que avanar com os estudos tendentes construo do fecho da golada e a consequente construo do grande terminal na zona da Trafaria. Perguntar-me-o, qual o custo desta obra. Dir-vos-ei que desconheo o valor desse oramento. Mas, estou em condies de afirmar que a obra que vo fazer em Alcntara, em especial a seco subterrnea, no chamado caneiro de Alcntara, vai certamente envolver verbas avultadssimas. Ora, entre uma hiptese e outra, seria bem melhor fazer uma obra nica que poder resolver alguns problemas: retira os contentores do interior da cidade de Lisboa, soluciona, porventura, os problemas da Caparica e, porventura tambm, traz vantagens no domnio das dragagens. As acessibilidades, aquela zona, j esto pensadas em termos de ferrovia e rodovia. 12. 12 Assim ser, se quem de direito o entender e quiser contribuir para um futuro melhor para os actuais trs milhes e meio de pessoas que habitam e trabalham na Regio de Lisboa e Vale do Tejo. O Pas, creio, tambm beneficiar com esta opo. Que fazer de imediato? Informar a opinio pblica, recuperar o ante- projecto inicial, estudar o impacto ambiental com todo o cuidado, visto que foi um dos impeditivos anteriores, e seguir em frente. Porm, como todos compreendero, a opo poltica. Cabe ao Governo. Para terminar, gostaria de abordar ainda um tema, recorrente, mas nunca excessivo, sendo, alis, minha convico dito en passant que nunca ser de mais falarmos de tudo, para que alguma coisa mude. Quero, ainda, falar-vos do Mar. Todos se recordam certamente do discurso do ento Primeiro-Ministro, proferido no Mosteiro dos Jernimos aquando da nossa adeso CEE, em 12 de Junho de 1985. Dizia ele que seremos igualmente fiis nossa vocao atlntica, tendo visto, pelo presente Tratado, reconhecidos os nossos direitos sobre uma vastssima zona desse oceano, que to intimamente conhecemos h sculos e cujas imensas potencialidades importa urgentemente saber aproveitar. Na busca desse saber aproveitar, tm-se feito algumas tentativas ao longo destes anos, ora criando o Ministrio do Mar, ora passando-o a Secretaria de Estado. A meu ver, com pouco sucesso. No Vero de 2009, foi publicado um estudo da Associao Comercial de Lisboa que no queremos deixar de louvar. Est de parabns o Presidente da associao, Dr. Bruno Bobone. O referido estudo intitula-se; Hipercluster da Economia do Mar e nele se equacionam uma srie de itens que interessa desenvolver de forma coordenada. Trata-se de uma chamada de ateno, dirigida s instncias polticas e sociedade civil, para a importncia da economia do Mar. Ali se deseja e se afirma possvel que o valor directo, e repito, directo, das actividades econmicas ligadas ao Mar aumente o seu peso directo na economia portuguesa de dois por cento do PIB para quatro a cinco por cento no final de 2025. Quer isto dizer que, em pouco mais de uma dzia de anos, se pretende, duplicar os valores actuais. Todos sabemos: a politica do Mar hoje, em grande parte se no na totalidade, definida em Bruxelas e Estrasburgo. , portanto, a, nesses Fruns, que devemos fazer valer as nossas posies. 13. O PORTO DE LISBOA E A GOLADA DO TEJO A VISO DE UM EX-ADMINISTRADOR III-13 Em primeiro lugar, porque nossa uma vastssima zona desse atlntico, correspondendo, em termos de Zona Econmica Exclusiva, a dois teros do Mar da Unio Europeia. Em segundo lugar, porque to bem a conhecemos. O Mar foi, durante muito tempo do passado, o nosso destino e dele nos vieram lgrimas e grandeza. Que papel desempenhar ele no nosso futuro colectivo? Eis a grande questo. Tenho dito. A todos muito obrigado.