33o Congresso CNTE caderno_de_resoluções-aprovadas

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  • RESOLUES APROVADAS

  • R e s o l u e s a p R o v a d a s

    3 3 o C o n g R e s s o n a C i o n a l d o s T R a b a l h a d o R e s e m e d u C a o2

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    INTERNACIONALO mundo vive um momento de instabilidade

    generalizada, onde as polticas conservadoras e reacionrias ganham protagonismo central.

    Desde 2008 o capitalismo vive uma crise estrutural que tem atingido de forma mais contundente os pases emergentes, cuja economia est baseada na financeirizao internacional e na venda de commodities. Os Estados nacionais perdem para grandes empresas transnacionais, seu poder de controle das polticas macroeconmicas. Os especuladores mundiais movimentam por dia U$ 3,5 trilhes, valor superior a 40 vezes ao valor monetrio das transaes de bens e servios mundial.

    A crise capitalista segue seu curso e se aprofunda, confirmando a anlise de seu carter prolongado e mais abrangente crise do capitalismo desde 1929.

    O capitalismo, hoje completamente globalizado, necessita de crises para seu funcionamento. Em 2008, porem, d-se o incio de uma nova crise financeira mundial, afetando primeiramente os pases do capitalismo central, como os EUA.

    O perodo em questo conjugado com os efeitos deletrios da Primavera rabe - responsvel pela desestruturao poltico-social e econmica de diversos pases do norte da frica e do Oriente Mdio, deram origem ao refluxo nas polticas de bem-estar social em todo o mundo e ao maior movimento imigratrio de refugiados na histria recente da Europa, provocando o fechamento das fronteiras em diversos pases, a morte de milhares de pessoas em travessias martimas, alm do recrudescimento da xenofobia e do fascismo no Velho Continente.

    O plebiscito que aprovou a sada do Reino Unido da Unio Europeia, sob a campanha do Brexit (Britain Exit), foi uma vitria no s do partido nacionalista britnico, mas de alas conservadoras europeias e do resto do mundo, que em nome da pretensa proteo dos seus empregos criminalizam os imigrantes desconsiderando os efeitos da crise econmica, do avano da robtica e da globalizao que investe no subemprego asitico e em outras partes do

    mundo. Outros pases ameaam seguir o Reino Unido, colocando em xeque uma unio continental pautada na integrao econmica, social e cultural entre naes, que serviu de referncia para o Mercosul e a Unasul.

    A pauta nacionalista, conservadora e neoliberal que se espalha perigosamente em nvel global, atravs de governos e partidos de direita e ultradireita, alm de no sanar os problemas da recente crise do capitalismo sobretudo o desemprego e a ampla supresso de direitos sociais e trabalhistas e da expanso do terrorismo tende a causar mais instabilidade socioeconmica e poltica no mundo com perseguies a estrangeiros, em especial a refugiados e a comunidades tidas como minorias, a exemplo de ciganos, LGBT e determinadas etnias e grupos religiosos.

    Se, por um lado, a correlao de foras que rege a ONU no capaz de conter calamidades e guerras no mundo. No Haiti, mesmo aps o terremoto que matou mil pessoas e agravou a epidemia de clera introduzida pelas tropas da ONU, as massas oprimidas renovam a resistncia contra a ocupao da Minustah. A situao na Sria e em inmeros pases africanos vtimas de guerras e do desamparo civilizatrio, as foras tradicionais de esquerda no tm conseguido apontar horizontes que sirvam de contraponto expanso do neoliberalismo e do conservadorismo poltico nos diversos continentes, o que requer maior capacidade de mobilizao e formulao dos campos progressistas que defendem a paz com incluso social.

    A eleio de Donald Trump, nos Estados Unidos, expressa a trajetria contraproducente e alienada do cidado mdio em confiar a soluo de problemas de origem neoliberal a representantes das elites. E essa uma contradio que tem se tornado corriqueira no mundo, com o crescente descrdito da poltica fomentado por meios de comunicao em favor da plutocracia. A administrao Trump, alm de manter as estruturas do imperialismo americano, reforar a cortina de fumaa em torno do desemprego estrutural nos EUA, resultado da ganncia inescrupulosa do capital, responsveis por elevar a taxa de acumulao do 1% mais rico do mundo a patamares

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    nunca vistos. O novo presidente americano ainda carrega a insgnia da xenofobia, da homofobia, da misoginia, da segregao racial e da intolerncia poltica.

    No contexto das disputas geopolticas, a (re)ascenso da Rssia como contraponto ao imperialismo americano consiste em enfraquecer o governo e os agentes capitalistas norte-americanos e centro-europeus no receiturio das polticas neoliberais e de interveno econmico-militar em diversos pases, muitos dos quais da zona de influncia russa. Contudo, preocupa a aproximao de governos e partidos de direita e ultradireita ao governo russo atrados pela agenda conservadora de Putin contra homossexuais, imigrantes e minorias em geral.

    J a Amrica Latina e os demais pases perifricos do planeta passaram a sentir os efeitos da crise de 2008 principalmente depois que os EUA comearam a interferir na formao dos preos das commodities, em especial do petrleo.

    No campo governamental, a reduo drstica do preo mundial do petrleo caindo de US$ 147,50 em julho de 2008 para US$ 25,00 em janeiro de 2015 visou atacar sobretudo os interesses dos BRICS, que se pautavam no fortalecimento das relaes multilaterais, com destaque para a criao do G-20 e do Banco dos BRICS. Esses novos atores polticos tinham e tm por objetivo alterar a governana mundial, dando protagonismo s naes emergentes frente s grandes potncias e promovendo modelos de desenvolvimento opostos ao neoliberalismo defendido pelas agncias multilaterais de domnios norteamericano e centro-europeu, como FMI, BIRD e OMC.

    J na esfera empresarial, a reduo das commodities atuou como verdadeiro ataque especulativo s empresas e riquezas naturais dos pases perifricos, inclusive o Brasil, abrindo as portas para a retomada das privatizaes do patrimnio pblico. E a Petrobras junto com o Pr-Sal so alvos principais dessa estratgia geopoltica.

    Diante desse cenrio, pode-se afirmar que os EUA estiveram por detrs do golpe institucional no Brasil. E o assalto ao poder pelas elites locais cumpriu o papel de retomada da hegemonia neoliberal no principal pas da

    Regio, acompanhando o movimento de derrocada de projetos populares nos pases vizinhos, seja por meio do voto direto, como ocorreu na Argentina, seja atravs de golpes institucionais, como os de Honduras, Paraguai, alm do Brasil.

    Ponto positivo da conjuntura latino-americana diz respeito ao processo de paz entre o Governo colombiano e as FARC. J o processo de abertura poltico-comercial de Cuba precisa ser visto com cautela, pois alm da necessidade de se manter as conquistas sociais, preciso acabar com o criminoso bloqueio norte-americano ilha. Em nosso continente, o imperialismo se joga para reconquistar posies perdidas como mais notrio na Venezuela, mas na crise ele no controla completamente as consequncias de suas iniciativas. Os trabalhadores resistem, como na greve geral Chilena em defesa da Previdncia Pblica e Solidria.

    Diante da conjuntura mundial, onde as foras polticas de esquerda ainda no conseguiram dar respostas consistentes para os problemas advindos da crise do capital, cabe aos movimentos social e sindical progressistas organizarem amplas frentes de resistncia capaz de denunciar os abusos do capital e de criar conscincia crtica nas sociedades.

    Mais do que nunca faz-se necessrio a unio dos(as) trabalhadores(as) em torno de um projeto socialista que rompa com a lgica capitalista da mais valia e da propriedade privada. Surgem da a importncia das centrais de trabalhadores(as) internacionais como a CSI (Confederao Sindical Internacional) e CSA (Confederao Sindical das Amricas), alinhadas na luta contra o imperialismo e que fazem a defesa da classe trabalhadora, contrapondo-se nefasta lgica do capital.

    Urge a construo de novas vias de esquerda para enfrentar o avano descomunal do capitalismo em nossa regio e no mundo, o que deve ocorrer atravs da criao de frentes partidrias e de fruns sociais em mbito nacionais e mundial, aos quais a CNTE e seus sindicatos filiados devem se inserir. Tambm necessrio fortalecer o protagonismo contra-hegemnico nas esferas das entidades internacionais de representatividade social e dos trabalhadores, a fim de

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    combater tanto o poder alienador da mdia defensora do status quo neoliberal, como a ditadura das naes e dos agentes capitalistas que exploram e oprimem mais de dois teros da populao mundial. Os tratados comerciais draconianos que submetem a soberania das naes aos interesses do capital, tambm devem ser rechaados pela resistncia progressista, com destaque para o Tratado de Associao Transpacfico (TTP) e o Acordo sobre Comrcio de Servios (TISA).

    Desde 2012, governos de 50 pases, liderados por EUA e UE, tramam um amplo acordo sobre o Comrcio de Servios, o TISA (Trade in Services Agreement). O que verdadeiramente est em jogo nesse acordo muito mais qu