Almanaque Chuva de Versos n. 382

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Text of Almanaque Chuva de Versos n. 382

1. 2 Uma Trova de Ponta Grossa/PR Maria Helena Oliveira Costa Encanto?... Nenhum se iguala ao que Deus faz suceder, quando a semente se instala, dando vida a um novo ser! Uma Trova de Cruz Alta/RS Ivan Soares Schettert Todos os anjos que cantam da natureza, a beleza, so trovadores que plantam sementes de realeza! Um Soneto de So Simo/SP Thalma Tavares SONETO DA AMIZADE (Para Lisete, Delcy, Dorothy e Divenei} Esta vida me deu grandes riquezas!... No me refiro prata nem ao ouro, mas a amigos que tive nas tristezas, que so ainda o meu maior tesouro. So amigos no incerto e nas certezas, no efmero e tambm no duradouro, que sabem perdoar minhas fraquezas, e rir, e ser, na dor, ancoradouro. Assim, quando eu partir para o outro lado, aps pagar, talvez, algum pecado, recobrarei a paz na conscincia... Mas l, no Cu, serei quem nunca dorme, s por velar, numa saudade enorme, os amigos que fiz nesta existncia. Uma Trova Humorstica de Ibipor/PR Maurcio Fernandes Leonardo Passa creme na carcaa sempre que a eroso abunda, mas a ruga, por pirraa, cada vez fica mais funda! Uma Trova de Cruz Alta/RS Jos Westphalen Corra Desde o Amazonas ao Prata - num pensamento, a certeza: 2. 3 Defender a nossa mata e salvar a natureza! Um Soneto de So Simo/SP Thalma Tavares MILAGRE Eu era um deserto cinzento, sem flores - um cho de tristeza em que no cresce a palma. Ento ela vem e me fala de amores, e sobre o meu ermo a esperana se espalma. Cobrindo de estrelas o ocaso sem cores, trocando amarguras por noites de calma, com rimas e afagos calou minhas dores, e ps em meu peito o candor de sua alma. O vulgo no sabe quem a criatura que a mim favorece com tanta doura, repondo em meu ser a perdida alegria. Os bardos j sabem do que estou falando, mas vou concluir feito um bardo, cantando, dizendo entre versos: - seu nome Poesia! Uma Trova Hispnica do Mxico Carlos Cortez Bustamante Con romance y alegra vibran tus notas, guitarra tambin cantan la agona del amor que se desgarra. Um Sonetilho de So Simo/SP Thalma Tavares SONETILHO II (Da espera) Enquanto eu te esperava - e te esperei deveras - vi passar pelo cu todas as luas plenas, vi passar muito inverno e muitas primaveras. - "Um dia, eu voltarei!" Disseste. E eu pude apenas encher a solido dessas longas esperas com poemas de amor, com mentiras amenas. Menti ao corao que ainda sonha contigo, que fnge ser feliz nessa espera sem fim, que de tal forma teu, que no anda comigo, j no vive em meu peito e no bate por mim. 3. 4 Trovadores que deixaram Saudades Belmiro Braga Distrito de Vargem Grande (hoje Municpio com o seu nome)/MG (1872 1937) Juiz de Fora/MG A me que a um filho acalenta - tal o seu amor profundo - tem a impresso que sustenta em seus braos todo um mundo. Uma Trova de Cruz Alta/RS Olga Corssetti A tranquila natureza sussurrante nesta mata entrega toda a beleza para aquele que desmata. Um Sonetilho de So Simo/SP Thalma Tavares SONETILHO III (Das certezas) Conhecer-se a si mesmo e ter certeza de que Deus nos ampara com firmeza e nos conhece a todos sem enganos; saber que a morte no pe termo vida, que passagem apenas, concedida para nova existncia noutros planos; amar a Deus mais que s coisas do mundo e ao prximo querer como a si mesmo, so sinais de entender quanto profundo vver no mundo sem viver a esmo. Uma Trova de Cruz Alta/RS Nadir Crestani O mundo que tem pecado, est sentindo tristeza por tanto ter afetado a nossa me natureza. Uma Trova de Cruz Alta/RS Zuleika T. Ribeiro Edler Os netos so esperana so momentos de alegria lembrando sempre a criana que j fomos algum dia! 4. 5 Um Haicai de Maring/PR Um Soneto de So Simo/SP Thalma Tavares O ANJO E O FAUNO Por que tenho de ser de dois extremos feito?... De um extremo, o melhor, vem a luz que me eleva. Mas se s vezes sou luz, outras vezes sou treva, que me impede enxergar o que certo e direito. Do outro extremo, o pior, eu direi contrafeito que h um fauno viril que luxria me leva, contra o qual, com razo, a razo se subleva e me faz explodir a revolta no peito. Quantas vezes me ergui do meu lado mais nobre como quem, com a luz, de pureza se cobre e a seguir, sem razo, deixa tudo sombrio. Entre um anjo e um fauno eu passo a vida assim a suplicar aos cus que afugentem de mim o lascivo animal que anda sempre no cio. Uma Trova de Cruz Alta/RS Manuella Ajalla Paz Verdade da luz de Deus to clara a quanto aqui: Quem busca o bem para os seus, 5. 6 encontra o bem para si! Uma Aldravia de Saitama/Japo Edweine Loureiro ao mundo azucrinas com essa buzina Um Sonetilho de So Simo/SP Thalma Tavares SONETILHO V (Da profisso de f) Seja um grito de alerta, ou doce cantilena, hoje canto a cano que o corao me ordena - de protesto ou paixo, sem temor de censura. Como o Cristo eu tambm recebo Madalena, ungindo-a com a paz de uma orao serena, sem preconceitos vos, sem perder a ternura. E empresto minha voz dor dos excludos, e somo ao seu clamor a minha dor tambm... Quem sabe eu possa ouvir meus anjos distrados gritarem l dos Cus um comovido amm! Uma Glosa de Natal/RN Fabiano Wanderley Carrego o carro da sorte, pelos caminhos da vida Por onde quer que eu aporte, no temo adversidades, pra evitar temeridades, carrego o carro da sorte. E por ser o meu suporte, meu destino consolida, me protege, d guarida, me alerta, em todos momentos, pra que encontre os acalentos, pelos caminhos da vida. Um Soneto de So Simo/SP Thalma Tavares A UM JOVEM SUICIDA Pela porta entreaberta o velho pai assoma. Olha triste, em silncio, a famlia e a casa, E em soluos explode a dor que ele no doma, 6. 7 o mal contido pranto, a lgrima que abrasa. A todos, de um s golpe, o sofrimento arrasa. Inconsolvel mgoa a casa inteira toma. Parece que a tristeza, enfim, deitou sua asa sobre um lar onde a paz era nico idioma. Tempos depois passou a dor e o desconforto. Mas do pai, que abraou um dia o filho morto, como eterno castigo a dor no se apartou. Ficou-lhe na lembrana - e pela vida inteira - a dbil voz do filho e a queixa derradeira: - Estou morrendo, pai!... A droga me matou! Um Haicai de Belm/PA Paulo Marcelo Braga HAICAI FAMOSO Tens a mesma famosa disposio de uma lesma. Uma Trova de Cruz Alta/RS Taciana Canales da Trindade Um sorriso de criana mostra um momento profundo, onde vigora a esperana de ressurgir novo mundo! Um Sonetilho de So Simo/SP Thalma Tavares SONETILHO XV (Da despedida) No aceno discreto e mudo que entre lgrimas fizeste, teus olhos disseram tudo do amor que nunca disseste... Por esse amor eu desnudo meu corao rude e agreste, que se transforma em veludo ante o teu olhar celeste. Mas assim que tu partiste a vida se fez mais triste e o mundo um tdio medonho. Sempre que lembro o teu pranto, minha alma se encolhe a um canto e chora a morte de um sonho. 7. 8 Recordando Velhas Canes Pra dizer adeus (cano, 1966) Edu Lobo e Torquato Neto Adeus Vou pra no voltar E onde quer que eu v Sei que vou sozinho. To sozinho amor Nem bom pensar Que eu no volto mais Desse meu caminho. Ah, pena eu no saber Como te contar Que o amor foi tanto E no entanto eu queria dizer Vem Eu s sei dizer Vem Nem que seja s Pra dizer adeus. Uma Trova de Cruz Alta/RS Dalvina Fagundes Ebling Eu sado a natureza, eu sado o novo dia. Nunca vi tanta beleza quando o dia principia! Um Soneto de So Simo/SP Thalma Tavares PECADOS Eu tenho pecados, e muitos, no nego. S Deus quem sabe das culpas que expio, dos erros, das faltas que eu triste carrego, que o sono me roubam, por noites a fio. Porque aos teus braos me atiro, me entrego, minha alma anda triste qual planta no estio. Mas Deus culpado, se no me fez cego rara beleza do teu corpo esguio. No sei de pecados, mais doces, mais quentes que a luz de teus olhos, teus lbios ardentes, que enchem minha alma de sol e calor. 8. 9 Mas tenho certeza que os nossos pecados, por muitos que sejam, j esto perdoados, pois no pecado pecar por amor. Um Haicai de Curitiba/PR Jos Marins sol de fevereiro o prateado da tilpia na ponta da linha Uma Trova de Cruz Alta/RS Carla Maria Canales Andr Dos momentos, o mais lindo maravilhosa emoo - ser me, sofrer sorrindo ter em festa o corao! Um Sonetilho de So Simo/SP Thalma Tavares SONETILHO XVII (Do dilema) Vivo um dilema terrvel entre a virtude e o pecado. Quem dera fosse possvel voltar inteiro ao passado. Assim meu pecado horrvel seria, ento, anulado e eu, num milagre incrvel, voltaria imaculado. Ento no mais pecaria. Sem transgresses no teria remorsos a me culpar.... Mas quando tu apareces, e me abraas e me aqueces, eu quero mesmo pecar. Hinos de Cidades Brasileiras Santana do Serid/RN Santana s orgulho do teu povo Teus campos e serras me fascinam Teu cu azul, salpicado de estrelas Em noites de vero, o luar te ilumina. Tuas ruas verdejadas de algarobas Accias, ps de fcus, flamboyants A igreja guarda tuas tradies Que o tempo solidificou. Eu agradeo a Deus eternamente Por ter nascido em Santana do Serid 9. 10 Pequena mas to bela, Minha terra me gentil De um povo varonil. Do velho casaro sinto saudades Perfil de nossa colonizao Do cruzeiro l no ptio da capela E dos campos alvejados de algodo. A agricultura, a minerao e a pecuria Ajudaram a esculpir a tua histria Desejamos de todo corao Que o teu futuro seja de vitrias. Santana do Serid Teu pavilho queremos reverenciar Teu povo com herosmo e vigor Com muita luta o teu solo desbravou Vamos saudar, 9 de abril OH! Terra querida Iremos sempre te exaltar. Uma Trova de Cruz Alta/RS Maria Theresa S. Schettert Vi sorriso na vitria, vi nas lgrimas a dor, vi lembranas na memria e vi nos pais muito amor! Um Soneto de So Simo/SP Thalma Tavares AMOR EM DOIS TEMPOS Rompendo a neblina que embaa o passado, o sol em minha alma desperta a saudade e eu volto contente feliz liberdade, ao lacre jogo do tempo encantado, do idlio inocente, do beijo apressado temendo os olhares do pai da beldade. Depois uma flor do gentil namorado no peito da amada era a felicidade! No sei em que ponto perdeu-se o lirismo do amor que os "ficantes", em seu modernismo, mataram o encanto e a pureza id