Apostila contabilidade tributaria

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  • APOSTILA CONTABILIDADE TRIBUTRIA

    Curso Cincias ContbeisCCSST UFMA Campus Imperatriz-MA

    Prof Hlio R. Arajo 5 Perodo

    2011/1

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  • CONTABILIDADE TRIBUTRIA

    CONTABILIDADE COMO FERRAMENTA TRIBUTRIA

    O Lucro Real para algumas empresas obrigatrio e para as outras que no esto obrigadas pela referida tributao pode representar economia de tributos. A opo pelo lucro real pressupe contabilidade em dia, conciliada e com composio de saldo das contas.

    Para optar pelo lucro real a empresa dever manter sua escrita contbil em dia e conciliada, no basta apenas que a documentao esteja lanada na contabilidade, mas que os saldos das contas contbeis estejam conferidos e conciliados de forma que o setor contbil tenha a composio dos saldos constantes no balano contbil.

    Exemplos: 1) Na conta adiantamento de viagens em 31/12/10 consta um saldo total de R$ 25.000,00. Na composio do saldo desta conta o setor responsvel pelos adiantamentos de viagens dever especificar data, nome, motivo e valor de cada numerrio adiantado a cada funcionrio, devendo o somatrio fechar com a conta contbil. Atravs dessa relao podero ser verificadas pendncias antigas ou se o somatrio confere com a contabilidade, etc.

    2) O setor financeiro deve manter planilha atualizada (atualizao e juros) dos emprstimos e financiamentos, a qual servir de suporte e conferncia dos saldos contbeis.

    Enfim, todos os saldos constantes nos balancetes ou balanos contbeis devem estar suportados por posies de outros setores para que possam ser conferidos e confrontados, dessa forma, evita-se incorrees na contabilidade que traro como consequncia pagamentos indevidos de IRPJ e CSSL.

    ITENS DE CONCILIAO CONTBIL

    Ao fazer a conciliao das contas patrimoniais e de resultado, o Contabilista dever atentar para o seguinte:

    a) A conta Caixa dever estar em conformidade com os boletins de caixa, caso os mesmos no sejam elaborados pela empresa o Contabilista dever examinar o Razo da conta Caixa para evitar lanamentos incorretos;

    b) As contas bancrias e de aplicaes financeiras devem estar de acordo com os extratos bancrios e ou conciliaes dos bancos;

    c) A conta de duplicatas a receber deve estar conciliada com o relatrio de contas a receber. O Contabilista a cada perodo ou fechamento de balano dever solicitar ao financeiro da empresa a posio das duplicatas a receber naquela data, esse procedimento evita erros contbeis, por exemplo o lanamento a maior de Receitas que proporciona o pagamento a maior de tributos (PIS, COFINS, IRPJ, CSSL, ICMS, Simples e outros);

    d) As contas de Adiantamentos e outros crditos devem ser conciliadas no sentido de verificar pendncias existentes de longa data, as quais no refletem a posio consignada no balancete, bem como atentar para a documentao suporte dos lanamentos contbeis, tais como: contratos, recibos, notas fiscais e outros;

    e) A conta de estoque deve estar conferindo obrigatoriamente com o total da posio do Inventrio a cada trimestre (Lucro Real Trimestral) ou fechamento anual do balano (Lucro Real Anual, Lucro Presumido e Simples), se e a empresa apura o Imposto de Renda anual com suspenso ou reduo, ms a ms deve manter um relatrio de estoque no sendo necessrio o registro no Livro

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  • de Inventrio. O Contabilista deve atentar para o preo unitrio de cada mercadoria ou produto, podendo avaliar as mercadorias compradas para revenda pelo valor das ltimas aquisies menos o ICMS. No caso de fabricao de produtos a matria-prima pode ser avaliada pelo preo das ltimas aquisies menos o ICMS e IPI, os produtos acabados avaliados por 70% do maior preo de venda (sem deduzir o ICMS) e os produtos em elaborao avaliados por 56% do maior preo de venda (sem deduzir o ICMS);

    f) A conta de despesas antecipadas deve estar conciliada com as planilhas de rateio e com os documentos;

    g) Nas contas do Realizvel a Longo Prazo, o Contabilista deve verificar se os lanamentos esto suportados por documentos hbeis e se no h lanamentos incorretos. Exemplo: se o pagamento do contrato de mtuo est suportado por recibo, contrato etc.;

    h) Se Investimentos relevantes em coligadas ou controladas esto avaliados pelo mtodo da equivalncia patrimonial, quando estiverem solicitar balano a essas empresas para efetuar os lanamentos contbeis, lembrando que sobre o resultado positivo da equivalncia patrimonial no incide tributao (IRPJ, CSSL, PIS, COFINS) e no caso de resultado negativo so indedutveis para fins de IRPJ e CSSL;

    i) As contas do Imobilizado e Diferido devem estar de acordo com os controles patrimoniais da empresa, caso no existam o Contabilista dever manter planilha comprovando as despesas de depreciao e amortizao contabilizadas, bem como, atravs de visualizao do Razo Contbil verificar se esto corretos os lanamentos de aquisio do imobilizado e se nas vendas foram baixadas as depreciaes e o custo contbil dos bens vendidos;

    j) As contas de Fornecedores devem estar conciliadas com o relatrio das contas a pagar ou o setor Financeiro deve realizar uma composio de saldos de cada fornecedores com o objetivo de confrontar com a contabilidade. O Contabilista poder utilizar conta contbil distinta para os fornecedores mais representativos objetivando o controle contbil dessas contas;

    k) Os tributos a pagar em dia devem conferir com o pagamento no ms seguinte, os tributos a pagar em atraso devem ser relacionados em planilhas a parte para contabilizao dos juros e multas e posterior conferncia com os saldos contbeis;

    l) Emprstimos e financiamentos devem ser conciliados com o contrato objetivando a contabilizao dos juros e das atualizaes pelo perodo de competncia;

    m) Contas a pagar em dia devem estar conferindo com o(s) pagamento(s) no(s) ms (es) seguinte(s) ou manter planilha com composio de saldos;

    n) Proviso de frias e 13 salrio, de acordo com relatrio analtico por funcionrios, fornecido pelo setor de Pessoal;

    o) As contas do Exigvel a Longo Prazo devem ser verificadas com relao aos documentos suportes de movimentao no ano, a classificao superior a 12 meses aps encerramento do balano e planilhas subsidirias;

    p) As contas do Patrimnio Lquido devem refletir o capital social de acordo com o contrato social e alteraes, as realizaes das reservas de reavaliao motivadas por vendas e depreciaes de bens reavaliados e se as movimentaes das demais contas, inclusive lucros/prejuzos acumulados esto corretos;

    q) As receitas devem ser conciliadas com o livro de apurao do Icms, IPI ou do ISS, para evitar lanamentos a maior ou a menor, com conseqncias tributrias. At porque em uma fiscalizao o fiscal tem o direito de exigir tais livros;

    r) As despesas devem ser consistentes com relao documentao suporte e atividade da empresa, importante que o Contabilista visualize, atravs do Razo Contbil, se no h distores nos lanamentos contbeis das despesas ou classificao indevida.

    DIFERENA ENTRE A CONTABILIZAO PELO REGIME DE COMPETNCIA X PROVISO

    Perodo de Competncia

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  • O Art. 9, Resoluo CFC 750/93, estabelece a seguinte definio de Perodo de Competncia: as receitas e as despesas devem ser includas na apurao do resultado do perodo em que ocorrer, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento.

    O art. 177, da Lei 6.404/76, estabelece que a escriturao da companhia seja mantida em registros permanentes, com obedincia aos preceitos da legislao comercial e desta lei e aos princpios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar mtodos ou critrios contbeis uniformes no tempo e registrar as mutaes patrimoniais segundo o regime de competncia.

    O Decreto 3.000/99 (RIR/99) define o seguinte:

    Art. 247. Lucro real o lucro lquido do perodo de apurao ajustado pelas adies, excluses ou compensaes prescritas ou autorizadas por este Decreto (Decreto-Lei 1.598/1977, art. 6). 1 A determinao do lucro real ser precedida da apurao do lucro lquido de cada perodo de apurao com observncia das disposies das leis comerciais (Lei 8.981, de 1995, art. 37, 1). 2 Os valores que, por competirem a outro perodo de apurao, forem, para efeito de determinao do lucro real, adicionados ao lucro lquido do perodo de apurao, ou dele excludos, Vide PN 2/96, que impe ao Fisco a observncia do preceito sero, na determinao do lucro real do perodo de apurao competente, excludos do lucro lquido ou a ele adicionados, respectivamente, observado o disposto no pargrafo seguinte (Decreto-Lei n 1.598, de 1977, art. 6, 4).

    Art. 248. O lucro lquido do perodo de apurao a soma algbrica do lucro operacional (Captulo V), dos resultados no operacionais (Captulo VII), e das participaes, e dever ser determinado com observncia dos preceitos da lei comercial (Decreto-Lei 1.598, de 1977, art. 6, 1, Lei 7.450, de 1985, art. 18, e Lei 9.249, de 1995, art. 4).

    Art. 273. A inexatido quanto ao perodo de apurao de escriturao de receita, rendimento, custo ou deduo, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lanamento de imposto, diferena de imposto, atualizao monetria, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (Decreto-Lei 1.598, de 1977, art. 6, 5):I a postergao do pagamento do imposto para perodo de apurao posterior ao em que seria devido; ouII a reduo indevida do lucro real em qualquer perodo de apurao. 1 O lanamento de diferena de imposto com fundamento em inexatido quanto ao perodo de apurao de competncia de receitas, rendimentos ou dedues ser feito pelo valor lquido, depois de compensada a diminuio do imposto lanado em outro perodo de apurao a que o contribuinte tiver direito em decorrncia da apli