Argumentação e hermeneutica juridica

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Hermenêutica

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  • 1. FACULDADES DOCTUMTpicos Especiais IProf. Dra. Teodolina Batista S. C. Vitrio1Tefilo Otoni1 Sem. 2012

2. Interpretao e Argumentao JurdicaCincia sem conscincia no passade runa da alma. (Montaigne) 3. CONTEDO PROGRAMTICO1. A linguagem jurdica e sua decodificao2. Os meios e os modos por que se deveminterpretar as leis.3. A democracia autntica e a hermenuticadoutrinria4. A interpretao extensiva, restritiva edeclarativa.5. A interpretao semntica, a histrica e asociolgica.6. As teorias de argumentao, a lgica e adialtica aplicada ao direito. 4. Saber as leis conhecer-lhes,no as palavras massua fora e poder.(Scire leges non est verbaearum enere sed vin acpotestam).(Celso. Jurisconsulto Romano) 5. HERMENUTICA JURDICA(Exegese) a teoria cientfica da arte de interpretar as leis eas expresses do Direito com o objetivo dedeterminar seu verdadeiro sentido e real alcance. a leitura holstica de um problema do ser(humano) e a compreenso que dele devemos ter.Alemanha: Theorieder AuslegungPortugal: A Lei da Boa Razo (18/08/69)Princpio In claris cessat Interpretatio. 6. HERMENUTICA APLICADAa) Cdigo de Hamurabi (2067 a 2025 a.C) Arts. 48, 196 (Lei de Talio), Arts. 199 e 200(Coisificao do escravo)b) Cdigo de Manu (1300 a 800 a.C) - Arts.420, 498, 499 e 543c) Lei das XII Tbuas (Tbua IV - jure patrio) 7. d) Arts. 3 III; 226, 3 e 4 e 227 da CFe) Arts. 4, 5 e 6 LICC; 126 CPC e 1584 CC(Famlia)f) Art. 1336, IV e 1337, Pargrafo nico(Condmino)g) Arts. 181 ao 183 do CP (Crimes contra oPatrimnio) 8. INTERPRETAOa) Secundum Legem, Contra Legem eProeter Legemb) Escola da Livre Indagao(Franois Geny e Eugen Ehrlich)c) Escola Criminal Positiva 9. d) Escola do Direito Justo(Armnio Kantorowicz)e) Teoria do Direito Livre(Chteau Thierry) 1889/1904f) Jurisprudncia Sentimental do Bom Juiz(Magnoud) 10. ELEMENTOSa) Gramatical (Filolgico)b) Lgicoc) Sociolgicod) Sistemticoe) Teleolgicof) Moral 11. ILUSTRAESa) A Alegoria da Caverna (Plato)b) A Parbola do Mullah (Religioso Islmico)c) Sndrome de Abdullad) Interpretao Salmonica (I Reis 3.16-36) 12. ARGUMENTAO E DIALTICAToda lei obra humana eaplicada por homens,portanto, imperfeita na formae no fundo, e dar duvidososresultados prticos, se noverificarem, com esmero, osentido e o alcance das suasprescries. 13. Existe entre o legislador e o juiza mesma relao que entre odramaturgo e o autor. Deveeste atender s palavras dapea e inspirar-se no seucontedo, porm, se verdadeiro artista, no se limitaa uma reproduo plida eservil: 14. d vida ao papel, encara de modoparticular a personagem,imprime um trao pessoal representao, empresta s cenasum certo colorido, variaes dematiz quase imperceptveis; e detudo faz ressaltarem aos olhosdos espectadores maravilhadosbelezas inesperadas, imprevistas. 15. O magistrado no deveproceder como insensvel efrio aplicador mecnico dedispositivos; porm, comorgo de aperfeioamentodestes, intermedirio entrea letra morta dos Cdigose a vida real, 16. apto a plasmar, com a matria-primada lei, uma obra deelegncia moral e til asociedade. No o consideramautmato; e sim, rbitro daadaptao dos textos s espciesocorrentes, mediador esclarecidoentre o direito individual e osocial. 17. Interpretar uma expresso deDireito no simplesmentetornar claro o respectivo dizer,abstratamente falando, ,sobretudo, revelar o sentidoapropriado para a vida real, econducente a uma deciso reta.(Carlos Maximiliano) 18. TEORIA DISCURSIVA DO DIREITOE DO AGIR COMUNICATIVO(Jrgen Habermas)1929 - ___A Filosofia um processo de cooperaodialtica e interdisciplinar.Utiliza-se de uma hermenuticamacroscpica capaz de examinar nombito social os meios de integraosocial produzida pela comunicaolingstica. 19. BROCARDOSO que est claro, dispensa interpretao.(In claris cessat interpretatio)A letra mata, o esprito vivifica.(Littera occidit; spiritus vivificat)A lei dura, mas lei.(Dura lex, sed lex) 20. Acima da palavra e mais poderosa que ela a inteno de quem a afirma, ordena,estabelece.(Prior atque potentior est, quam vox, mensdicentis)Supremo direito, suprema injustia.(Summum jus, summa injuria)Faa-se justia, ainda que o mundo perea.(Fiat justitia pereat mundus) 21. Quem pode o mais pode o menos. Aquele aquem se permite o mais, no deve-se negaro menos.(In eo quod plus est semper inest et minus)Restrinja-se o odioso, amplie-se o favorvel.(Odiosa rastringenda, favorabilia amplianda)Na dvida, absolve-se.(In dubio pro reo) 22. Uma testemunha no faz prova.Testemunha nica, testemunhanenhuma.(Testis unus, testis nullus)No h crime sem lei anterior que odefina; nem pena, sem prviacominao legal.(Nullun crimen, nulla poena sine lege) 23. LINGUAGEM JURDICA(Martin Heidegger)1889 - 1976A linguagem a Casa do sere em sua morada vive o homem.O dizer caracterstica fundamental dohomem, entendido na forma decompreenso do ser, isto , o homem tem oser no ato de falar. 24. Na linguagem e nas palavras que ascoisas chegam a ser e so.No existem conceitos a priori, estes seresolvem no existir, no acontecerhistrico.Os nomes no bastam para nomear ascoisas, pois a nomenclatura no senouma profuso de significados arrumadosem prateleiras conceituais. 25. O pronunciamento do discurso o meiopelo qual expressamos a fala. O discursotem a funo constitutiva da existncia doDasein. Isso nitidamente observado naocorrncia da escuta e do silncio,intrnsecos linguagem discursiva.O escutar linguagem porque o discursofala em ns. Para escutar preciso silenciar-se.A linguagem fala como ressoar dosilncio, que por sua vez, carrega em si omundo. 26. A essncia da linguagem no se exaure nosignificar, nem algo conexo somente a signos e acifras. uma ultra-relao, no apenas comunicao.Exs.:1) Caneca: representa ddiva, oferenda,consagrao.2) Livro: o que desvela ao longo da leitura.3) Foto: saudade, estima 27. REN DESCARTES(1596 1650)Cogito, ergo sumLgica: para Descartes (pai da Filosofiamoderna), a lgica tradicional apenasajuda a expor a verdade, mas no aconquist-la. Se props a criar ummtodo que ordenasse o pensamento eque fosse instrumento na busca daverdade. 28. Edificou um tipo de saberno mais centrado no Ser ouem Deus, mas no homem e naracionalidade humana. Buscao fundamento do prpriosaber, lanando as bases deuma doutrina doconhecimento. 29. So as verdades eternas quecompem a estrutura destenovo saber. Apenas sob opeso da verdade que o homempode se considerar livre, nosentido de que obedece a simesmo e no a forasexteriores. 30. A LINGUAGEM JURDICAE SEU HERMETISMOContam que certa vez ao chegar em casa,Rui Barbosa ouviu um barulho estranhovindo do seu quintal. Chegando l,constatou haver um ladro tentandolevar seus patos de criao. Aproximou-sevagarosamente do indivduo e,surpreendendo-o ao tentar pular o murocom seus amados patos, disse-lhe: 31. 1. Oh, bucfalo ancroto! No ointerpelo pelo valor intrnseco dosbpedes palmpedes, mas sim peloato vil e sorrateiro de profanares orecndito da minha habitao,levando meus ovparos sorrelfa e socapa.2. Se fazes isso por necessidade,transijo; mas se para zombaresda minha elevada prosopopia de 32. cidado digno e honrado, dar-te-eicom minha bengala fosfrica bemno alto da tua sinagoga, e o fareicom tal mpeto que te reduzirei qinquagsima potncia do que ovulgo denomina nada.3. E o ladro, confuso, diz:4. Doutor, eu levo ou deixo ospatos? 33. JURISPRUDNCIASa) INDENIZAO POR DANOS MORAIS.DISPENSA SEM JUSTA CAUSA.EMPREGADA PORTADORA DO VIRUSHIV. DISCRIMINATRIO. Dentre osdireitos e garantias fundamentais,assegurados na Constituio Federal,encontra-se a vedao da prticadiscriminatria, dispondo o Art. 5, caput,que todos so iguais perante a lei, semdistino de qualquer natureza. 34. Assim, qualquer atitude doempregador, no sentido de dispensar oempregado sob a alegao de que, emsendo portador de HIV, poder trazerprejuzo para a empresa, ou mesmo dedispens-lo pelo simples fato de estaracometido por outra doena qualquer,implica ato patronal discriminatrio, oque, sem dvida alguma, autoriza odeferimento de indenizao por danosmorais. 35. A reclamada ao dispensar areclamante, ciente da doena e dasdificuldades futuras que elaenfrentaria, cerrou os olhos e fezouvidos moucos ao carter social docontrato de trabalho, colocando areclamante, certamente j abaladaem sua auto-estima, em situao deinferioridade, o que, por si s,constitui ato discriminatrio. 36. O dano moral, na hiptese, flagrantee independe de prova, j que implicano ato do empregador e ao sentimentointerior e moral da autora. Naverdade, patente que a empresa ficouinsatisfeita com a condio da autora,deficiente em sua sade, o queculminou com a dispensa imotivada.(TRT 3 R. 4 Turma 01890-2006-139-03-00-1 RO Rel.: Jlio Bernardodo Carmo DJMG 18/11/2006). 37. b) MORRER NO NADAEm recente deciso, um juiz deixou deconceder a tutela antecipada(fornecimento de medicamento peloSUS) pretendida por um portador dovrus HIV, por entender que no hrisco de dano irreparvel com a mortede algum. Veja abaixo, os argumentosdo Juiz: 38. Embora os autores aleguem serportadores de AIDS e objetivemmedicao nova que minorem asseqelas da molstia, o pedido deveser indeferido pois no h fundamentolegal que ampare a pretenso derealizar s expensas do Estado osexames de Genotipagem e a aquisiode medicamentos que, segundo osautores, no esto sendo fornecidospelo SUS. 39. A lei 9313/96 assegura aosportadores de HIV e doentes deAIDS toda a medicao necessriaa seu tratamento. Mas estabeleceque os gestores do SUS deveroadquirir apenas os medicamentosque o Ministrio da Sade indicarpara cada estgio evolutivo dainfeco ou da doena. 40. No h possibilidade de fornecimentode medicamentos que no tenham sidoindicados pela autoridade federal.Por outro lado no h fundado receiode dano irreparvel ou de difcilreparao. Todos somos mortais.Mais dia menos dia, no sabemosquando, estaremos partindo, alguns,por seu mrito, para ver a face deDeus. Isto no pode ser tido pordano. 41. Da o indeferimento da antecipaode tutela.Cite-se a Fazend