Atualização científica

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Veterinria & Zootecnia Encarte do CRMV/RJ Jornal - Distribuio Gratuita - N 193 - agosto de 2007

Atualizao Cientfica A

uas matrias sobre o assunto forampublicadas em veculos da grande imprensaque circulam no Rio de Janeiro. A primeira,

da revista Veja, do sbado dia 07 de julho ltimo, infor-ma que, embora a produo cientfica brasileira tenhaaumentado (98.700 artigos publicados em 2004;114.200, em 2005 e 125.100, em 2006), a mdia decitaes de cada artigo (por outros autores em seustrabalhos) muito pequena quando comparada comoutros pases. E cita como exemplos a Sua, com 14citaes/artigo publicado; os Estados Unidos, com 13;a Holanda, com 12 e o Brasil, com apenas 5 citaespor artigo publicado.

O jornal O Globo, na sua edio de 10 de julho,publica matria de meia pgina sob o ttulo Brasilproduz mais cincia, com o subttulo Pas alcana15a posio em ranking mundial, ultrapassando Su-a e Sucia. Acima do nosso pas em termos dequantidade de artigos cientficos publicados (1,92%do total mundial) esto a Rssia (2,28%); a Holanda(2,62%); a Coria do Sul (2,64%); a ndia (2,91%); aAustrlia (3,07%); a Espanha (3,45%); a Itlia(4,46%); o Canad (4,87%); a Frana (5,75%); a In-glaterra (7,27%); a China (7,90%); o Japo (8,08%);a Alemanha (8,10%) e disparados na frente, os Esta-dos Unidos, com 32,30% do total de trabalhos cien-tficos publicados no mundo.

O ranking publicado em O Globo foi organizadopela empresa Thomson ISI, considerada uma refe-rncia mundial no assunto e apresentado no dia novede julho ltimo pela Capes - Coordenao de Aper-feioamento de Pessoal de Nvel Superior do Minis-trio da Educao, durante a reunio anual da Soci-edade Brasileira para o Progresso da Cincia (SBPC),que, neste ano, ocorreu em Belm (PA). Nessa lista,o Brasil o nico presente de toda a Amrica Latina.

Jorge Guimares, presidente da Capes, considerao percentual do Brasil bastante significativo e destacaque a nossa produo est calcada na ps-graduao,enquanto que na maioria dos pases melhor situadosela feita por ps-doutores. E informa que as maioresconquistas foram no campo da medicina.

preciso notar que os nmeros acima, publica-dos em O Globo, referem-se quantidade de artigos

Em discusso o prestgio da pesquisa brasileira

cientficos publicados em revistas cientficas certifica-das, o que no atesta, obrigatoriamente, a sua qua-lidade. Esta, segundo a matria da Veja, determi-nada pela citao das matrias dos nossos cientistasem outras publicaes igualmente certificadas.

Eloi GarciaEloi GarciaEloi GarciaEloi GarciaEloi Garcia

A propsito do assunto, colhemos a opinio domdico veterinrio Eloi Garcia, renomado pesquisa-dor e ex-presidente da Fiocruz.

Segundo ele, um artigo cientfico para ser reco-nhecido e citado pela comunidade cientfica interna-cional demora de 3 a 5 anos. Assim, os aumentosrecentes das publicaes brasileiras ainda no tive-ram a repercusso que deveriam ter na comunidade.

Temos que esperar mais um pouco. s vezes, um ar-tigo reconhecido pela comunidade de 6 a 10 anosdepois de ter sido publicado, principalmente se foruma inovao ou algo muito na frente do estado daarte daquele assunto.

Indagado sobre a carncia de verba para a pes-quisa, nosso colega afirmou que falar em verba comos cientistas uma coisa complicada. A cincia estcara. Cada vez mais precisamos de equipamentosmodernos e sofisticados e reagentes dispendiosos,ento, os recursos financeiros sempre sero defici-entes para a cincia.

Eloi pondera que talvez para a sociedade aindano esteja clara a importncia da cincia e das inova-

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Atualizao CientficaB

es tecnolgicas. Ainda somos analfabetos em cincia. Temos de divulg-la mais,em linguagem mais simples, para que a populao entenda e nos apie. A cin-cia a alavanca da tecnologia mundial.

Ele cita o presidente da Capes, Jorge Guimares, que vem pregando, ondepode, a importncia da ps-graduao para o Pas e o fato de j estarmos produ-zindo 10 mil doutores, por ano, o que ainda pouco para um pas da extensodo Brasil. H regies, como a Norte, onde a presena de doutores ainda escas-sa e fragmentria.

O mdico veterinrio e cientista Eloi Garcia tem a esperana que, nos prxi-mos anos, iremos ultrapassar a cifra dos 10 mil doutores anuais.

Hermann SchatzmayrHermann SchatzmayrHermann SchatzmayrHermann SchatzmayrHermann Schatzmayr

Virologista que tambm j ocupou a presidncia da Fiocruz, o mdico veteri-nrio Hermann Schatzmayr, vem dedicando dcadas da sua vida pesquisa. Eleexplica que a concorrncia nessa rea pesada e que as publicaes valem ver-bas, algumas vezes o prprio salrio dos prximos anos. Isso normal no exteri-or onde foi criado um esquema perverso de publicar apenas, sempre que poss-vel, artigos dos amigos e no-concorrentes. As informaes que so apresenta-das, em carter confidencial, para serem publicadas, so utilizadas por revisores,principalmente no exterior. Assim - informa o colega - o autor nacional, apsesperar durante meses por uma resposta da revista, surpreendido, um belo dia,pela publicao de artigo assinado por outro autor, a partir dos dados da suapesquisa. que, podendo dispor de melhores condies de trabalho, os experi-mentos originais so facilmente repetidos.

As revistas nacionais no so valorizadas, s as internacionais, como se notivssemos pesquisadores competentes no Brasil.

Outro esquema perverso so as chamadas citaes, ou seja, quantas vezesdeterminado artigo foi citado. Schatzmayr informa que, em geral, os diversosgrupos s citam seus prprios componentes. Isso, segundo ele, a regra noexterior, e ns, como bons imitadores, estamos entrando na mesma onda.

Segundo o virologista, muito difcil conseguir indexar uma nova revista noBrasil e os artigos publicados em revistas no indexadas no tm valor para aCapes, o que ele considera um erro crasso. Por outro lado, se observarmos a listade peridicos indexados, veremos que nela constam revistas atrasadas, com pou-cos nmeros mas que, mesmo assim, permanecem na lista.

Hermann Schatzmayr termina seu depoimento, fruto de uma longa e bemsucedida experincia, ponderando que, h, naturalmente, excees honrosas quemantm, afinal, o sistema funcionando.

Marcelo PMarcelo PMarcelo PMarcelo PMarcelo Pachecoachecoachecoachecoacheco

Para o mdico veterinrio Marcelo Pacheco, vice-reitor da Universidade Cas-telo Branco, o reduzido ndice de citaes de artigos cientficos brasileiros deve-se a dificuldade de acesso dos pesquisadores nacionais s publicaes em revis-tas de alta circulao e disponveis, gratuitamente, na Internet.

Segundo o colega, parte do sistema de publicaes ocorre por indicao eeste um dos grandes limitantes, outra o prprio idioma, pois algumas versesso em linguagem literal, no correspondendo ao idioma cientfico corrente. Porisso, alguns artigos cientficos no so aceitos.

A quantidade de publicaes, no Rio de Janeiro, diminuiu, segundo ele, porfalta de verba e poltica de fomento pesquisa, pois, alm de pequeno, o budgetnormal concentrado nos pesquisadores j consagrados, de instituies conhe-cidas. Quanto aos demais pesquisadores eles podem representar importante massacrtica no processo de inovao mas no tm acesso s verbas e desenvolvempesquisas de menor cunho, no sendo aceitos nas revistas internacionais de maiorcirculao.

Pacheco acha, tambm, que a falta de estmulo aos pesquisadores faz comque haja menor interesse na dedicao de parte dos candidatos a pesquisado-

res. Ele considera importante salientar tambm a situao agropecuria do es-tado do Rio de Janeiro, onde observamos uma discrepncia entre o consumo e oinvestimento em capacitao e desenvolvimento em biotecnologias.

PPPPPesquisa & tecnologiaesquisa & tecnologiaesquisa & tecnologiaesquisa & tecnologiaesquisa & tecnologia

No novidade para ningum que o principal objetivo da pesquisa o degerar conhecimento para o progresso da humanidade. Na prtica, esse progres-so expresso em inovaes tecnolgicas que so reconhecidas pelos registros depatentes.

Mais do que pelas suas reservas naturais, do que o espao do seu territrio,da extenso da sua costa martima, do poder das suas foras armadas,modernamente, o poder de uma nao medido pela sua capacidade de inova-o, por sua criatividade, por sua inventividade que, em ltima anlise, decorremdo volume e qualidade da sua pesquisa e conseqente tecnologia. Tecnologiacapaz de gerar novos mtodos, processos e tcnicas em todos os campos daatividade humana, da medicina s comunicaes; da engenharia, s tcnicas deadministrao; dos automveis ao transporte pblico; dos recursos e servios delazer, segurana pblica e privada; do servio bancrio ao servio pblico; dapreviso do tempo, agricultura; do acmulo de riqueza sua distribuio, eassim por diante.

Exemplos de pases pequenos, pobres da maioria das matrias-primas e ricosgraas ao desenvolvimento cientfico e tecnolgico so: a Holanda, a Blgica, aSua, a Finlndia, a Dinamarca, a Sucia, a Noruega, o Japo e a Coria do Sul.

Mas...como constata a jornalista Roberta Jansen, em matria publicada emO Globo, do dia 11 de julho ltimo, O aumento da produo cientfica no pas,confirmado pela 15a posio no ranking mundial, ainda no se reflete no nme-ro de patentes brasileiras registradas. Segundo ela, para alguns especialistas,isso ocorre porque ainda falta s instituies de pesquisa uma cultura de aproxi-mao com a indstria enquanto que para outros o que est faltando umapoltica de desenvolvimento tecnolgico dentro das empresas.

Rita Pinheiro MachadoRita Pinheiro MachadoRita Pinheiro MachadoRita Pinheiro MachadoRita Pinheiro Machado

A coordenadora do INPI Instituto Nacional de Propriedade Industrial RitaPinheiro Machado, informa que o nmero de registros de patentes, no Brasil,por residentes no Pas (7.412, em 2004) vem se mantendo estvel e 75% delesso