Catalogo artenova

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Catálogo de arte nova de aveiro

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  • 1. ficha tcnicaA Arte Nova nos Azulejos em Portugal Coleco Feliciano David | Graciete Rodrigues Museu da Cidade de Aveiro, 16 de Julho a 2 de Setembro de 2011edio e propriedadeCmara Municipal de AveirocoordenaoPelouro da Cultura | Maria da Luz Nolascocoordenao executivaMuseu da Cidade de Aveiro | Ana GomesexposioColeco Feliciano David | Graciete Rodrigues Comissariado Antnio Jos de Barros Veloso e Isabel Almasqu Seleco de Peas e Legendagem Feliciano David, Antnio Jos de Barros Veloso e Isabel Almasqu Conservao e Restauro Museu de Cermica de Sacavm, Maria de Lurdes Guedes e Fernando Duarte Concepo e Montagem da Exposio Museu da Cidade de Aveiro, Andreia Loureno, Patricia Sarrico e Ldia Matias | Gabinete de Design, Cmara Municipal de Aveiro Joo Godinho Montagem da Exposio Museu da Cidade de Aveiro | Departamento de Servios Urbanos Colaboraes Museu de Cermica de SacavmcatlogoTextos e Fotografias Antnio Jos de Barros Veloso e Isabel Almasqu Reviso XXXX???? Logstica Museu da Cidade de Aveiro Fotografia dos azulejos expostos Fernando Zarcos [Cmara Municipal de Loures] e Ivo Guimares (pg. XXXX) Design Grfico Gabinete de Design [Cmara Municipal de Aveiro] Joo Godinho Impresso XXXX???? ISBN 978-989-8064-23-3 Depsito Legal XXXX????2

2. ndice3 3. nota de aberturaConstitui para Aveiro motivo de indisfarvel alegria ser sede da primeira exposio da coleco de azulejaria Arte Nova em Portugal, reunida por Feliciano David e por Graciete Rodrigues. Estamos profundamente agradecidos ao Eng. Feliciano David por ter escolhido a Cidade de Aveiro para dar visibilidade pblica ao acervo que os dois foram enriquecendo ao longo de muitos anos, com tanta sabedoria como paixo, percorrendo as feiras e as lojas de antiguidades do pas, acompanhando os leiles e as demolies de edifcios, numa peregrinao ininterrupta na procura destas peas, busca subordinada ao amor arte, cultura e expresso da identidade portuguesa. Temos enorme gosto em acrescentar esta magnfica Mostra ao trabalho estratgico que o Municpio de Aveiro vem desenvolvendo na preservao e divulgao da Arte Nova, dispondo dos recursos locais e, tambm, em rede com outras localidades europeias que partilham a ambio de proteger e difundir o legado esttico, fsico, simblico e histrico presente nesta concepo artstica. Os aveirenses orgulham-se do patrimnio Arte Nova que distingue a fachada da cidade, que a enobrece em muitos outros lugares, que a projecta para l das fronteiras concelhias, reflectindo a imagem de uma comunidade que convive bem com o seu passado, respeita a sua histria e todos aqueles que a fizeram. Salvaguardamos, por isso, o conjunto de edifcios de Arte Nova, dedicmos-lhe um Museu na emblemtica Casa Major Pessoa, fundmos o Banco do Azulejo para resguardar os seus exemplares eestamos a cuidar do esplio que dessa viso artstica se produziu na indstria aveirense, em especial nas fbricas Fonte Nova e Aleluia. Esta exposio, que o catlogo documenta, tem um forte sentido e valor pedaggico, aproximando os cidados de to precioso patrimnio, e revela um indiscutvel interesse cientfico, sendo seguro que o conhecimento e a interpretao deste acervo de azulejaria sero fundamentais para qualquer estudo tcnico ou cultural que neste domnio exija rigor. Manifesto, nesta ocasio, o maior apreo ao Dr. Antnio Jos de Barros Veloso e Dr. Isabel Almasqu, ilustres Comissrios da Exposio, e equipa do Museu Cidade de Aveiro, liderada pela Dr. Ana Gomes, que abraou e concretizou com galhardia e qualidade a exposio, bem como os projectos associados. Aos organizadores e participantes transmito a minha gratido, a todos se deve o sucesso desta iniciativa de excelncia.Dr. lio Maia Presidente da Cmara Municipal de Aveiro5 4. coleccionar para preservar Feliciano David 5. 1. a coleco de azulejos2. as motivaes para coleccionar azulejosAo apresentar esta coleco, recordo com saudade a Maria Graciete que comigo partilhou, durante quase duas dcadas, esta paixo.Ao reunirmos esta coleco moveu-nos, no s o gosto pela azulejaria mas, fundamentalmente, o desejo de contribuir para o estudo e preservao de um dos mais belos e valiosos patrimnios artsticos nacionais, o patrimnio azulejar, considerado no contexto internacional o mais rico da Europa e um dos mais representativos da cultura portuguesa. Porque os povos que no cuidam do seu patrimnio histrico-cultural esto condenados a perder a sua identidade. Mas nunca quisemos mant-la no mbito privado para nosso deleite. Entendemos que a coleco s tem verdadeiro sentido quando lhe dada visibilidade, quando dada a fruir no s a outras pessoas que, tal como ns, amam o azulejo, mas igualmente, ao pblico em geral que ainda no est sensibilizado para olhar este tipo de expresso artstica e para reconhecer a sua riqueza que de ontem, de hoje e que ser, certamente, de amanh. Se a preservarmos. Por isso, uma parte da coleco encontrase depositada, h mais de uma dezena de anos, no Museu Nacional do Azulejo, constituda por cinquenta e cinco painis, que totalizam cerca de 3500 azulejos de padro do sculo XVII ao XX, bem como de painis ornamentais neoclssicos doCom a pacincia tpica do coleccionador, em feiras e lojas de antiguidades, leiles, ou estaleiros de demolies, por todo o pas, fomos juntando milhares de azulejos enriquecendo a coleco com os melhores exemplares que encontramos. Esta composta por um acervo que, pela sua vastido (mais de seis dezenas de milhar), qualidade e diversidade (perodo entre o sc. XVI at primeira metade do sc. XX) constitui, porventura, uma das maiores coleces privadas de azulejaria. Com efeito, dispe de cerca de quatro milhares de azulejos de padro do sculo XVII. Do sculo XVIII, afigura-se-me que a mais variada coleco de padronagem existente em Portugal. Ainda deste sculo, possui dezenas de painis de influncia rocaille e barroca, e cerca de uma centena de painis ornamentais de azulejaria neoclssica, muitos dos quais de produo da Fbrica do Rato, bem como de milhares de azulejos de figuras avulsas e de dezenas de albarradas. Do ltimo quartel do sculo XIX e primeira metade do sc. XX, a coleco de azulejos de padro , tambm, bastante completa, com particular incidncia na azulejaria de fachada, e ainda, de trs centenas de azulejos de Bordalo Pinheiro de produo da Fbrica de Cermica das Caldas da Rainha.sculo XVIII, muitos dos quais integraram vrias exposies, nomeadamente: A Cermica Neoclssica em 1997; A Cermica da Fbrica de Loua ao Rato, em 2005 no Museu Nacional do Azulejo, e em 2006 no Museu Nacional Soares dos Reis; a exposio evocativa do Centenrio de Santos Simes, em 2007, bem como outras exposies em Espanha, no Brasil, e em Itlia. No Museu de Cermica de Sacavm foi, tambm, depositada, h 10 anos, aquando da sua inaugurao, a coleco de produo desta Fbrica composta por cerca de 6600 azulejos e, igualmente no Museu de Cermica das Caldas da Rainha, os azulejos da autoria de Costa Motta Sobrinho. Mas outras iniciativas tm contribudo para dar a conhecer a coleco. Esta a terceira exposio temtica que se realiza, no mbito local, integrada, exclusivamente, por azulejos da coleco. A primeira teve lugar no Museu de Cermica de Sacavm, promovida pela Cmara Municipal de Loures; a segunda, na Madeira, por iniciativa da Cmara de Machico, ainda a decorrer at Outubro, dedicada ao azulejo de figura avulsa.9 6. 3. a coleco de influncia arte novaA coleco comeou pelos azulejos de fachada, que revestem, ainda, milhares de casas portuguesas, que nos fascinavam pela diversidade brilho e cor. E de entre esta azulejaria de exterior, a de inspirao arte nova, com a sua beleza e a policromia exuberante, sempre teve para ns um encanto especial que levou a que procurssemos, reunir os melhores exemplares com o objectivo de os preservar e de um dia os vir a expor. Apesar de, em Portugal, o movimento Arte Nova no ter tido uma presena muito significativa foi no domnio da azulejaria que ele mais se afirmou e deixou a sua marca, assumindo, no contexto europeu, uma expresso bastante relevante pela diversidade, elevado nmero e dimenso das peas produzidas, embora com caractersticas prprias, e por vezes, sem a qualidade tcnica da generalidade dos azulejos estrangeiros. E, no entanto, a sua importncia no tem sido valorizada no nosso pas e poucas medidas tm sido tomadas com vista sua salvaguarda e divulgao, com excepo do Municpio de Aveiro, de que exemplo a edio, em 1997, do livro de Amaro Neves A Arte Nova em Aveiro e seu Distrito. E s em 2000, com a publicao, do excelente livro de autoria de A. J.Barros Veloso e Isabel Almasqu, O Azulejo Portugus e a Arte Nova, foi feito, pela primeira vez, por estes dois mdicos, um estudo aprofundado desta manifestao artstica bem como um levantamento bastante completo, a nvel nacional, dos principais exemplares que, nesta data, ainda se encontravam in situ,alguns dos quais, infelizmente, j desapareceram. Mau grado os atentados que tm sido perpetrados que levaram sua destruio, muitos destes azulejos ainda ornamentam, felizmente, um grande nmero de fachadas e o interior de edifcios em Portugal104. porqu uma exposio de azulejaria arte nova e na cidade de aveiro?Decorrido cerca de um sculo sobre o perodo da sua produo sem que tenha tido lugar, no nosso Pas, uma exposio a ela dedicada pareceume ser oportuna a sua realizao. E que o local mais adequado para este evento seria a cidade de Aveiro, considerada a Capital Portuguesa da Arte Nova, por possuir, ainda, um importante patrimnio in situ, influenciado por esta corrente esttica, nomeadamente, o maior conjunto de edifcios existente em Portugal e um acervo de azulejos significativo, muitos deles de produo local, das Fbricas Fonte Nova e Aleluia. Acresce o facto de a edilidade de Aveiro, nas ltimas dcadas, sabendo da importncia que o turismo cultural representa para o desenvolvimento econmico da cidade, tem vindo a assumir uma aco relevante com vista defesa e valorizao deste seu importante patrimnio. Neste mbito, importa, ainda, salientar a aquisio e reabilitao da bela casa do Major Pesso