Compreender baixa visao

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  • 1. Coleco A P O I O S E D U C AT I V O S n 1 Transio para a Vida Adulta Jovens com Necessidades Educativas Especiaisn 2Organizao e Gestodos Apoios Educativosn 3 O Aluno Surdo em Contexto EscolarA especificidade da criana surda Estratgias de interveno em contexto escolarn 4 Os Alunos com Multideficincia nas Escolas de Ensino Regularn 5 Aprendizagem Activa na criana com Multideficincia guia para educadoresn 6Contributos para o estudo daInterveno Precoce em Portugaln 7 Compreender a Baixa Viso

2. Ficha Tcnica Ttulo Compreender a Baixa Viso Edio Ministrio da Educao/Departamento da Educao Bsica Av. 24 de Julho n 140, 1350-346 LisboaDirector do DepartamentoVasco AlvesCoordenaoFilomena Pereira Ncleo de Orientao Educativae de Educao Especial AutoresFernanda Ladeira Serafim QueirsColaborao EspecialLeonor Moniz Pereira Jos Luis Frana Doria Concepo Grfica e IlustraoRaquel PinheiroFotografiaJos MoraisComposio e ImpressoS DESIGN, LDATiragem1000 exemplaresDepsito LegalISBN 972-742-159-82002 3. AgradecimentosUm agradecimento especial educadora Clarisse Nunes e s professoras Dulce Bonifcio e Graa Neves pelos valiosos contributos que tornaram possvel a organizao deste trabalho. Professora Dra. Leonor Moniz Pereira e ao Dr. Jos Lus Frana Doria pela superviso tcnica e cientfica do contedo deste trabalho. 4. Compreender a Baixa Viso Editorial9 2. Conselhos prticos na utilizao de auxiliares Introduo 11tcnicos443. Auxiliares tcnicos de acordo com as I O aparelho da viso17necessidades de utilizao45 1. Definies e conceitos184. Aquisio de auxiliares tcnicos 47 2. Causas da baixa viso 225. Aspectos prticos que facilitam a aprendizagem 48 3. Consequncias da baixa viso226. Normas de acessibilidade grfica 49 4. Principais patologias que conduzem baixa viso 24 7. Planificao de interveno51 5. Problemas associados baixa viso26ANEXOS II O diagnstico e a avaliao 29A. Consultas de Subviso55 1. Sinais de alerta29B. Servios e instituies de apoio educao 2. O que fazer?30e reabilitao da pessoa com deficincia visual 56 3. Avaliao clnica 31C. Legislao 60 4. Avaliao funcional 31D. Definies de termos 63Referncias bibliogrficas68 III Ajudar o aluno com baixa viso 41 1. Utilizao de auxiliares tcnicos 41Modelos de fichas de avaliao da viso funcional 5. Editorial outros tcnicos, pensamos contribuir positivamente para a qualidade da sua participao educativa, sendo a sua traduo prtica - AVALIAR, PLANEAR, AUXILIAR, INTERVIR. VER, OLHAR, OBSERVAR, AGIR so alguns dos Assim, a abordagem do funcionamento do aparelho verbos que podemos encontrar nesta brochura da viso, a importncia do diagnstico e avaliao temtica e que se revelam como elementosdas principais patologias e dos seus sinais de alerta, estruturantes de uma avaliao e intervenoa utilizao de auxiliares pticos, e a indicao de integradas - clnica, funcional e educacional - junto dealgumas sugestes e conselhos de como ajudar a alunos com Baixa Viso. fazer o melhor uso da viso, so algumas das propostas que adiante se descrevem. Compreender a Baixa Viso pela sua organizao fo rmal, visa proporcionar aos profissionais de Deste modo, pensa o Departamento da Educao educao que actuam neste domnio um olharBsica melhor contribuir para a construo de uma d i fe r e n t e, to especfico e incisivo quantosociedade e escola mais inclusiva onde a educao esclarecedor e exemplificativo, sobre a proble- para todos a educao de cada um e a excelncia mtica da deficincia visual e em particular da baixa um valor fundamental a promover e respeitar. viso. O Director Ao dar a conhecer como ajudar a pessoa com baixa viso, os conceitos e definies fundamentais, as propostas deavaliao/interveno para os diferentes nveis de ensino, os principais recursos e servios de apoio neste domnio a pais, docentes e Vasco Alves9 6. IntroduoContrariamente ao modelo de integrao que visava o acesso ao sistema educativo por parte dos alunos com deficincia visual, a escola inclusiva tende a A presente brochura destina-se a todos os asseguraro sucesso e procurar garantir a profissionais com responsabilidades na educao e acessibilidade ao currculo e aprendizagem. reabilitao de crianas e jovens com deficincia visual, reconhecendo o papel fundamental que aCompreender como o aluno utiliza a sua viso e escola deve desempenhar no plano da reabilitao ecomo pode ser ajudado a fazer um uso mais eficiente da educao desta populao escolar.dos resduos de viso - a que Natalie Barraga designou de eficincia visual -, constitui um requisito Neste contexto, os contributos de natureza clnicaindispensvel para que os professores utilizem so imprescindveis para compreeender as situaesestratgias de diferenciao pedaggica, que oftalmolgicas e suas implicaes na definio de umpermitam optimizar os nveis de sucesso escolar. plano de interveno que visa a educao eAssim, o aparelho da viso poder garantir uma reabilitao da funo visual.quantidade e refinamento dainfo rm a o, incomparavelmente superior dos restantes A existncia de um dfice sensorial da viso, sentidos. independentemente da sua natureza, constitui por si s uma barreira aprendizagem, exigindo, por Este documento tem como objectivo central alertar os isso, um esforo concertado por partedosprofissionais que trabalham com crianas e jovens professores e educadores, pais e demais agentes comdeficincia visualpara algunsdos significativos para o aluno, para atenuar, remediar e sinais/manifestaes que possam indiciar uma eliminar os problemas de viso susceptveis depossvel alterao no funcionamento do aparelho da restringiremas oportunidades de sucesso viso, apresentar alguns procedimentos de avaliao pedaggico destes alunos. formal e informal da viso e apresentar sugestes de 11 7. utilidade prtica no plano da educao e reabilitao As questes educacionais relativas ao processo funcional da viso. ensino-aprendizagem desta populao (planificao e programao pedaggica e estratgias de Os procedimentos de avaliao informal devem serinterveno), sero aprofundadas numa prxima encarados como meros indicadores que podem serpublicao. tidos como referncia na construo de uma grelha conceptual. Cada profissional, deve ser capaz de elaborar os seus prprios instrumentos de trabalho de acordo com os seus conhecimentos, experincia e com o quadro terico que baliza a sua interveno. Numa perspectiva de equalizao de oportunidades de sucesso educativo para todos os alunos, independentemente das suas diferenas, sejam elas fsicas, sensoriais ou de qualquer outra natureza, surge este documento na sequncia de outros j publicados pelo Departamento de Educao Bsica. Tem, pois, como objectivo oferecer aos professores e educadores informao que os ajude a reflectir e questionar os seus modelos de interveno, quando tm no seu grupo/turma uma criana ou jovem com problemas de viso, ajudando-o a aprender a fazer o melhor uso da sua viso.12 8. 15 9. 16 10. I O aparelho da visosujeita no cortex visual, em integrao com ainformao preexistente arquivada na memria. Ver um conceito to familiar e um acto As imagens no dependem, assim s do olhar, mas aparentemente to simples, que dificilmente se da interaco activa do crebro na codificao dos imaginam os problemas que os olhos colocam aomltiplos estmulos que permite atribuir um sentido crebro e que este tem de resolver numa nfima informao captada pela retina/olho(Ver esquema pg.15).fraco de tempo.Olhar constitui um primeiro passo para ver, mas entre O mundo visto pelo crebro a partir das imagens obtidas na cmara escura do olho. (Descartes) o estmulo captado pelo acto de olhar e a percepoque define a qualidade do ver, h uma enorme Para se compreender a complexidade do aparelho dadistncia, mediada por complexos sistemas corticais. viso, clssico referir a retina como uma expresso do crebro. Contrariamente aos restantes sentidos, o A concepo clssica que compara a funo visual rgo sensorial da viso o nico em que as viasao registo de uma mquina fotogrfica constitui um pticas so parte integrante das fibras nervosas domododemasiado simplista. tecnicamente sistema nervoso central. incorrecto analisar assim o problema, j que talanalogia implicaria aceitarmos que a retina (tal como Do ponto de vista da eficincia visual a qualidade daa pelcula fotogrfica), desempenha um papel resposta depende no s da quantidade e qualidadeunicamente de recepo (passivo). do fluxo de informao, que captado pelas clulas fotoreceptoras da retina (cones e bastonetes), mas De facto, a retina capta a informao, mas a sua tambm da forma como a informao alcana a rea complexidade estrutural no pode ser equiparada occipital do crebro - sede da funo visual - e ainda simples pelcula de fotografia. Os pequenos pontos e do processo de organizao e tratamento a que est linhas s adquirem os contornos de uma imagem 17 11. com sentido, quando integrados com os registos de1. Definies e conceitos informao arquivados na memria, provenientes de toda a actividade sensorial do indivduo.O enquadramento de algumas das definies econceitos que a seguir apresentamos, numa acepo A funo visual consiste na competncia que os clnico-funcional, permitir familiarizar os profis- indivduos possuem para conseguir recolher, integrar sionais com o significado desta terminologia. e dar significado aos estmulos luminosos captados pelo olho. A energia luminosa que captada pelasA OMS, preocupada com a falta de critrios de clulas fotoreceptoras da retina (cones e bastonetes), elegibilidade das pessoas para usufrurem de transmitida rea occipital (crtex visual) onde benefcios da segurana social, fiscais, atribuio de integrada com a informao proveniente dos subsdios e outros apoios, baseia-se num critrio restantes sentidos.clnico para objectivar a definio de deficinciavisual.Do ponto de vista clnico, um indivduo pode serconsiderado deficiente visual quando apresentasignificativas limitaes: (I) na acuidade visual (II) no campo visual. 2Entende-se por acuidade visual a capacidade que apessoa tem para perceber e discriminar pormenores 2Campo vis