Comunidades De Prática E Comunidades Virtuais: Ferramentas Estratégicas Para A

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Trabalho apresentado no KM 2008 - Comunidades De Prática E Comunidades Virtuais: Ferramentas Estratégicas Para A Gestão Do Conhecimento Donária Coelho Duarte;Centro Universitário Unirg;Aline França De Abreu;Universidade Federal De Santa Catarian.

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Comunidades De Prtica E Comunidades Virtuais: Ferramentas Estratgicas Para A Gesto Do Conhecimento

Donria Coelho Duarte;Centro Universitrio Unirg;Aline Frana De Abreu;Universidade

Federal De Santa Catarian.

Resumo: Este trabalho tem como foco discutir as comunidades de prtica e as comunidades virtuais como ferramentas estratgicas para a alavancagem do conhecimento organizacional. Este estudo de cunho exploratrio e bibliogrfico, inicia-se com o conceito de comunidade, caracterizando-se como um ambiente que deve prevalecer o sentimento de confiana entre

seus membros. Em seguida, discute-se as caractersticas das comunidades de prtica e as comunidades virtuais. Embora com caractersticas muito semelhantes, observou-se que das

comunidades virtuais podem surgir comunidades de prtica, na medida em que essas so ambientes que surgem a partir de um foco especfico, do desenvolvimento de uma prtica, como o prprio nome sugere. Conclui-se, portanto, que comunidades virtuais no so, necessariamente, comunidades de prtica. Entretanto, ambas podem se tornar ferramentas estratgicas para a gerao do conhecimento, se forem criados ambientes de confiana e de segurana, que estimule a cooperao. Para tanto, faz-se necessrio a criao de um ambiente que cause a sensao de bem-estar entre seus membros para que, a partir de suas diversas contribuies e sinergias, o conhecimento possa ser utilizado como um instrumento estratgico.

Palavras Chave: Comunidades de prtica. Comunidades virtuais. Estratgia.

1 INTRODUO

J h algum tempo, mudanas significativas esto ocorrendo no mercado em decorrncia dos avanos tecnolgicos. As chamadas TIs vem se mostrando uma ferramenta que tem permitido as organizaes vantagens estratgicas frente a concorrncia. A informao tem se tornado, assim, cada dia mais um recurso estratgico.

Nesse mercado, mudanas so visveis com o surgimento da sociedade ps-industrial: os mercados de massa dominantes esto se tornando mais e mais fragmentados; cada vez mais consumidores no querem permanecer annimos, querem tratamento individualizado e esto se tornando mais sofisticados; a competio est aumentando e se tornando global; a oferta do mercado est se tornando menos padronizada porque, em muitas situaes, os clientes procuram por servios personalizados e, novas tecnologias tornam isso possvel de uma maneira totalmente diferente do passado (GRNROOS, 1999).

Neste contexto, uma ferramenta que surgiu em decorrncia dos avanos tecnolgicos refere-se a internet, a rede mundial de computadores, que tem permitido a troca de informaes entre os seus usurios, o que pode alavancar o processo de gesto do conhecimento.

Conforme Hughes et al (2002), at pouco tempo atrs, a internet era amplamente usada apenas para compartilhar o conhecimento existente e no para criar oportunidades para gerar conhecimento atravs da colaborao. Brown (1998) considera que, para a maioria das aplicaes, a internet considerada apenas como um poderoso recurso para estruturao e navegao do espao da informao. Todavia, pode ser usada como um poderoso recurso para a construo e negociao do espao social.

Desta forma, com o surgimento da internet tem-se o aparecimento das comunidades virtuais e comunidades de prtica.

No caso especfico das comunidades virtuais, Arce e Prez (2001) mencionam que as mesmas se desenvolvem num novo espao onde no h fronteiras e onde se cortam distncias geogrficas e temporais. A rede pressupe um espao complementrio ao espao real, tendo lugar as interaes simblicas que fluem no mundo real, adquirindo uma dimenso nova completa trama de relaes da sociedade atual.

Atualmente, embora muito se tenha mencionado sobre as comunidades de prtica e as comunidades virtuais, o que as mesmas significam? H diferenas entre as comunidades virtuais e as comunidades de prtica? Como estimular a colaborao em tais comunidades visando a alavancagem estratgica? Este artigo tem o propsito de elucidar tais conceitos e verificar o que cabe a organizao para que essas comunidades sejam utilizadas como recursos estratgicos organizacionais.

2 CONCEITO DE COMUNIDADE

Para entender as caractersticas que distinguem as comunidades virtuais das comunidades de prtica, faz-se necessrio primeiramente entender o significado da palavra comunidade.

Arce e Prez (2001) definem comunidade como uma rede de relaes sociais, que pode estar fundamentada em um territrio (uma cidade), em interesses comuns (associaes, clubes), ou em caractersticas comuns de seus membros (colegas de trabalho), o que pressupe uma definio de interao humana. Tal interao construda da realidade social, redimensionando o sujeito como pessoa socializada em um grupo concreto, com suas representaes sociais e valores culturais.

Seguindo a mesma linha, Kim (2001) define comunidade como um grupo de pessoas que partilham um interesse ou um propsito comum, e que formam relacionamentos dentro de um contexto partilhado. Assim, os elementos bsicos de uma comunidade so as pessoas (membros, lderes, colaboradores) e um contexto partilhado de comunicao (bairro, trabalho, clube, site na internet, lista de discusso eletrnica, etc.). Para o autor, o contexto partilhado essencial para a comunidade na medida em que d sentido e orientao s conversas que ocorrem, podendo ajudar as pessoas a decidirem em que direo levar a comunidade. Storck e Hill (2000) usam o termo de comunidade estratgica que visa criar um valor permanente por meio do aprendizado, da inovao e da transmisso de conhecimento.

Assim, Haythornthwaite, Kazmer e Robins (2000) apresentam algumas caractersticas que identificam a presena de uma comunidade, como o reconhecimento de membros e no membros; uma histria compartilhada; um lugar de encontro comum; o compromisso de um propsito comum; a adoo de padres normativos de comportamento; e a emergncia de hierarquia e tarefas.

Para Stevenson (2002), no so apenas o espao, geogrfico ou virtual, e o interesse comum determinantes da comunidade, o termo pressupe tambm o senso de segurana e cooperao. O autor faz uma anlise mais profunda ao tema, ressaltando que freqentemente o significado de comunidade ignora a co-existncia de diferenas, assumindo, essencialmente, que comunidades so espaos e locais onde as pessoas so mutuamente semelhantes, que evoluem mutuamente. Contudo, o autor ressalta a necessidade das comunidades em aceitar interesses pessoais diferentes, conjuntos de valores, propsitos e at mesmo controvrsias. Assim, Stevenson (2002) considera que o termo comunidade sugere aes inteligentes de cooperao entre pessoas com uma variedade de habilidades diferentes, necessidades e vises do mundo, permitindo que haja uma diversidade cultural onde pessoas so avaliadas pelas suas diferentes contribuies.

Stevenson (2002) faz ainda uma anlise mais prospectiva, ressaltando que a comunidade de amanh ser provavelmente uma comunidade em rede, formando ligaes locais e globais para explorar e criar sinergias atravs do compartilhamento de recursos e inspiraes. Reconhecer que, para ser criativo e vivel num mundo global, dever estar aberto a mudana e aberto a diversidades. Tal comunidade reconhecer que tem muito a aprender com os outros. As complementaridades sero comemoradas.

Constata-se que nos dias de hoje tais comunidades em rede, termo denominado pelo autor supra citado, j se fazem presentes e que podem ocasionar s organizaes o alcance de vantagens estratgicas frente a concorrncia.

Nesta linha, esclarecido o conceito do termo comunidade, a seguir aprofunda-se a discusso do presente artigo abordando o conceito de uma modalidade de comunidade, as comunidades de prtica.

3 COMUNIDADES DE PRTICA

No cenrio empresarial tem-se observado o surgimento de comunidades de prtica para alavancagem do conhecimento organizacional.

Terra e Gordon (2002), afirmam que numa poca em que o aprendizado contnuo obrigatrio e as pessoas so bombardeadas com mensagens e informaes irrelevantes, as comunidades de prtica oferecem aos seus participantes ambientes de aprendizado confiveis e a oportunidade de entrar em contato com outros indivduos com interesses, projetos, desafios e/ou motivaes similares.

O termo comunidades de prtica foi cunhado originalmente por Etienne Wenger (1991), que o define como um grupo de pessoas que compartilham um interesse, por exemplo, um problema que enfrentam regularmente no trabalho ou nas suas vidas, e que se renem para desenvolver conhecimento visando criar uma prtica em torno desse tpico. Assim, conforme Wenger (2001), uma comunidade de prtica difere de uma equipe porque definida por um tpico de interesse, no por uma tarefa a realizar, tambm difere de uma rede informal porque tem um tpico, tem uma identidade. Para Terra e Gordon (2002), as comunidades de prtica diferem ainda das foras-tarefa/equipe na medida em que sua participao normalmente voluntria.

Davenport e Prusak (1998, p.45), definem comunidades de prtica como grupos auto-organizados que se comunicam entre si porque compartilham as mesmas prticas, interesses ou objetivos de trabalho.

Terra e Gordon (2002) consideram que o termo comunidades de prtica refere-se as formas como as pessoas trabalham em conjunto e/ou se associam a outras naturalmente, reconhecendo o poder das comunidades informais de colegas, sua criatividade e sua habilidade de inventar maneiras melhores e mais fceis de resolver seus desafios.

Neste sentido, Wenger (1998) considera que a prtica serve para trazer coerncia na comunidade como tambm atravs desta prtica que os membros na comunidade formam relacionamentos com os outros e com o trabalho deles. A coerncia alcanada atravs do engajamento mtuo e de um repertrio compartilhado.

Na viso de Oliveira (2003), as comunidades de prtica esto cada vez mais se transformand