Comunidades De Prática E Comunidades Virtuais: Ferramentas Estratégicas Para A

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    19-Oct-2014

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Trabalho apresentado no KM 2008 - Comunidades De Prtica E Comunidades Virtuais: Ferramentas Estratgicas Para A Gesto Do Conhecimento Donria Coelho Duarte;Centro Universitrio Unirg;Aline Frana De Abreu;Universidade Federal De Santa Catarian.

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<p>Microsoft Word - 012.doc</p> <p>Comunidades De Prtica E Comunidades Virtuais: Ferramentas Estratgicas Para A Gesto Do Conhecimento </p> <p>Donria Coelho Duarte;Centro Universitrio Unirg;Aline Frana De Abreu;Universidade </p> <p>Federal De Santa Catarian. </p> <p>Resumo: Este trabalho tem como foco discutir as comunidades de prtica e as comunidades virtuais como ferramentas estratgicas para a alavancagem do conhecimento organizacional. Este estudo de cunho exploratrio e bibliogrfico, inicia-se com o conceito de comunidade, caracterizando-se como um ambiente que deve prevalecer o sentimento de confiana entre </p> <p>seus membros. Em seguida, discute-se as caractersticas das comunidades de prtica e as comunidades virtuais. Embora com caractersticas muito semelhantes, observou-se que das </p> <p>comunidades virtuais podem surgir comunidades de prtica, na medida em que essas so ambientes que surgem a partir de um foco especfico, do desenvolvimento de uma prtica, como o prprio nome sugere. Conclui-se, portanto, que comunidades virtuais no so, necessariamente, comunidades de prtica. Entretanto, ambas podem se tornar ferramentas estratgicas para a gerao do conhecimento, se forem criados ambientes de confiana e de segurana, que estimule a cooperao. Para tanto, faz-se necessrio a criao de um ambiente que cause a sensao de bem-estar entre seus membros para que, a partir de suas diversas contribuies e sinergias, o conhecimento possa ser utilizado como um instrumento estratgico. </p> <p>Palavras Chave: Comunidades de prtica. Comunidades virtuais. Estratgia. </p> <p>1 INTRODUO </p> <p>J h algum tempo, mudanas significativas esto ocorrendo no mercado em decorrncia dos avanos tecnolgicos. As chamadas TIs vem se mostrando uma ferramenta que tem permitido as organizaes vantagens estratgicas frente a concorrncia. A informao tem se tornado, assim, cada dia mais um recurso estratgico. </p> <p>Nesse mercado, mudanas so visveis com o surgimento da sociedade ps-industrial: os mercados de massa dominantes esto se tornando mais e mais fragmentados; cada vez mais consumidores no querem permanecer annimos, querem tratamento individualizado e esto se tornando mais sofisticados; a competio est aumentando e se tornando global; a oferta do mercado est se tornando menos padronizada porque, em muitas situaes, os clientes procuram por servios personalizados e, novas tecnologias tornam isso possvel de uma maneira totalmente diferente do passado (GRNROOS, 1999). </p> <p>Neste contexto, uma ferramenta que surgiu em decorrncia dos avanos tecnolgicos refere-se a internet, a rede mundial de computadores, que tem permitido a troca de informaes entre os seus usurios, o que pode alavancar o processo de gesto do conhecimento. </p> <p> Conforme Hughes et al (2002), at pouco tempo atrs, a internet era amplamente usada apenas para compartilhar o conhecimento existente e no para criar oportunidades para gerar conhecimento atravs da colaborao. Brown (1998) considera que, para a maioria das aplicaes, a internet considerada apenas como um poderoso recurso para estruturao e navegao do espao da informao. Todavia, pode ser usada como um poderoso recurso para a construo e negociao do espao social. </p> <p>Desta forma, com o surgimento da internet tem-se o aparecimento das comunidades virtuais e comunidades de prtica. </p> <p>No caso especfico das comunidades virtuais, Arce e Prez (2001) mencionam que as mesmas se desenvolvem num novo espao onde no h fronteiras e onde se cortam distncias geogrficas e temporais. A rede pressupe um espao complementrio ao espao real, tendo lugar as interaes simblicas que fluem no mundo real, adquirindo uma dimenso nova completa trama de relaes da sociedade atual. </p> <p>Atualmente, embora muito se tenha mencionado sobre as comunidades de prtica e as comunidades virtuais, o que as mesmas significam? H diferenas entre as comunidades virtuais e as comunidades de prtica? Como estimular a colaborao em tais comunidades visando a alavancagem estratgica? Este artigo tem o propsito de elucidar tais conceitos e verificar o que cabe a organizao para que essas comunidades sejam utilizadas como recursos estratgicos organizacionais. </p> <p>2 CONCEITO DE COMUNIDADE </p> <p>Para entender as caractersticas que distinguem as comunidades virtuais das comunidades de prtica, faz-se necessrio primeiramente entender o significado da palavra comunidade. </p> <p>Arce e Prez (2001) definem comunidade como uma rede de relaes sociais, que pode estar fundamentada em um territrio (uma cidade), em interesses comuns (associaes, clubes), ou em caractersticas comuns de seus membros (colegas de trabalho), o que pressupe uma definio de interao humana. Tal interao construda da realidade social, redimensionando o sujeito como pessoa socializada em um grupo concreto, com suas representaes sociais e valores culturais. </p> <p>Seguindo a mesma linha, Kim (2001) define comunidade como um grupo de pessoas que partilham um interesse ou um propsito comum, e que formam relacionamentos dentro de um contexto partilhado. Assim, os elementos bsicos de uma comunidade so as pessoas (membros, lderes, colaboradores) e um contexto partilhado de comunicao (bairro, trabalho, clube, site na internet, lista de discusso eletrnica, etc.). Para o autor, o contexto partilhado essencial para a comunidade na medida em que d sentido e orientao s conversas que ocorrem, podendo ajudar as pessoas a decidirem em que direo levar a comunidade. Storck e Hill (2000) usam o termo de comunidade estratgica que visa criar um valor permanente por meio do aprendizado, da inovao e da transmisso de conhecimento. </p> <p>Assim, Haythornthwaite, Kazmer e Robins (2000) apresentam algumas caractersticas que identificam a presena de uma comunidade, como o reconhecimento de membros e no membros; uma histria compartilhada; um lugar de encontro comum; o compromisso de um propsito comum; a adoo de padres normativos de comportamento; e a emergncia de hierarquia e tarefas. </p> <p>Para Stevenson (2002), no so apenas o espao, geogrfico ou virtual, e o interesse comum determinantes da comunidade, o termo pressupe tambm o senso de segurana e cooperao. O autor faz uma anlise mais profunda ao tema, ressaltando que freqentemente o significado de comunidade ignora a co-existncia de diferenas, assumindo, essencialmente, que comunidades so espaos e locais onde as pessoas so mutuamente semelhantes, que evoluem mutuamente. Contudo, o autor ressalta a necessidade das comunidades em aceitar interesses pessoais diferentes, conjuntos de valores, propsitos e at mesmo controvrsias. Assim, Stevenson (2002) considera que o termo comunidade sugere aes inteligentes de cooperao entre pessoas com uma variedade de habilidades diferentes, necessidades e vises do mundo, permitindo que haja uma diversidade cultural onde pessoas so avaliadas pelas suas diferentes contribuies. </p> <p>Stevenson (2002) faz ainda uma anlise mais prospectiva, ressaltando que a comunidade de amanh ser provavelmente uma comunidade em rede, formando ligaes locais e globais para explorar e criar sinergias atravs do compartilhamento de recursos e inspiraes. Reconhecer que, para ser criativo e vivel num mundo global, dever estar aberto a mudana e aberto a diversidades. Tal comunidade reconhecer que tem muito a aprender com os outros. As complementaridades sero comemoradas. </p> <p>Constata-se que nos dias de hoje tais comunidades em rede, termo denominado pelo autor supra citado, j se fazem presentes e que podem ocasionar s organizaes o alcance de vantagens estratgicas frente a concorrncia. </p> <p>Nesta linha, esclarecido o conceito do termo comunidade, a seguir aprofunda-se a discusso do presente artigo abordando o conceito de uma modalidade de comunidade, as comunidades de prtica. </p> <p>3 COMUNIDADES DE PRTICA </p> <p>No cenrio empresarial tem-se observado o surgimento de comunidades de prtica para alavancagem do conhecimento organizacional. </p> <p>Terra e Gordon (2002), afirmam que numa poca em que o aprendizado contnuo obrigatrio e as pessoas so bombardeadas com mensagens e informaes irrelevantes, as comunidades de prtica oferecem aos seus participantes ambientes de aprendizado confiveis e a oportunidade de entrar em contato com outros indivduos com interesses, projetos, desafios e/ou motivaes similares. </p> <p>O termo comunidades de prtica foi cunhado originalmente por Etienne Wenger (1991), que o define como um grupo de pessoas que compartilham um interesse, por exemplo, um problema que enfrentam regularmente no trabalho ou nas suas vidas, e que se renem para desenvolver conhecimento visando criar uma prtica em torno desse tpico. Assim, conforme Wenger (2001), uma comunidade de prtica difere de uma equipe porque definida por um tpico de interesse, no por uma tarefa a realizar, tambm difere de uma rede informal porque tem um tpico, tem uma identidade. Para Terra e Gordon (2002), as comunidades de prtica diferem ainda das foras-tarefa/equipe na medida em que sua participao normalmente voluntria. </p> <p>Davenport e Prusak (1998, p.45), definem comunidades de prtica como grupos auto-organizados que se comunicam entre si porque compartilham as mesmas prticas, interesses ou objetivos de trabalho. </p> <p>Terra e Gordon (2002) consideram que o termo comunidades de prtica refere-se as formas como as pessoas trabalham em conjunto e/ou se associam a outras naturalmente, reconhecendo o poder das comunidades informais de colegas, sua criatividade e sua habilidade de inventar maneiras melhores e mais fceis de resolver seus desafios. </p> <p>Neste sentido, Wenger (1998) considera que a prtica serve para trazer coerncia na comunidade como tambm atravs desta prtica que os membros na comunidade formam relacionamentos com os outros e com o trabalho deles. A coerncia alcanada atravs do engajamento mtuo e de um repertrio compartilhado. </p> <p>Na viso de Oliveira (2003), as comunidades de prtica esto cada vez mais se transformando em grupos de compartilhamento do conhecimento soft que utilizam o suporte das tcnicas de gesto para se apropriar do conhecimento hard em um ambiente de negociaes de mbito internacional, via rede. </p> <p>Em termos estruturais, Wenger (2001) considera que uma comunidade de prtica possui trs elementos: </p> <p>- um domnio: assunto foco de interesse; - a prpria comunidade: interao e construo de relacionamentos em torno do </p> <p>domnio; - a prtica: como j mencionado anteriormente, necessrio que exista uma prtica e </p> <p>no apenas um interesse que se compartilhe. Assim, as pessoas aprendem juntas como fazer as coisas pelas quais se interessam. </p> <p>Wenger (2001) coloca ainda que uma comunidade de prtica apresenta os seguintes papis: </p> <p>- coordenador: o mais importante papel que se pode atribuir; - bibliotecrio: algum que se responsabiliza pelos documentos; - perito: tambm um papel importante, na medida em que permite comunidade estar </p> <p>na linha de frente, no se restringindo a apenas um grupo de principiantes; - corretores: pessoas que pertencem a duas comunidades e que criam uma ligao entre </p> <p>ambas; - ncleo central: extremamente relevante, pois numa comunidade h diferentes nveis </p> <p>de participao pessoas que participam muito porque esto mesmo interessadas; pessoas que participam ocasionalmente porque esto interessadas e so praticantes mas no querem se envolver demasiadamente; e pessoas na periferia que podem ser principiantes ou s querem se manter informadas e atualizadas. Portanto, necessrio ter um grupo de pessoas que estejam realmente envolvidas, que dem energia comunidade e que a mantenha viva. </p> <p>No caso especfico dos nveis de participao, Wenger (1998) classifica os seguintes nveis: </p> <p>- grupo nuclear: pequeno grupo no qual a paixo e o engajamento energizam a comunidade; </p> <p>- adeso completa: membros que so reconhecidos como praticantes e definem a comunidade; </p> <p>- participao perifrica: pessoas que pertencem comunidade mas com menos engajamento e autoridade, talvez pelo fato de serem novatos ou por no terem muito compromisso pessoal com a prtica; </p> <p>- participao transacional: pessoas de fora da comunidade que ocasionalmente interagem com a mesma para receber ou prover um servio sem tornar-se efetivamente um membro; </p> <p>- acesso passivo: grande nmero de pessoas que tem acesso ao que produzido pela comunidade, como suas publicaes, seu website ou suas ferramentas. </p> <p>Wasko e Faraj (2000) consideram que as organizaes esto tratando o conhecimento como um bem privado, propriedade ou da empresa ou dos membros da organizao, e propem que o conhecimento tambm pode ser considerado um bem pblico, sendo propriedade da comunidade e mantido pela mesma. Neste caso, a troca de conhecimento motivada antes pelo compromisso moral e o interesse da comunidade do que pelo limitado interesse prprio. Em sntese, estas trs vertentes esto apresentadas no quadro 2. </p> <p> Conhecimento como objeto </p> <p>Conhecimento inserido nas pessoas </p> <p>Conhecimento inserido na comunidade </p> <p>Definio de conhecimento </p> <p>Justificado pela crena verdadeira. </p> <p>No que conhecido. Na prtica social de conhecer. </p> <p>Conhecimento organizacional </p> <p>Contedo da memria organizacional incluindo documentos e banco de dados eletrnicos. </p> <p>A soma do conhecimento dos indivduos. </p> <p>Conhecimento existente na forma de rotinas e linguagens compartilhadas, narrativas e cdigos. </p> <p>Tecnologias de suporte </p> <p>Repositrios de conhecimento e agentes de pesquisa inteligente. </p> <p>E-mail, telefone, mapas de conhecimento e diretrios. </p> <p>Grupos de discusso, listservs e salas de chat. </p> <p>Princpios (ou suposies) e implicaes do modelo </p> <p>Conhecimento codificado e se torna um bem estrutural da empresa. Conhecimento descontextualizado. Assume que a criao do novo conhecimento ocorre pelo acesso ampliado do conhecimento codificado. </p> <p>Conhecimento existe na mente das pessoas e difcil de compartilhar. Requer a identificao de experts e interao para a transferncia do conhecimento tcito. Potencial sobrecarga de informao para os experts. </p> <p>Conhecimento se desenvolve no contexto da comunidade. Membros inseridos no fluxo de conhecimento. Alavanca o desejo das pessoas em participar da comunidade. Conhecimento deve ser considerado um bem pblico. </p> <p>Propriedade do conhecimento </p> <p>Organizao Indivduo Comunidade </p> <p>Motivaes para a troca </p> <p>Prprio interesse Prprio interesse Compromisso moral </p> <p>Promoo para a troca de conhecimento </p> <p>Recompensas extrnsecas e financeiras. </p> <p>Reputao, status, compromisso. </p> <p>Reciprocidade generalizada, prpria atualizao, acesso a comunidade. </p> <p>Quadro 1: Estratgicas de conhecimento e caractersticas chave Fonte: Wasko e Faraj (2000) </p> <p>Na viso de Wasko e Faraj (2000), na primeira perspectiva o conhecimento visto como um objeto que existe independentemente da ao humana, sendo um bem privado que pode ser descrito por uma variedade de dimenses (como tcito-explcito, universal-local, declarado-procedual, ou fixo-mvel). Neste caso, os sistemas de gerenciamento do conhecimento (Knowledge Management Systems - KMS) so projetados para encorajar a codificao, armazenagem e transferncia, usando um banco de...</p>

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