Conseg - Penas Medidas Alternativas

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  • 1. Ano 01 Cadernos Temticos da Conseg2009 N. 3Segurana com Cidadania nas Penas e MedidasAlternativasMinistrio da Justia - 2009

2. ISSN 2175-5949 Cadernos Temticos da Conseg N.3, Ano 01, 2009 64 ppBraslia, DFSegurana com Cidadania nas Penas e MedidasAlternativasMinistrio da Justia - 2009 3. Presidente da RepblicaLuiz Incio Lula da SilvaMinistro da JustiaTarso GenroSecretrio Nacional de Segurana PblicaRicardo Brisolla BalestreriCoordenadora Geral da a Conferncia Nacional de Segurana PblicaRegina MikiEditoraLuciane Patrcio Braga de Moraes ExpedienteConselho EditorialFernanda Alves dos Anjos (MJ)Hayde Caruso (SENASP - MJ)Jacqueline de Oliveira Muniz (PMD - UCAM)Jos Luis Ratton (UFPE)Luciane Patrcio Braga de Moraes (MJ)Luis Flvio Sapori (PUC - MG)Marcelo Ottoni Durante (SENASP MJ)Paula Miraglia (ILANUD)Regina Miki (MJ)Renato Srgio de Lima (FBSP)Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo (PUC - RS)Thadeu de Jesus e Silva Filho (SENASP - MJ)Capa e DiagramaoTati RivoireTiragem: 5.000 exemplaresISSN 2175-5949Cadernos Temticos da CONSEGCoordenao Geral da 1 Conferncia Nacional de Segurana PblicaMinistrio da Justia Ano I, 2009, n. 03. Braslia, DF.Todos os direitos reservados aoMINISTRIO DA JUSTIA (MJ)Esplanada dos Ministrios, Bloco T, Edifcio SedeBraslia, DF Brasil CEP 70064-900Telefone: (61) 2025-9570 Impresso no Brasil 4. SUMRIOCarta do Diretor 7Apresentao 9 Penas e Medidas Alternativas: Uma utopia em construo Elizabete Albernaz e Fabio Costa Morais de S e Silva12 Alternativas Penais frente crise da legitimidade do sistema punitivo Geder Luiz Rocha Gomes 16 Anlise qualitativa das penas e medidas alternativas: destinao e eficcia no Brasil31 Mrcia de AlencarO tempo entre o fato e o exerccio do poder punitivo: a lentido da justia serve a algum?44 Fabiana CostaContribuies para uma nova poltica de segurana no olhar de quem aplica, executa e vivencia as Penas e Medidas Alternativas: Princpios, Diretrizes e Solues501. Princpios, diretrizes e solues para um Sistema Nacionalde PMAs no olhar as autoridades da Justia Criminal, dosgestores estaduais e federais, dos tcnicos e da Rede SocialFabio Costa Morais de S e Silva502. As Conferncias Livres com os cumpridores de PMAs:mediaes (possveis) para a Conferncia Nacional deSegurana PblicaPatrcia Regina da Matta Silva55 5. Carta do Diretor O Brasil vive hoje uma fase bastante alentadora para as po- lticas pblicas de segurana. De um lado, a convocao da 1a Con- ferncia Nacional de Segurana Pblica - 1a CONSEG abre a indita oportunidade para que a sociedade participe ativamente na elabo- rao dos marcos conceituais e estratgicos que balizaro a atua- o do Governo Federal frente ao grave problema da violncia e da criminalidade, retirando o assunto da alada exclusiva de alguns poucos especialistas. De outro lado, o advento do PRONASCI e seu conceito central de segurana com cidadania contribui para que o problema seja visto na sua inteireza, sem a costumeira fragmen- tao entre represso e preveno que tende a dirigir a agenda go- vernamental para medidas apenas reativas, localizadas e simplistas. Essa conjuno de fatores oferece uma oportunidade mpar para a mudana nas polticas penitencirias. Como este Caderno Temtico deixa claro, o problema penitencirio brasileiro tem sido tratado predominantemente sob a lgica do aprisionamento, com pouca nfase na estruturao de servios e na promoo de outras formas de resposta violncia e criminalidade, como o caso das Penas e Medidas Alternativas PMAs. A 1a CONSEG e o PRONASCI nos foram a questionar a sustentabilidade dessa agenda e a imagi- nar como se pode ir alm dela. Esse Caderno Temtico decorre de temas relevantes abor- dados no V Congresso Nacional de Execuo de Penas e Medidas Alternativas, realizado em maio de 2009 no estado de Gois, que se constituiu num foro privilegiado para esse exerccio de propostas inovadoras em torno desse dilogo social. Mais que proporcionar espao para discusses acadmicas ou defesas rasgadas das PMAs, o Congresso serviu como um ambiente no qual os participantes de- bateram e aprovaram princpios e diretrizes para o Eixo 6 da CON- SEG que trata do Sistema Penitencirio, partindo de algumas propo- sies que j foram construdas por meio de uma consulta s bases. O documento que o/a leitor/a tem s mos uma sistema- tizao crtica das contribuies dos segmentos sociais envolvidos nos processos de aplicao e a execuo das PMAs: autoridades da Justia Criminal; profissionais das equipes tcnicas; autoridades dos Executivos estaduais que mantm servios de apoio e acompanha- mento execuo de PMAs; representantes das instituies que 6. compem a chamada Rede Social de apoio e acompanhamento execuo de PMAs. Alm das propostas e diretrizes formuladas pe- los prprios cumpridores de PMAs.As demandas expostas por essa pluralidade de vozes ofere- cem a base para os debates da 1a CONSEG.Nosso desejo que os participantes se apropriem do mate- rial aqui apresentado e ajudem a dar densidade ao seu contedo poltico. Estamos certos de que o resultado final deste processo ser de grande valia para a CONSEG e uma contribuio histrica da Di- retoria de Polticas Penitencirias, atravs da Coordenao-Geral do Programa de Fomento s Penas e Medidas Alternativas e da Comis- so Nacional de Penas Alternativas.Finalmente, o Ministrio da Justia revela a importante parce- ria com o Programa das Naes Unidas e o Ministrio Pblico de Gois para construo e realizao desse trabalho.Airton Aloisio Michels Diretor-Geral do DEPEN 7. ApresentaoA promulgao da Constituio Federal de 1988 tambm conhecida como a Constituio Cidad viabilizou novos compro- missos polticos e sociais no sentido da legitimao da democracia, do federalismo e da participao como grandes pilares estratgicos da organizao do Estado. Embora estabelecido em nvel poltico- institucional, o movimento de democratizao brasileiro enfren- ta ainda o desafio de alcanar as prticas cotidianas dos cidados, permeando as relaes da populao com as diversas agncias (e agentes) do poder pblico, com os espaos e com os indivduos que o povoam. A experincia democrtica dos ltimos 20 anos tem reiterado esta constatao, demonstrando tambm que o leque de garantias constitucionais no se projeta de modo uniforme na realidade social brasileira. Recortes scio-econmicos, de gnero, tnico-raciais, articulam-se de forma complexa em nossa histria social, ditando o ritmo de expanso destas garantias entre as diver- sas classes de cidados Para segmentos bastante expressivos da . sociedade brasileira, o exerccio de certos direitos, como a liberdade de pensamento e o voto, no gerou automaticamente o gozo de outros, como a segurana e o emprego, colocando para os governos democrticos o desafio da afirmao ativa da cidadania plena no Brasil (Carvalho, 2002)1. Esta tarefa, na atualidade, tem se caracte- rizado pelos esforos governamentais em qualificar os canais ins- titucionais de participao e controle social, atendendo a antigas reivindicaes dos movimentos sociais.As Conferncias, neste sentido, tem sido muito utilizadas en- quanto ferramenta de consulta aos diversos atores envolvidos na implementao de polticas pblicas setoriais, mobilizados em n- vel federal, estadual, municipal e comunitrio. Por meio das Confe- rncias, a sociedade brasileira se reconhece como uma verdadeira comunidade poltica, capaz de deliberar sobre questes que afe- tam a vida diria de todos e todas, indistintamente. Obviamente, isso faz das Conferncias processos to ricos quanto desafiadores.1 CARVALHO, Jos Murilo Com freqncia, elas trazem para a ordem do dia problemas estru-(2002). Cidadania no Brasil: turais da nossa sociedade, os quais at ento no tem encontradoO longo canais adequados de resoluo, quer no sistema poltico, quer nocaminho. Rio de Janeiro: sistema jurdico. Nessas ocasies, as potencialidades do modelo Civilizao so postas diretamente prova: as Conferncias podem encarar Brasileira. Apresentao 8. o desafio histrico que lhes colocado ou podem simplesmentedesviar-se dele; podem romper com consensos previamente esta-belecidos ou podem apenas reafirm-los. Tudo depende de comoo processo decisrio est organizado e de como, dentro desseprocesso, os participantes exercitam a sua responsabilidade polti-ca e a sua ousadia democrtica.Frente a este desafio, a convocao da 1a Conferncia Nacio-nal de Segurana Pblica representa um momento histrico parao processo de consolidao democrtica brasileira. Ao partilhar opoder de gesto com a sociedade, a Conferncia estabelece ummarco de transformao das prticas tradicionalmente adotadasna construo de polticas pblicas de segurana em nvel nacio-nal, estadual, municipal e comunitrio. Espera-se que a ampla mo-bilizao social catalisada pelas etapas eletivas e preparatrias da1a CONSEG sedimente as bases principiolgicas, institucionais eprticas do paradigma de segurana com cidadania, centrado natrade participao, preveno social e represso qualificada. Comdiferentes aproximaes em relao ao tema, trabalhadores da reade segurana pblica, poder pblico e organizaes da sociedadecivil encontram-se hoje envolvidos em um amplo processo de pac-tuao coletiva sobre os rumos desta mudana.Enquanto etapas preparatrias da 1a Conferncia Nacionalde Segurana Pblica, os Seminrios Temticos so ferramentasindutoras de participao e de contribuies crticas, assumindoa responsabilidade de ampliar o leque de capacidades tcnicas epolticas dos atores mobilizados, para que ocupem de modo quali-ficado os espaos de co-gesto estabelecidos. Propostos por insti-tuies reconhecidamente competentes no trato dos fenmenosabordados, a realizao dos Seminrios Temticos viabilizou ummaior aprofundamento acerca de tpicos especficos da organi-zao e funcionamento do sistema de segurana publica e justiacriminal, contemplados nos sete eixos da 1a CONSEG.Dentre esses vrios debates, aqueles situados no eixo tem-tico Sistema Penitencirio so, provavelmente, os que apresentamcontornos mais desafiadores: muito embora a sociedade brasileiraapresente nveis crescentes de mobilizao para o enfren