Direito penal geral rogerio sanches

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  • 1. DIREITO PENAL GERAL - PROF. ROGRIO SANCHES 29/07/2008 INTENSIVO I AULA 1 DIREITO PENAL 1 CONCEITO: a) sob aspecto formal: um conjunto de norma que qualifica certos comportamentos humanos como infraes penais, define os seus agentes e fixa as sanes a serem-lhes aplicadas. b) sob aspecto sociolgico: o direito penal e mais um instrumento(ao lado dos demais ramos do direito) do controle social de comportamento desviados, visando assegurar a necessria disciplina social, bem como a convivncia harmnica de seus membros. 2 FUNO: - aqui nasce o funcionalismo. a) funcionalismo teleolgico de Roxin: b) funcionalismo sistmico de Jakobs: - o fim do direito penal assegurar bens jurdicos, valendo-se das medidas de poltica criminal. - o fim do direito penal resguardar a norma, sistema, o direito posto, atrelado aos fins da pena.(Direito penal do inimigo: se praticou crime inimigo do Estado) - crime de bagatela: no feriu de maneira relevante o bem jurdico, assim para Roxin atpico penal, um indiferente penal. - crime de bagatela: preocupado com imprio do sistema, se agiu contra o sistema deve ser tratado com inimigo, h crime independente do grau de leso. 3 DIREITO PENAL OBJETIVO E SUBJETIVO: -OBJETIVO- conjunto de leis em vigor no pais. -SUBJETIVO direito de punir do Estado. -Sempre um atrelado ao outro, a existncia de um depende de outro. O direito penal objetivo expresso do poder punitivo do Estado. - O direito penal monoplio do Estado, mas h excees onde o Estado passa o poder punitivo para o particular. EX:Art. 57 da lei 6001/73 (Estatuto do ndio), a punio do TPI. 4 FONTES DO DIREITO PENAL: origem, lugar de onde vem a norma jurdica.

2. a) material: fonte de produo, ou seja, rgo encarregado de criar o direito penal. Art. 22 e CRF. No s a Unio que pode legislar no direito penal, pois se autorizado por lei complementar os Estados excepcionalmente podem legislar em matria especificas ao direito local concernentes aos itens do Art. 22 CRF. b) formal: (revelao/ conhecimento) processo de exteriorizao das regras produzidas pela unio. 4.1 Espcies de fonte formal DOUTRINA CLSSICA DOUTRINA MODERNA(STF) -Imediata: lei -Imediata: a) Direito incriminador: lei, ato administrativos complementares na normas penais em branco(portaria do m. sade). b) Direito no incriminador: constituio, tratados internacionais, lei e jurisprudncia (sumula vinculante). -Mediata: costumes e princpios gerais de direito. -Mediata: costumes e princpios gerais de direito. 4.2 Hierarquia dos tratados internacionais ratificados: - Tendncia do STF: Tratados ratificados antes e.c. 45 Tratados ratificados depois e.c. 45 -status de norma constitucional. (Ministro Celso Melo) (Conv. Amer. D H.) - a) tratados de direito humanos: a1) ratificados com quorum de emenda constitucional: norma constitucional. a2) ratificados quorum comum: norma supra legal. Tratados ficam entre a lei e CRF. - b) tratados no de direito humanos: b1) ratificados com quorum de emenda constitucional: norma constitucional. b2) ratificados quorum comum: norma legal 4.3 - Costumes: Conceito: espcie de fonte formal mediata do direito penal, consistente nos comportamentos uniformes e constantes, pela convico de obrigatoriedade e necessidade jurdica. -Costumes jamais criam crime. -Costume pode revogar a lei: 3. 1cr.: Art. 2 LICC A lei ter vigor at que outra a modifique ou revogue. Somente lei revogada outra. (prevalece) 2cr.: O direito penal probe o costume incriminador, mas no probe o costume que revogue a infrao penal, quando o comportamento dado como crime, passa a ser tolerado como crime. (minoritria) Ex: O jogo do bicho. -Costume interpretativo: Ex1: Mulher honesta: Qual o crime que exige implicitamente a expresso mulher honesta? R: Art. 218 CP corrupo de menores. Se a pessoa j esta corrompida nos prazeres da carne. No existe corrupo. E2: Repouso noturno: Art. 155,1 CP 4.4 Princpios Gerais do direito Conceito: espcie de fonte formal mediata, consistente no direito que na conscincia comum de um povo (pode ser positivado ou no) 5 FORMAS DE INTERPRETAO DA LEI PENAL Extrair da lei penal seu verdadeiro significado. 5.1 QUANTO AO SUJEITO QUE INTERPRETA(ORIGEM) a) autntica ou legislativa: a interpretao dada pela prpria lei. Ex: conceito de funcionrio pblico. Art. 327 CP. b) doutrinria: a interpretao feita pelos estudiosos. Ex: exposio de motivos do CP. c) jurisprudencial: a interpretao fruto das decises reiteradas dos nossos tribunais. Ex: ec45 sumula vinculante. Questo MP minas: quanto ao sujeito qual a classificao se d a exposio de motivos do CP? R: uma exposio de motivos dada pelos estudiosos que trabalharam no projeto de lei. Sendo assim no CP doutrinaria. Ao contrario acontece no CPP que autentica. 5.2 QUANTO AO MODO a) literal ou gramatical: leva em conta o sentido literal das palavras. b) teleolgica: indaga-se a vontade ou inteno da lei, atendendo-se ao seus fins. 4. c) histrica: procura-se a origem da lei d) sistemtica: a lei interpretada como o conjunto da legislao ou mesmo com os princpios gerais direito. 5.3 QUANTO AO RESULTADO a) declarativa: a letra da lei corresponde exatamente aquilo que o legislador quis dizer. b) extensiva: amplia-se o alcance das palavras da lei para que corresponda vontade do texto. c) restritiva: reduz o alcance da palavra para que corresponda a vontade do texto. d) progressiva (adaptativa ou evolutiva): a interpretao acompanha o progresso da cincia, que pode ser medica por exemplo. Ex: transexual: aquele dictomia sexual. Psicologicamente mulher e fisicamente homem. Questes: possvel estupro de transexual?r: possvel ao transexual a oblao do rgo e alterar o registro civil, sendo assim possvel a vitima de estupro. possvel aplicar a lei Maria da penha ao transexual? R: conseqentemente tambm aplicar a lei de proteo a mulher. possvel interpretao extensiva contra ru? R: Art. 157, 2, I CP. O que arma para dispositivo? R: caco de vidro, lamina de gillete. Interpretao extensiva ou restritiva quanto a Arma: 1cr.: sentido prprio: instrumento fabricado com finalidade blica.(restritiva) 2cr.: sentido imprprio: instrumento com ou sem finalidade blica, possvel para o ataque ou defesa. (extensiva) prevalece. No existe no direito brasileiro, vedao interpretao extensiva. Tem minoria que no admite a interpretao extensiva, por aplicao do principio in dubio pro ru que nasceu somente para o processo penal no campo das provas. INTERPRETAO ANALGICA E ANALOGIA. ANLOGICA ANALOGIA - O significado que se busca extrado do prprio dispositivo, existe norma a ser aplicado ao caso concreto, levando se em conta expresses genrica e abertas utilizadas pelo legislador depois de enunciar exemplos. - As hipteses de interpretao extensiva e analgica no se confundem com analogia. Na analogia no h interpretao, mas sim integrao, pois, nesse caso, partimos do pressupostos de que no existe uma lei a ser aplicada ao caso concreto, motivo pelo qual 5. socorre-se daquilo que o legislador previu para outro similar. ex: arma: faca, pedao de pau, vidro, canivete ou outro instrumento que sirva para o ataque. (terminou com uma formula genrica). Art. 121,2, I(ou por outro motivo torpe) ex: no admite analogia contra o ru, somente a favor do ru, pois ao contrario fosse, iria ferir o principio da legalidade. - expresso cnjuge no abrange a unio estvel. 6 PRINCIPIOS RELACIONADOS COM A MISSAO FUNDAMENTAL DO DIREITO PENAL 6.1 Princpio da exclusiva proteo de bens jurdicos: o direito penal s esta legitimado para proteger bens jurdicos relevantes do homem. 6.2 Princpio da interveno mnima: o direito penal s deve intervir quando estritamente necessrio, mantendo-se subsidirio e fragmentrio. -Subsdiariedade: o direito penal s intervm em abstrato diante do fracasso dos demais ramos do direito. (ultima ratio derradeira trincheira no combate) CRIAO DE TIPOS PENAIS *O direito penal protege o furto em abstrato e no vem agir: pelo furto de uma caneta. -fragmentriedade: o direito penal s intervm no caso concreto quando houver relevante leso ou perigo de leso ao bem jurdico tutelado. PUNIO *O direito penal s vem agir : por exemplo o furto de caminho. 6.3 Principio da insignificncia: Questo: o principio da insignificncia desdobramento lgico de qual espcie do principio da interveno mnima? R: da fragmentariedade. Pode aplicar o principio da insignificncia? Para criminoso habitual? Para o reincidente? R: STJ controvertido e dividido entre sim e no. STJ no aplica princpio da insignificncia a ladro de bicicleta e de usque Para que se configure o chamado crime de bagatela ou princpio da insignificncia, no se leva em conta apenas o valor do bem material subtrado, mas tambm a condio econmica da vtima e as circunstncias e conseqncias do delito cometido. Com esse entendimento, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justia (STJ) indeferiu o pedido de habeas-corpus de J.E.C., preso por furtar uma bicicleta e uma garrafa de usque em Mato Grosso do Sul. Ao analisar o pedido, o ministro relator Jorge Mussi ressaltou que, apesar de os bens furtados totalizarem R$ 91,80, uma das vtimas, o marceneiro Valdemir Teles Cunha, utilizava a bicicleta (avaliada em R$ 70,00) como meio de transporte para se deslocar at o trabalho. A bicicleta para ele um bem relevante e de repercusso no seu patrimnio. J.E.C. foi condenado pela 2 Vara Criminal do Tribunal de Justia de Mato Grosso do Sul (TJMS) pena de um ano e seis meses de recluso em regime inicial aberto e ao pagamento de 20 dias-multa. A Defensoria Pblica entrou com pedido de habeas-corpus em favor do acusado no TJMS. O pedido foi negado e a sentena foi mantida. Novo recurso foi interposto no TJMS, visando absolvio do acusado sob a alegao de que deveria ser aplicado o princpio da insignificncia ou bagatela para o caso do furto da bicicleta e da garrafa de usque. A defesa alega que o fato tido como delituoso no teve relevncia na esfera penal. Segundo o ministro relator Jorge Mussi, a Quinta Turma afastou a pretendida absolvio do acusado com a