Do contrato social jean jacques rousseau

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  • 1. CONTRATO.TXTCopyright Autor: Jean-Jacques RousseauTraduo: Rolando Roque da SilvaEdio eletrnica: Ed Ridendo Castigat Mores (www.jahr.org)DO CONTRATO SOCIALJean-Jacques RousseauNDICEBIOGRAFIA DO AUTORLIVRO IDo Contrato Socialfile:///C|/site/livros_gratis/contrato_social.htm (1 of 72) [4/1/2002 14:09:38]#I -- Assunto deste primeiro livro.II -- Das primeiras sociedades.III -- Do direito do mais forte.IV -- Da escravido.V -- preciso remontar sempre a um primeiro convnio.VI -- Do pacto social.VII -- Do soberano.VIII -- Do estado civil.IX -- Do domnio real.LIVRO III -- A soberania inalienvel.II -- A soberania indivisvel.III -- A vontade geral pode errar.IV -- Dos limites do poder soberano.V -- Do direito de vida e morte.VI -- Da lei.VII -- Do legislador.VIII -- Do povo.IX -- Continuao do captulo precedente.X -- Continuao.XI -- Dos diversos sistemas de legislao.XII -- Diviso das leis.LIVRO IIII -- Do governo em geral.II -- Do princpio que constitui as diversas formas de governo.Do Contrato Socialfile:///C|/site/livros_gratis/contrato_social.htm (2 of 72) [4/1/2002 14:09:38]#III -- Diviso dos governos.IV -- Da democracia.V -- Da aristocracia.VI -- Da monarquia.VII -- Dos governos mistos.VIII -- Nem toda forma de governo apropriada a todos os pases.IX -- Dos sinais de um bom governo.X -- Do abuso do governo e de sua tendncia a degenerar.XI -- Da morte do corpo poltico.XII -- Como se mantm a autoridade soberana.XIII -- Continuao.XIV -- Continuao.XV -- Dos deputados ou representantes.XVI -- Quando a instituio do governo no um contrato.XVII -- Da instituio do governo.XVIII -- Meios de prevenir as usurpaes do governo.LIVRO IVI -- A vontade geral indestrutvel.II -- Dos sufrgios. Pgina 1
  • 2. CONTRATO.TXTIII -- Das eleies.IV -- Dos comcios romanos.V -- Do tribunato.VI -- Da ditadura.VII -- Da censura.VIII -- Da religio civil.Do Contrato Socialfile:///C|/site/livros_gratis/contrato_social.htm (3 of 72) [4/1/2002 14:09:38]#IX -- Concluso.NOTASBIOGRAFIA DO AUTORJean-Jacques Rousseau nasceu em Genebra no ano de 1712 e morreu no de 1778.Dotado de excepcionais qualidades de inteligncia e imaginao, foi ele um dosmaiores escritores e filsofos do seu tempo. Em suas obras, defende a idia davolta natureza, a excelncia natural do homem, a necessidade do contrato social paragarantir os direitos da coletividade. Seu estilo, apaixonado e eloqente,tornou-seum dos mais poderosos instrumentos de agitao e propaganda das idias quehaviam de constituir, mais tarde, o imenso cabedal terico da Grande Revoluode1789-93. Ao lado de Diderot, DAlembert e tantos outros nomes insignes queelevaram, naquela poca, o pensamento cientfico e literrio da Frana, foiRousseau um dos maispreciosos colaboradores do movimento enciclopedista. Das suas numerosas obras,podem citar-se, dentreas mais notveis: Jlia ou A Nova Helosa (1761), romance epistolar, cheio degrande sentimentalidade eamor natureza; O Contrato Social (1762), onde a vida social consideradasobre a base de um contratoem que cada contratante condiciona sua liberdade ao bem da comunidade,procurando proceder semprede acordo com as aspiraes da maioria; Emlio ou Da Educao (1762), romancefilosfico, no qual,partindo do princpio de que ``o homem naturalmente bom e m a educao dadapela sociedade,preconiza ``uma educao negativa como a melhor, ou antes, como a nica boa;As Confisses, obrapublicada aps a morte do autor (1781-1788), e que uma autobiografia sob todosos pontos-de-vistanotvel.O CONTRATO SOCIAL...Foederis aequasDicamus Leges.(AEneid., XI)LIVRO IEu quero investigar se pode haver, na ordem civil, alguma regra deadministrao, legtima e segura, quetome os homens tais como so e as leis tais como podem ser. Cuidarei de ligarsempre, nesta pesquisa, oque o direito permite com o que o direito prescreve, a fim de que a justia e autilidade de modo algum seencontrem divididas.Entro na matria sem provar a importncia de meu assunto. Perguntar-se-me- sesou prncipe oulegislador, para escrever sobre poltica. Se eu fosse prncipe ou legislador,no perderia meu tempo emdizer o que preciso fazer; eu o faria ou me calaria.Nascido cidado de um Estado Livre (1) e membro do soberano, por frgil que sejaa influncia de minha Pgina 2
  • 3. CONTRATO.TXTvoz nos negcios pblicos, basta-me o direito de votar para me impor o dever deme instruir no tocante aDo Contrato Socialfile:///C|/site/livros_gratis/contrato_social.htm (4 of 72) [4/1/2002 14:09:38]#isso: feliz, todas as vezes que medito sobre os governos, de achar sempre, emminhas pesquisas, novasrazes para amar o de meu pas.I -- Assunto deste primeiro livro.O homem nasceu livre, e em toda parte se encontra sob ferros. De tal modoacredita-se o senhor dosoutros, que no deixa de ser mais escravo que eles. Como feita essa mudana?Ignoro-o. Que que atorna legtima? Creio poder resolver esta questo.Se eu considerasse to-somente a fora e o efeito que dela deriva, diria:Enquanto um povo constrangido a obedecer e obedece, faz bem; to logo ele possa sacudir o jugo eo sacode, faz aindamelhor; porque, recobrando a liberdade graas ao mesmo direito com o qual lhaarrebataram, ou este lheserve de base para retom-la ou no se prestava em absoluto para subtra-la. Masa ordem social umdireito sagrado que serve de alicerce a todos os outros. Esse direito, todavia,no vem da Natureza; est,pois, fundamentado sobre convenes. Mas antes de chegar a, devo estabelecer oque venho de avanar.II -- Das primeiras sociedades.A mais antiga de todas as sociedades, e a nica natural, a da famlia. Ascrianas apenas permanecemligadas ao pai o tempo necessrio que dele necessitam para a sua conservao.Assim que cesse talnecessidade, dissolve-se o lao natural. As crianas, eximidas da obedinciadevida ao pai, o pai isentodos cuidados devidos aos filhos, reentram todos igualmente na independncia. Secontinuam apermanecer unidos, j no naturalmente, mas voluntariamente, e a prpriafamlia apenas se mantmpor conveno.Esta liberdade comum uma conseqncia da natureza do homem. Sua primeira leiconsiste em protegera prpria conservao, seus primeiros cuidados os devidos a si mesmo, e to logose encontre o homemna idade da razo, sendo o nico juiz dos meios apropriados sua conservao,torna-se por s seuprprio senhor. a famlia, portanto, o primeiro modelo das sociedades polticas; o chefe aimagem do pai, o povo aimagem dos filhos, e havendo nascido todos livres e iguais, no alienam aliberdade a no ser em troca dasua utilidade. Toda a diferena consiste em que, na famlia, o amor do pai pelosfilhos o compensa doscuidados que estes lhe do, ao passo que, no Estado, o prazer de comandarsubstitui o amor que o chefeno sente por seus povos.Grotius nega que todo poder humano seja estabelecido em favor dos governados.Sua mais freqentemaneira de raciocinar consiste sempre em estabelecer o direito pelo fato (2) .Poder-se-ia empregar ummtodo mais conseqente, no porm mais favorvel aos tiranos. , pois duvidoso,segundo Grotius,saber se o gnero humano pertence a uma centena de homens, ou se esta centena de Pgina 3
  • 4. CONTRATO.TXThomens quepertence ao gnero humano, mas ele parece pender, em todo o seu livro, para aprimeira opinio. estetambm o sentimento de Hobbes. Eis assim a espcie humana dividida em rebanhosde gado, cada qualcom seu chefe a guard-la, a fim de a devorar.Assim como um pastor de natureza superior de seu rebanho, os pastores dehomens, que so seuschefes, so igualmente de natureza superior de seus povos. Desta maneiraraciocinava, no relato deFlon, o imperador Calgula, concluindo muito acertadamente dessa analogia queos reis eram deuses, ouque os povos eram animais.Do Contrato Socialfile:///C|/site/livros_gratis/contrato_social.htm (5 of 72) [4/1/2002 14:09:38]#O raciocnio de Calgula retorna ao de Hobbes e ao de Grotius. Aristteles,antes deles todos, tinha ditoque os homens no so naturalmente iguais, e que uns nascem para escravos eoutros para dominar.Aristteles tinha razo, mas ele tomava o efeito pela causa. Todo homem nascidoescravo nasce paraescravo, nada mais certo: os escravos tudo perdem em seus grilhes, inclusiveo desejo de se livraremdeles; apreciam a servido, como os companheiros de Ulisses estimavam o prprioembrutecimento.Portanto, se h escravos por natureza, porque houve escravos contra anatureza. A fora constituiu osprimeiros escravos, a covardia os perpetuou.Eu nada disse do rei Ado, nem do imperador No, pai de trs grandes monarcasque partilharam entre sio Universo, como o fizeram os filhos de Saturno, nos quais se acreditoureconhecer aqueles. Espero queme agradeam por esta moderao, porque, descendente que sou de um dessesprncipes, qui do ramomais velho, quem sabe se, pela verificao dos ttulos, eu no me sentiria dealgum modo como olegtimo rei do gnero humano? Seja como for, no se pode deixar de convir emque Ado no foisoberano do mundo como Robinson o foi em sua ilha, enquanto permaneceu o nicohabitante; e o quehavia de cmodo nesse imprio era o fato de que o monarca, seguro em seu trono,no tinha a recear nemrebelies, nem guerras, nem conspiraes.III -- Do direito do mais forte.O mais forte no nunca assaz forte para ser sempre o senhor, se no transformaessa fora em direito e aobedincia em dever. Da o direito do mais forte, direito tomado ironicamente naaparncia e realmenteestabelecido em princpio. Mas explicar-nos-o um dia esta palavra? A fora uma potncia fsica; novejo em absoluto que moralidade pode resultar de seus efeitos. Ceder for