of 52 /52
Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva Ministro da Educação Fernando Haddad Secretário-Executivo José Henrique Paim Secretário da Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade Ricardo Henriques

Eja caderno4

Embed Size (px)

Text of Eja caderno4

  • 1. Presidente da RepblicaLuiz Incio Lula da Silva Ministro da EducaoFernando Haddad Secretrio-ExecutivoJos Henrique PaimSecretrio da Educao Continuada,Alfabetizao e DiversidadeRicardo Henriques

2. TRABALHANDOCOM A EDUCAODE JOVENSE ADULTOS AVALIAO E PLANEJAMENTO 3. Diretor do Departamentode Educao de Jovens e Adultos Timothy Denis IrelandCoordenadora-Geralde Educao de Jovens e AdultosCludia Veloso Torres Guimares Equipe de elaborao Redao:Ceclia Bueno Maria Suemi Salvador Coordenao:Vera BarretoReviso:Maria Luisa Simes Glria Maria Motta LaraDesign grfico, ilustrao e capa Amilton SantanaFotos da capa:Moiss Moraes Agradecimentos: Alice Cerqueira Agda FEdna Aoki Elena AbreuHelena SingerLaura Moraes Lourdes AquinoMara SanchesRegina Fulgncio Rita de Cssia AlmeidaRosa Antunes Sandra de Oliveira Braslia - 2006 4. ApresentaoO Ministrio da Educao, para enfrentar os processos excludentes que marcam os sistemas deeducao no pas, cria, em 2004, a Secretaria de Educao Continuada, Alfabetizao e Diversidade(SECAD). Respeitar e valorizar a diversidade da populao, garantindo polticas pblicas comoinstrumentos de cidadania e de contribuio para a reduo das desigualdades so os objetivos destanova Secretaria.A SECAD, por meio do Departamento de Educao de Jovens e Adultos, busca contribuir para atenuar advida histrica que o Brasil tem para com todos os cidados de 15 anos ou mais que no concluram aeducao bsica. Para tanto, fundamental que os professores e professoras dos sistemas pblicos deensino saibam trabalhar com esses alunos, utilizando metodologias e prticas pedaggicas capazes derespeitar e valorizar suas especificidades. Esse olhar voltado para o aluno como o sujeito de sua prpriaaprendizagem, que traz para a escola um conhecimento vasto e diferenciado, contribui, efetivamente,para sua permanncia na escola e uma aprendizagem com qualidade.Apesar de a educao de jovens e adultos ser uma atividade especializada e com caractersticasprprias, so raros os cursos de formao de professores e as universidades que oferecem formaoespecfica aos que queiram trabalhar ou j trabalham nesta modalidade de ensino. Igualmente, no somuitos os subsdios escritos destinados a responder s necessidades pedaggicas dos educadores queatuam nas salas de aula da educao de jovens e adultos. Procurando apoiar esses educadores, aSECAD apresenta a coleo Trabalhando com a Educao de Jovens e Adultos, composta de cincocadernos temticos. O material trata de situaes concretas, familiares aos professores e professoras, epermite a visualizao de modelos que podem ser comparados com suas prticas, a partir das quais soampliadas as questes tericas.O primeiro caderno, ALUNAS E ALUNOS DA EJA, traz informaes, estratgias e procedimentos queajudam os educadores a conhecerem quem so os seus alunos e alunas. Questes que abordam o perfildo pblico da educao de jovens e adultos, tais como: porque procuram os cursos, o que queremsaber, o que j sabem e o que no sabem, suas relaes com o mundo do trabalho e na sociedadeonde vivem.Em A SALA DE AULA COMO UM GRUPO DE VIVNCIA E APRENDIZAGEM, segundo caderno destacoleo, so apresentadas algumas estratgias capazes de gerar, desenvolver e manter a sala de aulacomo um grupo de aprendizagem onde cresam os vnculos entre educador/educando e educandosentre si.Nos dois cadernos seguintes so abordados quatro instrumentos importantes para a prtica pedaggicados professores e professoras: OBSERVAO E REGISTRO, AVALIAO E PLANEJAMENTO. Sodesenvolvidas, entre o conjunto de questes pertinentes aos temas, suas funes e utilidades nocotidiano do educador.O ltimo caderno, O PROCESSO DE APRENDIZAGEM DOS ALUNOS E PROFESSORES, apresentaorientaes e discusses relativas teoria do conhecimento: como os alunos aprendem e como osprofessores aprendem ensinando.Boa leitura!Ricardo HenriquesSecretrio de Educao Continuada, Alfabetizao e Diversidade1 5. ndiceA Avaliao e o PlanejamentoIntroduo 3Parte 1A AvaliaoA avaliao na escola 4A avaliao como instrumento do(a) professor(a) e do aluno 5Parte 2A avaliao um processo contnuo A avaliao inicial 8 Conhecendo e avaliando 9 A avaliao que acompanha todo o ano letivo 17 Como avaliar o trabalho realizado 18 Toda atividade de sala de aula pode servir de avaliao 19 A auto avaliao 24 A avaliao como primeiro passo para o planejamento 25Parte 3O planejamento Introduo 26 Um pouco da histria do planejamento 27 Planejar X Improvisar 28 Planejamento - o que diz esta palavra? 29Parte 4O planejamento do(a) professor(a) Como planejar Para que ensinar 33 O que ensinar? 34 Como ensinar? 37 O planejamento do(a) professor(a) e o uso do livro didtico 40Parte 5O planejamento da escola O Projeto Poltico Pedaggico 42 A integrao da prtica do(a) professor(a) ao projeto poltico pedaggico da escola 45 Resumindo alguns pontos significativos 45 Algumas concluses 48Bibliografia 492 6. A AVALIAO E O PLANEJAMENTOINTRODUOPensar e agir uma marca de todos ns, seres humanos. Afinal, foi pensandoe agindo que chegamos ao nosso complexo mundo de hoje. Durante todanossa histria, mulheres e homens criaram, aprenderam e transformaram omundo tendo em mente alcanar determinados sonhos ou resultados.Algumas vezes, agiram sem ter clareza do lugar onde queriam chegar. Foram,simplesmente, fazendo e constatando o feito. Outras vezes, agiram de modoplanejado, estabeleceram objetivos e buscaram alcan-los intencionalmente.Planejar a atividade em que se projetam fins e se estabelecem os meiospara chegar at eles.Planejar implica fazer escolhas. E, para bem faz-las preciso conhecer arealidade para poder determinar onde chegar e de que forma ir at l.Mas, antes de planejar necessrio descobrir onde estamos, para estabeleceras bases que garantiro a construo do planejamento. Esta prtica queprecede o planejamento a avaliao.Neste sentido, avaliao e planejamento caminham juntos.Na escola no diferente. Avaliao e planejamento se unem prticapedaggica numa relao contnua. O(a) professor(a) avalia para planejar,planeja para atuar junto aos alunos, para voltar a avaliar, novamente planejar,novamente atuar,... numa onda sem fim.3 7. Para facilitar o nosso estudo, vamos tratar a avaliao e o planejamento emmomentos separados. Apenas para facilitar a nossa anlise. Na prtica estosempre juntos.Parte1A AVALIAODiz o dicionrio que avaliar significa dar valor de uma realidade comreferncia a uma expectativa ideal. A definio pode parecer complicada, masde uma forma ou de outra todos ns nos envolvemos, freqentemente, comalgum tipo de avaliao. o que fazemos quando consideramos uma msica bonita, um objeto pesado,uma bolsa cara, uma roupa apertada etc.Embora presente em atos to simples do dia a dia, a avaliao tambm umaforma de localizar as necessidades e se comprometer com sua superao.Na escola, ela s deveria existir para orientar o trabalho dos(as)professores(as) e dos alunos.A AVALIAO NA ESCOLADurante muito tempo, a avaliao foi considerada pelos professores e alunoscomo um instrumento para medir os acertos e erros dos estudantes, com oobjetivo de dar a eles uma nota ou conceito. Era usada como uma espcie defita mtrica, colocada na mo do(a) professor(a) para medir o nvel deconhecimentos dos alunos.Os professores da educao de jovens e adultos sabem muito bem como estemodelo de avaliao contribuiu para a baixa-estima dos alunos que hojeretornam escola, cheios de temor e insegurana. Alm disso, essa4 8. avaliao quase nada interferiu para mudar o jeito de ensinar do(a)professor(a) e o jeito de estudar do(a) aluno(a).Como na educao, geralmente, as mudanas acontecem muito lentamenteexiste, ainda hoje, muita gente que continua pensando e agindo dessa forma.A AVALIAO, COMO INSTRUMENTODO(A) PROFESSOR(A) E DO ALUNO(A)A avaliao tem como funo primeira orientar o trabalho do(a) professor(a) eo estudo dos alunos.Assim compreendida, ela se faz presente, desde o incio da prtica educativa,quando oferece elementos para que o(a) professor(a) possa fazer o seuplanejamento. Alm disso, a avaliao acompanha todo o processo educativo,orientando o(a) professor(a) e os alunos na busca dos objetivos planejados.Vamos ver como isso acontece, seguindo um relato feito por Sandra, umaprofessora da EJA, em So Bernardo do Campo: Esta semana choveu sem parar e vrios alunos perguntavam por que a rua onde moravam estava alagando se antes isso nunca havia acontecido. Com jornais e revistas, previamente escolhidos, buscamos respostas para as nossas perguntas. Encontramos muitas explicaes para as enchentes que atrapalhavam a vida dos moradores em muitos pontos da cidade. Foi, tambm, uma boa oportunidade para analisar o texto informativo de um jornal ou revista. No final, pedi aos alunos que em grupos apresentassem o que mais havia chamado a ateno deles e o que haviam aprendido com o trabalho. Minha surpresa foi muito grande quando, indo de grupo em grupo, fui descobrindo que as dificuldades eram grandes e os enganos numerosos. As interpretaes dadas ao material lido eram muito distantes das reais intenes dos autores. Por se tratar 5 9. de textos informativos esta situao gerou grandes distores. Na apresentao dos grupos, avaliei melhor o quanto me enganei com a forma escolhida para o trabalho. Tive que reorganizar o meu planejamento agora com outros materiais e partindo de noes que tinha considerado desnecessrias. Se a prpria origem da chuva era desconhecida, como poderiam ser compreendidas todas as questes que, no primeiro momento planejei estudar? Sandra OliveiraSandra se valeu da avaliao em dois momentos: no primeiro, para escolher oque ia trabalhar na sala de aula e, no segundo, para descobrir o quanto osalunos atingiram dos objetivos esperados.No primeiro momento, a avaliao orientou o trabalho da professora: elaavaliou que as perguntas dos alunos, vindas da situao que viviam,apontavam as chuvas e suas conseqncias como um tema significativo.Percebeu tambm que esse contedo, mais prximo da geografia, propor-cionaria conhecimentos da linguagem informativa (dos jornais, revistas, livrosdidticos), da matemtica (clculos dos prejuzos causados pelas cheias,comparao de volumes de gua e outros mais).Com esses dados, mais os conhecimentos que tinha dos alunos, ela planejouo seu trabalho. Em seguida, partiu para a realizao dele.Sandra valeu-se novamente da avaliao para observar o trabalho dos alunose descobriu que haviam srios enganos na forma como entenderam ocontedo apresentado.Para chegar a essa constatao, ela no precisou fazer nenhuma provaescrita, com perguntas e respostas. A simples leitura das produes dosalunos indicou que os objetivos esperados no tinham sido atingidos.Sandra se valeu dessa avaliao para ajustar o seu planejamento s reaisnecessidades dos alunos. Procurou textos mais simples, comeando odesenvolvimento do tema pela questo da origem da chuva (ciclo da gua).6 10. A avaliao possibilita aos alunos e ao(a)professor(a) rever at onde conseguiramatingir seus objetivos. Mostra, tambm, ondeeles precisam agir para alcanar os objetivosesperados.O processo vivido pela professora Sandra o mesmo que o professorespanhol, Antoni Zaballa, nos aponta atravs de uma comparao entre asaes de um(a) professor(a) no ato de avaliar e as que uma dona de casarealiza ao fazer compras domsticas. Dona de casa ProfessorObserva o que tem na despensaProcura saber o que os alunos j sabem e o que necessitam aprender (avaliao inicial)Anota o que falta. Faz isso de Seleciona os contedos eacordo com seus objetivos: atividades que seropropiciar uma alimentaodesenvolvidas.saudvel, no desperdiar etc.Vai ao lugar das compras. V Periodicamente, observa o queprodutos novos, promoes quej foi conseguido analisando opodem mudar o seudesempenho dos alunos.planejamento inicial.Faz mudanas, como trocar um Repensa todo o processo paraproduto por outro de melhorreforar os pontos consideradospreo, de fabricao maisdeficientes e facilitar arecente. aprendizagem.7 11. Parte 2A AVALIAO - UM PROCESSO CONTNUOA avaliao, tal como a vemos, um valioso instrumento do(a) professor(a) eacompanha todo o processo de ensino/aprendizagem.Diferentemente da avaliao tradicional, que realizada geralmente no finaldo ano letivo, falamos de uma avaliao que se faz presente durante toda adurao do processo educativo.No incio, ela serve para dar aos professores os elementos fundamentais paraa realizao do seu planejamento. Para isso informa: quem so os alunos, queconhecimentos trazem, quais suas curiosidades frente ao saber, seus desejosetc.Durante o trabalho de sala de aula, ela oferece os dados para que o(a)professor(a) possa agir como um(a) orientador(a) sempre atento(a) para quetodos consigam chegar, com ele(a) at a meta esperada. Para isso puxa pelamo os que ficam atrasados, diminui os passos para ter certeza que o grupoest conseguindo acompanh-lo(a), imagina formas para diminuir asdificuldades encontradas, levando todos a se envolver e se ajudar. Paradesenvolver esse papel, o(a) professor(a) precisa da avaliao para estaratento(a) ao que acontece com seus alunos.A AVALIAO INICIALEstamos chamando de avaliao inicial aquela que se d no comeo dotrabalho escolar, quando comeamos a saber quem so as alunas e alunos, oscolegas professores e a realidade que envolve a todos ns.Na EJA, muitas vezes, a avaliao tem seu comeo na formao das turmas.Todos os anos chegam escola alunos e alunas em diferentes nveis deescolaridade. Nem sempre fcil definir qual a srie ou etapa mais adequadapara cada um deles. Tem gente que traz no histrico escolar uma escolaridadeque o passar do tempo em grande parte j apagou da memria de quem traz odocumento. Muitos so pessimistas, acreditam no saber quase nada, quando8 12. isso no corresponde verdade. Outros no foram escola, mas tiveramalgum parente ou amigo que desempenhou junto a eles, o papel de professor.E tantas outras situaes.Para resolver essas questes, as escolas buscam diferentes sadas queenvolvem algum tipo de avaliao: a realizao de testes para conhecer o nvel de escolaridade; entrevistas com os interessados com o objetivo de avaliar osconhecimentos considerados bsicos, como: ler, escrever e contar; E outras formas mais... sem contar quando a nica possibilidade formar uma nica classe com todos os candidatos.CONHECENDO E AVALIANDOVamos retomar o que dizamos. A avaliao faz parte da ao do(a)professor(a) desde o seu primeiro contato com os alunos.Os primeiros dias de aula so de grande importncia para quebrar aspossveis resistncias e comear a construo de uma relao de confiana.So, tambm, momentos propcios para, por exemplo, conhecer o grupoquanto s experincias escolares j vividas; as profisses que, atualmente,desempenham ou a forma como ganham a vida; as cidades de origem; osgrupos familiares, as expectativas em relao ao futuro etc.Nessas conversas, vo sendo percebidos os jeitos de cada um - quem muito falante, quem mais tmido, quem est sempre risonho, quem despontalogo como uma liderana enfim, as caractersticas de cada um dos alunos.A percepo dessas caractersticas levou Elena, uma professora quecomeava a trabalhar com jovens e adultos, a pr no papel suas descobertase encantamento em relao aos seus novos alunos: Como so sabidos os meus alunos! Tem gente que pensa que quem no sabe ler e escrever uma9 13. pessoa ignorante. Como estas pessoas esto enganadas!Sou uma alfabetizadora de jovens e adultos e cada dia voudescobrindo mais o quanto sabem meus alunos.Seu Lus faz bancos e cadeiras. Tudo na medida exata, com omaior capricho. A Elsa cozinheira de forno e fogo. Conhecetudo que receita de cor e no se atrapalha com as medidas dasquantidades. Odailton sabe cuidar muito bem dos filhos enquantovende os ovos que buscou numa granja. Desempregado h maisde dois anos, consegue espichar o dinheiro que ganha junto doque vem das faxinas feitas pela mulher. Marlene sabe muito sobreremdios caseiros, conhece tudo que planta. Jorge, tem 16 anos,mas j entende de jardinagem, uma profisso da famlia dele,desde o tempo de seu av. Elisa sabe andar por toda a cidade eresolve facilmente todos os pagamentos das contas da patroa. Aldoconstri casas, Manuel faz ligaes eltricas e Arlinda montabrinquedos numa fbrica.Tenho a escola da vida dizem todos com razo. Ado calado,mas resolve problemas de matemtica com uma rapidez espantosa.Cida aprendeu a costurar com a me e nunca mais esqueceu.Mesmo sabendo tantas coisas eles acreditam que sabem muitopouco, quase nada. Dentro deles vive um sentimento deinferioridade difcil de arrancar. Elena Abreu Voc se lembra de quando comeou a trabalhar na EJA? Tente relembrar o que foi novidade para voc. No deixe de escrever sobre suas descobertas. A avaliao inicial faz com que o(a) professor(a) tenha os elementos bsicos para fazer seu primeiro planejamento. Ela permite a escolha do primeiro tema a ser desenvolvido e das primeiras atividades que sero trabalhadas.10 14. Conhecer o que os alunos sabem no uma tarefa s para primeiras semanasde aula, mas uma preocupao permanente do(a) professor(a) em todas asatividades que prope.Ele(a) deve sempre considerar o que os alunos j sabem sobre o que vai sertratado na sala de aula. Afinal, partindo do que se conhece que construmosnovos conhecimentos. Quando o(a) professor(a) vai conhecendo seus alunos, vai avaliando onde deve atuar, o que deve priorizar, qual a melhor forma de agir. Esta avaliao primeira, chamada de avaliao diagnstica, indica a direo a seguir.Como sugesto, apontamos alguns aspectos que consideramos importantes nahora de conhecer mais os alunos : Histria de vidaO trabalho Dados pessoais: nome Experincias: qual o trabalhocompleto, data de nascimento,atual, que outros trabalhos jcidade onde nasceu,teve, o que gostaria de fazer, Escolaridade: se j foi escola, Aprendizagem profissional:quando, por quanto tempo, porcomo aprendeu o trabalho queque saiu, o que espera dofaz atualmente, j fez algumcurso, curso ligado ao trabalho, Famlia: estado civil, com quemgostaria de fazer algum, qual,mora, filhos, Rotina diria: quantas horas Participao comunitria:trabalha por dia, quais asfreqenta igreja, faz parte de folgas, qual o tempo gasto nasalguma associao, sindicato,idas e vindas entre casa e trabalho.11 15. Descanso e diverso Contato com a escrita O que faz nos momentos de Se tem jornais, revistas emdescanso, o que gostaria decasa, quais,fazer, O que gosta ou gostaria de ler, Qual a diverso predileta, que Se precisa usar a escrita notempo se dedica a ela, trabalho, pouco, nunca, muitas Em companhia de quem sevezes,diverte, descansa, sai com os Se j escreveu ou recebeufilhos, onde vo,cartas, Gosta de ver televiso, quais os Se precisa ir ao banco,programas preferidos, Onde sente mais a necessidade Faz trabalhos manuais, de saber ler e escrever bem,artesanato, Vai a festas, quermesses,parques. Alm dos aspectos mais gerais, os primeiros dias de aula podem servir para o detalhamento de conhecimentos considerados valiosos para o trabalho escolar. Acompanhe a pesquisa que a professora Mara Sanches fez em relao ao nvel de alfabetizao de seus alunos de uma classe inicial de EJA. Como todos os professores, Mara sabia que os alunos chegam sala de aula com diferentes saberes e queria levar em conta este dado to importante. Para isso, props aos alunos que escrevessem algumas palavras e uma frase que ela iria ditar. Os alunos poderiam escrever da forma como imaginavam ou sabiam. A maioria deles j tinha passado pela escola, os homens trabalhavam como ajudantes na indstria e as mulheres, quando trabalhavam fora de casa, eram faxineiras. Tinham, portanto, contatos com o mundo letrado.12 16. Foram ditadas palavras com diferentes nveis de escrita e uma frase: CABELO , NOVELA, NOVELO, LPIS, P, PRATO Vivo numa cidade muito calma.Os resultados foram colocados num quadro, segundo a classificao feita pelaprofessora: Grupo AGrupo BInventou escritas e letras, como: Usou letras do alfabeto mas deforma Indiscriminada, como: Grupo CGrupo DEscreveu silabicamente (isto , Escreveu alfabeticamente (cons-usou letras para representar sla-truiu slabas na maior parte dasbas na maior parte das vezes),vezes), como:como: 13 17. Colocado num quadro, foi este o resultado da sondagemGRUPOA GRUPO B GRUPO C GRUPO DAliceTadeu Nilda Claudete EliasDalvaCarmela CssioElvira MargaridaDirceu Dirce Orlando Nair Ado DurvalJandira Jair Jeremias Nilda Vilma Cludio Marta Francisco Mrio OndinaGisele Rosngela Mauro Ivanete Clia Seria possvel a professora Mara desconsiderar as diferenas de conhecimentos de seus alunos, em relao escrita ? Mara renunciou a agir como se todos os alunos estivessem mesma distncia do seu objetivo: saber ler e escrever. Decidiu respeitar os pontos de partida de cada um e criar um planejamento diferenciado em trs estgios. Dessa forma, organizou o tempo de tal jeito que permitiria trabalhar com as necessidades especficas que os diferentes grupos exigiam. Pensando ainda nos diferentes pontos de partida que encontramos em todas as classes e, tambm nas classes da EJA, oportuna a reflexo de Laura, outra professora de jovens e adultos, na cidade de Natal.O ano est acabando e devo avaliar e falar do desempenho demeus alunos. Preciso dizer se foram bem, se progrediram comoespervamos ou no. Tinha certeza que 21 dos meus 32 alunos14 18. tiveram sucesso, cumpriram as metas desejadas. Eram os mais jovens, que estiveram mais tempo na escola, quando criana. Mas havia um grupo, uns cinco alunos, que no conseguiu o esperado. Fui pensando em cada um deles. Tinham uma vida muito difcil, vieram da zona rural, tinham um trabalho puxado e muita vontade de aprender. Pensando, cheguei na Dona Ded. Na minha pasta encontrei seus trabalhos do comeo do ano. S fazia rabiscos! Fui lembrando: toda hora seu lpis caa no cho, ela no conseguia segur-lo bem. Depois vieram as dificuldades at para escrever seu nome, Deolinda. No dia que escrevi para ela Ded, me perguntou se podia escrever s desse jeito porque Deolinda tinha muito escrito e doa nos dedos. Continuei pensando: quem disse que Dona Ded no aprendeu? Meu Deus! Ela no l nem escreve como gostaramos, mas avaliando o que aprendeu para chegar onde hoje est, para formar pequenas frases, eu teria que dizer que ningum, na minha classe, aprendeu tanto. Ela foi a campe! Se olho s no que ela capaz de fazer hoje, Dona Ded fracassou. Se comparo o que sabe hoje com que sabia no comeo do ano, Dona Ded foi uma vencedora.Para decidir que tipo de ajuda preciso dar ao() aluno(a), preciso conhecerantes quais os conhecimentos que ele(a) necessita para continuar progredindo.AVALIANDO A ESCRITAAo perceber as dificuldades dos seus alunos na escrita, a professora Alice,que considerava a alfabetizao como uma tarefa de toda a escola, reuniusuas observaes num quadro. Levou-o para os outros professores, quetambm trabalhavam com mesma classe, com o objetivo de traarem,coletivamente um plano de ao para melhoria da leitura e da escrita dosalunos.15 19. No quadro abaixo, os alunos esto representados por seu nmero de chamada.ALUNOSASPECTOS OBSERVADOS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 151. L com muita dificuldade /sem compreenso2. L com dificuldade/com compreenso3. L com dificuldade /pouca compreenso4. L com dificuldade e boa compreenso5. Escreve muito mal/no d para compreender6. Escreve com erros/d para compreender7. Escreve bem/com compreenso8. Escreve ortograficamente /com compreenso Mais uma vez, cabe ao(a) professor(a) descobrir o que os alunos sabem sobre determinado conceito, fato ou atitude. Essa avaliao inicial indica para o(a) professor(a) qual o grau de aprofundamento que dever ter como meta. Alm disso, d aos alunos a conscincia do que sabem e do que precisam aprender.16 20. No comeo tudo novo, cheio de informaes que podero ser teis para oconhecimento dos alunos. Ao olhar a classe, vale a pena observar no s osaspectos ligados aos conhecimentos, mas tambm as diferentes formas deatuar, as atitudes que vo sendo desenvolvidas.Um olhar que d conta dos que chegam atrasados, dos sempre apressados,dos que demonstram muito cansao, dos que so s alegria, dos muitocalados, dos que mantm a cabea baixa, dos que tm medo de falar, dos quetrazem todos os materiais escolares e dos que chegam de mo abanando, eassim por diante...A AVALIAO QUE ACOMPANHA TODO O ANO LETIVOA avaliao no acaba quando todos j so conhecidos o suficiente para otrabalho andar.O processo de aprender demanda um acompanhar atento sobre o que vaiacontecendo com alunos e professores.Assim, a avaliao continuada vai indicando as dificuldades e facilidades queesto sendo encontradas pelos alunos e professores.Como o prprio nome indica, ela vai acontecendo durante todo o perodoescolar. uma avaliao que exige reflexo e interpretao dos acontecimentos eatividades realizados na sala de aula medida em que ocorrem. Ela propiciainformaes que devem ser analisadas por todos os participantes., portanto, um processo que envolve professores e alunos. Os alunosparticipam falando ou demonstrando o que aprenderam, as dificuldades queconseguiram vencer e o que ainda falta aprender.Para poder contar com a participao conseqente dos alunos, o(a)professor(a) precisa ouvi-los com ateno, alm de valorizar as observaesque fazem.17 21. Muitas vezes um simples comentrio do(a) professor(a) sobre o trabalho ou atitude do aluno tem um efeito imenso. Criar um clima que estimule a coragem de se expor em classe pode demorar algum tempo, particularmente quando so alunos jovens e adultos, que no esto habituados a ver suas opinies levadas em conta e valorizadas. Entretanto, fundamental a existncia desse clima. A avaliao continuada ajuda o(a) professor(a) a rever os procedimentos que vem utilizando e a replanejar sua atuao buscando novas alternativas de ao. COMO AVALIAR O TRABALHO REALIZADO Existem diferentes encaminhamentos que ajudam o(a) professor(a) a avaliar o seu trabalho. Estas so, apenas, algumas delas: a observao o primeiro passo para perceber as dificuldades encontradas; no dilogo professor(a) e alunos trocam suas percepes em torno da forma como esto reagindo frente aos novos conhecimentos. O que no foi bem compreendido, os possveis motivos para as dificuldades encontradas, a descrio da forma como realizam as atividades propostas; a organizao do material produzido em sala de aula. A organizao de uma pasta com os materiais produzidos pelos alunos ajuda na observao dos avanos individuais e coletivos de todos, faz ver onde os objetivos planejados esto sendo ou foram alcanados e ajuda a traar a histria vivida pela classe na construo do conhecimento; a realizao de exposies que mostrem, para a comunidade onde a escola est inserida, o que foi motivo de estudo e que pode ajudar a formar a opinio pblica ou beneficiar a vida dos moradores. Temas como: aproveitamento da gua; cuidados com a viso; lendo e compreendendo a conta de luz; descubra como diminuir o custo da construo de uma casa, e outros mais, prestam um servio comunidade e permite ao() professor(a) avaliar os resultados alcanados.18 22. a auto-avaliao - situao em que o(a) aluno(a) olha criticamente no s os resultados que obteve mas tambm o que aconteceu durante sua aprendizagem. uma forma de avaliao que leva a bons resultados na educao de jovens e adultos. Por ser um tipo de atividade geralmente desconhecida dos alunos bom ajud-los, principalmente no incio dessa prtica. Uma sugesto comear escolhendo, apenas, alguns pontos para serem observados e registrados por escritos. Alguns exemplos: comente como foi sua participao nos trabalhos de grupos; o que considerou mais importante no seu estudo da matemtica; onde e por que encontrou maior facilidade e maior dificuldade nas atividades individuais; que assunto considerou mais interessante aprender e porque.TODA ATIVIDADE DE SALA DE AULAPODE SERVIR DE AVALIAONo importa se o instrumento utilizado uma prova, uma dissertao, umquestionrio, um jogo didtico ou uma exposio oral.O que precisa acontecer o uso dos resultados para pensar sobre a prtica:o(a) professor(a) para pensar a sua prtica de ensinar e o aluno para pensara sua prtica de aprender.Entretanto, h atividades que ajudam a avaliar mais adequadamente asprticas dos professores e dos alunos.Estas atividades se caracterizam por serem: atividades que exigem mais o pensar do que memorizar.Por exemplo:Na compreenso e uso da lngua escrita: 19 23. Depois de observar e ler esta conta responda:a) uma conta de que? d) Em nome de quem foi feita ab) De que ms ela ? conta ?c) Qual sua data de pagamento? e) Qual o valor cobrado? Na matemtica: Resolver situaes que exigem pensamento. Quantos quadrados azuis,Num armazm foram empilhadas vermelhos e amarelos faltam paravrias caixas como mostra o tabuleiro ficar completo? o desenho. Cada caixa pesa 5 kg. Quanto pesam todas as caixas?20 24. Outras atividades que no tenham uma nica resposta, oupossibilitam diferentes formas de se chegar a uma concluso. Outras atividades que, no seu conjunto, utilizem diferentes tipos delinguagens: desenhos, textos escritos, apresentao oral, montagemde painis, maquetes etc. localizar pases e cidades num mapa criar cartes postais relacionados ao bairro onde vive encontrar ruas num guia usar a lista telefnica etc.Os cartes abaixo, foram feitos por alunos da EJA e retratam o lugar ondemoram:ATIVIDADES DO(A) PROFESSOR(A) QUE AJUDAMNA AVALIAO DOS ALUNOSSo muitos os recursos atravs dos quais os professores vo avaliando seusalunos. Vamos fazer algumas sugestes nos valendo o mais possvel deregistros feitos por professores da EJA.Registro das observaes sobre o conhecimento dos alunos:Ter um caderno para anotaes do que vai sendo percebido na sala de aula 21 25. pode se constituir numa boa ajuda memria do(a) professor(a). O registro de fatos interessantes observados durante o trabalho revelam aspectos que, geralmente, passam despercebidos.Passando pelas mesas fui descobrindo que grande parte dosalunos usavam o ce quando queriam escrever que. (Rosa) curioso, todos pedem lio de casa mas nunca conseguemtraz-la feita. (Rui)Os nmeros que esto nas notas e moedas so escritas e lidascom correo. O mesmo no acontece com os outros nmeros.(Selma) Pequenas avaliaes dirias ou semanais Esta prtica est ligada ao registro da atividade do(a) professor(a). Poderamos at dizer que consiste num dos primeiros passos para a sua realizao. Nela o(a) professor(a) se pergunta em questes do tipo: Houve algo que me surpreendeu no dia de hoje? Por qu? Onde foi mais difcil chegar aos objetivos previstos? Como explico essasdificuldades? Os alunos chamaram a minha ateno? Como? Em que momento? Cartas como registro da avaliao A carta que segue de uma professora que vem utilizando esse tipo de texto para comunicar a seus alunos como foram avaliados no ltimo bimestre. Os alunos recebem a carta-avaliao e respondem concordando ou discordando e comentando as observaes da professora. uma prtica bem trabalhosa mas os resultados tmcompensado. Comenta a professora Lourdes.22 26. Rosilda,Esta a segunda carta que lhe escrevo para dizer do seutrabalho. O assunto desta vez est ligado ao trabalho nos mesesde agosto e setembro.Primeiro, quero dizer que fiquei feliz com a sua presena quasetodos os dias. Viu como assistir s aulas ajuda a aprender? A suaparticipao foi bem maior, principalmente nos trabalhos de grupo,onde deu boas idias e soube ouvir os colegas.Durante estes dois meses, demos um duro no projeto de escritada Biografia. Estamos no final e senti que o comeo foi difcilporque exigia um trabalho de pesquisa com as pessoas da famliae nos livros. Depois de algum tempo, voc conseguiu asinformaes que buscava e pde us-las no seu texto. Sua duplade reviso conseguiu os resultados esperados e as histriasficaram cheias de detalhes e surpresas. Deu para notar o cuidadocom a forma de escrever. As revises so trabalhosas mas, nofinal, todos podem perceber quanto o texto se tornou mais fcil egostoso de ser lido. As questes de ortografia continuam exigindoateno e, s vezes, consulta ao dicionrio.Na Matemtica voc craque na conta de cabea, mas tem muitapreguia na hora de escrever no caderno os clculos que fezmentalmente. Praticando mais, o que hoje custoso vai setornando mais simples. Voc j passou por essa experincia notrabalho com a biografia.Apesar do tempo curto, houve progressos na sua forma deorganiz-lo. No tem deixado acumular tarefas, alm de conseguirchegar no primeiro horrio. Tudo isso repercutiu no seu bomaproveitamento. Continue assim.Um abraoLourdes Aquino 23 27. Como voc est observando, a avaliao continuada bem diferente da avaliao que acontecia quando era considerada a etapa final de mais um ano letivo. A AUTO-AVALIAO A auto-avaliao incentiva o(a) aluno(a) a apropriar-se dos seus conhecimentos, a desenvolver maior ateno em relao aos seus progressos e as suas dificuldades. Por ser uma atividade pouco freqente na experincia dos alunos, necessrio um processo de introduo a ela. No comeo interessante escolher o que vai ser auto-avaliado. Pode ser uma determinada rea de conhecimento, um projeto realizado ou mesmo uma das muitas prticas desenvolvidas na sala de aula, como o trabalho em grupo etc. Algumas perguntas sempre so teis nas primeiras auto-avaliaes: voc realizou todas as atividades propostas na ltima semana? o que voc no fez? Por qu? de qual atividade voc gostou mais de participar? Por qu? de qual atividade no gostou de participar? Por qu? qual era a sua opinio sobre o tema analisado, quando iniciou o estudo? com o estudo sua opinio mudou? Por qu? sua opinio no mudou? Por qu? e outras mais. Alguns alunos so extremamente rigorosos com eles. No oposto, existem alunos que consideram tudo o que fazem como suficiente. Nos dois casos o(a) professor(a) precisa agir estabelecendo parmetros para uma auto avaliao mais realista.24 28. PARA PENSAR A avaliao uma aliada do(a) professor(a) e dosalunos quando: reconhece e valoriza os progressos do aluno, indica os objetivos no alcanados de formaclara, sugere formas para conseguir a superao.A avaliao pouco contribui para o trabalho do(a)professor(a) e dos alunos quando: o aluno acaba sem entender o que errou, o aluno no tem oportunidade de resolver suasdvidas, leva o aluno a se sentir diminudo.Parte 3A AVALIAO - COMO PRIMEIRO PASSOPARA O PLANEJAMENTOCompreender a avaliao da forma como estamos fazendo, mostra que ela oprimeiro passo para o planejamento pedaggico.Esta afirmao representa uma virada muito grande em relao ao papel, quedurante muito tempo, a escola deu avaliao. No nosso ponto de vista, eladeixa de ser um julgamento final do aproveitamento do aluno para, aocontrrio, oferecer dados da realidade para que o planejamento do trabalhopedaggico possa ser feito.Para que a avaliao possa oferecer elementos importantes para oplanejamento, precisamos nos lembrar que:25 29. no podemos exagerar no uso do poder, quando avaliamos. a avaliao s interessa em funo do que vem depois dela e do que ela esclarece. precisamos saber que avaliar um processo reflexivo, isto , uma oportunidade de pensar a prtica que fazemos. o erro uma fonte de informaes para o(a) professor(a) que deve se sentir desafiado(a) a compreend-lo. Parte4 O PLANEJAMENTO INTRODUO O planejamento faz parte da histria da humanidade porque mulheres e homens sempre quiseram transformar suas idias em realidade e isso sempre exigiu planejamento. Todos os dias enfrentamos inmeras situaes que demandam algum tipo de planejamento. At mesmo um simples passeio envolve planejar: quanto dinheiro pretendo gastar, qual o tempo que disponho, como chegarei ao lugar escolhido, levarei que tipo de lanche, quem convidarei para ir junto e outras questes mais. Como nossas aes dirias vo se transformando em fatos rotineiros, nem nos damos conta dos diferentes planejamentos que esto embutidos nelas. Diferentemente, para realizar as atividades que fogem do dia-a-dia, precisamos pensar e estabelecer uma forma para chegar ao que desejamos. impossvel considerar todos os tipos e nveis de planejamento que so necessrios s aes que realizamos. Por tudo isso, o planejamento sempre foi um instrumento importante, em qualquer setor da vida em sociedade: no governo, na empresa, no comrcio, em casa, na igreja, na escola, em qualquer outro lugar.26 30. Com o planejamento podemos definir o que queremos a curto, mdio ou longoprazo. Isto significa, que tanto podemos traar planos para a noite de hojecomo para a compra de uma casa, no futuro. Alm disso, o planejamento nosleva a prever situaes, organizar atividades, dividir tarefas para facilitar otrabalho e at avaliar o que j foi feito.VAMOS CONHECER UM POUCO DA HISTRIADO PLANEJAMENTOHomens e mulheres fizeram planos desde que se descobriram comcapacidade de pensar antes de agir. A arqueologia nos mostra desenhosindicando como seriam feitas construes que exigiam tarefas complicadas oua presena de muita gente na sua execuo.Com o crescimento do comrcio, no incio do capitalismo, a administrao dasriquezas exigiram novas formas de conduta. O aumento da concorrncia entreos comerciantes tornou necessrio o saber prever, antecipar situaes,projetar novos negcios. Com a industrializao cresceu a produtividade.Tornaram necessrias as previses das matrias primas, as funes dosoperrios, os salrios, o comportamento dos mercados.A organizao racional das empresas chegou anlise das relaes entre ostrabalhadores. Mais uma vez, o planejamento entrou em cena. Com aindustrializao surgiu, tambm, o planejamento das vendas.No comeo do sculo XX, o planejamento atingiu todos os setores dasociedade causando grande impacto.Como vimos, o planejamento uma arte que se desenvolveu para melhorar acapacidade de interveno das pessoas na sua realidade.Na educao no diferente. Nela o planejamento busca a interveno maiseficiente do(a) professor(a), organizando melhor os recursos disponveis: otempo do(a) professor(a) e dos alunos, o espao fsico, os materiaispedaggicos disponveis, a experincia dos alunos etc.27 31. Hoje em dia, a palavra PLANEJAMENTO faz parte do nosso vocabulrio dirio e ocupa um lugar de destaque nos meios de comunicao. PLANEJAR X IMPROVISAR Podemos dizer que uma ao planejada uma ao que no foi improvisada. Mesmo assim, sabemos que os improvisos no ficam totalmente afastados porque fazem parte da vida e so esperados em qualquer planejamento. Entretanto, deixamos de improvisar, ou improvisamos menos, quando temos um objetivo em vista e queremos que ele se realize. Quando no sabemos bem aonde queremos chegar, acabamos nos limitando ao momento presente e nos deixamos levar pela improvisao. Mas existem situaes onde as improvisaes se tornam mais raras. So situaes onde: h vrias pessoas participando da ao, todas elas comprometidas com os objetivos comuns e os recursos para a realizao dos objetivos so pequenos. Nessas situaes usamos os meios disponveis da forma mais eficiente possvel. Isso exige saber o que fundamental e que no pode ficar para depois. No relato que segue, a professora Rita de Cssia descreve uma situao de improvisao que, no final, ela considerou como acertada. Provavelmente, isso s foi possvel porque Rita no se afastou de seu principal objetivo que era tornar os alunos alfabetizados. Ontem foi o dia do improviso. Mas o resultado foi muito bom. Ser que foi s improviso? Nem tanto, por que foi uma oportunidade de usar muitos dos nossos conhecimentos e tentar chegar a outros. Estava comeando a aula, quando Seu Antoninho foi at a janela e chamou a minha ateno para umas28 32. placas grandes que haviam fincado num terreno, bem na frente da nossa sala. Foi a conta. Todos queriam saber o que as placas diziam. Cada um imaginava que era uma coisa diferente. Pediam que eu lesse para eles. Tive, ento, uma idia. Samos do prdio para juntos ler as placas. Cada um foi destacando o que conseguia ler, no meio de tanto escrito. Ali tem o nmero 2, aqueles parecem nmero de telefone, olha, l est escrito RUA, porque eu li. Quem sabia mais e eu fomos ajudando at que lemos tudo. A placa anunciava a construo de dois prdios de trs andares, com apartamentos de 2 dormitrios. Dizia que a obra ia levar 18 meses para ficar pronta e que as vendas j haviam comeado. Voltamos para a sala contentes porque Seu Antoninho disse que a construo ia ser uma coisa boa, ia dar emprego para pedreiros e ajudantes e a sala est cheia de alunos com parentes procurando servio. Mas, disse tambm, que o apartamento ia ser coisa cara e que nenhum deles nunca ia ter dinheiro para comprar um. O assunto da moradia foi tema de muitos comentrios. Com a questo da moradia, ainda na cabea, decidimos que cada um escreveria o seu endereo, bem completo: rua, bairro ou vila, cidade. Fiquei a disposio para ajudar nessa escrita.Rita de Cssia AlmeidaA aula contada por Rita nos confirma que quando a professora tem clareza emrelao a seus objetivos consegue superar as deficincias da improvisao.A professora conseguiu criar uma situao de leitura e de escrita bemdiferente naquela noite de aula. E, o mais interessante: envolveu os alunos.PLANEJAMENTO - O QUE DIZ ESTA PALAVRA?Consultando o dicionrio encontramos:Planejamento - Ato ou efeito de planejar. Trabalho de preparao paraqualquer empreendimento, segundo roteiro e mtodos determinados.(Dicionrio Aurlio) 29 33. Planejamento - Servio de preparao de um trabalho, de uma tarefa, com o estabelecimento de mtodos convenientes; planificao. Determinao de um conjunto de procedimentos, de aes, visando realizao de determinado projeto. (Dicionrio Houaiss) Num sentido amplo, planejamento um processo que visa dar respostas a um problema, estabelecendo fins e meios que apontem para sua resoluo, de modo a atingir objetivos antes previstos, pensando e prevendo necessa- riamente o futuro, mas considerando as condies do presente, as experincias do passado e os diferentes aspectos da realidade. Desta forma, planejar e avaliar andam de mos dadas. Na escola existem diferentes planejamentos que devem se articular em torno dos mesmos princpios e da mesma viso de conhecimento. PLANEJAMENTO CURRICULAR a proposta geral das aprendizagens que sero desenvolvidas. Funciona como a espinha dorsal da escola. O planejamento curricular envolve os fundamentos das rea que sero estudadas, a proposta metodolgica escolhida e a forma como se dar a avaliao. PLANEJAMENTO PEDAGGICO OU PROJETO POLTICO PEDAGGICO o projeto integral da escola. Envolve os aspectos pedaggicos, comunitrios e administrativos. Em funo da sua grande importncia, voltaremos a ele mais adiante. Existem outros termos que se referem ao planejamento. Vamos acrescent-los: Plano: um documento utilizado para o registro de decises, como o que se pensa fazer, como fazer, quando fazer, com quem fazer. Todo plano comea30 34. pela discusso sobre os fins e objetivos do que se pretende realizar. Naeducao, ele apresenta de forma organizada as decises tomadas em tornodas prticas educativas que sero desenvolvidas. O plano produto doplanejamento e funciona como guia do(a) professor(a). Como acompanha umaprtica, est sempre sujeito a modificaes.H diferentes planos na educaoPlano Nacional de Educao: nele se reflete a poltica educacional de umpovo, num determinado momento da histria do pas. o de maiorabrangncia porque interfere nos planejamentos feitos no nvel nacional,estadual e municipal.Plano de Curso: a organizao do conjunto de matrias que vo serensinadas e desenvolvidas durante o perodo de durao de um curso. Oplano sistematiza a proposta geral de trabalho do professor.Plano de Ensino: o plano de disciplinas, de unidades e experinciaspropostas pela escola, professores, alunos ou pela comunidade. Ele maisespecfico e concreto em relao aos outros planos.Plano de Aula: o plano mais prximo da prtica do professor e da sala deaula. Refere-se totalmente ao aspecto didtico.Projeto: a palavra projeto significa ir para a frente. O projeto traz a idia demovimento.No projeto so registradas as decises das propostas futuras. Como tudo queenvolve mudana, projetar significa sair de uma situao conhecida parabuscar uma outra. 31 35. Parte5 O PLANEJAMENTO DO(A) PROFESSOR(A) Com registros em cadernos, fichas, ou qualquer outra folha de papel, boa parte dos professores planeja o que pretende desenvolver na sala de aula. Mesmo assim, h professores que dizem que o planejamento dispensvel. Muitas delas afirmam que no sentem, como necessrio, fazer o planejamento por escrito, uma vez que j tem tudo pronto na cabea.Voc concorda com esta afirmao? Por qu?Como voc e seus colegas planejam otrabalho de sala de aula? Para outros professores, o planejamento o cumprimento de uma exigncia apenas burocrtica. Provavelmente, um planejamento feito com esse esprito no tem funo no dia-a-dia porque no corresponde a nenhuma necessidade apontada pela avaliao da realidade onde o trabalho acontecer. Infelizmente, existem professores que trabalham na base do improviso: Na hora eu decido o que vou fazer com os alunos. Outros, transformam o livro didtico em plano de trabalho. Dizem: mais prtico, no tenho tempo para ficar criando novidades. Ainda outros, repetem todos os anos o mesmo plano: Afinal, para que mudar?. Para o(a) professor(a) comprometido(a) com seu trabalho, o planejamento faz parte do processo de tomada de deciso sobre a sua forma de agir, no dia-a-dia da sua prtica pedaggica. Nele esto envolvidas aes e situaes que se do de forma continuada entre professor(a) e alunos e alunos entre si.32 36. COMO PLANEJARPara planejar, o(a) professor(a) precisa responder a algumas perguntas:Para que ensinar? Pergunta que leva aos objetivos;O que ensinar? Pergunta que faz pensar na seleo dos contedos;Como ensinar? Pergunta que faz escolher quais mtodos e tcnicas usar.Para que ensinar?Esta pergunta nos leva a considerar onde esperamos chegar com o nossotrabalho educativo. Isto significa dizer quais os resultados que buscamosatingir.Mas, s temos condies de estabelecer esses objetivos depois de analisar ogrupo de alunos, com as suas caractersticas, seus limites, suas histrias devida e suas facilidades.Sem estas consideraes corremos o risco de tornar o nosso planejamento uminstrumento sem funo, intil por no corresponder s verdadeirasnecessidades dos envolvidos.Esse processo de definio dos objetivos se torna muito mais eficiente quandoenvolve os alunos. Afinal, esse processo to importante para o(a)professor(a) quanto para eles.Alguns cuidados so importantes na definio dos objetivos que buscamoscom o nosso trabalho. preciso que os objetivos escolhidos sejam: claros, objetivos - para que no deixem dvidas. Os objetivos devemser expressos de tal forma que tenham o mesmo significado, tanto parao(a) professor(a) quanto para o aluno. Para isso devem estar numalinguagem simples e de fcil compreenso;33 37. viveis - ou de possvel realizao. A escolha dos objetivos deve levar em conta as condies reais do grupo e da escola, respeitando sua capacidade, interesse e motivaes; apresentados na sua totalidade - os objetivos devem ser apontados como uma ao que envolve atividades a serem realizadas ou comportamentos a serem demonstrados; possveis de serem avaliados - os objetivos devem deixar evidentes os contedos que sero desenvolvidos, para que permitam conhecer o avano dos alunos no domnio deles. O que ensinar? O que ensinar a pergunta que nos leva aos contedos, isto , ao conhecimento a ser desenvolvido. Abrange tanto os conhecimentos que a humanidade acumulou durante sua histria - informaes, dados, fatos, princpios e conceitos - quanto atitudes e comportamentos. Na hora de escolher os contedos, alguns critrios devem ser levados em conta. Apontando alguns deles, podemos dizer que os contedos devem: ter validade - devem ser os mais importantes e significativos para a realidade e a poca em que se vive; ter significado - devem estar relacionados com os alunos, suas histrias de vida, suas experincias e motivaes; possibilitar a reflexo - devem levar o aluno a associar, comparar, compreender, selecionar, organizar, criticar e avaliar os prprios contedos; ser flexvel - devem estar sujeitos a modificaes, adaptaes, renovaes e enriquecimentos; ter utilidade - devero considerar as exigncias e as caractersticas do contexto scio-econmico e cultural dos alunos;34 38. ser vivel - os contedos devero ser possveis de aprendizagem dentrodas limitaes de tempo e dos recursos que temos.A razo de ser desses critrios apontar para aspectos que facilitam otrabalho pedaggico.Mas, no podemos esquecer que os contedos mais vlidos so sempreaqueles que melhor levam os alunos a responder as suas necessidades,fazendo-os aprender o que mais til para a vida deles. Na educao de jovens e adultos, os contedos devem permitir aos alunos o exerccio pleno da cidadania, o saber indispensvel s suas aes que vo desde desempenhar uma profisso at participar de sua comunidade.A organizao dos contedosPrecisamos lembrar que planejar no apenas relacionar atividades a seremdesenvolvidas. um processo de: conhecer a realidade sobre a qual se vai trabalhar; propor aes para influir nela e desenvolver as aes propostas avaliando sempre seus resultados paraa continuidade do mesmo processo: avaliao, planejamento, execuoe avaliao, e assim por diante. 35 39. Pensando assim, o planejamento que o(a) professor(a) faz envolve aspectos que so nossos velhos conhecidos: O conhecimento dos alunos - o que eles j sabem, suas experincias de vida, suas expectativas, motivaes etc; A concepo que orienta o nosso projeto de educao - que tipo de pessoa queremos formar; A realizao de atividades de aprendizagem que respondem ao nosso projeto - a coerncia entre o que fazemos e o projeto educativo fundamental; A avaliao - que deve ser permanente, de todas as atividades desenvolvidas.Mais uma vez voc deve ter percebido que h um emaranhadoentre planejamento, avaliao e prtica pedaggica.Questes fundamentais: Quem so seus alunos? Em que trabalham? O que j sabem? O que esperam aprender? Quais so os objetivos da prtica educativa que vai ser desenvolvida? Como ser feita a avaliao inicial? O que vai ser ensinado? Qual o tempo que dispomos? Quantas horas de aula os alunos tero por dia? Como distribuir os contedos que sero trabalhados? Como ensinar os contedos previstos? Que mtodos e tcnicas podero ajudar? Que atividades desenvolver com os alunos? Com quais recursos materiais poder contar? Como utiliz-los? Como esperamos avaliar de forma contnua?36 40. Como ensinar?Ao fazer esta pergunta, indagamos sobre os procedimentos, mtodos etcnicas que podero criar as condies adequadas aprendizagem.Para alguns autores, as condies que melhor favorecem a aprendizagem soaquelas que criam entre alunos e professores um clima de afetividade eestima, etc. Para outros, so os procedimentos didticos que garantem aaprendizagem. Com certeza, o elemento afetivo entra no processo ensino-aprendizagem. Mas importante que a professora saiba definir seus objetivos,selecionar os contedos, utilizar boas tcnicas de ensino e avaliarconstantemente seus alunos.No podemos esquecer que todo projeto educativo tem como base umaconcepo de educao, acontece num determinado contexto scio-econmicoe cultural e envolve pessoas de uma classe social bem definida na sociedade.Desta forma, a opo que o(a) professor(a) faz por um mtodo, uma tcnica epela forma de orientar as atividades didticas no pode se dar por acaso. Suaopo precisa ser coerente com seu projeto poltico-pedaggico. Voc j pensou se os procedimentos didticos que voc utiliza atendem s caractersticas dos seus alunos? Tirando as dvidas: mtodos e tcnicas? comum confundir mtodo e tcnica de ensino. Um mtodo o modo sistemtico e organizado pelo qual o(a) professor(a) desenvolve suas atividades, tendo em vista aprendizagem dos alunos. Para utilizar um mtodo, o(a) professor(a) se vale de tcnicas. Assim, tcnica um conjunto de procedimentos didticos que a professora utiliza para operacionalizar o mtodo.37 41. Por exemplo, o texto um recurso que o(a) professor(a) podeutilizar para que os alunos aprendam um assunto. O estudoatravs da leitura de textos constitui uma tcnica de ensino.Todas as tcnicas e todos os mtodos tm vantagens elimitaes.As tcnicas variam segundo: os objetivos a alcanar - por exemplo, se queremosdesenvolver nos alunos a capacidade de anlise, devemosutilizar as tcnicas de estudo dirigido ou de trabalho de grupo; a experincia didtica do(a) professor(a) - qualquer tcnicas tem xito quando utilizada com espontaneidade esegurana. Para isso o(a) professor(a) precisa saber o queest fazendo; as caractersticas dos alunos - interesses, motivaes,necessidades, idade etc.; o tempo disponvel para realiz-las - no boa coisa deixaro trabalho incompleto. De olho na prtica Vamos observar o planejamento de um projeto pensado e organizado para uma turma da EJA, numa zona rural.O Instituto Lumiar mantm na cidade de Mairinque, estado de SoPaulo, um curso para jovens e adultos, em parceria com a Prefeituralocal.A escola que abriga o curso fica na zona rural da cidade e os alunosso pequenos colonos, que se dedicam a cultivar alguns produtosagrcolas ou criar alguns animais.38 42. Para romper com a pouca participao dos alunos, os professorespassaram a observar mais atentamente o dia-a-dia dos(as) alunos(as).Ao ouvir os alunos e alunas, perceberam que ali estava o contedo parao projeto que buscavam realizar.Projeto da horta e derivados do leitereas de concentrao: Matemtica & Cincias NaturaisMeses: outubro/novembro - 2005Metas:A partir do eixo temtico os ciclos da natureza, sero desenvolvidosprojetos que possibilitam aprofundar e ampliar o conhecimento dosprocessos da natureza, de modo a dar consistncia a sua defesa eproteo.ObjetivosQue o estudante seja capaz de: ampliar e construir noes de medida, pelo estudo de diferentesgrandezas, com base em sua utilizao no contexto social e daanlise de alguns dos problemas histricos que motivaram suaconstruo; trabalhar com diferentes grandezas, selecionando unidades demedida e instrumentos adequados a preciso requerida; interpretar situaes de equilbrio e desequilbrio ambientalrelacionando as informaes sobre a interferncia do ser humano e adinmica das cadeias alimentares; compreender a alimentao humana, a obteno e a conservao dosalimentos, sua digesto no organismo e o papel dos nutrientes na suaconstituio e sade; compreender diferentes ecossistemas, incluindo o clima, o solo, adisponibilidade de gua e suas relaes com os seres vivos,identificados em diferentes habitats em diferentes nveis na cadeiaalimentar.39 43. Temas Educandos Plano de AtividadesProdutosMestres Medio da rea Lavoura:Robson, Meire, para plantao das Horta da caf, Josefina,mudas; escola; algodo,Aparecida, arroz, Eliminao de Captulo de Marlene, pragas;livro sobre a feijo, milho.Devanil, Queima do terreno; lavoura; ProduoAntnio, Observao e Bazar com dePetruquio, registros sobre oprodutos derivados Altamiro, de leite crescimento dasfeitos na Ademir,plantas; escola; Fernanda, Realizao e Receitas Mariluce,registro sobre aspara livro. Elisama, reaes qumicas Elaine, Mariano processo de das Graas,esquentar o leite, Roberto, tirar, coalhar etc.; Rodrigo, Estudo sobre os Emlia.hbitos alimentareslocais. Voc percebeu como a Educao de Jovens e Adultos possibilita uma riqueza de contedos? O planejamento do(a) professor(a) e o uso de livro didtico Muitas vezes os professores trocam o que seria o seu planejamento pela escolha de um livro didtico. Infelizmente, quando isso acontece, na maioria das vezes, esses professores acabam se tornando simples administradoras do livro escolhido. Deixam de planejar seu trabalho a partir da realidade de seus alunos para seguir o que o autor do livro considerou como o mais indicado.40 44. Os professores que so administradores de livros abandonam o seu lugar desujeito da prtica docente e passam a se preocupar apenas com as pginasque j foram vencidas e com as que ainda restam para percorrer, at o final doano.Na EJA, tendo em vista a grande diversidade dos alunos, praticamenteimpossvel existir um livro didtico que d conta das variaes de idades,experincias, interesses e conhecimentos presentes numa mesma sala deaula.Isso deve levar o(a) professor(a) a considerar o livro didtico como um entreoutros possveis materiais a servio do ensino e da produo de novosconhecimentos pelos alunos.A professora Regina Fulgncio, de Florianpolis, utilizou o livro didtico com asua turma de EJA, de uma forma bem diferente: Trabalho com uma classe de nvel intermedirio, com alunos e alunas de vrias idades e ocupaes profissionais. Nada mais difcil que escolher um assunto que seja do interesse de todos. Esta situao me levou a experimentar as mais diferentes formas de trabalhar. Fizemos grupos que se organizavam segundo diferentes critrios: por subtemas de um grande tema, por interesses, por conhecimentos e, s vezes, at mesmo por proximidades de idades, de trabalho, de lugar de moradia. Outras vezes tentei escolher algum livro com textos e atividades porque sempre, no incio do ano, os alunos diziam que queriam um livro. Mas, na hora do vamos ver, o livro, apesar dos meus esforos, motivava apenas alguns e sempre vinham os mesmos comentrios: muito fcil, isso estou cansada de saber!; No entendi nada que esto perguntando; J tinha feito isso em casa, e assim iam as reclamaes. Resolvi fazer de forma diferente. Montei uma pequena biblioteca, na classe, com 5 ou 6 exemplares de vrios livros didticos. 41 45. Individualmente ou em grupo, os livros foram passando por todas as mos. Duas vezes por semana tnhamos um tempo reservado para o trabalho com os livros. Foi muito interessante porque no final os alunos tinham uma anlise bem crtica em relao aos livros utilizados. Indicavam em qual deles aprenderam mais, qual tinha as melhores histrias, onde a matemtica usava mais a cabea, qual tinha os desenhos mais bonitos e at quais no pareciam feitos para pessoas adultas. Gostei da experincia, afinal tivemos um contato mais produtivo com livros feitos para ensinar mas mantivemos a presena dos materiais que fui escolhendo porque apresentavam o que estava sendo vivido por aqueles alunos, naquele determinado momento. Eram recordes de jornais, de revistas, crnicas de uma situao conhecida, informaes em torno das nossas curiosidades que mexeram com cada um de ns. Regina Fulgncio Parte 6 O PLANEJAMENTO DA ESCOLA O planejamento do(a) professor(a) est dentro de um conjunto maior. o Planejamento da Escola ou Projeto Poltico-Pedaggico. PLANEJAMENTO DA ESCOLA OU PLANEJAMENTO POLTICO-PEDAGGICO o planejamento geral que envolve o processo de reflexo, de decises sobre a organizao, o funcionamento e a proposta pedaggica da instituio. um processo de organizao e coordenao da ao dos professores. Ele articula a atividade escolar e o contexto social da escola. o planejamento que define os fins do trabalho pedaggico. Seu objetivo principal responde as perguntas para qu, para quem e com o qu a escola vai funcionar. O plano e o programa tm um grande significado para esse planejamento.42 46. Cada vez um nmero maior de escolas e professores desenvolvem a idia detrabalhar em torno de um projeto pedaggico. Mesmo que nem sempre todasas tentativas obtenham os resultados esperados, quase sempre expressam odesejo de encontrar novos caminhos para responder aos grandes desafios doaprender e ensinar.Trabalhar em torno de um projeto pedaggico obriga o rompimento com aviso de ensino compartimentado, em que cada professor(a) preocupa-seapenas com a sua matria. Como prprio da ao humana, a execuo dequalquer projeto implica necessariamente na busca e construo dosconhecimentos que permitam obter o sucesso pretendido. A classificaodestes conhecimentos pelas vrias matrias escolares torna-se secundria.Vale a pena observar que os projetos pedaggicos convidam a escola aconhecer e explorar a realidade em que est situada. Um projeto que noesteja sintonizado com esta realidade, raramente ser capaz de empolgar osalunos a ponto de envolv-los com o difcil mas gratificante trabalho deaprender.O PROJETO PEDAGGICOFAZ DIFERENA NO COTIDIANO DA ESCOLA?Acreditamos que faz muita diferena. Basta pensar numa escola em que osprofessores desenvolvem sua programao, entregam os resultados nasecretaria e apenas se encontram para discutir o destino dos alunos nosconselhos de classe. Nessa escola no existe a possibilidade de se terestmulo para levar em frente o trabalho. o exemplo de uma escola semprojeto comum, sem organizao coletiva em torno dos objetivos que podemalimentar o esforo individual.Outra coisa um grupo que analisa sua escola, as caractersticas enecessidades dos alunos, que se pergunta sobre o sentido do trabalho decada disciplina na consecuo de metas comuns, tendo em vista a melhoriado ensino. Uma nova organizao do currculo, reviso das normas defuncionamento, cuidadoso acompanhamento dos alunos e aperfeioamento dacompetncia do(a) professor(a) tomam o lugar dos esforos individuais e dodesgaste de todos, fazendo brotar e se instalar o trabalho coletivo, que 43 47. tambm exige esforo e no elimina conflitos, mas confere outra qualidade ao trabalho e outro nvel de satisfao atuao dos professores. A, se tem uma escola que constri seu projeto, ganhando identidade e autonomia pedaggica. Assim, faz diferena ter projeto e no basta que ele exista no papel. Algumas escolas podem desenvolv-lo, mesmo que demorem para conseguir registr-lo formalmente num documento. Por outro lado, sempre possvel escrever um bonito documento sem que ele corresponda prtica de construo do projeto comum. PARA CONSTRUIR O PROJETO PEDAGGICO preciso pensar sobre o que pode mobilizar um grupo na direo da elaborao de um roteiro de ao, em torno de objetivos comuns. A busca da relao entre a proposta da escola e a compreenso do mundo passa pela anlise do currculo e de toda a organizao do ensino: a aposta na aprendizagem de todos passa a guiar esforos de toda a equipe escolar. Claro que tal movimento no leva a um projeto pronto e acabado. O que se espera que o projeto v se tornando mais complexo e se caracterizando, cada vez mais como um projeto de educao. A partir da, o grupo de professores ir gradativamente tornando-o melhor e mais adequado. Chegar a um projeto pedaggico definido exige esforo e estudo para discutir os problemas que se vive na escola e explicar o que vem a ser o trabalho de educao. Exige fora e coragem para ir alm dos limites da sala de aula e da escola, para olhar e analisar a realidade nossa volta, comprometer-se com ela, formular respostas e voltar a ver e reconhecer os alunos. Afinal, o trabalho de educao significa formar pessoas e isso quer dizer abrir caminhos e possibilitar crescimento do melhor de cada um. Assim sendo, o projeto poltico-pedaggico tem o objetivo de ajudar a enfrentar os desafios do cotidiano da escola de uma forma refletida. Nele essencial a participao de todos os envolvidos no processo escolar.44 48. A INTEGRAO DAS PRTICAS DO(A) PROFESSOR(A)AO PROJETO POLTICO-PEDAGGICOOs planejamentos realizados pelos professores vo se unindo coerentementeao projeto da escola.O registro que se segue um exemplo disso: Como integrei as aulas de matemtica ao projeto pedaggico da escola O projeto pedaggico da escola onde trabalho definiu como meta formar o aluno crtico e reflexivo. Essa deciso imps aos professores das diferentes reas de ensino vrios desafios. O maior deles foi o de construir uma prtica pedaggica coletiva a favor do alcance dessa meta, que deveria ser conhecida e explicitada por todos, nos diferentes momentos. Outro desafio que enfrentei foi o de buscar coerncia entre o qu e como ensinar matemtica. Eu j compartilhava h algum tempo da concepo de matemtica que, atravs da problematizao constante, busca garantir a participao do aluno na expresso de suas idias, suas formas diferentes de pensar, na elaborao de conjecturas, no levan- tamento de hipteses e no confronto de possibilidades. Propiciar aprendizagens significativas via contextualizao a partir dos problemas cotidianos enfrentados pelos alunos, pelos homens e mulheres ao longo de sua histria e na sociedade contempo- rnea, foi objeto de anlise e reflexo. Busquei na histria da matemtica a construo e a reconstruo de respostas aos problemas de ordem prtica enfrentados pelos45 49. seres humanos, tais como: contagem, localizao, construes,agricultura, diviso de terras, clculo de crditos e dvidas.Esta escolha me permitiu a contextualizao de contedosclssicos como: nmeros e operaes, sistema de numerao,geometria e medidas.O estudo de grficos, por exemplo, como instrumento de leitura domundo e comunicao, foi contextualizada a partir da definio darealidade a ser problematizada, dando significado ao seu estudodesde a obteno e organizao dos dados e s diferentespossibilidades de exp-los, at a anlise e formulao de con-cluses que favoream posicionamento e tomada de decises.Os jogos como forma atraente e ldica de propor problemas sosituaes em que os alunos so levados a enfrentar desafios,elaborar estratgias, levantar hipteses, argumentar e desenvolveratitudes de autocontrole e cooperao.Esse jeito de ensinar matemtica, no separando contedo eforma cria desdobramentos importantes na formao de atitudes evalores sobre a realidade social. Favorece o desenvolvimento daauto-estima e a construo da identidade dos alunos.Favoreceu ainda um sistema de avaliao qualitativa durante todoo trabalho, onde os alunos e professores, individual e coletiva-mente conseguem identificar avanos e dificuldades se auto-avaliando e avaliando o processo de ensino-aprendizagem dosquais so sujeitos. Edna Aoki Resumindo alguns pontos significativos Planejar antecipar mentalmente uma ao a ser realizada e agir de acordo com o que foi previsto. Dessa forma o planejamento algo que se faz antes de agir, mas que tambm acompanha a execuo do que foi pensado. Para planejar fundamental partir da realidade e de necessidades vividas46 50. pela escola e todos que esto envolvidos com ela: professores, funcionrios, emoradores do seu entorno.Planejar comprometer-se com o que foi considerado como de importnciapara a soluo de questes apresentadas pela situao e espao onde otrabalho educativo acontece.Planejar exige: estar aberto para o aluno e sua realidade; eleger prioridades; ser criativo na preparao da aula; ser flexvel para modificar o planejamento sempre que necessrio.Para planejar preciso levar em conta: as caractersticas e aprendizagens dos alunos; os objetivos e o projeto pedaggico da escola; o contedo da etapa ou nvel do curso; as condies objetivas de trabalho.Planejar estabelecer: o que vai ensinar; como vai ensinar; o que, como e quando vai avaliar.Para o(a) professor(a) o planejamento importante para: orient-lo no seu trabalho de ensinar: os contedos a serem desenvolvidos; os recursos didticos mais adequados; os procedimentos que sero usados na avaliao.Para os alunos o planejamento importante para: orient-los no seu processo de aprender; auxili-los a organizar seus esforos para atingir o que se espera deles. 47 51. ALGUMAS CONCLUSES O ideal que o planejamento no seja realizado pelo(a) professor(a) sozinho(a). Afinal, ele um processo de interao do(a) professor(a), alunos e todas as demais pessoas envolvidas no projeto escolar. Na Educao de Jovens e Adultos, importante levar em conta que os alunos no tm tempo a perder. Esse dado da realidade exige uma seleo muito criteriosa para privilegiar o que de fato importante aprender. Quando os professores colocam a servio dos alunos sua competncia e sua disposio para aprender e ensinar juntos, encontram no planejamento um auxiliar para que os alunos consigam aprender e ser mais.48 52. BIBLIOGRAFIAALMEIDA VIANA, Ilca. Planejamento Participativo na escola - Srie TemasBsicos de Educao e Ensino, Ed. Pedaggica e Universitria, So Paulo -1986.DEMO, Pedro. Avaliao Qualitativa - Ed. Cortez, So Paulo - 1991.Ferreira, Maria das Mercs. Projeto Poltico Pedaggico, Jornal GIZ, n 12 -So Paulo.FREIRE, Madalena. Avaliao e Planejamento - A prtica educativa emquesto- Srie Seminrios - Espao Pedaggico, So Paulo - 1997.FUSARI, Jos. Planejamento educacional e a prtica dos professores -Revista da Ande, N 8, So Paulo -1984.GANDIN, Danilo e Cruz, Carlos H. Planejamento na sala de aula. Porto Alegre-1995.HOFFMANN, Jussara. Avaliao: mito e desafio - Educao e realidade, PortoAlegre - 1992.VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Planejamento: Projeto de Ensino-Aprendizagem e Projeto Poltico-Pedaggico, 15 ed., Editora Loyola - 2006-03-05.WHITAKER Ferreira, Francisco - Planejamento Sim e No, 14 ed. Paz e TerraRio de Janeiro - 1979. 49