Impacto dos fluxos migratórios numa sociedade parte III

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Text of Impacto dos fluxos migratórios numa sociedade parte III

  • Coimbra, 2016

    IMPACTOS DOS FLUXOS MIGRATRIOS NA

    SOCIEDADE

    DESIGUALDADES E EXCLUSO SOCIAL

    Curso: Licenciatura em Relaes Internacionais

    Cadeira: Metodologia da Pesquisa

    Docente: Professor Doutor Elsio Guerreiro Estanque

    Discente: Joana Filipa Neves Rodrigues, 2015249430

    Estabelecimento de Ensino: Faculdade de Economia da

    Universidade de Coimbra

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    ndice

    Nota Introdutria ............................................................................................................................... 3

    Sntese Reflexiva ................................................................................................................................ 3

    Definio das Hipteses de Trabalho ................................................................................................. 4

    Justificao Metodolgica da Pesquisa ............................................................................................ 11

    Anlise das Informaes Obtidas ..................................................................................................... 12

    Concluses Alcanadas..................................................................................................................... 13

    Referncias Bibliogrficas ................................................................................................................ 15

    Obras Citadas ................................................................................................................................... 15

    Bibliografia Complementar .............................................................................................................. 15

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    Nota Introdutria

    No mbito da cadeira de Metodologia da Pesquisa do 1 Semestres do 1 ano da

    Licenciatura em Relaes Internacionais, foi proposto pelo Professor Elsio Estanque a

    elaborao de um Projeto de Trabalho inserido numa das temticas disponveis para

    investigao. Na sequncia da descrita proposta, a fase final deste projeto foca-se no

    Impacto dos Fluxos Migratrios na Sociedade: Desigualdades e Excluso Social.

    Enquanto seres sociais, deparamo-nos diariamente com situaes de desigualdade

    e excluso social de minorias, as quais tm aumentado cada vez mais a sua dimenso. Com

    efeito, considerando que as cincias socias tm como principal objetivo o estudo dos

    aspetos sociais da realidade humana e das vises tericas nos diversos domnios da vida

    em sociedade (econmico, social, cultural e poltico), o tema que abordado neste trabalho

    ser O impacto dos fluxos migratrios numa sociedade inserido na temtica da

    desigualdade e excluso social.

    Sntese Reflexiva

    As cincias sociais utilizam a rutura, a construo e a verificao, que esto

    relacionais entre si e so sequenciais, para a construo de novos conceitos, baseados no

    conhecimento emprico. Os indivduos, enquanto seres sociais, esto inseridos num meio

    fsico e social, emitindo muitas das vezes uma opinio sobre o que os rodeia sem esta estar

    devidamente fundamentada, no constituindo assim o desenvolvimento cientfico. Para

    este ser alcanado, necessria a rutura com o senso comum, que consiste em opinies

    pessoais baseadas na experincia prpria e no no conhecimento cientfico, e por isso deve

    ser excludo do processo de construo deste ltimo. Este (senso comum) tambm

    perturbado por uma srie de obstculos: iluso da transparncia, etnocentrismo,

    egocentrismo, naturalismo, individualismo, idealismo.

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    O processo de construo do conhecimento um processo de simplificao. O

    conhecimento resulta, assim, de uma construo social, tal como o individuo resulta de

    uma acumulao de experincia e convivncia com outros. Portanto, a simplificao

    produzida pelo indivduo de livre vontade. O processo de construo do conhecimento

    cientfico racional, objetivo, factual, analtico, preciso, metdico, sistemtico e verificvel.

    Sendo assim, visvel que todo o conhecimento cientfico obtido atravs da observao,

    desprovida de preconceitos, permitindo a constatao de juzos de facto, e no de valor

    como acontece com o senso comum.

    Definio das Hipteses de Trabalho

    No decorrer deste projeto, possvel criar hipteses de trabalho que ajudem a

    responder questo inicialmente levantada, Qual a interao/interdependncia que

    possvel estabelecer entre os fluxos migratrios e as desigualdades e excluso social em

    Portugal?. Assim, pretendo encontrar a resposta mais acertada s hipteses apresentadas

    a seguir, testando-as nesta parte final do projeto de trabalho.

    A primeira hiptese recai sobre o reconhecimento por parte do Estado portugus

    do estatuto de cidadania ao imigrante. Com esta hiptese pretendo analisar os critrios

    para determinao de tal estatuto, e quais as diferenas significativas dos novos-cidados

    para os cidados nativos. Assim, a questo que coloco Que entraves coloca o Estado

    portugus aquisio da nacionalidade portuguesa a imigrantes?. Desta hiptese

    principal surgem outras secundrias: Ser que Portugal pratica a poltica da

    discriminao positiva 1 no que respeita legislao para aquisio de nacionalidade

    portuguesa? e At que ponto que a legislao est a favor dos imigrantes?.

    Portugal passou de pas de emigrao a um misto de emigrao com imigrao. Esta

    mudana levou o Estado a rever as leis que regulavam a entrada, sada e permanncia de

    estrangeiros e assim como as que regulam a atribuio de nacionalidade, (Machado,

    1 In Machado, 2011:5 apud Baganha, 2001

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    2011:2) uma vez que no exerccio dos seus direitos de soberania, os Estados promulgam e

    implementam legislao que visa regulamentar a relao cidado estrangeiro/Estado

    nacional no que respeita entrada, permanncia, aquisio de nacionalidade e expulso

    do territrio nacional. (Baganha, 2005:2/3)

    Assim sendo, a estruturao de uma poltica migratria nacional passa

    antes de mais pela resposta que for dada seguinte pergunta: como dever

    Portugal regular os fluxos migratrios de entrada? 2

    As causas da imigrao, ao contriburem tambm para a facilitao da imigrao,

    vo ter consequncias na recomposio da populao portuguesa, j que os imigrantes

    passam a fazer parte do quotidiano nacional. A vertente clandestina ou ilegal da imigrao

    tambm afeta toda a estrutura de um pas. (Sousa, 2005:6) Todas as polticas de regulao

    dos fluxos devem ter em contas os condicionalismos que o nosso passado histrico,

    interesses geoestratgicos e posio no sistema mundo nos impem. Deste modo,

    A poltica migratria dever assumir que a corrente migratria dos PALOP

    para Portugal se manter pelo menos nos nveis verificados na ltima

    dcada. Este condicionalismo implica que, ab initio, sejam pensados

    mecanismos promotores de integrao e de futura pertena sociedade

    portuguesa por parte desta populao, cuja fixao vem autossustentar a

    populao de ancestralidade africana a residir em territrio nacional. Esta

    corrente migratria, devido sua especificidade (migrao ps-colonial; em

    cadeia; baseada em redes migratrias informais; de fraqussimas

    qualificaes profissionais e integrada em grupos/comunidades em que uma

    percentagem significativa de nacionalidade portuguesa), aumenta

    substancialmente os riscos de criao e desenvolvimento de uma

    etno-classe situada na base da estrutura social portuguesa, que evidencia

    sintomas de vir a desenvolver nas segundas e terceiras geraes culturas

    adversarias. 3

    2 In Baganha, 2005:3 3 In Baganha, 2005:13/14

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    Alm disso, no atual contexto migratrio.

    imperativo para um Estado democrtico garantir de direito e de facto os

    direitos econmicos e sociais dos estrangeiros que residem e trabalham no

    pas, o mesmo dizer ser capaz de desmantelar as redes de trfico e de

    extorso que se encontram a operar no territrio nacional, bem como

    regular o mercado de trabalho, particularmente no que concerne

    formalidade das relaes laborais. Ou seja, necessrio devolver ao

    imigrante os direitos econmicos e sociais de cidadania que a Constituio

    portuguesa lhe confere para que possa livremente vender a sua fora de

    trabalho no mercado formal que melhor a remunera, permitindo-lhe ser o

    principal ator e decisor do seu prprio projeto migratrio. 4

    Com o desenvolvimento das sociedades comea-se a controlar e a criar legislao

    prpria para evitar o crescimento da imigrao, pois esta alm de saturar o mercado de

    trabalho, tambm faz com que haja um aumento demogrfico da populao devido

    natalidade que lhe est subentendida. (Sousa, 2005:6)

    Apesar da imigrao e, especificamente, o trabalho imigrante,

    contribuir para o crescimento socioeconmico de Portugal, a verdade que

    esta imigrao tambm cria muitos entraves nas relaes e representaes

    que os portugueses tm em relao populao estrangeira. 5

    Para Baganha e Gis, 1981 o ano de viragem na imigrao portuguesa, devido

    criao do enquadramento jurdico. O DL 264-B/81 aproximou a legislao portuguesa da

    legislao da CEE, e a lei n37/81 trocou o jus soli pelo jus sanguinis, dificultando a aquisio

    de nacionalidade por nascimento em territrio nacional a filhos de pais no nacionais assim

    como a aquisio de nacionalidade por casamento (Machado, p.4 apud