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Jack london contos

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Text of Jack london contos

  • 1. Copyright 2001, by Editora Expresso PopularSeleo dos textos: Magda Lopes Gebrim e Yanina Otsuka Stasevskas. Tradues: Liege Christina Simes de Campos, Luiz Bernardo Perics e Ana Corbisier. Projeto grfico, capa e diagramao: ZAP Design Ilustrao da capa: Apotesis dei Danzante (1986) de Leonardo Tejada. Pintor equatoriano, umdos renovadores da aquarela. Captou grupos humanos com traos enrgicos e contrastados valores cromticos. Impresso e acabamento: CromoseteDados Internacionais de Catalogao-na-Publicao (C1P) London, Jack, 1876-1916 L847c Contos / Jack London ; seleo dos textos Magda Lopes Gebrim e Yanina Otsuka Stasevskas; traduo Liege Christina Simes de Campos, Luiz Bernardo Perics e Ana Corbisier.-2.ed. - So Paulo : Expresso Popular, 2009. 224p. Indexado em GeoDados- http://www.geodados.uem.br ISBN 85-87394-18-5 1. Literatura americana -Contos. 2. Contos americanos. I. Gebrim, Magda Lopes. II. Stasevskas, Yanina Otsuka. III. Campos, Liege Christina Simes de, trad. IV. Perics, Luiz Bernardo, trad. V. Corbisier, Ana, trad. VI. Ttulo.CDD21.ed. 813.54 _______________________________ CDU 820(73)-34 Bibliotecria: ElianeM. S. Jovanovich CRB 9/1250Edio revista e atualizada conforme a nova regra ortogrfica. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro pode ser utilizada ou reproduzida sem a autorizao da editora. 2a edio: novembro de 2009 EDITORA EXPRESSO POPULAR Rua Abolio, 197 - Bela Vista CEP 01319-010 - So Paulo-SP Fone/Fax: (11) 3105-9500 [email protected] www.expressaopopular.com.br

2. SumrioApresentao ............................................................................................................... 7 captulo 1-0 QUE A VIDA SIGNIFICA PARA MIM ........................................................ 17 captulo 2 - COMO ME TORNEI SOCIALISTA .............................................................. 27 captulo 3-O MEXICANO .............................................................................................33 captulo 4 - A VOLTA DO PAI PRDIGO .................................................................... 63 captulo 5-O HEREGE .................................................................................................. 81 captulo 6 - AO SUL DA FENDA................................................................................. 103 captulo 7 - FAZER UMA FOGUEIRA .......................................................................... 121 captulo 8 - AMOR VIDA .........................................................................................141 captulo 9-0 CHINA ................................................................................................... 165 captulo 10 - ESTERCO... NADA MAIS ....................................................................... 181 captulo 1 1 - O PAGO ............................................................................................. 201 3. Apresentao" na soma do seu olhar que eu vou me conhecer inteiro se nasci para enfrentar o mar ou faroleiro." (Chico Buarque)Os contos deste livro so profundamente tocantes. Eles falam sobre as questes da nossa existncia, aquelas mais importantes, que nos inspiram a pensar no sentido das nossas aes, das nossas escolhas na vida. Nos fazem refletir sobre o tipo de vida que queremos para ns, sobre o lugar que queremos ocupar no mundo. Eles alimentam nossa alma ao falarem da vida com paixo, entusiasmo e sinceridade. Transmitem a fora e o vigor do seu autor. Jack London foi o melhor escritor dos Estados Unidos em seu tempo e hoje considerado um dos melhores do mundo. Tudo que escreveu foi criado a partir das suas experincias de vida, e essas foram muito interessantes e inusitadas. Nasceu em 1876, numa famlia mal estruturada e muito pobre. No sabia quem era seu pai e passou fome em vrias fases da infncia e da juventude. Trabalhou desde criana para ajudar no sustento da famlia. Quando jovem viajou pelo mundo, trabalhando como marinheiro; depois percorreu grande parte dos Estados Unidos viajando clandestinamente em trens, sobrevivendo de esmolas. Tentou voltar a estudar, numa escola de segundo grau, e depois na universidade, mas sua pobreza o impediu de prosseguir. 4. Descobriu o socialismo nesse mundo de mendigos e vagabundos. Como autodidata dominou as teorias mais avanadas de sua poca, como o marxismo e a teoria da evoluo de Darwin. Foi um dos maiores propagandistas do socialismo nos Estados Unidos em sua poca. Foi para o Alasca tentar a sorte na corrida do ouro, e de l voltou doente e sem um tosto. Casou-se e teve duas filhas, mas desfez esse casamento causando enormeescndalo.Trabalhoucomocorrespondentedeguerra,arriscando-se a morrer por vrias vezes, a fim de escrever boas reportagens. Ganhou muito dinheiro ao tornar-se escritor e conviveu com os homens mais poderosos do seu pas. Projetou um barco, construiu -o, e nele viajou pelo mundo, com sua segunda mulher. Aos 40 anos suicidou-se com uma dose letal de morfina. Esses fatos por si mesmos j compem uma incrvel histria de aventuras reais, mais atraente que muitas fices. Porm o mais interessante da vida de Jack London no so suas aventuras em si, mas sim aquilo que o moveu em direo a elas. A grande aventura, que vale a pena acompanharmos neste livro, foi o fato dele ter escrito a histria de sua vida num caminho prprio e por isso nico. Quis ser dono do seu destino, escolheu ser sujeito da sua vida, quis descobrir e afirmar suas verdades mais ntimas e essenciais. E fez isso com uma tenacidade comovente e admirvel. A cada deciso que o levou s aventuras o que imperava era seu desejo de enfrentar o mar para buscar o que queria na verdade: uma vida que valesse a pena ser vivida. Sua fora brotava da necessidade premente de sentir-se vivo e ele sabia que para conseguir isso precisava ser fiel s verdades do seu corpo e da sua alma. Quando decidiu, por exemplo, ir ao Alasca em busca do ouro, no o fez porque buscasse aventuras ou emoes fortes. E sim porque tinha sido obrigado a abandonar a universidade depois de ter feito um8 5. esforo imenso para curs-la. Estava trabalhando numa lavanderia, lavando e engomando as roupas de seus ex-colegas de faculdade, e tanto, que no lhe sobrava nenhum tempo ou mesmo energia para fazer coisas que o animassem a viver, como ler, escrever, namorar. E ainda ganhava to pouco que mal podia sobreviver. Quando voltou do Alasca resolveu escrever. A ideia de ganhar a vida como escritor tornou-se sua tbua de salvao, depois de ter visto naufragadas todas as suas tentativas anteriores. Novamente deparou-se com dificuldades que poderiam ser consideradas intransponveis. Seus primeiros contos foram rejeitados pelas editoras e revistas por longo tempo. Ele sabia que isso ocorria por suas histrias falarem da realidade que viveu no Alasca, no mundo dos mendigos, nos navios. Sabia que no eram contos palatveis para o pblico estadunidense, pois este queria continuar lendo histrias vazias e aucaradas, e assim manter uma imagem idealizada da vida. London decidiu continuar escrevendo no seu estilo nico, novo. Queria falar do que tinha vivido e visto, das suas verdades, que incluam aspectos rudes e sombrios da realidade. E mais uma vez fez uma aposta alta: resolveu que o pblico e os editores teriam que aceit- lo tal qual era, correndo assim o grave risco de continuar passando fome por um tempo imprevisvel, ou mesmo a vida toda. Tempos depois, quando finalmente conseguiu ser aceito e passou a ter fama e dinheiro, no se acomodou confortvel situao. Aprendera que valia a pena defender suas convices, e que para isto tinha que pagar o preo de descontentar muitas pessoas, e o de ser combatido ferozmente por muitas delas. Continuou defendendo com unhas e dentes suas escolhas na vida pessoal e seu estilo na literatura, como vemos nesta carta enviada a um editor: Insisto agora, como sempre insisti, que a virtude literria cardeal a sinceridade. Se estou errado nesta convico e o mundo me renega, s me cabe dizer um adeus indiferente ao mundo e orgulhoso refugiar-me no rancho, plantar batatas e criar galinhas para conservar o estmago9 6. cheio. Foi a minha recusa de aceitar advertncias sensatas que me fez o que sou hoje. Mas de onde Jack London tirava foras para recusar tantas advertncias sensatas e seguir construindo seu caminho? Onde se segurava quando enfrentava as tempestades em alto mar? E o frio mortfero do Alasca? O trabalho que lhe exauria os msculos e a capacidade de sonhar? O mundo cruel, sem eira nem beira, dos desempregados que se tornaram mendigos? Como suportava no saber quem era seu pai? Como no desistia de continuar tentando caminhos ao frustrar-se quando teve que abrir mo da escola, da universidade, quando voltou do Alasca pior do que saiu? Conseguiu transpor inmeros obstculos, mesmo que por vrias vezes ficasse muito deprimido, achando que estes eram grandes demais, e que nunca os venceria. Mas seus tormentos e medos, suas angstias, no apenas no o paralisaram, como o impulsionaram a enfrentar novos desafios. Pouco antes de morrer escreveu sobre o resultado destes enfrentamentos: Na minha idade madura, estou convencido de que o jogo da vida vale a pena. Tive uma vida muito feliz, mais feliz de que a de muitos milhes de homens da minha gerao. Se por um lado sofri muito, por outro vivi muito, vi muita coisa, senti muita coisa que foi negada maioria dos homens. O jogo vale mesmo a pena. Penso que foi fiel a sua frase: S se tem uma vida para se viver, e por que no viv-la de verdade?, mesmo tendo se suicidado. Talvez sua busca por definir os caminhos da prpria vida tenha includo determinar o momento do seu fim. Por tudo isso interessante prestar ateno ao que sustentou sua cabea erguida e seus olhos direcionados ao horizonte desejado enquanto viveu. Podemos perceber as pistas desta fora nos seus contos. Sua primeira sustentao interna foi a vontade de viver; pode-se vislumbr-la nas histrias que escreveu. No conto autobiogrfico O herege ele narra um perodo muito doloroso de sua in

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