Noções de Histologia

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  • 1. BIOLOGIA MDULO 2 2014.1 1 Histologia Animal PARTE I TECIDO EPITELIAL E TECIDO CONJUNTIVO 1. INTRODUO Uma observao superficial dos seres vivos, mostra-nos que sua grande maioria representada por espcies pluricelulares. Neles, a existncia de muitas clulas, com diferentes graus de especializao, fez prever a existncia de um complexo arranjo estrutural, cujos nveis de organizao esto a seguir. A Histologia, portanto, o ramo da Biologia que estuda os tecidos animais e vegetais. Tecidos so grupos de clulas especializadas, separadas ou no por lquidos e substncias intercelulares, provenientes de clulas embrionrias que sofreram diferenciao, distinguindo-se cada grupo por sua estrutura e pelas funes especficas que desempenha. CLASSIFICAO DOS TECIDOS ANIMAIS 1. Tecidos Epiteliais 2. Tecidos Conjuntivos Tecido Conectivo Tecido Adiposo Tecido Cartilaginoso Tecido sseo Sangue e Hematopotico 3. Tecidos Musculares Tecido Muscular Liso Tecido Muscular Estriado Esqueltico Tecido Muscular Estriado Cardaco 4. Tecido Nervoso Substncia Intercelular ou Intersticial uma substncia que pode ocupar o espao entre as clulas de um tecido. Pode ser lquida, como o plasma, no sangue; slida ou semisslida como no osso e nas cartilagens. Alguns tecidos so classificados pela quantidade de substncia intersticial, como, por exemplo, o tecido epitelial (pouca substncia) e o conjuntivo (abundante substncia intersticial). ANATOMIA E FISIOLOGIA FisiologiaCITOLOGIA CLULA A TECIDO RGO SISTEMA ORGANISMO CITOLOGIA HISTOLOGIA

2. BIOLOGIA MDULO 2 2014.1 2 A composio qumica desta substncia varivel de tecido para tecido. 2. ESTUDO DOS EPITLlOS Os Epitlios so constitudos, geralmente, por clulas polidricas justapostas, entre as quais encontramos pouca substncia intercelular. Uma das propriedades dos tecidos epiteliais a capacidade de coeso entre suas clulas, que formam camadas contnuas revestindo a superfcie e cavidades do corpo, como acontece com a pele e mucosas. As clulas epiteliais provm dos trs folhetos embriolgicos. A maior parte das clulas que cobrem a pele e algumas cavidades naturais (boca, nus, fossas nassais) tem origem do ectoderma. Os epitlios que revestem quase todo o tubo digestivo e rvore respiratria provm do endoderma; as glndulas do sistema digestrio, com pncreas e fgado, tambm originam-se do endoderma. A maioria dos epitlios restantes tem origem no mesoderma, como o rim, por exemplo. Como os tecidos epiteliais so formados por clulas muito prximas e sem substncia intercelular, neles no se encontram vasos sanguneos. As trocas gasosas e nutritivas so feitas por difuso, clula a clula, com o tecido conjuntivo subjacente. Na superfcie de contato com o tecido conjuntivo subjacente, os epitlios apresentam uma lmina ou membrana basal. Esta membrana composta por glicoprotenas associadas a colgeno, visvel ao microscpio ptico, permevel gua, O2,CO2 e nutrientes. Os tecidos epiteliais tm como funes principais: a) Revestimento das superfcies (epiderme). b) Revestimento e absoro (epitlio intestinal). c) Secreo (observvel nas glndulas). d) Funo sensorial (neuroepitlios). TIPOS DE TECIDO EPITELIAL: a) Revestimento (proteo ou absoro). b) Glandular ou de secreo. Epitlio de Revestimento So classificados com base em diferentes aspectos, como a forma de suas clulas, o nmero de camadas celulares e as funes que desempenham. Quanto forma das clulas Quanto ao Nmero de Camadas Celulares a) Simples: apenas uma camada de clulas. b) Estratificados: vrias camadas celulares. c) Pseudo-estratificado: s uma camada, porm as clulas apresentam alturas diferentes, dando um aspecto de vrias camadas. d) Misto ou de Transio: as clulas tm formas diferentes de uma camada para a outra. De forma geral, os epitlios estratificados esto ligados funo de proteo, e os epitlios simples, funo de absoro. 3. BIOLOGIA MDULO 2 2014.1 3 Os epitlios podem apresentar clios em sua superfcie livre. O batimento destes clios garante o deslocamento de substncias sobre as clulas. Epitlio de Secreo (As glndulas) Os epitlios glandulares so constitudos por clulas que apresentam como atividade caracterstica a produo de secreo fluida, de composio diferente da do plasma sanguneo ou do fluido tecidual. Quase sempre estes produtos de secreo so elaborados e acumulados dentro do citoplasma sob a forma de pequenas partculas envolvidas por membranas (grnulos de secreo). As glndulas originam-se de grupos de clulas que proliferam a partir do epitlio e se aprofundam, formando, inicialmente, canais ou ento cordes. A maioria das clulas do epitlio granular apresenta retculo endoplasmtico rugoso e Complexo de Golgi bem desenvolvidos. De forma geral, as glndulas podem apresentar uma estrutura chamada adenmero (poro secretora) e um Ducto excretor. As glndulas, geralmente, so pluricelulares; as mais simples, no entanto, so unicelulares, como as clulas mucosas ou caliciformes. Esquema ilustrando como se originam as glndulas a partir das superfcies epiteliais. O epitlio prolifera e se afunda no conjuntivo, mantendo ou no contato com a superfcie, conforme venha a ser a glndula excrina ou endcrina. Nas glndulas endcrinas, as clulas podem agrupar-se em cordes ou folculos. Nos folculos, o produto de secreo acumulado em grande quantidade. Na glndula cordonal, o produto de secreo acumulado em pequena quantidade no interior das clulas. (Redesenhado e reproduzido com permisso de Ham AW: Histology 6th ed. Lippincott, 1969). 4. BIOLOGIA MDULO 2 2014.1 4 Classificao das Glndulas a) Quanto natureza qumica da secreo Mucosas: produzem secreo viscosa, de natureza glicoproteica (muco). Ex.: Glndulas caliciformes da traqueia. Serosas: produzem uma secreo aquosa, clara, rica em protenas. Ex.: Lacrimais. Seromucosas: secretam uma secreo mista. Ex.: Salivares sublinguais. b)Quanto ao destino da secreo Endcrinas: secreo interna, no possuem ducto excretor. Ex.: Hipfise, tireoide, adrenais. Excrinas: secreo externa, possuem ducto excretor, a secreo vai para o meio externo ou cavidade de um rgo. Ex.: Mamrias, sebceas. Anficrinas ou Mistas: secreo mista, possuem uma parte externa e outra interna. Ex.: Testculos, pncreas. Tecidos Conjuntivos Os tecidos conjuntivos caracterizam-se, morfologicamente, por apresentarem diversos tipos de clulas, separadas por abundante material intercelular sintetizado por elas. A riqueza material intercelular uma de suas caractersticas mais importantes. Este material representado por uma parte com estrutura microscpica definida, as fibras do conjuntivo, e por uma parte no estruturada, a substncia fundamental amorfa. O tecido conjuntivo preenche espaos, d sustentao mecnica, transporta substncias, acumula reservas, protege contra agentes infecciosos, garante processos de regenerao e cicatrizao, proporciona pigmentao, e produz substncias especiais que entram na sua prpria composio. A maior parte dos tecidos conjuntivos origina-se do mesnquima, que um tecido embrionrio derivado do mesoderma. Dentre as diversas modalidades de conjuntivos, uma se destaca como a principal na finalidade de conjuno, fazendo melhor que as demais o papel de preenchimento de espaos vazios. Essa variedade recebeu o nome de tecido conjuntivo propriamente dito (TCPD). Os componentes do TCPD formado basicamente por trs componentes: substncia fundamental, fibras e clulas. 1. A substncia fundamental homognea, amorfa, constituda de gua, sais, protenas mucopolissacardeos. Possibilita a difuso de nutrientes e catablitos de uma clula para a outra e as trocas entre as clulas e o sangue. Dessa maneira, alcanado um equilbrio tecidual (tissular). Qualquer variao nestes mecanismos pode promover a excessiva reteno de gua na substncia fundamental. dessa forma que surgem os edemas ou inchaos. 2. As fibras Existem trs tipos de fibras, todas de natureza proteica, produzidas por clulas chamadas de fibroplastos. a) Fibras colgenas So formadas por uma protena chamada colgeno, so fortes, resistentes trao, agrupam-se em feixes de cor branca. b) Fibras elsticas Formadas por uma protena chamada elastina. So finas, ramificadas, tm boa elasticidade. c) Fibras reticulares Formadas por uma protena chamada reticulina. So as mais finas, formam redes em alguns tecidos. 5. BIOLOGIA MDULO 2 2014.1 5 Tecido conjuntivo propriamente dito 1. Fibroblastos; 2. Macrfagos; 3. Plasmcitos; 4. Mastcitos; 5. Fibras colgenas; 6. Fibras elsticas; 7.Fibras reticulares 3. As clulas Originam-se da mesoderme embrionria. Com o desenvolvimento do organismo, e, portanto, com a diferenciao dos tecidos, apenas alguns grupos destas clulas permanecem totipotentes, garantindo a produo de novas clulas conjuntivas. As clulas conjuntivas mais comuns so: a) Fibroblastos So as clulas mais numerosas e tpicas desse tecido. So alongadas com algumas ramificaes, ncleo oval e grande. Possuem RER e aparelho de Golgi bem desenvolvidos. So caracterizados pela intensa produo de fibras colgenas, elsticas e reticulares. Os fibroblastos tambm produzem os mucopolissacardeos da substncia amorfa. Em fase de repouso temporrio ou permanente, so chamados fibrcitos. b) Macrfagos So clulas acentuadamente grandes (at 25 m) e de contorno irregular, possuem elevada capacidade de fagocitose. Movem-se atravs de pseudpodos, sendo responsveis pelo englobamento e destruio de partculas estranhas, que penetram no organismo. Quando inativos, permanecem fixos, retraindo seus pseudpodos. Recebem, ento, o nome de histicitos. Os macrfagos tm ampla distribuio pelo corpo. c) Mastcitos So clulas grandes, globosas. O citoplasma rico em granulaes basfilas. Estes grnulos so acmulos de heparina (anticoagulante) e histamina (liberada em reaes alrgicas e inflamatrias). Ocorrem em grande nmero, principalmente junto aos vasos sanguneos. d) Plasmcitos So menores, o citoplasma no possui granulaes. Desempenham uma importante funo imunolgica, que a produo de anticorpos. e) Leuccitos (Glbulos brancos) Eles so esfricos, com cromatina compacta e densa. O ncleo grande e o citoplasma forma um