Platão - "melhor visualização"

  • View
    3.209

  • Download
    0

Embed Size (px)

DESCRIPTION

Um pouco sobre platão

Text of Platão - "melhor visualização"

  • 1. 427 a.C - 347 a.C . Plato "Ora, estabelecemos, e repetimos muitas vezes, se bem te recordas, que cada um deve ocupar-se na cidade de uma nica tarefa, aquela para a qual melhor dotado por natureza" Plato A Repblica

2. Linha do tempo 432 a.C. - Incio da guerra do Peloponeso. 427 a.C. - Nascimento de Plato. 399 a.C. - Condenao de Scrates morte pela Assemblia Popular atravs da sentena do Aerpago, em Atenas. 387 a.C. - Plato funda, em Atenas, a Academia. 347 a.C. - Morte de Plato em Atenas. 338 a.C. - Felipe da Macednia vence a batalha de Queronia e conquista a Grcia. Detalhe de Plato, A Escola de Atenas, obra do renascentista Rafael 3. Filsofo Ateniense nascido em 427 a.C, numa famlia aristocrtica e abastada, um ano aps a morte do estadista ateniense Pricles, e filho de Ariston e Perictione. O Historiador Digenes Larcio afirma que sua ascendncia recua at o grande legislador Slon, por parte de me. Como Plato explicou na VII Carta, terminou desviando-se da carreira poltica devido ao regime dos "Trinta Tiranos", derrocado em 403 a.C. Um dos seus parentes prximos havia exercido elevadas funes durante aquela tirania, que, apesar da sua curta durao, foi extremamente violenta, perseguindo os adversrios de maneira incomum para os costumes gregos. Fato que lanou suspeitas sobre toda a sua famlia, inclusive atingindo o jovem Plato, quando a democracia foi restaurada. O parente era Crtias, do grupo dos Trinta Tiranos, criado para governar Atenas, aps a vitria Espartana na Guerra de Peloponeso. Detalhe de Plato, A Escola de Atenas, obra do renascentista Rafael 4. O verdadeiro nome de Plato era Aristocls, em uma homenagem ao seu av. Plato vem de plats que significa largura, e provavelmente seu apelido veio de sua constituio robusta, ombros e frontes largos, um porte fsico forte e vigoroso. A excelncia na forma fsica era apreciada ao extremo na Grcia Antiga, e ocupa um lugar central na educao ideal proposta por Scrates e seus companheiros no dilogo A Repblica, juntamente com a msica e a literatura no potica. Os dilogos de Plato esto cheios de referncia competio dos jovens no atletismo e at mesmo Plato quando Jovem recebeu homenagens pelos feitos atlticos. Deve-se lembrar tambm das grandes honras que eram conferidas aos vencedores dos Jogos Olmpicos, feitos em homenagem a Zeus. Porm, como veremos o corpo em Plato subordinado alma, mero invlucro priso do qual o filsofo deve se libertar. Plato s escreve seus dilogos depois da morte de Scrates, e segundo o prprio Plato narra, j era chamado assim por seus companheiros. Detalhe de Plato, A Escola de Atenas, obra do renascentista Rafael 5. Inicialmente, Plato entusiasmou-se com a filosofia de Crtilo, um seguidor de Herclito. Tornou-se aprendiz de Scrates, mais velho do que ele quarenta anos. Descobre nele, aos 20 anos, sua dialtica e se torna um "amante da sabedoria". Acompanhou de perto todos os passos do julgamento de seu mestre, acusado de corromper a mente dos jovens e no acreditar nos deuses. Seu fim trgico marcou-o profundamente, deixando seqelas para o resto da vida. Depois da morte por envenenamento de Scrates, desiludiu-se com a democracia ateniense e retirou-se com outros socrticos para junto de Euclides, em Mgara. Depois partiu em peregrinao pelo mundo para se instruir (390-388). Foi a Esparta onde conheceu uma cultura militar onde os meninos abandonavam seus pais para viverem uma vida dura nas montanhas, em exposio aos elementos naturais, e onde os governantes se misturavam com o povo, comendo e dormindo juntos. Passou tambm pela Itlia, onde conheceu os pitagricos e sua seita. No trajeto de sua viagem teria passado pelo Egito, onde ouviu, da classe sacerdotal que governava que a Grcia era um pas infante, sem tradies e sem uma cultura profunda. Peregrinou durante doze anos, quando retornou a Atenas com quarenta anos. Detalhe de Plato, A Escola de Atenas, obra do renascentista Rafael 6. Deixou seu ensinamento escrito em forma de dilogos, feitos para o leitor comum de sua poca. Aparentemente a obra chegou quase completa at nossos dias devido a Plato ter fundado em Atenas sua Academia, em torno de 387, no jardim do templo do heri grego Academos, onde se ensinava Matemtica, Ginstica e Filosofia. A matemtica era valorizada pela capacidade de proporcionar o raciocnio abstrato. No prtico de entrada da de sua academia, havia a seguinte afirmao: "Que aqui no adentre quem no souber geometria". Tambm disse sobre Deus: "Ele eternamente geometriza". Aristteles foi o aluno mais famoso da Academia. A Academia de Plato se manteve em funcionamento por mais de novecentos anos. Adquiriu, perto de Colona, povoado da tica, uma herana, onde levantou um templo s Musas, que se tornou propriedade coletiva da escola e foi por ela conservada durante quase um milnio, at o tempo do imperador Justiniano em 529 d.C. A ESCOLA DE PLATAO - TELA DE J.DELVILLE 7. Plato foi o responsvel pela formulao de uma nova maneira de pensar e perceber o mundo criando o que se chama a Teoria das Idias ou Teoria das Formas. Este ponto fundamental consiste na descoberta de uma realidade causal supra-sensvel, no material, antes apenas esboada e no muito bem delineada por alguns filsofos, embora tenha sido um pouco mais burilada por Scrates. Antes de Scrates, era comum tentar-se explicar os fenmenos naturais a partir de causas fsicas e mecnicas. Plato observa que Anaxgoras, um dos pr-socrticos, tinha atinado para a necessidade de introduzir uma Inteligncia universal para conseguir explicar o porqu das coisas, mas no soube levar muito adiante esta sua intuio, continuando a atribuir peso preponderante s causas fsicas. Entretanto, se perguntava Plato, ser que as causas de carter fsico e mecnico representam as "verdadeiras causas" ou, ao contrrio, representam simples "co-causas", ou seja, causas a servio de causas mais elevadas? No seria o visvel fruto de algo mais sutil? A ESCOLA DE PLATAO - TELA DE J.DELVILLE 8. Empdocles e Demcrito j tinham nos chamado a ateno para o fato de que, apesar de todos os fenmenos da natureza flurem, havia algo que nunca se modificava (as quatro razes ou os tomos). Plato tambm se dedicou a este problema, mas de forma completamente diferente. Plato achava que tudo o que podemos tocar e sentir na natureza flui. No existe, portanto, um elemento bsico que no se desintegre. Absolutamente tudo o que pertence ao mundo dos sentidos feito de um material sujeito corroso do tempo. Ao mesmo tempo, tudo formado a partir de uma forma eterna e imutvel. Para Plato a faculdade principal, essencial da alma a de conhecer o mundo ideal, transcendental: contemplao em que se realiza a natureza humana, e da qual depende totalmente a ao moral. Entretanto, sendo que a alma racional , de fato, unida a um corpo, dotado de atividade sensitiva e vegetativa, deve existir um princpio de uma e outra. Segundo Plato, tais funes seriam desempenhadas por outras duas almas - ou partes da alma: a irascvel (mpeto), que residiria no peito, e a concupiscvel (apetite), que residiria no abdome - assim como a alma racional residiria na cabea. Naturalmente a alma sensitiva e a vegetativa so subordinadas alma racional. Academia - Mosaico 9. Plato, ao contrrio de Scrates, interessou-se vivamente pela poltica e pela filosofia poltica Em 388 a.C., quando j contava quarenta anos, Plato viajou para a Magna Grcia com o intuito de conhecer mais de perto comunidades pitagricas. Nesta ocasio, veio a conhecer Arquitas de Tarento. Ainda durante essa viagem, Dionsio I convidou Plato para ir a Siracusa, na Siclia. Plato parte para Siracusa com a esperana de l implantar seus ideais polticos. No entanto, acabou por se desentender com o tirano local e retorna para Atenas. Em seu retorno, funda a Academia. A instituio logo adquire prestgio e a ela acorriam inmeros jovens em busca de instruo e at mesmo homens ilustres a fim de debater idias. Em 367 a.C., Dionsio I morre e Plato retorna a Siracusa a fim de uma vez mais tentar implementar suas idias polticas na corte de Dionsio II. No entanto, o desejo do filsofo foi novamente frustrado. Em 361 a.C. volta pela ltima vez a Siracusa com o mesmo objetivo e pela terceira vez fracassa. De volta a Atenas em 360 a.C., Plato permaneceu na direo da Academia at sua morte, em 347 a.C. Plato ensina filosofia. Mosaico romano de Pompia 10. Para encontrar a resposta s suas dvidas, Plato empreendeu aquilo que chamou simbolicamente de "a segunda navegao". A primeira navegao seria o percurso da filosofia naturalista. A segunda navegao seria a orientao metafsica de uma filosofia espiritualista, do inteligvel. O sentido do que seja essa segunda navegao fica claro nos exemplos dados pelo prprio Plato. Se se deseja explicar por que uma coisa bela, um materialista diria que os elementos fsicos como o volume, a cor e o recorte so bem proporcionais e causam sensaes prazerosas e agradveis aos sentidos. J Plato diria que tudo isso seria apenas qualidades que evocariam uma lembrana de algo ainda mais belo, vista pela alma no plano espiritual, mas que no est acessvel ao plano fsico. O objeto seria apenas uma cpia imperfeita, por ser material, de uma "Idia" ou forma pura do belo em si. Detalhe de Plato, A Escola de Atenas, obra do renascentista Rafael 11. Vejamos um exemplo: Scrates est preso, aguardando a sua condenao. Por que est preso? A explicao mecanicista diria que porque Scrates possui um corpo corpulento, composto de ossos e nervos, etc, que lhes possibilitam e lhe permitiram locomover-se e se deslocar por toda a vida, at que, por ter cometido algum erro, tenha-se dirigido priso, onde lhe sejam postas as amarras. Ora, qualquer pessoa sabe a simplificao desse tipo de argumento, mas justamente assim que falam o materialistas-mecanicistas at os dias de hoje. Mas este tipo de explicao no oferece o verdadeiro "porqu", a razo pela qual Scrates est preso, explicando apenas o meio pelo qual pode uma pessoa ser posta num crcere devido ao seu corpo. Explica o ato, descreven