Resumo PCN História

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    RESUMO PCN HISTRIA

    Uma das tradies da rea tem sido a de contribuir para a construo da identidade, sendo esta entendida como a formao do cidado patritico, do homem civilizado ou da pessoa ajustada ao seu meio Isto , caberia Histria desenvolver no aluno a sua identidade com a ptria, com o mundo civilizado ou com o pas do trabalho e do desenvolvimento.

    Atualmente preciso considerar essa tradio no ensino de Histria, mas necessrio, simultaneamente, repensar sobre o que se entende por identidade e qual a sua relevncia para a sociedade brasileira contempornea.

    Nas ltimas dcadas, a sociedade brasileira vive internamente um intenso processo migratrio e, nas suas relaes com o mundo, a assimilao e o intercmbio de comportamentos, valores e tecnologias que desarticulam formas tradicionais de trabalho e de relaes socioculturais. Os deslocamentos populacionais e a expanso da economia e da cultura mundial criam situaes dramticas para a identidade local, regional e nacional, na medida em que desestruturam relaes historicamente estabelecidas e desagregam valores, situaes cujo alcance ainda no se pode avaliar.

    Nesse contexto, os estudos histricos desempenham um papel importante, na medida em que contemplam pesquisas e reflexes das representaes construdas socialmente e das relaes estabelecidas entre os indivduos, os grupos, os povos e o mundo social, em uma poca. Nesse sentido, o ensino de Histria pode fazer escolhas pedaggicas capazes de possibilitar ao aluno refletir sobre seus valores e suas prticas cotidianas e relacion-los com problemticas histricas inerentes ao seu grupo de convvio, sua localidade, sua regio e sociedade nacional e mundial.

    Uma das escolhas pedaggicas possveis, nessa linha, o trabalho favorecendo a construo, pelo aluno, de noes de diferena, semelhana, transformao e permanncia. Essas so noes que auxiliam na identificao e na distino do eu, do outro e do ns no tempo; das prticas e valores particulares de indivduos ou grupos e dos valores que so coletivos em uma poca; dos consensos e/ou conflitos entre indivduos e entre grupos em sua cultura e em outras culturas; dos elementos prprios deste tempo e dos especficos de outros tempos histricos; das continuidades e descontinuidades das prticas e das relaes humanas no tempo; e da diversidade ou aproximao entre essas prticas e relaes em um mesmo espao ou nos espaos.

    A percepo do outro (diferente) e do ns (semelhante) diversa em cada cultura e no tempo. Ela depende de informaes e de valores sociais historicamente construdos. sempre mediada por comportamentos e por experincias pessoais e da sociedade em que se vive. Em diferentes momentos da Histria, indivduos, grupos e povos conheceram as desigualdades, as igualdades, as identidades, as diferenas, os consensos e os conflitos, seja na convivncia social, espacial, poltica, econmica, cultural e religiosa, seja na convivncia entre etnias, sexos e idades. Esses convvios mantiveram relaes com valores, padres de comportamentos e atitudes de identificao, distino, equiparao, segregao, submisso, dominao, luta ou resignao, entre aqueles que se consideravam iguais, inferiores ou superiores, prximos ou distantes, conhecidos ou desconhecidos, compatriotas ou estrangeiros.

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    Hoje em dia, a percepo do outro e do ns est relacionada possibilidade de identificao das diferenas e, simultaneamente, das semelhanas. A sociedade atual solicita que se enfrente a heterogeneidade e que se distinga as particularidades dos grupos e das culturas, seus valores, interesses e identidades. Ao mesmo tempo, ela demanda que o reconhecimento das diferenas no fundamente relaes de dominao, submisso, preconceito ou desigualdade. Todavia, esse no um exerccio fcil. Ao contrrio, requer o esforo e o desejo de reconhecer o papel que exercido pelas mediaes construdas por experincias sociais e culturais na organizao de valores, que sugerem, mas no impem, o que bom, mau, belo, feio, superior, inferior, igual, perfeito ou imperfeito, puro ou impuro; que orientam, mas no restringem, as aes de aproximao, distanciamento, isolamento, assimilao, rejeio, submisso ou indiferena; e que possibilitam o conhecimento ou o desconhecimento da presena ou da existncia da diversidade individual, de grupo, de classe ou de culturas. Para se formar cidados conscientes e crticos da realidade em que esto inseridos, necessrio fazer escolhas pedaggicas pelas quais o estudante possa conhecer as problemticas e os anseios individuais, de classes e de grupos - local, regional, nacional e internacional - que projetam a cidadania como prtica e ideal; distinguir as diferenas do significado de cidadania para vrios povos, e conhecer conceituaes histricas delineadas por estudiosos do tema em diferentes pocas.

    Do ponto de vista da historiografia e do ensino de Histria, a questo da cidadania tem sido debatida como um problema fundamental das sociedades deste final de milnio. Se em outras pocas a sua abrangncia estava relacionada principalmente questo da participao poltica no Estado, aliando-se questo dos direitos sociais, hoje sua dimenso tem sido sistematicamente ampliada para incluir novos direitos conforme as condies de vida do mundo contemporneo. Tm sido reavaliadas as contradies e as tenses manifestas na realidade ligadas ao distanciamento entre os direitos constitucionais e as prticas cotidianas. Assim, a questo da cidadania envolve hoje novos temas e problemas tais como, dentre outros: o desemprego; a segregao tnica e religiosa; o reconhecimento da especificidade cultural indgena; os novos movimentos sociais; o desrespeito pela vida e pela sade; a preservao do patrimnio histrico-cultural; a preservao do meio ambiente; a ausncia de tica nos meios de comunicao de massa; o crescimento da violncia e da criminalidade.

    OBJETIVOS DO ENSINO FUNDAMENTAL

    Os Parmetros Curriculares Nacionais indicam como objetivos do ensino fundamental que os alunos sejam capazes de:

    . compreender a cidadania como participao social e poltica, assim como exerccio de direitos e deveres polticos, civis e sociais, adotando, no dia-a-dia, atitudes de solidariedade, cooperao e repdio s injustias, respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito;

    . posicionar-se de maneira crtica, responsvel e construtiva nas diferentes situaes sociais, utilizando o dilogo como forma de mediar conflitos e de tomar decises coletivas;

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    . conhecer caractersticas fundamentais do Brasil nas dimenses sociais, materiais e culturais como meio para construir progressivamente a noo de identidade nacional e pessoal e o sentimento de pertinncia ao pas;

    . conhecer e valorizar a pluralidade do patrimnio sociocultural brasileiro, bem como aspectos socioculturais de outros povos e naes, posicionando-se contra qualquer discriminao baseada em diferenas culturais, de classe social, de crenas, de sexo, de etnia ou outras caractersticas individuais e sociais;

    . perceber-se integrante, dependente e agente transformador do ambiente, identificando seus elementos e as interaes entre eles, contribuindo ativamente para a melhoria do meio ambiente;

    . desenvolver o conhecimento ajustado de si mesmo e o sentimento de confiana em suas capacidades afetiva, fsica, cognitiva, tica, esttica, de inter-relao pessoal e de insero social, para agir com perseverana na busca de conhecimento e no exerccio da cidadania;

    . conhecer o prprio corpo e dele cuidar, valorizando e adotando hbitos saudveis como um dos aspectos bsicos da qualidade de vida e agindo com responsabilidade em relao sua sade e sade coletiva;

    . utilizar as diferentes linguagens: verbal, musical, matemtica, grfica, plstica e corporal como meio para produzir, expressar e comunicar suas ideias, interpretar e usufruir das produes culturais, em contextos pblicos e privados, atendendo a diferentes intenes e situaes de comunicao;

    . saber utilizar diferentes fontes de informao e recursos tecnolgicos para adquirir e construir conhecimentos; questionar a realidade formulando-se problemas e tratando de resolv-los, utilizando para isso o pensamento lgico, a criatividade, a intuio, a capacidade de anlise crtica, selecionando procedimentos e verificando sua adequao.

    CONTEDOS DE HISTRIA: CRITRIOS DE SELEO E ORGANIZAO (ciclos 1 e 2)

    consensual a impossibilidade de se estudar a Histria de todos os tempos e sociedades, sendo necessrio fazer selees baseadas em determinados critrios para estabelecer os contedos a serem ensinados. A seleo de contedos programticos tem sido variada, mas geralmente feita segundo uma tradio de ensino, que rearticulada e reintegrada em novas dimenses e de acordo com temas relevantes para o momento histrico da atual gerao.

    A escolha dos contedos relevantes a serem estudados, feita neste documento, parte das problemticas locais em que esto inseridas as crianas e as escolas, no perdendo de vista que as questes que dimensionam essas realidades esto envolvidas em problemticas regionais, nacionais e mundiais. As informaes histricas locais relevantes a serem selecionadas expressam, assim, a intencionalidade de fornecer aos alunos a formao de um repertrio intelectual e cultural, para que possam estabelecer identidades e diferenas com outros indivduos e com grupos sociais presentes na realidade vivida no mbito familiar, no convvio da escola, nas atividades de lazer, nas relaes econmicas, polticas, artsticas, religiosas, sociais e culturais. E, simultaneamente, permitir a introduo dos alunos na compreenso das

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    diversas formas de relaes sociais e a perspectiva de que as histrias individuais se integram e fazem parte do que se denomina Histria nacional e de outros lugares.

    Os contedos propostos esto constitudos, assim, a partir da histria do cotidiano da criana (o seu tempo e o seu espao), integrada a um contexto mais amplo, que inclui os contextos histricos. Os co