Revista Boa Vontade, edição 202

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A Revista Boa Vontade tem por objetivo levar informações por meio de matérias que abordam temas voltados à cultura, educação, política, saúde, meio ambiente, tecnologia, sempre aliados à Espiritualidade como ferramenta de esclarecimento, auxílio, entendimento e compreensão.

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  • 1. Editorial Muro de Alziro de Paiva E Jos de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor, Presidente das Instituies da Boa Vontade. stive algumas vezes em Portugal. Pas lindo, de gente acolhedora. Terra da nostlgica Amlia Rodrigues (1920-1999), que Foi Deus* quem levou, faz pouco tempo. Sempre gostei de ouvi-la cantando esse fado, ao som de guitarras afinadssimas e chorosas. Por sinal, contam que, influenciada por amigos, no iria grav-lo. Entretanto, reconsiderou, e seu sucesso foi imenso. Sorte para Amlia, sorte para ns. Isso me lembra outra histria, a de que alguns artistas famosos de Hollywood se negaram a interpretar o papel principal de nada mais nada menos que Casablanca. Sorte para Humphrey Bogart e para ns tambm. Uma dessas viagens deu-se em novembro de 1994, depois que o Dr. Jos Aparecido de Oliveira*, ento Embaixador do Brasil naquela naoirm, ligando l para casa, fraternalmente convocou-me para assistir, na capital lusitana, ao lanamento da pedra fundamental da sede da Fundao LusoBrasileira do Mundo de Lngua Portu- Espelho do Gers, localizado na Serra de mesmo nome, em terras lusitanas. Revista Boa Vontade Amlia Rodrigues guesa. Presente estava, entre diversas personalidades de Portugal, da frica e do Brasil, o eminente arquiteto Oscar Niemeyer, com sua voz calma e afetuosa e seu corao grande e apaixonado pelas causas sociais. Aps a solenidade, o Embaixador apresentou-me o Dr. Jorge Sampaio, que, naquela ocasio, presidia a Cmara Municipal de Lisboa. Hoje, ele o Presidente da Repblica. Em seguida, houve uma recepo na casa do amigo Aparecido, sob a batuta de sua distinta esposa, Dona Leonor. So momentos de cariciosa lembrana, quando fui gentilmente convidado a assinar com os Reproduo BV Gers
  • 2. Celso Romero Em 1989, Dom Geraldo Maria de Moraes Penido (D), ento Arcebispo de Aparecida/SP, visitou a Sede Mundial da LBV, em So Paulo/SP, onde foi fraternalmente recepcionado pelo escritor Paiva Netto. Julio Almeida Humphrey Bogart e Ingrid Bergman, nos papis centrais de Rick e Ilsa em Casablanca, um estrondoso sucesso de Hollywood, considerado o segundo melhor filme americano. Em cenas de Casablanca, que reproduz um caf americano, Sam, personagem interpretado pelo ator Dooley Wilson, toca enquanto Humphrey Bogart o observa. Dom Raymundo Damasceno Assis, Arcebispo de Aparecida. Arquivo BV PhotoDisc H alguns anos, durante um evento em Lisboa, confraternizaram o atual Presidente de Portugal, Dr. Jorge Sampaio (E), o ex-Embaixador do Brasil em Portugal, Dr. Jos Aparecido de Oliveira (C), e o Diretor-Presidente da LBV, Jos de Paiva Netto (D). demais um protocolo de doao de monumental pintura de Nossa Senhora Aparecida (obra do arquiteto e artista plstico Joo de Souza Arajo) famosa Baslica dedicada Me de Jesus, naquele tempo sob o comando Oscar Niemeyer do estimado D. Geraldo Maria de Moraes Penido (1918-2002), seu saudoso Arcebispo Emrito. Em 1989, visitou-me na Legio da Boa Vontade e tive a honra de ser recebido, juntamente com minha famlia, em sua residncia, numa tarde memorvel, tendo ao lado sua bondosa irm Dona Geralda, tambm hoje falecida. Que Deus eternamente os guarde em Seu Seio de Misericrdia. (Na atualidade, a grande Catedral tem a direo do ilustre Dom Raymundo Damasceno Assis.) Torre de Belm, um dos mais famosos monumentos de Lisboa/Portugal, situa-se na margem direita do Rio Tejo. Revista Boa Vontade
  • 3. Editorial Arquivo BV Trecho do muro de Gers, que inspirou os versos de Paiva Netto. A um Muro Antigo Na estrada de Gers para Braga, existem muitos muros velhos... Mas h um antigo, especialmente antigo, bem na curva, que alma afaga... Antigo como o Amor e como as dores... To pequeno... mas nos faz sorrir aos favores de nos abrir, alma triste, um prazer amplo, de descobrir, no seio do campo, a beleza divinal das flores. Enquanto outros grandes!... no tm a expresso com que, na sua pequenez, fala ao corao. Sim, porque, se este no o maior dos rgos do corpo, tudo sente e tudo v, porque tudo v e tudo sente... Eis seu escopo. Oh! Muro pequeno, pequeno Muro, to carregado de Vida! Vida! Vida! como a hera que cobre os teus lados, feitos de pedra amolecida Revista Boa Vontade e humanizada pelos anos, muitos anos... Ah! Muro Antigo! de pedra antiga... A quanta histria assististe!... E do muito que ouviste, conta-me um pouco. E tas escutarei, no de ouvido mouco, de tanto viajante, que por aqui passa, e no te v... Pois loucos laos lhe turbam a mente... E que oportunidade perde, pois no te sente o canto dos sculos acerantes. Sim, porque a roda roda... E o que foi, retorna adiante... E, talvez, Muro Antigo, antigo Muro, os que so cegos para no ver-te, e surdos para no ouvir-te, tenham aprendido, finalmente, que, para escutar o lamento ou o cantar da prpria pedra, to preciso, morta a regra, amar todos os amores do Amor Divino sem rancores. At que surgiu aquele, gracioso, bem na curva, mas que, de to pequeno, quase no podia ser visto. Estava l, contudo, firme, cumprindo a sua funo de no permitir que, num estreito espao no preenchido, algum distraidamente, talvez mesmo uma criana ou um idoso, casse no precipcio profundo. Serra do Gers Em outra ocasio, fui levado a um local encantador, Amares, onde passamos algumas horas respirando ar puro, coisa cada vez mais rara, conversando com pessoas da comunidade, alm das que tambm visitavam o lugar. Na volta, a caminho de Braga, deliciando-me com a paisagem da Serra do Gers, pude observar a seqncia de muros de pedra, o que comum na regio. Uns eram pomposos, outros mais singelos. At que surgiu aquele, gracioso, bem na curva, mas que, de to pequeno, quase no se dava a perceber. Estava l, contudo, firme, cumprindo a sua funo de no permitir que, num estreito espao no preenchido, algum distraidamente, talvez mesmo uma criana ou um idoso, casse no precipcio profundo. E quis, ento, prestar-lhe uma homenagem, como a uma pessoa humilde, desconhecida na sua modstia, que nem por isso deixa de, por Amor, cumprir o seu dever. E, ainda no autocarro, ousei, perdoem-me, sem ser poeta, os seguintes versinhos, para music-los depois. (Ao lado) Qual o recado do pequeno Muro? Este: em que menor que um rei aquele que no foge sua responsabilidade? Merece de todos ns o apoio e a distino por persistir, com honra,
  • 4. Nlida J Soares lana livro na Academia Jorge Alexandre Arquivo BV A escritora e acadmica Nlida Pion e Paiva Netto, num momento de descontrao. S enti muita alegria ao saber que a nossa querida Nlida Pion conquistou, neste ms de junho, o Prmio Prncipe de Astrias das Letras, que jamais fora conferido a uma escritora nascida em nosso pas (Leia entrevista da escritora na pgina 18). Ela foi a primeira mulher a dirigir a Academia Brasileira de Letras (ABL), no perodo das comemoraes do centenrio da Casa de Machado de Assis. Ocupa a cadeira de nmero 30, cujo patrono o jornalista e romancista, nascido em Bag/RS, Joo Carlos de Medeiros Pardal Mallet (1864-1894). uma tenaz batalhadora dos Direitos Humanos, destacadamente os das mulheres. Para Nlida, o nosso carinho e respeito. E um grande beijo no corao. (Paiva Netto) em viver a sua dignidade. A elite de um pas o seu Povo. ________________ *1 Foi Deus Este fado de Alberto Fialho Janes foi imortalizado pela diva Amlia Rodrigues (19201999). O escritor e apresentador J Soares e o Dr. Pedro de Paiva J Soares lanou no dia 9 de junho, na ABL, seu mais recente romance, Assassinatos na Academia Brasileira de Letras. A histria do livro se passa em 1924 e o cenrio o Rio de Janeiro antigo, em que alguns acadmicos fictcios aparecem mortos nos mais diversos e famosos pontos de visitao carioca, tais como: o Copacabana Palace, o Petit Trianon, a sede da ABL, o Estdio do Fluminense, a Estrada de Ferro do Corcovado, a Candelria e outros. O autor enfatiza que a obra uma maneira de se retornar aos bons tempos, em que as pessoas podiam andar despreocupadas pelas ruas da cidade. O advogado Pedro de Paiva prestigiou o lanamento e, na ocasio, representou seu pai, o dirigente da LBV, Jos de Paiva Netto, tendo a oportunidade de cumprimentar diversos acadmicos como o Senador Marco Maciel que relembrou a visita que fez ao Templo da Boa Vontade, em Braslia/DF , e tambm o acadmico Ivan Junqueira, Presidente da ABL. O Dr. Pedro foi recebido com muito carinho por J Soares, que mandou um beijo para o Lder da Legio da Boa Vontade, alm de encaminhar a obra autografada com a seguinte mensagem: Paiva Netto, um beijo do gordo. J Soares. 09/06/05. E Paiva Netto, ao receber o livro, declarou: Ao J, que, com sua verve, torna a nossa vida mais interessante, um beijo tambm. (Simone Barreto) Jos Aparecido de Oliveira Homem de vasta cultura e poltico de grande influncia, que serviu o Brasil como Ministro das Relaes Exteriores, foi o primeiro Ministro da Cultura e Embaixador em Portugal, entre outros cargos em sua extensa vida pblica. Ele tambm foi o propositor da criao da Comunidade dos Pases de Lngua Portuguesa (CPLP) e integra o Conselho da Ordem do Mrito da Fraternidade Ecumnica, do ParlaMundi da LBV. *2 Divulgao Cidade do Porto, Portugal. Revista Boa Vontade
  • 5. Cartas Status da Mulher da ONU Venho parabenizar a revista Boa Vontade pela reportagem Status da Mulher nas Naes Unidas (Editorial de Paiva Netto), contendo a mensagem encaminhada pela LBV 49a Sesso da Comisso do Sta