Trabalho individual - Sociologia do Território

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    26-Jun-2015

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<ul><li> 1. Docente:Milene LanaDiscente:ESE UALGRicardo Antnio FARO, JUNHO 2011Aluno n. 43043 1 ano 2 semestre</li></ul><p> 2. Rural VS UrbanoSociologia do TerritrioComplementaridade ou dicotomia? IntroduoO presente trabalho enquadra-se no contedo programtico da Unidade Curricular deSociologia do Territrio, do 1 ano 2. semestre do Curso de Educao Social (pslaboral), orientada e coordenada pela professora Milene Lana, e trata-se de umarecenso crtica obra do autor Joo Ferro, Gegrafo e Investigador do Instituto deCincias Sociais, sobre o artigo: RELAES ENTRE MUNDO RURAL E MUNDOURBANO: evoluo histrica, situao actual e pistas para o futuro, publicado na revistaSociologia, Problemas e Prticas, n. 33, 2000, CIES-ISCTE, (pp. 45-54).Este artigo, objecto de recenso, divide-se em quatro pontos, incluindo o resumointrodutrio, que sintetiza o sentido das diversas vises sobre as relaes entre o rural eo urbano, situaes dominantes nos dias de hoje e propostas de linhas estratgicas deinterveno. O primeiro ponto aborda as relaes rural-urbano, numa perspectivahistrica, salientando as principais alteraes ao longo dos tempos. No segundo ponto, oautor apresenta uma viso da actual relao entre urbanidade e ruralidade, interpretando-a luz da evoluo histrica e as situaes mais marcantes e que hoje prevalecem. Numterceiro ponto, destacam-se algumas orientaes estratgicas que apontam para umafutura relao de complementaridade entre o mundo rural e o mundo urbano.A actualidade do tema, a sua importncia e a sua simplicidade, influenciaram a escolhadeste artigo.Quanto ao presente trabalho, este divide-se em quatro partes (captulos): a introdutria,que sintetiza o objecto de recenso; o desenvolvimento, que incide sobre a evoluohistrica das relaes sociais existentes entre o mundo rural e urbano; as suas prticas etoda a complementaridade e/ou dicotomia resultante dessas mesmas relaes; e acrtica/concluso fase ao assunto e qual a contribuio do mesmo artigo para oconhecimento, quer cientfico quer literrio/sociolgico.Prope-se assim evidenciar e analisar os pontos mais relevantes, procurando, de formasimples mas objectiva, contribuir positivamente para uma melhor elucidao quanto sdiferenas e s semelhanas sociais, culturais e econmicas entre ruralidade eurbanidade, permitindo-nos ainda reflectir sobre a valorizao territorial e patrimonial, asua reestruturao e estratgias, baseadas no simbolismo, representaes e prticassociais, no sentido de contribuir para uma boa poltica de desenvolvimento do mundorural. 3. Rural VS UrbanoSociologia do TerritrioComplementaridade ou dicotomia? 1 - Perspectiva histricaLonge vo os tempos em que o mundo rural arcaico prevalecia pela sua centralidadeeconmica, social e simblica. Esta centralidade, segundo Ferro (2000), veio a perderflego com a chegada da Revoluo Industrial no sculo XVIII, onde as aglomeraesurbano-industriais passam a ter, por excelncia, um papel de progresso e onde aproduo agrcola e o papel de refgio das reas rurais passam a desempenhar, ou a tercomo funo principal, o fornecimento de mo de obra desqualificada e barata para asactividades econmicas com vista a empolgar o crescimento nas cidades.O autor refere ainda que, aps a 2 Guerra Mundial e com a industrializao daagricultura, surgiu uma nova dicotomia entre o meio rural: o rural moderno e o ruraltradicional, levando a que a oposio entre rural e urbano comeasse a ser vista nocomo a mais decisiva dada a perda da exclusividade do modernismo nas reasurbanas.A mudana operada nas relaes cidade/campo, traduzida emalargamento e diversificao, era acompanhada pela emergncia doespao social urbano/industrial, o qual, na sua lgica de afirmao e deinovao, se guindava a posio dominante e subordinava a si o espaosocial rural (Barros, 1990:46.).Barros (1990), refere que a revoluo industrial veio trazer profundas mudanas nomundo rural. A transferncia das actividades para a cidade veio tornar a produoagrcola do meio rural totalmente dependente da indstria da cidade e cada vez maisorientada para a cidade e pela cidade. No s o factor econmico foi afectado. A nvelsocial, quebra-se a integrao no espao rural, levando ao xodo, e deste modo aorompimento do espao social rural.Peixoto (s.d.), refere que, em alguns meios rurais, a substituio da agricultura tradicionalpela agricultura produtivista e industrial veio no s a quebrar o factor de subsistncia emque a dependiam as sociedades rurais como a quebrar os laos afectivos existentes quea comunidade camponesa tinha com a terra e a perda de um bem comum e umpatrimnio a transferir de gerao para gerao. Estas quebras foram em grande medidaderivadas da proximidade dos meios urbanos, levando a prticas comerciais e industriaise tambm, num contexto imobilirio, a uma fonte de rendimento, onde sobressaia o factoreconmico, perdendo-se assim as dimenses sociais e culturais. 3 4. Rural VS UrbanoSociologia do Territrio Complementaridade ou dicotomia?1.1 Ruralidade como ponto marcante da urbanidadeCom Wirth (1928, cit. in Bgus, 2009) surge a ideia que o urbano e o rural no soopostos, mas que na realidade esto em contacto permanente. Ele afirma que o processode urbanismo transpe as fronteiras das cidades, uma vez que os camponeses quemigram para o interior da malha urbana trazem as suas influncias rurais, as quais sefundem com os valores e comportamentos ali existentes. Afirma igualmente que a cidadeproduz caractersticas distintas no modo como os seus ocupantes se organizam emagrupamentos.Na cidade, emerge a individualidade, com o respectivo enfraquecimento de vnculos aosgrupos sociais. Contudo, os indivduos, que assumem uma multiplicidade de papissociais, sentem as dificuldades existentes no relacionamento com o seu semelhante,levando a que certos grupos sociais se liguem ao associativismo para colmatar interessesespecficos, que individualmente no conseguiam alcanar. Bgus (2009), apoiando-sena obra de Durkheim (1960), refere que a noo de segregao a localizaoespecfica de determinado grupo social em relao a outros, de onde surge a ideia dedistncia espacial como expresso da distncia social. O estudo da segregao inicia-secom a Escola de Chicago, nas primeiras dcadas do Sculo XX, tendo dois dos seusautores, Park e Burgess, adoptado como ideia de partida as reas naturais, em tornodas quais se constituam comunidades homogneas, com sistemas de valores prprios erelaes simblicas especficas. Este modelo ecolgico seria a principal caractersticadas cidades, que se organizariam em crculos concntricos, comeando com as unidadesadministrativas e comerciais no centro e acabando nas zonas residenciais na periferia.Este factor leva a que os indivduos se agrupem por afinidades, quer sejam elas raciais,tnicas ou por status, de forma a se protegerem dos efeitos fragmentadores que oindividualismo do mundo urbano provoca (Durkheim, 1960).Tambm Guerra (2001) reconhece a cidade como sendo dual cada vez mais, fazendoemergir problemas urbanos especficos e inmeras desigualdades sociais que coexistemnesse meio. A crescente mobilidade do capital gera novas variveis de competitividadeeconmica que tem a ver com a qualidade de vida local e do espao urbano.Guerra (2001:49) indica que 70% a 80% da populao mundial est arrumada emcontextos dominados pela urbanidade. Em Portugal, quase metade da populao habitanas das grandes regies metropolitanas de Lisboa e Porto. Verifica-se pois, que ascidades ocupam um lugar e um papel central na organizao e transformao dos pases 4 5. Rural VS UrbanoSociologia do TerritrioComplementaridade ou dicotomia?europeus. O futuro dos pases, das suas economias e das legitimidades governativas,dependem do que se passa nas cidades, visto que estas concentram, os fluxos demercado, os capitais de informao, as instncias de deciso e de regulao, e a semanifestam os mecanismos de democracia poltica e de justia social. 1.2 A globalizao no processo de transformaoCom isto, a globalizao, no sentido da mobilidade social, tem provocado mudanas nasgrandes cidades o que leva a um aumento das desigualdades sociais, devido a umadiversidade dos fenmenos econmicos e sociais, como por exemplo a transformaodas estruturas pblicas com impactos nas formas de interveno; o desenvolvimento dosfenmenos migratrios que alteram as identidades nacionais e as mudanas nasestruturas sociais; e nas formas de organizao familiar e fenmenos de individualizaoe deenfraquecimento dos laos familiares.Estas transformaes envolvemoportunidades e riscos, benefcios e incertezas que atingem diferentemente os vriosgrupos sociais inseridos nas cidades. A sua localizao espacial no indiferente, pois oprprio espao pode contribuir para aprofundar as dimenses de excluso social (Guerra,2001).Este fenmeno da globalizao, apesar de suscitar alguns desequilbrios sociais eeconmicos entre o local e o global, pode, de uma forma articulada, contribuirpositivamente para a (re)conservao de equilbrios sociais, principalmente em pocasde crise. A produo de bens primrios para consumo do mercado interno servem deamortecedor s disfuncionalidades geradas pelas crises que afectam a economia, ondea produo de bens em regime familiar e a baixos custos de produo assumemrelevncias significativas quanto manuteno da economia rural (Martins, 2000). 2 Perspectiva SocialEnquanto nos interessarmos pelo rural porque nos interessamos pelas pessoas, pelos territrios, pelas sociabilidades, pela proximidade relacional, pelas capacidades que originam ancoragens qualificantes dos processos de desenvolvimento. (Reis, 2001:11).Esta perspectiva de Reis (2001) vai de encontro reflexo de Ferro (2000) quanto redescoberta do mundo rural, apostando nas competncias e valorizaes das pessoas emotivando-as a encarar o territrio como patrimnio. O reaproveitamento e valorizao do5 6. Rural VS UrbanoSociologia do Territrio Complementaridade ou dicotomia?territrio, centrado na renaturalizao conservao e proteco da natureza; a procurade autenticidade com vista a criar identidade prpria e privilegiar a conservao eproteco do patrimnio histrico, com capacidade de suportar as tendncias actuais daglobalizao; e a comercializao das paisagens valorizando as actividades de turismoe lazer (turismo rural, por exemplo), num sentido de resposta expanso de novasprticas de consumo, so medidas que, no s promovem o territrio em si, tornando-omultifuncional e com valor patrimonial, como fomentam a pluriactividade das famliascamponesas, levando a que estas contribuam na manuteno e expanso do mundorural, quer em termos econmicos quer tambm em termos sociais e ambientais (Ferro,2000).Mas, a sobrevivncia do mundo rural no passa apenas por esta funo no agrcola. Aagricultura, ainda uma actividade a preservar! Quer por motivos econmicos, uma vezque este sector primrio imprescindvel para a manuteno de uma srie de indstriase servios, quer por motivos sociais porque torna vantajosa a qualidade de vida de queml reside, criando postos de trabalho, permitindo assim a fixao das populaes, tendoem conta a no absorvncia de todos os grupos sociais nos sectores secundrio etercirio (Martinho, 2000).Segundo Carneiro (1998), Abrir novas alternativas de trabalho no campo um projectoque surge em funo da perspectiva de estreitamento dos laos com a cidade, favorecidopelas facilidades dos meios de comunicao. nesse contexto que os ideais dajuventude rural apontam para uma sntese, que definimos como projecto de vidarurbano. 3 ConclusoOs argumentos de refuncionalizao por os espaos rurais serem consideradosinferiores em relao aos urbanos vo sendo acompanhados pela diminuio daspossibilidades de um mundo rural com caractersticas centradamente agrcolas, aquelasque lhe garantiram sustentabilidade ao longo de centenas de anos e que ainda hoje sodeterminantes nos modos de vida daqueles que sempre a habitaram. O conjunto deelementos de um modelo de desenvolvimento, ou de no desenvolvimento, temconduzido ao abandono continuado dos espaos rurais e desvalorizao social eeconmica da agricultura. O espao rural assim denominando de baixa densidade,onde crescem as distncias fsicas e aumentam as desigualdades no acesso a bens e 6 7. Rural VS UrbanoSociologia do Territrio Complementaridade ou dicotomia?servios. Verifica-se, em parte, algum cepticismo quanto s novas tendncias dereaproveitamento do territrio, quer por motivos econmicos, dada a dbil conjunturafinanceira actual, quer por motivos sociais, pela dificuldade em cativar e fixar pessoas nosmeios rurais. Contudo, h o factor cultural. A cultura agrcola herdada dos nossosantepassados um factor determinante nesta ponte entre o mundo rural e o urbano. Ovoltar s origens como objectivo definido de reaproveitamento territorial no pode servisto como aspecto negativo, inglrio ou at de desnimo por no se ter conseguido osobjectivos pretendidos enquanto cidado urbano, mas sim como um aspecto dinmico ede desenvolvimento, mostrando as capacidades produtivas e dando a conhecer aomundo urbano que o rural faz parte integrante da identidade de uma comunidade (regio,pas). Neste sentido, existindo deste modo condies fsicas (quanto ao espao) e sociais(quanto mo de obra; as pessoas) de manter a aproximao entre o mundo rural eurbano, haver necessidade de uma maior sensibilidade poltico-governamental quanto criao de metodologias de valorizao patrimonial, com vista dinamizao destadimenso no agrcola do mundo rural. Tais medidas, partindo da formao de novosagentes de desenvolvimento rural, no sentido de se desenvolverem projectos decooperao alm-fronteiras a fim de se trocarem experincias e desencadear processosde desenvolvimento nos mundos rurais e deste modo procurar-se acabar com a (ainda)separao entre o rural e o urbano e entre o campo e a cidade, tendem a criar condiesde acesso a infra-estruturas e contribuir para uma melhoria da baixa densidade fsica esocial do mundo rural. O acesso a equipamentos e servios, ir permitir odesenvolvimento de uma maior proximidade entre a cidade e o campo, conciliando earticulando territorial e funcionalmente estes dois extremos.A forma como os territrios rurais alcanaram a sua resposta ao progresso foi atravs doestreitamento das relaes com os espaos urbanos e, consequentemente, do aumentoda sua dependncia face a esses espaos. Actualmente, o urbano visto como o espaode referncia e como modelo de desenvolvimento para o mundo rural e esta referncia emodelo colidem, forosamente, com o campo das oportunidades, dos recursos e dosmeios a existentes. O fenmeno da urbanizao estende-se sobre a maior parte dascidades dos pases industrializados e podemos afirmar que este territrio est envolvidopor um tecido urbano, cada vez mais limitado, no entanto apresentando diferenciaeslocais. Ao mesmo tempo, esse tecido, vai sendo um grupo de concentraes urbanas eaglomerados populacionais e esses grupos ou ncleos urbanos, deterioram-se, e as7 8. Rural VS UrbanoSociologia do Territrio Complementaridade ou dicotomia?pessoas tm de se sujeitar a deslocarem-se para as periferias, formando guetos para osmais desfavorecidos.O espao urbano inevitavelmente de uma importncia global, tanto em t...</p>