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Manual alvenaria estrutural

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  • ALVENARIA ALVENARIA

    1 - Apresentao

    A alvenaria estrutural um processo construtivo em

    que as paredes de alvenaria e as lajes enrijecedoras

    funcionam estruturalmente em substituio aos pilares e

    vigas utilizados nos processos construtivos tradicionais,

    sendo dimensionado segundo mtodos de clculos

    racionais e de confiabilidade determinvel.

    Neste processo construtivo, as paredes constituem-

    se ao mesmo tempo nos subsistemas estrutura e vedao,

    fato que proporciona uma maior simplicidade construtiva e

    conseqentemente um maior nvel de racionalizao.

    A alvenaria estrutural tem ganhado espao no

    cenrio mundial da construo devido vantagens como

    flexibilidade construtiva, economia e velocidade de

    construo. Mas sua maior notoriedade deve-se ao seu

    potencial de racionalizao e produtividade, que possibilita

    a produo de construes com bom desempenho

    tecnolgico aliado a altos ndices de qualidade e economia.

    Muitos trabalhos de pesquisa foram desenvolvidos

    em alvenaria estrutural nos ltimos 50 anos, melhorando a

    qualidade dos materiais e dos mtodos de clculo deste

    processo construtivo, conferindo-lhe progressos que o

    colocam como uma opo tecnolgica moderna,

    econmica e de boa qualidade.

    No Brasil, a tcnica de clculo e execuo com

    a lvenar ia es t ru tu ra l vm se desenvo lvendo

    progressivamente em decorrncia da abertura de novas

    fbricas de materiais e do surgimento de grupos de

    pesquisa sobre o tema.

    MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURAL COM BLOCOS CERMICOS

    MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURALCOM BLOCOS CERMICOS2

    Foto 1

    Foto 2

    Foto 3

    Foto 3: Edifcio em alvenaria estrutural de blocos cermicos em Amsterd / Holanda.

    Fotos 1 e 2: Canteiro de obras de uma construo em alvenaria estrutural com blocos cermicos.

    Ilustrao 1

  • MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURALCOM BLOCOS CERMICOS 3

    MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURAL COM BLOCOS CERMICOS

    2 - Breve Histrico

    A alvenaria, em suas diversas formas, difundiu-se

    pelo mundo todo desde os tempos ancestrais at os dias

    de hoje, sendo a principal tcnica construtiva empregada

    at o incio do sculo XX.

    A histria da humanidade repleta de exemplos

    deste tipo de construo, tais como as Catedrais do sculo

    XII ao XVII, o Coliseu, a Muralha da China, e muitos outros.

    Todas as estruturas de alvenaria edificadas at o

    incio do sculo XX foram dimensionadas empiricamente,

    sendo a concepo estrutural totalmente intuitiva e

    baseada na transferncia do conhecimento pelas

    sucessivas geraes. Neste contexto, muitas estruturas

    foram super-dimensionadas, tal qual o edifcio Monadnock

    em Chicago de 1891. Porm, a partir da metade do sculo

    XX, as pesquisas cientficas comearam a trazer os

    primeiros parmetros que iriam substituir o empirismo por

    mtodos de clculos racionais. Surgiam os primeiros

    edifcios em alvenaria estrutural armada.

    O marco inicial da Moderna Alvenaria Estrutural

    aconteceu em 1951, quando foi edificado na Sua um

    edifcio de 13 andares com paredes de 37cm de espessura

    em alvenaria estrutural no-armada, evidenciando as

    vantagens deste processo construtivo.

    A partir da intensificaram-se as pesquisas, e os

    avanos tecnolgicos, tanto dos materiais quanto das

    tcnicas de execuo foram sucessivos, disseminando-se

    por todo o mundo atravs de diversos congressos e

    conferncias internacionais.

    No Brasil, a alvenaria estrutural foi introduzida na

    dcada de 60 com a construo de alguns edifcios em So

    Paulo. Sua disseminao se deu com a construo dos

    conjuntos habitacionais na dcada de 80 e surgimento das

    fbricas de blocos slico-calcrios e cermicos.

    Nas duas ltimas dcadas, com o surgimento de

    novos centros de pesquisa, a alvenaria estrutural vem se

    normalizando e ampliando sua abrangncia nos setores

    habitacional, comercial e industrial. Atualmente ela tida

    como um processo construtivo eficiente e racional.

    Foto 4

    Ilustrao 2

    Foto 5

    Foto 5: Central Parque da Lapa (So Paulo) - importante marco da alvenaria estrutural no Brasil.

    Foto 4: Coliseu (Roma / Itlia)Ilustrao 2: Monadnock building (Chicago / USA)

  • 3 - Vantagens da alvenaria estrutural

    A alvenaria estrutural, aps passar por adequada etapa de implantao, apresenta vrias vantagens

    em relao aos processos construtivos tradicionais, sendo as principais:

    - Simplificao dos procedimentos de execuo, reduo do nmero de etapas e reduo da

    diversidade de materiais e mo-de-obra, que implicam diretamente na facilidade de controle do processo e

    facilidade de treinamento da mo-de-obra;

    - Eliminao de interferncias atravs da compatibilizao de todos os projetos e facilidade de

    integrao com outros subsistemas;

    MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURAL COM BLOCOS CERMICOS

    MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURALCOM BLOCOS CERMICOS4

    Ilustrao 3 Ilustrao 4 Ilustrao 5

    -

    - O processo produtivo proporciona boa flexibilidade na fase de planejamento, implicando em

    grande facilidade de organizao;

    - A fase de execuo tambm proporciona boa flexibilidade, atravs da possibilidade de diferentes

    nveis de mecanizao;

    Tais vantagens s sero alcanadas atravs da elaborao e coordenao de projetos bem

    estudados, da utilizao de materiais e mo-de-obra qualificados e da correta organizao e planejamento

    da obra.

    A alvenaria estrutural no permite as improvisaes que so comumente praticadas nas

    construes convencionais (compensaes de prumo, alinhamento, esquadro e planicidade, efetuadas na

    fase de acabamento), que acabam por encarecer o custo da obra;

    - Todas as vantagens acima citadas racionalizam o processo em alvenaria estrutural, tornando-o

    mais econmico e mais rpido que os sistemas convencionais em concreto armado.

    O partido arquitetnico dever sempre estar subordinado concepo estrutural, de maneira a

    pensar sempre em arquitetura e estrutura como um todo. Isto permitir um melhor aproveitamento da

    capacidade resistente da alvenaria.

    Ilustraes 3 e 4: Escantilho e rgua prumo-nvel (simplificao de tarefas executivas e facilidade de controle do processo). Ilustrao 5: Batente-verga pr-moldado (facilidade de integrao entre subsistemas).

  • MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURALCOM BLOCOS CERMICOS 5

    MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURAL COM BLOCOS CERMICOS

    4 - Racionaliza alvenaria estrutural o da

    A racionalizao construtiva um processo composto pelo conjunto de todas as aes que tenham

    por objetivo aperfeioar o uso de recursos materiais, humanos, organizacionais, energticos, tecnolgicos,

    temporais e financeiros disponveis na construo em todas as suas fases.

    Para atingir o efeito desejado, as medidas de racionalizao devem ser adotadas inicialmente na

    etapa de projetos. O projeto funcionando como idealizador do empreendimento, apresenta as condies

    ideais para a implementao da estratgia construtiva, pois tem o potencial de agregar todos os

    condicionantes do processo produtivo.

    Foto 6

    Ilustrao 6 Ilustrao 7 Ilustrao 8

    Para que as vantagens da alvenaria estrutural possam ser maximizadas, importante que haja uma

    coordenao geral dos projetos (fundao, estrutura, arquitetura, instalaes e paisagismo). na fase de

    concepo destes projetos que devero ser indicadas as medidas de racionalizao e de controle de

    qualidade, que permitiro a execuo planejada e eficiente da obra.

    A qualificao da mo-de-obra atravs de treinamentos, o controle dos materiais e a organizao da

    produo so tambm importantes medidas racionalizadoras do processo.

    A organizao do processo produtivo racionalizado implica, entre outras coisas, na eliminao de

    interferncias, na simplificao das seqncias executivas, no atendimento ao planejamento e na

    utilizao de equipamentos e componentes que venham a simplificar o trabalho.

    Algumas medidas racionalizadoras tm sido freqentemente utilizadas nas construes em

    alvenaria estrutural, podendo-se citar a modulao do projeto, a utilizao de solues de embutimento de

    instalaes eltricas e hidrulicas que dispensam o quebra-quebra, e a utilizao de componentes pr-

    fabricados para resoluo dos demais subsistemas que interagem com a alvenaria.

    O projeto racionalizado deve estabelecer uma viso global do empreendimento, onde todas as

    solues construtivas dos diversos subsistemas estejam integradas, permitindo a compatibilizao entre

    as diversas interfaces que compem o projeto.

    A boa construtibilidade aliada ao bom planejamento permitiro o alcance de bons ndices de custo e

    qualidade.

    Ilustrao 6: Bisnaga para aplicao de argamassa (simplificao do processo) / Ilustrao 7: Projeto modularIlustrao 8: Blocos especiais para instalaes eltricas (dispensam o quebra-quebra).

  • 5 - Princpios bsicos da alvenaria estrutural

    Na alvenaria estrutural as paredes funcionam como os elementos estruturais da edificao. A

    estabilidade do conjunto depender do correto arranjo espacial das paredes, que devero resistir s cargas

    verticais (peso prprio e cargas de ocupao) e s cargas laterais (ao do vento, empuxo da terra, etc.),

    sendo que as laterais devero ser absorvidas pelas lajes e transmitidas s paredes estruturais paralelas

    direo do esforo lateral.

    Uma parede de alvenaria pode suportar pesadas cargas verticais e horizontais paralela ao seu

    plano, mas comparativamente fraca s cargas horizontais que atuam pependicularmente ao seu plano. O

    grande desafio do projetista , portanto, minimizar as tenses de trao que possam vir a aparecer. Com

    este propsito, podem ser adotados os seguintes procedimentos:

    - Troca da forma das paredes;

    - Arranjo apropriado (distribuio uniforme) das paredes, buscando uma distribuio homognea

    das cargas verticais;

    - O arranjo deve ser pensado de maneira que as paredes sejam dispostas sempre em duas direes,

    para que se estabilizem e se enrijeam mutuamente, anulando os esforos horizontais;

    - Utilizao das lajes para aplicao das cargas verticais nas paredes, amarrao da estrutura e

    distribuio das cargas horizontais (a laje deve funcionar como um diafragma rgido);

    - Utilizao de escadas, poos de elevadores e de conduo de dutos para obteno de rigidez

    lateral;

    - Utilizao de plantas simtricas, com peas de dimenses no muito grandes;

    - Repetio do mesmo arranjo arquitetnico em todos pavimentos, sobrepondo elementos sujeitos

    compresso.

    MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURAL COM BLOCOS CERMICOS

    MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURALCOM BLOCOS CERMICOS6

    Ilustrao 9Ilustrao 10

    Arranjo celular Arranjo cruzado simples Arranjo cruzado duplo Arranjo complexo

    Ilustrao 9: Geometrias de paredes com maior resistncia (paredes mais grossas, paredes duplas, paredes aletadas e paredes enrijecidas).Ilustrao 10: Arranjos apropriados (Arranjo celular: carregamento nas paredes externas e internas e resistncia s cargas laterais obtida nos dois eixos / Arranjo cruzado simples: as paredes carregadas formam ngulos retos com o eixo longitudinal da construo. As lajes so apoiadas nas paredes transversais e a estabilidade longitudinal obtida atravs das paredes do corredor / Arranjo cruzado duplo: contm paredes resistentes paralelas aos dois eixos da construo / Arranjo complexo: estabilidade lateral do conjunto obtida atravs da centralizao das paredes estruturais.

  • MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURALCOM BLOCOS CERMICOS 7

    MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURAL COM BLOCOS CERMICOS

    6- Materiais constituintes da alvenaria estrutural com blocos cermicos

    BLOCOS CERMICOS:

    O bloco cermico, segundo a NBR 7171/83 definido como sendo um componente de alvenaria que

    possui furos prismticos e/ou cilndricos perpendiculares s faces que os contm. Define tambm que

    blocos portantes so unidades vazadas com furos na vertical, perpendiculares face de assentamento, e

    so classificados de acordo com sua resistncia compresso.

    A qualidade das unidades cermicas est intimamente relacionada qualidade das argilas

    empregadas na fabricao e tambm ao processo de produo. Podem-se obter unidades de baixssima

    resistncia (0,1MPa) at de alta resistncia (70MPa). Devido a isto, torna-se imprescindvel a realizao de

    ensaios de caracterizao das unidades.

    As caractersticas dos blocos cermicos determinam importantes aspectos da produo:

    - Peso e dimenses - influenciam a produtividade;

    - Formato - influencia a tcnica de execuo;

    - Preciso dimensional - influencia os revestimentos e demais componentes.

    Os blocos determinam tambm importantes caractersticas do projeto, sendo estas a modulao, a

    coordenao dimensional e a passagem de tubulaes.

    As principais caractersticas funcionais dos componentes cermicos a serem respeitadas so

    resistncia mecnica, absoro total e inicial, dimenses reais e nominais, rea lquida, peso unitrio,

    estabilidade dimensional, isolamento termo-acstico e durabilidade.

    Os blocos cermicos so 40% mais leve do que blocos de concreto, facilitando o manuseio e o

    transporte. Alm disso, apresentam maior flexibilidade para a criao de peas especiais.

    Foto 6

    Ilustrao 11

    Ilustrao 12

    Ilustrao 11: Exemplo de pesos e dimenses de uma famlia de blocos cermicos (bloco inteiro, meio bloco, bloco e meio, bloco J e bloco canaleta).Ilustrao 12: Flexibilidade para a criao de peas especiais.

  • ALVENARIA ALVENARIA

    6 - Materiais constituintes da alvenaria estrutural com blocos cermicos

    MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURAL COM BLOCOS CERMICOS

    MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURALCOM BLOCOS CERMICOS8

    Foto 6

    F o t o 6 : A r g a m a s s a p a r a assentamento dos blocos.Foto 7: Grauteamento em zona de concentrao de tenses.Ilustrao 13: Grauteamento.

    GRAUTE:

    O Graute usado para preencher os

    vazios dos blocos quando se deseja aumentar a

    resistncia compresso da alvenaria sem

    aumentar a resistncia do bloco. Pode ser usado

    como material de enchimento em reforos

    estruturais nas zonas de concentrao de

    tenses e quando se necessita armar as

    estruturas.

    O graute composto dos mesmos

    materiais usados para produzir concreto

    convencional. As diferenas esto no tamanho

    do agregado grado e na relao gua/cimento.

    A consistncia do graute deve ser coesa e

    apresentar f lu idez adequada para o

    preenchimento de todos os vazios. A retrao

    no deve proporcionar a separao entre o

    graute e as paredes internas dos blocos. A

    resistncia compresso do graute, combinada

    com as propriedades mecnicas de blocos e

    argamassas definiro a resistncia

    compresso da alvenaria.

    ARGAMASSAS:

    As argamassas na Alvenaria Estrutural tm a funo unir

    solidamente os blocos, distribuindo tenses uniformemente entre

    estes, alm de acomodar as pequenas deformaes destes

    componentes.

    As propriedades desejveis das argamassas so

    trabalhabilidade, capacidade de reteno de gua, capacidade de

    sustentao dos blocos, resistncia inicial adequada e capacidade

    potencial de aderncia.

    As propriedades desejveis das juntas de argamassa so

    resistncia mecnica adequada, capacidade de absoro de

    deformaes e durabilidade.

    Foto 7

    Ilustrao 13

  • MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURALCOM BLOCOS CERMICOS 9

    MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURAL COM BLOCOS CERMICOS

    6- Materiais constituintes da alvenaria estrutural com blocos cermicos

    PR-MOLDADOS:

    Algumas peas pr-moldadas podem auxiliar na execuo

    das obras em alvenaria estrutural. Dentre as mais utilizadas esto

    os marcos em argamassa armada e as escadas pr-moldadas.

    Os marcos em argamassa armada possibilitam que a

    parede seja executada mais rapidamente, dispensando a

    utilizao de madeira para apoio das vergas com canaletas. Alm

    disto, os marcos propiciam o acabamento final dos vos das

    aberturas. O revestimento interno e externo encosta nos marcos

    sem a necessidade de se realizar requadros.

    As escadas pr-moldadas esto disponveis em dois

    modelos principais, as escadas jacar e as escadas macias.

    Ambas so de fcil utilizao e agilizam consideravelmente sua

    execuo em obra. As escadas jacar possuem um nmero

    maior de peas a serem montadas, porm dispensam utilizao

    de guincho e so mais leves.

    Alm destas outras podem surgir da unio de

    subsistemas, tais qual a janela-verga, que uni o quadro pr-

    moldado da janela com a verga.

    Foto 8

    Foto 9

    Foto 10

    Foto 11

    Fotos 8 e 9: Marco de argamassa armada.Fotos 10 e 11: Escada jacar e escada macia.Ilustrao 15: Janela-verga.

    Ilustrao 14

  • 7 - Projeto e Modulao

    MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURAL COM BLOCOS CERMICOS

    MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURALCOM BLOCOS CERMICOS10

    Ilustrao 15: Dimenso modular.I l u s t r a o 1 6 : P r o j e t o modulado em um retculo espacial de referncia.

    Importantes diretrizes devem ser estabelecidas j no anteprojeto

    a fim de se potencializar as vantagens da alvenaria estrutural. Alm das

    definies de paredes estruturais e paredes de vedao, devem ser

    definidos os tipos de blocos a serem utilizados, sendo esta escolha

    muito importante para a definio da coordenao modular do projeto.

    A coordenao modular a tcnica que permite relacionar as

    medidas de projeto com as medidas dos componentes atravs de um

    reticulado espacial de referncia, sendo essencial para a obteno da

    racionalizao.

    A dimenso modular na alvenaria estrutural a soma da

    dimenso real do bloco e da dimenso da junta de argamassa. A

    multiplicao do mdulo por um fator numrico inteiro determina as

    medidas de projeto a serem utilizadas.

    Ilustrao 15

    Ilustrao 16

  • MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURALCOM BLOCOS CERMICOS 11

    MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURAL COM BLOCOS CERMICOS

    O anteprojeto modulado com todas as

    informaes relevantes o ponto de partida para a

    confeco dos projetos complementares

    (hidrulico, eltrico, etc.). Todos os projetos devem

    ser coordenados por um nico responsvel pelo

    projeto global, a fim de se evitar possveis

    interferncias.

    Dispondo-se de todos os projetos

    complementares, deve-se preparar o projeto

    executivo com todos os detalhamentos necessrios.

    Para permitir o planejamento e a descrio da

    execuo da alvenaria, deve-se realizar a

    paginao das paredes, descrevendo-as

    graficamente uma a uma com as representaes de

    blocos utilizados, aberturas, instalaes e solues

    construtivas.

    No processo de modulao da alvenaria

    estrutural trabalha-se com as famlias modulares de

    blocos. As principais famlias utilizadas so a famlia

    39 (mdulo de 20 cm) e a famlia 29 cm (mdulo de

    15 cm).

    Na famlia de 39 o mdulo bsico

    considerado para a elaborao de projetos de 20

    cm, ou seja, o comprimento das paredes, aberturas

    e vos devero ser mltiplos desta medida.

    O elemento utilizado em maior escala nesta

    modulao o bloco de 39x19x14, que apresenta

    uma largura no modular, ocasionando a

    necessidade de haver um elemento a mais para

    solucionar problemas modulares no encontro de

    paredes. o caso do bloco de 34x19x14 cm.

    Existem modulaes que utilizam blocos com

    largura de 19 cm e comprimento de 39 cm (bloco de

    39x19x19), racionalizando a modulao no

    encontro de paredes. Entretanto, estes elementos

    possuem custo elevado, sendo utilizados somente

    para atender necessidades estruturais.

    Ilustrao 17

    Ilustrao 18

    Ilustrao 17: Paginao de uma parede.Ilustrao 18: Famlia 39 (mdulo de 20 cm).

    7 - Projeto e Modulao

  • 8 - A interao entre os subsistemas na a alvenaria estrutural

    MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURAL COM BLOCOS CERMICOS

    MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURALCOM BLOCOS CERMICOS12

    Foto 12: Fundao do tipo radier.Foto 13: Arrimo em alvenaria armada.Foto 14 e Ilustrao 19: Shaft.

    FUNDAES E ARRIMOS:

    As fundaes destinadas s construes em alvenaria estrutural devem estar preparadas para

    acomodar cargas distribudas linearmente. Neste contexto enquadram-se as sapatas corridas, radiers e

    estacas alinhadas ao longo da parede. A viga baldrame apoiada sobre sapatas isoladas dever ser evitada,

    uma vez que esta mais recomendada para a acomodao de cargas pontuais.

    Os muros de arrimo usualmente empregados na alvenaria estrutural so os confeccionados em

    alvenaria armada e em alvenaria protendida.

    Foto 12 Foto 13

    INSTALAES HIDRULICAS:

    Na execuo das instalaes do edifcio deve-se evitar o rasgo

    de paredes estruturais para o embutimento das instalaes. Alm da

    insegurana sob o ponto de vista estrutural, rasgos de paredes

    significam retrabalho, desperdcio e maior consumo de material e

    mo-de-obra. Para evitar este problema podem-se utilizar as

    seguintes alternativas:

    - Utilizao de paredes no estruturais para o embutimento das

    tubulaes nos septos dos blocos;

    - Aberturas de passagens tipo shafts para a passagem das

    tubulaes;

    - Utilizao de blocos especiais (blocos hidrulicos);

    - Emprego de tubulaes aparentes, podendo-se escondelas

    opcionalmente com a utilizao de carenagens;

    - Utilizao de forros falsos.

    Foto 14

    Ilustrao 19

  • A melhor alternativa sob o ponto de vista estrutural e construtivo o uso de shafts. O interessante

    que o mesmo seja visitvel, facilitando a execuo de eventuais manutenes.

    A preciso dimensional com que as obras em alvenaria estrutural so executadas possibilita a

    utilizao de Kits hidrulicos. Este recurso aumenta a produtividade da equipe de instalao, permite que as

    tubulaes sejam testadas antes do fechamento da parede e que os custos inerentes a essa etapa da obra

    sejam postergados. Em paredes estruturais, os cortes horizontais devem ser evitados. Todo o trecho

    horizontal da instalao dever ser projetado para passar entre a laje do teto e o forro.

    Quando o projeto arquitetnico permitir que se utilize uma parede comum nas reas com instalaes

    hidrulicas, pode-se executar um shaft visitvel para os dois lados.

    MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURALCOM BLOCOS CERMICOS 13

    MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURAL COM BLOCOS CERMICOS

    Ilustrao 20

    Foto 15

    8 - A interao entre os subsistemas na a alvenaria estrutural

    Ilustrao 20: Bloco hidrulico.Ilustrao 21: Bloco eltrico.Foto 15: Carenagem.Foto 16: Eletrodutos embutidos.

    INSTALAES ELTRICAS:

    A colocao de eletrodutos para as instalaes eltricas ocorre

    simultaneamente elevao das paredes. Estes condutores devero

    passar verticalmente dentro dos furos dos blocos. Na horizontal

    devem ser embutidos nas lajes ou passar pelos forros.

    A posio e dimenso dos quadros de distribuio de energia,

    caixas de interruptores e tomadas nos diversos pavimentos devero

    ser previamente definidas e especificadas no projeto executivo.

    As caixas para quadros de distribuio e caixa de passagem

    devem ser projetadas em dimenses que evitem cortes nas alvenarias

    para sua perfeita acomodao. Sempre que necessrio, so

    realizados reforos para que as aberturas no prejudiquem a

    estabilidade estrutural da parede.

    As caixas de tomadas podem ser previamente chumbadas nos

    blocos. Outra alternativa a utilizao de blocos especiais (blocos

    eltricos), que possuem previses para a instalao destas caixas.

    Ilustrao 21 Foto 16

  • ALVENARIA ALVENARIA

    8 - A interao entre os subsistemas na a alvenaria estrutural

    MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURAL COM BLOCOS CERMICOS

    MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURALCOM BLOCOS CERMICOS14

    Ilustrao 22: Verga e contra-verga moldadas in loco com blocos canaletas.Ilustrao 23: Verga pr-moldada e marco de argamassa armada.Foto 15: Revestimentos de pequena espessura.

    ESQUADRIAS:

    Pode-se compatibilizar as esquadrias de portas e janelas oferecidas comercialmente com as

    aberturas possveis na modulao das famlias de blocos para alvenaria estrutural, ou ento providenciar

    aberturas especialmente designadas para a modulao utilizada. Diversas tcnicas racionalizadoras

    podem ser utilizadas para a confeco das esquadrias na alvenaria estrutural. Dentre estas as mais usuais

    esto:

    - Vergas e contra-vergas moldadas in loco;

    - Vergas e contra-vergas pr-moldadas;

    - Batentes envolventes;

    - Marco de argamassa armada;

    - Marco montado in loco;

    Ilustrao 22

    Ilustrao 23

    REVESTIMENTOS:

    Umas das principais vantagens da alvenaria estrutural que a

    manuteno de seu prumo, devido a fatores estruturais, possibilita a execuo

    de revestimentos com espessuras reduzidas.

    totalmente vivel a realizao de revestimentos internos com 5 mm de

    espessura, diminuindo o consumo de material e a reduo do tempo dispensado

    com mo de obra No revestimento externo o procedimento semelhante.

    Porm, necessrio efetuar o chapisco prvio da alvenaria. A espessura de

    revestimento normalmente recomendada para fachada de 2 cm de espessura,

    segundo testes realizados em laboratrio.

    O ganho proporcionado com a reduo no consumo de material e mo-

    de-obra utilizada para a execuo dos revestimentos em obras de alvenaria

    estrutural um dos fatores que agregam substancial economia a este sistema

    construtivo.Foto 17

  • MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURALCOM BLOCOS CERMICOS 15

    MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURAL COM BLOCOS CERMICOS

    8 - A interao entre os subsistemas na a alvenaria estrutural

    ESCADAS:

    As escadas utilizadas juntamente com a alvenaria estrutural podem ser moldadas in loco ou pr-

    moldadas. As pr-moldadas esto disponveis em dois modelos principais, as escadas jacar e as escadas

    macias. Ambas so de fcil utilizao e agilizam consideravelmente sua execuo em obra. As escadas

    jacar possuem um nmero maior de peas a serem montadas, porm dispensam utilizao de guincho e

    so mais leves.

    Foto 18 Foto 19 Ilustrao 24

    LAJES:

    Neste sistema construtivo pode-se

    utilizar lajes moldadas in loco ou pr-

    moldadas. Dentre as pr-moldadas mais

    utilizadas esto:

    - Laje mista (vigota e lajota);

    - Laje pr-moldada em painis;

    - Laje pr-moldada alveolar;

    A escolha da melhor opo vai

    depender de uma analise da obra em

    questo.

    Independente da escolha efetuada

    fundamental que a laje tenha seu

    escoramento nivelado, possibilitando que os

    revestimentos de teto sejam executados com

    espessuras finas.

    Fotos 18 e 19: Escada pr-moldada macia.Ilustrao 24: Escada pr-moldada jacar.Foto 20: Laje pr-moldada em painis.

    Foto 20

  • 9 - A execuo da alvenaria estrutural

    MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURAL COM BLOCOS CERMICOS

    MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURALCOM BLOCOS CERMICOS16

    Foto 21: Lay out do canteiro-de-obras.Foto 22: Exemplo de transporte de materiais dentro do canteiro-de-obras que dever ser previsto no projeto.

    COMUNICAO PROJETO / OBRA:

    fundamental que o projeto seja claramente interpretado na obra. Uma interpretao errada, bem

    como a falta de detalhes podem ocasionar atrasos nos prazos, retrabalho e diminuio da produtividade.

    Para que haja melhor comunicao entre o projeto e a obra, devero ser fornecidas todas as informaes

    necessrias, disponibilizando projetos e detalhes construtivos em locais de fcil acesso e utilizao. Alm

    disto, as alteraes realizadas durante a execuo da obra devero ser comunicadas imediatamente ao

    escritrio. Caso a alterao acontea no escritrio, o projetista deve informar as mudanas realizadas nos

    projetos e carimbar os mesmos depois de alterados;

    Foto 21

    SEQUNCIA EXECUTIVA E INTERDEPENDNCIA ENTRE ATIVIDADES:

    A seqncia executiva e a interdependncia entre atividades so tambm considerados fatores

    determinantes da construtibilidade e por esta razo devem ser analisadas e melhoradas.

    A acessibilidade e espaos adequados para o trabalho so fatores muito importantes para a

    construtibilidade. Se este item no receber a devida ateno, pode haver atraso no andamento da obra,

    reduo da produtividade e aumento da necessidade de retrabalho.

    LAY OUT DA OBRA:

    Para se obter um nvel mais elevado de racionalizao e produtividade na execuo dos servios,

    deve-se instalar no canteiro de obras uma infra-estrutura eficiente para a execuo das tarefas de produo

    do edifcio.

    A organizao do canteiro de obras deve ser feita atravs de um projeto cuidadosamente elaborado,

    envolvendo a execuo do empreendimento como um todo, prevendo as necessidades e os condicionantes

    das diversas fases da obra. Devem ser previstas, por exemplo, facilidades para as diversas linhas de

    preparao de materiais e equipamentos. Tambm devem ser propiciadas condies favorveis e humanas

    para o trabalhador desempenhar sua atividade.

    Foto 22

  • MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURALCOM BLOCOS CERMICOS 17

    MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURAL COM BLOCOS CERMICOS

    9 - A execuo da alvenaria estrutural

    TREINAMENTO DE MO-DE-OBRA:

    Para a implantao da alvenaria estrutural, o treinamento de mo-de-obra torna-se uma

    necessidade, j que nem o processo construtivo e nem os projetos so convencionais. A importncia de tal

    treinamento aumenta em relao aos outros processos construtivos, uma vez que para paredes estruturais,

    muito importante a manuteno do prumo, nivelamento e alinhamento.

    No treinamento devem estar presentes tambm preocupaes com a ergonomia das atividades,

    orientando para posturas corretas e manuseio dos materiais e equipamentos, principalmente no

    carregamento e transporte dos blocos, devido ao seu elevado peso.

    Foto 23 Foto 24

    Foto 23: Transporte e rgonmico de materiais.Foto 24: Sala de aula improvisada em canteiro-de-obra para treino de mo-de-obra.

    10 - Equipamentos e ferramentas para a alvenaria estrutural

    Alguns equipamentos/ferramentas foram criados ou adaptados

    no intuito de aprimorar e agilizar as vrias atividades envolvidas neste

    processo construtivo. As funes destes equipamentos so descritas a

    seguir:

    Escantilho - equipamento que permite, simultaneamente, a

    consecuo de prumo, alinhamento e nivelamento das sucessivas

    fiadas que iro compor uma alvenaria.

    Rgua prumo-nvel - instrumento utilizvel para verificao de

    alinhamento, nivelamento e prumo de componentes, individualmente

    ou relativamente.

    Ilustrao 25: Escantilho.Foto 25: Rgua prumo-nvel.

    Ilustrao 25

    Foto 25

  • 10 - Equipamentos e ferramentas para alvenaria estrutural

    MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURAL COM BLOCOS CERMICOS

    MANUAL DE ALVENARIA ESTRUTURALCOM BLOCOS CERMICOS18

    Nvel alemo - utilizado para localizao do ponto mais alto da

    laje para assentamento da camada de regularizao da primeira

    fiada.

    Bisnaga - ferramenta utilizada para aplicao de argamassas

    no assentamento de blocos ou enchimento de vos.

    Canaleta - dispositivo de PVC com empunhadura utilizado para

    espalhar argamassa de assentamento.

    Palheta - rgua larga de madeira com empunhadura utilizada

    para espalhar argamassa de assentamento.

    Carrinho para transporte de blocos - este carrinho, como

    prprio nome indica, utilizado para se fazer o transporte dos blocos

    desde seu estoque na obra at o ambiente onde se est executando a

    alvenaria. A sua vantagem que os blocos so carregados

    diretamente dos pallets, para os carrinhos, e descarregado da mesma

    forma.

    Carrinho para transporte de pallets - carrinhos com macaco

    hidrulico que torna possvel o transporte dos pallets por inteiro.

    Carro plataforma - carro de estrado horizontal com pneus de

    borracha, utilizados para agilizar o transporte de materiais como

    sacos de cimento e tijolos.

    Carrinhos dosadores - carrinhos com volumes definidos,

    diferenciados por cores, para dosagem dos materiais componentes

    dos traos.

    Argamasseiras, suportes e carrinhos - argamasseiras feitas de

    material leve que no absorva gua da argamassa; suportes e

    carrinhos de perfeito encaixe, para facilitar o transporte destas

    argamasseiras.

    Cavaletes, andaimes, plataformas metlicas - andaimes

    desmontveis, de material durvel, leves e de fcil montagem.

    Ilustrao 26

    Foto 26

    Ilustrao 27

    Foto 27

    Ilustrao 26: Bisnaga.Foto 26: CanaletaIlustrao 27: Nvel alemo.Foto 27: Argamasseira.

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