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PROGRAMA-MESTRE DE PRODUÇÃO

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PROGRAMA-MESTRE DE PRODUO: CONCEPO TERICA X APLICAOPRTICA NA INDSTRIA DE CERVEJAS E REFRIGERANTES.Autores: Elvira Madruga Baracuhy Cavalcanti e Walter Fernando Arajo de MoraesEm linha com a viso contempornea de destaque da funo Produo nocontexto empresarial, este trabalho tem como finalidade o estudo terico acompanhado deaplicao prtica de tema importante em Administrao da Produo e Operaes: oPrograma-mestre de Produo.O objeto de estudo deste artigo, derivado da dissertao de mestrado deCavalcanti (1997), a rea de Programao e Controle da Produo (PCP) da CompanhiaCervejaria Brahma - Filial Nordeste, unidade fabril localizada no municpio do Cabo/PE.Visando contribuir com o projeto conduzido pela Administrao Central daBrahma, de reestruturao da atividade de logstica em todas as unidades fabris, foi efetuadaavaliao do Sistema de Logstica Fabril implantado na empresa a partir do segundo semestrede 1996. O modelo adotado utiliza a lgica do sistema MRPII. Entre as limitaespercebidas, merece destaque a ausncia de um mdulo de Programa-mestre de Produo, oqual foi concebido neste trabalho.1. IntroduoEm 1995, a diretoria da Brahma, sediada em So Paulo contratou os servios daempresa de consultoria McKinsey & Company, Inc., objetivando a otimizao daLogstica/PCP como prioritria para a busca de maior competitividade no mercado.A Logstica foi subdividida em quatro etapas:a) Alocao da produo s fbricas (Planejamento da malha de produo e distribuio);b) Programao de produo nas fbricas;c) Planejamento das necessidades de insumos; ed) Controle da produo e do fornecimento.Para realizao do planejamento nacional da produo e da distribuio (etapaa), utiliza-se na administrao central da empresa (So Paulo) o Sistema Otimizar, baseadoem recursos de programao linear. As etapas b a d so conduzidas nas diversas fbricasda Brahma com o auxlio do Sistema de Logstica Fabril (SLF), desenvolvido pela Datasul,empresa de software de Santa Catarina, especializada em sistemas de gesto empresarial.A no existncia de programa-mestre de produo no Sistema de Logstica Fabrilda Brahma. o tema de estudo deste trabalho.2. Fundamentao conceitual e terica2.1 Introduo administrao da produo/operaesUma organizao empresarial tpica possui trs funes bsicas: finanas,marketing e produo/operaes (Stevenson, 1993, p. 5; Heizer e Render, 1993, p. 5; Chase eAquilano, 1981, p. 8; Schonberger e Knod, 1991, p.29).A administrao moderna tem buscado eliminar as barreiras organizacionaisexistentes entre os departamentos, visando estimular mais fortemente o inter-relacionamento,XXII ENANPAD de 27 a 30 de setembro de 1998 Foz do Igua - PR2promovendo agilidade na tomada de deciso e viso global do negcio. Com freqncia, osucesso de uma empresa depende no apenas da excelncia com que as reas executam seustrabalhos, mas tambm do quo bem interagem entre si (Stevenson, 1993, p. 5).A essncia da funo Produo adicionar valor durante o processo detransformao (Stevenson, 1993, p. 7). Agregar valor a produtos, processos e/ou servios temse tornado uma meta perseguida pelas empresas, em vista dos ganhos de produtividade elucratividade decorrentes. Consumidores mais exigentes tm sido criteriosos em suasdecises de compra e no quanto esto dispostos a pagar pelos bens ou servios adquiridos.Por essa razo, as organizaes tm investido em programas que visam analisardetalhadamente seus produtos e processos para eliminar o que no agrega valor ao resultadofinal, como j destacado h algum tempo por Moore e Hendrick (1980, p. 69).A moderna administrao da produo tem como desafios obter aumentos deprodutividade, rentabilidade, melhoria de ndices tcnicos e gerenciais de desempenho ereduo de custos. Atravs de uma estratgia de manufatura bem definida, objetiva-se atingirvantagem competitiva sustentada de longo prazo (Corra e Gianesi, 1995, p. 26).Organizaes que buscam tal nvel de excelncia tm sido denominadas de empresas declasse mundial, denotando que competem com sucesso em uma economia globalizada (Heizere Render, 1993, p. 38).As mudanas no cenrio mundial provocadas pela globalizao da economiaacirraram a competio pelos mercados consumidores. Para atender padres cada vez maiselevados de qualidade, com preos competitivos, as empresas precisam aperfeioar seusprocessos produtivos. No por acaso que se verifica, no presente, um movimento derevalorizao do papel da manufatura, percebida como capaz de contribuir positivamente paraa consecuo dos objetivos estratgicos da organizao (Corra e Gianesi, 1995, p. 15 eBrowne, Harhen e Shivnan, 1988, p. 3).De maneira geral os autores definem administrao da produo/operaes comoa atividade que converte entradas/recursos em sadas/bens ou servios (Heizer e Render,1993, p. 2; Stevenson, 1993, p. 31; Schonberger e Knod, 1991, p. 54). Viso mais abrangente apresentada por Moore e Hendrick (1980) que conceituam administrao daproduo/operaes como a atividade que lida com os aspectos de suprimentos de todas asorganizaes - manufatureiras, de servio, pblica, privada, com ou sem fins lucrativos.No obstante as diferenas sutis de conceitos, h uma unanimidade entre osautores no que concerne ao importante papel da administrao da produo/operaes como area com mais contribuio a oferecer no processo de aperfeioamento das operaes dasempresas, visando torn-las competidoras de classe mundial. O papel da manufatura comoarma competitiva j era destacado por Skinner (1978).2.2 Sistemas de planejamento em manufaturaO Planejamento em Manufatura abrange principalmente decises de capacidade eproduo. Tipicamente o planejamento de longo prazo envolve: pesquisa e desenvolvimento,planos de novos produtos, construo e/ou ampliao de fbricas, aquisio de equipamentos,estudos de layout e localizao. No mdio prazo so considerados: planejamento de vendas,planejamento e oramento de produo, nveis de emprego, estoque e subcontratao. Nocurto prazo as decises referem-se alocao de trabalho, colocao de pedidos, programaode produo e distribuio (Heizer e Render, 1993, p. 517 e Stevenson, 1993, p. 552).A funo do planejamento agregado balancear a produo com a demanda nomdio prazo, 2 a 18 meses, conforme o autor citado. A partir da previso de vendas para umdeterminado perodo, calculam-se os nveis de produo, estoques, mo-de-obra (incluindohoras extras, se necessrias) e outros insumos, de forma a atender a demanda e minimizar osXXII ENANPAD de 27 a 30 de setembro de 1998 Foz do Igua - PR3custos (Chase e Aquilano, 1981, p. 398; Heizer e Render, 1993, p. 516; Stevenson, 1993, p.551; Schonberger e Knod, 1991, p. 168). Pode-se avaliar o uso da terceirizao.Para empresas com grande variedade de produtos ou servios, impraticvel,embora desejvel, a programao exata da produo x demanda para cada casoindividualmente. O que se faz na prtica converter todos os produtos para uma unidade demedida comum, tal como peso ou volume, por exemplo. A designao de PlanejamentoAgregado advm da necessidade de unificar os produtos (Moreira, 1993, p. 365).Uma das dificuldades presentes em sistemas de planejamento refere-se falta debalanceamento entre a oferta e a procura. Problemas para ajustar a produo demanda somais comuns do que se imagina. Ao contrrio dos modelos tericos, as situaes reaiscostumam apresentar diferenas entre a capacidade produtiva e a previso de consumo.O processo de planejamento permeia toda a organizao, com decises distintaspara cada nvel hierrquico. Normalmente na alta direo da empresa decide-se a alocao daproduo nas diversas unidades fabris, partindo-se da previso anual de demanda por produtoe regio. gerncia das fbricas cabe determinar o quanto produzir e estocar a cada perodoe o nvel de emprego requerido. Na rea industrial propriamente dita so tomadas decisesoperacionais relativas programao da produo (Heizer e Render, 1993, p. 533).2.3. Sistemas de programao e controle da produo (PCP)Vrios sistemas de administrao da produo foram desenvolvidos para auxiliarno planejamento e controle do processo de manufatura, que inclui materiais, equipamentos,pessoas, fornecedores e distribuidores (Corra e Gianesi, 1995, p. 42). Entre os maisconhecidos destacam-se MRP/MRPII (Material Requirements Planning e ManufacturingResource Planning), OPT (Optimized Production Technology) e JIT (Just in Time).De modo geral a rea conhecida como PCP (Planejamento e Controle daProduo ou Programao e Controle da Produo) ou ainda PPCP (Planejamento,Programao e Controle da Produo). O trabalho do PCP de natureza logstica, tendo emvista que deve proporcionar a disponibilidade do produto certo, na hora certa, no local certo,com qualidade adequada, entre outras exigncias.Programar e controlar a produo consiste essencialmente em conciliar ofornecimento de produtos e servios com a demanda (Slack et alii, 1997, p. 318). Cabe aoPCP oferecer suporte para que as atividades tcnicas da produo possam ser executadas. OPCP funciona usualmente como rgo de staff. Atua como uma espcie de centro deinformaes onde so tomadas decises que visam orientar os procedimentos operacionais damanufatura. O PCP compe-se de atividades que antecedem e criam condies para aproduo, agindo sobre o produto/processo, materiais, produo/fbrica. Estende suas aesou gera reflexos em praticamente toda a organizao (Erdmann, 1994). Por exercer umaatividade de coordenao, o PCP precisa desenvolver um bom relacionamento com as outrasreas funcionais da empresa, particularmente Marketing/Vendas e Produo. Vale destacarque no esforo de atender bem a essas duas grandes funes da empresa, o PCP lida comobjetivos muitas vezes conflitantes (Moreira,1993, p. 392).Alm das dificuldades resultantes dos objetivos principais a atender, h aindafatores restritivos que limitam a tarefa de planejamento e controle da produo. Como emqualquer operao, os recursos so finitos, quando no escassos. Entre as principaisrestries existentes, Slack et alii (1997, p. 320) destacam: limitaes de custos, capacidade,tempo e qualidade. relao proposta na literatura podem ser acrescidas ainda limitaes deknow-how/tecnologia, de suprimentos de insumos e tamb