Refrigeração industrial nt 003 - mte

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  • NOTA TCNICA N 03/2004

    REFRIGERAO INDUSTRIAL POR AMNIA

    RISCOS, SEGURANA E AUDITORIA FISCAL

    Braslia 2005

  • 2005 - Ministrio do Trabalho e Emprego

    permitida a reproduo parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.

    Tiragem: 3.000 exemplaresEdio e Distribuio: Secretaria de Inspeo do Trabalho (SIT) Departamento de Segurana e Sade no Trabalho

    (DSST) Esplanada dos Ministrios Bloco F, Sala 106,

    Anexo, Ala B, 1 Andar Fones: (061) 317-6672/6688/6767 Fax: (061) 317-8266/8261 CEP: 70059-900 Braslia/DF

    Impresso no Brasil/Printed in Brazil

    Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP) Biblioteca. Seo de Processos Tcnicos MTE

    N899 Nota tcnica n 03/2004: refrigerao industrial por amnia : riscos, segurana e auditoria fiscal. Braslia : MTE, SIT, DSST, 2005.

    31 P.Inclui normas e referncias.

    1. Norma regulamentadora, Brasil. 2. Refrigerao por amnia, instalao, Brasil. 3. Refrigerao por amnia, inspeo de segurana, Brasil. I. Brasil. Ministrio do Trabalho e Emprego (MTE). II. Brasil. Secretaria de Inspeo do Trabalho (SIT). III. Brasil. Departamento de Segurana e Sade no Trabalho (DSST).

    CDD 341.617

  • SUMRIO

    Apresentao ................................................................................... 5

    Introduo ....................................................................................... 7

    Sistemas de refrigerao por amnia ................................................. 9

    A amnia ........................................................................................11

    Riscos dos sistemas de refrigerao ..................................................13

    Gesto segura de sistemas de refrigerao ........................................15

    Instalaes ...............................................................................15

    Equipamentos e materiais ..........................................................16

    Medidas de proteo .................................................................17

    Capacidade e treinamento de trabalhadores ................................18

    Normas e referncias .................................................................19

    Aspectos da auditoria fiscal ..............................................................21

    O exemplo de Natal (RN) .................................................................23

    Descrio do estabelecimento .....................................................23

    Descrio do acidente ................................................................24

  • APRESENTAO

    A Secretaria de Inspeo do Trabalho (SIT) e o Departamento de Se-gurana e Sade no Trabalho (DSST), em sua misso de coordenar, orientar e supervisionar a inspeo do trabalho na rea, tm mantido como prioridade o investimento na capacitao continuada dos Auditores-Fiscais do Trabalho (AFTs), buscando o aperfeioamento constante das estratgias de auditoria, focalizao de suas aes em setores e atividades econmicas geradoras de riscos segurana e sade dos trabalhadores, assim como na ampliao das ferramentas para a interveno eficaz nos locais de trabalho.

    com prazer, portanto, que apresentamos esta Nota Tcnica, elabora-da por Auditores-Fiscais do Trabalho do Grupo de Estudos Tripartite da Con-veno n 174 da OIT Preveno de Grandes Acidentes Industriais e da Delegacia Regional do Trabalho do Rio Grande do Norte, que discorre sobre os Sistemas de Refrigerao Industrial por Amnia, especialmente sobre as-pectos relacionados segurana e sade no trabalho e auditoria fiscal.

    O tema selecionado reflete nossa preocupao acima exposta, ou seja, de gerar aes eficazes na preveno de riscos graves no-controlados e geradores de acidentes do trabalho. A iniciativa desenvolveu-se aps grave acidente ocorrido em Natal, no Rio Grande do Norte, quando um vazamento de amnia em empresa de beneficiamento de camaro vitimou 127 traba-lhadores, levando a bito dois deles. Tal situao chamou a ateno para a elevada probabilidade de ocorrncia de outros acidentes graves semelhan-tes, dada a ampla distribuio dos sistemas de refrigerao por amnia, especialmente na indstria alimentcia, as precrias condies de instalao e manuteno desses sistemas em muitas empresas e o seu despreparo para lidar com esse tipo de situao.

    Ao elaborar o presente documento, nosso objetivo principal debater o tema, possibilitando aos AFTs um conhecimento bsico a respeito das principais questes de segurana e sade no trabalho relacionadas refri-gerao por amnia e trazer-lhes a oportunidade de criar intervenes mais

  • qualificadas, inclusive coletivas. No temos a pretenso de abordar a ques-to de forma profunda ou completa. apenas o incio de um trabalho que, esperamos, possa ser ampliado e aperfeioado continuadamente, inclusive com contribuies prticas, que venham trazer luz aspectos ainda no abordados e novas solues.

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    INTRODUO

    Em geral, define-se refrigerao como o processo de reduo de tem-peratura de um corpo. O surgimento de novas tecnologias de refrigerao tornou-se essencial para o desenvolvimento e a manuteno de uma gama de atividades industriais, dentre elas a indstria alimentcia em geral, os frigorficos, a indstria de pescado, as fbricas de gelo, os laticnios e a in-dstria de bebidas.

    Os sistemas de refrigerao industrial atualmente utilizados em larga escala nesses e em outros setores econmicos fundamentam-se na capaci-dade de algumas substncias, denominadas agentes refrigerantes, absorve-rem grande quantidade de calor quando passam do estado lquido para o gasoso.

    As caractersticas desejveis para um agente refrigerante so:

    ser voltil ou capaz de se evaporar;

    apresentar calor latente de vaporizao elevado;

    requerer o mnimo de potncia para sua compresso presso de condensao;

    apresentar temperatura crtica bem acima da temperatura de con-densao;

    ter presses de evaporao e condensao razoveis;

    produzir o mximo possvel de refrigerao para um dado volume de vapor;

    ser estvel, sem tendncia a se decompor nas condies de funcio-namento;

    no apresentar efeito prejudicial sobre metais, lubrificantes e ou-tros materiais utilizados nos demais componentes do sistema;

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    no ser combustvel ou explosivo nas condies normais de funcio-namento;

    possibilitar que vazamentos sejam detectveis por verificao sim-ples;

    ser inofensivo s pessoas;

    ter um odor que revele a sua presena;

    ter um custo razovel;

    existir em abundncia para seu emprego comercial.

    A amnia atende quase totalidade desses requisitos, com ressalvas apenas para sua alta toxicidade e por tornar-se explosiva em concentraes de 15 a 30% em volume. Ademais, apresenta vantagens adicionais, como o fato de ser o nico agente refrigerante natural ecologicamente correto, por no agredir a camada de oznio, tampouco agravar o efeito estufa.

    Muito utilizada no passado, a amnia nunca esteve totalmente fora de uso no meio industrial, apesar de ter perdido espao com a introduo dos clorofluorcarbonos (CFCs) no incio dos anos 30. Atualmente, em virtude de suas propriedades termodinmicas, assim como pelo fato de ser barata, eficiente e segura, se utilizada com as devidas precaues, tem se tornado a grande opo em termos de agente refrigerante, conquistando gradualmen-te novos nichos de mercado.

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    SISTEMAS DE REFRIGERAO POR AMNIA

    Os sistemas de refrigerao por amnia consistem de uma srie de vasos e tubulaes interconectados, que comprimem e bombeiam o refrige-rante para um ou mais ambientes, com a finalidade de resfri-los ou congel-los a uma temperatura especfica. Sua complexidade varia tanto em funo do tamanho dos ambientes, quanto em funo das temperaturas a serem atingidas. Como se trata de sistemas fechados, a partir do carregamento inicial, o agente somente adicionado ao sistema quando da ocorrncia de vazamento ou drenagem.

    A quantidade de amnia nos sistemas varia de menos de 2.000kg a mais de 100.000kg, sendo um desafio, porm, calcular a quantidade da substncia existente em sistemas antigos, mantidos em funcionamento, s vezes, h dcadas. As presses podem atingir nveis elevados, entre 10 a 15kg/cm2.

    A produo do frio em circuito fechado foi proposta por Oliver Evans em 1805, e sua aplicao indstria comeou na segunda metade do sculo XIX. Os processos de refrigerao variam bastante, assim como os agentes refrigerantes. Porm, os princpios bsicos continuam sendo a compresso, liquefao e expanso de um gs em um sistema fechado. Ao se expandir, o gs retira o calor do ambiente e dos produtos que nele estiverem contidos.

    De uma forma simplificada, podem-se perceber trs componentes distintos nos sistemas de refrigerao: o compressor, o condensador e o evaporador.

    O compressor geralmente constitudo por uma bomba dotada de um tubo de aspirao e compresso, possuindo um dispositivo que impede fugas de gs e entrada de ar atmosfrico. Situado entre o evaporador e o condensador, aspira a amnia evaporada e a encaminha ao condensador sob a forma de um vapor quente sob presso elevada.

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    O condensador formado geralmente por uma srie de tubos de di-metro diversos, unidos em curvas, podendo ser