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20160317 DW Debate: Modelo de legislação mineira - José Tiago Catito

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CEDOC HOJE E AMANH

Estudo do Cdigo Mineiro e dum caso de impacto do sector mineiro sobre uma comunidade dos Gambos HulaDEBATE SEXTA FEIRALuanda 18 de Maro de 2016

Legislao Mineira e Comunidades em Angola

Contexto da pesquisaPrincipais resultados do estudo da legislaoPrincipais resultados do estudo de caso junto duma comunidade na Hula

Estrutura da Apresentao

Contexto da Pesquisa

DW membro da IANRAIANRA = International Alliance on Natural Resources in frica 29 organizaes da sociedade civil de 10 pases, 9 deles em fricaOrganizaes de 5 destes pases esto a participar neste projecto sobre legislao e polticas mineiras e o seu impacto sobre as comunidades: frica do Sul, Kenya, RDC, Zimbabwe e Angola

Os 5 pases esto a realizar os mesmos estudos, de forma, nomeadamente, a:criar uma fonte comum de informao;comparar os diferentes sistemas jurdicos e polticas pblicas no sector mineiro, assim como as prticas de extraco e o seu impacto sobre as comunidades; epropor um modelo de legislao mineira defensor das comunidades que possa servir de base de advocacia nos vrios pasesO projecto baseia-se em dois tipos de pesquisa:Um estudo da legislao e das principais polticas pblicas no sector mineiro;Um estudo de caso, junto de uma comunidade afectada por actividades de extraco mineira.

Base = Cdigo Mineiro (2011) Regulamento ainda em discussoNo considermos a legislao sobre explorao petrolfera

2. Principais resultados do estudo da legislao

Principais resultados do estudo de caso junto de uma comunidade da HulaContexto: Na Provncia da Hula, recursos mineiros principalmente explorados em 4 municpios: Gambos (Chiange), Chibia, Humpata e JambaNa Chibia, uma comunidade foi desalojada por uma empresa de explorao de granito caso em tribunal desde 2011, no houve julgamento at hojeDentro dos Gambos h actualmente dois focos de explorao. Na rea da comunidade de Tyihule, para alm da mina da RODANG existente h 10 anos, uma outra rea foi recentemente vedada para explorao

Perfil da Comunidade Tyihule, Gambos, Hula (6km da sede comunal Chimbemba) O principal grupo tnico da Hula Nhaneca-Humbe. A comunidade-alvo para o estudo de caso Mungambw (sub-grupo dos Nhaneca-Humbe) Agricultores transumantes agro-pastorisServios sociais praticamente inexistentesO municpio faz parte da regio de Angola que sofre de secas cclicas, particularmente nos ltimos trs anosOcupando e utilizando a terra desde antes do tempo colonial

Perfil da Empresa Rodang Rochas Ornamentais LDA uma empresa angolana com sede na Chibia (mas com ligaes internacionais - MILLIKEN)Operaes mineiras nos municpios de Chibia e Gambos do mineral "marrom", um tipo de granito pretoNo foi possvel aceder a dados financeiras oficiais. Informao a partir de mdia online, fornece uma viso geral da capacidade de produo da empresa:

Mas parece haver uma forte diminuio da Produo no sector em 2015Destinos de exportao: Espanha, Itlia e os EUA, e desde a crise financeira perspectivas futuras para a China e o JapoOutras empresas de minerao na provncia incluem: Galiangol, Metarochas, DFG frica, Osbal, Marlin Angola e Granisul

Impacto da explorao mineira sobre a comunidadeOs participantes nas discusses dos grupos focais identificaram:

A nvel ambientalEliminao das pequenas montanhas ao redor das comunidadesUma caverna ao p de uma colina que tinha fornecido um reservatrio natural para a recolha de gua da chuva e poos abertos pela comunidade foram tapados pela actividade mineirarvores de fruta nas colinas foram destrudos

A nvel social A comunidade manifestou uma grande insatisfao pelo facto da empresa no fazer investimentos sociais na comunidade

A nvel econmico Falta de emprego 3 homens da comunidade empregados pela mina (de cerca de 70 empregados, a maioria de Chibia)Perderam algumas terras agrcolas por causa da actividade mineira e alguns caminhos de transumancia foram fechados

Acesso Terra Alm da operao de minerao ocupando terras agrcolas quando abriu, a empresa destruiu duas lavras localizadas fora do permetro da mina, atirando l pedras vindas da minerao (reclamao do sculo,que foi aconselhado a deixar o assunto porque o terreno pertence agora empresa e ela contribui para os rendimentos do Estado)

Ponto de vista da comunidade:

A empresa pode explorar os recursos da rea, mas deve compensar duma forma ou outra, porque at agora, a comunidade s v a montanha desaparecer sem receber nada em contrapartida.

No sabia do valor da montanha antes da empresa chegar, mas sente-se lesada pelo facto da empresa explorar a sua riqueza sem deixar nada, e como o Estado tambm no investe na comunidade, eles acham que pelo menos a empresa devia investir na comunidade.

Neste quadro, insiste muito sobre duas questes: o combate fome e os investimentos sociais (escola, unidade de sade).

Ponto de vista da empresa:

A empresa considera que a sua responsabilidade a de pagar seus impostos e royalties. responsabilidade do Governo de Angola desenvolver o pas atravs das receitas arrecadas por meio dos impostos e outras receitas que recebe do sector privado e dos cidados.

No pensa que tem responsabilidades para com a comunidade.

NB: De jure, obrigaes das empresas limitam-se a respeitar os direitos humanos/obrigaes dos Estados estendem-se sua defesa, promoo e efectivao.

Ponto de vista do Governo a nvel local:

Administrao Municipal: No tem qualquer responsabilidade em relao s empresas de minerao. Simplesmente tenta incentivar as empresas a criar empregos localmente, sempre que possvel, e a reparar qualquer dano ambiental causado pelas operaes de minerao, ou seja, reposio das terras e re-arborizao (nem sempre cumprem).

DPGM: No tem nenhuma responsabilidade para com a comunidade, mas sim com as empresas de minerao. Exige que as empresas cumpram as iniciativas de RSE com as comunidades locais situadas perto das minas, ou seja, a construo de uma escola, ou clnica. Acrescenta que os impostos pagos pela empresa no ficam na Provncia.

Decide e informaPaga impostosSe lanam a bola da responsabilidade

Para terminar:

A comunidade segue as regras consuetudinrias na resoluo dos seus problemas: fala com o seu sculo fala com a scula da comuna fala com a Administrao Comunal (em audincia) fala com a Administrao Municipal.A nvel local, no existe actualmente nenhuma interaco entre as partes nem nenhum frum onde podem interagir. O Cdigo Mineiro no prev a criao de espao deste gnero nem mecanismo especfico de resoluo de conflito (promove apenas a criao de mecanismos de consulta Art.16).

Para terminar:

Este projecto est a ser implemento pela:

Com o apoio da:

MUITO OBRIGADO