Adesão à DECLARAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES SOCIAIS SOBRE A PREPARAÇÃO DA TERCEIRA CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE O HABITAT E O DESENVOLVIMENTO URBANO SUSTENTÁVEL (HABITAT III) NO QUADRO DO DIA MUNDIAL 2014 DO HABITAT

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Todos os aderentes, parceiros, amigos e a base social de HIC são convidados a subscreverem à Declaração conjunta para o Dia Mundial do Habitat (6 de Outubro). Este documento está a ser distribuído, de forma que todas as pessoas de acordo com o seu conteúdo e a sua abordagem possam partilha-lo e aderir ao mesmo por via de assinatura. Uma adesão massíva permitira, por exemplo, fazer chegar a Declaração às representações da ONU nos diferentes países, assim como a nível nacional e usa-lo nas actividades que estiverem a organizar em relação ao Dia Mundial do Habitat (6 de Outubro). A declaração pode ser partilhada nos vossos websites de forma que, em cada país, seja efectuada a maior difusão possível e facilitada uma adesão massíva. Juntem-se à mobilização coordenada do Dia Mundial do Habitat (6 de Otubro) e confirmem a vossa adesão à Declaração conjunta, enviando o vosso nome, a vossa assinatura e o nome da vossa organização, assim como o vosso logotipo se tiverem, a hic-al@hic-al.org com cópia para gs@hic-net.org. Agradecemos desde já a ampla divulgação desta declaração.

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  • 1. DECLARAO DAS ORGANIZAES SOCIAIS SOBRE A PREPARAO DA TERCEIRA CONFERNCIA DAS NAES UNIDAS SOBRE O HABITAT E O DESENVOLVIMENTO URBANO SUSTENTVEL (HABITAT III) NO QUADRO DO DIA MUNDIAL 2014 DO HABITAT. A Assembleia Geral da ONU convocou para 2016 a terceira Conferncia das Naes Unidas sobre o Habitat e o Desenvolvimento Urbano Sustentvel, chamada HABITAT III. A primeira reunio preparatria teve lugar em Setembro de 2014 em Nova York. Para as organizaes da sociedade civil organizadas a nvel internacional, esta conferncia constitui uma oportunidade para elaborar uma Nova Agenda do Habitat no apenas uma Nova Agenda Urbana que, considerando os espaos urbanos e rurais como um territrio contnuo, defina normas e obrigaes internacionais que reconheam o direito cidade, terra e ao territrio, e incluam tambm os temas de transporte de qualidade e de energia em harmonia com a natureza. Em 1976, quando a conferncia HABITAT I teve lugar em Vancouver, foi redigida uma declarao sobre os estabelecimentos humanos, que veio da tomada de conscincia da rpida urbanizao, e que tomava em considerao a relao campo-cidade. Na Conferncia HABITAT II em Istanbul, em 1996, a participao da sociedade civil permitiu realizar progressos significativos em termos de reconhecimento do direito moradia e isto teve um impacto sobre a Agenda Habitat que saiu desta conferncia. Mesmo assim, no se pode ignorar que estamos atualmente a testemunhar um processo global acelerado de urbanizao especulativa, que viola muitas vezes os direitos humanos reconhecidos e tem conduzido extenso irracional das cidades, assim como segregao social com consequncias graves sobre a vida dos seres humanos, sobre a natureza e os espaos, e sobre a vida social e a possibilidade de cumprimento do direito de todos os povos, sem discriminao, a um espao e a uma moradia com segurana para viver em paz e na dignidade. Apesar das polticas implementadas nas ltimas dcadas terem tido por objetivo enfraquecer as zonas rurais e esvazia-las dos seus habitantes para o benefcio de grandes empresas com fins lucrativos e implicarem um crescimento das cidades negativo para as mesmas, as nossas organizaes no podem ignorar a continuidade entre o mundo rural e o urbano, nem as ligaes que entre eles existem. No concordamos com o modelo hegemnico de desenvolvimento vindo destas polticas, que provoca a espoliao dos territrios das comunidades, dos povos indgenas e dos camponeses, a destruio do seu habitat e das suas fontes de rendimento, mas tambm a violncia criminal que motiva a migrao massiva, aumentando a pauperizao e o abandono da sua cultura e das suas prticas comunitrias. Estas polticas chegam impossibilidade de haver outras formas de vida que no estejam concentradas nas cidades.
  • 2. Tudo isto exige que priorizemos os direitos humanos e as consequentes obrigaes dos Estados nos debates, nas propostas e nas resolues de HABITAT III. As organizaes comunitrias e da sociedade civil fornecem tambm alternativas e propostas que deveriam ser analisadas durante a primeira conferncia mundial ps-2015, como por exemplo : a avaliao necessria da implementao da Agenda Habitat II e do seu Plano de Ao Mundial ; a promoo de medidas visando vencer as desigualdades, a discriminao, a segregao e a falta de oportunidades para o acesso a uma moradia condigna e a garantia de uma vida em condies para todas e todos, tanto na cidade como no campo ; a elaborao de propostas visando a criar instrumentos de planejamento e de oramentao participativa, de apoio institucional produo de habitat, de democratizao dos espaos de gesto territorial, de monitoria cidad e de coordenao do sector pblico com os sectores implicados no planejamento, na produo e na gesto do habitat. Todas estas questes, entre outras, so explicitamente previstas e desenvolvidas no quadro do direito cidade. Alm disso, HABITAT III dever encorajar as medidas e os instrumentos que favorecem hbitos de produo e consumo responsveis, evitando as distores da chamada economia verde . Dever-se- ainda contemplar na nova Agenda saindo da conferncia os instrumentos visando a prevenir, evitar e compensar as violaes dos direitos humanos ligados ao habitat, em particular a espoliao de territrios, as expulses e os despejos forados de populaes causados por megaprojetos e obras de infraestruturas. Finalmente, durante a conferncia HABITAT III, para alm da abordagem de cidades resilientes, preciso conceber medidas visando atacar as causas profundas da degradao do meio-ambiente e dos cmbios climticos. Contudo, nada disso ser possvel sem que HABITAT III garanta uma participao da sociedade civil igual quela dos demais atores. Isto deve concretizar-se em aspectos como a representao e a participao da sociedade civil aos comits nacionais, o acesso informao, e particularmente a incluso das nossas preocupaes e propostas nos debates nacionais e internacionais, ao longo de todo o processo. Para se chegar participao social no processo de HABITAT III, preciso dispor de meios que criem condies apropriadas e dignas nos trabalhos que estiverem a decorrer antes, durante e depois da Conferncia, incluindo o acesso aos documentos e um apoio logstico apropriado para que as propostas sociais atinjam todos os nveis ao longo de todas as etapas do processo. fundamental considerar que a participao social reflete a igualdade de gnero, a facilitao das diversas faixas etrias, assim como a incluso das pessoas com deficincias e dos representantes de povos autctonos, respeitando os seus costumes. No pode haver uma Nova Agenda Habitat sem a participao da sociedade civil. Exigimos, portanto que este esforo internacional inclua e reconhea as inovaes geradas pelos sectores populares e sociais que devem frequentemente enfrentar oposies, sofrer de falta de apoio e, at, verem-se criminalizadas para fazer com que, a partir de HABITAT III, um outro mundo seja possvel Pargrafos sobre a situao local. 6 de Outubro de 2014