Metodologia para os indicadores do Plano Municipal de Saneamento de Belo Horizonte

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Metodologia para clculo dos indicadores de gesto do Plano Municipal de Saneamento de Belo Horizonte-MG.

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  • 1. 1 METODOLOGIA PARA PRODUO DOS INDICADORES DE GESTO DO PMS - PLANO MUNICIPAL DE SANEAMENTO DE BELO HORIZONTE Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo1 INTRODUO O Convnio de Cooperao para Gesto Compartilhada dos servios de abastecimento de gua e de esgotamento sanitrio celebrado entre o Municpio de Belo Horizonte e o Estado de Minas Gerais pressupe a existncia de um Plano de Gesto, o qual servir de esteio para as aes regulatrias dos servios conveniados, a serem exercidas pela Prefeitura de Belo Horizonte. Todavia, para o bom desempenho dessas aes regulatrias, torna-se fundamental a perfeita caracterizao dos servios, das condies para sua prestao, bem como a caracterizao de um instrumental de planejamento capaz de imprimir a melhoria e a expanso dos sistemas existentes tendo como meta a universalizao e a eficcia dos servios prestados. Em vista dessas demandas, a Prefeitura de Belo Horizonte, atravs do Grupo Gerencial de Saneamento - GGSAN da SUDECAP, investiu na elaborao do PMS Plano Municipal de Saneamento, cuja formulao baseia-se na integrao das bases de conhecimento dos sistemas operados pela COPASA s informaes das polticas setoriais da PBH Prefeitura de Belo Horizonte. Essa integrao tem por objetivo a apurao dos indicadores de desempenho e de qualidade dos servios ofertados populao, a produo de diagnsticos, a formulao de propostas e a informao ao pblico; o que permitir a priorizao das intervenes que concorram para a melhoria e para a universalizao daqueles servios e o efetivo controle social dos mesmos. O PMS, como concebido, impe um forte vnculo espacial entre as informaes, exatamente com o objetivo de garantir a generalidade de todos os demais indicadores preconizados no Plano de Gesto como a regularidade, continuidade, eficincia, qualidade, atualidade, cortesia e modicidade dos custos. Por essa razo, o sistema ideal para abrigar as informaes um SIG Sistema de Informaes Georreferenciadas, operado em todo o seu potencial de processamento para a concepo dos modelos espaciais na vinculao das informaes; para as anlises e correlaes espaciais entre os indicadores; para a produo de diagnsticos e prognsticos; enfim, para efeito das manipulaes de todas as informaes segundo regras espaciais. 1. CONCEITOS FUNDAMENTAIS 1.1 BACIAS HIDROGRFICAS COMO SISTEMAS INTEGRADOS: F.A.R.Barbosa, J.A. de Paula e R.L.M.Mont-Mr definem bacias como sistemas terrestres e aquticos geograficamente definidos, compostos por sistemas fsicos, econmicos e sociais. O seu gerenciamento apropriado requer que sejam consideradas como sistemas multinveis que incluam gua, solo e componentes scio-polticos internos e externos(1). Naquele trabalho, sugere-se que a bacia seja tomada como unidade de estudo, de manuteno e de conservao dos recursos hdricos e; consequentemente, como unidade de planejamento para as aes que visem a melhoria da qualidade de vida das populaes. Esta qualidade de vida, por sua vez, ser fortemente dependente das condies ambientais, envolvendo aspectos relativos sade pblica, paisagstica e ao lazer; e dependente dos recursos naturais seja como insumos produo de bens e servios, seja como corpos receptores das guas pluviais na operao dos sistemas de drenagem urbana. Sendo assim, o Plano Municipal de Saneamento baseia-se em unidades tcnicas de anlise que so as bacias elementares e em unidades de planejamento congruentes com essas bacias elementares e suas subdivises. 1.2 UNIDADES ESPACIAIS: A definio de uma unidade tcnica de anlise ou de uma rea de estudo constitui o primeiro passo para a gerao de objetos mnimos e completos. Por exemplo, na caracterizao dos sistemas de esgotamento sanitrio e de drenagem urbana para posterior anlise dos dados, a unidade tcnica compatvel a bacia elementar. Quando muito, alguma 1 Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo Bacharel em Fsica, Mestre em Tecnologia Nuclear pela USP Universidade de So Paulo e Consultor de Geoprocessamento da Prefeitura de Belo Horizonte MG. e-mail: muccamargo@aol.com
  • 2. 2 informao sobre o entorno imediato poder ser til na formulao dos indicadores da bacia, mas no na compreenso dos processos que nela ocorrem. O mesmo se aplica a outros modelos do conhecimento, significando que nunca estaremos processando todas as informaes, mas sim aquelas que se inserem no contexto da anlise. Portanto, o primeiro dado a ser informado a um sistema de extrao de objetos de anlise que sejam mnimos e completos a abrangncia, aqui no sentido da extenso territorial. Entretanto, uma das maiores dificuldades para a gesto integrada em saneamento est no estabelecimento de uma unidade territorial de anlise. Na maioria das cidades brasileiras, sistemas de gesto comercial em servios de saneamento so articulados sobre unidades fiscais; isto , a unidade territorial de anlise o setor fiscal e suas subdivises: quadras e lotes. Os sistemas de abastecimento de gua, necessariamente, subdividem a rea de atendimento em setores de abastecimento, sub-setores, zonas de presso e/ou zonas de manobra. Por sua vez, os sistemas de coleta, afastamento, tratamento e disposio final de esgotos domsticos e efluentes industriais, subdividem a rea de atendimento em bacias e sub-bacias (reas de drenagem). Todas as unidades territoriais acima citadas so incongruentes entre si, o que torna a agregao dos dados uma tarefa muitas vezes impraticvel para efeito das anlises integradas. A sugesto , com base nas demarcaes existentes sobre os diversos temas de interesse, criar unidades tcnicas de anlise homogneas (2). No saneamento, unidades tcnicas de anlise e de planejamento estratgico normalmente so definidas como bacias, sub-bacias, reas de booster, setores, zonas de presso, reas de manobra, etc. Pode-se afirmar haver um grande ganho de produtividade quando essas unidades esto cadastradas no sistema de informaes. Isto, todavia, no impede o analista de, a qualquer hora, criar uma rea de estudo arbitrria, no congruente com as demais existentes, transformando-a numa feio permanente ou temporria para a realizao das anlises. Como exemplo, poderamos citar algumas unidades territoriais de interesse: regionais, reas de planejamento, reas de interesse social (vilas e favelas), reas de preservao ambiental, bacias de esgotamento sanitrio, reas desassistidas pelas redes de coleta de esgotos, depresses (reas abaixo da cota mnima para atendimento pela coleta por gravidade), reas de alagamento, etc. Acontece que nem sempre as reas objetos de estudos so compatveis com as unidades territoriais conhecidas, tampouco esto contidas nelas. comum uma rea de interesse transpor limites administrativos, operacionais, legais e tcnicos; exigindo o tratamento diferenciado das informaes tanto na fase de captura como no processamento. Isto sugere a integralizao dessas reas como mosaicos (clulas homogneas), tendo as descontinuidades nos limites das diferentes regies que as compem. Uma vez conhecidos esses limites, as operaes lgicas favorecero os processos de extrao dos dados, j que muitas restries podero se impor para a seleo das informaes relevantes. 1.3 O SISTEMA DE EXTRAO DE MAPAS: A funo bsica de um sistema de extrao de mapas permitir a criao de filtros (critrios de seleo e de triagem dos dados) que permitam a modelagem de objetos inteligentes (ou seja, completos e mnimos), dando agilidade aos processos de anlise e rapidez no tempo de resposta; alm de traduzir importantes atributos como a forma (topologia), abrangncia (tamanho relativo), insero (relaes de vizinhana) e outras relaes decorrentes do cruzamento das unidades tcnicas de anlise com panos de fundo como a geopoltica, a demografia / setores censitrios, modelos digitais de terreno e hipteses de planos diretores entre outros (2). 1.4 REGRAS DE BANCO DE DADOS: O sistema que se apresenta possui a capacidade para armazenar no banco de dados camadas de informaes que so produtos da execuo de regras de seleo (filtros) para posteriores cruzamentos com outras camadas de informaes. Por exemplo, pode-se armazenar uma camada de todas as reas desassistidas pelas redes de coleta de esgotos e, posteriormente, cruz-la com quaisquer outras camadas, aumentando muito a produtividade do processo de anlise. O produto armazenado pode ser recuperado e/ou modificado dentro e fora da aplicao. Poder tambm ser exportado para outros sistemas, j que se trata de uma tabela de banco dados. Regras de seleo de informaes constituindo camadas para aplicaes especficas devem ser pensadas pelos especialistas daquele campo de conhecimento especfico, auxiliados por analistas de bancos de dados que as escrevam. Esse
  • 3. 3 casamento indispensvel para que o sistema d respostas precisas para as alternativas em estudo. 1.5 LAYER OU CAMADA: Um layer um produto obtido atravs da execuo de uma regra seleo num banco de dados integrando atributos grficos e alfanumricos. constitudo, portanto, por entes inteligentes possuindo atributos grficos e alfanumricos que os individualizam. Assim os chamamos, inteligentes, porque um layer poder ser armazenado no banco de dados, recuperado, submetido a cruzamentos com outros layers atravs de operaes lgicas (AND, DIFF, OR, XOR) cumulativas ou no. Importado dos sistemas de Processamento Digital de Imagens (PDI), o conceito de layer no deve ser confundido com o conceito de nvel de desenho. O nvel de desenho limita-se a um conceito esttico de extratificao e organizao das informaes, enquanto o layer, alm das propriedades j referidas acima, oferece a possibilidade de manipulao dessas propriedades em tempo de processamento, dando-lhe uma dinmica no apresentada pelo conceito de nvel de desenho. 1.6 OVERLAY OU CRUZAMENTO DE CAMADAS: uma superposio de layers atravs de um