Os donos do_poder_-_faoro_raymundo

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  • 1. Os Donos do Poder http://groups.google.com.br/group/digitalsource Outras obras do autor: Machado de Assis: A Pirmide e o Trapzio / Existe um Pensamento Poltico Brasileiro?
  • 2. R a y m u n d o F a o r o Os D o n o s d o P o d e r F O R M A O D O P A T R O N A T O P O L T I C O B R A S I L E I R O 3.a edio, revista, 2001 GLOBO
  • 3. Maria Pompa
  • 4. Nicht nur der Vernunft von Jahrtausenden auch ihr Wahnsinn bricht an uns aus. Gefhrlich ist es, Erbe zu sein.
  • 5. SU M R I O Prefcio Segunda Edio C a p t u l o I ORIGEM DO ESTADO PORTUGUS 1.A guerra, o fundamento da ascendncia dos reis. As bases da monarquia patrimonial; as contribuies e os concelhos 2. Os fundamentos ideolgicos da monarquia: o direito romano 3. O Estado patrimonial e o Estado feudal Captulo II A REVOLUO PORTUGUESA 1.Preliminares da revoluo de 1383-85: a nobreza, a burguesia e dom Fernando 2. A Revoluo de Avis: vitria da burguesia sob a tutela do rei 3. O estamento: camada que comanda a economia, junto ao rei 4. Da aventura ultramarina ao capitalismo de Estado 5. A ideologia do estamento: mercantilismo, cincia e direito Captulo I I I O CONGELAMENTO DO ESTAMENTO BUROCRTICO 1. A cidade comercial: a corte barroca e o funcionrio 2. O congelamento e a paralisia do Estado barroco 3. Elite e estamento C a p t u l o IV O BRASIL AT O GOVERNO-GERAL 1. A inveno ednica da Amrica 2. A integrao da conquista no comrcio europeu 3. Colonizao como prolongamento do sistema de feitorias 4. A colonizao: regime poltico e administrativo das capitanias. Vnculos da colnia com a metrpole 5. A distribuio de terras: mudana do sentido da sesmaria, com o predomnio do contedo dominial sobre o administrativo 6. O chamado feudalismo brasileiro C a p t u l o V A OBRA DA CENTRALIZAO COLONIAL 1. O governo-geral: causas de sua criao 2. Os municpios e a centralizao 3. Os colonos e os caudilhos: a conquista do serto
  • 6. C a p t u l o VI TRAOS GERAIS DA ORGANIZAO ADMINISTRATIVA, SOCIAL, ECONMICA E FINANCEIRA DA COLNIA 1. A administrao e o cargo pblico 2 . O espectro poltico e administrativo da metrpole e da colnia 3. As classes: transformaes e conflitos 4. A apropriao de rendas: o pacto colonial, monoplios, privilgios e tributos Captulo V I I OS PRDROMOS DA INDEPENDNCIA I. A vida rural do comeo do sculo XIX: a autarquia agrcola 2. A transmigrao e a frustrada reorganizao poltica e administrativa 3. O dissdio e a transao Captulo V I I I AS DIRETRIZES DA INDEPENDNCIA 1. A tentativa de reorganizao poltica do pas independente 2. O Poder Moderador e a luta parlamentar 3.O sistema poltico do 7 de abril 4.As reformas do 7 de abril: a descentralizao C a p t u l o IX A REAO CENTRALIZADORA E MONRQUICA 1. A reorganizao da autoridade: a conciliao geogrfica e a reao centralizadora 2.As bases econmicas da centralizao 3.Os fundamentos legais da centralizao monrquica Captulo X O SISTEMA POLTICO DO SEGUNDO REINADO 1. O modelo francs e o ingls 2.O parlamentarismo e o Poder Moderador 3.A representao do povo: as eleies 4.O estamento burocrtico Captulo XI A DIREO DA ECONOMICA NO SEGUNDO REINADO 1. Economia dependente, sob a orientao do Tesouro 2. O regime de terras, o agricultor e o comissrio 3. O centro estatal do crdito: o dinheiro e as emisses 4. O poltico e o especulador
  • 7. Captulo X I I O RENASCIMENTO LIBERAL E A REPBLICA 1. Do liberalismo propaganda republicana 2. A fazenda sem escravos e a Repblica 3. O Exrcito na monarquia e sua converso republicana C a p t u l o X I I I AS TENDNCIAS INTERNAS DA REPBLICA VELHA 1. Liberalismo econmico e diretrizes econmicas do perodo republicano 2. O militar e o militarismo 3. A transio para o federalismo hegemnico: a poltica dos governadores C a p t u l o X I V REPBLICA VELHA: OS FUNDAMENTOS POLTICOS 1. A fora e a fragilidade da poltica dos governadores. O consulado de Pinheiro Machado 2. A ordem e a contestao. O novo presidencialismo 3. O sistema coronelista C a p t u l o XV MUDANA E RENOVAO 1. O abalo ideolgico e as aspiraes difusas 2. A emergncia do Estado forte e o chefe ditatorial 3. Os novos rumos econmicos e sociais C a p t u l o f i n a l A VIAGEM REDONDA: DO PATRIMONIALISMO AO ESTAMENTO NOTAS
  • 8. PREFCIO SEGUNDA EDIO MONTAIGNE, QUE NEGA AO AUTOR o direito de alterar o texto de um livro hipotecado ao pblico, justificou as suas infidelidades ao princpio, com este subterfgio resvaladio: J'adjouste, mais je ne corrige pas. Posso afirmar, sem receio ao olho malicioso e zombeteiro do francs quinhentista, que a tese deste ensaio a mesma de 1958, ntegra nas linhas fundamentais, invulnervel a treze anos de dvidas e meditao. A forma, todavia, est quase totalmente refundida, outra a disposio dos assuntos, adequado o estilo s minhas exigncias atuais. Houve o acrscimo de dois captulos e a adio de inmeras notas, ordenadas ao fim do volume, para orientar o leitor acerca das fontes do trabalho. Os conceitos bsicos patrimonialismo, estamento, feudalismo, entre outros esto fixados com maior clareza, indicada a prpria ambigidade que os distingue, na cincia poltica. A perplexidade que alguns leitores da primeira edio demonstraram, ante uma terminologia aparentemente bizarra, estar atenuada, neste novo lanamento. Advirta-se que este livro no segue, apesar de seu prximo parentesco, a linha de pensamento de Max Weber. No raro, as sugestes weberianas seguem outro rumo, com novo contedo e diverso colorido. De outro lado, o ensaio se afasta do marxismo ortodoxo, sobretudo ao sustentar a autonomia de uma camada de poder, no diluda numa infra-estrutura esquemtica, que daria contedo econmico a fatores de outra ndole. Esto presentes, nas pginas que se seguem, os clssicos da cincia poltica, Maquiavel e Hobbes, Montesquieu e Rousseau, relidos num contexto dialtico. As hipteses e conjeturas, em aberta rebeldia aos padres consagrados, inspiram-se no propsito de abarcar, num lance geral, a complexa, ampla c contraditria realidade histrica. Um longo perodo, que vai do Mestre de Avis a Getlio Vargas, valoriza as razes portuguesas de nossa formao poltica, at agora desprezadas em favor do passado antropolgico e esquecidas pela influncia de correntes ideolgicas,
  • 9. originrias da Frana, da Inglaterra e dos Estados Unidos, s traduzidas nos ltimos cento e cinqenta anos. Na evocao no se pode evitar o eu de um longnquo pesadelo, com certas "rabugens de pessimismo", como lembrou um amvel crtico, mais amigo do que crtico. Contra, na elaborao deste ensaio, nas suas duas feies, muitas dvidas, que no comprometem a responsabilidade dos credores. A maior de todas devo-a a Guilhermino Csar, que, ainda em Porto Alegre, no carinhoso convvio de muitos anos, discutiu as hipteses e suscitou questes novas, franqueando-me sua biblioteca para o estudo e a pesquisa. O prprio ttulo do livro, ao que apurei, saiu de uma de suas sbitas inspiraes. Augusto Meyer e Jorge Moreira leram os originais. Paulo Olinto Vianna e Slvio Duncan cuidaram da reviso, com pacincia e amor mincia. Arthur Cezar Ferreira Reis, no preparo desta edio, socorreu-me com preciosas indicaes bibliogrficas, acompanhadas do emprstimo do livro raro. Amandino Vasconcellos Beleza, com seu vigilante bom gosto, leu os originais, aparando erros e atalhando incongruncias. Genolino Amado incumbiu-se da reviso das provas tipogrficas, em testemunho de generosa amizade. No devo esquecer, neste elenco, o meu editor, representado por Jos Otvio Bertaso, que se decidiu aventura e ao risco, confiado apenas no mrito discutvel do livro, em homenagem a um autor que, sem conhec-lo, enviou-lhe os originais pelo correio "alma forte e corao sereno", como dele diria o maior de seus editados, Simes Lopes Neto. Rio de Janeiro, fevereiro de 1973. R. F.
  • 10. C A P T U L O I ORIGEM DO ESTADO PORTUGUS 1. A guerra, o fundamento da ascendncia dos reis. As bases da monarquia patrimonial: as contribuies e os concelhos 2. Os fundamentos ideolgicos da monarquia: o direito romano 3. O Estado patrimonial e o Estado feudal
  • 11. 1 A PENNSULA IBRICA formou, plasmou e constituiu a sociedade sob o imprio da guerra. Despertou, na histria, com as lutas contra o domnio romano, foi o teatro das investidas dos exrcitos de Anbal, viveu a ocupao germnica, contestada vitoriosamente pelos mouros. Duas civilizaes uma do ocidente remoto, outra do oriente prximo pelejaram rudemente dentro de suas fronteiras pela hegemonia da Europa. Das runas do imprio visigtico, disciplinado e enriquecido pela cultura dos vencidos, dilacerado em pequenos reinos, gerou-se um mundo nov