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Anais do XVI Fórum Paranaense de Musicoterapia / I Seminário Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia

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  1. 1. ANAIS DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia VOLUME 16, 2015
  2. 2. Associao de Musicoterapia do Paran PERTENCE UNIO BRASILEIRA DAS ASSOCIAES DE MUSICOTERAPIA Camila S G Acosta Gonalves Presidente Jakeline Silvestre Fascina Vitor Vice-Presidente Rafaela de Lima Zerbini Primeira Secretria Magali Dias Primeira Tesoureira Claudia das Chagas Prodossimo Segunda Tesoureira Mariana Lacerda Arruda e Noemi Nascimento Ansay Diagramao e organizao Noemi Nascimento Ansay Departamento Cientfico Brbara Virginia Cardoso Faria Departamento sociocultural Priscila Mertens Garcia Camila Guiesi Cintia Albuquerque Departamento de divulgao Mari Suoheimo Nascimento Capa
  3. 3. Comisso Editorial Ms. Mt. Noemi Ansay (UNESPAR-FAP-PR), Esp. Mt. Mariana Lacerda Arruda (UNESPAR-FAP-PR) Conselho Editorial Ms. Mt. Clara Mrcia Piazzetta (FAP-PR), Ms. Mt. Sheila Volpi (FAP-PR), Ms, Mt Mariana Puchivailo, Ms Mt Lizzie Maldonado, Ms. Iara Del Padre Iarema Colaboradores Adriano Furtado Holanda; Brbara Virginia Cardoso Faria; Camila S G Acosta Gonalves; Caroline Karasinski Barros; Clara Mrcia Piazzetta; Diego Schapira; Fernanda Franzoni Zaguine; Henrique Bergamo; Jakeline Silvestre Fascina Vitor; Mariana Puchivailo; Rafaela Zerbini; Rosemyriam Cunha.
  4. 4. ANAIS DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA Associao de Musicoterapia do Paran (AMT-PR) ISSN 2447-2905 BRASIL 2015
  5. 5. 2015 ASSOCIAO DE MUSICOTERAPIA DO PARAN PERIDIOCIDADE ANUAL Os anais referentes ao Frum Paranaense de Musicoterapia uma publicao da Associao de Musicoterapia do Paran. As opinies expressadas nos artigos assinados so de inteira responsabilidade dos autores. Os artigos e documentos deste volume foram publicados com autorizao de seus autores e representantes. Associao de Musicoterapia do Paran Curitiba, Paran, Brasil Telefone: (41) 9181-3851 www.amtpr.com.br [email protected] Anais do XIV Frum Paranaense de Musicoterapia / Associao de Musicoterapia do Paran, Comisso Cientfica/AMT-PR v. 16, (2015)- . Curitiba, 1998-. Anual Resumo em portugus e ingls ISSN 2447-2905 1. Musicoterapia Peridicos. I. Associao de Musicoterapia do Paran CDD 615.837 CDD 615.85154 18. ed.
  6. 6. SUMRIO Programao do Frum........................................................................................................8 Apresentao......................................................................................................................11 Artigos para sesses de Comunicao Oral Atualizaes da Musicoterapia com pessoas em estado de conscincia mnima e estado vegetativo: o que a literatura nos diz - Camila S G Acosta Gonalves..............................12 Intervenes em grupo no contexto da musicoterapia social: reviso sistemtica Caroline Karasinski Barros; Rosemyrian Cunha.................................................................26 O modelo de cognio musical de Koelsch como base para intervenes musicoteraputicas em ambulatrio de neurologia- epilepsia- Fernanda Franzoni Zaguine; Clara Mrcia Piazzetta.......................................................................................................37 Musicoterapia em grupo com crianas no transtorno do espectro autista: manifestaes musicais e socioculturais - Brbara Virginia Cardoso Faria; Rosemyriam Cunha.............49 Um panorama histrico da construo do curso de musicoterapia na Embap/FAP Rafaela Zerbini...................................................................................................................65 A musicoterapeuta no servio de convivncia e fortalecimento de vnculos: construindo referncias - Jakeline Silvestre Fascina Vitor; Camila S G Acosta Gonalves.................77 Texto Palestra Reflexiones acerca de la Supervisin en Musicoterapia. Supervisin de un equipo de musicoterapeuta Diego Schapira.....................................................................................89
  7. 7. Oficina Interfaces de msica e instrumentos digitais em ambiente web- Henrique Bergamo......104 Resumo Musicoterapia e Cuidado em Sade Mental: Um estudo fenomenolgico das repercusses clnicas de uma experincia em grupo com pessoas em sofrimento psquico grave Mariana Puchivailo; Adriano Furtado Holanda.................................................................110 PROGRAMAO DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia SEXTA 16 DE OUTUBRO 17:00 s 17:30 Credenciamento 17:40 s 18:40 Construindo a Musicoterapia no Paran: perspectivas e atualidades Rafaela de Lima Zerbine 18:40 s 19:00 Coffee Break 19:00 s 19:30 Abertura do XVI Frum e I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia 19:30 s 21:00 A Musicoterapia na construo de prticas integradoras Prof Dr Diego Schapira SBADO 17 DE OUTUBRO 9:00 s 9:30 O modelo de cognio musical de Koelsch como base para intervenes musicoteraputicas em ambulatrio de neurologia- epilepsia- Fernanda Franzoni Zaguine; Clara Mrcia Piazzetta 9:30 s 10:00 Intervenes em grupo no contexto da musicoterapia social: reviso sistemtica Caroline Karasinski Barros; Rosemyrian Cunha 10:00 s 10:30 Atualizaes da Musicoterapia com pessoas em estado de conscincia mnima e
  8. 8. estado vegetativo: o que a literatura nos diz Camila S G Acosta Gonalves 10:30 s 11:00 Coffee Break 11:00 s 11:30 Musicoterapia e Cuidado em Sade Mental: Um estudo fenomenolgico das repercusses clnicas de uma experincia em grupo com pessoas em sofrimento psquico grave Mariana Puchivailo; Adriano Furtado Holanda 11:30 s 12:00 Musicoterapia em grupo com crianas no transtorno do espectro autista: manifestaes musicais e socioculturais Brbara Virginia Cardoso Faria; Rosemyriam Cunha 12:00 Almoo 14:00 Palestra: Reflexiones acerca de la Supervisin en Musicoterapia. Supervisin de un equipo de musicoterapeuta Prof Dr Diego Schapira 15:30 s 16:00 Coffee Break e Apresentao Musical 16:00 s 16:30 Um panorama histrico da construo do curso de musicoterapia na Embap/FAP Rafaela de Lima Zerbine 16:30 s 17:00 A musicoterapeuta no servio de convivncia e fortalecimento de vnculos: construindo referncias. Jakeline Silvestre Fascina Vitor; Camila S G Acosta Gonalves 17:00 s 17:45 Oficina: Instrumentos Musicais desenvolvidos em ambiente web e as possibilidades de utilizao na Musicoterapia e Educao Musical Henrique Bergamo 17:45 s 18:00 Encerramento DOMINGO 9 :00 s 12:00 Curso: Musicoterapia em Grupo Prof Dr Diego Schapira
  9. 9. 12:00 s 13:30 Almoo 13:30 s 15:30 Superviso Individual (Prof Dr Diego Schapira) 15:30 s 15:50 Coffee Break 15:50 Superviso Individual (Prof Dr Diego Schapira)
  10. 10. APRESENTAO com satisfao que apresentamos os Anais do 16 Frum da Associao de Musicoterapia do Paran (AMT-PR). A publicao deste peridico fruto do trabalho colaborativo de muitas pessoas: autores, pareceristas, conferencista, comisso editorial e equipe da AMT-PR gesto 2014- 2016. Os Fruns da AMTPR tm se constitudo em um espao compartilhado entre profissionais, professores e estudantes de Musicoterapia, para compartilhar conhecimento e atualidades da musicoterapia em nosso Estado. Agradecemos a participao no evento do Prof Dr Diego Schapira (Argentina) como conferencista convidado, tambm o apoio do SISMUC, que cedeu o espao fsico para o evento e a UNIPRIME pelos brindes. Nossa gesto Voz de Todo Grito deseja aos participantes do evento momentos de aprendizagem, trocas e novas amizades. Luz das estrelas Lao pro infinito Gosto tanto dela assim Rosa amarela Voz de todo grito Gosto tanto dela assim DJAVAN; CAETANO VELOSO 1 Noemi Nascimento Ansay Comisso Cientfica da AMT-PR 1 DJAVAN; CAETANO VELOSO. Linha do Equador. Coisa de Acender. Columbia, 1993
  11. 11. ATUALIZAES DA MUSICOTERAPIA COM PESSOAS EM ESTADO DE CONSCINCIA MNIMA E ESTADO VEGETATIVO: O QUE A LITERATURA NOS DIZ Camila Siqueira Gouva Acosta Gonalves2 RESUMO Esse trabalho uma reviso de literatura de Musicoterapia com pessoas com distrbios da conscincia, em estado de conscincia mnima e/ou estado vegetativo, com o objetivo de considerar o estado da arte da pesquisa em Musicoterapia com essa populao nos ltimos dois anos (2013-2015). Cinco estudos foram sistematizados em tabelas, sendo 1 relato de experincia e 4 de pesquisa. Eles foram analisados em relao a objetivos, metodologia, mtodo, participantes, uso da msica, medida de resultados, resultados e comentrios. Foram encontradas publicaes relativas s respostas fisiolgicas e de EEG de pessoas saudveis e com DC frente a diversos estmulos musicais, validao da ferramenta de musicoterapia MATADOC em adultos e sua possvel aplicao na pediatria, assim como um relato de caso de musicoterapia criativa avaliado por outra ferramenta comportamental, o WHIM. Constatou-se maior nfase na operacionalizao dos resultados dos trabalhos por meio de medidas de resultados e de evidncias. Foram realizadas recomendaes para a pesquisa e a prtica clnica a partir dessa reviso. Palavras-chave: Musicoterapia, Distrbios da Conscincia. ABSTRACT This paper is a literature review of Music Therapy with people with Disorders of Consciousness, in minimally conscious states or vegetative states, with the goal of verifying the state of the art of Music Therapy research with this population during the last two years (2013-2015). Five studies were systematized in tables, one of them is a case report and the four others are research-based studies. They were analyzed according to objectives, methodology, method, participants, use of music, outcome measures, results and comments. These were publications of behavioral, physiological and EEG responses of health people and people with DC to a diversity of musical stimuli; of standardization of the music therapy tool MATADOC with adults and its possible application in pediatrics, and a case report of Creative Music Therapy assessed by another behavioral tool, WHIM. The author verified more emphasis on quantifying the results according to outcome measures and evidences. Recommendations to research and clinical practice were also given. Keywords: Music Therapy, Disorders of Consciousness. 2 Musicoterapeuta (FAP/ CPMT 197/07 PR), pedagoga (UFPR) e mestre em Artes Terapias Criativas- Musicoterapia (Concordia University). Trabalha nas reas educacional, hospitalar e clnica, nfase em reabilitao neurolgica e sade mental. [email protected] lattes.cnpq.br/9121104314237383
  12. 12. Introduo Os termos Disorders of Consciousness e Low Awareness States tem sido empregados na referncia de dois tipos de diagnsticos: estado de conscincia mnima e estado vegetativo (GREENWALD & NORI, 2011). O primeiro dos termos tem sido mais frequentemente usado em publicaes atuais (OKELLY & MAGEE, 2013). Por esse motivo, ser utilizado o termo Distrbios da Conscincia (DC) para indicar pessoas em estado vegetativo e em estado de conscincia mnima (MENDES et al., 2012). Pessoas em estado de conscincia mnima (ECM) ou estado vegetativo (EV) recebem esse diagnstico geralmente aps sair de um coma, quando voltam a apresentar ciclos de sono e reaes a estmulos (GIACINO et al., 2002). Tais reaes podem ser evidncia de conscincia de si mesmo e de seu entorno (casos de ECM) ou reaes reflexas, sem inferncia dessa conscincia (EV) (GIACINO et al., 2002; GREENWALD & NORI, 2011; MACHADO & KOREIN, 2009; SOZZI & INZAGHI, 2011). O diagnstico diferencial ainda um desafio nesse campo, com a utilizao de exames comportamentais acompanhados de escalas sistematizadas para uma concluso assertiva (GREENWALD & NORI, 2011; SCHNAKERS et al., 2009). A audio de pessoas com DC tem sido muito investigada, uma vez que um sentido muito sensvel e pode estar presente em pessoas com alterao de conscincia e at mesmo em pessoas em estado de coma (ALDRIDGE, GUSTORFF & HANNICH, 1990; PUGGINA, SANTOS & SILVA, 2011). Pesquisas envolvendo a observao ou medio de reaes de pessoas com alteraes de conscincia a estmulos auditivos demonstraram uma reao mais significativa de sinais vitais e expresso facial de pessoas com DC ao escutarem mensagens gravadas de vozes de familiares do que ao escutarem a gravao de msicas preferidas, escolhidas para eles (PUGGINA, SANTOS & SILVA, 2011); e que pessoas com DC reagem de maneira diferente em termos de expresso facial e fisiologia diante de gravaes de estilos musicais diferentes, com a diminuio em frequncias cardaca, respiratria e presso arterial e aumento da oxigenao ao escutarem msica relaxante com sons da natureza (RIBEIRO et al., 2014).
  13. 13. Estmulos sonoros tm sido usados em ferramentas diagnsticas como o SMART (GILL-THWAITES & MUNDAY, 2004) por profissionais da sade, em especial da terapia ocupacional, e de maneira mais aprofundada e diversificada por profissionais da musicoterapia, com o MATLAS / MATADOC (MAGEE, 2007a). Na musicoterapia, o trabalho com pessoas com DC tem sido cada vez mais divulgado. As revises sistemticas mais recentes so as de Tamplin (2000), Gonalves (2013) e Brandalise (2014). Tamplin fez um apanhado histrico de abordagens de musicoterapia com essa populao, sugerindo o uso de improvisao musical e trazendo vinhetas de um breve trabalho com esse pblico (2000). A presente autora investigou como os musicoterapeutas trabalham com essa populao, sistematizando sua reviso com estudos de musicoterapia contendo relatos de caso, seja de pesquisa ou relato de experincia, e pesquisa nesse campo (GONALVES, 2013). Gonalves utilizou preceitos da Classificao Internacional da Funcionalidade, Incapacidade e Sade (CIF) para auxili-la na sistematizao da diversidade de trabalhos (2013). Brandalise tambm realizou uma reviso do tipo sistemtica para estudos de pesquisa com msica e musicoterapia com pessoas em DC e coma, fazendo comparaes entre intervenes descritas em ambos os campos musicoterapia e outros campos de pesquisa utilizando msica (2014). Porm, desde 2013 h estudos no contemplados nessas revises que trazem referencias, intervenes e resultados muito pertinentes para a musicoterapia. Dessa maneira, a autora realizou uma reviso sistemtica de pesquisas ou relatos de casos ligados musicoterapia com pessoas com DC. Atualizaes da Musicoterapia com Pessoas com Distrbios da Conscincia Foram identificados 5 estudos com participantes ou pacientes com DC publicados nos ltimos 2 anos e, portanto, no contemplados nas revises sistemticas de perodos anteriores. OKelly et al. (2013) fizeram uma pesquisa baseada em evidncias comparando reaes fisiolgicas, comportamentais e de ondas cerebrais (por eletroencefalograma, EEG) de pessoas com DC e pessoas
  14. 14. saudveis diante de diversos estmulos auditivos. Tal estudo foi publicado na revista Frontiers in Human Neuroscience. Os autores OKelly & Magee (2013) realizaram um estudo comparativo entre as ferramentas MATADOC anteriormente nomeado MATLAS (OKELLY & MAGEE, p. 298, 2013) e SMART, por meio de auditoria de 42 pronturios de pessoas com DC com registros de ambas avaliaes. Essa pesquisa foi publicada na revista Neuropsychological Rehabilitation. Novamente em relao ao MATADOC, Magee et al. (2014) realizaram um estudo de validao da principal sub-escala dessa ferramenta, relativa ao diagnstico diferencial entre EV e EMC a partir de uma amostra de 21 pacientes com DC. Esse estudo foi tambm publicado na revista Neuropsychological Rehabilitation. Lichtensztejn, Macchi & Lischinsky (2014) realizaram um relato de caso de um paciente com DC e a particularidade de sua avaliao e tratamento em musicoterapia com a abordagem Nordoff-Robbins. As autoras analisaram o caso a partir de caractersticas da msica como veculo de mudana e das atualidades da neurocincia (LICHTENSZTEJN, MACCHI & LISCHINSKY, 2014). Esse relato de caso foi publicado na revista Music Therapy Perspectives. O ltimo artigo foi um estudo pr-piloto da aplicao do MATADOC na pediatria (MAGEE, GHETTI & MOYER, 2015). As autoras realizaram comparaes do MATADOC entre avaliadores e com 3 outras escalas na avaliao de 4 pacientes, e discutiram a sua aplicabilidade em relao a caractersticas importantes dessa fase da vida, como o desenvolvimento da linguagem e global infantil (MAGEE, GHETTI & MOYER, 2015). Tal estudo foi publicado na revista Frontiers in Psychology. As caractersticas principais de cada publicao foram resumidas e sistematizadas nas tabelas a seguir.
  15. 15. Tabela 1: Estudos Recentes com Participantes Tabela 2: Estudos Recentes com Participantes: Continuao
  16. 16. Tabela 3: Estudos Recentes com Participantes: Final Em relao aos objetivos, 3 dos estudos tinham objetivos ligados validao da ferramenta MATADOC (OKELLY & MAGEE, 2013; MAGEE ET AL., 2014; MAGEE, GHETTI & MOYER, 2015). O Kelly et al. trouxeram objetivos em relao verificao da eficcia de 2 intervenes utilizadas no MATADOC: a improvisao com o entrainment (ligada respirao) e a utilizao de msica favorita (2013) e Lichtensztejn, Macchi & Lischinsky realizaram um relato de caso dialogando com musicoterapia da abordagem Nordoff-Robbins e Neurocincias (2014). Em relao metodologia, 4 estudos foram de pesquisa quantitativa (OKELLY ET AL., 2013; OKELLY & MAGEE, 2013; MAGEE ET AL., 2014; MAGEE, GHETTI & MOYER, 2015) e 1 estudo foi um relato de caso. Dos estudos de pesquisa, 1 utilizou delineamento de base mltipla na comparao de respostas fisiolgicas e comportamentais aos estmulos, com os pesquisadores cegos aos resultados de cada medida durante a anlise (OKELLY et al., 2013) e 3
  17. 17. utilizaram ferramentas de anlise ligadas pesquisa psicomtrica, com concordncias inter, intra e externas (comparadas a outras ferramentas) dos resultados do MATADOC, com nveis de cegamento (OKELLY & MAGEE, 2013; MAGEE ET AL., 2014; MAGEE, GHETTI & MOYER, 2015). O estudo de caso realizou uma descrio sistematizada das fases de avaliao e tratamento, seguida da discusso dos resultados (LICHTENSZTEJN, MACCHI & LISCHINSKY, 2014). Esse foi o nico estudo em que no houve a identificao de qual quem realizou as intervenes musicoteraputicas com o paciente/ participante. Em relao aos objetivos, 3 dos estudos tinham objetivos ligados validao da ferramenta MATADOC (OKELLY & MAGEE, 2013; MAGEE ET AL., 2014; MAGEE, GHETTI & MOYER, 2015). O Kelly et al. trouxeram objetivos em relao verificao da eficcia de 2 intervenes utilizadas no MATADOC: a improvisao com o entrainment (ligada respirao) e a utilizao de msica favorita (2013) e Lichtensztejn, Macchi & Lischinsky realizaram um relato de caso dialogando com musicoterapia da abordagem Nordoff-Robbins e Neurocincias (2014). Em relao metodologia, 4 estudos foram de pesquisa quantitativa (OKELLY ET AL., 2013; OKELLY & MAGEE, 2013; MAGEE ET AL., 2014; MAGEE, GHETTI & MOYER, 2015) e 1 estudo foi um relato de caso. Dos estudos de pesquisa, 1 utilizou delineamento de base mltipla na comparao de respostas fisiolgicas e comportamentais aos estmulos, com os pesquisadores cegos aos resultados de cada medida durante a anlise (OKELLY et al., 2013) e 3 utilizaram ferramentas de anlise ligadas pesquisa psicomtrica, com concordncias inter, intra e externas (comparadas a outras ferramentas) dos resultados do MATADOC, com nveis de cegamento (OKELLY & MAGEE, 2013; MAGEE ET AL., 2014; MAGEE, GHETTI & MOYER, 2015). O estudo de caso realizou uma descrio sistematizada das fases de avaliao e tratamento, seguida da discusso dos resultados (LICHTENSZTEJN, MACCHI & LISCHINSKY, 2014). Esse foi o nico estudo em que no houve a identificao de qual quem realizou as intervenes musicoteraputicas com o paciente/ participante.
  18. 18. Todos os estudos tiveram participantes, sendo que 4 deles foram adultos (OKELLY ET AL., 2013; OKELLY & MAGEE, 2013; MAGEE ET AL., 2014; LICHTENSZTEJN, MACCHI & LISCHINSKY, 2014) e 1 deles foi com 3 crianas e 1 adolescente (MAGEE, GHETTI & MOYER, 2015). Um estudo teve um grupo de pessoas saudveis (OKELLY ET AL., 2013) e outro fez comparaes de ferramentas diagnsticas em pronturios de pacientes (MAGEE ET AL., 2014), sem realizar intervenes musicoteraputicas como mtodo, e sim pesquisando o resultado das anteriormente realizadas durante fase de avaliao (MATADOC). Em relao ao uso da msica, 4 estudos envolveram o MATADOC (OKELLY & MAGEE, 2013; MAGEE ET AL., 2014; MAGEE, GHETTI & MOYER, 2015) ou intervenes musicoteraputicas deste (OKELLY ET AL., 2013). Alm de duas intervenes citadas do MATADOC, OKelly et al. aplicaram o silncio, msica gravada que participante no gosta e rudo branco gravado (2013). As descries das intervenes do MATADOC foram curtas, relatando objetivamente os usos de improvisao do tipo entrainment com o uso do nome do paciente/participante (OKELLY ET AL., 2013), apresentao de estmulos visuais e auditivos relacionados msica, e de msica preferida do mesmo (OKELLY ET AL., 2013; OKELLY & MAGEE, 2013; MAGEE ET AL., 2014; MAGEE, GHETTI & MOYER, 2015), apresentados ao vivo ou raramente gravados. Ao contrrio dos estudos mencionados, Lichtensztejn, Macchi & Lischinsky apresentaram em detalhes as caractersticas da msica improvisada e das reaes do paciente, incluindo o uso de uma interveno sensorial e rtmica: de um membro da famlia apertando a mo do paciente em um padro rtmico simples descrito por meio de figura musical (2014). A fase do tratamento foi apresentada com menos detalhes, e houve a meno de uso de canes familiares e preferidas do paciente nessa fase, com intervenes individuais e envolvendo a sua famlia (LICHTENSZTEJN, MACCHI & LISCHINSKY, 2014). Todos os estudos apresentaram medidas quantitativas de resultados, 4 deles mencionando anlises estatsticas (OKELLY ET AL., 2013; OKELLY & MAGEE, 2013; MAGEE ET AL., 2014; MAGEE, GHETTI & MOYER, 2015), e 4 mencionando ferramentas diagnsticas comportamentais (OKELLY ET AL., 2013;
  19. 19. OKELLY & MAGEE, 2013; LICHTENSZTEJN, MACCHI & LISCHINSKY, 2014; MAGEE, GHETTI & MOYER, 2015). OKelly et al. utilizaram medidas fisiolgicas e eletroencefalograma (2013), e Lichtensztejn, Macchi & Lischinsky tiveram as intervenes avaliadas pelo WHIM, Wessex Head Injury Matrix nas avaliaes iniciais e finais (2014). Magee et al. mencionaram correlaes e outras anlises estatsticas, uma vez em que o objetivo do estudo era a validao da ferramenta diagnstica em si, o MATADOC (2014). Em relao aos resultados, todos os estudos trouxeram resultados positivos, dentre eles: alto grau de concordncia entre SMART e MATADOC (OKELLY & MAGEE, 2013); a validao da sub-escala do MATADOC (MAGEE ET AL., 2014); concordncias entre o MATADOC e outras escalas, aplicado em crianas (MAGEE, GHETTI & MOYER, 2015). OKelly et al. verificaram a qualidade da estimulao no EEG do estmulo msica favorita, tocado ao vivo, nos participantes sadios, e um comportamento de piscar de olhos mais frequente em pessoas em EV (2013), e Lichtensztejn, Macchi & Lischinsky relataram que o diagnstico do paciente mudou de EV para ECM no final do tratamento intensivo segundo a escala WHIM em sua avaliao neuropsicolgica, alm de detalharem a melhora de suas respostas funcionais, inclusive motoras, ao final de seu processo breve (2014). Dentre os comentrios, destacam-se a insero da musicoterapia na avaliao inicial de pacientes com DC na instituio de reabilitao em que o paciente foi atendido (LICHTENSZTEJN, MACCHI & LISCHINSKY, 2014) e a recomendao de uso do MATADOC no s na clnica da musicoterapia, mas tambm em futuras pesquisas utilizando estmulos musicais com pessoas com DC (MAGEE ET AL., 2014). Discusso Nesses ltimos dois anos, houve um aumento de pesquisas envolvendo musicoterapia e pessoas com DC, uma vez em que em 2012 a autora havia encontrado somente 2 pesquisas na rea, alm de 5 estudos com vinhetas ou descrio de caso (GONALVES, 2013) num perodo entre 2000 e 2012. Os
  20. 20. pontos fortes dos 4 estudos de pesquisa so o mtodo e a anlise, delineados de modo a fortalecer e aprimorar as possibilidades de diagnstico de pessoas com DC por meio de atividades musicais aplicadas por musicoterapeutas (OKELLY & MAGEE, 2013; MAGEE ET AL., 2014; MAGEE, GHETTI & MOYER, 2015) e investigar os efeitos de algumas das intervenes na rea por meio de evidncias (OKELLY, 2013). O rigor no mtodo em relao ao cegamento e na descrio de seus aplicadores (musicoterapeutas treinados no uso do MATADOC) tambm so um fator de desenvolvimento na rea. Contudo, h poucas descries e pesquisa em relao ao tratamento intensivo e processo desses participantes na musicoterapia. O estudo de Lichtensztejn, Macchi & Lischinsky (2014) traz essa descrio, com especial destaque na avaliao, mas tambm no planejamento e implementao do tratamento (2014). Apesar de Tamplin (2000) e Magee (2005, 2007b) haverem trazido relatos de caso anteriormente, o estudo de Lichtensztejn, Macchi & Lischinsky traz detalhes de msica improvisada e do uso do ritmo em relao s respostas do paciente de maneira inovadora, alm de relatarem a conduo do processo e resultados quantitativos na avaliao e na concluso do tratamento (2014). Tal relato demonstra a importncia da msica utilizada pelo musicoterapeuta de maneira criteriosa e criativa no s no diagnstico, mas tambm no desenvolvimento e evoluo do caso. Diferente dos estudos de pesquisa, o relato de caso no trouxe detalhes dos/as musicoterapeutas responsveis pelo paciente na avaliao e em seu processo (LICHTENSZTEJN, MACCHI & LISCHINSKY, 2014) em relao ao treinamento e experincia. Essas informaes so muito importantes para averiguar qual o treinamento necessrio para garantir o trabalho sistematizado e eficaz da musicoterapia com pessoas com DC. Por fim, todos os estudos apresentaram medidas quantitativas de resultados, o que garante um rigor metodolgico tanto na pesquisa quanto na clnica da musicoterapia e pessoas com DC. Alm disso, as intervenes identificadas vo de improvisao clnica a uso de canes e msicas preferidas e significativas pessoa com DC, preferencialmente ao vivo.
  21. 21. Consideraes Finais Essa reviso de literatura consistiu em levantar o estado da arte da musicoterapia com pessoas com DC nos ltimos dois anos, apresentando 5 estudos de musicoterapia, 4 de pesquisa e 1 relato de experincia. Uma limitao da reviso foi o acesso a textos somente em ingls, podendo haver outros estudos nesse perodo no contemplados nessa reviso. Um ponto forte da reviso foi a leitura de estudos de ponta conduzidos por musicoterapeutas conhecidos nessa rea, tanto nos EUA, Reino Unido e Argentina, e com foco especfico da musicoterapia na reabilitao. Aps esse estudo, recomenda-se que os autores identifiquem os musicoterapeutas aplicadores nas prximas publicaes, e que haja pesquisas na rea envolvendo processo em musicoterapia, alm do uso da msica como diagnstico. Estudos de caso quantitativos e longitudinais so recomendados, com o trabalho prximo aos familiares, como relatado por Lichtensztejn, Macchi & Lischinsky (2014), assim como a possibilidade de maior explorao da musicoterapia com crianas e adolescentes com DC. Espera-se que essa reviso possa ter colaborado na atualizao dos musicoterapeutas que trabalham com pessoas com DC, com mltiplas deficincias, e outras populaes na reabilitao. Referncias ALDRIDGE, D.; GUSTORFF, D.; HANNICH, H. J. Where am I? Music therapy applied to coma patients. Journal of the Royal Society of Medicine, 83(6), 345 346, 1990. BRANDALISE, A. A aplicao da msica, realizada por musicoterapeutas e por outros profissionais da sade, com pessoas em estados de baixo limiar de ateno: uma reviso sistemtica. Revista Brasileira de Musicoterapia, ano XIV n. 17, 69-85, 2014.
  22. 22. GILL-THWAITES, H.; MUNDAY, R. The sensory modality assessment and rehabilitation technique (SMART): A valid assessment for vegetative state and minimally conscious state patients. Brain Injury, 18(12), 12551269, 2004. GONALVES, C. S. G. A. Music Therapy with People in Low Awareness States: A Systematic Review. Montreal, Canad, 2013, 57f. (Pesquisa de Mestrado). Departamento de Terapias Artsticas Criativas, Universidade Concordia. GREENWALD, B.; NORI, P. Disorders of consciousness. In ZOLLMAN, F. S. (Ed.), Manual of traumatic brain injury management. Demos Medical Publishing Version, 2011. http://0lib.myilibrary.com.mercury.concordia.ca?ID=313246 LICHTENSZTEJN, M.; MACCHI, P.; LISCHINSKY, A. Music Therapy and Disorders of Consciousness: Providing Clinical Data for Differential Diagnosis between Vegetative State and Minimally Conscious State from Music-Centered Music Therapy and Neuroscience Perspectives. Music Therapy Perspectives, 32 (1), 47-55, Julho, 2014. MACHADO, C; KOREIN, J. Persistent vegetative and minimally conscious states. Reviews in the Neurosciences, v. 20, 34, 203220, 2009. MAGEE, W. L. Development of a music therapy assessment tool for patients in low awareness states. NeuroRehabilitation, 22 (4), 319324, 2007. MAGEE, W. L. (2005). Music therapy with patients in low awareness states: Approaches to assessment and treatment in multidisciplinary care. Neuropsychological Rehabilitation, 15(3-4), 522536, 2005
  23. 23. MAGEE, W. L. (2007a). Music as a diagnostic tool in low awareness states: Considering limbic responses. Brain Injury, 21(6), 593599, 2007. MAGEE, W. L.; SIEGERT, R. J.; DAVESON, B. A.; LENTON-SMITH, G.; TAYLOR, S. M. Music Therapy Assessment Tool for Awareness in Disorders of Consciousness (MATADOC): Standardisation of the principal subscale to assess awareness in patients with disorders of consciousness. Neuropsychological Rehabilitation, 1(24), 101-124, 2014. MAGEE, W. L.; GHETTI, C. M.; MOYER, A. Feasibility of the music therapy assessment tool for awareness in disorders of consciousness (MATADOC) for use with pediatric populations. Frontiers in Psychology, 6, 1-12, Maio, 2015. MENDES, P. D.; MACIEL, M. S.; BRANDO, M. V. T.; ROZENTAL-FERNANDES, P. C.; ANTONIO, V. E.; KODAIRA, S. K.; SIQUEIRA-BATISTA, R. Distrbios da Conscincia Humana Parte 1 de 3: Bases Neurobiolgicas. Revista de Neurocincias, 3 v. 20, 437-443, 2012. OKELLY, J. L.; MAGEE, W. L. The complementary role of music therapy in the detection of awareness in disorders of consciousness: An audit of concurrent SMART and MATADOC assessments. Neuropsychological Rehabilitation, 2(23), 287-298, 2013. OKELLY, J.; JAMES, L.; PALANIAPPAN, R.; TABORIN, J.; FACHNER, J.; MAGEE, W. L. Neurophysiological and behavioral responses to music therapy n vegetative and minimally conscious states. Frontiers in Human Neuroscience, 7, 1-15, Dezembro, 2013. PUGGINA, A. C. G., SILVA, M. J. P., & SANTOS, J. L. F. (2011). Use of music and voice stimulus on patients with disorders of consciousness. Journal of Neuroscience Nursing, 1 v. 43, 8-16, Fevereiro de 2011.
  24. 24. RIBEIRO, A. S. F.; RAMOS, A.; BERMEJO, E.; CASERO, M.; CORRALES, J. M.; GRANTHAM, S. Effects of Different Muscial Stimuli in Vital Signs and Facial Expressions in Patients with Cerebral Damage: A Pilot Study. Journal of Neuroscience Nursing, 2 v. 46, 117-124, Abril de 2014. SCHNAKERS, C., VANHAUDENHUYSE, A., GIACINO, J., VENTURA, M., BOLY, M., MAJERUS, S. LAUREYS, S. (2009). Diagnostic accuracy of the vegetative and minimally conscious state: Clinical consensus versus standardized neurobehavioral assessment. BMC Neurology, 9, 3539. SOZZI, M.; INZAGHI, M. G. (2011). Instruments for evaluation of altered states of consciousness. Neuropsychological Trends, 10, 2542, 2011. TAMPLIN, J. Improvisational music therapy approaches to coma arousal. The Australian Journal of Music Therapy. 11, 38-51, 2000.
  25. 25. 26 ANAIS DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA e I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia. Volume 16 2015. INTERVENES EM GRUPO NO CONTEXTO DA MUSICOTERAPIA SOCIAL: REVISO SISTEMTICA Caroline Karasinski Barros3 Rosemyriam Cunha4 Universidade Estadual do Paran (UNESPAR) Campus de Curitiba II - FAP (Faculdade de Artes do Paran) RESUMO Este trabalho trata-se de uma reviso sistemtica sobre a publicao no campo da Musicoterapia Social no perodo de 2000 a 2014. Foram consultadas as bases de dados COCHRANE, LILACS, Peridicos CAPES e SCIELO com o descritor Musicoterapia. A busca resultou na recuperao de artigos em uma variedade de campos do saber que fazem uso da msica. Os dados mostraram um nmero expressivo de trabalhos no contexto da Musicoterapia Social. Palavras-chave: Musicoterapia; Msica; Musicoterapia e Grupo. ABSTRACT This work is a systematic review on the Social Music Therapy publication ranging from 2000 to 2014. The COCHRANE, LILACS, Peridicos CAPES and SCIELO data bases have been searched with the descriptor Musicoterapia. The research has recovered a variety of papers from different realms of knowledge. Data has showed an expressive number of works on the Music Therapy in the social context. Keywords: Music Therapy; Music; Music Therapy and Group. O presente trabalho tem o objetivo de apresentar o resultado de uma reviso sistemtica sobre o contexto do trabalho em grupo no campo da Musicoterapia Social. Para essa reviso foram selecionados os artigos publicados na ntegra em portugus, no perodo entre 2001 e 2014 e que pudessem ser recuperados a partir de descritores. Esse perodo de recorte foi determinado por ser o tempo em que, na 3 Graduanda do curso de Musicoterapia da Universidade Estadual do Paran (UNESPAR) Campus de Curitiba II Faculdade de Artes do Paran (FAP) e bolsista do Programa de Iniciao Cientfica (PIC/UNESPAR) do PIBIC/Fundao Araucria. Email: [email protected] 4 Doutora em Educao pela Universidade Federal do Paran (UFPR). Professora do curso de Musicoterapia da Universidade Estadual do Paran (UNESPAR) Campus de Curitiba II Faculdade de Artes do Paran (FAP). Lder e pesquisadora do Ncleo de Pesquisas Interdisciplinares em Musicoterapia (NEPIM). Email: [email protected]
  26. 26. 27 ANAIS DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA e I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia. Volume 16 2015. rea da Musicoterapia, o campo social se expandiu (Oselame e Carvalho, 2013). Na busca pelos textos, o Portal Peridicos Capes e as bases COCHRANE, LILACS e SCIELO foram as que deram resultados positivos no acesso aos artigos com o tema aqui escolhido. Essa reviso foi desenvolvida em 4 etapas que, a partir da viso geral proporcionada por uma primeira aproximao s bases de dados, progrediu para um refinamento conforme descrito a seguir. Na primeira etapa foi feita a busca de descritores no Portal DECS. Descritores so palavras estudadas por especialistas para compor um objeto de estudo, e para esta reviso, foram encontrados: Musicoterapia, em portugus, e Music Therapy, em ingls. Para seguir os critrios de incluso determinados para essa reviso (textos na ntegra em portugus), acatou-se somente o descritor Musicoterapia. Com o descritor definido, seguiu-se para a segunda etapa da investigao que foi a busca pelos textos. O resultado dessa busca foi organizado em uma tabela que mostrou o nmero total de textos encontrados nas bases de dados acima citadas. Esse material serviu de referncia para o desenvolvimento de toda essa pesquisa. No total foram encontrados 928 textos que, disponibilizados na rede internacional de computadores, foram recuperados nas bases de dados com o descritor Musicoterapia. Este conjunto de dados foi organizado em uma tabela com as seguintes classificaes: a) descritor, b) base de dados, c) nmero de artigos, d) ttulo, c) resumo, d) texto na ntegra, e) ingls, f) portugus, g) espanhol. Devido ao volume de informaes a tabela ocupou um espao que excede aos limites deste artigo, por essa razo, optou-se por disponibilizar abaixo o resumo dessa primeira grande garimpagem de artigos. O Quadro 1 mostra o cenrio geral com todos os artigos encontrados no incio da pesquisa. DESCRITOR BASE DE DADOS NMERO DE ARTIGOS Musicoterapia LILACS 144 Musicoterapia SCIELO 42 Musicoterapia COCHRANE 525 Musicoterapia CAPES 217 TOTAL DOS TEXTOS 928 QUADRO 1 - Total de artigos encontrados
  27. 27. 28 ANAIS DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA e I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia. Volume 16 2015. A terceira etapa do trabalho foi a filtragem dos artigos reunidos na grande tabela. Devido ao nmero e a diversidade de temas e formatos de apresentao dos textos, houve um refinamento do total dos manuscritos recuperados. Para a seleo foi utilizado o operador booleano5 /e/ para articular os termos Musicoterapia e Grupo. A partir dessa articulao, as bases LILACS, SCIELO e Peridicos Capes deram acesso aos artigos que permaneceram nessa investigao. Os textos sugeridos na COCHRANE deram acesso apenas a resumos, por isso foram desconsiderados aqui. Os resultados encontram-se no Quadro 2 a seguir: DESCRITOR BASE DE DADOS NMERO DE ARTIGOS Musicoterapia e Grupo SCIELO 19 Musicoterapia e Grupo LILACS 11 Musicoterapia e Grupo Portal Peridicos CAPES 10 TOTAL DE TEXTOS 40 Quadro 2 Total de textos selecionados para a leitura A quarta etapa da reviso foi a leitura dos textos conforme os critrios estabelecidos. Os artigos selecionados tratavam do assunto Musicoterapia e Grupo e Msica e Grupo. Na leitura percebeu-se que havia diferentes abordagens descritas nos artigos, ou seja, os textos estavam fundamentados em a) aportes de base biomdica e b) de base social. Por modelo biomdico e social, entende-se aqui, conforme Oliver (1990), duas vertentes interpretativas diferentes. O modelo biomdico seria uma corrente epistemolgica que localiza a problemtica na doena e nas limitaes que so causadas pela patologia. Nessa forma de pensar, a limitao de vida da pessoa recai sobre a doena e o mdico seria o profissional qualificado para medicalizar e curar. J no modelo social, no se negam que dificuldades possam resultar das patologias, mas acredita- se na responsabilidade da sociedade que falha em oferecer condies adequadas ao desenvolvimento das pessoas com necessidades especiais ou no. 5 Expresso criada por George Boole, matemtico ingls e criador da lgebra booleana, para definir o sistema de busca e fazer uma combinao lgica entre termos e expresses de uma pesquisa. As palavras utilizadas so and/e, or/ou e not/no, a fim de delimitar a pesquisa. Fonte: http://www.dbd.puc-rio.br/wordpress/?p=116
  28. 28. 29 ANAIS DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA e I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia. Volume 16 2015. Encontrou-se assim 18 artigos na fundamentao biomdica e 22 com fundamentao social. A leitura dos 40 artigos refinados at aqui levaram concluso dessa etapa da pesquisa com o encontro de relatos de uma prtica denominada em vrios artigos por teraputica musical (Bergold e Alvim, 2009) e os da prtica musical musicoteraputica em grupo. Com essa descoberta iniciou-se, ento, a fase de organizao dos textos conforme sua fundamentao terica. Os Quadros 4 e 5 mostram o resultado dessa classificao: Quadro 3 Artigos com fundamentao biomdica TTULO AUTOR ANO LINK A influncia de ritmos musicais sobre a percepo dos estados subjetivos de pacientes adultos em hemodilise Leandro Bechert Caminha, Maria Jlia Paes da Silva, Eliseth Ribeiro Leo 2009 http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v43n4/a26v43n4.pdf A influncia do mtodo de Musicoterapia de John Bean e da Musicoterapia em geral na representao espacial do corpo de pessoas com paralisia cerebral (2004-2010) Jos Maria Fernndez Batanero, Micaela Cardoso Rogo 2010 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413- 65382010000300003 A msica na terminalidade humana: concepes dos familiares Catarina Aparecida Sales, Vladimir Araujo da Silva, Calope Pilger, Sonia Silva Marcon 2011 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080- 62342011000100019 A msica teraputica como uma tecnologia aplicada ao cuidado e ao ensino de enfermagem Leila Brito Bergold, Neide Aparecida Titonelli Alvim 2009 http://www.scielo.br/pdf/ean/v13n3/v13n3a12 A Musicoterapia pode aumentar os ndices de aleitamento materno entre mes de recm- nascidos prematuros: um ensaio clnico randomizado controlado Martha N. S. Vianna, Arnaldo P. Barbosa, Albelino S. Carvalhaes, Antonio J. L. A. Cunha 2011 http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0021- 75572011000300005&script=sci_arttext Efeito da msica no trabalho de parto e no recm-nascido Camila Sotilo Tabarro, Luciane Botinhon de Campos, Natlia Oliveira Galli, Neil Ferreira Novo, Valdina Marins Pereira 2010 http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v44n2/29 Efetividade da Fisioterapia associada Musicoterapia na doena de Parkinson Fernanda Correa Yamashita, Tane Cristine Saito, Isabela Andrelino de Almeida, Natlia Mariano Barboza, Suhaila Mahmoud Smaili Santos 2012 http://www.redalyc.org/pdf/929/92924959019.pdf Impacto de um programa de Musicoterapia sobre o nvel de estresse de profissionais de sade Gunnar Glauco de Cunto Taets, Claudio Joaquim Borba-Pinheiro, Nbia Maria Almeida de 2013 http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034- 71672013000300013&script=sci_arttext
  29. 29. 30 ANAIS DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA e I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia. Volume 16 2015. Figueiredo, Estlio Henrique Martins Dantas Influncia da msica na dor e na ansiedade decorrentes de cirurgia em pacientes com cncer de mama Francisco Edilson Leite Pinto Junior, Diogo Luiz de Magalhes Ferraz, Eduardo Queiroz da Cunha, Igor Rafael Martins dos Santos, Milena da Costa Batista 2012 http://www.inca.gov.br/rbc/n_58/v02/pdf/03_artigo_influencia_ musica_dor_ansiedade_decorrentes_cirurgia_pacientes_canc er_mama.pdf Influncia dos encontros musicais no processo teraputico de sistemas familiares na Quimioterapia Leila Brito Bergold, Neide Aparecida Titonelli Alvim 2011 http://www.scielo.br/pdf/tce/v20nspe/v20nspea14.pdf Msica e identidade: relatos de autobiografias musicais em pacientes com esclerose mltipla Ceclia Cavalieri Frana, Shirlene Vianna Moreira, Marco Aurlio Lana-Peixoto, Marcos Aurlio Moreira 2009 http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517- 75992009000200007&script=sci_arttext&tlng=es Msica e um pouco de silncio: da voz ao sujeito Carolina Mousquer Lima, Maria Cristina Poli 2012 http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1516- 14982012000300002&script=sci_arttext Musicoterapia com gestantes: espao para construo e ampliao do ser Ana Maria Loureiro de Souza Delabary 2001 https://drive.google.com/file/d/0B7- 3Xng5XEkFMTM5ZTY0MDItNzY2NS00MTZjLWI3OTctNzM2 MzVkYmIwZDE2/view?authkey=CIje3rQG&ddrp=1&hl=pt_BR# Musicoterapia e exerccios teraputicos na qualidade de vida de idosos institucionalizados Neuza Maria Sangiorgio Mozer, Sheila Gemelli de Oliveira, Marilene Rodrigues Portella 2011 http://seer.ufrgs.br/RevEnvelhecer/article/view/14348 Musicoterapia: semelhanas e diferenas na produo musical de Alcoolistas e Esquizofrnicos Claudia Regina de Oliveira Zanini 2002 https://drive.google.com/file/d/0B7- 3Xng5XEkFekV2X0dKTU5UVld5aUs1REFqVUlSZw/view Tecnologia assistiva de vivncias musicais na recuperao vocal de idosos portadores de Doena de Parkinson Edmia Campo Meira, Edite Lago da Silva Sena, Andra dos Santos Souza, Virgnia Maria Mendes Oliveira Coronago, Lucia Hisako Takase Gonalves, Elienai Teixeira dos Santos, Ana Alice da Silva Ba Sorte, Lorena Teixeira Santos 2008 http://revista.unati.uerj.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1 809-98232008000300004&lng=pt Utilizao de experincias musicais como terapia para sintomas de nusea e vmito em Quimioterapia Gabriela Jorge Silva, Mirlene dos Santos Fonseca, Andrea Bezerra Rodrigues, Patrcia Peres de Oliveira, Dbora Rabelo Magalhes Brasil, Maysa Mayran Chaves Moreira 2014 http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034- 71672014000400630&script=sci_arttext
  30. 30. 31 ANAIS DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA e I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia. Volume 16 2015. Visita musical como uma tecnologia leve de cuidado Leila Brito Bergold, Neide Aparecida Titonelli Alvim 2009 http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104- 07072009000300017&script=sci_arttext Quadro 4 Artigos com fundamentao social TTULO AUTOR ANO LINK A insero da Musicoterapia na rotina de vida de uma comunidade albergada Carolina Batista, Rosemyriam Cunha 2009 https://drive.google.com/file/d/0B7- 3Xng5XEkFOGFiZDA1ZDYtZDAxOS00NTBjLTg4ZjUtNWQ 1NWExOTNkMDdk/view A Musicoterapia e sua insero nas polticas pblicas anlise de uma experincia Sofia Cristina Dreher 2011 https://drive.google.com/file/d/0B7- 3Xng5XEkFaFRSQ2FQdWJJeUU/view A Musicoterapia na sala de espera de uma Unidade Bsica de Sade: assistncia, autonomia e protagonismo Adriana de Freitas Pimentel, Ruth Machado, Marly Chagas 2011 http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1414- 32832011000300010&script=sci_arttext A Musicoterapia num contexto educacional: perspectivas de atuao Laryane Carvalho Loureno da Silva 2011 https://drive.google.com/file/d/0B7- 3Xng5XEkFWm44Vnk3UzRpcVU/view A paisagem sonora contempornea do bairro da Rocinha na perspectiva histrica da construo da identidade pessoal, influncias tnicas e implicaes comportamentais sob a tica da Musicoterapia Marta Estrella Esteves 2013 https://docs.google.com/file/d/0B7- 3Xng5XEkFQlJQMGZwQkFLYlU/edit A pesquisa em Musicoterapia no cenrio social brasileiro Mariane Oselame, Fernanda Carvalho 2013 https://docs.google.com/file/d/0B7- 3Xng5XEkFVk9hU3duemJhcjA/edit A relao entre os aspectos sonoro-musicais e a dinmica do grupo em Musicoterapia Talita Faria Almeida, Claudia Regina de Oliveira Zanini, Ludmila de Castro Silva, Roberta Borges dos Santos 2012 https://drive.google.com/file/d/0B7- 3Xng5XEkFSFhVWDdHQ1N1VkU/view A utilizao da msica nas atividades educativas em grupo na Sade da Famlia Liliam Barbosa Silva, Snia Maria Soares, Maria Jlia Paes da Silva, Graziela da Costa Santos, Maria Teresinha de Oliveira Fernandes 2013 http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104- 11692013000200632&script=sci_arttext&tlng=pt Aprendendo a partir da experincia em grupo: ritmos e expresso corporal para a educao infantil Mariana Zamberlan Nedel 2010 http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1677- 29702010000200009&script=sci_arttext Apropriao musical: a arte de ouvir Rap Jaison Hinkel, Ktia Maheirie 2011 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141 3-73722011000300006 Comigo no, violo!: Musicoterapia com mulheres em situao de violncia domstica Danili Busanello Krob, Laura Franch Schmidt da Silva 2012 https://drive.google.com/file/d/0B7- 3Xng5XEkFakhqUzU1TW1TTUU/view Encontros musicais como recurso em cuidados paliativos oncolgicos a usurios de casas de apoio Vladimir Araujo da Silva, Catarina Aparecida Sales 2013 http://www.revistas.usp.br/reeusp/article/view/78004
  31. 31. 32 ANAIS DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA e I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia. Volume 16 2015. Experincias com um grupo de crianas atravs da msica: um estudo psicanaltico Joo Paulo Evangelista Carvalho, Antnios Trzis 2009 http://www.bibliotecadigital.puc- campinas.edu.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=407 Grupo musical uma estratgia de promoo de sade para o envelhecimento ativo: contribuies para a enfermagem Gerontogeritrica Simone Feliciano de Abreu 2013 http://bases.bireme.br/cgi- bin/wxislind.exe/iah/online/?IsisScript=iah/iah.xis&src=googl e&base=LILACS&lang=p&nextAction=lnk&exprSearch=727 977&indexSearch=ID Musicoterapia e Sade Mental: relato de uma experimentao rizomtica Raquel Siqueira da Silva, Marcia Moraes 2007 http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/revistapsico/ article/view/1423 Musicoterapia e o cuidado ao cuidador: uma experincia junto aos Agentes Comunitrios de Sade na favela Monte Azul Mariane Carvalho Carib de Arajo Pinho, Belkis Vinhas Trench 2012 https://drive.google.com/file/d/0B7- 3Xng5XEkFZWxaMmRhcnF2dHc/view Musicoterapia institucional na sade do trabalhador: conexes, interfaces e produes Laize Guazina, Jaqueline Tittoni 2009 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010 2-71822009000100013 O coral cnico Cidados Cantantes: um espao de encontro entre a msica e a sade Julio Cezar Giudice Maluf, Isabel Cristina Lopes, Tatiana Alves C. Bichara, Juliana Arajo Silva, Isabela Umbuzeiro Valent, Renata Monteiro Buelau, Elizabeth M. F. Arajo Lima 2009 http://www.revistas.usp.br/rto/article/view/14077 O Rap e o Funk na socializao da juventude Juarez Dayrell 2002 http://www.scielo.br/pdf/ep/v28n1/11660 Percepo de letras de msicas como inspiradoras de comportamentos antissociais e pr-sociais Carlos Eduardo Pimentel, Hartmut Gnther 2009 http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/revistapsico/ article/viewFile/5419/4806 Percepes de familiares de pessoas portadoras de cncer sobre encontros musicais durante o tratamento antineoplsico Vladimir Araujo da Silva, Sonia Silva Marcon, Catarina Aparecida Sales 2014 http://www.scielo.br/pdf/reben/v67n3/0034-7167-reben-67- 03-0408.pdf Rap Rimas afetivas da periferia: reflexes na perspectiva scio- histrica Jaison Hinkel, Ktia Maheirie 2007 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010 2-71822007000500024&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt&userID=- 2 A leitura dos textos revelou a frequncia, tanto nas reas biomdica como na social, de trs elementos marcantes: o uso da msica, a formao do grupo e a especialidade do profissional mediador das prticas musicais. Quanto a esses fatores, pode-se dizer que: 1. a) O uso da msica conforme descrito pelos autores nos textos de base biomdica feita por: Utilizao de instrumentos musicais, de melodias e canes, pardias, movimentos corporais acompanhados de msica, tcnicas de
  32. 32. 33 ANAIS DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA e I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia. Volume 16 2015. improvisao e recriao de canes, visitas musicais, Musicoterapia associada Fisioterapia, msica erudita, articulao de vocalizes. 1. b) O uso da msica conforme descrito pelos autores nos textos de base social feita por: Estilos e gneros musicais como funk, rap, romntico, religioso, heavy metal, prticas musicais e encontros musicais, msica erudita, atividades musicoteraputicas, msica como estratgia educativa, ritmos e expresso corporal, instrumentos musicais em atividades ldicas, prticas musicais em musicoterapia e pardias. 2. a) A formao de grupo conforme descrito pelos autores nos textos de base biomdica feita por: Pacientes com esquizofrenia e dependentes qumicos, usurios do CAPS, pacientes em hemodilise, pacientes com doena de Parkinson, familiares de parkinsonianos, portadoras de cncer de mama, pacientes com esclerose mltipla em quimioterapia, crianas com paralisia cerebral, gestantes e mes de lactentes, neonatos e alunos de enfermagem. 2. b) A formao de grupo conforme descrito pelos autores nos textos de base social feita por: Adolescentes, jovens da periferia, pessoas com cncer, usurios da Casa de Apoio, crianas que frequentam Centro Comunitrio, idosos do Centro de Convivncia, usurios do CAPS, tcnicas de enfermagem, pessoas na sala de espera, estudantes universitrios, pessoas em situao de vulnerabilidade social, sofrimento psquico e populao em geral. 3. a) A especialidade do profissional mediador das prticas musicais conforme descrito pelos autores nos textos de base biomdica formada por: Musicoterapeutas, psiclogos, psicanalistas, mdicos, enfermeiros e fisioterapeutas. 3. b) A especialidade do profissional mediador das prticas musicais conforme descrito pelos autores nos textos de base social formada por: Musicoterapeutas, psiclogos, enfermeiros, professores de educao fsica, terapeuta ocupacional, educador musical e cientista social. CONSIDERAES A utilizao do descritor Musicoterapia resultou na recuperao de artigos de vrias reas do conhecimento que fazem o uso da msica em suas prticas. As
  33. 33. 34 ANAIS DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA e I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia. Volume 16 2015. reas variaram entre Musicoterapia, Enfermagem, Medicina, Terapia Ocupacional, Educao Musical e Psicologia. Esse conjunto de especialidades se deu devido utilizao, pelos autores, de livros especficos do campo musicoteraputico, da palavra Musicoterapia nos textos e da descrio de tcnicas e abordagens prprias da Musicoterapia. Os trabalhos encontrados foram classificados aqui em duas vertentes: a biomdica e a social. Os textos de ambas as vertentes mostraram as seguintes semelhanas e diferenas nas trs categorias encontradas: uso da msica, formao de grupo e especialidade dos profissionais. Quanto ao uso da msica, em ambas as reas foram usadas canes de diversos gneros e estilos, uso de instrumentos musicais e ritmos para acompanhar movimentos corporais. Houve um destaque nos textos biomdicos para visitas musicais, uso de tcnicas prprias da Musicoterapia na Reabilitao, enquanto que na rea social foram indicados encontros musicais, prticas musicais musicoteraputicas e nfase na cultura musical dos grupos, como funk e rap em uma prtica musical ldica e educativa. No item formao de grupo, nos textos de contexto biomdico houve unanimidade em formaes orientadas por patologias, como sofrimento psquico, dependncia qumica, doena de Parkinson, cncer, esclerose mltipla e paralisia cerebral. Nos textos de base social os grupos foram formados por adolescentes, jovens de periferia, usurios de centros comunitrios e de convivncia. No entanto, alguns textos de mbito social tambm destacaram caractersticas patolgicas de seus integrantes, fato que distoa de um trabalho nessa abordagem. As especialidades dos profissionais mediadores das prticas descritas nos textos tanto de base biomdica como social abrangeram musicoterapeutas, enfermeiros e psiclogos. Houve destaque para educador musical e cientista social na rea social. Percebeu-se a existncia de profissionais enfermeiros e psiclogos que denominaram seus trabalhos por Musicoterapia sem possurem a formao de musicoterapeuta.
  34. 34. 35 ANAIS DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA e I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia. Volume 16 2015. CONCLUSO Esta reviso de literatura teve por objetivo encontrar artigos que discorressem sobre a Musicoterapia Social. Conforme j assinalado a busca aqui realizada resultou em textos de vrias reas e fundamentados em diferentes epistemologias que permitiram a construo dos quadros fundamentados nas reas biomdica e social. Mesmo com essa depurao houve um enviesamento na construo do quadro dos artigos de base social. Nesse quadro (Quadro 5) foram includos textos que relataram prticas musicais orientadas por diferentes ticas como: Psicanlise, Enfermagem, Medicina, Terapia Ocupacional, Educao e Psicologia. A opo por no retirar esses trabalhos do quadro se deu por que esses artigos se referiam a prticas musicais em grupo que buscavam uma abertura de interveno para alm da doena. Como resultado final dessa pesquisa foram encontrados 11 textos que relatam prticas e teorias da Musicoterapia Social. Esses textos aparecem no Quadro 5 sempre com o descritor Musicoterapia no ttulo. Para finalizar, concluiu-se que a msica no domnio de uma s prtica profissional. Diferentes profisses utilizam-se da msica de variadas formas em busca de objetivos diferenciados. Em muitos dos artigos no ficou clara a forma de utilizao da msica e em outros a abordagem musicoteraputica foi utilizada sem que houvesse um musicoterapeuta envolvido no trabalho. Outro aspecto evidenciado refere-se ao ambiente em que a prtica musical acontece. Os textos tambm mostraram que o lugar onde acontece a interao musical no determina a sua abordagem. Uma interveno em um hospital, por exemplo, no caracteriza uma abordagem biomdica: ela pode ser social. O processo de seleo dos textos chegou ao encontro de 11 artigos no contexto da Musicoterapia Social. Os textos mostraram esse campo de atuao em crescimento e em demanda por mais pesquisas, produes e publicaes.
  35. 35. 36 ANAIS DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA e I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia. Volume 16 2015. REFERNCIAS BERGOLD, Leila Brito; ALVIM, Neide Aparecida Titonelli. A msica teraputica como uma tecnologia aplicada ao cuidado e ao ensino de enfermagem. Esc. Anna Nery, Rev. Enferm. 2009, jul-set; 13 (3): 537-42. _______________________________________________ Visita musical como uma tecnologia leve de cuidado. Texto Contexto Enferm, Florianpolis, 2009, jul- set; 18 (3): 532-41. OLIVER, Mike. The individual and social models of disability. Paper presented at workshop of the living options group and the Research Unit of the Royal College of Physicians, 1990. OSELAME, Mariane; CARVALHO, Fernanda. A pesquisa em Musicoterapia no cenrio social brasileiro. Revista Brasileira de Musicoterapia, ano XV, n 14, 2013, p. 67-80.
  36. 36. 37 ANAIS DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA e I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia. Volume 16 2015. O MODELO DE COGNIO MUSICAL DE KOELSCH COMO BASE PARA INTERVENES MUSICOTERAPUTICAS EM AMBULATRIO DE NEUROLOGIA- EPILEPSIA Fernanda Franzoni Zaguini6 Clara Marcia Piazzetta7 Universidade Estadual do Paran (UNESPAR) Campus de Curitiba II - FAP (Faculdade de Artes do Paran) RESUMO Este artigo apresenta o resultado de uma pesquisa que teve por objetivo descrever o processamento musical (Gestalt auditiva), a partir da expresso musical, corporal e verbal, dos pacientes com epilepsia de difcil controle no lobo temporal, durante a experincia musical em intervenes musicoteraputicas. A epilepsia uma desordem neurolgica crnica com reduo de capacidade do processamento musical, emocional e cognitivo do indivduo. Para a pesquisa foi utilizado um protocolo de intervenes musicoteraputicas organizado em quatro etapas crescentes em complexidade musical, elaborado com base no modelo cognitivo musical. Para a anlise dos dados foi feita a descrio de oito vdeos das intervenes tendo por referncia as quatro etapas do protocolo aplicado. Os resultados quantitativos mostraram que a maior parte dos participantes distinguiu os elementos musicais em relao localizao da fonte sonora, alturas e intensidades. Os resultados qualitativos foram categorizados quanto: o interesse no instrumento musical, manuseio e experimentao de instrumentos, intregrao ritmica com o grupo, lembranas de fatos da vida, capacidades de cantar e tocar ao mesmo tempo, produo ritmica desconectada com o grupo e canto sem a expresso facial. Esses resultados vm ao encontro da bibliografia estudada que relata perdas de memria, localizao espacial e capacidade de se emocionar com a msica. Contudo, competncias musicais bsicas como o ritmo e curvas meldicas mostraram-se preservadas. Palavras-chave: Musicoterapia, Modelo de Cognio Musical, Epilepsia. 6 E-mail [email protected] 7 E-mail [email protected]
  37. 37. 38 ANAIS DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA e I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia. Volume 16 2015. The cognition model of musical koelsch as a basis for intervention in outpatient musicoteraputicas neurologia- of epilepsy ABSTRACT This article presents the results of a survey that aimed to describe the musical processing (auditory Gestalt), from the musical, bodily and verbal expression of patients with difficult to control epilepsy in the temporal lobe during the music experience in music therapy interventions. Epilepsy is a chronic neurological disorder with derating of musical processing, emotional and cognitive development of the individual. For the study we used a protocol musicoteraputicas interventions organized into four steps in increasing musical complexity, prepared based on the musical cognitive model. For the analysis of the data was made the description eight videos of interventions with reference to the four steps of the protocol applied. The quantitative results showed that most of the participants distinguished musical information regarding the location of the sound source, heights and intensities. The qualitative results were categorized as: interest in musical instrument, handling and testing of tools, intregration rhythmic with the group, facts of life's memories, abilities to sing and play at the same time, rhythmic production disconnected with the group and singing without facial expression. These results are in the studied literature reporting memory loss, spatial location and ability to be moved by the music. However, basic musical skills such as rhythm and melodic curves proved to be preserved. Keywords: Music Therapy, Cognition Musical Model, Epilepsy. INTRODUO Os programas de neuroreabilitao com a msica usam de atividades rtmicas, melodias e de movimento algumas vezes separadamente. Um exemplo na Musicoterapia Neurolgica, onde os resultados das aes destas experincias musicais mostram-se muito pontuais, ou seja, os programas de reabilitao neurolgica consideram a capacidade de aprender e reaprender de cada pessoa. A aplicao teraputica da msica para estimular mudanas nas reas cognitivas, motoras e de linguagem aps doena neurolgica (MOREIRA et al., 2012). Ou seja, aprender pelas atividades musicais competncias no propriamente musicais. Muito do contexto musical como um todo se mostra diferente devido sua aplicabilidade funcional. No mbito hospitalar, utilizando como abordagem teraputica a musicoterapia prioriza a melhora integral do indivduo e sua qualidade de vida, o que abrange aspectos biolgicos e psicossociais (ZANINI, 2009). A prtica da musicoterapia em
  38. 38. 39 ANAIS DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA e I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia. Volume 16 2015. salas de espera ou grupos de pacientes especficos difere-se da proposta da reabilitao neurolgica. O foco nesse ambiente a mudana do estado, reduzindo stress e tenses, oportunizando momentos de prazer (ZANINI, 2009). Sendo assim, entendemos que no ambiente hospitalar existe uma demanda de pacientes a espera de uma consulta, com a evidncia de que essa espera causa um desconforto no indivduo, tanto para o portador da doena quanto para seu acompanhante e no diferente no ambulatrio de epilepsia. A epilepsia um conjunto de manifestaes clnicas que refletem disfuno neuronal temporria, ou seja, descargas eltricas anormais e excessivas, sendo a ELT (Epilepsia do Lobo Temporal) a forma mais comum da doena e a de mais difcil controle (MENEGELLO et al., 2006). Para a autora a ELT, ocasiona descargas eltricas excessivas antes de chegar ao crtex auditivo primrio e secundrio, passa por vrias estruturas do sistema auditivo perifrico e central e, portanto, o correto processamento dos estmulos auditivos necessita da integridade anatmica e funcional de todas as estruturas envolvidas nas vias auditivas. Clo Correia (1998) fez uma pesquisa sobre a lateralizao das funes musicais com esse pblico. A autora considera que as crises epilpticas pem em evidncia o mecanismo de funcionamento das reas cerebrais, possibilitando o estabelecimento de uma relao entre determinadas alteraes do comportamento e funes psquicas. Desta forma nesta pesquisa utilizou-se de um modelo de cognio para observar as manifestaes musicais, corporais, cognitivas e expressivas dos pacientes durante a atividade musical em intervenes musicoteraputicas. O estudo de Gabriela Papp (2014) possibilitou entender sobre o impacto da ELT e cirurgias no lobo temporal direito ou esquerdo no processamento musical. Este estudo demostrou que a funo do reconhecimento de melodias tem dominncia do hemisfrio esquerdo enquanto que a identificao das emoes em msica mostra dominncia do hemisfrio direito em pacientes sem formao musical com comprometimento do processamento cognitivo refletidos at mesmo em funes cognitivas superiores. Para a autora a lobectomia temporal apresenta um risco em potencial para a qualidade de vida das pessoas quando ocasiona tambm grandes perdas no processamento musical. Com isso a autora levanta a questo de
  39. 39. 40 ANAIS DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA e I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia. Volume 16 2015. incluso de testes sobre a capacidade musical como parte do processamento neuropsicolgico pr-operatrio com os pacientes para cirurgia. Stefan Koelsch (2005, 2011) utiliza a msica como uma ferramenta de investigao da cognio humana e seus mecanismos cerebrais subjacentes. Koelsch professor de Psicologia Biolgica e Psicologia da Msica pela Universidade Freire de Berlin na Alemanha e mostra em seus estudos que a percepo musical provoca emoes, dando origem s modulaes dos sistemas com efeitos emocionais, como as sensaes subjetivas, o sistema nervoso autnomo, o sistema hormonal e o sistema imunolgico. A proposta do modelo de cognio desenvolvido por Koelsch (2005, 2011) trata o tema da percepo musical pelo crebro humano considerando-a como uma Gestalt auditiva compreendida a parir da existncia de uma hierarquia para ativao das funes cerebrais. Nessa Gestalt esto envolvidos elementos da memria auditiva sensorial, fontes neurais localizados nos campos auditivos adjacentes, o Processamento Auditivo Central (PAC), com contribuies adicionais nas reas corticais frontais (KOELSCH, 2011, p.04). Este modelo do processamento cognitivo permite identificar as diferentes fases de percepo da msica. O autor classifica em sete mdulos o processo da percepo musical e dessa forma as suas investigaes relacionadas com a produo musical, no descartam a semntica no processo modulado pelo crebro.
  40. 40. 41 ANAIS DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA e I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia. Volume 16 2015. Figura 01 - Modelo de Cognio Musical Koelsch, 2011. Koelsch (2011) com diferentes instrumentos tais como audiometria e exames de neuroimagem, mapeou o tempo de processamento musical organizando assim o seu modelo (figura 01): Caractersticas I (periodicidade, timbre, indicativo de rugosidade, intensidade e localizao) 10ms at o evocado auditivo e tlamo; Caracterstica II (altura, cromatismo, indicativo de rugosidade, menor volume e localizao) de 10 100ms; Formao de Gestalt auditiva (melodia, ritmo, agrupamento) e anlise dos intervalos (acordes e melodias) localizados no giro temporal superior; memria auditiva sensorial de 100 200ms, localizado no giro frontal inferior; Construo das estruturas (harmnica, mtrica, rtmica, tmbrica) localizado no lobo da nsula e no giro frontal inferior; Reanlise estrutural e reparo de 600 900ms; Vitalizao (sistemas endcrino, autnomo e crtex de associaes multimodais); Ao pr-motora, localizada no crtex ventral e dorsal pr-motor.
  41. 41. 42 ANAIS DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA e I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia. Volume 16 2015. Com relao ao significado dos sons, interessante ressaltar que para poucos, um nico som pode se parecer, por exemplo, "brilhante", "spero", ou "sem graa", ou seja, o significado dos sons particular para cada pessoa. (KOELSCH, 2005). Aps as caractersticas auditivas I e II serem identificadas, a informao auditiva entra na memria do sensor acstico. Nesse ponto, a Gestalt auditiva formada (KOELSCH, 2005). Nas etapas seguintes do modelo, chega-se s aes motoras, que pde ser percebida durante as anlises de dados que quando o corpo balana acompanhando o pulso rtmico, ou o p faz uma marcao desse pulso e a memria de canes e acontecimentos significativos da vida so acionados. Quando a prtica musical de canes ou mesmo o manuseio dos instrumentos musicais se d, acontece a liberao de hormnios por essas associaes multimodais. Esta pesquisa voltou-se para a aplicao de um protocolo de atividades musicais na sala de espera do Ambulatrio de Epilepsia do Hospital das Clnicas de Curitiba com pessoas portadoras de epilepsia de difcil controle. O grupo de pessoas foi composto por pacientes e acompanhantes que se encontravam na sala, a espera da consulta. Considerando as perdas de capacidades musicais as quais as pessoas com epilepsia esto sujeitas o objetivo da pesquisa foi o de descrever o processamento musical (definido por Koelsch (2005, 2011) como Gestalt Auditiva) dos pacientes com epilepsia de difcil controle no lobo temporal, durante a experincia musical em intervenes musicoteraputicas, a partir da expresso musical, corporal e verbal. Utilizamos vdeos que auxiliaram na observao das manifestaes dos pacientes que atenderam os critrios de incluso. METODOLOGIA: FORMA DE ANLISE DOS VDEOS E ORGANIZAO DAS PLANILHAS O tipo de pesquise foi um Ensaio Randomizado Controlado tipo Cluster com pesquisa descritiva e exploratria que se utilizou de anlise de vdeo. Essa metodologia envolve estudos experimentais em investigaes mdicas de todos os indivduos que tm uma mesma doena e avaliam-se possibilidades de tratamentos
  42. 42. 43 ANAIS DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA e I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia. Volume 16 2015. (FOZ et.al, 2011). Os indivduos presentes no Ambulatrio de Epilepsia (6 Andar Anexo B HC UFPR) para a consulta de rotina foram selecionados de forma randmica e colocados em grupos. A populao e amostra foram pacientes em consultas no Ambulatrio de Epilepsia (6 Andar Anexo B HC UFPR) que assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) 8 . Os critrios de incluso considerados foram: pacientes de ambos os sexos com idade entre 18 a 60 anos; alfabetizados e sem dficits cognitivos e/ou auditivos graves e evidentes. Os critrios de excluso considerados foram: no concordar em participar da pesquisa; no serem capazes de preencher o formulrio da pesquisa; pacientes acamados. A coleta de dados da pesquisa de campo foi realizada toda a quinta-feira, no perodo das 12h00min s 13h30min no Ambulatrio de Epilepsia (6 Andar Anexo B HC UFPR). A organizao dos grupos foi feita com os pacientes que estavam na sala de espera aguardando a consulta. Aps devidamente informados sobre a pesquisa foram convidados a participar da mesma. Aos que atenderam aos critrios de incluso foi solicitado que assinassem o TCLE. Aps a assinatura do TCLE os pacientes organizados em grupos participaram antes da consulta, de atividades musicoteraputicas com durao de 50 minutos na sala de reunies do ambulatrio. A realizao da atividade musicoteraputica aconteceu nos meses de janeiro, fevereiro e maro, totalizando oito semanas. O protocolo de atividades musicais desenvolvido para a pesquisa foi: etapa um, a percepo e identificao da fonte sonora foi realizada com os participantes de olhos fechados em que apontaram com o dedo a origem do som. Constam descritos no protocolo os instrumentos musicais utilizados, pois cada um tinha uma emisso sonora diferente e, portanto favoreceu o trabalho com diferentes timbres e frequncias (agudo, mdio e grave). Para a etapa dois, a diferena de frequncia aguda e grave foi realizada com os participantes de olhos fechados em que posicionaram as mos no joelho para frequncias graves e mos na altura da cabea para frequncias agudas. A identificao de amplitude forte e fraca foi realizada com os participantes de olhos abertos com o afastamento das mos nos 8 Projeto de pesquisa e termo de consentimento livre e esclarecido aprovado pelo CEP: 932141 na data de 13/01/2015.
  43. 43. 44 ANAIS DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA e I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia. Volume 16 2015. sons fortes e a aproximao nos sons fracos. Para a etapa dois foram utilizadas algumas clulas rtmicas e meldicas com a intenso de trazer ludicidade e movimento. Na etapa trs, a ativao de memrias, foi realizada com os participantes de olhos abertos e feito o reconhecimento e a interao com os instrumentos musicais. Para esta etapa utilizamos os instrumentos para promover a relao e a interao do paciente com o as sonoridades e com os pacientes do grupo. A etapa quatro foi considerada a participao de atividades musicais complexas como: tocar, cantar e movimentar o corpo no ritmo da msica. Houve a organizao do dirio de campo que contm: a data e hora da interveno musical e acontecimentos significativos. Houve o registro em vdeo de todas as intervenes. Foram analisados os vdeos das intervenes segundo os seguintes critrios: identificao da fonte sonora, identificao e interao com as mudanas de intensidade e frequncia (curva meldica com 1 3 e 5 graus), ativao da memria auditiva sensorial, participao em atividades musicais complexas que envolvem tocar e cantar, manifestao espontnea de afetos. Os critrios de avaliao envolveram tambm, a qualidade das orquestraes e a participao na execuo musical durante a atividade. Nas observaes foi levada em considerao a percepo dos elementos musicais como o timbre, a durao, a altura, a intensidade e o ritmo para o reconhecimento do processamento cognitivo musical. A observao de movimentos corporais rtmicos e manifestaes de afeto dos pacientes tambm foram consideradas. A anlise dos vdeos comps dados quantitativos com as etapas um e dois e dados qualitativos com as etapas trs e quatro. Com isso uma leitura qualitativa das manifestaes gerou agrupamento em categorias: Etapa trs - interao, pegar, reconhecer, tocar, sorrir, interagir, descontrair, lembrana da cano, apontar, perguntar sobre o instrumento, perceber, no reconhecer, manuseio com referencia de memria, memria associativa, identificao e memrias lembranas de vida. Etapa quatro - manifestao de execuo rtmica no instrumento, produo sonora rtmica desconectada da sonoridade do grupo, canto sem auto acompanhamento, canto com acompanhamento rtmico do grupo, canto sem expresso facial e canta, toca ao mesmo tempo de modo integrado, engatar
  44. 44. 45 ANAIS DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA e I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia. Volume 16 2015. uma cano na outra, movimento corporal no fluxo da msica, inflexvel para mudana de andamento sugerido, sem o movimento corporal com a msica, recusa de executar instrumentos musicais oferecidos, pouca intensidade, ajuda para comear a tocar. RESULTADOS Para os resultados quantitativos obteve-se n-43 participantes, sendo dezesseis (16) pacientes com epilepsia. Destes, na etapa um, 62,5% distinguiram entre frequncias graves e agudas e 37,5% no distinguiram; na etapa dois, 62,23% identificaram diferena de amplitude forte e fraca e 27,57% no identificaram. Os resultados qualitativos nas etapas trs e quatro com a experincia musical revelaram o favorecimento para a interao grupal. Para a etapa trs, ativao da memria, foi feita observao das manifestaes dos pacientes sobre a dinmica do grupo com os instrumentos e apontaram-se as seguintes categorias: interao - onze (11); pegar - dez (10); reconhecer - sete (7); tocar - seis (6); sorrir - trs (3); interagir, descontrair, lembrana da cano, apontar, "que instrumento esse?" e perceber - dois (2); no reconhecer - uma (1). Foram observados tambm aspectos cognitivos que resultaram nas seguintes categorias: manuseio com referencia de memria - vinte e quatro (24); memria associativa - dez (10); identificao - sete (7); memrias lembranas de vida - duas (2). Na etapa quatro, participao em atividades musicais complexas, foi possvel identificar manifestao de: execuo rtmica no instrumento - quatorze (14); produo sonora rtmica desconectada da sonoridade do grupo e canto sem auto acompanhamento - oito (8); canto com acompanhamento rtmico do grupo, canto sem expresso facial e canta e toca ao mesmo tempo de modo integrado - trs (3); engatar uma cano na outra - duas (2); movimento corporal no fluxo da msica, inflexvel para mudana de andamento sugerido, sem o movimento corporal com a msica, recusa de executar instrumentos musicais oferecidos, pouca intensidade e ajuda para comear a tocar - uma (1).
  45. 45. 46 ANAIS DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA e I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia. Volume 16 2015. Na anlise dos resultados, os dados quantitativos mostram que a maior parte dos pacientes com epilepsia realizou as atividades sobre a identificao sonora e, uma menor parte, na escuta dos sons no perceberam as diferenas. Podemos entender que os pacientes com ELT tm dificuldades no processamento musical e mais pesquisas nesse contexto podem favorecer estratgias para o tratamento da epilepsia pela Musicoterapia. Os resultados qualitativos evidenciaram manifestaes mais intensas como manuseio com referncia de memria com vinte e quatro (24) manifestaes. Nesta classificao consideramos as memrias e as expresses faciais, pois a forma com que os pacientes manuseavam o instrumento poderia remeter a lembranas do mesmo instrumento em outra situao. Nesta etapa os pacientes geralmente estavam sorrindo e movimentando-se corporalmente, indicando uma satisfao em experimentar os instrumentos. Os dados mostram uma menor, porm significativa amostragem em relao o canto sem auto acompanhamento com oito (8) manifestaes e o canto sem expresso facial com trs (3) manifestaes. A falta de expressividade facial diante da msica e uma reduo de memria foram registradas, contudo, competncias musicais bsicas como o ritmo e curvas meldicas mostram-se preservadas. A maioria dos participantes distinguiram os elementos musicais em relao localizao, alturas intensidade, e uma minoria no distinguiram todas as categorias corroborando o descrito na literatura especfica. Os resultados qualitativos apontam para o interesse no instrumento musical, pois todos os participantes manusearam e experimentaram alguns dos instrumentos musicais disponveis e tiveram muitas manifestaes de integrao rtmica com o grupo. Em menor intensidade apresentaram-se lembranas de fatos da vida, capacidades de cantar e tocar ao mesmo tempo; um padro rtmico desconectado da sonoridade do grupo e o canto sem a expresso facial. Considerando que os participantes da atividade so portadores de ELT, esses achados validam o estudo realizado.
  46. 46. 47 ANAIS DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA e I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia. Volume 16 2015. CONSIDERAES FINAIS Percebemos que o levantamento bibliogrfico sobre o tema auxiliou a pesquisa de campo na observao das evidncias junto s expresses musicais e corporais manifestadas pelos participantes. O modelo de cognio auxiliou a construo de um protocolo de intervenes musicoteraputicas a partir de estudos do processamento cognitivo em pessoas saudveis, para aplicao em pessoas com ELT. Essa ferramenta norteou a anlise dos vdeos e corroborou com algumas informaes descritas por Papp (2014) quanto s especificidades da capacidade musical de pessoas com epilepsia. Os dficits de emoo com a msica foram percebidos na ausncia de expressividades faciais durante o canto espontneo. As questes de reduo de capacidades de identificar melodias, por outro lado, no foi vivenciado, pois, as canes sugeridas pelos pacientes foram compartilhadas e cantadas por todos. Identificou-se tambm a reduzida manifestao de capacidade para tocar e cantar ao mesmo tempo. Contudo, isso no foi considerado um dado relevante nos limites do protocolo musical utilizado, pois mais presente em pessoas com formao musical, o que no foi realidade vivida com os pacientes. Identificou-se tambm a preservao da capacidade de interaes rtmicas de acordo com os resultados apresentados por Papp (2014). Desta forma as contribuies deste trabalho foram quanto ao uso de modelos de cognio musical como base para a construo de protocolos de intervenes musicais na Musicoterapia. Com as pessoas com ELT permitiu nortear as experincias musicais considerando a capacidade de cognio musical dessa populao. As experincias e investigaes realizadas na rea da musicoterapia com pessoas com epilepsia mostram-se importantes e enriquecedoras para a musicoterapia como colaboradora no tratamento. REFERNCIAS CORREIA, C. et al. (1998), Lateralizao das funes musicais na epilepsia parcial. Arq. Neuropsiquiatria. 56(4): 747-755, 1998.
  47. 47. 48 ANAIS DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA e I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia. Volume 16 2015. FOZ, A.et al. Delineamentos de Ensaios clnicos em pesquisas odontolgicas. In Braz J Periodontol - volume 21 - issue 04, December, 2011. KOELSCH, S. The Neurosciences and Music III - Disorders and Plasticity: Ann. N.Y. Acad. Sci. 1169: 374384, 2005. KOELSCH, S. Toward a Neural Basis of Music Perception A Review and Updated Model. Frontiers in Psychology Auditory Cognitivy Neuroscience: N 10.3389/fpsyg.2011.00110, 2011. Acesso em 30/08/2014. DDisponvel em: http://journal.frontiersin.org/Journal/10.3389/fpsyg.2011.00110/abstract MENEGUELLO, J. et al. Processamento auditivo em indivduos com epilepsia de lobo temporal. Rev. Bras. Otorrinolaringol. 72(4):496-504, 2006. MOREIRA, S. V.; ALCNTARA S., TEREZA, R. M.; SILVA, D. J.; MOREIRA, M. Neuromusicoterapia no Brasil: Aspectos teraputicos na reabilitao neurolgica. Revista Brasileira de Musicoterapia. Curitiba: UBAM, n 12, p. 18~26, 2012. PAPP G, et al. The impact of temporal lobe epilepsy on musical ability. PubMed. Aug; 23(7), p. 533-6, 2014. ZANINI, Claudia Regina de Oliveira et al. O efeito da musicoterapia na qualidade de vida e na presso arterial do paciente hipertenso. Arq. Bras. Cardiol. [online]. 2009, vol.93, n.5, pp. 534-540. ISSN 0066-782X.
  48. 48. 49 ANAIS DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA e I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia. Volume 16 2015. MUSICOTERAPIA EM GRUPO COM CRIANAS NO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: MANIFESTAES MUSICAIS E SOCIOCULTURAIS. Brbara Virginia Cardoso Faria9 Rosemyriam Cunha10 RESUMO Este trabalho teve como objetivo investigar as manifestaes socioculturais e musicais de crianas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em encontros musicoteraputicos em grupo. Foram realizados cinco encontros dos quais foram feitos registros em imagens, protocolos de observao e dirio de campo com a presena de duas crianas com TEA e duas pesquisadoras,. A anlise dos dados resultou em duas categorias: manifestaes socioculturais e musicais. O estudo indicou a possibilidade do trabalho em grupo com crianas com grau leve de TEA j que no grupo evidenciou-se o relacionamento com a msica, com as pessoas e com a cultura. Palavras-chave: Grupos de Musicoterapia; Transtorno do Espectro Autista; Msica; Sociedade. ABSTRACT This work aimed to investigate the sociocultural and musical manifestations of children with Autism Spectrum Disorder (ASD) who participated in Music Therapy group sessions. Five sessions were performed, with two children with ASD, one music therapists and one music therapy undergraduate student. The sessions were recorded using video, observation protocols and report specification. Data were analysed according to their recurrence resulting in two categories: sociocultural and musical manifestations. The study indicated that group work with children with mild ASD was possible, as they showed, auditory sensitivity, expressiveness, culture appropriation, search for physical proximity and intention to communicate with the other participants. Keywords: Groups of Music Therapy; Autism Spectrum Disorder; Music; Society. 9 Graduanda em Bacharelado em Musicoterapia, egressa em 2011 pela UNESPAR Campus II Curitiba. Contato: [email protected] 10 Professora da Faculdade de Artes do Paran, curso de Musicoterapia. Doutora em Educao pela UFPR, com estgio Ps-Doutoral na McGill Unversity. Contato: [email protected]
  49. 49. 50 ANAIS DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA e I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia. Volume 16 2015. INTRODUO No Brasil, o Ministrio da Sade, em 2012, sancionou a Lei n. 12.764 (BRASIL, 2012) de Poltica de Proteo dos Direitos de Pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo e, segundo essa nova diretriz, a Rede do Sistema nico de Sade (SUS) passa a contar com orientaes relativas ao cuidado sade das famlias e das pessoas com este transtorno. O plano tem objetivo de promover aes que deem um novo sentido e uma nova visibilidade para a vida dessas pessoas (BORGES, 2012, p.28). Entre os cuidados da sade da criana com esse transtorno, encontra-se a Musicoterapia que utiliza da msica e/ou seus elementos no sentido de alcanar necessidades fsicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas do participante (UBAM, 2014). Com o objetivo de investigar quais manifestaes socioculturais e musicais as crianas com TEA expressariam ao participar de um processo musicoteraputico em grupo procuramos na reviso terica pesquisas sobre a abordagem grupal de crianas com TEA. Revelou-se nesse estudo que a predominncia do tratamento do autismo era individualizada. nesse intervalo do conhecimento que este trabalho se coloca e que pretende contribuir para a construo de saberes sobre o Transtorno de Espectro Autista, a Musicoterapia e reas afins. REVISO DE LITERATURA Com o objetivo de fundamentar a proposta desta pesquisa foram estudados cinco artigos encontrados na portal cientfico Scientific Electronic Library Online (ScIELO) de recente publicao (2010 2014), onze livros, uma dissertao de mestrado e dois trabalhos de concluso de curso. As leituras indicaram que o comportamento social de crianas no Transtorno do Espectro Autista, mais do que um 'isolamento proposital' parece decorrer, principalmente, do comprometimento na ausncia de compreenso acerca do que se quer dela [] conhecida como 'cegueira mental'. (SANINI, SIFUENTES, BOSA, 2013, p. 100).
  50. 50. 51 ANAIS DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA e I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia. Volume 16 2015. A abordagem scio histrica entende que o componente social determinante no processo de desenvolvimento de indivduos e que o desenvolvimento de todas as funes tipicamente humanas, [...] se d nas relaes sociais mediadas pelos outros, pelos instrumentos, e pela linguagem. (VYGOTSKY, 2000; GOS, 2002; PINTO; GOS, 2006; CARNEIRO et al., 2006, apud BAGAROLLO et al., 2013). Relacionadas a isso esto s brincadeiras, vistas como espaos em que a criana refina o manejo do plano interpessoal, na interao com os demais, e elabora significaes relativas cultura, construindo encenaes de personagens e de situaes que refletem as aes e relaes humanas vivenciadas em seu grupo social (BONTEMPO, 1996; GES, 2000, citado por BAGAROLLO et al., 2013, p. 109). No contexto musicoteraputico grupal, as relaes sociais acontecem no fazer musical que consiste em formas comuns de aes coletivas como cantar, agir, interagir, falar, quando estas aes so mediadas pela msica e pelos instrumentos musicais. Desta forma um instrumento, brinquedo, podem ser objetos de mediao entre o participante com o outro e/ou com o terapeuta, sendo um forte meio para conseguir a melhora da sociabilidade do autista (KRAMER, 2001) e contribuir para a diminuio de comportamentos ritualsticos. Assim, no fazer musical em grupo, envolvendo duplas ou pequenos grupos, a atividade ldica musical ter como funo ampliar e diversificar o repertrio comunicativo das crianas com autismo podendo contribuir para o aumento da durao da ateno compartilhada, procedimentos educacionais e teraputicos (FERNANDES, 2004 citado por BAGAROLLO et al., 2013, p. 109). As pessoas com este transtorno, que recebem maior oferta cultural e vivenciam experincias sociais de mais qualidade, tanto em terapia quanto em meios sociais (escolas, nibus, igrejas) apresentam diferenas em relao quelas sem tais estmulos (BAGAROLLO; RIBEIRO; PANHOCA, 2013). Desde modo, a partir dessa pesquisa, percebe-se que h a possibilidade e potencialidade de trabalho em grupo com crianas com TEA.
  51. 51. 52 ANAIS DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA e I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia. Volume 16 2015. METODOLOGIA Este trabalho, de carter qualitativo, exploratrio e de interveno, foi fundamentado na viso scio-histrica. Foram realizados cinco encontros, nos quais participaram duas pesquisadoras (orientadora e orientanda) e duas crianas do sexo masculino com grau leve de TEA, ou seja, apresentavam baixo nvel de agressividade e possibilidade de convivncia social. O participante chamado pelo nome fictcio Tom, 4, era filho nico e vivia com o pai e a me. No tempo de sua participao na pesquisa no frequentava a escola. J o participante denominado Bob, 10, possua um irmo que no morava mais com o pai e a me, sendo tratado como filho nico e frequentava a escola. Os participantes foram convidados para participar do trabalho aps a realizao de entrevistas com os pais. Os meninos se encontravam dentro dos critrios de incluso pois apresentavam: a) possibilidade de interagir com outras pessoas, b) personalidade no agressiva e c) interesse por msica. A diferena de idade entre os dois meninos foi considerada, porm, as mes relataram que o convvio com as pessoas de diferentes idades no constitua problema. O papel das mes neste pesquisa foi fundamental. Elas permaneciam na instituio no horrio dos atendimentos, ficavam disposio (do lado de fora da sala de musicoterapia) para qualquer ocorrncia que necessitasse das suas supervises. Aps os atendimentos, havia sempre uma breve conversa entre as mes. Essas trocas de informaes foram importantes para a anlise do processo. As expresses ocorridas nos encontros foram registradas em vdeos, protocolos de observao e relatrio descritivo (a partir das filmagens). Dos cinco encontros realizados quatro foram registrados. Na sala em que ocorreram os encontros os instrumentos estavam espalhados no tapete de EVA, para que as crianas se relacionassem espontaneamente com o que estava ao seu redor. Priorizou-se, nas interaes corporais e atividades, nas movimentaes e no deslocamento no espao, evitando-se o uso de cadeiras. Embora predominasse a livre expresso dos participantes na sucesso dos encontros, houve a construo de uma estrutura regular de ao: 1) o incio com os instrumentos espalhados no tapete de EVA; 2) o acolhimento sonoro s
  52. 52. 53 ANAIS DO XVI FRUM PARANAENSE DE MUSICOTERAPIA e I Seminrio Paranaense de Pesquisa em Musicoterapia. Volume 16 2015. manifestaes musicais/sonoras dos participantes e 3) o momento de despedida, com a cano Guarda - - Guarda. A abordagem utilizada centrou-se nas relaes sociais e histricas que o indivduo constri com os elementos de seu meio e cultura (BROUGRE, 2004). Nas manifestaes musi